segunda-feira, 28 de março de 2016

[Resenha] Por onde andam as pessoas interessantes?, por Regiane Medeiros





Um brinde ao que poderia ter sido, mas não foi


“But if you loved me
Why did you leave me
Take my body, take my body
All I want is and all I need is
To find somebody
I'll find somebody like you”

All I Want – In A Perfect World, Kodaline 
2013


Quando vi que a Rebeca havia lido o livro do Daniel Bovolento, Por onde andam as pessoas interessantes?, corri para tentar ler também a fim de conversarmos a respeito, já que sempre fazemos essa troca sobre nossas leituras.

Durante a leitura dos capítulos iniciais, foi impossível não fazer conexão com alguns relacionamentos que já tive.

Normalmente, os relacionamentos quando findam, passam por algumas fases específicas, como por exemplo, a do luto, quando só pensamos em tudo o que deu errado, e geralmente isso é que fica mais impresso em nossa memória. Mas também existe a fase colorida, quando só pensamos em tudo o que era bom e a saudade dá um tom mais dourado a todas essas lembranças.

Existem aqueles momentos em que avaliamos os motivos que levaram ao fim, como também examinamos os defeitos e as qualidades dos ex-parceiros.

No livro Por onde andam as pessoas interessantes?, tem um capítulo específico sobre amores imaginários, aqueles que não chegaram a se concretizar, que ficaram na zona do “E se...”. Lendo esse capítulo, comecei a pensar principalmente nas qualidades dos meus ex e por que teríamos dado tão certo se o nosso “se...” tivesse rolado.

Fazendo uma retrospectiva, posso dizer que o R1 teria sido um ótimo par, por sua inteligência e habilidade para a área de Exatas, que eu meio que invejava já que sou uma negação com números. O F era alguém com quem eu podia falar sobre tudo e sobre nada por horas, sem nunca me entediar, o que me desafiava a ampliar meus conhecimentos e busca por informações. O R2 (tenho uma certa tendência a me relacionar com homens cujos nomes se iniciam com a letra R) tinha um coração generoso que poderia aquecer o mundo inteiro, o que me levou a diminuir o tamanho da cerca elétrica que tenho ao meu redor e deixar as pessoas se aproximarem. Por último, o R3 (não disse hahaha) era alguém que se escondia atrás de uma máscara de rudeza, mas que, quando achava que ninguém estava observando, se transformava em alguém capaz das maiores gentilezas, fazendo com que eu questionasse os julgamentos que fazia ao primeiro olhar.

Todos eles contribuíram com suas qualidades, para que eu me tornasse alguém melhor, que busca o conhecimento para conhecer a si mesma e distribuir generosidade e gentileza, apesar do sarcasmo recorrente e uma faceta cínica diante da vida.

Claro que isso levou tempo, passei por muitas noites regadas a ressentimentos e canções bregas, até que o luto pelo fim da relação passasse e eu conseguisse racionalizar tudo o que havia acontecido, emergindo de toda aquela turvidez com a mente mais clara e objetiva diante da perspectiva de um novo relacionamento.

Ainda tenho dias ruins, é claro, onde ouço repetidamente Kodaline, como chocolate e me lamento por e-mail e no Twitter sobre a ausência de pessoas interessantes nas ruas. Mas, esses dias estão mais raros atualmente, sinal de que ou o cinismo está ampliando seu território, ou de fato estou ficando mais sensata com relação ao Amor. Afinal de contas, falar sobre Amor não é fácil, mas é a nossa missão.


sábado, 26 de março de 2016

[Resenha] Por onde andam as pessoas interessantes?, de Daniel Bovolento


E eu já não sei mais se é a gente que deixou a coisa da conexão emocional se apagar por conta do momento, da apatia, da vontade interna de manter as coisas caladas, ou se o mundo não tem proporcionado bons encontros com gente interessante - que deve andar escondida. Talvez nós tenhamos nos tornado desinteressantes pela apatia. (p. 11)


E um dos recebidos de março foi Por onde andam as pessoas interessantes?, de Daniel Bovolento, publicado pela Editora Planeta de Livros em 2015. Nesta coletânea de crônicas, Daniel fala das (im)possibilidades do amor e seus (des)encontros, em histórias que de tão reais parecem impossíveis. Afinal, do amor a gente sempre duvida. E de nós mesmos então... nem te digo. Mas olha, taí um livro imperdível, viu? :)

Sinopse: Daniel parece sangrar um pouco a cada crônica que escreve. Trata de amor com a eloquência lírica da juventude e, ao mesmo tempo, com conclusões empíricas, de quem desde muito cedo aprendeu a observar e registrar o comportamento e as relações humanas. Papo de botequim diriam alguns, mas o fato é que seus textos nos despertam os sentidos, nos tiram do estado letárgico: agrada, alivia, incomoda, angustia... Não importa, faz sentir porque faz sentido.


Sobre o autor: Daniel Bovolento é publicitário, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e criador do blog Entre Todas as Coisas e escritor. Também atua como colunista do Casal Sem VergonhaÁrea H e outros grandes portais de comportamento.




Algumas histórias só podem existir em seu coração, 
não em sua vida


Eu passo por você todo dia e você nem repara, como se em um mundo sem par vivesse, à sombra das canções e também dos livros, a dedo escolhidos, e diariamente revistos, qual narrativa repetida, que não percebes, e que em silêncio observo, neste meu passo nada apressado, e o coração acelerado, como se à espera deste mundo em que junto à franja te escondes, e onde eu também me esconderia.

Tem uma coisa que eu nunca te disse. Mais de uma até, e que poderíamos conversar, talvez hoje ou amanhã, se você não estiver ocupado, te ligo na hora do almoço, quando acabar a reunião e você sair da sala, e quiser reclamar do cara do financeiro, ou beber um café, talvez sexta, umas seis e quinze ou dezenove, se o relatório estiver finalizado, e o coração doer menos, sim, eu te entendo, a dor é algo que eu também nunca te disse.

Cruzo a soleira da porta e ela fala que a gente se vê. Imagino-te assim, qual poeta em Coimbra, embora carioca, de bairro próximo a palmeiras, de onde rabiscas partituras e arpejos, ih, qual é menina, e sorrio, pois bem sei de teu gingado, paguei pra ver, porém não mais te entendo as gírias, dá pra traduzir, ó, vê se entende guria, o amor é como o sol, que bate na laje, e cega o destino, assim como a tarde, em que juntos tropeçamos, droga, amassei teu livro, deve ser por isso que a gente não mais se vê.

Ela gostou dele no momento exato em que colocou os olhos nele. Oi, esse é meu nome, que não guardei, guardei tuas cores, a camisa salmão, teu olhar castanho, tão distante como um fim de semana, meio assim cansaço e alegria, que imaginei compartilhar contigo, e compartilhamos, até você não mais enxergar-me primavera, que agora bem clara, como o verde dos olhos e a vontade de partir.

