quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Nora Roberts - Irmãos de Sangue | Editora Arqueiro | Resenha por Regiane Medeiros


Editora Arqueiro | Resenha por Regiane Medeiros

"Do seu modo ordeiro, Cal organizou o acampamento. Comida em uma área, roupas em outra, ferramentas em uma terceira. Com a faca de escoteiro e a bússola em seu bolso, foi apanhar alguns gravetos. Os arbustos espinhosos o espetavam e arranhavam à medida que andava. Com os braços cheios, não viu quando algumas gotas de seu sangue pingaram no chão na beira do círculo... Ou o modo como o sangue chiou, fumegou e depois foi sugado por aquela terra marcada." (p. 28)

"- Nós nascemos dez anos atrás, na mesma noite, na mesma hora, no mesmo ano. Somos irmãos. Na Pedra Pagã juramos lealdade, verdade e fraternidade. Misturamos aqui nosso sangue." (p. 33)

#Resenha: Vocês já demoraram a ler um determinado autor e quando finalmente lê algo dele, se arrepende de não ter feito isso antes? Eu sim, para minha eterna agonia e vergonha.

Eu sempre ouvi falar da Nora Roberts e sempre tive curiosidade, mas por motivos além da minha compreensão, ainda não o tinha feito! Mas, fico feliz em anunciar que já remediei esse lapso!

Minha última leitura foi Irmãos de Sangue, primeiro livro de uma trilogia que tem como principal cenário uma cidade pequena do interior dos EUA. Nessa cidade existe uma floresta, daquelas sombrias e repletas de lendas de assombração, mas que de fato esconde algo maligno. Isso até Cal, Fox e Gage libertarem esse mal. Não é culpa deles, afinal, eram apenas garotos querendo comemorar o aniversário de 10 anos juntos em uma aventura, porém, acabam despertando uma maldição que vai assombrá-los e assolar a cidade onde moram, a cada 7 anos, durante 7 dias, no 7° mês do ano.

A culpa os impulsiona a buscar por uma solução, enquanto trabalham para minimizar o estrago causado, mas as coisas só começam a clarear com a chegada de uma jornalista, disposta a escrever a história da cidade e o fenômeno que a cerca durante o período dos Sete. Porém, mais do que curiosidade, Quinn tem visões, daquelas que arrepiam todos os cabelos do corpo, as mesmas visões que assombram Cal, Fox e Gage. Mas, se Quinn não é da cidade, porque vê e é afetada pelas mesmas coisas que eles? Essa resposta só vem com a leitura!!!

A escrita da Nora é deliciosa, fluida e dinâmica. Seus personagens são interessantes, singulares e nos atraem a cada página, a cada diálogo. E o suspense em torno de todos os acontecimentos que os uniram é digno dos maiores mestres do gênero! Já estou ansiosa pelas continuações, pois o final de Irmãos de Sangue, é apenas o início dessa aventura sobrenatural!

"Quando se virou, viu o garoto. Estava em pé na calçada, a meio quarteirão de distância. Não usava casaco, chapéu ou proteção contra o vento cortante, que não agitava os seus cabelos compridos. Seus olhos brilhavam, assustadoramente vermelhos, enquanto repuxava os lábios para emitir um rosnado." (p. 65)

"Quantas perdas ele vira? Quinn gostaria de saber. Quantas perdas sofrerá desde seu décimo aniversário? E ainda assim voltava para aquela floresta, para onde tudo começara. Ela achou que nunca tinha visto uma atitude mais corajosa." (p. 103)


Sinopse: A misteriosa Pedra Pagã sempre foi um local proibido na floresta Hawkins. Por isso mesmo, é o lugar ideal para três garotos de 10 anos acamparem escondidos e firmarem um pacto de irmandade. O que Caleb, Fox e Gage não imaginavam é que ganhariam poderes sobrenaturais e libertariam uma força demoníaca.

Desde então, a cada sete anos, a partir do sétimo dia do sétimo mês, acontecimentos estranhos ocorrem em Hawkins Hollow. No período de uma semana, famílias são destruídas e amigos se voltam uns contra os outros em meio a um inferno na Terra.

Vinte e um anos depois do pacto, a repórter Quinn Black chega à cidade para pesquisar sobre o estranho fenômeno e, com sua aguçada sensibilidade, logo sente o mal que vive ali. À medida que o tempo passa,

Caleb e ela veem seus destinos se unirem por um desejo incontrolável enquanto percebem a agitação das trevas crescer com o potencial de destruir a cidade.

Em Irmãos de sangue, Nora Roberts mostra uma nova faceta como escritora, dando início a uma trilogia arrebatadora em que o amor é a força necessária para vencer os sombrios obstáculos de um lugar dominado pelo mal.
quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Sonata em Auschwitz - Luize Valente | Editora Record


Sonata em Auschwitz - Luize Valente
Editora Record, 2017
(Resenha por Rebeca C.)

"No sótão, vivem-se as horas de longa solidão. (...) No sótão também as intermináveis leituras. No sótão, o disfarce com os trajes de nossos avós, com o chale e os laços. (...) Ali, as coisas velhas se imprimem, para o resto da vida, na alma da criança. Um devaneio dá vida a um passado familiar, à juventude dos antepassados." (Gaston Bachelard)

Certas histórias adormecem. Entre o bolor e a trégua, o tempo que enfraquece é o mesmo que reconstrói; e o que seria da memória sem rumores e fortalezas? Quando em gavetas, o passado desbota suas páginas, e por vezes adoece. Nódoas e glórias nos fazem então contar histórias, principalmente quando tão certas, tão seguras de que não se pode mais aprisioná-las, muito menos em gavetas. 

Nascida enquanto percurso ou certidão, a escrita do passado é necessária não apenas enquanto desabafo ou homenagem, ou ainda romance intempestivo; honrar o passado é uma forma de resistência (senão a única), de modo que só se pode avançar contra os que se apresentam incendiários com a certeza de que nossa existência não é mera letra, mas uma proposição de existência. Queiram os adversários ou não.

"Mas daí a contar sua história? Como se houvesse palavra que pudesse expressar o que fora tudo aquilo? (...) De que adiantaria expor seus entes queridos? O mundo continuava do mesmo jeito. Injustiças, opressão, racismo, antissemitismo existiriam para sempre. (...) Por que nunca falara sobre isso?

