domingo, 18 de dezembro de 2016

Jane Austen - parte 1 | Por Regiane Medeiros

http://www.martinclaret.com.br/index.php/razao-e-sensibilidade-orgulho-e-preconceito-persuasao-brochura/

Jane Austen

No mundo todo comemora-se em 16 de dezembro o Jane Austen Day, celebrando o dia de nascimento de Jane, há 241 anos. Não é segredo pra ninguém que eu sou muito fã da obra de Jane Austen. Tenho vários livros em versões diferentes, biografias, adaptações de seus textos (inclusive por autora brasileira), filmes e séries baseados em seus livros e por aí vai. Não chego a ser como a personagem de Austenlândia (convenhamos, ela tem traços de distúrbios psicológicos), mas eu admiro muito seu modo de escrever, que é um alívio quando comparado a outros autores da mesma época e até dos dias atuais. Ela é honesta com relação aos seus personagens, muitas vezes exacerbando o que eles tem de melhor ou pior. 

Suas histórias são facilmente confundidas com relatos sobre o amor, mas na verdade tratam do ser humano, em especial sobre as mulheres, mas não de um "jeito feminista ultrajado pela sociedade", ela fala sobre o papel das mulheres de sua época, com relação à construção de seu próprio destino. Jane gostava de escrever sobre o que via e vivenciava, adicionando um toque ficcional que garantia o sucesso de suas protagonistas ao fim de suas jornadas, independente das provações pelas quais passassem – que não eram poucas, Jane não economizava na hora de fazer um personagem sofrer, já que a realidade de sua época, não era muito promissora para as famílias que não tinham herdeiros do sexo masculino e que viviam em uma zona mais afastada dos centros urbanos.

Se compararmos nossa realidade atual com a da época, veremos que há muitas similaridades e talvez esse seja um dos maiores motivos do sucesso de suas histórias. A gente se vê nas personagens de Austen. Elas são muito reais e vívidas. Poderiam ser nossas melhores amigas, ou até mesmo uma de nós. Por esse motivo, conversei com a Reb e pedi licença para homenagear minha autora favorita através do blog, comentando suas obras lidas até então.

Seguindo a ordem de publicação de seus textos, começo com os dois que, até então, são os mais conhecidos e que tiveram o maior número de adaptações, seja no mundo literário, seja no cenário cinematográfico:


Em Razão e Sensibilidade temos duas irmãs muito diferentes entre si, mas que se amam muito e são companheiras e amigas em todos os momentos. As duas passam por situações semelhantes em suas relações amorosas, mas a reação de cada uma ante às dificuldades que se apresentam são tão distintas que provoca nos leitores menos aguçados a sensação de que uma é completamente passional e a outra fria demais. Um erro ao meu ver. 

Marianne é sim passional, e muitas vezes tola, mas acredito que isso se deva à pouca idade e um ideal firmado dentro dela com apoio da mãe, com quem é tão parecida. Mas ela tem uma inclinação natural para o amor, que se reflete não só com relação aos entes queridos, como também à natureza, artes e tudo que possa contribuir para seu crescimento intelectual. Seu amadurecimento durante o decorrer da história é notável e me fez gostar dela mais e mais.

Elinor não é de uma racionalidade extrema como pode parecer a princípio, ela tem bom senso e praticidade, o que vem a calhar diante das dificuldades que ela e a família enfrentam. Mas é capaz de um amor tão profundo e altruísta que a faz deixar de lado seu próprio sofrimento para apoiar e cuidar daqueles que lhe são queridos, mesmo que às custas de sua própria felicidade, esta não seria completa se alguém que ela ama estivesse sofrendo. É uma personagem delicada e apaixonante.

Para mim, ambas são capazes de um amor incondicional e verdadeiro, mas que se apresentam de maneiras diferentes, de acordo com a personalidade de cada uma, tornando-as únicas e singulares. A escrita de Jane é sutil, delicada, algumas vezes bem descritiva mas sem nos entediar no processo de leitura e nos leva por uma trama impensável, cheia das coincidências que a vida pode ter, nós é que muitas vezes não atentamos para elas.

