segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Um dia de verão em um blog de inverno



Segunda-feira, sol espesso na fresta do quarto e no asfalto da avenida. Quisera na pele o leve inverno de algumas semanas, porém, às vésperas do verão, a claridade cega a paciência, e consigo traz o suor, a enxaqueca e o post ranzinza.

Para administrar as dores deste sol-eterno por vir, carrego na bolsa um pequeno kit de sobrevivência em terras do Rio. Aos que também sofrem nesta época de alta produção de melanina, compartilho algumas dicas de produtos para uma menor sofrência - e claro, também alguma poesia a seguir.

Na foto acima: 1) minha inseparável caixa de Advil, 2) Bepantol líquido para hidratar o rosto (tentei o uso costumeiro das gurias dos blogs de beleza, no caso, borrifando nos cabelos, pra dar aquele ar de voltei da praia e tô linda, mas... não rolou. Acho que só pra quem tem cabelo liso mesmo. Não sei), 3) Protetor solar com cor La Roche-Posay (olha, te dizer que to achando melhor que B.B. Cream, viu? Produto leve, textura líquida que não escorre, e pelo menos no meu tom de pele deu pra cobrir alguns avermelhados e manchinhas), 4) Protetor labial Cicaplast, também da La Roche-Posay (pra quem - infelizmente - tem que trabalhar no ar condicionado polar, taí um produto com uma ação melhor que a dos protetores em formato bastão/batom) e 5) Óculos de sol de uma lojinha aqui do Rio, a Loucos por Óculos, que tem vários modelos moderninhos + preço de ótica de bairro mesmo, super recomendo! Ah sim, faltou na foto uma garrafa d'água e o protetor solar para o corpo. Acho que é isso.



Pois bem. De volta ao verão, inevitável também é a lembrança das canções de veraneio. Nesta multidão sonora, algumas estrofes até versam poesia, enquanto outras revelam para o Brasil o calor nada poético do Rio de Janeiro: 

"Eu só queria te contar / Que eu fui la fora e vi dois sóis num dia / E a vida que ardia sem explicação"
"Rio 40 graus / Cidade maravilha / Purgatório da beleza e do caos"
"Essa noite eu quero te ter / Toda se ardendo só pra mim / Essa noite eu quero te ter / Te envolver, te seduzir"


 
E felizmente, bem mais que felizmente, a literatura vem para nos salvar de todo cansaço da estação! E se você tem no bolso algum pensamento sobre o verão, compartilha com a gente nos comentários também! :)



No Entardecer dos Dias de Verão

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão ...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos ...
Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma cousa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos,
E deve haver muita cousa
Para termos muito que ver e ouvir ...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLI"
(Heterónimo de Fernando Pessoa)



Provavelmente não virei montado...

Esta é a cidade em que te vi passando
Esta é a cidade que me viu sofrendo
Esta é a cidade que trilhei fugindo
Metrópole fatal, hosana! hosana!
Esta é Copacabana, ampla laguna
Curva e horizonte, arco de amor vibrando
Suas setas de luz contra o infinito.
Aqui meus olhos desnudaram estrelas
Aqui meus braços discursaram à Lua
Desabrochavam tigres dos meus passos
E as sereias por mim se consumiam.
Copacabana! praia de memórias
Quantos êxtases, quantas madrugadas
Em teu colo marítimo! esta é a areia
Que tanto enlamacei com minhas lágrimas
Aquele é o bar que freqüentei. Vês tu
Aquele escuro ali? É um monumento
Cone de sombra erguido pela noite
Para marcar por toda a eternidade
O local onde, um dia, fui perjuro
Ao teu amor. (...)

Vinicius de Moraes, 2004 (excerto)
Leia o poema completo

domingo, 27 de novembro de 2016

Uma semana e(m) um dia #6

Domingo, dia de post e reflexões coletivas. Como nossa amiga Regiane comentou anteriormente de sua ida ao cinema para conhecer Elis - O Filme, nesta postagem, Bruno e Jonatas apresentam suas leituras mais recentes, e Rebeca apresenta suas comprinhas de Black Friday, e de algum modo se aproxima da conversa iniciada pelos guris. E de algum modo tudo saiu meio "reflexivo demais" também. Mas... a gente é assim. E não tem receios de ser assim não :) Conheçam as histórias de nossa semana:



Bruno

"Naturalmente, portanto, essa gente fala "dos bons tempos que hão de vir", do "paraíso futuro", da "humanidade liberta das grilhetas do vício e da virtude", e assim por diante. (...)  Também às massas que aplaudem eles falam da felicidade futura e do gênero humano por fim libertado. Mas nas suas bocas (...) estas frases felizes têm um significado medonho. Eles não têm ilusões, são demasiado intelectuais para pensar que neste mundo o homem se possa libertar completamente do pecado original e da luta pela vida. O que eles querem é a morte. Quando falam no gênero humano por fim livre, querem dizer com isso que a humanidade se suicidará. Quando falam em paraíso sem certo nem errado, querem dizer o túmulo. Têm apenas dois objetivos: primeiro, destruir a humanidade; depois, destruírem-se a si próprios." (G..K Chesterton) 