(...) Dor é coisa que se sente. Quando muito intensa, se espalha no ar. Sinto a dor de Adele. E não posso fazer nada. Passados sessenta anos, ninguém pode fazer nada." (p. 147-148)


Porque é de guerra que falamos quando insistem em desdizer o que na própria pele se inscreveu. Não nos cabe um ensaio sobre a legitimidade e o testemunho; ainda assim, sobre Auschwitz, há que se apontar os que porfiam tratados dizendo "não foi bem assim". E muitos são os que ditam reescritas deste ontem "que não (n)os convém". Quanto ao Holocausto "em si", permanece na história enquanto alegoria politika, moeda de reputação e escambo entre ideólogos, acadêmicos e até alguns ingênuos. Pontos nevrálgicos na história do homem sempre haverão, porém não basta a borracha em seus altares para eximi-los. E não é preciso rebobinar demais os acontecimentos: em nosso cotidiano, por exemplo, vemos protestos a favor e contra a "minha luta", enquanto ao mesmo tempo erguemos altares para uma certa "verdade tropical". A realidade, ao que parece, é como uma grande cárie em meio a ineficácia de uma anestesia: sempre uma inadequação; sempre um desequilíbrio entre o que pode e o que não pode ser digerido, quiçá dito.

O livro de Luize Valente se apresenta enquanto um romance de pesquisa e testemunho. Inspirado em relatos de uma sobrevivente do holocausto, que ainda hoje carrega em lucidez a inconsequência de todo um século, Sonata em Auschwitz apresenta ao leitor uma trama de personagens que, distantes temporal e geograficamente, carregam as marcas de uma ferida que dificilmente cicatrizará, especialmente porque ainda lhes são impostos o ardil da injúria, e a vergonha do esquecimento. Mein Politka, e não importa a nacionalidade, e sim a linguagem, que, com o aval do Poder, tem a função de desconstruir todo e qualquer sentido. Afinal, o sangue não é assim tão vermelho, e tampouco o partid..., como ousa, como...?

"Havia três meses que a Alemanha assinara a rendição. (...) Enoch e Johannes optaram por viver um dia de cada vez, como nos tempos da guerra, porém com a agravante de sentirem um pessimismo que evitavam dividir um com o outro. (...) E assim levavam os dias, esperando que a paz finalmente assentasse. Não eram armistícios que a garantiriam.

(...) Para que vale a verdade? O que é a verdade? (...) Dizem que os bons pereceram em Auschwitz. Eu acredito que Auschwitz pereceu nos bons. Bons como Adele. Que vivem apesar de. São viventes. O resto de nós é sobrevivente." (p. 327; 343; 346)

A cada relato e ficção da autora, a cada pesar e ilusão de suas personagens, o leitor vivenciará Sonata em Auschwitz como uma lembrança a qual embalamos fielmente; porque afinal, não se pode dizer adeus a uma família, uma canção e tampouco a um filho; neste livro de Luize Valente, é preciso entender a memória enquanto testemunho, ainda que em meio a escombros; ainda que sob as auguras e honras de se estar e permitir-se ainda vivo.


Sinopse: Um bebê nascido nas barracas de Auschwitz-Birkenau, em setembro de 1944. Uma sonata composta por um jovem oficial alemão, na mesma data, também em Auschwitz. Duas histórias que se cruzam e se completam. Décadas depois, Amália, jovem portuguesa, começa a levantar o véu de um passado nazista da família a partir de uma partitura que lhe é revelada por sua bisavó alemã. A dúvida de que o avô, dado como morto antes do fim da Segunda Guerra, possa estar vivo no Rio de Janeiro, a leva a atravessar o oceano e a conhecer Adele e Enoch, judeus sobreviventes do Holocausto.

A ascensão do nazismo na Alemanha, culminando na fatídica Noite dos Cristais, a saga dos judeus húngaros da Transilvânia, os guetos na Hungria e Romênia, os trens para Auschwitz, os mistérios acontecidos no campo de extermínio da Polônia e o pós-guerra numa casa cheia de segredos num lago de Potsdam oferecem os trilhos que Amália percorrerá para montar o quebra-cabeça.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Unboxing TAG Experiências Literárias - caixa de novembro | Por MIch Fraga


Mais uma unboxing do amor! Sempre que chega caixinha da TAG Experiências Literárias é motivo de comemoração e, para mim, esse mês a comemoração foi ainda mais especial já que a curadora do mês, Heloísa Buarque de Holanda, grande crítica literária do Brasil, escolheu um "livro de mulher" que marcou de uma vez por todas a entrada da mulher brasileira no mundo literário. No início do séc XX, "livros de mulher" eram considerados baixa literatura, com pouca profundidade ou relevância. Hoje em dia esse tipo de pensamento não faz o menor sentido e a escrita literária da mulher veio ganhando seu espaço de direito graças a autora homenageada de novembro pela TAG.


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domingo, 5 de novembro de 2017

Dom Casmurro - Machado de Assis | Por Mich Fraga


Buenos días. A resenha de hoje, que na verdade era para ter saído ontem mas o YouTube não colaborou com o upload, é super especia! Dessa vez vamos conversar detalhadamente sobre "Dom Casmurro" de Machado de Assis. 

Mas atenção, essa é uma resenha mais minuciosa pensada para ajudar os alunos que prestarão o ENEM ou qualquer outra prova em que seja cobrada essa leitura, então, se você não quiser saber tantos detalhes da obra, essa resenha não é para você.



Apesar de eu ter falado muitos aspectos da obra, garanto a você que não revelei nem 1/3 dos mistérios da história e você precisará ler o livro para descobrir todos os detalhes.


Espero ter ajudado de alguma forma.
Beijos e até a próxima,
Mich.
sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Unboxing Turista Literário - caixinha de outubro


Já está no ar o unboxing da malinha de outubro do Turista Literário! Os Correios deram uma atrasada básica, mas.... finalmente chegou a caixinha tão esperada de todos os meses!!! Confira o unboxing com todas as minhas impressões:


PS: Meu passaporte literário atingiu a mesma quantidade de carimbos que meu passaporte real. Será um sinal de que preciso viajar mais? Ou talvez um sinal de que preciso comprar menos livros? kkkkkkkk <3


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Unboxing TAG - caixinha de outubro | Por Mich Fraga


Yupi, hoje é dia de unboxing do amor, pois chegou mais uma caixinha da TAG Experiencias Literárias! Para quem ainda não sabe, a TAG é um clube de assinaturas de mistery box de alta literatura e a curadoria desse mes ficou a cargo de Chimamanda Adiche, a renomada escritora nigeriana... Aliás, eu acho esses sobrenomes africanos tão chiques, puro luxo!


Vamos conhecer então a nova caixinha da TAG?


Já conhece minhas redes sociais? Além do blog, você me encontra também: no Instagram http://www.instagram.com/mich_fraga e no Facebook http://www.fb.com/canaldamich :)

A vida não é um traço linear | Por Marcelo Marchiori



"LEAR — Qual é a tua profissão? Que pretendes de nós?

KENT — Minha profissão é não ser menos do que pareço; servir fielmente a quem confiar em mim; amar quem for honesto; conversar com quem for sábio e falar pouco; temer a justiça; brigar quando não houver outro jeito, e não comer peixe.

LEAR — Quem és tu?

KENT — Um tipo de coração honesto e tão pobre quanto o rei."


