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agosto 17, 2018



Impossibilitando indiferença no leitor desde 1851, Moby Dick é o tipo de livro que, após lido, nos faz entender a influência que gerou e indiretamente chegou aos dias de hoje. Além disso, a excelência alcançada por Herman Melville justifica o poder leviatânico de sua masterpiece, exercido sobre gerações e gerações de artistas. 

Ao pesquisar acerca da obra, é casual achar o conceito de que se trata de dois livros em um. Observação válida, pois, além do conhecido enredo (Ahab, um vingativo capitão baleeiro vai junto com sua tripulação atrás de Moby Dick, uma baleia branca de proporções acima do comum, famosa por seu comportamento agressivo e tida como impossível de ser capturada), há também dezenas de capítulos que não se limitam ao enredo central. Ishmael, o poético narrador disserta em diversos pontos de maneira descritiva sobre tudo relacionado à pesca baleeira e cetologia da época. Ainda que esses momentos enciclopédicos possam incomodar o leitor que está ávido pelo desfecho da trama da caça a baleia branca, há uma clara riqueza nos capítulos secundários, pois revela a interessante perspectiva de uma prática quase inexistente hoje em dia. Ishmael empenha-se em tornar sua profissão honrosa, elevar seus adversários (as baleias) e enobrecer sua atividade. Ele aproxima-nos dos perigos e glórias que envolviam sua caçada.  

O início da viagem do "Pequod", navio que terá como desfecho a caça de Moby Dick, será em Nantucket, nos Estados Unidos. Apesar dos riscos e dos anos em alto mar, Ishmael procura por seu primeiro trabalho na área. Ao chegar na cidade, torna-se verdadeiramente amigo de um índio, Queequeg. Eles então conseguem vagas no Pequod, acreditando se tratar de apenas mais uma viagem com objetivo de capturar o maior número possível de baleias. 


As for me, I am tormented with an everlasting itch for things remote. I love to sail forbidden seas, and land on barbarous coasts. (Ishmael) 



Já em alto mar, outros membros da tripulação assumirão o protagonismo junto a Capitão Ahab. Dois dos três imediatos da embarcação serão de suma importância no decorrer da história: Stubb e Starbuck. O primeiro, sempre bem humorado, soa muitas vezes inconsequente e encara os perigos do ofício e a excentricidade do capitão com seu cachimbo e gargalhadas. O último, sempre racional e reservado, tenta encarar a viagem de maneira profissional, ansioso pela volta ao lar, onde aguardam seu filho e esposa. É nítido que Starbuck exerce um papel completamente antagônico a Ahab. Toda contagiosa loucura exercida pelo capitão é contrabalanceada por seu raro bom senso.  

O enredo principal não se limita ao que é contado por Ishmael , há uma variação de gênero narrativo ao longo do texto, das quais valem destacar os capítulos de estrutura teatral, impecáveis momentos shakespearianos e valorosos solilóquios, diversificação que não torna o livro essencialmente confuso, ao contrário, oxigena-o com diferentes maneiras de acompanhar a história.  

A fixação de Ahab pela baleia que em outra viagem arrancara sua perna é o aspecto mais fascinante da história. De maneira igualmente assustadora e encantadora Ahab tem em suas aparições os melhores momentos do livro. Ainda que flertando com a insanidade, demonstra incrível poder de persuasão sob sua tripulação. Compartilhando com eles sua obsessão, o velho capitão intriga o leitor entre promessas, injúrias e blasfêmias. O papel é tão impactante que até os dias de hoje, no idioma inglês a expressão "Chasing the white whale" é utilizada para descrever uma busca incessante, mesmo sem sentido e perigosa. 


I leave a white and turbid wake; pale waters, paler cheeks, where'er I sail. The envious billows sidelong swell to whelm my track; let them; but first I pass.” 


“Por onde navego deixo um rastro inquieto e branco, águas pálidas, rostos mais pálidos. Os escarcéus invejosos crescem pelos flancos para submergir meu caminho. Deixe-os, mas primeiro eu passo.” 