Poderia falar da ida ao Maracanã nesse fim de semana, ver o meu time voltar ao lugar que nunca deveria ter saído, entretanto, depois de postar sobre UFC e Turf, vou quebrar minha sequência esportiva e ao ar livre para falar de uma leitura muito satisfatória que comecei esse fim de semana, e provavelmente terminarei até segunda, pois trata-se de um livro muito curto.

Estou falando de The Man Who Was Thursday de G.K Chesterton, de apenas 120 páginas e que trata com humor e muita criatividade em uma leitura leve de uma história que tem como tema a Anarquia. Estamos falando de um livro que completará 100 anos em 2018, mas tão popular e atual como o tema são os "inocentes" anarquistas do dia-a-dia que nem sabem bem o que estão fazendo e convivem entre nós. Não mudou nada em 100 anos... digo, agora eles usam Iphone.

A propósito: “Viva Cuba livre!"

*

"(...) - Que quer dizer com isso? Eles não podem dominar assim o Mundo. Há certamente muitos trabalhadores que não são anarquistas, e se assim não fosse, certamente simples multidões não poderiam vencer a polícia e os exércitos modernos!

- Simples multidões! - repetiu, trocista, o seu novo amigo. - Com que então você fala de massas e de classes operárias, como se fosse disso que se tratasse. Você tem essa ideia fixa e idiota que a anarquia virá dos pobres. Porquê? Os pobres têm sido rebeldes, mas nunca foram anarquistas, têm mais interesse do que quaisquer outros na existência de Governos decentes. Quem está verdadeiramente ligado à pátria é o homem pobre; o rico não, esse pode partir no seu iate para a Nova Guiné. Os  pobres às vezes repontam por serem mal governados, os ricos têm repontado sempre contra qualquer forma de Governo. Os aristocratas foram sempre anarquistas, tem como exemplo as guerras dos barões."
(G.K Chesterton)


Jonatas

O Livro do Cemitério, Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho, Os Pássaros, A História Sem Fim, Coração das Trevas, e agora, prosseguindo uma das minhas melhores sequências de leitura até hoje, O Pavilhão Dourado, do autor japonês Yukio Mishima, publicado pela editora Companhia das Letras. Não lhes posso dar-lhes muitas informações, pois pouco li, mas acentuo que a lentidão é justa pela delicadeza com que Mishima conduz a narrativa. Não consigo ler nenhum parágrafo apenas uma vez.

O Pavilhão Dourado é a história de um filho de monge, gago, orgulhoso, que relata sua dificuldade em comunicar-se com o mundo inacessível. Sente-se feito pássaro preso no próprio interior viscoso, e traduz seus sentimentos, muitas vezes hostis, igual a um amante confesso ante ao menor gesto da pessoa amada. A ambígua relação de amor e ódio com o mundo é irresistível. O Pavilhão Dourado, local sagrado sobre o qual seu pai sempre falava, torna-se a representação da máxima beleza, espécie de mito pessoal de Mizogushi. Sendo orientado pela visão do Pavilhão Dourado, residência, símbolo e essência da beleza imutável, o jovem atravessa os conflitos naturais da alma humana.

"Tenho certeza de que nesse momento uma clara consciência despertava em mim: a consciência de que eu me encontrava em um mundo envolto em trevas, com ambos os braços abertos em expectativa; de que, com o tempo, as flores de maio, o uniforme, os colegas de classe maldosos, todos viriam ter em meus braços estendidos; de que eu sustentava o mundo, sofreando-o pelas bases. Porém, essa espécie de consciência era por demais opressiva para um adolescente como eu para constituir motivo de orgulho.

O orgulho deveria ser algo mais leve, mais luminoso, fisicamente visível, mais resplandecente. Algo visível –– eis o que eu queria. Algo que todos pudessem ver e que me fosse de fato motivo de orgulho, como, por exemplo, o espadim que ele trazia à cintura." 




Rebeca 


Seria quase impossível riscar novembro do calendário e não comentar qualquer coisa sobre a Black Friday. E sim, como estamos em nosso post de domingo, onde nos permitimos falar de um universo não apenas literário, compartilho com vocês algumas comprinhas realizadas no próprio dia 25 em um shopping do Rio, e um segundo assunto também, logo em seguida.