A vida não é um traço linear. Não se trata de um projeto ascendente em que iremos melhorar em todas as áreas. Não há uma regra de que ficaremos mais espertos a cada ano que passa. Muitas vezes não somos capazes de aprender o necessário. Como Shakespeare diz através de um de seus personagens, sobre um rei que quis abrir mão de suas responsabilidades sem perder o poder: “Pobre Lear, ficou velho antes de ficar sábio”.

Não há uma hierarquia entre juventude e maturidade. Não é possível dizer que um destes dois momentos [ou arquétipos] possa ser mais importante, deva ser mais valorizado que o outro. O que dá para perceber são algumas distinções entre os dois períodos e assim, quem sabe, absorver o que de melhor surge em ambos os contextos.

Talvez um dos temas mais comuns nos consultórios de psicologia seja o dos relacionamentos amorosos. Chego a brincar que sou especialista em curar “dores de cotovelo”. Quando é o caso de atender um adolescente ou um jovem adulto, existe um enunciado com qual eu me divirto muito. Nunca me canso de ouvi-los dizer: “acho que depois dessa eu nunca mais vou me apaixonar”. Esse é um bom símbolo de como funcionam os primeiro anos de nossas vidas.

Com pouca idade, vivemos pouca coisa. Faltam elementos de comparação para quase tudo e as situações nos parecem muito maiores do que realmente são. Quem nunca achou que perder “aquela” festa era o fim do mundo? Pois que atire a primeira pedra! E o desespero de não ser aceito socialmente? Quantas modas ridículas não foram seguidas só para que a pessoa se sentisse enturmada e diminuísse um pouquinho o medo de se tornar um fracasso social? Tudo isso que nos tirou tantas vezes o sono e hoje quase não nos preocupa.

Por outro lado, podemos pensar também sobre a inconsequência. Alguma parte da coragem na juventude surge do total desconhecimento dos riscos que se corre em tomar certas decisões. Quanta gente não se arrepende em não ter sido um pouco mais prudente neste ou naquele momento? Em não ter pensado um pouquinho antes de aceitar aquele desafio estupido de pular o muro do cemitério na madrugada ou de virar 4 dedos de uma garrafa de vodca? Certos erros nos ensinam, outros podem ser irreversíveis.

No meio de tudo isso há um ponto que é positivo: quanto menos caminho percorrido, menor a possibilidade de carregar na cabeça uma montanha de traumas ou vícios, comportamentos deturpados. A capacidade criativa e de reinvenção da juventude é alta e permite que o sujeito possa corrigir um caminho problemático com menos esforço que alguém com muito apego por suas histórias, por suas manias.

No campo da maturidade quem nunca ouviu [ou disse] “não tenho mais idade para isso”? É a desculpa perfeita, o passo de fuga, para se livrar de qualquer revisão de comportamento necessária para uma vida mais completa, uma existência integral.

A repetição de determinados comportamentos acaba promovendo a otimização das ações. O custo de uma ação torna-se menor depois de criarmos um caminho pelo qual seguimos com os olhos fechados. Aparentemente estamos perto do ponto estável que tanto procuramos em nossas vidas, dá quase para acreditar que, ao menos, algumas das perguntas foram respondidas. É o poder de um hábito constituído.

Fica muito difícil dizer se um comportamento é bom ou ruim sem analisar o contexto em que ele se insere. Mesmo um sintoma pode ser a defesa contra algum tipo de sofrimento muito maior... a parte mais complicada pode ser a engrenagem que mantém nossa criatividade em movimento, mas, em alguns casos, um mau comportamento pode ser apenas um defeito que, mesmo assim, teimamos em mantê-lo, alimentá-lo e fortalece-lo por puro comodismo.

Retornarmos aqui a ideia que apresentei no início deste ensaio. Não existe uma hierarquia entre maturidade e juventude. Digo mais, entendê-las como algo sem possibilidades de unificação é algo arriscado. Ficamos sujeitos a nos enganarmos com as farsas da juventude ou hiperdimensionar as tragédias da fase adulta.

Um jovem que tem o apoio de alguém que possa alertá-lo sobre possíveis enganos escapa de muitos perigos desnecessários. Aprende que nem sempre é necessário enfiar a mão no fogo para entender que aquilo queima. Se uma parte das tradições merece, com toda razão, ser esquecida, outra é base para a evolução de uma cultura. Os jovens devem aprender com os mais velhos e introjetá-los desde cedo.

Do outro lado, é falsa a ideia de que alguém deixa de aprender. A convivência com a juventude estimula o questionamento de quem acreditava não ser capaz de descobrir novidades no mundo. Mesmo o “tio do pavê” vai abrindo sua visão de mundo quando confrontado pelo acervo de preconceitos que carrega junto de si, principalmente se é convidado a conhecer outras possibilidades de existência e perceber que não há nada de errado nelas. É provável que não se torne um militante de causas identitárias ou coisa assim, mas já toma algum cuidado maior ao conviver com a diferença.

Ainda vale a pena apostar em um processo dialético e permitir que as contradições destas fases se enfrentem dentro e fora de nós. Somos todos velhos e novos, em algum contexto e por algum motivo. Creio eu que a sabedoria de que fala Shakespeare surge desse difícil equilíbrio.


Marcelo Marchiori, outubro de 2017
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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Pape Satàn Aleppe - Umberto Eco | Editora Record | Por Mich Fraga


Olá, pessoal! E já está no ar mais uma vídeo resenha! O livro da vez é o maravilhoso e divertidíssimo Pape satàn aleppe, de Umberto Eco, publicado recentemente pela Editora Record. 

Conheça a sinopse: "O último livro escrito por Umberto Eco, uma visão inteligente e atual sobre o mundo de hoje Crises ideológicas, econômicas e políticas, individualismo desenfreado e uma relação simbiótica com nossos celulares são alguns dos elementos que compõem o ambiente em que vivemos: o de uma sociedade líquida, onde nada parece fazer sentido ou ter sequer algum significado.

Neste que é seu derradeiro livro, a fim de tornar mais fácil a compreensão de nossa sociedade desnorteada, Umberto Eco nos presenteia com uma coleção de ensaios sobre tudo: de Harry Potter ao 11 de Setembro, passando pelo Twitter, os templários e questões de caligrafia.

“Pape Satàn, pape Satàn aleppe”, disse Plutão no Inferno de Dante, com espanto, tristeza, ameaça ou talvez ironia. O significado do verso, ainda um mistério para nós, líquido demais, é perfeito, portanto, para caracterizar a confusão de nosso tempo e intitular esta obra."

Confira a resenha e não deixe de se inscrever no canal para conferir as resenhas sempre em primeira mão! 



