domingo, 29 de maio de 2016

O Poeta da Madrugada, de Alceu Valença



Leia saudade quando escrevo solidão.



Alceu Valença, O Poeta da Madrugada. Portugal: Chiado Editora, 2015


Qual o intervalo entre a música e a poesia? Se fôssemos conversar sobre a origem das palavras, encontraríamos na cultura grega a melhor das definições: durante milênios, em um mundo anterior à escrita, os povos se reuniam para ouvir os sábios, também chamados poetas, que com suas palavras tornavam presentes os acontecimentos do passado, assim como os dos dias seguintes. No início do mundo, a realidade era a própria Palavra, que de mãos dadas com a memória era também sinônimo de música, e especialmente poesia.

Não nos cabe aqui complicar a Filosofia; aos interessados, recomendo este livro, e seguimos para falar de Alceu, que com a sabedoria dos bardos há quase meio século dedica-nos o seu mundo em canções e versos. 

A história de Alceu Valença tem como ponto de partida a cidade de São Bento do Una, no interior de Pernambuco, onde com seus avós conheceu a poesia, assim como a música, sob o legado de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e outros mestres nordestinos.

Ao completar 45 anos de carreira, publica O Poeta da Madrugada (Chiado Editora, 2015), uma coletânea de escritos produzidos desde a juventude, em uma época como 1968, onde a vida era um trópico de sol e insônia, e também boemia, saudade, sertão. Afinal, seja em Pernambuco ou no mundo antigo, a poesia continua sendo a musa de nossos dias, assim como a música de nossa existência. E cabe a nós esta celebração.


Acredito que mesmo quem nunca ouviu Alceu cantar, quem não o conheça enquanto cantor, rapidamente se aperceberá de que estes são versos nascidos para a música. Ou melhor: são versos que já trazem consigo a música, uma melodia interna, que permanece em nós, que continua reverberando em nós, mesmo depois que nos afastamos deles.

Sempre que vejo a lua, sempre que a vejo alta e redonda, lembro-me daquela noite, já distante, em que ouvi Alceu cantar. Sempre que me perguntam para que serve a poesia lembro-me dessa noite. A poesia não serve. A poesia não explica. A poesia é aquela lua brilhando (brilhando apenas) na infinita escuridão." (Prefácio por José Eduardo Agualusa, escritor angolano)


O Poeta da Madrugada é uma publicação organizada em dois capítulos: o primeiro, Quase uma biografia, reúne dez poemas em uma espécie de 'linha do tempo', ou itinerário, que parte do agreste, e segue pelo Recife, até São Sebastião do Rio de Janeiro. Neste percurso, o poeta perde-se por entre estradas e amores, e em seguida encontra-se nestes mesmos caminhos.

A segunda parte, Poeta das cidades, da solidão, do amor, do tempo e da saudade... guarda poemas das décadas seguintes, alguns musicados, ao ritmo da voz do pandeiro do repente e do noturno lamento, onde a solidão constrói mundos, e inaugura sonhos, não importa se com os muros que nos cercam ou com os passos que não esquecemos.



Na Primeira Manhã 
(1980)

Na primeira manhã que te perdi
Acordei mais cansado que sozinho
Como um conde falando aos passarinhos
Como uma bumba-meu-boi sem capitão
E gemi como geme o arvoredo
Como a brisa descendo das colinas
Como quem perde o prumo e desatina
Como um boi no meio da multidão

Na segunda manhã que te perdi
Era tarde demais pra ser sozinho
Cruzei ruas, estradas e caminhos
Como um carro correndo em contramão
Pelo canto da boca num sussurro
Fiz um canto demente, absurdo
O lamento noturno dos viúvos
Como um gato gemendo no porão
Solidão.


O Poeta da Madrugada é então uma leitura de muitas estradas, que na voz do autor transformam-se em uma grande viagem, onde o nordeste, o Rio e São Bento são apenas atalhos para mais um capítulo deste país chamado Música Brasileira, ou apenas Alceu Valença.




Recomeçando das cinzas
Vou renascendo pra ela
E agora penso na réstia
Daquela luz amarela

E agora penso que a estrada
Da vida tem ida e volta
Ninguém foge do destino
Esse trem que nos transporta


(Sete Desejos)


sexta-feira, 27 de maio de 2016

Poesia no Instagram

Vez por outra falamos aqui no blog de poesia. E eu até ensaiei todo um texto pra conversar com vocês. Mas deletei tudo, pois acabei de encontrar este poema aqui:


Fim de Maio
Publicado em 27/05/2016 por Rafael Am   

Amigos:

Me valem as poucas palavras sinceras.
Germina a camaradagem mantida comigo
Alimentando mentais primaveras.

Amizades são como estrelas de calor
Supernovas que mantém movente
O redor que desata os nós.

Quem vive e vê
O que aqui se lê
Sabe que o sol parece outro quando estamos sós.

Deixo meu abraço
E faço
Do enlace a maior nota na minha voz.


E por falar em abraço, disseram-me que para ler uma história é preciso entregar-se; não com estas palavras, mas entendi que é preciso abrigar-se em cada palavra, e ouvir da página o seu ritmo, e nestes instantes ser menos crítico, e apenas seguir o passo de um autor que ainda desconhecido. E poesia tem um pouco disso, um compasso diferente, que aos poucos atravessa os poros, e inunda os teus dias.

Quero então dedicar este post a alguns poetas-blogueiros, conhecidos de Instagram e emails, que a cada dia entregam um pouco de si, em letras miúdas, com destino ao poema imenso.


Há algum tempo recebi esta linda Frida acompanhada por um caderninho de prosas poéticas. Quem me enviou este amor foi a Paloma, uma jovem ilustradora, e também blogueira, lá no Sure, we have a blog. Para acompanhar este trabalho em poesia, organizado pela Paloma e seus amigos, recomendo a visita ao blog 451 Estilhaços <3




Outra Sinestesia
Publicado em 08/04/2016 por Rafael Am   
Tantas palavras
Para o maior manifesto
Ser pelo gosto do gesto.


https://451emais.wordpress.com

E como poesia nunca é demais, compartilho também alguns perfis literários que acompanho lá no Instagram.


@guilhermebacchin | blog
Guilherme Bacchin é gaúcho e boa gente, seja no email de prosa, no heterônimo e na poesia. 



Este é o perfil do DAniel ARruda TEixeira, que segue a vida com um pé no texto e outro na medicina.



Eu já falei que acho incrível o tanto de literatura que existe fora do umbigo RioSãoPaulo, né? :)



E você, acompanha a página de algum jovem escritor, seja no Face, Blog ou Instagram? Compartilha com a gente! :)
domingo, 22 de maio de 2016

Ela, uma crônica de Regiane Medeiros





Ela


Ela anda distraída pelas ruas da cidade, pensamentos desconexos e desconectados com o ambiente ao redor. Tem a impressão de que o mundo continua girando em uma direção, enquanto ela caminha num rumo totalmente diferente.

Busca conforto nos livros, letras de músicas, textos aleatórios encontrados na infinitude da internet... Imagina que Zack Magiezi escreve “Notas sobre Ela”, baseado em um conhecimento profundo de sua alma, como um melhor amigo que conhece todas as suas faces. Espera que algum dia alguém lhe escreva dedicatórias como Alexandre Guimarães faz para sua Doce Desconhecida, só para deixar seu dia um pouco melhor, mais bonito e mais doce. Aceita todos os pedidos que Fred Elboni faz, sem pestanejar, porque enxerga em cada palavra seus próprios anseios de felicidade.

Dos fones de ouvido ecoam suas canções preferidas, alimentando sua vontade peculiar de discutir ciúmes bobos ao som de Elvis Presley “We can't go on together, with suspicius minds, and we can’t build our dreams on suspicius minds” (Suspicious Minds, Elvis Presley, 1969), ou desperta a vontade de se apaixonar de novo e de novo e de novo, com o coração embalado por JourneyAnd being apart ain’t easy,on this love affair, two strangers learn to fall, in love again, I get the joy of rediscovering you” (Faithfully, Journey, 1983).