Eu que pouco adiciono cores ao guarda-roupa (saudações, cinza branco e preto!), dificilmente penso em colorir olhos e face em tons de veraneio. No entanto, "me encontrei" neste novo universo do cobre e do coral disponível na linha Intense do Boticário, assim como em diversos produtos Color Mania da Maybelline. Gestalt aguçada pelo vermelho, comprei algumas coisinhas então: esmalte, batom, pó e gloss. Gostei das texturas, das embalagens, e claro, do preço - neste clima promocional, o mais caro foi o pó, que custou 19.90. Valeu a pena!

*

Também na sexta-feira, uma postagem no Instagram me chamou a atenção. Sem nomear instituições, claro, porém, o exemplo descreverei: junto a imagem de um post, uma densa legenda a respeito da febre do consumo e da desordem que a mercadoria pode causar no emocional da pessoa (especialmente a mulher) brasileira. Confesso que ao ler este "alerta" no Instagram me senti em um banco de universidade lá nos anos 2000 - ou seja, a Academia de Humanas permanece a mesma pelo visto.

Só que o post era de uma empresa. E de uma "empresa que vende produtos". E que por sua atividade é formada por todo um time operacional de vendedores, caixas, tios da limpeza e demais trabalhadores cuja sobrevivência depende desta engrenagem de vendas. Apesar disso, a equipe de Marketing preferiu compartilhar um pequeno tratado sobre a febre do consumo e em 140 caracteres imputar suas bandeiras políticas. Pois bem, vamos às possíveis reflexões a partir deste exemplo:

Ponto 1: Sim, é claro que há práticas de trabalho desumanas, tanto na China, no Brás, como nas inúmeras Zaras do ocidente. Daí a possibilidade (pra não dizer obrigação) de incentivar e consumir o trabalho desenvolvido pelos empreendedores locais, e não o das "grandes corporações", se isto nos fere profunda e ideologicamente. Aliás, se não me engano, antes de inventarem a tal Sustentabilidade, este sentimento de fortalecimento da vida e economia locais chamava-se Senso de Comunidade. Talvez nossos pais ou até muitos de nós se lembrem ainda disso...

Ponto 2: Queria entender quando foi que o homem passou a ser (convencido de que é) tão vulnerável, e tão suscetível aos "apelos do mundo"... Assim: desde quando passou a ser tão impossível entendermos nossa própria realidade e desejos? (por ora, não mencionemos o desejo sexual-amoroso; acho que não cabe neste momento da conversa) Afinal, a realidade construída pelo ser humano é desigual, assim como o próprio ser humano, que sempre foi e sempre será esta balança que pende ou para a aptidão ou para a fraqueza, ou para a coragem e a covardia, ou ainda a obsessão e a apatia, sem falar do senso de justiça ou a sociopatia. Enfim, tudo isso são fatos, não sentimentos, a espécie humana é assim, por mais dolorosa que seja a constatação de tudo isso.

Ponto 3: "Ah, mas eu penso na ofensa que é este consumo desenfreado para as pessoas que não podem sequer comprar um pão...". Sim, não digo que seja fácil conviver em uma realidade social que a cada momento desafia nossas próprias forças, sustento e estima; porém, concordo com as citações do Bruno: se vivêssemos o Fazer o Bem em uma escala ao alcance de nossas mãos, ao invés de depender de uma (i)lógica Governamental, acredito que o mundo-perto-da-gente poderia ser menos medíocre. Por exemplo: por que ao pensarmos em Solidariedade sempre lembramos das "Ongs sem fronteiras" ou dos paliativos assistenciais de nossas prefeituras e demais instâncias de governo? Por que não podemos cada um de nós estender uma ajuda a uma vizinha que perdeu o marido, ou ao senhorzinho que ainda não se recuperou do incêndio de sua casa, ou ainda apoiar a causa dos que coletam roupas e mantimentos para o auxílio das famílias carentes de nosso próprio bairro? São tantos os exemplos... 

Enfim... muito poderia ser dito, mas não em um (textão de) fim de domingo. 

E... o que nos resta em meio a tudo isso? Olha, apenas torcer pra que o coração da gente consiga ser um pouquinho melhor a cada dia. Porque o dos Grandes Irmãos será sempre mesquinho mesmo...



[Cinema] Elis - O Filme | Por Gih Medeiros


Ontem encontrei um amigo muito querido pra uma tarde de comilança, cinema e prosa de botequim. Comemoramos 10 anos de amizade esse ano e sou muito grata por ter alguém como ele em minha vida, pra compartilhar dores, amores, risadas e canções de karaokê, além de nossa sempre deliciosa "resenha de mesa de bar" - Love You Chacha <3

Assistimos ao filme Elis, que estreou essa semana. Nos últimos tempos o cinema nacional têm crescido exponencialmente em qualidade de produção, atuação e roteirização. Aqui, podemos ver isso de maneira muito clara. Não quero dar spoilers sobre a história, mas fica muito complicado já que Elis é uma figura tão conhecida e sua vida é de conhecimento público.