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Lançamentos Editora Sextante - Mindfulness e Autoconhecimento



O mundo é agitado
ou será que é a minha mente?
(Haemin Sunim)


Há um tanto de especificidades no sistema de valores e crenças que você, acompanhado ou por si mesmo, começou um dia a seguir. Não é o caso de aqui legitimar ou por em descrédito um e outro sistema - até porque, à exceção dos que professam ideologias, não tenho a pretensão de argumentar contra o legado milenar de inúmeras civilizações e suas concepções acerca do sagrado e do transcendental; há, no entanto, nesta postagem, um interesse em apontar leituras que, à primeira vista, se propõem a resgatar aquilo que nos "torna humanos" - ou seja, tudo o que ainda é capaz de nos afastar de qualquer barbárie.

Aos que se interessam pela literatura do autoconhecimento, seja aquela centrada na psicologia ou na história das religiões, recomendo os seguintes lançamentos da Editora Sextante:



"Desejo que o tempo dedicado a este livro se torne um momento de reflexão e meditação em meio à sua vida agitada. Desejo que o inspire a se conectar com seu lado mais generoso e sensato. Que você seja feliz, saudável, tranquilo e esteja sempre protegido do sofrimento."

De tempos em tempos, surge um livro que, com sua maneira original de iluminar importantes temas espirituais, se torna um fenômeno tão grande em seu país de origem que acaba chamando a atenção e encantando leitores de todo o mundo.

Escrito pelo mestre zen-budista sul-coreano Haemin Sunim, As coisas que você só vê quando desacelera é um desses raros e tão necessários livros para quem deseja tranquilizar os pensamentos e cultivar a calma e a autocompaixão.

Ilustrado com extrema delicadeza, ele nos ajuda a entender nossos relacionamentos, nosso trabalho, nossas aspirações e nossa espiritualidade sob um novo prisma, revelando como a prática da atenção plena pode transformar nosso modo de ser e de lidar com tudo o que fazemos.

Você vai descobrir que a forma como percebemos o mundo é um reflexo do que se passa em nossa mente. Quando nossa mente está alegre e compassiva, o mundo também está. Quando ela está repleta de pensamentos negativos, o mundo parece sombrio. E quando nossa mente descansa, o mundo faz o mesmo.


Atenção Plena - Mindfulness
Mark Williams 

"Mais do que uma técnica de meditação, a atenção plena (ou nmindfulness) é um estilo de vida que consiste em estar aberto à experiência presente, observando seus pensamentos sem julgamentos, críticas ou elucubrações."

Com 200 mil exemplares vendidos, este livro e o cd de meditações que o acompanha apresentam uma série de práticas simples para expandir sua consciência e quebrar o ciclo de ansiedade, estresse, infelicidade e exaustão.

Recomendado pelo Instituto Nacional de Excelência Clínica do Reino Unido, este método ajuda a trazer alegria e tranquilidade para sua vida, permitindo que você enfrente seus desafios com uma coragem renovada.

Mais do que uma técnica de meditação, a atenção plena (ou mindfulness) é um estilo de vida que consiste em estar aberto à experiência presente, observando seus pensamentos sem julgamentos, críticas ou elucubrações.

Ao tomar consciência daquilo que sente, você se torna capaz de identificar sentimentos nocivos antes que eles ganhem força e desencadeiem um fluxo de emoções negativas – que é o que faz você se sentir estressado, irritado e frustrado.

Este livro apresenta um curso de oito semanas com exercícios e meditações diárias que vão ajudá-lo a se libertar das pressões cotidianas, a se tornar mais compassivo consigo mesmo e a lidar com as dificuldades de forma mais tranquila e ponderada.

Você descobrirá que a sensação de calma, liberdade e contentamento que tanto procura está sempre à sua disposição – a apenas uma respiração de distância.


Greg McKeown

"Quando tentamos fazer tudo e ter tudo, realizamos concessões que nos afastam da nossa meta. Se não decidimos onde devemos concentrar nosso tempo e energia, outras pessoas - chefes, colegas, clientes e até a família - decidem por nós, e logo perdemos de vista tudo o que é significativo." 

Se você se sente sobrecarregado e ao mesmo tempo subutilizado, ocupado mas pouco produtivo, e se o seu tempo parece servir apenas aos interesses dos outros, você precisa conhecer o essencialismo.

O essencialismo é mais do que uma estratégia de gestão de tempo ou uma técnica de produtividade. Trata-se de um método para identificar o que é vital e eliminar todo o resto, para que possamos dar a maior contribuição possível àquilo que realmente importa.

Quando tentamos fazer tudo e ter tudo, realizamos concessões que nos afastam da nossa meta. Se não decidimos onde devemos concentrar nosso tempo e nossa energia, outras pessoas – chefes, colegas, clientes e até a família – decidem por nós, e logo perdemos de vista tudo o que é significativo.

Neste livro, Greg McKeown mostra que, para equilibrar trabalho e vida pessoal, não basta recusar solicitações aleatoriamente: é preciso eliminar o que não é essencial e se livrar de desperdícios de tempo. Devemos aprender a reduzir, simplificar e manter o foco em nossos objetivos.

Quando realizamos tarefas que não aproveitam nossos talentos e assumimos compromissos só para agradar aos outros, abrimos mão do nosso poder de escolha. O essencialista toma as próprias decisões – e só entra em ação se puder fazer a diferença.


Rubens Teixeira

Se você não nasceu em berço de ouro, se não pôde estudar nas melhores escolas, se ainda não conseguiu entrar para uma boa universidade, se ainda não tem um bom emprego, se não tem ou não teve o apoio da família, se não teve oportunidades, se sofre algum tipo de preconceito, se é tímido ou inseguro – nada disso é impedimento para que você vença na vida.

Talvez tenha que se esforçar mais do que os outros no início, dormir menos horas por dia, abrir mão de períodos de lazer e ser mais estratégico para aproveitar todos os recursos que tem a seu dispor. O seu caminho pode não ser fácil, mas certamente ele é possível se você acreditar em si mesmo e agir para realizar seus sonhos.

Quem tem tudo de mão beijada muitas vezes não valoriza as próprias conquistas e talvez se considere tão seguro nas disputas que isso chega a representar uma desvantagem, porque os menos favorecidos estarão batalhando a cada segundo pela vitória e aproveitando as brechas que surgirem para mostrar seu valor.

Para vencer quando não é o favorito, você deverá refletir sobre temas importantes em sua conduta e em sua capacidade analítica do ambiente em que vive. Terá que examinar quais são seus pontos fortes e fracos, o que tem a seu favor e o que pode representar um empecilho. São as escolhas individuais certas, aliadas ao esforço pessoal, que trarão a sensação de que é possível enfrentar as circunstâncias adversas.


William Douglas e Flavio Valvassoura 

"Esperamos que vitória do jovem Davi sobre o temido filisteu seja uma inspiração para sua vida daqui por diante. E que as lições dessa história o ajudem a vencer os gigantes que você escolher enfrentar - e aqueles que ousarem aparecer à sua frente." 