Hoje foi a primeira vez que eu não escrevi sobre você, e eu sei que você ainda está aqui, para saber o quanto não falei de você, ou se em outro romance o esqueci. Porém sabes quem sou - o que na verdade é bem esquisito, e acredito que você agora tenha até sorrido, pois um qualquer instante é suficiente para uma literatura, ou um novo caminho.

São três da tarde e você ainda não chegou. Ou talvez na sala você esteja, a tevê ligada, Botafogo versus Curíntia, porque hoje é domingo e odeias São Paulo, a ausência, e todos os seus times.

É tão estranho quando passa. Tão estranho que você conta, assim de peito estufado, pro cara do bar e pro melhor amigo, olha só cara, eu já fui infeliz, mas caí fora, não tô mais nessa, faz o mesmo, tu tem que se importar com as coisas de um outro jeito, assim ela se manca, e tropeça em si mesmo, quer dizer, nela mesma, acho que é isso.

Ele disse que era hora de eu pensar mais em mim. Não foi bem assim, mas a gente inventa, e diz que o final foi um ponto ao qual chegamos, como soldados sobreviventes a um ataque, e que hoje voltam pra casa, com alguns arranhões, porém inteiriços. E quando a fábula é assim descrita, a gente até acostuma, até acredita.

De verdade, meu bem, eu não acredito que você exista. Mas nesta invenção de diálogos te encontro, e assim nos perdemos.




(pensei que escrever sobre o amor seria mais fácil)


...

As primeiras frases em negrito são do Daniel. Mas as histórias podem ser tuas, ou inventadas, ou também minhas, porque afinal, quando a gente gosta muito de uma história, a gente quer mais é conversar com o autor, quer contar pros amigos, e esticar essa conversa, que começa lá nas páginas de Por onde andam as pessoas interessantes?, e continua neste blog, a cada momento preenchida, por minhas e suas e nossas reticências. As últimas palavras serão também as de Daniel, que a todos dedicou seu mundo, e por isso a todos recomendaremos este seu livro, que também lido por nossa colunista Regiane, cuja apreciação estará no post seguinte :)



É uma pena, amor. Eu não queria, a gente nunca quer; a gente quer contar uma história bonita; acredita em mim, acredita nisso. A gente quer o diferencial do sonho que deu certo, mesmo com todas as dificuldades, mesmo com as coisas que a gente atira no outro feito navalha do dia a dia. No fim das contas, a gente quer abraçar e dizer que vai dar tudo certo e que deu tudo certo e que foi só uma fase, mas quantas fases iguais a essa a gente passa até passar de vez? Eu teria aguentado mais um pouco; sempre aguento, sempre lembro a primeira vez em que disse que seria um prazer te conhecer. Sempre lembro? Agora eu já não lembro mais. (p. 52)



Daniel Bovolento, Por onde andam as pessoas interessantes?. SP: Planeta de Livros, 2015.

quarta-feira, 23 de março de 2016

[Resenha] Jonatas e uma leitura de Peter Pan



O tempo segura minhas mãos



"Peter Pan é uma dádiva"
Mark Twain


Se você me perguntasse sobre o dia em que conheci Peter, eu não seria capaz de responder de maneira alguma. Não me lembro da época em que não o conhecia. Era como se ele estivesse escrito na única história que sabemos ao nascermos. E não diria nada, mesmo se voltássemos muito muito no tempo, para as vagas memórias de quando mamãe me embalava no colo para dormir enquanto cantava, na época que eu não tinha idade.

Tenho certeza de que ela nunca me contou a história do menino que atravessava a janela a procura de sua sombra que fora arrancada com uma mordida pela babá, e que terminou acordando a menina Wendy e seus dois irmãos para brincar na Terra do Nunca. Tampouco assistira ao filme da Disney ou a alguma daquelas adaptações mais baratas que meu pai costumava comprar em VHS. Por isso, pode ficar sentada esperando, eu jamais direi sobre o dia em que o conheci.


Zahar
J. M. Barrie,  Peter Pan: edição comentada e ilustrada. Clássicos Zahar 


Ontem à noite, ao concluir a última linha daquela história literalmente infinita, percebi que um tal de J. M. Barrie sabia de algo com tamanho, peso e cor sobre Peter que eu sabia na época do colo de mamãe. Todavia, aquele não era um Barrie como o nome do autor que está na capa do livro, mas um Barrie que tinha um irmão que nunca crescera chamado David, um Barrie que nunca conheceremos por se ter perdido nas obras de pirata que sua mãe lia quando criança. Esse nosso Barrie desenterrou um segredo de um lugar mais profundo que a Lagoa das Sereias o sorriso de cada alegre, inocente e desalmada criança que ele conheceu. A princípio também achei estranho a coisa de desalmada, mas é por isso que é um segredo e eu não vou explicar. Você terá enfrentar por sua conta as balas de canhão atiradas pelos piratas, e guerrear contra os índios picaninny para garantir que eles te respeitem, porque o Peter do livro também é diferente do Peter que toda criança conhece. O Peter do livro não passa de uma janela aberta, igual a que sr. Darling esquecia durante à noite, e terá que passar sem medo por ela. Mas eu garanto a você que gosta de leituras mágicas e histórias fantásticas: irá adorar. E se não gostar, Peter mandou dizer que é porque você é um adulto-boboca-idiota-comedor-de-meleca que esqueceu de não crescer mais.

De especial sobre a minha própria experiência por lá, conto que durante a última luta com os piratas podia jurar que avistei uma coisa bastante inusitada. Acho que por tanto ler as aventuras de Tom e Huckleberry Finn, os vi combatendo bravamente ao lado dos Meninos Perdidos e Peter no navio. A cada golpe cortavam com suas espadas de aço a carne do inimigo e abatiam um a um na proa. Depois chutavam os vilões para se perderem no mar. Quando olhei para baixo, também vi o crocodilo abocanhando cada marujo malvado, sem fazer nenhum ruído com o relógio no estômago. Para nós que não tínhamos idade e flutuávamos sobre um Mississipi das fadas a matar piratas, o tempo não passava de uma brincadeira. 



domingo, 20 de março de 2016

[Resenha] Sobre a coletânea de poemas O ar necessário, de André di Bernardi

Em parceria com a Editora Jaguatirica, recebemos o livro O ar necessário, de André di Bernardi, cuja sinopse e apreciação compartilhamos abaixo, em forma de poesia :) 


"É necessário que uma causa sentimental, uma causa do  coração  se  torne  uma  causa  formal  para  que  a  obra  tenha  a variedade  do  verbo,  a  vida  cambiante  da  luz. (...)  A vista  lhes  dá  nome,  mas a  mão  as  conhece."  (Gaston Bachelard, A água e os sonhos)