Ela liga a TV, mas não enxerga o que passa, sua mente vagando em um mundo alternativo, repleto de imagens indecifráveis em uma paleta de cores indescritíveis e belas, enquanto o gênio da comunicação, Silvio Santos, arranca gargalhadas de si mesmo e de uma plateia não presente mentalmente.

Dividindo os dias entre o que precisa fazer e sonhando com o que deseja realizar, ela está por aí no metrô tentando equilibrar a mochila em um braço e um livro no outro, enquanto desvia dos que passam por ela sem olhar; diante do espelho, procurando uma saia que disfarce o que acha imperfeito e um sapato que vai lhe causar dores, mas que é bonito, só para fazer uma boa figura diante de pessoas com quem ela nem sabe se quer estar; no ônibus olhando pela janela, enxergando coisas que só ela vê nas nuvens brancas ou cinzas, dependendo do dia; no Café bebericando um mocaccino que lhe aquece o peito e adoça os lábios que sorriem involuntariamente por esse pequeno gesto de generosidade a si própria. Ela está por aí, talvez do seu lado, ou talvez no reflexo do espelho. Porque ela é você. Ela sou eu. Tentando se encontrar enquanto se perde.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

[Parceria] Editora Autografia

É com alegria que divulgamos o trabalho de uma jovem casa publicadora carioca, que com apenas dois anos de atuação no mercado tem contribuído para o crescimento e estímulo a autopublicação em nossa cidade. Conheça a Autografia, uma editora que já conta com um catálogo com mais de 100 autores e obras:


"A Editora Autografia foi fundada em 2014 com o intuito de tornar real o sonho de muitas pessoas de “tirar o seu livro da gaveta” e publicá-lo. Romances, poesias e biografias são exemplos de alguns dos gêneros que a editora publica.

A Autografia cuida de todo o processo de publicação, oferecendo os serviços de capa, diagramação, finalização, impressão e local para o lançamento. Além disso, disponibiliza para o autor revisão ortográfica, acompanhamento por editores, assessoria de imprensa, marketing online, produção de banner, e-book etc.

Possui parceria com as livrarias Travessa e Cultura, além de realizar venda online através de seu próprio site e atender a pedidos de livrarias físicas em todo o território nacional."


Uma coisa que eu gostei bastante na Autografia é o trabalho de orientação ao autor que tem sido realizado no blog da editora. Mesmo em seus poucos meses de criação, já encontramos postagens com ótimas dicas pra quem pretende seguir por este caminho da autopublicação. Confira:


E ao passear pelo catálogo da Autografia, separamos também alguns títulos pra deixar como sugestão de leitura pra vocês (clique na imagem para ler a sinopse da obra):


E como já comentamos lá no Instagram, em breve vai rolar resenha + sorteio de um dos livros da Autografia aqui no Blog. Fique ligado! :)

Matthew Quick - Garoto21 | Pré-venda Editora Intrínseca | Entrevista do autor para o site Publishers Weekly


Quem acompanha o blog desde o início já sabe que Matthew Quick é um de meus autores contemporâneos favoritos <3 E fico feliz de ver que mais uma obra do autor, Garoto21, terá em breve seu lançamento pela Intrínseca (apesar de alguns títulos ainda continuarem inéditos no Brasil, mas... a gente torce pra que haja pelo menos uma tradução a cada ano, isso já alegra a vida <3). E como o autor é bem atuante nas redes sociais e em entrevistas, pensei em compartilhar com vocês um pouco desse material:

Sinopse e Booktrailer de Garoto21



"Repetir um movimento várias e várias vezes ajuda a clarear a mente - uma lição que Finley aprendeu muito cedo, nas quadras de basquete. Numa cidade comandada pela violência do tráfico e da máfia irlandesa, vestir a camisa 21 e dar o sangue em quadra é sua válvula de escape.

Vinte e um também é o número da camisa de Russ, um gênio do basquete. Ou pelo menos era. Recém-chegado à cidade de Bellmont depois de ter a vida virada de cabeça para baixo por uma tragédia, a última coisa que ele quer é pegar de novo numa bola.

Russ está confuso, parece negar o que lhe aconteceu e agora se autointitula um alienígena de passagem pela Terra. Finley recebe a missão de ajudá-lo a se recuperar e, para isso, precisará convencê-lo a voltar a jogar, mesmo sob o risco de perder seu lugar como estrela do time.

Contra todas as probabilidades, Russ e Finley se tornam amigos e, por mais estranho que pareça, a presença de Russ poderá transformar a vida de Finley completamente. Uma emocionante história sobre esperança, amizade e redenção, com a prosa sensível e inteligente de Matthew Quick."


Sobre o livro A Sorte do Agora


Aliás, você já segue o autor no Facebook? Em sua página há muitos links para entrevistas, como a para o site Publishers Weekly (em inglês), cujos trechos compartilhamos agora com vocês, em tradução livre (ps: como na reportagem há várias perguntas sobre títulos ainda não publicados no Brasil, selecionei para tradução os comentários de aspecto mais geral mesmo, ok):

Publishers Weekly: Ouvi falar que no início você relutava em escrever para o segmento young adult. Hoje, após a publicação de quatro títulos, você poderia nos contar o que aprendeu sobre este universo, e o que mais gosta nesta relação com o público jovem?

Matthew Quick:  Escrever para um público jovem me lembra muito a experiência do ensino. Nesta idade, carrega-se um peso menor. E por isso jovem não se deixa acomodar enquanto leitor, e também como pessoa, eu acho. Sinto que meus leitores de young adult, especialmente os adolescentes, quando gostam de determinada coisa, eles simplesmente gostam, é afetivo, pois não são obrigados a isso. Já o adulto tem essa tendência de se envolver com os assuntos da atualidade, especialmente os do meio acadêmico, ou de determinado grupo ou elite intelectual, enfim. Eles, os adultos, querem gostar das coisas certas, enquanto os jovens querem encontrar uma obra ou um texto com o qual se identifiquem, e que realmente possibilite uma experiência pessoal, profunda. E foi o que senti quando adolescente; nenhum de meus amigos gostava de ler, então, a leitura era uma experiência solitária, introspectiva. E era como se essa relação mais próxima com os livros traduzisse tudo o que eu estava sentindo. Então, é isso que eu gosto na literatura young adult. As mensagens que recebo dos fãs mais novos são, ironicamente, mais profundas que as que recebo dos adultos, especialmente porque somos muito formais, enquanto que os adolescentes escrevem sem muitas preocupações. E eles estão prontos para ouvir, dispostos a novas ideias, e ainda formando seus pontos de vista, então a literatura pode ser revolucionária para eles.

O que aprendi escrevendo young adult? Acho que a base para todos os desafios e recompensas de se escrever para adultos. Porque definitivamente existe um preconceito com o gênero young adult. Há uma certa aura esnobe por aí, especialmente na academia. Já vi pessoas rotulando os meus livros, me chamando apenas de escritor young adult. É algo que me chateia profundamente. Porque eu acho que se você é um escritor e pretende contar histórias, então você simplesmente escreve as histórias que quiser, sem ficar se preocupando com a crítica ou qualquer outra pessoa. Ainda assim, acho que sempre haverão pessoas a criticá-lo por escrever young adult, e confesso que já fui assim em algum momento mas, agora que escrevo profissionalmente, sou muito grato por poder contar minhas histórias para este público, e posso dizer que realmente amo escrever livros young adult."


E você, curte as obras do autor? Já resenhou algum livro em seu blog? Compartilha com a gente nos comentários! :)
 

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O Livro do Desassossego - Fernando Pessoa

"Que me pesa que ninguém leia o que escrevo? Escrevo-o para me distrair de viver, e publico-o porque o jogo tem essa regra. Se amanhã se perdessem todos os meus escritos, teria pena, mas, creio bem, não com pena violenta e louca como seria de supor, pois que em tudo ia toda a minha vida." (Fragmento do Trecho 118)


Criamos um costume de, aqui no Blog, compartilhar todo tipo de Literatura. Dentro de nossas preferências, é claro, mas há um gosto pelo diálogo com obras tanto consideradas clássicas como também contemporâneas, produzidas nesta alguma informalidade de nossos dias.