O filme narra a vida de Elis a partir de 1964, quando ela chega ao Rio de Janeiro, vindo de Porto Alegre para tentar gravar seu primeiro disco, até o momento de sua morte precoce por abuso de álcool e medicamentos. Elis foi uma mulher intensa que buscou ardentemente levar sua música por todo o Brasil, e indo muito além disso. Sua paixão pela música era a força motriz que a movia, influenciando-a até mesmo em suas relações pessoais. Com um espírito livre, a Pimentinha não se conformava com a mesmice e nunca se sentia satisfeita o suficiente para se acomodar artisticamente.

O filme mostra o quanto Elis era passional, e não focou apenas em sua figura artística, mostrando também um lado dela do qual pouco se fala: sua vida como esposa, mãe, amiga e mulher, com suas inseguranças, medos, fragilidade. Para mim, o ponto alto do filme foi ver essa Elis humana, tão parecida comigo e com outras mulheres que conheço, que sofrem com estados de angústia que não sabemos nomear, mas que também se realizam ao ver o fruto de seu talento (seja ele qual for) crescendo e tocando a alma das pessoas, onde quer que estejam e encontram dentro de si mesmas a força para seguir, quando tudo nos parece arbitrário. E claro que a trilha sonora é magnífica, com áudios originais da própria Elis cantando, o que nos provoca arrepios até à alma.

Um filme para se envolver, emocionar e reviver - encontramos uma senhora na porta da sala que nos contou ter visto Elis em shows diversas vezes, e a emoção dela em ver tudo isso na tela do cinema, me deixou muito tocada também. Ainda estou.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A História Sem Fim, de Michael Ende | Resenha por Jonatas T. B. | Martins Fontes

"Agora sabia finalmente o que era necessário fazer. Só um filho do homem, um habitante do mundo que ficava para além de Fantasia, podia dar um novo nome à imperatriz Criança. Tinha de encontrá-lo e de levá-lo até junto dela.

Levantou-se de um salto.

"Ah", pensou Bastian, "eu gostaria tanto de ajudá-la — a ela e também a Atreiú. Com certeza eu poderia inventar-lhe um nome maravilhoso. Se ao menos soubesse como chegar junto de Atreiú! Iria imediatamente. Como ele iria ficar espantado se eu lhe aparecesse de repente! Mas infelizmente isso não é possível... Ou será?"


Breve mapa das fronteiras entre histórias e memórias

Quanto maior a precisão com que uma história atinge o núcleo de nosso ser, maior é a dificuldade em se expressar qualquer impressão sobre ela. É como ter uma fenda aberta na pele por uma flecha que atinge a alma. Num piscar de olhos você paralisa com o que lê, fica inerte, vítreo feito poça de água refletindo nuvens. Pisca mais uma vez na tentativa de compreender o que o atingiu. Mas ao ler a próxima linha, outra flecha. E outra, depois outra, cada frase é um novo golpe, sucedendo-se tantas que agora parece não se tratar mais de uma história. É como se nela você percebesse sua própria vida paralisada no tempo. Naquele enxame agudo de palavras, a história indefinidamente nos vira do avesso, acabamos por nos perceber os nossos olhos voltados para as páginas, e aquela mesma nuvem refletida na poça termina por imitar as formas tênues do seu espírito preso entre seus dedos e a folha de papel.

Acho difícil falar de maneira sóbria sobre História Sem Fim, de Michael Ende. Lembro-me da primeira vez que vi a edição da Martins Fontes numa livraria Saraiva do Centro da Cidade. Não era possível comprá-lo. Aquele exemplar custava em torno de oitenta reais, caro para um adolescente que não tinha dinheiro nem para calças novas. Passaram-se anos até que o reencontrasse, - a obra que seria das mais importantes para mim. Quando criança a adaptação cinematográfica homônima me cativou. O desejo pelo livro ora adormecia, ora sonambulava. Não tinha a mínima noção do que estava por vir. Sempre que me metia em sebos fuxicava nas prateleiras. Era mais um dentre tantos Bastian Baltasar Bux, gordos de uns onze ou doze anos, abrindo a porta e tocando o sininho da livraria, de corpo ensopado e com muitos problemas na escola. Mas diferente dele, não furtei História Sem Fim nem fugi para o sótão da escola para lê-lo. Simplesmente esqueci que a buscava.


