[Resenha] Eleanor & Park: a melhor história de Rainbow Rowell!

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Escolher a roupa, a melhor frase, o penteado certo: como um ensaio de adequações e erros, assim é o Primeiro Dia, movido a gestos que atropelam o à vontade e determinam o para-sempre. E sendo o desconforto sobrenome de toda primeira experiência, a história de Eleanor & Park terá seu início em um cotidiano assim atropelado, sob os olhares, cansaço e troça de toda a escola.

Park é descendente de coreanos e mestre em Taekwondo e histórias quadrinhos. Por crescer em um lar movido a competitividade e instrução, Park sobreviveu aos anos escolares com uma certa aura de "samurai esquisito", porém respeitável, especialmente após ter quebrado o nariz de Steve (o grandalhão popular e ex-amigo) com um de seus golpes Jackie Chan. Mas essa valentia surgiu bem depois, em um momento do calendário chamado Depois de Eleanor.

Envolta em cachos, sobrepeso e um improvisado figurino, Eleanor nunca fora reconhecida por seus atos de coragem. E Eleanor sabia que sua maior realização era ser uma boa irmã. E uma sobrevivente. Dos destroços de uma história e uma família doentia. E quando se chega à batalha em desvantagem, o pouco de nós que reage nem sempre encontra a melhor resposta, e tampouco o movimento certo.

Eleanor era pura desordem. Mas entrou no ônibus escolar assim mesmo.

Sentados a quinze centímetros um do outro (Park não ousou questionar este limite provocado por Eleanor), o trajeto lado-a-lado seria marcado por um angustiante silêncio, quebrado no dia em que Eleanor passou a acompanhar Park em suas leituras de X-Men. No dia seguinte e no outro, Park então folhearia cada página com a velocidade de um soneto, como se esta novidade de estar junto fosse o maior dos diálogos.

As mãos suadas, as bochechas coradas, no peito uma voz ensurdecedora: Eleanor, Eleanor, Eleanor. Park, Park, Park. E o encontro no ônibus passou de incômodo à melhor hora do dia: O que você achou de Watchmen? Sempre quis conhecer os Smiths. Por que você odeia o Batman? Aquela música, Love will tear us apart... Te vejo na aula de Inglês? Tenho medo de falar demais...


Desintegrada. Foi assim que Eleanor se sentiu quando Park acariciou sua palma e dedos, que ao menor toque se transformavam em algo tão frágil como uma borboleta. Rainbow Rowell definitivamente criou uma história única, repleta de pequenas explosões, onde cada toque, choro e voz tornam-se um atalho para uma grande história de amor e vida. Até que...

Até que a própria vida atropele o amor e o sentido de tudo isso.

Mas...

... mas já não bastava o mundo de Eleanor ter sido um dia despedaçado?


Como alguém que guarda um presente na caixa para que não se quebre, Eleanor entende que Park é este relicário, e por isso não deixará que ninguém destrua este sentimento. E se fôssemos Eleanor, possivelmente sentiríamos algo assim perfeito e dolorido.

Eleanor & Park é uma daquelas histórias onde mesmo que você não concorde com o final (sim, este é mais um livro que será tanto amado como odiado justamente por sua página final), você terminará a leitura com a certeza de ter encontrado uma das mais belas histórias de devoção e ternura! E ainda que o nosso dia não comece em um ônibus escolar, diariamente sobrevivemos à crueldade e à aceitação do mundo. E a coragem como escudo é o que nos aproxima dos personagens deste livro.


Rainbow Rowell, Eleanor & Park. SP: Novo Século, 2014.

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6 comentários

  1. Nossa, sabe aquele livro que tu quer ler, mas sequer vai atrás da sinopse??? Pois é, eu via a capa do livro, as pessoas falando sobre ele, mas não fazia ideia do que se tratava. Vai pra minha lista com certeza, independente do final, até porque final feliz nem sempre condiz com a vida real.
    Beijo, beijo.

    ameninaquenaoparadeler.blogspot.com.br

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  2. Olá Rebeca :)
    Toda vez que leio uma resenha desse livro fico dividida se quero realmente lê-lo ou não. Com a sua, fiquei curiosa. Acho que em algum momento da minha vida já posso ter me sentido como a Eleonor.

    Forte abraço.

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  3. Ah, que resenha linda! Faço parte do grupo que gostou do final! ;)

    Beijos, Entre Aspas

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  4. Aiiii, o que dizer desse livro né?! Eu li ele há um ano atrás, e ele continua sendo um dos favoritos da vida. Rainbow soube escrever uma história linda, cheia de luta, humor e sensibilidade. E os personagens são tããão maravilhosos!

    Adorei tua resenha, muito amoooor<3

    um beijo,
    surewehaveablog.com.br

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  5. Oi Rebeca!

    Uau, que resenha foi essa! Ainda não tive a oportunidade de ler nenhum livro da Rainbow ainda, mas com certeza esse vai ser o primeiro, sua resenha despertou completamente a minha curiosidade, e preciso saber cada detalhe dessa história!

    Obrigada pela resenha maravilhosa!

    Beijos,
    www.entrepaginasblog.blogspot.com.br

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  6. Sou apaixonada por esse livro, até pq amooooO histórias de primeiros amores. Li esse livro em julho desse ano, depois fui ler Anexos (eita rs) que infelizmente eu não gostei, então parei na metade Anexos e reli Eleanor & Park, acho que com aquele final não consegui me desvincular dos personagens e acabei ficando presa a uma ressaca literária. Já li três dos livros da Rainbow e também acho o E&P o melhor, adoro o livro e adorei sua resenha. bj´s da Lai

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