Há pouco mais de um mês encontrei na Saraiva uma edição das Obras Completas de Álvaro de Campos, publicada pela editora portuguesa Tinta da China. Já na Travessa, recentemente, encontrei outro exemplar de Pessoa, publicado pela mesma editora. Por ser um autor que merece uma maior atenção e estudo, neste momento compartilhamos algumas citações d'O Livro do Desassossego, e também algumas sinopses de edições encontradas nos principais sites e livrarias. Para uma resenha aprofundada sobre esta publicação, sugerimos a leitura do texto compartilhado pelo Blog Letras In.verso e Re.verso :)


Tudo quanto o homem expõe ou exprime é uma nota à margem de um texto apagado de todo. Mais ou menos, pelo sentido da nota, tiramos o sentido que havia de ser o do texto; mas fica sempre uma dúvida, e os sentidos possíveis são muitos." (Fragmento do Trecho 148)


Tinta da China

"Toda a literatura consiste num esforço para tornar a vida real. Como todos sabem, ainda quando agem sem saber, a vida é absolutamente irreal na sua realidade direta; os campos, as cidades, as ideias, são coisas absolutamente fictícias […]. São intransmissíveis todas as impressões salvo se as tornarmos literárias.", Fernando Pessoa

O «Livro do Desassossego» é um dos maiores feitos literários do século XX. Obra-prima póstuma, retrato da cidade de Lisboa e do seu retratista, compõe‑se de centenas de fragmentos, oscilando entre diário íntimo, prosa poética e narrativa, num conjunto fundamental para compreender o lugar de Fernando Pessoa na criação da consciência do mundo moderno.

Jerónimo Pizarro, reconhecido estudioso pessoano, regressa às fontes dos textos que Fernando Pessoa pretendia incorporar no «Livro do Desassossego» e redefine o cânone da sua autoria. Com uma nova organização e aperfeiçoando a decifração de quase todos os fragmentos, este livro reúne os atributos para se tornar a edição de referência.


"Dar a cada emoção uma personalidade, a cada estado de alma uma alma." (Fragmento do Trecho 26)
 


Composto de centenas de fragmentos, dos quais Fernando Pessoa publicou apenas doze, o narrador principal deste livro é o semi-heterônimo Bernardo Soares. Oscilando entre temas como as variações de seu estado psíquico, a paixão, a moral e o conhecimento, o livro não apresenta uma narrativa linear; antes é composto de diversos trechos e partes que se articulam de maneira mais ou menos aberta. Ainda assim, é a obra de Pessoa que mais se aproxima do romance.

Nesta nova edição, o pesquisador Richard Zenith estabelece nova ordem, acrescenta trechos recentemente descobertos, descarta outros que só após a digitalização do acervo do autor puderam ser corretamente compreendidos - a caligrafia difícil dava margem a inúmeros equívocos - e se posiciona em relação às novidades adotadas na recém-lançada edição crítica da obra, publicada em 2010 em Portugal e tida como base segura para as interpretações do texto.

"As coisas sonhadas só têm o lado de cá... Não se lhes pode ver o outro lado... Não se pode andar à  roda delas... O mal das coisas da vida é que as podemos ir olhando por todos os lados. As coisas de sonho só têm o lado que vemos... Têm amores só puros, como as nossas almas." (Fragmento do Trecho 346)



http://www.globaleditora.com.br/literatura/catalogo-geral/?colecao=225&LivroID=10058Global Editora

É o livro da vida de Fernando Pessoa, finalmente editado como o autor queria, respeitando todos os semi-heterônimos que fazem parte dele, devidamente assinados - Vicente Guedes, Barão de Teive e Bernardo Soares. Vale explicar que a expressão semi-heterônimo é do próprio Pessoa, que considerava como heterônimos apenas três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Ainda assim, são vozes muito próprias, que partem de biografias inventadas como personagens de teatro. Não estarem misturados ou até preteridos como em publicações passadas é a grande novidade dessa edição, preparada por uma das mais respeitadas especialistas na obra de Fernando Pessoa, Teresa Rita Lopes. Por isso a sugestão do plural do nome: Livro(s) do Desassossego. Assim como o autor foi vários, o livro também é.

A primeira parte é O livro de Vicente Guedes. Os textos nessa época ainda são muito influenciados pela corrente literária simbolista. A segunda parte, O livro do Barão de Teive, já assume um tom mais seco, de um personagem que definiu por si o fim da própria vida. A terceira parte, O livro de Bernardo Soares, é notoriamente parte do que conhecemos como Modernismo. Todos têm introduções que iluminam suas leituras, escritas por Teresa Rita Lopes, em linguagem descomplicada, ainda que contendo profundo conhecimento de causa.

Fernando Pessoa morreu cedo, em 1935, aos 47 anos. Astrólogo, ele teria previsto a data de sua morte. E organizou o que pôde, em maços de textos e indicações, o Livro do Desassossego. Começou a escrevê-lo jovem, mas documentos demonstram que desde cedo já se tratava de um projeto. A organizadora desta novíssima edição de um clássico da Literatura mundial, Teresa Rita Lopes, implode um argumento comum sobre a obra, de que ela pode ser editada de forma aleatória: Se Pessoa tivesse publicado o Livro do Desassossego tinha-o estruturado como o fez, o foi prevendo ao longo da vida. Como exemplo, ela ainda lembra que Mensagem, único livro de Pessoa publicado em vida, teve sua organização intensamente trabalhada pelo autor.

"São horas talvez de eu fazer o único esforço de eu olhar para a minha vida. Vejo-me no meio de um deserto imenso. Digo do que ontem literariamente fui, procuro explicar a mim próprio como cheguei aqui." (Fragmento do Trecho 17)

domingo, 15 de maio de 2016

Poemas, de Wislawa Szymborska - Companhia das Letras | A Primeira Fotografia, um texto de Victor Grinbaum


Minha vida está nos meus versos.
 
Terra
Um poço de memórias, estanques como um texto, que por vezes poesia: nesta procura por águas, o corpo torna-se áspero, sedento como um solo ou um desejo. Ao distanciar-se da foz, perde-se pela cidade, que hoje não mais lembrança, apenas ruína.

Homem
Pouca luz à pena, um desenho à escrivaninha. Em um naufrágio de orações, o homem canta sua herança, e diz: outrora em passaporte, em cicatriz rabisco meus passos hoje, que ainda revoltos, seja num verso ou em paralisia.

Sangue
Fere o mundo aquilo que do coração esqueces, e diz: do mal não afastes os teus pés, e dos umbrais apagues tuas origens.

Silêncio
E deixou-se fotografar. Tênue e fugaz, como névoa do chá e do tabaco, e também dos corpos, que apagam-se em texto e restituem-se em memória, nesta condição de homem que atravessa mares e terras, e por vezes deixa-se por eles naufragar.


Lembro das sabatinas nos jornais de 2011 quando do anúncio da publicação de uma autora polonesa, conhecida no Brasil por seu Nobel em 1996, e por alguns poucos escritos de nossas universidades. Em edição da Companhia das Letras (hoje, em 4ª reimpressão), a coletânea de poemas de Wislawa Szymborska era ao mesmo tempo descoberta e velho debate: seria a poesia ainda um retrato de um mundo sujeito aos homens e à guerra? Muitas as questões e interlocuções da época, que por escolha não trazemos ao blog, mas que de algum modo rememoramos hoje, nesta conversa sobre a memória e nossa origem, e também sobre a herança que nos ombros carregamos, e por vezes esquecemos.

Nesta postagem então, alguns poemas da autora, e um texto do jornalista Victor Grinbaum, de biografia também polonesa, que compartilha hoje uma reflexão sobre a memória e o holocausto, e suas reminiscências.


Sinopse: Wislawa Szymborska viveu desde menina em Cracóvia, cidade situada às margens do Vístula, no sul da Polônia. O fato de ter permanecido a vida inteira no mesmo lugar diz muito sobre essa poeta conhecida por sua reserva e extrema timidez. Contudo, embora os fatos de sua vida tenham permanecido privados, quase secretos, seus poemas viajam pelo mundo. Não são tantos: sua obra inteira consiste em cerca de 250 poemas cuja função, como declarou a poeta no discurso de Oslo, é perguntar, buscar o sentido das coisas.