O que inunda os olhos é também parte da casa
como sombra de um móvel que 
num desenho de tarde cai e retorna
em um rastro de pálpebra e cortina

Na manhã seguinte transpira o poeta
que ao pé da página ensurdece
ao incômodo de um devaneio 
ou tradução de seus dias

Entre vozes e alfabetos
o texto encontra sua forma
e às mãos do verso se inclina
em um à-vontade que por vezes 
chamamos poesia

Ao contemplar o sonho e a natureza
o poeta-em-nós recobra o fôlego
às margens da palavra e de si

Neste encontro ou desvio
é possível que hajam novas histórias
e algum entendimento do agora
e também de nós mesmos


 
Sinopse: O ar necessário é o quinto livro de poesia do mineiro André di Bernardi. Assim como nos anteriores, André perscruta, pelas palavras, o indizível, o eterno, a partícula divina que se encontra em cada átomo do mundo: árvores, flores, bichos, gente. Em seus versos nobres, encontramos a beleza da simplicidade, a profunda intimidade com a terra e com o céu: os dois lados em que o impossível se manifesta.

O ar necessário é, na mão de André, aquele que insufla a vida, o mesmo que se esconde e se revela em rios, borboletas, pássaros e rosas. Em seus versos, é possível encontrá-lo ainda no vento, nas ondas, nas alturas, e também na maresia, na montanha, na soberba dos gatos. E sobretudo no coração das crianças.

Neste livro, André segue buscando aquela engrenagem feita de mistério e desacerto que sentimos presente em cada relâmpago, em cada incêndio. Como o poeta reconhece Tanta persistência e delicadeza só pode vir Dele, por mais que, tolos e ingênuos, os homens acreditem enxergar, embora cegos, acreditem em probabilidades e números, embora caminhem no breu, no desamparo.

É esta a beleza da poesia de André di Bernardi: seus poemas nadam no imponderável, dançam com o inusitado, atiçam o incontrolável e o insuspeito dentro de nós. Vislumbram uma presença sobre-humana, observam que é alguém que nos observa, antes e no lugar de tudo. Basta ler os versos di Bernardi e logo se balançam nossas certezas, feito jabuticaba madura, até que caiam do pé. 



Um pouco mais sobre o autor: 'Bernardi acredita que todos os poemas, de uma forma ou de outra, trazem/buscam um pouco desta sensação de respiro, alegria e encontro. E recorre a Mario Quintana: “Quem faz um poema abre uma janela. Respira, tu que está numa cela abafada, esse ar que entra por ela. Por isso é que os poemas têm ritmo – para que possas profundamente respirar. Quem faz um poema salva um afogado”.'


sexta-feira, 18 de março de 2016

Editora Planeta de Livros - Lançamentos de Fevereiro e Março



Já conhece os lançamentos de fevereiro e março da Editora Planeta de Livros? Dentre os favoritos, selecionei os de temas voltados ao crescimento pessoal  <3 Confira as sinopses:



Que ninguém nos ouça - Leila Ferreira e Cris Guerra

“Doçura, inteligência, graça, suavidade – lembra? Também imaginei que estivessem em extinção, mas descobri que seguem vivas nas páginas de Que ninguém nos ouça. Não que seja uma literatura para mocinhas inocentes: o assunto muitas vezes é barra. Nem Leila, nem Cris saltaram de um conto de fadas. Porém, mesmo quando confidenciam a parte trash de suas trajetórias, a delicadeza continua mantendo o tom. Amargas? Nem que quisessem. Nem que tentassem. É o único talento que elas não têm.

Duas mulheres incomuns e com experiências singulares: só pelo voyeurismo consentido, já valeria dar uma espiada nessa troca de e-mails entre as duas. Porém, basta abrir a primeira página para perdermos a ilusão de que teremos algum controle sobre a leitura. É a Leila e a Cris que seguram o leitor nas mãos: fisgado e rendido, ele ficará preso até a última linha, quando então retornará à vida acreditando novamente na espécie humana.” (Martha Medeiros)



Moda Intuitiva - Cris Guerra

Já parou para pensar que ao acordar você se prepara para um desfile diário, voluntário ou não? Já parou para pensar que o seu guarda-roupa é a sua coleção? Que a moda pode ser uma forma de acentuar sua individualidade e não de uniformizar pessoas? Que moda é, acima de tudo, beleza? Não? Pois Cris Guerra, a publicitária e criadora do primeiro diário virtual de moda, o Hoje vou assim, não só pensou como registrou tudo no livro Moda intuitiva.

Lançado, pela primeira vez, em 2013, o livro, nesta nova versão, revista e atualizada segundo as novas tendências da moda, chega ao leitor acrescido de novos conteúdos e de um capítulo inédito, o “Moda e Trabalho”, com orientações sobre como compor os looks para usar no dia a dia corporativo. Além dos novos textos, o livro também conta com mais de 40 novas fotos, que ilustram ideias de composições adotadas pela autora.

Moda intuitiva sugere também reflexões para que o leitor descubra que estar na moda não significa seguir padrões pré-estabelecidos, mas encontrar, a partir das próprias referências, um estilo próprio, cheio de personalidade.



A última carta do tenente - William Douglas

Em 12 de agosto de 2000, um acidente com um submarino nuclear russo chocou a humanidade: cento e dezoito marinheiros ficaram presos quando o submarino Kursk afundou no mar de Barents, no norte da antiga União Soviética, após duas grandes explosões causadas por falhas em seu sistema de lançamento de torpedos.

Após noticiado o acidente e o naufrágio houve grande comoção da opinião pública mundial, desejosa de que fosse constituída uma operação de resgate para salvar aqueles homens. Depois de algum atraso em aceitar a ajuda ocidental e muita pressão internacional, o governo russo finalmente cedeu e navios de várias bandeiras tentaram o salvamento. Quando os primeiros mergulhadores chegaram à carcaça do submarino, contudo, não havia mais esperança, todos os tripulantes já estavam mortos.

Após abrirem uma “janela” no casco, os mergulhadores depararam-se, inicialmente, com quatro corpos. No bolso do uniforme de um deles foi encontrada uma mensagem, uma carta que, ao contrário do que se esperava, não relatava o acidente, mas era dedicada a sua esposa. A carta relatava a agonia dos vinte e três tripulantes que permaneceram vivos por algumas horas (ou talvez até um dia) após o naufrágio do submarino, e foi redigida por tato, revelando que os últimos momentos dos marinheiros foram passados em total escuridão.

Este livro é uma coletânea dos ensinamentos, descobertas e emoções que poderiam estar escritos na carta, descoberta no bolso de um dos marinheiros mortos para sua esposa.



