domingo, 22 de maio de 2016

Ela, uma crônica de Regiane Medeiros





Ela


Ela anda distraída pelas ruas da cidade, pensamentos desconexos e desconectados com o ambiente ao redor. Tem a impressão de que o mundo continua girando em uma direção, enquanto ela caminha num rumo totalmente diferente.

Busca conforto nos livros, letras de músicas, textos aleatórios encontrados na infinitude da internet... Imagina que Zack Magiezi escreve “Notas sobre Ela”, baseado em um conhecimento profundo de sua alma, como um melhor amigo que conhece todas as suas faces. Espera que algum dia alguém lhe escreva dedicatórias como Alexandre Guimarães faz para sua Doce Desconhecida, só para deixar seu dia um pouco melhor, mais bonito e mais doce. Aceita todos os pedidos que Fred Elboni faz, sem pestanejar, porque enxerga em cada palavra seus próprios anseios de felicidade.

Dos fones de ouvido ecoam suas canções preferidas, alimentando sua vontade peculiar de discutir ciúmes bobos ao som de Elvis Presley “We can't go on together, with suspicius minds, and we can’t build our dreams on suspicius minds” (Suspicious Minds, Elvis Presley, 1969), ou desperta a vontade de se apaixonar de novo e de novo e de novo, com o coração embalado por JourneyAnd being apart ain’t easy,on this love affair, two strangers learn to fall, in love again, I get the joy of rediscovering you” (Faithfully, Journey, 1983).

Ela liga a TV, mas não enxerga o que passa, sua mente vagando em um mundo alternativo, repleto de imagens indecifráveis em uma paleta de cores indescritíveis e belas, enquanto o gênio da comunicação, Silvio Santos, arranca gargalhadas de si mesmo e de uma plateia não presente mentalmente.

Dividindo os dias entre o que precisa fazer e sonhando com o que deseja realizar, ela está por aí no metrô tentando equilibrar a mochila em um braço e um livro no outro, enquanto desvia dos que passam por ela sem olhar; diante do espelho, procurando uma saia que disfarce o que acha imperfeito e um sapato que vai lhe causar dores, mas que é bonito, só para fazer uma boa figura diante de pessoas com quem ela nem sabe se quer estar; no ônibus olhando pela janela, enxergando coisas que só ela vê nas nuvens brancas ou cinzas, dependendo do dia; no Café bebericando um mocaccino que lhe aquece o peito e adoça os lábios que sorriem involuntariamente por esse pequeno gesto de generosidade a si própria. Ela está por aí, talvez do seu lado, ou talvez no reflexo do espelho. Porque ela é você. Ela sou eu. Tentando se encontrar enquanto se perde.


11 comentários on "Ela, uma crônica de Regiane Medeiros"
  1. Olá Regiane,

    confesso que comecei a ler seu texto e pensar : conheço isso não sei de onde... já vi em algum lugar... tão familiar... Aí chego ao fim e você me diz : sou eu, é você somos nós !
    Seu trexto traduziu extamente o que passa dentro dos corações e da alma de nós mulheres sonhadoras com o amor de contos de fadas e ao mesmo tempo o querendo com a realidade nua e crua.

    Parabéns !! Excelente crônica !

    Beijos, Renatinha.

    Entre Aspas

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    1. Oi Rê!!! Obrigada pelo carinho. Acho lindo quando leio um texto e me encontro nele e saber que outras pessoas se enxergam naquilo que escrevo, é de uma alegria imensurável. Um beijo imenso!!! Logo retribuo sua visita <3

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  2. Amo esse espaço que muitos blogs têm para textos autorais. Com essa crônica não foi diferente, realmente me senti como se tivessem contando a minha vida. Muito linda essa crônica ♥

    Beijos, Le.

    Refração Cultural

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    1. Oi Lê! Obrigada pelo carinho, fico muito feliz que tenha se identificado com o texto <3
      Beijoooo

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  3. Porque afinal, não só o café, mas a vida, quando tornada texto, aquece o peito, adoça o verbo, vira um abraço mesmo - e de vez em quando a vida-de-verdade fica assim também...

    De um jeito um outro, ficamos felizes de compartilhar um pouco de tudo isso com vocês! <3 <3 <3

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