segunda-feira, 10 de julho de 2017

O poder dos quietos para jovens - Susan Cain | Editora Sextante


"A sociedade costuma ignorar os introvertidos. Idolatramos os indivíduos falantes e os que são o centro das atenções, como se fossem modelos que todos devessem imitar. Chamo a isso de o Ideal da Extroversão. Trata-se da crença de que todos devemos ter raciocínio rápido, ser carismáticos, adorar correr riscos e preferir agir a refletir. É o Ideal da Extroversão que pode nos dar a impressão de que há algo de errado conosco por não nos sentirmos melhor em um grande grupo. Essa força é especialmente poderosa na escola, onde os alunos mais comunicativos costumam ser mais populares e os professores premiam os estudantes que levantam a mão na sala de aula."

Antes de qualquer coisa, assista a TED Talk da autora Susan Cain <3


Susan Cain é uma autora norte-americana conhecida pelos bestsellers O Poder dos Quietos e O Poder dos Quietos para jovens, ambos dedicados ao tema da introversão e da timidez, especialmente em nossa cultura empresarial e acadêmica do século 21, onde espera-se que a extroversão seja o comportamento dominante, em detrimento a inúmeras nuances de expressão e pensamento.

A vontade de divulgar este livro aqui no Blog surgiu quando me encaminharam um anúncio de emprego onde determinada empresa solicitava aos candidatos não apenas uma foto e um resumo profissional por escrito, mas também (e principalmente) uma apresentação em vídeo contando "um pouco de si" e de seu interesse pela marca. 

A gente até entende que o desemprego é gigante e a concorrência maior ainda, e que por isso é preciso "reinventar" processos seletivos e adicionar critérios de escolha baseados (acima de tudo) na afinidade do prestador de serviço com a marca; no entanto, cabe a interrogação: apenas os candidatos extremamente simpáticos no Youtube e nas redes sociais estarão aptos a conseguir um trabalho assim?

Não sei se esse é um debate que acontece fora das grandes capitais, mas aqui no Rio o apelo pela extroversão chega a ser abusivo. Porque é preciso ter sempre uma opinião sobre tudo, ter sempre aquela vontade de conhecer gente nova e lugares novos, e também saber onde e quando vai rolar aquele eventinho legal pra reunir os amigos, enfim, inúmeras demandas comportamentais que já deixam implícito o fato de que uma pessoa legal é aquela que está sempre disposta à colaboração e à sociabilidade de grupo a todo o tempo. Pode parecer exagero, mas dia desses ouvi de uma professora da Pós a máxima de que aptidão e técnica não são essenciais, pois o que importa é que a personalidade do candidato esteja alinhada ao pensamento e interesses do grupo no qual está naquele momento inserido.

Ou seja, não é um problema se a pessoa que está se candidatando a uma vaga no setor de marketing ou administrativo mal sabe abrir o Word (sim, isso existe, e como existe!) se o candidato for boa gente e logo de primeira já se enturmar com a equipe. Afinal, pra quê lidar com planilha e Photoshop se o nerd da baia ao lado vai ter o maior prazer em ajudar você?

Ahhhh, é só uma planilha, vai. Porfavorzinho, nerd <3

O que importa é a colaboração!

O espírito de equipe. 

E olha, na sexta o chefe vai pagar o chopp, vê se vai hein, nerd, não custa nada.

...


Ser introvertido nem sempre é sinônimo de antipatia, mas pode ser um indício de que o comportamento da maioria da sala de aula e do escritório não esteja em sintonia com o seu, assim como também é possível que este não seja o melhor curso e graduação, e tampouco o melhor emprego pra você.

Porém, como nem sempre estamos com o planejamento financeiro em dia para largar tudo e vivermos de café, pijama, livros e alguma grana no fim do mês, precisamos encontrar algum equilíbrio (mental, existencial) e aprender a sobreviver neste mundo que não para de falar. Cada. Vez. Mais. ALTO.

E é nesta busca por equilíbrio que entra a literatura de autoajuda, ou do autoconhecimento, que nos comunica ideais por vezes muito óbvios, e que justamente por isso menosprezados em nossas observações diárias. Eu sei, você também deve se perguntar quanto a validade de informações e conselhos assim; mas a questão é: duvidamos porque fomos ensinados (principalmente na universidade) a não ter interesse por autores e obras "não eruditas" ou porque realmente não nos identificamos com este tipo de conteúdo?