O exemplar do qual falo foi o mesmo que encontrei anos atrás, o mesmo História Sem Fim original, escrito por Michael Ende em alemão. Pode parecer estranho, mas é exatamente o mesmo traduzido para a língua portuguesa e publicado pela Martins Fontes, o mesmo que durante quatro noites insones eu li, e o mesmo exemplar que Bastian leu durante o tempo que poderia ser a metade de um dia ou, literalmente, o início e o fim de um mundo inteiro. Uma história dentro de outra história. Comunicando-se infinita e ciclicamente.

Ouviu-se de novo o soluçar da voz que, cantando, se afastava cada vez mais:  

"O Nada vem chegando
E o Oráculo vai-se calar.
Não mais este som pairando
Tu poderás escutar.
De todos os que vieram
Ao pétreo bosque de esteios,
E minha voz escutaram,
Hás de ser o derradeiro.
É possível que consigas
O que ninguém conseguiu jamais.
Para isto o que te cantei precisas
Guardar, e não esquecer nunca mais!"

E depois, a uma distância cada vez maior, Atreiú ouviu de novo as palavras:
"Tudo uma vez
apenas acontece
e é dessa vez que deve suceder.
Longe, lá onde o campo floresce,
devo morrer e desaparecer..."

A edição que tenho em mãos não me pertence (por enquanto). Na verdade, o livro me foi emprestado e, tal qual Atrieú, que teve sua caça ao búfalo púrpura interrompida por Cairon, o mensageiro metade homem e metade zebra, fui presenteado igualmente por minha mensageira. Obviamente não era o distintivo feito de duas cobras, uma clara e outra escura, ambas mordendo a cauda da companheira, o Aurin, o brilho, a joia, ou Pentáculo, como também era conhecido. Diferente da insígnia enviada pela Imperatriz criança, minha mensageira tirou do envelope feito de papel manteiga uma delicada medalha, também trazida de um lugar muito muito distante, tão distante que suspeito que seja o próprio centro do mundo - obrigado. Foi como o instante em que Atreiú viu Bastian através da porta de espelho, a flecha mais poderosa me atingiu. Entendo agora a minha importância naquele movimento, e da importância do movimento que história provocou em mim.

Mas as surpresas não cessaram. Quando criança, os cães cocker spainel eram meus favoritos, justo porque pareciam com o Dragão da sorte Falkor do filme. Por sorte tive o prazer de possuir dois da raça –  o de pelo negro chamado Joel, já falecido, e Judas. No livro o Dragão da sorte é Fuchur e não Falkor, e há diferenças como a sua cabeça parecer a de leão e a voz repicar igual a um sino. Mas ambos, fosse dragão do filme ou livro, piscam da mesma forma que Joel piscava para dizer que tudo ia terminar bem.


Estava à espera de ver no espelho qualquer imagem terrível e assustadora de si mesmo, como o advertira Enguivuck, mas agora que tinha deixado o medo para trás, isso lhe parecia irrelevante. 

Porém, em vez de uma imagem aterradora, viu uma coisa para a qual não estava preparado e que também não podia compreender. Um rapaz gordo, de rosto pálido — aproximadamente da mesma idade que ele — sentado de pernas cruzadas sobre uma cama feita de colchões amontoados, lendo um livro. Estava embrulhado em um velho cobertor cinzento, todo rasgado. Os olhos do rapaz eram grandes e tinham uma expressão muito triste. (...) 

Bastian estremeceu ao compreender o que acabava de ler. Era ele! A descrição coincidia em todos os detalhes. O livro começou a tremer em suas mãos. Decididamente, aquilo estava indo longe demais!

Ainda me sinto um pouco zonzo ao tentar contar com precisão a respeito. Poderia continuar relatando por incontáveis eras sobre as memórias que encontrei nos subterrâneos de Fantasia, sobre os poemas que cantam o fim dos sonhos e da esperança recitados pela voz do silêncio (ou Uiulala), mas prefiro que você mesma ouça a voz e descubra seu caminho para lá. Desejo do fundo daquele ponto atingido pela ponta da flecha que você vislumbre por si, e testemunhe sua história sem fronteiras caber em algo tão pequeno quanto uma semente de trigo. E a floresta que dela germina se tornar um deserto de dia, para florescer novamente enquanto ainda pudermos sonhá-la por todas as noites.



P. S.: Quase me esqueci de falar das incríveis ilustrações que introduzem todos os vinte e seis capítulos do livro. São letras capitulares, fontes góticas acompanhada de cenas do próprio capítulo. Se você prestar a atenção entenderá porque o número capítulos é o mesmo que o de letras do alfabeto. Mas deixo esse mistério para que descubra por conta própria.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Capas de livros reinventadas

http://blog.jilliantamaki.com/2011/03/penguin-threads-deluxe-classics/

Sempre que uma história é adaptada para o cinema, além da treta do debate Livro versus Filme: qual o melhor?, a gente também se estressa se interessa pela forma como estas histórias serão novamente publicadas: se em edições de colecionador, boxes, ou em tiragens contendo o poster oficial do filme no lugar da capa original, por exemplo. De algum modo, esta nova e nem sempre temporária identidade dos livros é um debate que atrai não apenas designers, mas todo leitor com alma de colecionador que não sossega enquanto não ocupar a estante com todas as tiragens possíveis de seu livro preferido.

