Cinco razões para ler a trilogia Legend, de Marie Lu | Editora Rocco | Por: Gih Medeiros

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De acordo com o dicionário, distopias são “um lugar ou estado imaginário em que se vive em condições de extrema opressão, desespero ou privação” (definição do Dicionário Online de Português) e há muito tempo elas fazem parte do mundo literário, basta vermos a genialidade de Anthony Burgess em Laranja Mecânica (1962), do grande George Orwell em 1984 (1948), bem como de Philip K. Dick em Minority Report (1956), e, mais recentemente, pudemos ainda conferir o frisson que O Doador de Memórias (Lois Lowry), Jogos Vorazes (Suzane Collins) e Divergente (Veronica Roth) causaram no universo literário, trazendo toda uma nova geração de leitores para eventos e discussões sobre a literatura do gênero. 

Parte do sucesso de uma distopia se dá pela possiblidade de visualizarmos um futuro catastrófico e o surgimento de pessoas incomuns que podem fazer a diferença entre sobreviver e morrer, entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Na onda desse mundo distópico, uma trilogia tem chamado a atenção por motivos variados. Ela contém todos os itens indispensáveis: futuro negro para os EUA e o mundo, desigualdade social muito bem estabelecida, um casal desafortunado que luta para salvar uma nação de um mal maior do que se imagina a princípio... Familiar? Talvez. Mas as semelhanças param por aí, e eu vou contar algumas coisinhas sobre a trilogia Legend de Marie Lu, publicada no Brasil pela Editora Rocco, que a tornam peculiar em meio a tantas tramas similares.

- Day / Daniel Wing
Day, a princípio, é o arquétipo do anti-herói: bonito, inteligente, carismático e com uma atitude quase irresponsável diante dos desafios. Mas, olhando bem de perto sua trajetória, podemos perceber que uma grande parte dessa atitude é pura fachada. Day é o tipo de pessoa guiada pelos próprios sentimentos, e ama com tudo o que tem e com tudo o que é. E essa é a rachadura em sua armadura, usada por seus inimigos para desestabilizá-lo. Uma das coisas que me encantou nesse personagem, foi o crescimento de sua consciência e responsabilidade com relação ao poder que descobre ter sobre a população carente da República. No começo, ele luta apenas por sua família e amigos próximos, até que percebe a oportunidade de fazer parte de algo maior e que pode realmente mudar a vida de toda a nação, e é nesse momento que vemos como seu enorme coração não é uma fraqueza e sim, a fonte de sua força. 

- June Iparis
À primeira vista, June é uma garota mimada, rica e afetada. É a pessoa mais inteligente e fisicamente capaz da República, sendo a única pessoa (até onde ela sabe) que alcançou a pontuação máxima no sistema de avaliação do governo. Tendo perdido os pais muito cedo, ela dedicou-se a ser a melhor em tudo o que faz, de maneira que possa honrar a memória da família. Porém, June vê seu mundo cair de maneira trágica e de repente, tudo o que conhece como verdade não passa de ilusão. Mas, determinada e justa, June parte em uma jornada em busca de redenção e encontra mais do que jamais sonhou. O que eu mais gostei na escrita da Marie Lu foi o fato de ser tão realista sobre o crescimento da June, pois conseguimos vivenciar tudo o que ela sentiu durante a caminhada pela libertação da República e do seu próprio coração. É uma personagem incrivelmente rica e complexa, e valeria ler a trilogia só por ela.

- Um futuro totalmente possível
Uma das coisas que me chamou a atenção foi o fato de o futuro sombrio descrito por Marie Lu ser totalmente possível. Não há poderes sobrenaturais nos personagens, nem a presença de seres extra-terrenos, mas sim um alerta sobre o aquecimento global e suas consequências. E de uma coisa sempre podemos ter certeza: catástrofes despertam o pior e o melhor das pessoas. Torçamos para que se um dia nos depararmos com tal situação, que o melhor em nós prevaleça.

