Entrevista com Raigor Ferreira, por Jonatas T. B.

sexta-feira, 22 de abril de 2016
Raigor Ferreira é um jovem autor de Goiânia que recentemente entrou em contato conosco para bater um papo e apresentar um pouco de seu trabalho. E como adoramos uma prosa, e não apenas um bom release rs, convidamos o Raigor para uma conversa com o Jonatas, pela proximidade de ambos com a literatura fantástica e o universo infanto-juvenil, e claro, pela alegria de contar boas histórias :) Acompanhe também esta rica conversa! 

O Príncipe Congelado - Disponível na Amazon
Outros contatos do autor: Skoob | Facebook | Instagram


1.  Raigor, fale um pouco de sua vida (qual idade, de onde és, se trabalhas, se estudas etc.).
Bom, tenho 22 anos, sou do interior de São Paulo, mas atualmente moro em Goiânia, onde estudo e trabalho. Curso Administração e trabalho na área também.

2. Conte-nos um pouco como você resolveu entrar no mundo da escrita.
Eu escrevo há bastante tempo pra mim mesmo, rs. Eu nunca vi o mercado literário brasileiro como algo possível para escritores amadores, então a escrita sempre me foi algo muito pessoal. Algo pra ser compartilhado só com amigos, parentes e tal... Mas por volta de abril/maio do ano passado, a Amazon lançou um concurso nacional de contos e acabei enxergando ali uma oportunidade de, ganhando o concurso ou não, lançar uma história que pudesse ser lida por pessoas que acessam a plataforma. Então, escrevi uma distopia, que pouca gente conhece, sobre um futuro sem água – Abnegação: um conto sobre a sensibilidade em tempos de seca – para concorrer ao concurso.

Depois que o concurso passou, eu senti que eu não devia parar por ali. Hoje, temos duas plataformas gigantes que são a Amazon e o Wattpad, que dão essa possibilidade de você criar e gerenciar a sua própria vitrine de escrita e, nesse ponto, eu já estava fascinado com essa possibilidade, e eu só tinha a certeza de que eu deveria publicar mais e mais histórias pela Amazon, que era a ferramenta mais próxima de mim no momento.

Daí, foi uma busca alucinada sobre escritos que comecei e nunca terminei, coisas que eu tinha escrito em algum lugar e que, quem dera, eu teria a sorte de nunca ter descartado e, no meio dessas coisas, eu lembrei do “Príncipe Congelado”, que foi um conto que escrevi em 2014, por um impulso de escrever uma história para minha prima, que tinha dez anos na época. Escrevi o conto á mão mesmo e tive muita sorte, eu acho, de ter encontrado esse manuscrito. Então, mudei pequenas coisas na história e senti que essa deveria ser a próxima história que eu viria a publicar na Amazon. Então, publiquei e o retorno foi chegando aos poucos, mas bem mais rápido do que eu poderia esperar.

Hoje, eu posso dizer que “O Príncipe Congelado” é o que vai me mover daqui pra frente na minha trajetória de escrita, por ter sido um conto que me proporcionou vários feedback’s, divulgações, contatos... Eu acabei conhecendo muita gente por causa desse conto que escrevi sem muito compromisso para que essa história viesse a ser conhecida por alguém, para além de mim e minha prima.

Essa falta de pretensão que aconteceu quando escrevi esse conto, acho que nunca mais vai acontecer, pois, agora, eu acredito que qualquer coisa que eu venha a escrever daqui pra frente terá potencial para ser lido, mesmo que não seja bem avaliado. Mas haverá pessoas para lerem. Hoje, eu consigo acreditar que esse público pequeno existe no mercado brasileiro. E é, com certeza, a maior lição que eu tiro dessa experiência com a Amazon, a de que existem leitores para lerem autores brasileiros, novos e independentes... esses leitores existem!!

Ah, e não posso deixar de citar a Editora Itacaiúnas, onde tenho poesias publicadas nas antologias que a editora promove. Foi muito importante também para que eu começasse a me reconhecer escritor.


3. Quais são suas principais influências literárias? Há outras influências fora da literatura (como filmes, séries, artes plásticas etc.)?
Eu acho muito difícil definir uma influência, porque é bem provável que tudo que eu leio acaba me influenciando de alguma forma quando escrevo. Então, aquilo que eu mais leio é, provavelmente, o que mais me influencia. Ultimamente, me sinto bem influenciado por literatura nacional, por que tenho lido muitos livros nacionais, rs. Mas falando especificamente do Príncipe e de uma nova história que estou escrevendo, que segue uma linha parecida, eu acho que tentei pegar algumas coisas que funcionaram muito no século XVII com o Perrault, ou no século XIX, com o Andersen.

Parece até vaidade minha dizer que “O Príncipe Congelado” se assemelha a esses clássicos, mas eu insisto em citar, porque todos os elementos que funcionam na história do Phelipe como um conto rápido e até previsível para quem cresceu lendo esses contos de fada vêm desse gênero das versões das histórias a La Grimm. Pode até ser que a pessoa comece a ler o meu conto e imagine que ele terá um final diferente, por ser nacional, apesar das influências estrangeiras, por ser contemporâneo, por ser um conto escrito nesse século perturbador em muitos sentidos, mas quando o leitor descobre que o conto tem uma moral e que a felicidade eterna foram preservadas na história, o conforto que ele sentirá, creio que vem muito das histórias que todos lemos quando criança, nessa época da infância que acreditamos com menos dificuldade de que tudo ficará bem quando chegar ao final. A maior verdade disso é que eu não tenho medo dos finais felizes. Tenho medo de um dia não conseguir escrevê-los. Medo de que, em algum livro, eu precise causar prejuízos aos meus personagens para que minha história tenha algum sentido. Felizmente, não foi o que precisei fazer com “O Príncipe Congelado”.