Pensando nesta relação livro-filme, impossível não lembrar de Jojo Moyes e John Green, não é mesmo? Afinal, como lidar com as 9328374 versões de Quem é você, Alasca?, assim como as (bruscas) variações capas da Jojo publicadas recentemente pela Intrínseca?
 

Tudo bem, colecionar não deve ser um fardo, e sim um hábito divertido, e de longe uma questão 'filosófica', concordo. Mas confesso que uma nova edição te induz a pensar que "tem algo mais ali", e não é o que acontece: pouca ou mesma tradução, nenhum encarte ou extras, a tal novidade se resume a uma capa melhorada (ou, como também acontece, mais feia) mesmo.

Bom, tudo isso pra dizer que esta "pesquisa sobre as capas" começou com a imagem que ilustra o início deste post, Emma, em versão bordado, produzida pela artista Jillian Tamaki que, em 2011, foi comissionada pela Penguin para realizar um trabalho de capa em alguns de seus títulos, incluindo Jane Austen, cujas obras, inclusive, por há muito serem consideradas clássicas, certamente passam por constantes revisões e traduções, e claro, novas capas, tiragens e edições...

E daí o infinito ciclo de "inquietações de colecionador" de nossa conversa apenas recomeça. Risos.


Mas voltando ao tema da "reinvenção" editorial, vez por outra encontro o trabalho de diversos criativos que, comissionados ou não, recriam capas de livros, discos, filmes e demais produtos culturais. Por ora, falarei apenas dos livros, apresentando algumas recriações de capas que eu gostaria muito de ver nas livrarias, e claro, em minhas prateleiras:



Moby Dick, do ilustrador Ryan Hartley SmithO Velho e o Mar, da ilustradora Kirsten Sims



As Viagens de Gulliver, da ilustradora Naomi Siloman | Anna Karenina, da ilustradora Karolin



Dracula, do ilustrador Steve St. Pierre |  Cem anos de solidão, da ilustradora Margarita Stchetinskaya


Aliás, esta belíssima capa para Cem Anos de Solidão é parte de um projeto de exposição que conta com o trabalho de outros 99 ilustradores e artistas, todos recriando capas para obras clássicas da literatura. Vale conferir!


E você, tem alguma sugestão de link pra compartilhar com a gente? Conhece algum artista brasileiro que seja também fissurado por ilustração e livros? :)

domingo, 20 de novembro de 2016

Uma semana e(m) um dia # 5

E chegamos ao quinto post da série Uma semana e(m) um dia! Pra quem não conferiu nossas postagens anteriores, seguem os links: post #1, #2, #3 e #4. Neste domingo, Bruno, Jonatas, Rebeca e Regiane falam sobre passeios pela cidade, livros, música e filmes.


Bruno

Sei que o post se chama "Uma semana em um dia", mas, devido a monotonia dos meus dias de semana, vou focar no sábado: O Jardim Botânico é um dos lugares mais lindos do Rio de Janeiro. O bairro homônimo já tem seu charme, mas o parque, fundado em 1808, é ainda mais espetacular, e prova viva do bom gosto Imperial claramente visto nas gigantescas Palmeiras Reais. O Sábado nunca é ruim quando visita-se um lugar como esse e o passeio tornou meu dia perfeito.

Do outro lado da rua, muito utilizado por quem estaciona o carro pretendendo visitar o Jardim Botânico, fica o Jockey Club Brasileiro, que definitivamente vale um olhar mais carinhoso, não só pela beleza de sua arquitetura e imponência, mas nas sextas, sábados e domingos, para aqueles que gostam de uma boa e velha aposta, assistir a um turfe e torcer para seu escolhido cruzar a chegada na frente tornam o dia inesquecível.

Somente duas observações: não havia trocado de roupa desde sexta, isso explica a vestimenta inadequada para o passeio. Também sei que o blog é fofo e que UFC e Corrida de Cavalos podem soar assuntos masculinos demais, mas, para uma pessoa que tem como filme favorito O Poderoso Chefão, é o que dá pra fazer.


Jonatas

Recebi da editora Veneta, por intermédio do blog Nerdgeek Feelings, a graphic novel Coração das Trevas, por Catherine Anyango e David Zane Mairowitz, uma adaptação do clássico de Joseph Conrad No coração das trevas (disponível no catálogo da Editora Hedra). O livro é bastante conhecido por inspirar o filme Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola, e conta a história Charles Marlow, um inglês contratado por uma companhia de comércio belga para comandar um barco a vapor através de um rio que atinge o coração do continente africano.