Uma nova mulher em 30 dias - Fabiana Bertotti
(1ª reimpressão)

Conhecida por falar de assuntos do cotidiano em seu canal do Youtube, Fabiana Bertotti apresenta em Uma nova mulher em 30 dias algumas mudanças necessárias para a vida de toda mulher. Temas como autoestima, relacionamentos, perdão e felicidade são discutidos de maneira divertida e inteligente. Muito próximo de uma conversa entre amigas, este livro pode ajudar a desencadear uma atitude diferente perante a tudo.

“Hoje, o que você tem que fazer é olhar-se, mirar no espelho da alma e fazer um verdadeiro escâner de quem é essa mulher, quais são as suas frustrações e o que não pode mais continuar do mesmo jeito”, diz Fabiana. No espaço de um mês, a autora propõe uma mudança a cada dia, todos os dias.



Se eu pudesse viver minha vida novamente - Rubem Alves

Se eu pudesse viver minha vida novamente...

Neste livro, Rubem Alves viaja no tempo e no espaço. Lança o olhar sobre os sonhos, sobre as perdas e ganhos, detendo-se nos pequenos detalhes que fazem toda a diferença, recorrendo a memórias ora felizes ora dolorosas, quase sempre com um toque de nostalgia que não é arrependimento, mas sim uma saudade gostosa de algo vivido em plenitude.

É assim, com extrema delicadeza, que chega ao coração e à mente de cada um de nós, despertando-nos para o agora, acordando em nós o desejo de viver de forma diferente – nunca é tarde para isso! –, de aproveitar cada instante, de valorizar cada minuto, enchendo-o de beleza, de verdade, de leveza.


Lisbela e o Prisioneiro - Osman Lins

Original de 1964, o livro que inspirou o filme de Guel Arraes é uma comédia com referências nordestinas.

A fidelidade de Osman Lins à busca de uma expressão própria na ficção, decorrente de uma recusa à cômoda retomada do já conquistado e de uma fé inabalável no poder criador da palavra, foi reconhecida e admirada pela crítica brasileira e estrangeira, com raras exceções. No entanto, ele é um autor ainda pouco difundido. Por isso é oportuna esta publicação de Lisbela e o Prisioneiro.

Esta obra permite ao público entrar em contato com o texto, no registro dramático, de um autor meticuloso no uso da palavra e na arquitetura da peça. Lisbela e o Prisioneiro foi sua primeira peça a ser encenada com sucesso. E com certeza, é a que até hoje teve mais alcance de público. Se muito da fama de uma peça deve ser creditado ao trabalho de direção, ao desempenho dos atores, à cenografia, ao figurino, à iluminação, ao som; outro tanto pelo menos também deve ser atribuído ao texto do dramaturgo.


Editora Planeta

Curtiram os lançamentos? :) Tem algum que você gostaria de ver uma resenha aqui no Blog? Compartilha com a gente nos comentários!

terça-feira, 15 de março de 2016

Enquanto eu ponderava em silêncio - Walt Whitman


(quando não houver comentários para o mundo, volte-se à poesia...)





Enquanto eu lia o livro

Enquanto eu lia o livro, a famosa biografia:
- Então é isso (eu me perguntava)
o que o autor chama
a vida de um homem?
E é assim que alguém,
quando morto e ausente eu estiver,
irá escrever sobre a minha vida?
(Como se alguém realmente soubesse
de minha vida um nada,
quando até eu, eu mesmo, tantas vezes
sinto que pouco sei ou nada sei
da verdadeira vida que é a minha:
somente uns poucos traços
apagados, uns dados espalhados
e uns desvios, que eu busco
para uso próprio, marcando o caminho
daqui afora.)




Enquanto eu Ponderava em Silêncio

1

Enquanto eu ponderava em silêncio,
Retornando sobre meus poemas, considerando, muito demorando-me
Um Fantasma ergueu-se diante de mim, de aspecto desconfiado,
Terrível em beleza, idade e poder,
O gênio de poetas de antigas terras,
Como se a mim direcionasse seus olhos feito chama,
Com dedo apontado para muitas canções imortais
E voz ameaçadora, O que cantas tu?, disse;
Não sabes que há senão um tema para bardos sempiternos?
E que esse é o tema da Guerra, a fortuna das batalhas,
A feitura de soldados perfeitos?


2

Que assim seja, pois, respondi,
Também eu, altivo Vulto, canto a guerra – e uma maior e mais longa do que qualquer outra,
Travada em meu livro com fortunas várias – com fuga, avanço e retirada – a Vitória trêmula e deferida,
(No entanto, creio, certa, ou quase o mesmo que certa, afinal,) – O campo o mundo;
Pois a vida e a morte – para o Corpo, e para a Alma eterna,
Vede! também venho, entoando o canto das batalhas,
Eu, sobretudo, promovo bravos soldados.




Ao que foi crucificado

Meu espírito está com o teu, caro irmão,
Não te importes porque tantos, dizendo teu nome, não te compreendem;
Eu não digo teu nome, mas te compreendo (há outros também;)
Eu te especifico com graça, Ó, meu camarada, para saudar a ti e saudar àqueles que estão contigo, antes e depois – e aos que virão também,
Todos nós labutamos juntos, transmitindo o mesmo fardo e sucessão;
Nós poucos, iguais, indiferindo a terra, indiferindo o tempo;
Nós, que cingimos todo continente, toda casta – permitindo toda teologia,
Compaixonados, perceptivos, em harmonia com os homens,
Nós andamos silentes entre disputas e asserções, sem rejeitar os que disputam, nem o que é assertido;
Nós ouvimos berros e barulhos – somos tocados por divisões, ciúmes, recriminações por todo lado,
Eles se fecham peremptoriamente sobre nós, para cercar-nos, meu camarada,
No entanto andamos irrestritos, livres, por todo o mundo, em jornada por alto ou baixo, até deixarmos nossa marca indelével sobre o tempo e diversas eras,
Até saturarmos o tempo e as eras, que os homens e mulheres de raças e eras por vir, possam provar-se como nossos irmãos e amantes, como nós somos.



(Poemas encontrados na obra Leaves of Grass, em português, Folhas de Relva, em edição da Editora Hedra)
segunda-feira, 14 de março de 2016

Novidades das Editoras - Março 2016 - Global Editora


O post de hoje será dedicado aos lançamentos de março da Global Editora, com destaque para as obras de Cora Coralina, Cecília Meireles, Manuel Bandeira e Rudolf Erich Raspe.


Aventuras do Barão de Münchhausen
Rudolf Erich Raspe
Ilustrador: Lélis
Tradução / Adaptação: Orígenes Lessa

Karl Friedrich Hieronymous foi um militar que viveu entre 1720 e 1797, serviu o exército russo e tornou-se capitão de cavalaria. Após voltar de suas experiências guerreiras, recebia amigos e hóspedes, para quem contava todas as suas aventuras de caçada e viagens de maneira exagerada e fantasiosa. Foi Rudolf Erich Raspe, um bibliotecário alemão, que reuniu as histórias fantásticas do Barão em um livro publicado em Londres, em 1785. Essas fabulosas aventuras alcançaram popularidade incomparável desde o seu lançamento. Agora, Aventuras do Barão de Münchhausen (Global Editora, 128 páginas, R$ 39) chega a sua 9ª edição, com tradução e adaptação de Orígenes Lessa, nosso mestre consagrado da literatura infantojuvenil, e ilustrações de Lelis.