E a chance da vingança existirá, após tanto entender os personagens, após tanto entender o que é caçar baleias em alto mar seremos apresentados ao embate entre capitão e baleia que, de maneira intensa, foi alimentado pelo escritor. Se para Starbuck o velho capitão já perdeu para si mesmo após alucinada compulsão, Ahab ignora os sóbrios avisos e mantém que por papel de Deus ou do destino tudo que importa é sua vitória sobre Moby Dick. 

  
Sink all coffins and all hearses to one common pool! and since neither can be mine, let me then tow to pieces, while still chasing thee, though tied to thee, thou damned whale! Thus, I give up the spear!" (Ahab) 


Tido por muitos uma das prosas mais difíceis da literatura dos últimos 200 anos, Moby Dick é sem dúvidas um desafio agradável ao leitor contemporâneo, que não encontra facilmente leituras com esse peso no mercado atual. O título de "Shakespeare americano da prosa" se encaixa perfeitamente com o que fornece Melville em seu estilo poético. A já citada influência é imensurável. Desde o fortalecimento do arquétipo de capitão com uma perna de pau, há inúmeras adaptações no cinema, passando pelo nome de uma popular rede de cafeteria a discos de metal e card games. Para aquele que entende o que é ser obcecado por algo ou alguém: O que aguardas para ser influenciado? 



Sinopse: Obra máxima do Romantismo norte-americano, “MOBY DICK” foi escrito pelo escritor norte-americano Herman Melville e publicado originalmente em três fascículos com o título “A Baleia”, em Londres, em 1851, e ainda no mesmo ano em Nova York em edição integral. Somente a partir de sua segunda edição que ganha seu título definitivo, “MOBY DICK”.

O livro foi revolucionário para a época, com descrições intricadas e imaginativas das aventuras do narrador Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça, tradições navais, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações, funcionamentos e armazenamento de produtos extraídos das baleias. Apesar dessas características, a obra foi inicialmente mal-recebida pela crítica literária, assim como pelo público, mas com o passar do tempo tornou-se uma das mais respeitadas obras da literatura em língua inglesa. A fama de MOBY DICK e a revisão de sua importância e sua inclusão como parte do Cânone Ocidental da Literatura se inicia a partir da década de 1910, com a revisão literária realizada por Carl Von Doren e a publicação da obra “Studies in Classic American Literature”, elaborado pelo escritor, ensaísta e poeta britânico D.H. Lawrance em 1923.

Inspirado pelas experiências pessoais do autor e por outros acontecimentos que marcaram o período, Moby Dick representa, além de uma complexa narrativa de ação, uma profunda reflexão sobre o confronto entre o homem e a natureza, ou segundo alguns especialistas, entre o homem e o Criador, reforçada pela ‘universalidade’ dos tripulantes do navio “Pequod”, o que sugere uma representação da Humanidade. Obra de profundo simbolismo, MOBY DICK inclui referências a temas diversos como religião, biologia, idealismo, pragmatismo e vingança. Herman Melville tomou como base inspiradora a história do capitão George Pollard e de seu navio baleeiro “Essex” que, em 1823, foi atingido por uma baleia antes de naufragar. Depois que o “Essex” afundou, Pollard e sua tripulação boiaram no mar sem comida ou água por três meses, e recorreram ao canibalismo antes de serem resgatados.
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agosto 14, 2018



Oi oi galera! Tudo bem com vocês? A resenha de hoje é do livro A duquesa, da autora Danielle Steel, editora Record, 335 páginas. 

👒 Angélique é a filha mais nova de um duque, fruto de seu segundo casamento. Angélique era muito próxima de seu pai, o duque Phillip. Eles tinham um relacionamento muito bonito e isso fez com que seus irmãos mais velhos, Tristan e Edward, que já não aprovavam esse segundo casamento, sentissem muito ciúmes da caçula. Angélique perdeu a mãe, que faleceu em decorrência do parto. 

👒  O duque Phillip morre deixando (como afirmava as leis da Inglaterra) a sua herança para seu filho mais velho Tristan e uma pequena parte para Edward. Angélique, por ser mulher não ficou com nada e, como esperava o duque, acabou também abandonada pelos irmãos mais velhos. Foi como uma vingança por todo o ciúmes que sentiam. 