Além de ser uma inspiradora história sobre coragem e superação, a luta entre Davi e Golias tem muito a nos ensinar sobre a vida cotidiana e a maneira como lidamos com nossos problemas.

Assim como o jovem hebreu, nós também enfrentamos gigantes e encaramos desafios que parecem maiores do que nós. Eles podem assumir a forma de conflitos no trabalho, crises conjugais, problemas de saúde, dificuldades financeiras, etc.

Mas, da mesma forma que Davi, podemos usar habilidades e estratégias específicas para vencer nossos "inimigos".

William Douglas, consagrado coautor de As 25 leis bíblicas do sucesso, e Flavio Valvassoura mostram neste livro como usar a sabedoria de Davi (e os erros de Golias) para superar nossos medos e derrubar nossos gigantes. Você aprenderá também que:

- O tamanho de sua atitude vale mais do que o tamanho do seu problema.
- O medo de enfrentar um desafio acaba tornando-o maior.
- Menosprezar seu oponente pode fazer você ser derrotado.
- Tão importante quanto conhecer os Golias do exército adversário é reconhecer os Davis entre nossos próprios soldados.
- Ter estratégia também significa evitar confrontos desnecessários.
- Enfrentar gigantes é uma oportunidade de crescer.
- Desafios maiores trazem recompensas melhores.


Lançamentos de Outubro Grupo Editorial Record



No post de hoje, apresentamos os lançamentos de outubro do Grupo Editorial Record com destaque para os títulos de literatura estrangeira e crônicas. Conheçam as novidades:






Primeira obra de Henry Miller, Trópico de Câncer foi aclamado como parte da revolução sexual e se tornou um dos grandes clássicos da literatura americana.

Publicado orginalmente em 1934, em Paris, Trópico de Câncer foi imediatamente proibido em todos os países de língua inglesa. Tachado como pornográfico, assim como seu sucessor Trópico de Capricórnio, só foi liberado nos Estados Unidos e na Inglaterra nos anos 1960, aclamado como parte da revolução sexual. O livro foi celebrado pelos maiores intelectuais da época e se tornou um dos grandes clássicos da literatura americana. Samuel Beckett o saudou como “um evento monumental da história da escrita moderna”.  E outros nomes como T. S. Eliot, Ezra Pound e Lawrence Durrell também notaram rapidamente o talento de Miller.

O livro traz um relato autobiográfico e idiossincrático de Miller, que chega a Paris após abandonar nos EUA um casamento arruinado e uma carreira estagnada. Mesmo sem um centavo no bolso, Henry Miller é apresentado à boemia francesa e redescobre seu próprio talento em dias e noites de liberdade e alegria sem fim.



Sucessor de Trópico de Câncer. Publicado originalmente em 1939, este livro foi aclamado como parte da revolução sexual.

Trópico de Capricórnio mantém a sexualidade e o erotismo em primeiro plano, porém não é simplesmente uma repetição dos temas e do estilo apresentados em Trópico de Câncer. Por meio de uma narrativa ainda mais densa e subjetiva, Henry Miller desfia seu passado em Nova York durante os anos 1920 – antes de embarcar para Paris e fazer da capital francesa a sua festa individual. 

Com toques autobiográficos, a história se passa nos anos 1920 e relata um passado permeado por considerações existenciais e em tons de cinza, da falta de trabalho e de dinheiro a um emprego odioso. 

Trópico de Capricórnio não é libertário como Trópico de Câncer. Pelo contrário, nele, o sexo parece mais escapismo do que celebração, fuga de uma realidade cruel e opressora. Mas, mesmo pessimista, a situação extremada parece pedir uma reação, que, como se sabe, viria com a ida a Paris.



Publicado originalmente em 1861, Mary Ann Evans, sob o pseudônimo de George Eliot, combate preconceitos, privilégios e desvios de conduta que se revelam até hoje na sociedade 

Silas Marner: O tecelão de Raveloe é a história de um tecelão de linho que foi traído por seu melhor amigo e acusado de um roubo que jamais praticara.  Desencantado com as pessoas e com a religião que o condenaram, ele abandona para sempre o lugarejo onde nasceu e morava. Fixando-se em outra e distante cidadezinha, Silas passa a viver como um proscrito, não se relacionando com ninguém. Se apega ao dinheiro e acaba juntando uma pequena fortuna, que, no entanto, acabará por perder, como antes perdera a consideração dos vizinhos. Somente a aparição de uma criança, que há de surgir no lugar do ouro sumido, garantirá seu reencontro com a satisfação de estar vivo.

Notável por seu forte realismo e seu tratamento sofisticado de uma variedade de questões que vão desde a religião à industrialização de comunidade, Silas Marner desmascara e combate preconceitos, privilégios, desvios de conduta e ambições tortuosas que se revelam até hoje enquistados na sociedade. 





A Queda 
Albert Camus

Um advogado francês faz seu exame de consciência num bar de marinheiros, em Amsterdã. O narrador, autodenominado “juiz-penitente”, denuncia a própria natureza humana misturada a um penoso processo de autocrítica. O homem que fala em A queda se entrega a uma confissão calculada. Mas onde começa a confissão e onde começa a acusação? Ele se isolou do mundo após presenciar o suicídio de uma mulher nas águas turvas do Sena, sem coragem de tentar salvá-la. Camus revela o homem moderno que abandona seus valores e mergulha num vazio existencial. Fundamental para todas as gerações.

Um dos grandes escritores do século XX, Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1957, três anos antes de sua morte. Entre suas maiores obras estão O estrangeiro, A peste e A queda. Só no Brasil, o autor já vendeu mais de 300 mil exemplares.

A Editora Record irá relançar este ano, com projeto gráfico novo, toda a obra da Albert Camus como parte das comemorações dos 60 anos do Prêmio Nobel do autor.


A Peste
Albert Camus

De um dos mais importantes e representativos autores do século XX e Prêmio Nobel de Literatura. Romance que destaca a mudança na vida da cidade de Orã, na Argélia, depois que ela é atingida por uma terrível peste, transmitida por ratos, que dizima a população. É inegável a dimensão política deste livro, um dos mais lidos do pós-guerra, uma vez que a cidade assolada pela epidemia lembra a ocupação nazista na França durante a Segunda Guerra Mundial. “A peste” é uma obra de resistência em todos os sentidos da palavra. Narrado do ponto de vista de um médico envolvido nos esforços para conter a doença, o texto de Albert Camus ressalta a solidariedade, a solidão, a morte e outros temas fundamentais para a compreensão dos dilemas do homem moderno.