Os dezenove capítulos que fragmentam a obra são os encontros do Barão com seu curioso público, sempre atento às suas histórias retocadas com os mais excêntricos acontecimentos e desfechos absurdos. Lelis, por meio de seus traços certeiros, dá vida a essas narrativas tão inacreditáveis. O livro traz ainda um glossário de palavras e expressões.

Em uma de suas aventuras, o Barão de Münchhausen caminhava tranquilo quando encontrou “o mais belo veado que já apareceu” em sua vida. Como estava sem chumbo, enfiou caroços de cereja no cano de sua espingarda. “Quando ele menos esperava, toquei-lhe toda a carga na testa. Sabem o que aconteceu? O veado virou-me as costas e, lentamente, se encaminhou para a floresta.
Passou o tempo. Um ou dois anos. Estou caçando num bosque. De repente, vejo pela frente um veado gigantesco com uma cerejeira da altura de um homem a sair por entre os chifres do bicho. Era ele...”



Em Pra Brincar (Global Editora, 32 páginas, R$ 39), Manuel Bandeira faz um convite às crianças: conhecer a poesia por meio das brincadeiras com as palavras. São doze poemas acompanhados pelos traços artísticos de Claudia Scatamacchia, que reavivam as recordações da infância. Entre eles estão “Pardalzinho”, “Lenda Brasileira”, “Na Rua do Sabão”, “Trem de ferro”, “Porquinho-da-Índia” e “Vozes da Noite”.

Bandeira soube, como poucos escritores de sua geração, captar os aspectos mais simples do cotidiano, resgatar em seus versos a cultura popular, o humor e dar a eles linguagem coloquial, musicalidade, ritmo, sonoridade e lirismo.

Possibilitar o contato com os clássicos da literatura o mais cedo possível é quebrar o preconceito de que o clássico é sinônimo de velho, quando é, na verdade, algo que o tempo eternizou, certamente, por algum valor especial.


Contos de arrepiar revelados por Cora Coralina

Quem não gosta de sentir aquele friozinho correndo a espinha quando se ouve uma boa história de assombração? Em De medo e assombrações (Global Editora, 64 páginas, R$ 39), Cora Coralina nos faz voltar no tempo para a época em que as almas do outro mundo faziam procissões ou retornavam para dizer onde estava o pote de ouro.

São seis contos intrigantes publicados anteriormente nas obras O tesouro da casa velha (6ª edição, Global Editora) e Estórias da casa velha (14ª edição, Global Editora): As capas do diabo, O capitão-mor, Medo, O corpo delito, Candoca e Procissão das almas. Cada um deles ilustrado por Rogério Soud, artista premiado, que, nesta obra, corroborou, por meio de seus desenhos, com o suspense assustador de cada uma dessas histórias de arrepiar.

“O capitão-mor, mestre de campo, tinha desaparecido, misteriosamente, da cidade. Ninguém sabia dele [...]
[...] Algum crime?... Alguma vingança?... Alguma emboscada?... [...]
[...] Um século mais tarde, na Cidade de Goiás [...]”


No início da obra, a ilustração de um oratório, para o leitor fazer as suas preces antes de começar a leitura e, no final, outro, para o leitor conseguir dormir sossegado!

As capas do diabo, O capitão-mor, Medo, O corpo delito, Candoca e Procissão das almas são os seis contos presentes nesta obra repleta de terror e assombração. Aqui, Cora Coralina nos faz voltar no tempo para a época em que as almas do outro mundo faziam procissões ou retornavam para dizer onde estava o pote de ouro.

As ilustrações ficam por conta do premiado Rogério Soud.


O que se diz e o que se entende - Cecília Meireles

Há homens longamente parados a olhar os patos na água. Esses, dir-se-ia que não fazem mesmo absolutamente nada: chapeuzinho de palha, cigarro na boca, ali se deixam ficar, como sem passado nem futuro, unicamente reduzidos àquela contemplação. Mas quem sabe a lição que estão recebendo dos patos, desse viver anfíbio, desse destino de navegar com remos próprios, dessa obediência de seguirem todos juntos, enfileirados, clã obediente, para a noite que conhecem, no pequeno bosque arredondado? Pode ser um grande trabalho interior, o desses homens simples, aparentemente desocupados, à beira de um lago tranquilo. De muitas experiências contemplativas se constrói sabedoria, como a poesia. E não sabemos – nem eles mesmos sabem – se este homem não vai aplicar um dia o que neste momento aprende, calado e quieto, como se não tivesse fazendo nada.

O trecho acima faz parte do texto “A arte de fazer nada”, uma das crônicas escolhidas por Cecília Meireles para compor este O que se diz e o que se entende (Global Editora, R$ 45, 168 páginas). Se fosse possível sintetizar, em uma frase, uma definição única para esta obra, arriscaríamos dizer que seria “Não creia em teus olhos” (título de uma das crônicas desta obra). Cecília, por meio do seu olhar sempre cuidadoso, carinhoso e apaixonado pelos seres humanos, escreve o que contempla com respeito, sem julgamentos prévios.

A novidade desta segunda edição é a apresentação escrita por Ignácio de Loyola Brandão, contista, romancista e jornalista brasileiro. Convidado para escrever um curto ensaio sobre a poetae esta obra, Loyola decidiu realizar algo mais pessoal. Conta qual foi a primeira obra de Cecília que leu, e quando e como se deu esse encantamento por sua obra. E, por meio de trechos de uma entrevista feita por Pedro Bloch, também autor e cronista, para a revista Manchete em 1964, trilha toda a importância e magnitude da nossa poeta maior, sugerindo, inclusive, que o mundo seria melhor se fosse inteiramente narrado por ela.


Diário de Bordo - Cecília Meireles
Ilustrações: Fernando Correia Dias
Prefácio: Jussara Pimenta

A história de Cecília começa antes de seu nascimento, inicia-se nos Açores, onde nasceram seus antepassados. A beleza e o silêncio do mar foram enriquecidos com os mistérios e o lado obscuro da morte – revelando uma poesia mística, lírica e serena. Diário de Bordo (Global Editora, R$ 195,00, 192 páginas) é o relato de uma viagem marítima, com destino a Portugal, que durou 22 dias. Os textos, em bela prosa, descrevem, inúmeras vezes, o matrimônio entre os mistérios do oceano e os céus enormes, em que procurou captar as constantes mudanças de cor e movimento, conforme as horas do dia, as nuvens, a força e a direção dos ventos.  A obra é composta também por ilustrações de Fernando Correia Dias, artista plástico português e marido da poeta, que a acompanhou nessa viagem. As crônicas e ilustrações foram publicadas pelo diário A Nação, sob o título Diário de Bordo.