👒 Tristan arrumou para Angélique um emprego de babá bem longe do Castelo onde moravam. Se apoderou de tudo e deixou a irmã para se virar como pudesse, sem saber que o duque antes de partir havia deixado para ela uma quantia em dinheiro. 

👒 Angélique se acostumou ao emprego de babá na casa da família Ferguson, fez amizades, amadureceu, e permaneceu lá por mais de um ano até que acontece uma reviravolta e ela se vê sem emprego e sem ter para onde ir.

👒 Angélique tem um encontro forte com uma pessoa que vai ser sua grande amiga, mas principalmente, vai fazer com que Angélique tenha uma ideia bem diferente de como investir o dinheiro que seu pai lhe deixou para conseguir se manter e também poder ajudar outras pessoas. 

👒 A partir daí acontece MUITA coisa na vida de Angélique, tudo num curto espaço de tempo. Será que Angélique vai conseguir se dar bem nesse novo negócio? Será que um dia ela vai encontrar alguém com quem queira se casar? Será que Angélique ainda vai ter a chance de se vingar de quem a abandonou? 

👑 Considerações finais: Gente tive alguns problemas com essa história... até mais da metade do livro a leitura estava literalmente se arrastando. Eu sentia muita informação sendo repetida exageradamente o que por vezes pode atrapalhar o desenvolvimento da leitura. Outro ponto que me incomodou foi que fica claro que a história se desenvolve a modo de mostrar a exaltação da Angélique e toda sua luta e dificuldade, mas eu não gostei muito da forma com que Angélique era descrita em comparação a outras mulheres, principalmente depois que ela resolve trabalhar nesse novo ramo (não posso entrar em detalhes pois seria spoiler)... Não gosto muito desses "comparativos"... afinal todas possuem suas lutas, dificuldades e méritos não é mesmo? É sim!

De forma geral, a parte final do livro se desenvolveu de forma mais fluida, a leitura foi bem mais rápida, com bastante emoção, momentos tensos e felizes. Informo que cada livro possui uma leitura diferente aos olhos de quem lê e que opiniões são totalmente singulares e sua experiência pode ser parecida ou totalmente diferente da minha. De qualquer forma, acho uma leitura legal a ser feita e analisada. A história, por fim, possui muitas reviravoltas, emoções e também bons romances!

Abraços e até a próxima!
agosto 13, 2018

Em parceria com as livrarias Travessa e Leonardo Da Vinci, a Editora Bazar do Tempo realiza nos dias 14 e 16 de agosto dois encontros sobre leituras, livros, livreiros e a paixão por livrarias, inspirados pelo lançamento Livrarias: Uma História da Leitura e de Leitores, do escritor catalão Jorge Carrión, recém-publicado pela Bazar do Tempo. 

O encontro do dia 16, terça-feira, será realizado na Travessa Botafogo e contará com a participação da jornalista Cora Rónai, o fundador da Livraria da Travessa Rui Campos, a equipe da livraria e a mediação de Mateus Baldi, do Resenha de Bolso. 


Já na quinta-feira 16 de agosto, na Livraria Leonardo da Vinci, o bate-papo contará com a presença de Raquel Menezes [presidente da Liga Brasileira de Editoras, Libre], Daniel Louzada [da Leonardo da Vinci], Solange Jacob Whehaibe [da Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro, AEL] e Daniel Chomski [Livraria Berinjela].


Mais informações sobre estes e outros eventos você encontra nas redes da Bazar do Tempo :) 


agosto 09, 2018



Olá, pessoal! Tudo bem?

Chegando com mais um resenha de um livro que gostei muito. Uma história daquelas que mexe com  o nosso emocional, dando uma cutucada de leve e nos lembrando que nem sempre conhecemos de verdade aqueles que estão próximos da gente. E, até mesmo, o quanto nos anulamos para que os outros não nos conheçam realmente. Confuso? Então, confere a resenha e vamos conversar mais sobre.

O Colecionador de Memórias -  Cecelia Ahern | Novo Conceito

Sinopse: Quando Sabrina Boggs tropeça em uma misteriosa coleção de bolinhas de gude que pertencia ao seu pai, percebe que não sabe nada sobre o homem com quem cresceu. É uma coleção valiosa e incomum – incomum se ela pensar no homem que sempre conheceu. No entanto, há algo real lá dentro, muito verdadeiro sobre seu pai, ou sobre a criança que ele fora.