Sinopse: Este foi o primeiro romance de Jane Austen. Publicado em 1811, logo recebeu reconhecimento do público. Razão e Sensibilidade é um livro em que as irmãs Elinor e Marianne representam uma dualidade, de maneira alternada, ao longo da narrativa. As expectativas vividas pelas duas com a perda, o amor e a esperança, nos aponta para um excelente panorama da vida das mulheres de sua época. As irmãs vivem em uma sociedade rígida, e ambas tentam sobreviver a esse mundo cheio de regras e injustiças. Tanto a sensível e sensata Elinor como a romântica e impetuosa Marianne se veem fadadas a aceitar um destino infeliz por não possuírem fortuna nem influências, obrigadas a viver em um mundo dominado por dinheiro e interesse. As duas personagens passam por um processo intenso de aprendizagem, mesclando a razão com os sentimentos em busca por um final feliz.

 

Orgulho e Preconceito, talvez sua obra mais conhecida no mundo todo, já teve diversas edições e adaptações cinematográficas e televisivas. Jane ainda não tinha 21 anos quando o escreveu, o que nos mostra que ela era extremamente sensível e perceptiva quanto ao que se passava ao seu redor na época (séc. XVIII), e o quanto estava à frente dos autores conhecidos até então, pois aqui mais uma vez ela se faz valer de sua observação da sociedade em que vivia para dar vazão à sua história.

Seus personagens são intensos e suas personalidades descritas de forma tão enfática, que nos esquecemos de imaginá-los como são fisicamente, e nos concentramos em como eles são, digamos assim, por "dentro". 

Elizabeth Bennet é uma moça inteligente e perspicaz, que se mostra uma grande avaliadora das pessoas. Mas sua autoconfiança em seu próprio julgamento a faz cometer erros, ao ignorar o bom senso em determinadas situações o que a leva a cometer e de certa forma colaborar com uma injustiça que será motivo de vergonha de si mesma, quando esta é revelada.

O Sr Darcy é um jovem inteligente, sério e muito rico, que foi criado para acreditar que as diferenças socioeconômicas são motivos suficientes para decidir quais são as melhores relações de amizade e até mesmo amorosas. Mas seu caráter é íntegro e julgado erroneamente por Elizabeth e quase todas as pessoas que o conhecem. Ao longo da história uma mudança ocorre em sua paisagem interior ao perceber como vem causando sofrimento nas pessoas, mesmo que suas intenções sejam boas.

O encontro de duas personalidades tão fortes e autoconfiantes torna o livro impossível de largar antes do fim. Sua narrativa é mais fluente e dinâmica que em Razão e Sensibilidade, e sua crítica à sociedade da época mais intensa, e apesar de carecer um pouco da sutileza do texto anterior, não deixa de mexer com nossas emoções, ao contrário, nos atinge em cheio deixando-nos desnorteados do início ao fim!!! Em minha opinião é um texto incrível e merece todo o louvor que tem recebido desde que foi lançado.

Sinopse: Jane Austen inicia Orgulho e Preconceito com uma das mais célebres frases da literatura inglesa: 'É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico deve precisar de uma esposa'. O livro é o mais famoso da escritora — traz uma série de personagens inesquecíveis e um enredo memorável. Austen nos apresenta Elizabeth Bennet como heroína irresistível e seu pretendente aristocrático, o sr. Darcy. O enredo aborda múltiplos aspectos: o orgulho encontra o preconceito e a ascendência social; equívocos e julgamentos antecipados conduzem alguns personagens ao sofrimento e ao escândalo. Porém, muitos desses conflitos conduzem os personagens ao autoconhecimento e ao amor. O livro pode ser considerado a obra-prima da escritora que, com sua refinada ironia, equilibra comédia e seriedade a uma observação meticulosa das atitudes humanas.

Logo falaremos mais sobre as demais obras dessa grande autora! Espero que cada um de vocês que está lendo esse post, possa um dia ler qualquer obra da Jane para que a gente possa trocar impressões.
<3
2 comentários on "Jane Austen - parte 1 | Por Regiane Medeiros"
  1. Essa edição é sensacional e está na minha lista de desejos. Jane Austen é um dos meus alívios literários preferidos e concordo com o que foi dito. Parabéns pelas resenhas, beijão.

    https://prateleiradevidro.wordpress.com/

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  2. Oi Gih ! Eu sou louca para ter essa edição. Acho super linda! Amo os livros da Jane , embora não tenha lido todos ainda. Preciso adimitir que gosto muito mais de Razão e sensibilidade do que orgulho e preconceito, mas é claro que as duas obras são maravilhosas. Adorei ver sobre Jane Austen aqui e, espero que isso atraia mais leitores a conhecer essa autora tão incrível.

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