O Homem Revoltado
Albert Camus

As obras de Albert Camus destacam em geral dois conceitos: o absurdo e a revolta. Em O homem revoltado, o autor faz vários questionamentos de ordem filosófica. Coloca-se a favor da liberdade humana e da dignidade do indivíduo e contrário ao comunismo, aos regimes totalitários e ao terrorismo, pois incitam a revolta humana, os assassinatos e a opressão. Muito mais do que um ensaio, é uma obra contra os crimes de Estado, com destaque para aqueles ocorridos durante o regime stalinista. Segundo Camus, não há crime que possa ser justificado em nome da História. O autor mostra toda a sua personalidade por si só revoltada, com o objetivo da superação e da procura de um caminho, já que termina de escrever o livro alguns anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Apesar da morte precoce, Albert Camus deixou um legado para a sociedade e para cada indivíduo, iluminando os problemas da consciência humana.


Diário de Viagem
Albert Camus

Este Diário de viagem de Albert Camus, publicado na França em 1978, traz as impressões anotadas pelo escritor em duas viagens: aos Estados Unidos, em 1946, e à América do Sul (principalmente o Brasil) entre junho e agosto de 1949.

Durante sua estada em nosso país, Camus registra observações preciosas sobre vários aspectos da vida brasileira, comentando ainda seus encontros com Aníbal Machado, Manuel Bandeira, Murilo Mendes, Augusto Frederico Schmidt, Oswald de Andrade, Mário Pedrosa e muitos outros.

São de leitura obrigatória para o leitor brasileiro os comentários aguçados feitos pelo pensador francês sobre este “país em que as estações se confundem umas com as outras; onde os sangues misturam-se a tal ponto que a alma perdeu seus limites”.


Saudades dos cigarros que nunca fumarei
Gustavo Nogy

Ensaios imprudentes de Gustavo Nogy.

O ensaio breve é uma arte que exige graça e agilidade. Gustavo Nogy é, nele, uma espécie de ginasta olímpico. Tem de ser: não há texto neste livro que não dê volteios em torno da dificuldade que é viver aqui, neste mundo, neste país, nestes anos.

O autor ora desfere contra essa mania atual de endeusar os filhos, ora faz você se perguntar por que descer ao litoral no feriado – lentamente, a 20 km por hora no congestionamento – parece uma maneira eficaz de escapar de tudo, se tudo e todos estão indo junto com você. Em um texto, relembra os tapas na nuca que a mãe lhe dava quando ele chorava na escola, como Proust relembrava as suas madeleines – como um sabor inefável e insubstituível perdido no tempo. No texto seguinte, desconcerta com a comparação entre as revistas masculinas e as femininas, e a conclusão de que elas são um bocado parecidas.

Ao final, Gustavo se torna para o leitor um bom amigo. Que provoca, que diz as coisas como as coisas são, que às vezes até ultraja. Mas que nunca perde o humor nem a vontade de ouvir – e a de conversar, em boa prosa.


Polícia federal: A lei é para todos
Carlos Graieb e Ana Maria Santos

Os bastidores da Operação Lava Jato. O livro que inspirou o filme Polícia Federal: A lei é para todos.

A Polícia Federal é protagonista na história da Operação Lava Jato, mas sua atuação impõe uma discrição que instiga a curiosidade sobre os bastidores de suas atividades. Ao acompanhar os policiais envolvidos em cada etapa da investigação, em ritmo de thriller, Ana Maria Santos e Carlos Graieb apresentam o olhar inédito da instituição sobre uma das maiores operações de combate à corrupção da história. Nunca antes um livro expôs tão detalhadamente todas as nuances — decorrentes de dúvidas e incertezas e consequentes de pressões de ordem política — do trabalho do policial.
domingo, 15 de outubro de 2017

Trago seu amor de volta sem pedir nada em troca - Ique Carvalho | Editora Sextante | Por Regiane Medeiros


“Então, acredite: o amor,
o amor completo,
é quando você quer o outro sempre perto.
Só isso” 
(pág. 18)

Há muitas formas de se contar uma história e o formato de como isso ocorre depende muito de como o autor prefere ou consegue se expressar. As melhores histórias são sempre aquelas que nos fazem sentir o que está sendo descrito, são aquelas que conseguem nos transportar para a vida de outra pessoa, seja ela fictícia ou não, e isso é privilégio para poucos. 

Não são muitos os autores que eu já li e que me passaram a impressão de que escrevem com o coração na ponta dos dedos. Ique Carvalho é um desses raros e me sinto realmente abençoada por conhecer o seu trabalho. Em Trago seu amor de volta sem pedir nada em troca, publicado pela Editora Sextante, Ique mais uma vez conseguiu me arrebatar durante a leitura, me fazendo sentir cada linha escrita, como se fosse comigo o que estava se passando.

Contar uma história através de crônicas requer uma certa capacidade de se desprender dos próprios sentimentos para expô-los e aqui, Ique faz isso com maestria e simplicidade. Através de suas palavras, conhecemos a sua luta e a de seu pai, vítima de uma doença neurodegenerativa sem cura, fato que junto a um término de namoro doloroso desestruturou a vida de Ique.

Muita coisa muda na nossa vida quando sabemos que corremos contra o tempo e Ique percebeu isso, a ponto de se dedicar com amor e carinho ao pai enquanto viam sua capacidade motora se esvair aos poucos. Paralelamente ao que se passava em seu lar, Ique seguiu com sua vida amorosa até encontrar a sua atual namorada, uma mulher que entende o que está passando e o apóia incondicionalmente, algo que ele parece nunca ter encontrado antes.

Suas crônicas são viscerais, trazendo à tona nossos maiores medos, angústias, mas também a esperança de que algo melhor sempre vem, ainda que sejamos atingidos pela dor da perda e não saibamos como reagir a ela.


“Você quer passar a vida inteira procurando alguém perfeito
ou alguém que te ame por inteiro?” – pág. 51. 

“Você é feito da soma dos momentos inesquecíveis que viveu e das pessoas que conheceu” – pág. 62.

“Ser mulher neste mundo deve ser foda.
E o mais incrível de toda essa história
é que, no final, você ainda continua cheirosa, linda e corajosa.
E pronta para sorrir novamente e viver.
Porque essa é a beleza do amor que ninguém pode tirar de você” – pág. 87.


“O que realmente muda a sua vida
são as escolhas
que você faz todos os dias” – pág. 120.

“No amor e na vida, quem quer vai atrás e conquista.
Para sempre
ou mais um dia” – pág. 136.

“Por mais que eu sinta falta, sei que ele nunca mais vai voltar.
Durante anos, pensei que não poderia viver com essa ideia.
Mas hoje eu posso sentir que ele pode viver com as estrelas, e eu aqui.
Porque uma parte do nosso amor está com ele, mas a outra ficou em mim” – pág. 215.

Repleto de sensibilidade e doçura, Ique aborda temas como perdas, términos, recomeços, dores, amores e desamores, amor-próprio e ao próximo de uma forma delicada, nos emocionando a cada página virada e deixando ao final da leitura a certeza de que amar vale a pena, sempre.