Sabrina só tem vinte e quatro horas para descobrir os segredos do homem que ela pensava conhecer. Um dia para exumar memórias, histórias e pessoas que não sabia existirem. Um dia que a mudará para sempre.

Fazendo uma busca pelas memórias de seu pai, Sabrina persegue uma busca de identidade; os segredos que ela trará à tona irão mudar tudo o que dava por certo em sua vida. Mas se seu pai não é o homem que ela achou que fosse, quem é a própria Sabrina?


Com a escrita impecável de Cecelia Ahern, acompanhamos as narrativas de dois personagens. Fergus e Sabrina Boggs, pai e filha. Ele vive em uma casa de repouso desde que sofreu um AVC e, consequentemente, perdeu parte da memória. Através dos relatos dele, conhecemos seu passado, aquele que poucos conhecem. Dos detalhes de sua infância até chegar à fase adulta que escondeu por receio de não ser aceito. Com Sabrina Boggs, descobrimos junto com ela o que o pai tanto amava e fez questão de esconder. Através de uma linda e preciosa coleção de bolinhas de gude, Sabrina busca conhecer e saber mais sobre esse hobby do pai e do porquê de tanto mistério. 

Talvez passe pela cabeça que algumas bolinhas de gude não sejam um motivo grande para tanto mistério. Pode-se pensar que uma brincadeira de criança seja algo tão leve que não há a necessidade para se criar um enredo baseado nisso e, mais ainda, que possa se tirar algo para refletir. Mas o que Ahern fez muito bem nessa história foi nos mostrar como uma paixão pode dar mais motivação para nossa vida. Também que, se reprimimos essa paixão, acabamos vivendo pela metade, não sendo nós mesmos. Além de um drama familiar vivido desde sua infância, Fergus nos mostra como foi crescendo seu amor pelas bolinhas e como foi se tornando um dos melhores jogadores, participando de torneios mundiais, inclusive. Mas, acreditem. Parecia que ele tinha duas vidas. Uma era do homem que levava essa habilidade com as bolinhas de gude a sério. Mantinha sua coleção como um tesouro e ainda podia se deliciar em torneios, onde encontrava outros apaixonados. A outra vida era do homem tranquilo, trabalhador, pai de família que suava para sustentar a casa. Era essa pessoa que Sabrina conhecia. Um pai dedicado, amoroso, mas que se escondeu e nunca revelou o seu outro lado.

"Contar a Sabrina sobre isso, seria lhe dizer que eu a excluí, assim como a sua mãe, de uma parte de minha vida, por tanto tempo, que eu menti para as duas pessoas mais próximas de mim e em quem eu deveria confiar e permitir que confiassem em mim."


Sabrina, casada, com filhos e tem um emprego que é sempre mais do mesmo. Como salva-vidas na piscina de uma casa de repouso, sua ocupação não tem muita emoção. Nada acontece de novo e em casa seu casamento está morno. Junto com o marido, frequenta terapia de casal, mas está difícil perceber o que anda acontecendo para que o casamento não esteja lhe dando tantas alegrias. Quando a caixa com os pertences do seu pai, Fergus, chega em sua casa e encontra várias e várias bolinhas de gude, de diferentes materiais e tamanhos e desenhos, e com inventário com valores de cada uma, tipos, nomes e a forma como foram conquistadas, foi difícil acreditar quer pertenciam ao pai, já que em toda a sua existência, nunca tinha ouvido falar nada sobre a coleção, sobre esse hobby. Nunca. Foi com essa surpresa que Sabrina decide ir atrás de mais informações e, a cada nova descoberta sobre o seu pai, Sabrina vai percebendo que há muitas coisas que esconde de si mesma.

Cecelia Ahern conseguiu me envolver do início ao fim. É certo que se trata de uma narrativa lenta mas que, de nenhuma forma, tornou-se cansativa. É leve ao mesmo tempo que se percebe uma carga dramática, mas que ficou bem desenvolvida no enredo. A forma como a autora consegue interligar a história dos dois personagens, complementando-as e, assim, amarrando todos os elementos e mistérios antes levantados, é surpreendente. Foi difícil não me sentir totalmente envolvida por essa história. Uma história de descobertas, redescobertas, autoaceitação e mudança. 