Com sua poesia indagadora, Szymborska foi chamada “poeta filosófica”, ou “poeta da consciência do ser”. No Brasil, teve poemas esparsos publicados em jornais e revistas ao longo dos anos, mas esta edição da Companhia das Letras, com seleção, introdução e tradução de Regina Przybycien, é a primeira oportunidade que tem o leitor brasileiro de lê-la em português. A coletânea de 44 poemas é uma belíssima apresentação à obra dessa importante poeta contemporânea.

Poemas, de Wislawa Szymborska. Tradução de Regina Przybycien. SP: Companhia das Letras, 2011. 

 

A curta vida de nossos antepassados
Wislawa Szymborska

Não eram muitos os que passavam dos trinta.
A velhice era privilégio das pedras e das árvores.
A infância durava tanto quanto a dos filhotes dos lobos.
Era preciso se apressar, dar conta da vida
antes que o sol se pusesse,
antes que a primeira neve caísse.

Meninas de treze anos gerando filhos,
meninos de quatro rastreando ninhos de pássaros na moita,
jovens de vinte servindo de guias nas caçadas -
ainda há pouco não existiam, já não existem.
Os fins da infinitude rápido se juntavam.
As bruxas ruminavam maldições
ainda com todos os dentes da mocidade.
Sob os olhos do pai o filho se tornava homem.
Sob as órbitas do avô nascia o neto.

De todo modo, não contavam os anos.
Contavam as redes, os tachos, os ranchos, os machados.
O tempo, tão generoso para qualquer estrela do céu,
estendia-lhes a mão quase vazia
e a retirava rápido, como se tivesse pena.
Mais um passo, mais dois
ao longo de um rio brilhante,
que da treva emerge e na treva some.

Não havia nem um instante a perder,
perguntas a postergar e iluminações tardias
a não ser as que tivessem sido antes experimentadas.
A sabedoria não podia esperar os cabelos brancos.
Tinha que ver claro, antes que a claridade chegasse,
e ouvir toda voz, antes que ela se propagasse.

O bem e o mal -
dele sabiam pouco, porém tudo:
quando o mal triunfa, o bem se esconde;
quando o bem aparece, o mal fica de tocaia.
Nem um nem outro se pode vencer
nem colocar a uma distância sem volta.
Por isso se há alegria, é com um misto de aflição,
se há desespero, nunca é sem um fio de esperança.
A vida, mesmo se longa, será sempre curta.
Curta demais para se acrescentar algo.




A Primeira Fotografia 
Um texto de Victor Grinbaum

"Este é meu trisavô, Moshe Lewartovsky, na única fotografia que tirou em toda sua vida, na cidade de Łódź, Polônia, no ano de 1936.

O original deste retrato pertence ao meu tio. É um pequeno cartão, de uns 10 x 6 cm, em tom de sépia, muito danificado pelo tempo. Esta é uma ampliação posterior e retocada que está na sala da casa do meu pai. A foto original foi enviada para sua filha, minha bisavó Nechema (a quem cheguei a conhecer), às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Minha bisavó havia emigrado anos antes para o Brasil, já casada com meu bisavô Zelik, e havia lhe escrito uma carta onde expressava sua preocupação com o restante da família.

Moshe era um talmudista. Vivia para o estudo e enxergava o mundo à sua volta pelas lentes da religião. Para ele, Hashem estava zelando por Seu povo e nada de mais grave poderia lhes acontecer. Mas ele jamais escreveu tais palavras. Ao invés disso, ele apanhou um de seus grossos volumes do Talmude Babilônico e se dirigiu a um estúdio fotográfico qualquer. Naquele dia ele consentiu que se batesse a única foto de sua vida. Para judeus religiosos como ele, uma fotografia poderia acabar por se transformar em objeto de culto, contrariando o mandamento de não adorar nenhum ídolo. Mas naquele dia ele rompeu com suas crenças e se fez retratar com o volume do Talmude aberto e seu braço apoiado sobre suas páginas. Com a outra mão, ele apontou para a própria testa. E fitou as lentes da câmera.

A fotografia acabou por se tornar mais eloquente do que qualquer carta. E o recado do pai chegou à filha exilada nos trópicos: havia que se confiar em Deus acima de tudo. Mas ainda que Ele não o protegesse, sua memória sobreviveria nas mentes de seus descendentes salvos.

Três anos depois, a Polônia foi invadida pelas tropas de Hitler. Moshe Lewartovsky foi assassinado junto com sua esposa, filhos, netos, irmãos, sobrinhos e primos, logo nos primeiros dias de ocupação. Nunca se soube ao certo de que forma foram mortos e que destino tiveram seus corpos. Um único membro dos Lewartovsky, um sobrinho de Moshe, sobreviveu ao Holocausto e se estabeleceu na Bélgica após o fim da Guerra. Esteve uma única vez no Brasil, nos anos 60, para conhecer o outro pedaço sobrevivente da família. Hospedou-se em casa dos meus avós. Pouco tempo depois, minha tia, em lua de mel pela Europa, retribuiu a visita em Bruxelas. Por alguma razão desconhecida, ela acabou sendo mal recebida e desde então nunca mais houve contato entre os primos. Seus descendentes vivem hoje em Israel.

Hoje rendemos homenagens a cerca de seis milhões de homens, mulheres e crianças judeus que morreram como meu trisavô, entre os anos de 1939 e 1945. Que o seu sacrifício não tenha sido em vão."

(Victor Grinbaum é jornalista e escritor e mora no Rio de Janeiro)


Retrato de Mulher
Wislawa Szymborska

Deve ser para todos os gostos,
Mudar só para que nada mude.
É fácil, impossível, difícil, vale tentar.
Seus olhos são, se preciso, ora azuis, ora cinzentos,
negros, alegres, rasos d'água sem nenhuma razão.
Dorme com ele como a primeira que aparece, a única no mundo.

Dá-lhe quatro filhos, nenhum filho, um.
Ingênua, mas a que melhor aconselha.
Fraca, mas aguenta.
Não tem cabeça, pois vai tê-la.
Lê Jaspers e revistas de mulher.
Não entende de parafusos mas constrói uma ponte.
Jovem, como sempre jovem, ainda jovem.
Segura nas mãos um pardalzinho de asa partida
seu próprio dinheiro para uma viagem longa e longínqua
um cutelo para carne, uma compressa, um cálice de vodca.
Corre para onde, não está cansada.
Claro que não, só um pouco, muito, não importa.
Ou ela o ama ou é teimosa.
Para o bem, para o mal e para o que der e vier.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Tinderela à procura do amor na era digital, um conto de Regiane Medeiros - Wattpad

E apesar dos pesares do mundo (sexta-feira 13!) (risos), continuamos a espalhar o amor por esta rede <3 Aqui no Blog, nossa amiga Regiane tem há alguns meses compartilhado crônicas de amor e música, com as quais muito nos identificamos; já em seu blog e Wattpad, os textos autorais crescem a cada dia -  prova de que infinitos são os casos e causas do romance contemporâneo (coração tagarela esse nosso, hein!).

Como já apresentamos o trabalho do Jonatas, convido vocês a conhecer o conto Tinderela à procura do amor na era digital, também disponível na plataforma. Abaixo, a sinopse da história:

Rafaela é uma jovem enfermeira, solteira e tímida, com pouco tempo para sair e conhecer pessoas. A chegada do Tinder, aplicativo que tem como intuito promover encontros entre pessoas que moram próximas e tem interesses em comum, promete mudar seu status de relacionamento.  (Tinderela - um conto de Gih Medeiros. Segundo lugar no Concurso RomancesBr com o tema "Amor à primeira vista" - dezembro de 2015).
 
https://www.wattpad.com/story/55168157-tinderela-%C3%A0-procura-do-amor-na-era-digital

Tudo parecia calmo, porém tedioso, quando de repente, entre um clique e outro, Tinderela conhece Eduardo:


Porém, como a vida é complicada e a nossa mais ainda...