“Há as viagens que se sonham e as viagens que se fazem – o que é muito diferente.
O sonho do viajante está lá longe, no fim da viagem, onde habitam as coisas imaginadas.”

Cecília Meireles

Esta obra, em que Cecília registra suas minuciosas impressões, não retrata somente a beleza dos mares, mas também os que, na terceira classe, regressavam, vencidos e humilhados, a Portugal, sem terem realizado o sonho da América. Entretanto, foi a partir dessas crônicas, que o mar se instalou na sua poesia como tema, paisagem e símbolo. A poetisa que merecia ser lida torna-se a poetisa que não podia deixar de ser lida, graças a um livro editado em Lisboa em 1939 e dedicado aos portugueses, com poemas em sua maioria escritos nos mesmos dias em que este Diário de Bordo, durante a estada em Portugal e nos primeiros dois anos da imensa mágoa da viuvez. O nome do livro é Viagem.
 
Global Editora

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domingo, 13 de março de 2016

[Resenha] Receitas de como se tornar um bom escritor, de Linaldo Guedes

Em parceria com a Chiado Editora, recebemos para resenha o livro Receitas de como se tornar um bom escritor, do jornalista paraibano Linaldo Guedes.


Sinopse: Receitas para se tornar um escritor” traz textos sobre temas diversos que acometem o campo literário, como ampliação do número de leitores de poesia no Brasil, a importância do Concretismo, o papel do leitor diante de uma obra literária, jornalismo literário e a angústia da influência à moda de Harold Bloom, entre outros.

Também reúne textos sobre autores como Sérgio de Castro Pinto, João Cabral de Melo Neto, Paulo Leminski, Augusto dos Anjos, Vinicius de Moraes, Augusto de Campos, José Lins do Rego, Fernando Pessoa, Ariano Suassuna e Padre Antônio Vieira.

O objetivo da obra é, principalmente, provocar o debate sobre como se faz e se produz a literatura nos tempos de hoje, com o advento de novas tecnologias, a exemplo de blogues, redes virtuais e sites. E, também, de reforçar a importância da leitura de alguns autores da literatura.


Os ombros suportam o mundo, assim como a escrita, que de mãos dadas com nossos afetos e influências persiste. Quanto ao texto-de-opinião, que sob a especialidade do Jornalismo Literário encontra em meados do século XX seu lugar na imprensa, especialmente a brasileira, este é ainda um ofício reconhecido por seus alicerces de atitude, subjetividade e posicionamento político. E ainda que a imprensa e o jornalismo de hoje em pouco se aproximem de seus ideais de décadas passadas, e tampouco de seus formatos de circulação, o trabalho do texto enquanto 'agente literário' é ainda necessário, especialmente em uma época onde o gosto e a audiência se (des)equilibram em um jogo de segmentação e também aceitação indiscutível.

Em Receitas de como se tornar um bom escritor, o jornalista e poeta Linaldo Guedes apresenta-nos um apanhado de sua produção textual, que desde o ano 2000 publicada em suplementos da imprensa paraibana e em diversos portais e revistas do segmento literário. Dentre os textos selecionados, há diversos olhares sobre a produção cultural do estado da Paraíba, especialmente a da poesia, que encontra em autores como Sérgio de Castro Pinto (que para nós de outras regiões um 'poeta novo', porém de uma produção artística de mais de quatro décadas), Augusto dos Anjos e José Lins do Rego um grande legado e representatividade. Linaldo Guedes também rememora em seus textos a obra de diversos autores nordestinos, como Barbosa Lima Sobrinho, Rachel de Queiroz, João Cabral de Melo Neto e José Américo de Almeida. Nestes escritos, somos levados a uma reflexão a respeito das fronteiras de nossa literatura, e do quão "regionalistas" somos, em uma acepção errônea do termo, pois que de algum modo pouco nos dedicamos ao legado e história cultural de nosso país. Sejamos honestos: quantos de nós sabíamos que o estado da Paraíba era tão rico em literatura e poesia?...

O encontro com publicações como a de Linaldo, que se desdobra entre a proximidade do gosto e o algum distanciamento do jornalismo, é também uma oportunidade para refletirmos acerca de nossas próprias criações textuais; enquanto leitores-que-comentam-livros, penso ser importante também entender o tanto de opinião que compartilhamos em nossas páginas, assim como o tanto de possibilidades poéticas que apresentamos aos nossos interlocutores. Certamente é da 'natureza' do texto não estar isento em convicções e, de forma perigosa até, ideologias, mas é preciso que ao término de cada parágrafo haja algum objetivo, e também algum vislumbre sobre o que gostaríamos que fosse encontrado pelo leitor em nossas linhas. 

Quanto às Receitas em si, o título do livro surge a partir de um comentário de certa forma irônico do autor a respeito de alguns passos comumente conhecidos para se obter o tão sonhado "sucesso artístico"; nesta inquietação sobre a visibilidade e a qualidade da obra em si, o autor nos apresenta uma segunda e terceira provocações: "Escrever se aprende na escola, mas a escola não forma um escritor", assim como "Os poetas não leem os poetas?" (algo a se pensar, não?). E enquanto textos possivelmente publicados em algum suplemento dominical, imagino o quanto de faísca o autor causou em seus leitores e editores! Afinal, apesar dos pesares de uma escrita-de-opinião, este agridoce é também uma importante característica de quem se dispõe ao trabalho de crítica: há que se resistir aos dissabores, assim como às conquistas...

Havendo oportunidade, recomendo a todos a leitura de publicações como esta, da Chiado Editora, que deu espaço a um autor que escreve sem se ausentar, mesmo com todo o risco de seus leitores tanto o cumprimentarem como irem embora de vez. Mas escrever é todo esse risco, e talvez por isso nossa maior insistência.


sábado, 12 de março de 2016

[Parceria] Sorteio do livro O Ar necessário, publicado pela Editora Jaguatirica


E tem SORTEIO rolando em nossa página no Instagram! Em parceria com a Editora Jaguatirica, estamos sorteando:

- 1 exemplar do livro "O Ar necessário", de André di Bernardi
- 15 marcadores sortidos
- 4 cartelas de adesivos <3

Para participar é bem fácil:

1. Siga a Editora Jaguatirica no Face;
2. Siga a Editora no Instagram
3. Comente "Eu quero" em nossa postagem no Instagram e marque dois amigos :)

O sorteio será realizado no dia 18 de março de 2016 (sexta que vem) :)

Boa sorte!!! <3




Atualização: RESULTADO DO SORTEIO

Sorteio
 
E a sorteada foi a leitora @elenycesantos! Parabéns!
E obrigada a todos os amigos do Instagram que participaram! <3


quarta-feira, 9 de março de 2016

[Novos Autores] Jonatas e O Pequeno Príncipe


- Eu posso levar-te mais longe que um navio, disse a serpente.
Ela enrolou-se na perninha do príncipe, como um bracelete de ouro:
Aquele que eu toco, eu o devolvo à terra de onde veio, continuou a serpente. Mas tu és puro. Tu vens de uma estrela ...
O pequeno príncipe não respondeu.
- Tenho pena de ti, tão fraco, nessa Terra de granito. Posso ajudar-te um dia, se tiveres muita saudade do teu planeta. Posso ...
- Oh! Eu compreendi muito bem, disse o pequeno príncipe. Mas por que falas sempre por enigmas?
Eu os resolvo todos, disse a serpente.
E calaram-se os dois.