Uma experiência de leitura incrível e que não poderia deixar de compartilhar com vocês. Espero que tenham gostado e que não esqueçam de comentar aqui as suas impressões. Quero muito saber!

Até a próxima!

Bjo, Thaís
agosto 05, 2018



Fala queridos leitores. A dica de hoje é um dos livros mais tensos que já li na vida. É da aclamada Colleen Hoover e trata-se do seu último lançamento, “Tarde Demais”, publicado pela Record. 


Sinopse: Para proteger o irmão, Sloan foi ao inferno e fez dele seu lar. Ela está presa em um relacionamento com Asa Jackson, um perigoso traficante, e quanto mais os dias passam, mais parece impossível enxergar uma saída. Imersa em uma casa incontrolável que mais parece um quartel general, rodeada por homens que ela teme e sem um minuto de silêncio, também parece impossível encontrar qualquer motivo para se sentir bem. Até Carter surgir em sua vida.

Sloan é a melhor coisa que já aconteceu a Asa. E se você perguntasse ao rapaz, ele diria que também é a melhor coisa que já aconteceu a Sloan. Apesar de a garota não aprovar seu arriscado estilo de vida, Asa faz o que é preciso para permanecer sempre um passo a frente em seu negócio e proteger sua garota. Até Carter surgir em sua vida.

A chegada de Carter pode afetar o frágil equilíbrio que Sloan lutou tanto para conquistar, mas também pode significar sua única saída de uma situação que está ficando insustentável.

Colleen Hoover não tem medo de escrever sobre assuntos delicados e Tarde demais prova isso. Perpassando as formas mais cotidianas de machismo até as formas mais intensas e cruéis de abuso, a autora mergulha na espiral atordoante que é um relacionamento abusivo.



Resenha: É o quarto livro que leio da Colleen e a autora sempre trata de temas fortes e diálogos emocionantes. Mas, com esse, eu descobri algo fundamental para fazer a leitura: oxigênio suficiente para respirar. Aliás, precisei por diversas vezes fazer pausas para prosseguir com a leitura, pois o livro, que é maravilhoso, é também tenso, forte e pesado. Entretanto, em contrapartida, é uma história envolvente, que desperta a vontade de acompanhar e saber o que vem ao virar da página. 

A vida de Sloan é um inferno diário, vivendo uma relação totalmente abusiva que inclui agressão física e sexo sem consentimento. Além de toda violência psicológica. Asa é possessivo e demonstra seu amor, que até é verdadeiro, digamos assim, da maneira mais errada que existe e, ainda, está metido com coisas erradas, com tráfico de drogas. Por isso, um policial disfarçado Carter (Luke) se infiltra na gangue dele para pegá-lo. E isso deixa a vida da pobre protagonista mais em perigo ainda - entretanto, ele também pode ser a esperança da vida dela. 

Sloan tem problemas familiares, uma mãe que é viciada, e um irmão que é especial e precisa de cuidados. Asa tem o machismo impregnado em sua alma e dá nojo acompanhar seus pensamentos e atitudes. Já Carter (Luke) passa por aquela grande dúvida: entre a razão e o coração. E as passagens são narradas pelos três personagens centrais. O que nos faz conhecer as visões de cada um. Ou seja, presenciamos assim cenas pesadas, obscuras, assustadoras e fortes, onde chorei bastante, pensando em todos que vivem isso diariamente. Vale dizer que o livro é indicado para maiores de dezoito anos, pois contém cenas bizarras, explicitas e visuais de sexo, estupro, violência, tortura e outros temas que precisam de maturidade para processar. Não é um livro fácil, porém necessário. Colleen nos faz sofrer, ter empatia, de uma forma bem simples, no modo da escrita, mas totalmente verdadeira. É um livro que você ler e fica pensando na história, digerindo na alma e na mente. Então, prepare seu coração, suas lágrimas e, mais que tudo isso, prepare-se para se preocupar com o outro, pois de repente alguém do seu lado está passando por algum tão forte e denso e precisa de socorro. 

Espero que todos leiam, reflitam e aproveitem esse livro. E até a próxima! 
Xoxo,