E agora, Tinderela? Nem só de aplicativos de relacionamentos vivemos?


Quer conhecer outros textos da autora? No Wattpad também estão disponíveis os contos Make a Wish e Os Primeiros Verões :) E claro, não deixe de acompanhar o Blog da Gih, onde você encontra resenhas de livros, filmes e muitas outras histórias <3
quinta-feira, 12 de maio de 2016

Histórias de um Entregador de Sonhos, de Jonatas T. B., no Wattpad

Em breve completamos 1 ano de blog <3 E como nostalgia é também meu sobrenome, quero neste aniversário (especialmente por ser o primeiro!) relembrar algumas histórias, e compartilhar os desafios e conquistas deste início, e também falar um pouco de nossos sonhos daqui pra frente.

Desde o início penso o blog como uma plataforma de encontros: o das proximidades que surgem no dia-a-dia do Instagram e páginas literárias, e o das afinidades que se prolongam e permanecem; e se chegamos até aqui, nestes primeiros-alguns meses juntos, foi por essa identificação e amizade entre nossas palavras: tão bom este afeto que surgem por entre as linhas de alguém que não conhecíamos!

Não é fácil o exercício da generosidade - e falo não apenas o do autor-blogueiro em relação aos seus amigos-leitores; penso que encontrar um trecho de beleza nas palavras de todo autor (não importa se um John Green ou o independente de trinta e dois exemplares) seja árdua tarefa, e por isso a mais importante, a que despertará um maior sentido em nossa vida aqui, online, escrevendo, e conhecendo outros pares que também dedicam seus dias a leituras, dedicatórias e escritas.

Talvez a imagem da carta não seja suficiente, mas gosto da ideia de que todo encontro é como um envelope com um remetente incompleto, meio rasurado até, e que chegou até nós com alguma voz de incerteza, mas com uma vontade-certa de ser encontrado, e quem sabe até completo.

https://www.wattpad.com/story/65701298-hist%C3%B3rias-de-um-entregador-de-sonhos

Vamos dar um salto nesta história: há alguns meses o blog começou a contar com a participação de dois novos autores-amigos, que também blogueiros, de gostos e olhares muito particulares, e que já fazem parte de nossa família Papel Papel: Regiane Medeiros (que contribui com crônicas e reflexões de amor e música) e Jonatas T. B (nosso entusiasta da literatura fantástica e suas vertentes).  E pra comemorar estas parcerias, divulgaremos inspiradoras histórias compartilhadas por estes amigos no Wattpad. Conheça então um pouco do trabalho do Jonatas em suas "Histórias de um Entregador de Sonhos":

https://www.wattpad.com/story/65701298-hist%C3%B3rias-de-um-entregador-de-sonhos

A história ainda está no começo, então, se você tem uma conta no Wattpad, pode acompanhar o passo a passo desta criação, e claro, deixar seus comentários para o autor :)

Segue mais um trecho, agora do primeiro capítulo:

   https://www.wattpad.com/story/65701298-hist%C3%B3rias-de-um-entregador-de-sonhos

Ah, o Jonatas é também colaborador dos seguintes blogs:

https://poligrafia.wordpress.com/

http://nerdgeekfeelings.com/

Quanta coisa acontecendo por aí, né... E vamos seguindo! Na próxima postagem, compartilharemos novas crônicas da amiga Regiane, a menina que não para de ler.

Gostaria de deixar alguma sugestão pra gente? Compartilhe suas ideias nos comentários! Ficaremos felizes com a prosa <3
quarta-feira, 11 de maio de 2016

Novidades das Editoras - Jaguatirica - Lançamentos de Maio + Evento Literário no Rio de Janeiro

Novidades, lançamentos e eventinhos: taí algo que amamos <3 Pra quem estiver no Rio de Janeiro nesta na próxima semana, a Editora Jaguatirica realizará dois lançamentos de livros, além de um evento destinado a novos autores e editoras independentes. Aos amigos de outras cidades, fica a dica de leitura destes novos autores, e também do trabalho dos palestrantes que participarão da conversa literária. Confira a programação :)


Divagaísmo, de Cláudio Furtado
Lançamento: 12/05


'Divagaísmo' é essa arte de sair só e lentamente da realidade. Se antes os poetas flanavam para encontrar inspirações nos ares das ruas, hoje eles divagam através do éter, através desse grande espaço mágico, único e interminável que é a existência. Os poemas de Cláudio Furtado vão revelando surpresa, dúvida, deslumbramento, espanto, encontrando um mundo que não precisa ser real e concreto, mas que pode ser ideal e criado com as palavras.

O livro tenta expressar, a começar pelo título, seu estilo de escrever, o qual ele descreve como uma divagação por tudo que o chama a atenção na existência. “Assim que me sinto em processo criativo, sinto-me divagando pela e através da abençoada inspiração que a vida me proporciona”.

Divagaísmo é o livro de estreia do poeta e escritor carioca Cláudio Furtado. Editado pela Jaguatirica, o livro será lançado no dia 12 de maio, quinta-feira, a partir das 18h, no Café e Restaurante Gracioso (Rua Sacadura Cabral 97, 2º piso – Saúde).


Guia O Cluster - Cem Criativos Cariocas
Lançamento: 14/05 


O 'Guia O Cluster' traz cem histórias de empreendedores cariocas e suas iniciativas no mercado criativo do Rio de Janeiro. Pessoas que fazem diferença e surpreendem consumidores nativos e visitantes estrangeiros com suas ideias, novidades e talentos. Aqui você encontra nomes, contatos e endereços únicos para fazer compras, comer, beber e se divertir. São dicas de arte, design, música, moda e gastronomia que você sempre quis, mas nunca encontrou catalogadas em nenhum outro lugar. Tudo nesse livro foge do lugar-comum e encanta: o texto leve e descompromissado, os ângulos e conceitos das imagens, a apresentação de forma e conteúdo. Contemporâneo e exclusivo, o Guia O Cluster mostra como essa nova forma de consumo - local, interativa, sustentável e consciente - é cada vez mais imprescindível.


Evento Literário:  
Edição e autopublicação - desafios e possibilidades
1º Encontro: 19/05
 
 

A Editora Jaguatirica vai promover ao longo deste ano e de 2017 vários encontros sobre edição e literatura na Blooks Livraria, em Botafogo. Os encontros periódicos vão abordar temas desafiadores do mercado editorial com a participação de autores e agentes que atuam no universo do livro.  O objetivo dos encontros, segundo Paula Cajaty, editora e diretora da Jaguatirica, é proporcionar momentos de reflexão sobre temas atuais e novos caminhos para a produção literária.

Os encontros são destinados a jovens autores, profissionais do mercado editorial e interessados em literatura. “Desde 2014, livrarias e editoras estão cada vez mais compreendendo que é essencial tirar as pessoas do mundo virtual e trazê-las para o diálogo, para a interação presencial, apresentando debates ricos em espaços coletivos, com reflexões sobre os novos rumos da cultura e da informação.”

Confira a programação do primeiro encontro #JaguatiricaNaBlooks já confirmado:

19/05 - 19h - Edição e autopublicação: desafios e possibilidades
Soluções para melhorar a visibilidade e vendas de novos modelos editoriais e o self-publishing, que estão mudando as formas de ler, escrever, publicar e comprar livros. 
Convidados:
Leandro Müller, coordenador da Pós-graduação em Edição e Gestão Editorial pelo Nespe/USU e autor de Como editar seu próprio livro;
Paula Cajaty, autora e editora da Jaguatirica;
Valéria Martins, jornalista e agente literária à frente da Oasys Cultural, autora de A pausa do tempo e do e-book A matéria dos sonhos (Jaguatirica);
Carolina Herszenhut, organizadora do Guia O Cluster: cem criativos cariocas, publicado com uso de plataforma crowdfunding.


http://www.editorajaguatirica.com.br/
terça-feira, 10 de maio de 2016

Livros para o Vestibular - Ateliê Editorial

Para comemorar o Dia do Vestibulando, em 24 de maio, a Ateliê Editorial criou uma campanha especial com títulos que fazem parte da lista de alguns dos principais vestibulares do país, como Fuvest e Unicamp. Entre eles, livros da Coleção Clássicos Ateliê, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis e O Cortiço, de Aluísio Azevedo.