Antoine de Sant-Exupéry retorna ao deserto


Quando você lembra de algo ou conta uma história a respeito de acontecimentos que julgou importante, é mais ou menos como se encontrasse uma brecha de saída para a luz dentro de você. Você ajusta o foco numa tela e a projeta como filme. Então, ao menos nesse momento, a pequena imagem bordada em luz tem um valor maior do que mil joias de ouro e diamantes, mais do que um oceano inteiro de prata, pois nesta volátil obra de lembrança reflete um lustre, não um lustre de pedras preciosas, mas um feito de vidas de infinitas. E essas são as cores infinitas com que você preenche de beleza o mundo. Bem, talvez seja exagero dizer um mundo todo, mas, como diria a sábia raposa, ao menos com essa luz tinja de memória o trigo.

Acredito que Antoine de Saint-Exupéry tenha usado tal palheta de cores para ilustrar as páginas de O Pequeno Príncipe. Então, para este breve texto será necessário que você esqueça de tudo ao redor e fantasie comigo. Fantasie que O Pequeno príncipe é verdadeira lembrança de Antoine, e não se deve importar em refletir ser de fato influenciada por uma lembrança dos tempos em que sobrevoou os continentes ou se tratou só de um sonho. Para nós não importa.

Bem em nossa fantasia, o autor - que também era piloto de aviões -  caiu pela primeira vez no deserto e despertou com a pequena figura a lhe pedir que desenhasse um carneiro. Por aí eu ouvi dizer que desenhar um carneiro para uma criança poderia significar um punhado de coisas. Você se surpreenderia com o volume criativo de interpretações que os adultos costumam descobrir através de um carneiro numa caixa ou quando o menino conta sobre os seus problemas com gigantescas baobás, ou ainda obscuridades sobre o cuidado com sua amada rosa. Entretanto em nossa fantasia o que importa é: Antonine desenhou um carneiro; os baobás davam trabalho e eram bastante perigosos para um planeta anão; e a rosa amava um menino que também a amava. Nada mais.

Imaginemos que Antoine então voltou para casa. Os biógrafos afirmam que em seguida teve de voltar para guerra, e que seu avião foi abatido por lá nunca mais sendo visto com vida. Dizem até ter encontrado um corpo com uma bandeira da França bordada no casaco e ter recuperado uma carcaça de aeronave que juram pertencer a dele. Mas em nossa fantasia não passam de histórias. É óbvio, ao menos para mim, que no ano de 1944 seu avião não tenha caído, e sim continuado adiante, na direção de um deserto. Era o mais lógico a fazer. Qualquer criança não entenderia o contrário. E penso que no meio do deserto Antonie tenha encontrado um caminho iluminado por uma estrela, e, sem hesitar, por ele seguiu, subindo até um asteroide. E no final sentou-se numa cadeira confortável para assistir quarenta e quatro vezes o pôr-do-sol pela primeira vez.


Jonatas T. B.



 Escute a versão narrada da resenha de O Pequeno Príncipe feita em parceria com o Vooozer
uma plataforma de áudio criada para dar voz a internet.
Aperte o play, escute o áudio e dê sua opinião nos comentários :)
sábado, 5 de março de 2016

[Resenha] 23 Histórias de um Viajante, de Marina Colasanti

Em parceria com a Global Editora, recebemos para resenha o livro 23 Histórias de um Viajante, de Marina Colasanti.



Sinopse: Um viajante chega a cavalo às portas de um reino onde um príncipe vive isolado do resto do mundo. Fascinado pelas histórias que o outro lhe traz, o príncipe decide acompanhá-lo na travessia de suas próprias terras. Enquanto avançam, o viajante conta. Narrar é viajar.

Como uma caixa que contém outras caixas, essas histórias se desdobram e se somam na construção de um sentido comum, surpreendentes por sua carga mítica, fascinantes por sua modernidade.

Levado pela linguagem poética de Marina Colasanti, o leitor empreenderá através delas a sua própria viagem.


Tão altas as muralhas ao redor daquelas terras. altas como despenhadeiros, escuras como rochas. Quem mora atrás daquelas muralhas? Um moço príncipe e sua pequena corte. Por que tão altas, se é pouca a gente? Porque o moço tem medo. (p. 7)


O céu em toda a parte, vagaroso, como um espelho que em velhos contornos ensimesma. Ainda que turva, a mocidade é jovem escuridão, como a claridade um assombro para a retina.

Era um homem temporal, porém antigo. De nuvens cuidava, nos sonhos a espada, arquipélagos não mais. Após a morte de seu Nome, pouco guardara em seus domínios: a coroa e o manto, o deserto da história, alguns ouvintes. A cada manhã, o arisco sol e calendário o agraciavam em própria honestidade, e o coração do reino assim prosseguia.

Quando criança, iniciara em um mapa o traçado de suas terras, em contornos entreouvidos nos relatos da corte e da cavalaria; neste inventário de acres e artilharias, agora adulto e em batalhas ferido, o jovem Príncipe abriga-se na miopia dos sentidos, onde a memória dos campos afasta a dor e permanece, agridoce e verde, como os sabores da infância e a primeira geografia.

Em indeterminada manhã, o destino para o Reino acena, como janela que do alto se abre, em suavidade irreversível. Tendo nas mãos um escudo e um sorriso, o sentinela avista um estrangeiro, que às bordas do forte solicita passagem, para em seu cavalo em nômade jornada apenas prosseguir.

Neste mundo de fortalezas, um viajante poderia ser um intruso, ou um guardião de horizontes prometidos; no coração do Príncipe, o inesperado encontro era um revisitar de sua herança, e um cavalgar por novos desígnios. Decidira sair da torre e abrigar então o destino, e na manhã seguinte unir-se aos enigmas deste agora tão próximo estrangeiro.

Enquanto pela floresta cavalgavam, o viajante tornara o príncipe cúmplice de seus enredos. Nesta vontade de atravessar o mundo, compartilhar histórias era uma forma de reinventar-se, e pertencer a uma ficção de mundo e biografias; para o príncipe, entregar-se às fábulas era como navegar por incansáveis paisagens, que renascem às margens do que quando criança não pudera conhecer.