A edição está linda, com a capa texturizada e trechos do livro em destaque entre um texto e outro, além de uma trilha sonora incrível que nos deixa completamente envolvidos enquanto lemos e ouvimos – ele já abre o livro com a minha música favorita de todos os tempos, da minha banda favorita do mundo todo. Tem como não amar? Não tem.

Apenas pisco três vezes.



Sinopse: A vida de Ique Carvalho era tranquila e parecida com a de muitos jovens de Belo Horizonte, sua cidade natal. Ele morava com os pais e os irmãos, era apaixonado pela namorada e trabalhava na agência de publicidade da qual era sócio. Suas impressões sobre o cotidiano iam para o blog The Love Code, onde podia dar vazão ao seu talento para escrever. Até que, em 2013, dois fatos fizeram tudo virar de ponta-cabeça.

Na mesma semana, seu namoro teve um fim traumático e o pai recebeu o diagnóstico de uma doença degenerativa grave, que o mataria aos poucos. Sem chão e em meio a um turbilhão, foi no blog que encontrou refúgio para expressar seus sentimentos.

Os textos fortes e genuínos acabaram viralizando, popularizando o site e dando a Ique milhares de fãs e seguidores. Suas palavras possuem o incrível dom de ser, ao mesmo tempo, simples e profundamente verdadeiras, traduzindo o que há de mais puro e desejável no amor.

Essa mesma capacidade de causar impacto e despertar as emoções dos leitores permeia as reflexões tocantes de Trago seu amor de volta, seu aguardado segundo livro solo. Ique mais uma vez demonstra sua vocação única como cronista do amor em todas as suas expressões.

sábado, 14 de outubro de 2017

Lançamentos de Outubro Editora Arqueiro


"Seus lábios encontraram os dela, e Peter a beijou.

Ele a beijou, embora um beijo nunca fosse ser o bastante. Beijou-a ainda que nunca mais fosse tê-la.

E beijou-a para deixar sua marca de modo que, quando o pai finalmente a casasse com outro, Tillie tivesse a lembrança daquele momento, que a assombraria até o dia da sua morte.

Era cruel e egoísta, mas Peter não conseguiu se conter. Em algum lugar lá no fundo, ele sabia que Tillie era dele, e era doloroso saber que essa consciência primitiva não tinha valor nenhum no mundo da alta sociedade.

Ela suspirou contra a boca dele, um ruído suave que o penetrou como fogo.

– Tillie, Tillie – murmurou ele, levando as mãos até a cintura dela.

Ele a abraçou, depois a puxou ainda mais para si, com força.

– Peter! – disse ela, ofegante, mas ele a silenciou com outro beijo.

Ela se contorceu em seus braços, o corpo reagindo à sua investida. A cada movimento, o corpo dela encostava mais no dele, e o desejo de Peter ia ficando mais forte, mais quente, mais intenso.

Ele deveria parar. Tinha de parar. Mas não conseguia.

Em algum lugar dentro dele, sabia que aquela poderia ser sua única chance, o único beijo que daria nos lábios dela. E não estava pronto para interrompê-lo."

(O primeiro beijo, Julia Quinn)


Julia Quinn, Dan Brown, drama cinematográfico e muito romance são as sugestões da Editora Arqueiro para o mês de outubro. Conheçam as novidades:



Robert Langdon, o famoso professor de Simbologia de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbao para assistir a uma apresentação sobre uma grande descoberta que promete abalar os alicerces de todas as religiões e mudar para sempre a face da ciência.

O anfitrião é o futurólogo e bilionário Edmond Kirsch, que se tornou conhecido por suas previsões audaciosas e invenções de alta tecnologia. O brilhante ex-aluno de Langdon está prestes a revelar uma incrível revolução no conhecimento, algo que vai responder a duas perguntas fundamentais daexistência humana:

De onde viemos? Para onde vamos? Os convidados ficam hipnotizados pela apresentação, mas Langdon logo percebe que ela será muito mais controversa do que poderia imaginar. De repente, a noite meticulosamente orquestrada se transforma em um caos, e a preciosa descoberta de Kirsch corre o risco de ser perdida para sempre.

Diante de uma ameaça iminente, Langdon tenta uma fuga desesperada de Bilbao ao lado de Ambra Vidal, a diretora do museu. Juntos seguem para Barcelona à procura de uma senha que ajudará a desvendar o segredo de Edmond Kirsch. Numa jornada marcada por obras de arte moderna e símbolos enigmáticos, os dois encontram pistas que vão deixá-los cara a cara com a chocante revelação de Kirsch e com a verdade espantosa que ignoramos durante tanto tempo.



Em A irmã da pérola, quarto volume da série As Sete Irmãs, duas jovens de séculos diferentes têm seus destinos cruzados numa emocionante história sobre amor, arte e superação.

Ceci D’Aplièse sempre se sentiu um peixe fora d’água. Após a morte do pai adotivo e o distanciamento de sua adorada irmã Estrela, ela de repente se percebe mais sozinha do que nunca. Depois de abandonar a faculdade, decide deixar sua vida sem sentido em Londres e desvendar o mistério por trás de suas origens. As únicas pistas que tem são uma fotografia em preto e branco e o nome de uma das primeiras exploradoras da Austrália, que viveu no país mais de um século antes.

A caminho de Sydney, Ceci faz uma parada no único local em que já se sentiu verdadeiramente em paz consigo mesma: as deslumbrantes praias de Krabi, na Tailândia. Lá, em meio aos mochileiros e aos festejos de fim de ano, conhece o misterioso Ace, um homem tão solitário quanto ela e o primeiro de muitos novos amigos que irão ajudá-la em sua jornada.

Ao chegar às escaldantes planícies australianas, algo dentro de Ceci responde à energia do local. À medida que chega mais perto de descobrir a verdade sobre seus antepassados, ela começa a perceber que afinal talvez seja possível encontrar nesse continente desconhecido aquilo que sempre procurou sem sucesso: a sensação de pertencer a algum lugar.



Ganhador do Prêmio de Ficção do Friends of American Writers e agora adaptado para o cinema, Entre irmãs é uma história de amor e lealdade, um romance arrebatador sobre a saga de uma família e de um país em transição.

Nos anos 1920, as órfãs Emília e Luzia são as melhores costureiras de Taquaritinga do Norte, uma pequena cidade de Pernambuco. Fora isso, não podiam ser mais diferentes.

Morena e bonita, Emília é uma sonhadora que quer escapar da vida no interior e ter um casamento honrado. Já Luzia, depois de um acidente na infância que a deixou com o braço deformado, passou a ser tratada pelos vizinhos como uma mulher que não serve para se casar e, portanto, inútil.

Um dia, chega a Taquaritinga um bando de cangaceiros liderados por Carcará, um homem brutal que, como a ave da caatinga, arranca os olhos de suas presas. Impressionado com a franqueza e a inteligência de Luzia, ele a leva para ser a costureira de seu bando.

