De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana – Mário de Andrade | Martin Claret | Texto por Gih Medeiros

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De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana – Mário de Andrade
O início dos anos 20 no Brasil foi marcado por mudanças conceituais no campo político, social, econômico e especialmente cultural. O marco principal desse período foi a Semana de Arte Moderna de 1922 (de 11 a 18 de Fevereiro), ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos, como a poesia através da declamação, a música por meio de concertos, e as artes plásticas exibidas em suas novas feições. O evento marcou o início do modernismo no Brasil e tornou-se referência cultural do século XX.

Um dos nomes mais influentes e tido até mesmo como a “força motriz da Semana de Arte Moderna”, foi o poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista e ensaísta paulista Mário Raul Moraes de Andrade. Durante o evento, Mário apresentou a obra Pauliceia Desvairada, livro de poemas onde explora todos os novos conceitos estabelecidos pelo modernismo, usando de ironia e um sutil deboche que, segundo suas próprias palavras, passou despercebido àqueles que o aplaudiam no momento.

Mas sua escrita evoluiu com o tempo e o amadurecimento, e isso pode ser observado nesse compêndio que a Editora Martin Claret nos apresenta, De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana, onde encontramos o melhor da obra marioandradina, com todas as facetas e questionamentos dessa mente inquieta, que em cada verso nos faz questionar nossa realidade atual, nossos sentimentos, nossas escolhas... E nos instiga a buscar respostas, a sair do lugar-comum, a olhar para nós mesmos com clareza e despidos de qualquer efeito que nossa mente possa tentar usar para embotar nossa visão. Mário nos mostra o seu lado mais alegre e também o mais sombrio, e nos conforta ao expor as angústias que muitos de nós tentamos suplantar todos os dias através de uma rotina exacerbada de esforço físico e mental, numa tentativa vã de fugir de nós mesmos.

Dono de uma escrita musical, Mario consegue nos transmitir sentimentos dos mais diversos, seja imitando sotaques mineiros, seja descrevendo a rotina de um quartel, ou a paixão proibida por uma mulher casada... Mas com certeza, a paixão por São Paulo, essa metrópole sempre em movimento que parece ter vida própria, é nitidamente sentida em seus poemas que descrevem as ruas por onde andou, por onde cresceu, por onde brincou, por onde sentiu cada pedaço de sua alma ser construído e reconstruído continuamente, numa intensa busca pelo transformar a vida através das palavras.

Vida longa ao poeta, vida longa ao escritor, vida longa ao ser humano Mário de Andrade!

Abaixo, trago a vocês, trechos de alguns dos poemas de cada livro dessa edição digna de colecionadores:





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