José de Paula Ramos Jr., coordenador da Coleção Clássicos Ateliê, explica que os examinadores da USP e da Unicamp esperam que, antes de tudo, os candidatos tenham lido as obras da lista. “Todavia essas leituras serão questionadas, basicamente, por meio de duas vertentes: a da percepção crítica dos elementos estruturais dos textos – gênero, tema, narrador, personagens, tempo, espaço, ação e composição da ação (enredo ou trama), estilo (de época e autoral), efeitos de sentido produzidos pela linguagem (elementos de retórica como tropos e figuras) – e a interpretação desses elementos em relação a outras obras literárias, à história e à cultura.”

Outros livros da campanha, como Tropicália: Alegoria Alegria, de Celso Favaretto, e A Queda do Muro de Berlim e a Presentificação da História, de Flavia Bancher, tratam de temas comumente abordados nos vestibulares, como cultura e política. A leitura de obras que tratam de assuntos como artes, geopolítica e história é um recurso essencial para ter sucesso na prova, tanto nas questões objetivas quanto na redação, já que oferece aos estudantes informações que enriquecem o seu repertório.

Para ver a lista completa dos livros com desconto, acesse o site da Ateliê: http://www.atelie.com.br
Abaixo, uma seleção de conhecidos clássicos de nossa Literatura Brasileira:

Dom Casmurro - Machado de Assis
Ciúme, incertezas, ironias. No relato que o narrador-protagonista Bentinho faz da própria vida, o que o leitor encontra é um discurso ambíguo, a partir do qual nada pode concluir. A verdade estável que o personagem busca sobre seu grande amor, a falecida Capitu, jamais é alcançada. Esse traço narrativo é a marca registrada de Dom Casmurro, um dos romances brasileiros mais traduzidos para outros idiomas.

O Guarani - José de Alencar
Patriotismo idealista, linguagem eloquente e enredo de ações grandiosas caracterizam este romance, considerado o melhor exemplar do indianismo romântico. Publicada durante o Segundo Reinado, a obra é um marco na representação dos valores patriarcais da época. A ação, que se passa no início do século XVII, envolve Ceci, a filha de um desbravador português, e Peri, um índio goitacá. O texto de Alencar ganha, nesta edição, prefácio e notas de Eduardo Vieira Martins, professor da USP.

Lira dos Vinte Anos - Álvares de Azevedo
De um lado,a voz lírica de Álvares de Azevedo evoca e contempla imagens femininas,lembranças de família e objetos prosaicos. De outro, ela ganha um tom de paródia para ironizar os excessos do sentimentalismo romântico. Em Lira dos Vinte Anos, a reflexão intimista e o tédio existencial se unem para gerar uma das grandes obras do “mal do século”. Esta edição conta com ensaio introdutório, documentação iconográfica e elegantes ilustrações do artista plástico Ricardo Amadeo.
Triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto
Quando este romance estreou, em 1915, nossa literatura oscilava entre o conservadorismo do século XIX e as inovações do XX. Nesse contexto, o personagem Policarpo Quaresma encarna o nacionalismo tardio, uma alegoria de Lima Barreto contra o idealismo romântico. O autor satiriza o presidente Floriano Peixoto e a burocracia estatal, que simbolizam o início da República – celebrada como progressista, mas estruturalmente arcaica.


Sobre a Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial está no mercado desde 1995, atuando principalmente nos segmentos de literatura – ensaios, crítica literária e outras matérias de natureza acadêmica; comunicação e artes; arquitetura; edição de clássicos da literatura; e estudos sobre o livro e seu universo. O objetivo desta casa é levar ao público leitor livros de alta qualidade editorial, em edições cuidadosas que primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão. Isso transparece tanto nas capas quanto no rigor e fidelidade textual, o que pode ser comprovado pelos diversos prêmios nacionais e internacionais já recebidos pela editora – como Jabuti, APCA e IDA International Design Awards (EUA).

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E você, conhece algum dos títulos citados? Como foi sua experiência no vestibular com o conteúdo de Literatura Brasileira? Compartilha com a gente! :)
domingo, 8 de maio de 2016

O nosso tempo é agora, uma crônica de Regiane Medeiros


Por acaso, por um triz, só pra contrariar tua direção.
Humberto Gessinger


Noite passada sonhei com um ex-namorado. Não sei se foi porque um amigo citou o nome dele e ficou na minha memória após tanto tempo sem pensar na figura, ou se foi pura coincidência mesmo. O fato é que no sonho ele me fazia um pedido de desculpas, que até a algum tempo atrás eu acreditava que merecia e que nunca veio. 

Ao acordar, o sonho me fez pensar na leitura que fiz essa semana, Super Desapegada da autora Jaqueline de Marco. Na história, a personagem principal é uma pessoa que tem dificuldade em deixar as coisas de lado, tem medo de sair da zona de conforto, não consegue desapegar do passado, mesmo tendo noção de que isso não leva a lugar algum. 

Quantos de nós não estamos na mesma situação, apegados a detalhes de um passado que pode ser recente ou longínquo, mas que criou amarras em nossos pés, nos impedindo de seguir adiante? Admita, você já saiu com seu novo affair e não sentiu a fagulha que desperta aquele arrepio pela coluna, porque ficou comparando o pobre rapaz trêmulo e nervoso com seu ex-namorado que exalava testosterona e só de te olhar já fazia seus joelhos falharem e um calor gostoso se espalhar por seu corpo. Assim como deixou sua vida estagnada porque o homem com quem viveu 30 anos faleceu, e apesar de estarem separados há anos, você ainda esperava que ficassem velhos juntos. Da mesma forma você, que sempre arruma desculpa para ficar em casa no sábado à noite, alegando que está cansada demais para sair e conhecer novas pessoas, mas que na verdade não sente interesse por nada e não faz nada para mudar a situação, pois está acostumada demais a ser sozinha e tem medo de gostar de alguém de novo.

São muitos os casos de pessoas que estão deixando o tempo passar e se queixam de suas vidas, mas não tem forças para mudar. Porque mudar é arriscado. É abrir a porta ao desconhecido. É proporcionar a chance de ter seu coração magoado, de novo. É correr o risco de não concretizar os seus sonhos.

Só que se você não fizer nada, então nada vai acontecer. Os seus desejos nunca vão sair do papel ou do seu coração. Você nunca mais vai conhecer alguém interessante. Você nunca vai conseguir fazer uma viagem sozinha para aquele lugar que ninguém mais quer ir. O livro que você tanto quer que seja conhecido por outras pessoas nunca vai sair da gaveta da sua escrivaninha.

O que estou dizendo, primeiramente a mim mesma, é que não tem problema em se arriscar, assim como não é necessário esquecer o seu passado. O problema é nunca fazer nada por si própria, nunca tentar experimentar algo diferente, nunca desapegar daquilo que não te faz mais feliz. E o mais importante é que nunca é tarde demais para começar a realizar os nossos sonhos. Porque é como diz o David Cook, vencedor do 7° American Idol em 2008, o tempo da nossa vida é agora.

“And I’ll taste every moment
And live it out loud
I know this is the time
This is the time
To be more than a name
Or a face in the crowd
I know this is the time
This is the time of my life
Time of my life”

Time of my life, David Cook, 2008


Regiane Medeiros, maio 2016


segunda-feira, 2 de maio de 2016

1º Festival das Livrarias do Rio

A Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro (AEL / RJ), com o apoio do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), movimentará a vida cultural carioca entre os dias 1ª e 31 de maio com o Festival das Livrarias do Rio de Janeiro. Serão 31 dias de eventos, que vão dos tradicionais lançamentos de livros, a debates, shows, palestras até degustação gastronômica, em pelo menos 25 livrarias da cidade. As atividades acontecerão nas lojas de redes de livrarias como Cultura, Saraiva e Travessa e, ainda, em livrarias independentes como Arlequim, Buriti e Folha Seca. (Fonte: Publishnews)

Em tempo: Carina Rissi + FML Pepper + Maurício Gomyde + Eduardo Spohr + Rafael Montes participam do Festival <3

festival das livrarias


01/5 – Debate: Rio 50º, com Fausto Fawcett e Fernanda Abreu, 19h, Travessa Ipanema.