Houve comentários que aproximaram minha escrita no conto com a do Neil Gaiman, e eu até poderia dizer isso aqui, pois li muita coisa dele que pode ter me influenciado, mas acho que esse seria um auto-elogio que eu não sou capaz de lidar no momento, rsrsrs.

Também houve blogueiros que relacionaram “O Pequeno Príncipe” com a minha história. Mas eu acredito que seja mais a questão da ilustração de capa. O Príncipe do Exupéry e o Phelipe de Arvoredo tem semelhanças físicas bem evidentes, repararam? Hehehe.

Minha infância foi marcada basicamente pelo Lobato, pelo Ziraldo e pelos infinitos gibis do Maurício de Sousa que eu tenho até hoje. Ultimamente, tenho lido algumas obras do Pedro Bandeira. Então, falando de literatura infantil brasileira, acho que esses nomes podem me influenciar daqui pra frente em alguma obra, com certeza.


4. Quando decide que deve começar uma obra e como é sua rotina na experiência da escrita?
Eu sou a pessoa menos disciplinada possível com rotina de escrita. Não tenho métodos de quantidade de palavras, nem de páginas, tampouco de acontecimentos. É interessante pensar que eu me desafiei participar do NaMoWriMo por duas vezes - a maratona de escrita que acontece em novembro - e, em nenhuma dessas oportunidades, eu cumpri com a quantidade de palavras que o desafio propõe para os escritores. Nas duas vezes, eu sequer cheguei à metade das 50.000 palavras.

Espero e cobro de mim que eu seja mais disciplinado num futuro próximo, mas por enquanto, sou bem flexível com o que eu escrevo. Estou escrevendo uma história agora, por exemplo, que eu poderia terminá-la em, no máximo, nove ou dez semanas. Mas a julgar pelas minhas frequentes interrupções no processo de escrita dessa história, sei que a chance de eu terminá-la nesse tempo é praticamente zero.

Sobre decidir começar uma obra, diferente do que acontece com o processo em si, rs, eu já adquiri certa disciplina no sentido de saber qual a próxima história que eu devo escrever. Eu tenho uma ideia, dentre as histórias que eu planejo, de qual deve ser a próxima da lista. A próxima a ser lançada, seguindo aquilo que eu acredito que os leitores esperam de mim. Então, esse processo de organização da ideia, do contexto e dos personagens se tornou menos intuitivo e mais racional, pois quando me proponho, no ócio, a pensar na próxima história a ser contada, automaticamente, prevejo a relação que algum leitor possa fazer com a obra anterior e isso tem me influenciado bastante no meu cronograma de escrita.


5. Quais os gêneros literários que prefere ler e escrever?
Eu leio muito romance, até os mais piegas e clichês. Eu gosto, em certa parte do meu tempo como leitor, de ler escritores que abusam de frases feitas. Leio pra desanuviar a cabeça e não tenho medo de ler mais do mesmo. Acho importante, como escritor, saber que algo já foi reciclado por tantas vezes. Mas também leio muita fantasia e infantis. Gosto de biografias também. Enfim, leio várias coisas e não sei se tenho um gênero preferido pra ler. Já para escrever, é diferente. Narrativas juvenis mais imaginativas e fantásticas me atraem para a escrita, mais do que qualquer outro gênero.


6. Quais são os seus projetos para o futuro em relação à literatura?
Tem uma chuva de coisas. Tem a história do Príncipe Congelado em livro, abandonando o aspecto de conto e adquirindo uma narrativa, ainda episódica, mas um pouco maior. Tem essa história nova que eu não quero falar muito por pura superstição, mas posso dizer que é uma fábula também, com dois protagonistas da realeza que eu estou amando escrever. Eu brinco que estou passando mais tempo negociando essas histórias do que efetivamente as escrevendo.

Eu não quero abandonar a Amazon. Eu acho que ainda haverão muitas histórias minhas a serem publicadas na plataforma, inclusive nesse ano. Mas também me dedico para que essas histórias ultrapassem a Amazon, e tenho trabalhado bastante nesse sentido. 

Muito Obrigado pelo espaço!! 


2 comentários on "Entrevista com Raigor Ferreira, por Jonatas T. B."
  1. "A maior verdade disso é que eu não tenho medo dos finais felizes. Tenho medo de um dia não conseguir escrevê-los. Medo de que, em algum livro, eu precise causar prejuízos aos meus personagens para que minha história tenha algum sentido."
    Ganhou uma nova leitora só por esse comentário. Não há nada pior no mundo literário, do que ter que ser sempre surpreendente ou diferente do que as pessoas esperam. O final, independente de feliz, clichê, ou inimaginável, deve ser coerente e condizente com a história proposta, e quando se trata de fábulas infanto-juvenis, das quais sempre extraímos ensinamentos importantes, os finais felizes são sempre os mais belos e edificantes.
    Espero ver mais do trabalho desse guri por aqui.
    Beijo, beijo!

    Blog da Gih

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  2. Raigor mandou bem tanto na história quanto na entrevista. Em breve sairá um conto dele no Poligrafia.

    https://poligrafia.wordpress.com/

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