Anatomia de Julho #2 | Por Jonatas T. B.

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Sobre o mar, nenhum filho do homem caminha, pois hoje não há tempestade.

À margem da enseada. Alheio ao atol, às angras, distante dos marinheiros submersos em bruma. Um albatroz coroa a penha. As penas farfalham. O céu está vazio. A vaga cinza se estende às veias do horizonte.

- É teu o oceano inteiro.

Interrompo a travessia por terra, caminho para eflúvio espumoso. Persigo os degraus das ondas.

A água, de repente, me espeta. Arremete contra meu rosto, me afoga. Agarra aos calcanhares, eu retraio. Adentro a concha em espiral secreta, meus ossos erodindo feito castelo.

As invasões, salinas e breves, de espuma me enchem os pulmões.

Limpa da garganta a pronúncia do primeiro nome.

Água nos ouvidos me ensurdecem, em ameaça:

Ou o mar. Ou nada.





Por: Jonatas T. B.
Foto: Rebeca C.

Leia o texto #1 da série


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