Ainda não terminei a hq - e semana que vem publicarei uma resenha no Nerdgeek! - mas posso dizer que ela ressalta os pontos mais relevantes da narrativa de Conrad, e a arte gráfica não deixa a desejar. Os traços esfumaçados ganham forma como um rosto negro emergindo na névoa, exprimindo a angústia e decadência de um mundo ainda a ser explorado. É interessante que a aparência de Marlow lembra bastante uma imagem famosa de Conrad, tendo em vista que o próprio Conrad trabalhou boa parte da vida como marinheiro e também navegou nos rios que entranham a África. 

Elogiado por nomes como Virginia Woolf e Jorge Luís Borges, Coração das trevas nos traz um senso cruel, porém claro, a respeito do homem diante da natureza crua. Um mundo ainda virgem, despido de qualquer toque artístico, racionalista, civilizador, cuja única forma de nos relacionarmos harmoniosamente com tal natureza seria se despíssemos a margem de nossa própria loucura. 

Sim, há morte. Mas não sei dizer se a morte aqui é exatamente motivo de tristeza. A lição mais prática que tive até agora foi: na natureza não há férias ou aposentadoria. Se na natureza espelharmos apenas o que há de mais negro no coração humano, só haverá descanso no fim do atalho.


PS: Assim como o Bruno, também vou postar fotos do Jardim Botânico:




Rebeca


A História do Blues é uma das narrativas que mais me impressiona. Saber que foi (e é) possível compartilhar o que se passa no coração, e ainda fazer música com isso, mesmo em meio a um cenário biográfico e social dos mais dolorosos, é algo de uma grandeza impronunciável.

De raízes afro-americanas, o Blues é uma espécie de canto e confissão daqueles que, sob o sol, a escravidão e a pobreza das lavouras (mais especificamente, dos estados do Alabama, Mississipi, Louisiana e Geórgia), lutavam pela sobrevivência. Como se encontrassem forças neste canto, as frases do Blues eram como um lamúrio ritmado, e que refletiam o pouco que se podia compreender de suas próprias vidas. Com o passar dos anos e das Guerras e da adaptação dos povos a uma nova realidade social norte-americana, o Blues foi se instrumentalizando, e, em proximidade com o Jazz e os Spirituals, tornou-se uma espécie de identidade destes povos do Sul dos Estados Unidos.

Enfim, pra quem quiser conhecer melhor a História do Blues, recomendo este documentário, e claro, também um livro: no meu passeio de ontem na Primavera Literária, finalmente encontrei a autobiografia B. B. King - Uma Vida de Blues, publicada pela Editora Generale / Évora. Tenho certeza de que todos que se interessam por música e história irão gostar desta biografia! Conheça a sinopse: "B. B. King tem o blues correndo por suas veias. Ele cresceu na parte rural pobre do Delta do Mississipi e teve seu primeiro contato com o blues aos 9 anos, quando sua mãe faleceu. Tornou-se o homem responsável pela família e usou esse desafio como fonte de inspiração e se lançou na carreira musical mais celebrada na história dos Estados Unidos. B. B. King tem uma notável trajetória e esta autobiografia retrata em detalhes o turbilhão de aventuras que passou, desde a década de 1940 em Memphis até a década de 1990 em Moscou. Mas acima de tudo, a história de B. B. King é a história do blues – da evolução do country acústico para o elétrico urbano ao nascimento e explosão do rock 'n' roll – e do triunfo do Rei do Blues através da sua caminhada pelo sucesso para manter inabalável a verdadeira música que ritmava seu coração".

Trecho do livro: "Encaro cada show como um teste", ele diz certa noite ao passo que o ônibus sobe a Interestadual 55, rumo a Chicago. "Quero que o público se sinta como se estivesse num regresso ao lar. Mas será que consigo fazer as pessoas lá fora sentirem como se estivessem numa família? Será que consigo fazê-las sentir o quanto eu amo o blues? Será que as farei sentir o quanto o blues as ama? Se a resposta for sim, fiz meu trabalho. Mas se não, vou estar lá, na noite seguinte, tentando mais firme".

Ah, a história do Blues também foi construída por mulheres! A cantora Bessie Smith, por exemplo, filha de trabalhadores rurais do Tennessee, começou a cantar no início do século do século XX, logo após a morte de seus pais, como um modo de sustento para si e o que restou de sua família.

Quem dera aqui no Brasil, especialmente no Rio, o Blues fosse uma inspiração para as pessoas...