Mas voltando a Susan Cain, uma de suas frases preferidas é de autoria de Gandhi, uma de suas personalidades (introspectivas) preferidas: "É possível mudar o mundo de forma gentil". E realmente, a gentileza (assim como a calma e a prudência) é algo que nossa geração parece a todo momento esquecer, já que falamos cada vez mais alto, e interrompemos o movimento do mundo com aquilo que julgamos mais importante, porque afinal "a minha dor é maior que a sua, daí o grito", ainda que não percebamos que, com este grito, inúmeras pessoas ao nosso redor (que igualmente passam por situações dolorosas) estejam silenciando, justamente por não conseguirem coragem e pulmões suficientes para também serem ouvidas.

Em seu livro, Susan Cain também aponta que a incessante luta (politica, social e acadêmica) para derrubar o individualismo (há uma distinção aqui: não estamos falando de 'egoísmo') é nada mais que uma afronta à nossa privacidade. E, de muitos modos, à nossa liberdade. É claro que, de algum modo, é pertinente ao ambiente escolar e do trabalho promover interações e dinâmicas coletivas; porém, é preciso ter consciência de que a imposição de atividades acadêmicas em grupo (onde, convenhamos, apenas um ou dois escrevem e pesquisam enquanto o restante dos alunos apenas lê a papelada durante a apresentação do "grupo" em sala de aula) assim como o ambiente de trabalho compartilhado, em espaços "integrados", onde não há paredes e "tampouco hierarquia", nem sempre produzirão um efeito positivo em seus participantes, isso pra não mencionarmos a produtividade por vezes duvidosa que resulta de muitas dessas situações de dinâmica.

A luta para que sejamos cada vez mais seres sociais e cada vez mais expostos talvez seja O Mal que mais nos atinge. Afinal, a necessidade de estarmos sempre presentes, e sempre pertencentes a uma causa, coletivo ou cisma faz com que as pessoas percam esta habilidade "quase inata" de saber estar sozinho, de gostar e saber lidar consigo mesmo, com suas dúvidas, sonhos e pensamentos, e de saber se virar e sobreviver - sim, sozinho - nesta vida real que não nos deixa imunes aos dramas e atropelos.

Sim, porque é hipocrisia dizer que amamos todos e todas as coisas; sejamos sinceros: no final de contas, amamos aquilo e quem estiver em afinidade conosco, e alinhado com o que cremos e desejamos ser em determinado momento de nossas vidas. Quanto às demais pessoas e causas e coisas, é dever nosso ter ciência de sua presença e respeitá-las; no entanto, que haja coragem para admitir que somos sim seletivos - seja por prudência, timidez, falta de conhecimento ou falta de interesse mesmo - e que não é um defeito ou pecado se sentir assim.

E sim, caro leitor, você pode (e deve) pensar a respeito de tudo isso. Em voz alta, até (ou melhor, principalmente!), não importando o fato de que as pessoas na sala de aula ou nas redes sociais acharão você estranho por isso (sim, chegará o dia em que você irá parar de se importar com isso também). Afinal, pensar por si mesmo ainda não é proibido (bem, quer dizer...), e vale muito esse "risco".

Enfim... Como reagir a um mundo que não para de falar? Susan Cain colocou a introspecção no bolso e tornou-se mestre nisso. E, quem sabe, a partir desta leitura, caso queiramos, passaremos também por essa experiência de transformação e crescimento?

Vale a tentativa :)

Ah, uma última fala neste textão: Leia Sextante. Permita-se ler um título da Sextante. E se quiser conversar um pouco sobre tudo isso, estamos aqui pra isso :)



Susan Cain passou muitos anos acreditando que ser introvertida era errado e se esforçando ao máximo para se adequar. Durante as aulas, ela se obrigava a falar qualquer coisa para dar a impressão de que estava participando. Nos fins de semana, frequentava festas lotadas e barulhentas, mesmo que preferisse estar em casa com apenas uma ou duas amigas batendo papo.

Com o tempo, ela foi descobrindo que seu temperamento quieto era, na verdade, um ponto forte, uma característica que podia ser usada a seu favor.

Em O poder dos quietos para jovens, Susan compartilha suas descobertas e experiências para ajudar crianças e adolescentes reservados a vencer os desafios sociais que costumam enfrentar nessa fase da vida.

Você vai encontrar estratégias eficazes para reconhecer e valorizar suas qualidades, superar os momentos em que precisa se expor um pouco mais e lidar melhor com um mundo que parece dominado por extrovertidos – tudo isso sem jamais deixar de lado a sua verdadeira natureza.

O livro pode ser lido por jovens a partir dos 12 anos e também é indicado para pais e professores que desejam compreender mais a fundo filhos e alunos introvertidos e apoiá-los da melhor forma.

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