Lançamento: Ludi na Floresta da Tijuca, de Luciana Sandroni- infantil, Manati, 15h, Livraria Malasartes.

02/5 - Debate: Feminismo - As mulheres que vieram antes de nós, com Adriana Facina, Lola Ferreira, Rejane Carolina Hoeveler e Daniela Lima, 19h, Blooks

Lançamento: Di Cavalcanti - conquistador de lirismos , de Elizabeth Di Cavalcanti e Denise Mattar - arte, 19h, Travessa Leblon.

03/5 – Pocket Show: A Festa do rock- lançamento do CD/DVD de Rodrigo Santos , ex- Barão Vermelho, 12h30 , Saraiva Ouvidor.

Lançamento: 100 coisas que cem pessoas não vivem sem, de André Arruda – fotografia ,19h, Travessa Leblon.

Debate e autógrafos: O que o medo da ditadura tem a dizer à democracia, com Ana Helena Tavares e Milton Coelho da Graça, 19h, Blooks

Lançamento: A maçã: design gráfico, as mudanças de comportamento e a representação feminina , de Aline Haluch , 19h, Argumento Leblon.

04/5- Lançamento e debate: Brasil, de Lilia Schwarcz – história,19h, Travessa Leblon.

05/5 –Debate: Pacificações, crime e religião na cidade do Rio de Janeiro, com Lia de Mattos Rocha e Christina Vital , 19h, Gramma.

Lançamento: Mãe Eterna – Morrer é um direito,de Betty Milan- romance,19h, Travessa Leblon.

Pocket Show: Um outro Jerry Adriani , lançamento do CD de Jerry Adriani , 17h, FNAC

Lançamento: Por um triz, de André Ilha – esporte, 18h, Cultura Cine Vitoria

06/5 - Lançamento e debate: Machado de Assis e o cânone ocidental: Itinerários de leitura, de Sonia Salomão - literatura,19h, Travessa Leblon.

07/5 – Debate: A Cidade e a Música, com Ruy Castro e João Máximo. Mediação, Celina Pontocarrero, 15h, Arlequim.

Debate: As alegrias de ler, com Angela Carneiro, Edna Bueno, Clóvis Bulcão e Henrique Rodrigues. Coordenação, Suzana Vargas, 15h, Leitura Campo Grande.

Lançamento: Não pare, Não olhe, Não fuja, de FML Peper- ficção, 17h, Leitura Americas Shopping.

Lançamento: Uma coisa, de Renato Machado – revista de humor, 15h, Cultura. Cine Vitória.

Debate sobre a obra de Jojo Moyes, 16h, FNAC Barra.


Lançamento : "O olho da rua", de Moisés Liporage – infantil, 15h, Blooks.

09/5 – Debate: Brasil, uma biografia política, com Chico Alencar e Cid Benjamin. Mediação, Denilson Monteiro .19h, Cultura Cine Vitória

Debate: Escrito nas estrelas – Literatura e astrologia, com Claudia Lisboa e Waldemar Falcão. Mediação, Nana Rangel, 19h, Travessa Barra.

Debate: com David Lloyd desenhista, roterista e criador do graphic novel V de Vingança, 19h, Blooks.


10/5 - Lançamento : Revista Nin , de Alice Galeffi e Letícia Gicovate – erótica ,19h, Travessa Botafogo.

Debate: Rio de Janeiro: uma cidade na história, com Marieta de Morais Ferreira e Isabel Lustosa 19h, Argumento Leblon.

Lançamento: A destruição criadora da indústria fonográfica brasileira, 1999- 2009, de Leonardo De Marchi – música, 18h, Arlequim.

Lançamento: Objeto gritante: um manuscrito de Clarice Lispector, de Ana Claudia Abrantes Moreira –literatura , 19h, Blooks

11/5 - Debate: A poesia na letra da música, com Leoni e Mauro Santa Cecília, mediação Lila Maia, 19h, Blooks.

Lançamento: Brasil na fita, de Ricardo Molina – história, 19h, Argumento Leblon.

Poesia: Ponte de Versos - Rita Moutinho, Cristina Biscaia, Rosália Milsztajn, José Antônio Cavalcanti, Mariana Imbelloni, coordenação, Thereza Rocque da Motta, 19h , Travessa Leblon.

12/5
- Debate: A África carioca: políticas de reconhecimento e conflitos urbanos , com Roberta Guimarães e Simone Pondé Vassalo,19h, Gramma.

13/5 - Lançamento e debate: Let’s Go - Imigrando para o Canadá, de Lila Kuhlmann- biografia, 19h, Travessa Botafogo

14/5 – Lançamento: Brodagens: Gilber T e as histórias do Rap e do Rock carioca, de Pedro de Luna, com pocket show de Gilber T ,17h, Baratos da Ribeiro.

Leitura: O estranho mundo de Jack, de Tim Burton – infantil, com Lucas Viriato, 10h30, Travessa Botafogo.

Lançamento: A mentira perfeita, de Carina Rissi- romance, 15h, Saraiva Rio Sul.

Lançamento: O perna de pau, de Felipe Campos – infantil,15h, Blooks.

Lançamento: Adolescente – um bate papo sobre sexo, de Marcos Ribeiro – Saraiva Norte Shopping, 16h.

Lançamento: Detetives do prédio Azul, de Flávia Lins e Silva – infantil, 17h, Argumento Leblon.

16/5 – Debate: Clarice Lispector no teatro, com Beth Goulart e Daisy Justos, 19h, Travessa Barra.

Lançamento e debate: Bagulho: novela policial, de Muniz Sodré,19h, Travessa Leblon.

Lançamento: Profetas do passado, de Jalusa Barcellos – política brasileira, 19h, Argumento Leblon.

Debate: Os desenhos de Millôr, com Cássio Loredano, Paulo Roberto Pires e Julia Kovensky, 19h, Blooks.

Lançamento: Antonio Dias, de Antonio Dias e Paulo Sérgio - arte,19h, Travessa Ipanema.

Lançamento e debate: Teatro Duse – O primeiro teatro-laboratório do Brasil, de Diego Molina – teatro, 19h,Travessa Botafogo.

17/5 - Poesia : Poesia do semelhante, com Elisa Lucinda,19h, Argumento Barra.

Debate : A história do jogo do bicho no Rio de Janeiro - Felipe Magalhães e Luiz Antônio Simas, 19h , Livraria Argumento Leblon.

Lançamento: A verdade está em você e O símbolo da vida, de Gilvanize Balbino – espírita, 17h, Leitura Americas Shopping.

Lançamento: Luzes no Passado, de Cláudio Guilhon - 19h, Blooks.

18/5 – Debate: O paraíso é uma espécie de livraria, com Alice Sant’anna, Fred Coelho e Marcelo Moutinho. Mediação, Henrique Rodriguez, 19h, Travessa Leblon.

Poesia: Ponte de Versos, com Mano Melo, Allan Dias Castro, Manoel Herculano, José Antônio Cavalcanti, Mariana Imbelloni Braga, coordenação: Thereza Rocque da Motta.

Lançamento : A arte de construir ruínas, de Adriano Garib, 19h, Travessa Leblon.

Lançamento: Faíscas verbais: a genialidade na ponta da língua, de Marcio Bueno – coletânea de frases, 19h, Travessa Botafogo.

19/5 - Debate: A paixão pelos livros, com Eucanaã Ferraz e José Castello. Mediação, Luciana Savaget, 19h, Travessa Leblon.

Debate: Edição e autopublicação, com Paula Cajaty, Leandro Muller, Valéria Martins, 19h, Blooks.

Debate: Cultura de praia e estilos de vida na cidade do Rio , com Julia O´donnell e Mirian Goldenberg, 19h, Gramma.