- Foco na ação
Apesar da paixão entre os personagens principais, o foco se dá na ação. O enredo todo é muito cinematográfico e de fácil visualização, nos tirando o fôlego nos momentos certos e emocionando quando necessário. A má sorte dos jovens protagonistas é um tempero a mais nessa história, que poderia se sair muito bem, mesmo sem o romance desafortunado dos dois. Apenas: palmas para Marie Lu. 

- Narrativa alternada
Os fãs de young adult que me perdoem, mas eu não aguentava mais narrativas quase exclusivas sob a ótica da garota. Sério, as garotas tendem a ser sempre choronas e cheias de mimimi, o que me deixa profundamente irritada, porque na vida real não é sempre assim. Quando Suzanne Collins nos presenteou com Katniss, eu fiquei muito feliz por ver uma protagonista com os sentimentos mais humanos e mais verídicos, gerando uma empatia quase que imediata. Em Legend, Marie Lu intercalou a narrativa entre Day e June, e isso é digno de nota porque não nos cansa com os sentimentos/pensamentos de uma única personagem. A forma como ela escreveu se encaixa perfeitamente na personalidade dos dois e em sua trajetória: Day passando de um jovem aflito com a família, mas com os pensamentos desorganizados, para alguém que se preocupa com uma nação inteira e com as consequências de seus atos, e June, que é extremamente organizada e sistemática, até em seus pensamentos, como a grande soldado que é, evoluindo para alguém que realmente se deixa envolver por seus sentimentos e os encara de frente. É realmente brilhante e envolvente!!!

Existem muitos outros motivos para ler essa trilogia, mas se eu fosse descrevê-los, acabaria soltando spoilers e não quero isso, quero que vocês leiam e se deixem conquistar por esse enredo incrível!!!! Assim como eu, que já virei fã da Marie Lu <3

 http://www.rocco.com.br/livro/?cod=2671
 

Sinopse: Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República; nascido nas favelas, Day, aos 15 anos, é o criminoso mais procurado do país. De mundos diferentes, suas vidas dificilmente se cruzariam, até que o irmão de June é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Presos num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.

Publicada em mais de 24 países, a trilogia Legend, composta pelos volumes Legend, Prodigy e Champion, agora disponível num box exclusivo, é considerada por público e crítica uma das melhores do gênero, ao lado de outras como Jogos Vorazes e Divergente, e seus direitos de adaptação para o cinema foram vendidos para a CBS Films e a Temple Hill Entertainment. A saga se passa em um futuro distópico, na República da América, nação onde hoje se encontra a Costa Oeste dos Estados Unidos, devastada por desastres naturais e em constante guerra contra as Colônias (atual Costa Leste dos EUA).

É neste contexto em que acontece o improvável encontro entre os jovens Day e June, o criminoso mais procurado do país e a menina-prodígio da República, que tem no exército seu principal defensor e, ao mesmo tempo, opressor. Chinesa radicada nos EUA desde os cinco anos, a autora Marie Lu viu os tanques de guerra a caminho da Praça da Paz Celestial, que ficava a algumas quadras de sua casa, em 1989. Não à toa, sua trilogia possui forte conteúdo político, em meio a uma trama repleta de ação, romance e reviravoltas.

A coleção Legend também está disponível em formato digital num único e-book contendo os três volumes da série e o extra publicado somente em e-book A vida antes de Legend.

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4 comentários

  1. Gih, que post!!! Nunca tinha me interessado por essa história rs, achava que seria mais do mesmo, com personagens fracos e enfim... Agora fiquei encantada! Parabéns pela resenha ;)

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    1. Obrigada Bia!!!! Essa foi uma das melhores leituras do ano!!! Leia e me diga o que achou ;)
      Bjoooo

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  2. Olá!
    Adorei seu post *-*
    Faz um tempinho que quero ler essa trilogia mas ultimamente as distopias estão ficando muito parecidas, deixando o foco mais "adolescente", ai fui perdendo o interesse.
    Mas agora aquela vontade de ler a história voltou, darei uma chance!

    Beijo, beijos
    relicariodehistoriasma.blogspot.com

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    1. Oi Aline! Obrigada pela visita! Espero que leia essa história incrível e se apaixone tanto quanto eu. Depois me conta o que achou ;)
      Beijos!!!

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