Em vinte e três histórias, o leitor encontra-se na voz do viajante, e com ele habita em um engenho de si mesmo. Em vinte e três quimeras, sentimo-nos como o príncipe, pioneiro em terras há muito desconhecidas. Na multidão de Marina, somos também corsários, entregues aos tesouros que suas páginas abrigam. E no momento em que não mais pudermos dizer eu, em fábulas de outrem lançaremos âncora, e teceremos raízes, porque a vida (a nossa e a do príncipe) simplesmente não se escreve sozinha.


Um viajante, disse em seu pensamento, um homem que anda pelo mundo, um homem para quem o mundo é um leque que se pode abrir. (p. 9)


Marina Colasanti, 23 Histórias de um Viajante
Conheça outros títulos da autora publicados pela Global Editora

Sobre a autora: Marina Colasanti nasceu em Asmara, na Eritreia, viveu em Trípoli, percorreu a Itália em constantes mudanças e transferiu-se com sua família para o Brasil. Viajar foi, desde o início, sua maneira de viver. Assim, aprendeu a ver o mundo com o duplo olhar de quem pertence e ao mesmo tempo é alheio. A pluralidade de sua vida transmitiu-se à obra. Pintora e gravadora de formação, é também ilustradora de vários de seus livros. Foi publicitária, apresentadora de televisão e traduziu obras fundamentais da literatura. Jornalista e poeta, publicou livros de comportamento e de crônicas, recebendo numerosos prêmios como contista. Sua obra para crianças e jovens é extensa e muitas vezes premiada.



Atualização em 17/04/16: Agradecemos à página Marina manda lembranças por gentilmente compartilhar o link de nossa resenha.


Marina Colasanti

quarta-feira, 2 de março de 2016

Novidades das Editoras - Março 2016

O post de hoje será dedicado aos lançamentos e publicações de nossas novas Editoras parceiras, a Ateliê Editorial e a Hedra.


Ateliê Editorial 


A Voz que Canta na Voz que Fala – Poética e Política na Trajetória de Gilberto Gil 
Pedro Henrique Varoni de Carvalho
Coedição Editora Universitária Tiradentes

O livro aqui apresentado é uma viagem pela trajetória de Gilberto Gil e, consequentemente, pela trajetória política e poética do nosso país. Pedro Varoni acompanha o modo como Gilberto Gil faz da poesia um instrumento de intervenção política, bem como da política um lugar de manifestação artística, poética.

[...] estamos diante de um livro que amplia o olhar daqueles que se interessam pelas vozes, pelos gestos, pelas cores e pela língua de Gil e de nossa cultura nacional, bem como pelo modo que todas essas esferas fazem vibrar – no passado e no presente – a nossa brasilidade. (Vanice Sargentini e Amanda Braga)


Leia um trecho em pdf  |  Entrevista-conversa entre Pedro Henrique Varoni e Gilberto Gil



Viva Vaia – Poesia 1949-1979
Augusto de Campos

Esta edição de Viva Vaia, obra que estava esgotada, é a mais completa de todas as que já vieram a público. Além de manter o projeto gráfico original, de Julio Plaza, ela devolve a impressão em cores a alguns poemas – dentre os quais o clássico “luxo”. Este volume contém ainda um encarte com o poema-objeto “Linguaviagem”, que não foi incluído nas versões anteriores por motivos técnicos. Vem encartado, com o livro, o CD Poesia é Risco, que contém quinze poemas musicados por Cid Campos, filho do autor.

Contém CD encartado



Fotografia & História
Boris Kossoy

A fotografia é um resíduo do passado, fonte histórica aberta a interpretações. Esse é o mote da análise interdisciplinar que Kossoy faz do processo de representação nos documentos visuais. Fotografia & História traz princípios de investigação e uma metodologia de análise crítica das fontes fotográficas, a partir de uma abordagem sociocultural. A obra, em edição revista e ampliada, é pioneira no país. Tornou-se referência importante para historiadores, cientistas sociais e estudiosos da comunicação.






Hedra


Caixa Clássicos da Literatura Universal

Com quatro clássicos de grandes nomes da literatura, a caixa reúne:
A metamorfose, de Franz Kafka; 
A volta do parafuso, de Henry James; 
No coração das trevas, de Joseph Conrad; 
e Pequenos poemas em prosa, de Charles Baudelaire.








Escritos sobre Arte
Charles Baudelaire

Reunião de quatro textos da produção crítica de Baudelaire, escritor francês hoje reverenciado como um dos paradigmas máximos da modernidade, que foram produzidos para periódicos. Estes ensaios apresentam um conjunto de reflexões estéticas incomuns para o período, como o riso na caricatura, a definição da arte filosófica e a recuperação de autores pouco valorizados.

Compõem esta edição: “Da essência do riso” (Le Portefeuille), de 1855, “Alguns caricaturistas estrangeiros” (Le Présent), de 1857, “A arte filosófica” (original encontrado entre papéis de Baudelaire e publicado postumamente em Arte romântica) e “A obra e a vida de Eugène Delacroix” (L'Opinion Nationale), de 1863



Folhas de Relva - Whalt Whitman

Folhas de Relva ocupa o lugar fundador da poesia norte-americana moderna. Ignorado e ridicularizado pela crítica de seu tempo, fosse pelo caráter experimental de seu verso, fosse pela abertura à polêmica, tratou sem restrições questões como a sexualidade e expondo uma religiosidade sem dogmas.

As sete edições do livro - que cobrem um período de 1855 a 1891 - serviriam de veículo para que Whitman vazasse seu testemunho dos principais acontecimentos e debates de um período em que os Estados Unidos assumiam o partido da modernidade, entrando em conflito com estruturas sociais e políticas de raiz colonial, como a escravidão, ao mesmo tempo em que davam os primeiros passos imperialistas.

A "Edição do leito de morte" marca o fim do processo de composição e organização do livro, reunindo quase 40 anos de uma produção poética ininterrupta, na qual as formas tradicionais da poesia dão lugar à pesquisa atenta a novas formas de expressão, bem como a sentimentos, opiniões e acontecimentos sem precedentes na constituição do cânone universal.




E vocês, já tiveram a oportunidade de ler algum dos autores citados? Olha, confesso que foi difícil escolher apenas três livros para esta apresentação, pois o catálogo de ambas as editoras é bem vasto, e com muitas obras clássicas, dessas que a gente sempre precisa ler durante a universidade... Mas, se fosse pra recomendar apenas um de cada, diria que os "achadíssimos" da lista são o Fotografia e História (nossa, como eu já 'penei' nas livrarias e sebos aqui do Rio procurando esse livro, viu! rs) e o Folhas de Relva, por motivos de: o Whitman é simplesmente um dos poetas mais incriveis do século 20 :)

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