Após perder a irmã, a pessoa mais importante de sua vida, Emília se casa e vai para o Recife. Ali, em meio à revolução que leva Getúlio Vargas ao poder, ela descobre que Luzia ainda está viva e é agora uma das líderes do bando de Carcará.

Sem saber em que Luzia se transformou após tantos anos vagando por aquela terra escaldante e tão impiedosa quanto os cangaceiros, Emília precisa aprender algo que nunca lhe foi ensinado nas aulas de costura: como alinhavar o fio capaz de uni-las novamente.



O Dr. Ben Payne acordou na neve. Flocos sobre os cílios. Vento cortante na pele. Dor aguda nas costelas toda vez que respirava fundo.

Teve flashes do que havia acontecido. Luzes piscavam no painel do avião. Ele estava conversando com o piloto. O piloto. Ataque cardíaco, sem dúvida.

Mas havia uma mulher também – Ashley, ele se lembra. Encontrou-a. Ombro deslocado. Perna quebrada.

Agora eles estão sozinhos, isolados a quase 3.500 metros de altitude, numa extensa área de floresta coberta por quilômetros de neve. Como sair dali e, ainda mais complicado, como tirar Ashley daquele lugar sem agravar seu estado?

À medida que os dias passam, porém, vai ficando claro que, se Ben cuida das feridas físicas de Ashley, é ela quem revigora o coração dele. Cada vez mais um se torna o grande apoio e a maior motivação do outro. E, se há dúvidas de que possam sobreviver, uma certeza eles têm: nada jamais será igual em suas vidas.


Com a participação especial da famosa cronista da sociedade criada por Julia Quinn, Lady Whistledown contra-ataca é formado pelas narrativas curtas de quatro escritoras consagradas, tendo como fio condutor o roubo de uma pulseira milionária. Seus contos são como pérolas que se unem e formam uma peça de valor inestimável. 

Quem roubou o bracelete de lady Neeley?

Terá sido o caça-dotes? O apostador? A criada? Ou o libertino? Londres está fervendo com as especulações, mas, se ainda restam muitas dúvidas, pelo menos uma coisa é certa: um desses quatro está envolvido no crime.

Crônicas da sociedade de lady Whistledown, maio de 1816

Julia Quinn encanta...

Um belo caçador de fortunas foi enfeitiçado pela debutante mais desejada da temporada. Agora ele precisa provar que o que deseja é o coração da jovem, não o dote dela. 

Mia Ryan delicia...

Uma criada adorável e espirituosa está deslumbrada com as atenções românticas que tem recebido de um charmoso conde. Mas um relacionamento entre eles seria escandaloso e poderia arruinar a reputação dos dois.

Suzanne Enoch fascina...

Uma jovem inocente que passou a vida evitando escândalos de repente se vê secretamente cortejada pelo maior libertino de Londres.

Karen Hawkins seduz...

Um visconde que vaga sem destino volta para casa para reacender o fogo da paixão de seu casamento, mas descobre que sua linda e decidida esposa não será conquistada tão facilmente.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O Homem Invisível - H.G Wells | Texto por Bruno Fraga


H.G Wells, o "historiador dos anos a vir", como definido por Joseph Conrad, é tido como o mais influente escritor de ficção científica do século XIX, e ainda em nossa era goza de prestígio por clássicos como Guerra dos Mundos (1898), A Máquina do Tempo (1895) e O Homem invisível (1897). Sobre o último, há um fascinante imaginário sobre um ser humano que atinge um estado de invisibilidade, o qual, se não criado, foi fortalecido após seu livro de 1897. 

Iping, pacato vilarejo no interior da Inglaterra, é o cenário da história. Em locais pequenos, a chegada de um visitante é um contexto perfeito para fomentar variados comentários por toda cidade; quando este hóspede da pousada da sra. Hall apresenta um visual cujas luvas, chapéus e gorros o impossibilitam de ser identificado, somados a uma personalidade evasiva e um extenso aparato de materiais para estudos químicos, este homem apresenta elementos suficientes para causar comentários mesmo se ocorresse na cosmopolita Londres. 

Teorias e palpites sobre o insistente invólucro do misterioso homem se espalham, sendo um acidente, a tentativa de esconder uma deformidade visual, apenas a primeira. A excentricidade do visitante, de certo, não se limita a perspectiva dos interioranos. Logo entenderemos: estamos diante de um cínico, com comportamento debochado maximizado por uma inquietação que parece ter como razão algum insucesso.  

Com exceção do estranho visitante, a maioria dos personagens da história são de papel secundário. Sem detalhes fornecidos, servem para ambientar a história em bares, nas ruas, na própria pousada. O leitor desse clássico irá assimilar com facilidade a vida em Iping no final do século XIX. As explicações teológicas populares aparecem naturalmente como para qualquer fonte do desconhecido; furtos e estranhos acontecimentos parecem estar cada vez mais ligados ao "estranho".


Um homem com essa personalidade não iria revelar-se nem ao menos para o leitor de maneira não-extravagante. Griffin, sobrenome que pode gerar muitas teorias para o esplêndido personagem, é a única identificação que encontraremos. Sua singularidade é atestada pela extravagante maneira que leitores e personagens descobrem, tratar-se, sim, de um homem invisível. 

"An invisible man is a man of power.

Sua condição faz Griffin sentir-se imune às ameaças aos seus desejos. O excesso de segurança no estado de invisibilidade complica parcialmente seu caminho, que se torna mais árduo por uma incômoda solidão. De fato, atesta que antes do "invisível" há um "homem". Após perigosos contratempos em seus planos é a hora ideal da retirada: um colega de faculdade, Dr. Kemps, pode ser sua salvação, entretanto, Kemps percebe o que Griffin se tornou, não somente em sua forma física, mas em essência, e pode apresentar-se como um obstáculo. 

A história do homem invisível é então detalhada: ainda por ele somos convencidos da possibilidade científica com uma interessante explicação sobre a percepção humana das luzes e o caminho que seria traçado para alcançar a invisibilidade; ao mesmo tempo, a perversão do vilão imperceptível mostra-se além da fúria pós-condição, mas uma prévia personalidade já propensa ao maligno, mesmo que outros momentos humanizem Griffin e deixem a discussão sobre seus atos aberta. 

"His temper, at no time very good, seems to have gone completely at some chance blow, and forthwith he set to smiting and overthrowing, for the mere satisfaction of hurting."  

Mais do que o natural interesse que o assunto desperta, Wells sempre soube utilizar seus criativos temas sem abandonar aspectos sociais, emulando a natureza humana em histórias espetaculares e adicionando um calculado espaço para convencer os mais céticos do prazer imaginativo que é fantasiar aquela realidade descrita em suas ficções científicas. O Homem invisível encorpou-se em 1897, para se tornar um personagem utilizado nos filmes, quadrinhos, jogos e todas fontes contemporâneas de arte e entretenimento que ainda se curvam a originalidade do notável criador de clássicos H.G. Wells.