Regiane

Quando criança, fui muito tímida e introspectiva, não me sentia à vontade perto das pessoas, e passava muito tempo "pensando" (resposta padrão para quando me perguntavam o que eu estava fazendo sentada e olhando pro horizonte - risos, muitos risos!). Mas, isso me aproximou de duas artes que viraram minhas maiores paixões: literatura e cinema.

Desde que aprendi a ler, por volta dos 6 anos, comecei a devorar tudo que tinha letras. No começo eram coisas bobas, até que minha madrinha começou a me dar livros de presente e a paixão só aumentou. Um belo dia, ganhei um exemplar surrado, com as folhas todas soltas de uma história aparentemente inofensiva, mas que me causou uma enorme impressão pela força e amadurecimento de sua personagem principal - A Princesinha, de Frances Hodgson Burnett. Não demorou muito para que eu assistisse sua versão cinematográfica e continuasse me encantando com a jornada de Sara, uma menina acostumada a ter tudo o que o pai podia lhe dar, inclusive muito amor, e dona de uma imaginação superior, que acaba indo para uma escola de meninas enquanto seu pai vai à guerra. Lá, Sara descobre que o mundo não é tão belo quanto pensava e nem todos têm um coração tão afetuoso quanto seu pai. Mas, o espírito de Sara é forte e sua determinação em transformar sua existência em algo extraordinário é inspiradora para todos a seu redor e a todos que leram sua história. Imaginem o quanto esse enredo me marcou e me influenciou. Tanto que essa semana encontrei por puro acaso o DVD desse filme lindo e não hesitei em adquiri-lo, porque a garotinha que eu fui ainda está por aqui, precisando de inspiração, e essa pode ser encontrada sim em um belo filme dito infantil, mas que contém lições atemporais.

Um passeio pela Primavera Literária 2016



Carioca que nem sempre sou, tenho preferência por céus nublados e jardins. Talvez por uma necessidade poética mesmo, e pela quase impossibilidade destes dois cenários (tão comuns a europeus e quaisquer cidades que não o Rio) coexistirem por aqui. Pois bem, sábado à tarde, fui conferir a Primavera Literária, e novamente passear pelos Jardins do Museu da República, no bairro do Catete.


Não consigo mensurar o público presente neste fim de tarde, mas haviam leitores de todas as idades, e também famílias em busca de publicações infantis. Aliás, uma das surpresas da feira foram os títulos não-acadêmicos da Editora 34, especialmente esta belíssima edição de Alice, disponível também em um box contendo o "Alice através do espelho".


Outra editora que surpreendeu com edições impecáveis foi a Gaivota / Biruta. Destaque para os livros Ela tem olhos de céu e Primavera. Vale conhecer!


No meio do passeio, encontrei as queridas Hanny Saraiva e Paula Cajaty, da Editora Jaguatirica. Um dos lançamentos que recomendamos (e que espero em breve compartilhar uma resenha aqui no blog) é o Miopia, que eu já gostei só pela sinopse: "Às vésperas do Carnaval, uma publicitária e um designer casados há quase dois anos se afastam sem comum acordo. Um passa o feriado no apartamento em Copacabana. O outro se refugia numa casa de serra com colegas do trabalho. A narrativa desses dias é intercalada com flashbacks que retomam o namoro à distância entre Rio e São Paulo, o início da vida conjugal e os antecedentes da separação. O texto não esclarece qual cônjuge vive cada enredo, imprecisão reforçada pelos nomes comuns de dois gêneros, Darcy e Dercy, o que deixa a (in)decisão a cargo do leitor."


Outro stand muito bacana foi o da Relicário Edições, que tem em seu catálogo títulos um tanto mais acadêmicos, especialmente no segmento da estética e da crítica literária. No entanto, um livro chamado As desordens da biblioteca tem tudo pra ser incrível, e eu não poderia sair da feira sem conhecê-lo :)


A Babilônia Editorial também está com lançamentos muito interessantes, como O alfaiate polonês, Bikenomics e O Rio antes do Rio. Design + projeto editorial impecáveis também!


Sobre títulos inesperados, confesso que o stand da Nova Alexandria me deixou curiosíssima! Dentre os títulos disponíveis, traduções de Dostoiévski, Flaubert, William Blake... Taí uma editora pra gente pesquisar e conhecer um pouco mais!


Enfim, a Primavera Literária é um evento muito bem organizado, especialmente por proporcionar ao leitor este contato com inúmeras publicações e editoras de diferentes perfis. Foi uma experiência muito bacana mesmo! Uma pena esta blogueira que vos escreve estar com a fatura do cartão vencida, senão, as comprinhas teriam sido muitas mesmo! Risos.


Pra terminar, no meio do jardim, entre leitores e livros, haviam não apenas folhas e pedras: alguns convidados de patas e penas pareciam também curtir esta festividade literária :)