sábado, 31 de dezembro de 2016

Um bom ano que termina em gratidão | Texto de Jonatas Tosta

 
Um salto na fenda entre o fim e o início

Não é incomum ouvir pessoas ranzinzas resmungarem por causa da comoção costumeira de fim de ano, e tenho certeza de que você sabe como é. Chiam ao menor sinal de roupas brancas e novas desfilando na rua. “Pra que isso tudo?” elas pensam. Torcem o nariz para as promessas feitas na proporção de cada grão de lentilha, arqueiam as sobrancelhas para os pulos nas ondas e o monte de sal dos velhos costumes. Estufam o peito e dizem que não se comovem com datas comemorativas e que não passa de oportunismo comercial. Confesso que já fui como um desses sujeitos mal humorados. Não media o olhar empenado nem para um súbito estouro de champanhe. Talvez fosse uma versão menos exagerada de um Ebenezer Scrooge para o Ano Novo, mas eu era um sujeito certamente afetado. Apesar disso, era contraditório. Não gostava de comemorações, mas havia alguma coisa em especial nos ciclos estacionais, algo que através do tempo sempre me fascinou. Hoje em dia acho que deixei de ser aquele cara ranzinza. Gosto desse espaço que somos capazes de abrir no tempo, entre o fim e o início de um ano. Assim, todos nós damos um sentido humano a nossa própria passagem por esta terra. Creio, desde a primeira fagulha que deu origem a este mundo tem o sentido do renascimento, de novas oportunidades. Aquela sementinha que deve deixar a casca seca para dar luz a uma imensa árvore. Espero que juntos, naquela pequena e infinita fresta que fica entre o último segundo antes da meia-noite, possamos sair de energias renovadas para dar continuidade a essa longa marcha que é a vida. Temos uma longa e próspera vida pela frente ainda.


Um bom ano que termina em gratidão

Eu não sei exatamente onde as coisas começam, e isso me dá a impressão de elas terem sido sempre do jeito que são. Eu lembro ter começado a escrever no Papel Papel, mas não lembro exatamente por que. Foi um texto em que me diverti bastante sobre o romance Tom Sawyer. Também escrevi sobre Peter PanO mágico de Oz. E acho que foi a resenha sobre O Pequeno Príncipe que chamou a atenção do Rodrigo e Raquel. Em consequência me convidaram para escrever para o Nerd Geek Feelings. Logo em seguida, meus amigos de faculdade que compunham um grupo de produção textual (Pedro, Gabriel, Lucas e Luciano) e eu decidimos publicar virtualmente nossas histórias. Nasceu assim o blog Poligrafia.

Enfim, em meio, a acidentes, lágrimas e um monte de sorrisos bobos por motivos que não convêm aqui, além de um trevo de cartolina caído na calçada no dia de São Patrício que inusitadamente me deu fôlego para continuar “Histórias de um Entregador de Sonhos”.

Este também foi o ano em que finalmente terminei meu segundo livro (o primeiro sumiu misteriosamente de cima da mesinha do computador). Um pouco mais tarde do que pensei, mas da maneira mais apropriada possível. Falo de todas essas coisas porque creio que este blog é parte do núcleo das maravilhas que me aconteceram. Acho que é isso. A arte literária é para mim tão importante quanto respirar ou despertar, e ter que escrever resenhas, contos e um monte de textos com prazo foi providencial. Não há outra palavra melhor. Por isso, agradeço a todos os meus amigos, sejam leitores, sempre comentando e nos motivando, ou editores, dando uns ajustes aqui e ali para tudo sair perfeito. Acreditem. Gostaria de agradecer pessoalmente com um aperto de mão e dois abraços a todos que nos acompanharam ao longo deste ano no blog Papel Papel. Agradeço especialmente a Rebeca pela oportunidade, confiança e principalmente pela liberdade de me permitir ser o máximo de mim mesmo por aqui. Outra vez. Sou grato. E o ano que virá nos espera com o dobro de nosso melhor.
 
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