20/5 - Palestra: Novos autores e mercado editorial, com Raphael Montes, 19h, Travessa Botafogo.

Lançamento e debate: Delícias da Karina Calabria, de Karina Tropea, 19h, Travessa Leblon.

22/5 – Debate: Orgulho Nerd – papos e idéias com nível épico, 16h Saraiva Botafogo Praia Shopping.

Show: Samba do Peixe, com Tiago Prata, Chico Alves, Gallotti, Ernesto Pires e outros,15h, Folha Seca.

23/5 - Debate: A Força e a Resistência das Religiões Afro-brasileiras , com Flavia Pinto e Denise Pini, 19h, Blooks.

24/5 – Debate: Livro de fotografia: passado, presente e futuro, com Cecília Martins e Pedro Vasquez. Mediação Milton Guran, 19h, Blooks.

Debate: Literatura de fantasia e suspense, com Eduardo Sphor e Luiz Eduardo Matta,19h, Argumento Barra.

Debate: Traduzir sem trair- a arte da tradução, com Ari Roitman, Francisco Manhães e Carlito Azevedo, 19h, Leonardo da Vinci.

Lançamento: CD Zabelê, com Zabelê, 19h, FNAC.

25/5 – Debate: Descontroles: excessos e impulsos na vida e nos livros, com Stella Rebecchi, Nathalia Alvitos e Alexandre Kostolias, 19h, Blooks.

Debate: O sucesso da nova literatura Nacional, com Chris Melo, Graciela Mayrink, Maurício Gomyde, e Tammy Luciano,15 horas, Leitura Parkshopping.

27/5 - Debate: A Cidade e os Livros – homenagem à livreira Dona Vana, com Antonio Cícero e Muniz Sodré, mediação Suzana Vargas, 19h, Leonardo da Vinci

Lançamento: Corrida da vida,de Douglas Vieira,16h, Travessa Leblon.

30/5 – Debate: A Criação e a história do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com Sabrina Marques Parracho Santanna e Luiz Camillo Osório, 19h, Blooks.

Lançamento: Para fabricar asas, de Carmem Moreno - poesia, 19h, Travessa Botafogo.

Lançamento e debate: O Rio de Ernesto Nazareth, de Beth Ritto,19h, Travessa Leblon.

31/5 – Debate: Patrimônio imaterial, dilemas e debates: os casos das paneleiras e baianas de acarajé, com Nina Pinheiro Bitar e Lucieni Simão, 19h, Gramma.

Lançamento - Sylvia, CD/DVD de Sylvia Patricia, 19h, FNAC.

Lançamento e debate: Casa da Mãe Joana, de Reinaldo Pimentel, 19h, Travessa Leblon.
domingo, 1 de maio de 2016

Festivais de Música em Portugal, publicado pela Chiado Editora

Nesta postagem, comentaremos a obra Festivais de Música em Portugal, dos autores Ricardo Brandão e Marta Azevedo, publicada pela Chiado Editora.


Sinopse: 268 festivais de música portugueses preenchem este livro. Muitos aconteceram nos dias de hoje, muitos outros fizeram a sua história e iniciaram o que é hoje uma vertente de negócio importante na economia portuguesa, movendo milhões de euros e festivaleiros.

São diversas as razões do sucesso dos festivais de música mas a principal será a capacidade única de captar uma arte ao ter contacto (mesmo que longínquo) com os próprios artistas, (quase) sem barreiras, numa fuga à rotina e em conjunto com os nossos pares!

Este livro tem o objectivo principal de oferecer um glossário que capta a história dos festivais de música em Portugal, desde 1971 com o surgimentos do Vilar de Mouros e Cascais Jazz, em pleno regime, até à atualidade.


Sabe aquela música que você tanto ama mas que até agora não descobriu o nome porque só ouviu uma vez no rádio ou em um capítulo de série e, até que a música reapareça na postagem de um amigo ou em um vídeo relacionado no Youtube, você continuará inquieto, com toda a ansiedade e mistério coçando nos ouvidos?

Em nossas plataformas de entretenimento, em geral recorremos a playlists, organizadas por estilos, top 10 ou ainda por sensações, como músicas para dias de chuva ou para se ouvir na academia, e uma consequência deste hábito é a termos hoje uma atenção que não se preocupa por exemplo em escutar as doze ou treze canções que compõem um disco, quanto mais ouví-las em em sequência, ainda que as melhores resenhas digam que tal álbum pode ser considerado o melhor de uma década. Porque afinal, quando o que mais nos agrada é a sensação de passar uma tarde ouvindo música, este êxtase interessa-nos bem mais que um punhado de informações. Mas... será que música é apenas experiência, ou é necessário também conhecer a biografia de um artista, os bastidores da gravação de um disco ou ainda a história de cada uma de suas composições?

Trago esta conversa para o blog pois vejo que em nosso universo literário é comum este apego bio/bibliográfico por um autor e sua obra... e de vez em quando a gente é assim também com seriados e filmes. Então, a comparação é inevitável: por que será que nossa geração não costuma dedicar esta mesma atenção e tempo a discos, letras e à própria História da Música? Curioso, não acham?

Talvez por desde sempre ter amigos que igualmente compartilham desta mania de "colecionar" alguma cultura musical, tenho também este gosto enciclopédico quando o assunto é música (todo mundo tem a sua nerdice, certo? rs). Daí que lançamentos como este da Chiado Editora, o Festivais de Música em Portugal, só poderiam despertar minha nerd-atenção imediata e total interesse!

Em relação ao livro em si, este é praticamente um arquivo de todos os eventos musicais de grande porte realizados nas últimas quatro décadas em Portugal, catalogados pelos pesquisadores e profissionais da música Ricardo Brandão e Marta Azevedo, dirigentes da ARPOFEST, a Associação Portuguesa de Festivais de Música. 

Nesta pequena enciclopédia de festivais, que marca o ano de 1971 como inicial nesta contracultura dos eventos de música em Portugal, encontramos catalogados eventos de todos os portes e gêneros (inclusive o conhecido e controverso Rock in Rio Lisboa), com cada página contendo ficha técnica, relação de bandas participantes e uma breve descrição-sinopse do evento.

Para um entusiasta da cultura musical, este é um curioso e interessantíssimo livro, e que poderá tornar-se um grande entretenimento em uma tarde junto a um computador e uma vontade de conhecer novas bandas!

Dentre os eventos do livro, separei algumas indicações de artistas pra vocês:

Celta Cortos - Banda que integrou o Intercéltico de Sendim, um festival realizado anualmente nos anos 2000 a 2014 na cidade de Bragança, e com a participação de artistas folk portugueses e europeus (no caso, o Celta não é português, mas  pareceu-me uma banda bem interessante).

Pedro Abrunhosa - Cantor que participou do Meo Sons de Mar, festival realizado nos anos de 2011-2014 na cidade de Funchal. Quer um spoiler? Este é um cantor citado em uma das obras de Maurício Gomyde. Ouça a canção (aliás, dê uma olhada na letra) e tente descobrir em qual livro esta obra é citada ;)

Toques do Caramulo - Grupo meio folk, meio regional, meio Teatro Mágico com Móveis Coloniais de Acajú rs, enfim, banda de um instrumental que vale a escuta, e que participou na edição de 2010 do Festival Ecos da Terra, realizada em Barragem de Queimadela.

B Fachada - Simmmm, Portugal também tem alguma espécie de indie, com vocalista de barba e tristinho. Conheça B Fachada, cuja participação foi conhecida no Festival de Música Independente - FMI realizado em 2011 na cidade de Braga.

Memória de Peixe - TO APAIXONADA. Sério. Amo bandas instrumentais! E essa é puro rock alternativo, com alguma coisa de progressivo, lindo demais! Recomendo também a escuta de mais esta aqui. Ah, o Memória de Peixe se apresentou no Magafest, festival realizado em Lisboa no ano de 2014.


Para saber mais desta obra, assista uma entrevista com os autores:



E aí, conhece alguma banda de Portugal para recomendar? Compartilhe nos comentários suas histórias e impressões :)

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