Uma semana e(m) um dia #9

domingo, 18 de dezembro de 2016
Nono post da série Uma semana e(m) um dia, com a participação de todos os nossos colunistas e relatos especialmente nostálgicos de Jonatas e Regiane Confira:


Bruno

Não tive uma semana das mais interessantes, muito trabalho no fim de semana, entretanto, sobrou-me algum tempo para iniciar a leitura de um livro (que ainda não terminei) de Philip K. Dick, The Man Whose Teeth Were All Exactly Alike, uma obra não muito famosa do autor americano, talvez por não se tratar de ficcção científica, gênero que o tornou famoso. Provavelmente não farei resenha sobre, pois não há versão em Português do livro, mas, ao terminar de ler, vou dizer se isso é uma pena ou não.

Sinopse: The Man Whose Teeth Were All Exactly Alike é uma obra do gênero realismo literário escrita pelo autor Philip K. Dick no início da década de 1960. Inicialmente rejeitada pelos editores da época, foi publicada em 1984, dois anos após a morte do autor, por uma pequena editora.

The Man whose teeth... foi escrita logo após Confessions of a Crap Artist e antedecendo The Man in the High Castle, traduzido e publicado pela Editora Aleph com o título O Homem do Castelo Alto.

Nesta novela, o protagonista é Leo Runcible, um agente imobiliário que vive em uma cidade rural no Condado de Marin, na Califórnia, e que se envolve em uma descoberta de uma ossada supostamente Neanderthal em sua cidade, o que ocasiona tanto brigas como seus vizinhos como uma especulação imobiliária devido a publicidade da descoberta. O que Runcible e seus vizinhos não esperavam é que os ossos pertenceriam a um corpo - e, consequentemente, a um crime - recente.


Jonatas


Desde a infância eu não me interessava mais por quebra-cabeças. Contudo, minha apatia durou até o dia em que minha mãe trouxe uma bolsa grande com um monte de caixas e entrou pela porta dizendo: “Olha o que a mamãe trouxe, Jonatas”. Ela foi para sala e pôs em cima da mesa a maior das caixas que tinha uma bela e colorida ilustração. Não me importei a princípio, mas quando comecei a observá-la, tardes inteiras debruçada sobre os cotovelos, ajeitando os óculos sobre o nariz para não cair no montinho de peças, seu gesto me chamou a atenção, feito luz de vela a uma mariposa. Duzentas, quinhentas, mil, quanto fosse o número do desafio, ela saciava um apetite que eu nunca tive pelo jogo. Insistia todos os dias, esforçando o olhar através das lentes, até, por fim, a imagem se formar. Depois de terminado o jogo (que durava até semanas), ela emoldurava e presenteava alguém com o quadro. E logo começava a montar outro e outro, como uma vovó-aranha fiando um destino sem fim, sem se importar com o que passou. Apenas seguindo adiante.

Certa vez ela montou um quadro que não gostei muito. Não sei explicar exatamente por que, mas criei um pouco de antipatia pelo desenho. Achava-o desajeitado, imagino. Mas nunca cheguei a sentir aversão. Só o considerava medíocre comparado ao quebra-cabeças que ela me deu de aniversário (uma suntuosa construção europeia do século XVII-XVIII). Aquele não significava muita coisa ali, pendurado na parede da sala e me encarando com aquele monte de árvores com folhas vermelhas, como se estivessem eternamente condenadas em chamas secas. Era só isso que eu conseguia enxergar. Árvores vermelhas e um casarão desengonçado projetando uma ponte sobre um rio.

Seja qual for o motivo, ignorei a presença vermelha desde que minha mãe o terminou. Um dia, deitado desinteressadamente no sofá, percebi que faltava uma peça. A quarta peça de cima para baixo, a décima primeira da direita para a esquerda. Passeei os olhos ao redor do buraco e, na falta daquela peça, notei que havia montanhas, muitas montanhas ao fundo. Uma bela cordilheira que sumia como fuligem azulada, confundindo-se com o céu anil, imitando as cores e formas do ventre das nuvens logo acima. Estava tudo tão distante, mas de algum modo, céu e montanhas se ajustavam de forma tão íntima. Dali por diante percebi outros detalhes. Um casal de patos na parte superior do rio, ao lado do moinho; um homem vestindo um chapéu, calças e casaco azuis montado em um cavalo azulado com manchas brancas; cervos se aproximando de um casebre de pedra escondido no bosque.

Dentre todas coisas que percebi no quadro, a mais curiosa foi que não havia somente árvores de folhas vermelhas, mas algumas bem claras, entre dourado e branco, e outras amareladas num quase tom verde. Os pinheiros são os únicos que mantêm suas folhas absolutamente verdes e vivas, apontando como uma lança como se quisessem espetar o firmamento. Enfim. Posso dizer que tenho o retrato do perfeito outono na parede da minha sala a olhar para mim quando ele quiser. Entre todos os detalhes, por um motivo que não convém aqui, as árvores vermelhas se tornaram a minhas favoritas, talvez por evocar o outono do fundo da minha memória recente, quem sabe. O longo e suave outono deste mesmo ano que parece durar até agora.

Não ouso afirmar que algum dia eu vá gostar de montar quebra-cabeças como minha mãe. A coisa mais próxima a isso é minha sede por ajustar as palavras até formar uma história. Mas fico satisfeito que tenha aprendido a observar a beleza sutil de algo que primeiramente não apreciei. Talvez esse seja o segredo para muitas coisas que perdemos e não percebemos, e pode ser por isso até que muitas vezes apareçam inusitadamente poros vazios em nós. Algo que esteve debaixo do nariz o tempo todo e só notamos depois de dar falta por uma peça. Não sei. Sei apenas que daqui por diante vou evitar sentir desprezo por folhas vermelhas e tentar olhar mais pelos buracos que deixam na parede, especialmente se for deixado por pessoas importante como minha mãe. Juro que vou me esforçar.

P. S.: A ilustração do quebra-cabeças a que me refiro é obra da premiada e proeminente artista americana Kathy Jakobsen. Para quem desejar conhecer mais obras visite: http://www.kathyjakobsen.com/


Rebeca


Gosto de livros young adult. Mesmo não estando em uma faixa etária assim tão jovem-adulta. Mesmo com toda a crítica que nos diz que a literatura-para-o-jovem não é digna de um Jabuti. Como se a vontade de escrever precisasse de um respaldo da Academia. Não precisa. Para sobreviver como escritor, é claro, é necessário um reconhecimento, mas do público e do mercado. Porque é preciso investir a alma em um escrito, mas também é muito digno ser remunerado por isso. Afinal, trabalhar por anos ou meses, lançar o primeiro livro, e construir uma carreira, não importando sua dimensão (porque nem todo mundo nasceu pra bestseller, e lá no fundo quem escreve já sabe disso), sim, é algo digno, é uma profissão, e espera-se ganhar algum dinheiro com isso. E que mal há em falarmos de grana, por que o pudor de se falar disso? Como se a atividade criativa se tornasse impura por vender mais que dez exemplares e eventualmente chegar aos dez milhões de inscritos. Tudo bem, é preciso falar sobre qualidade, mas não enquanto qualidade for um tema apenas discutível em relação a obras young adult. Como se a obra de uma personalidade do Leblon ou da Usp não pudesse ter seu grau de mediocridade e interesse financeiro. Sim, porque quem se coloca como arauto da virtude (inclusive a literária) também precisa aumentar seu patrimônio, mesmo que seja discursando sobre a igualdade em uma lucrativa edição de capa dura. E, infelizmente, não nos cabe aqui julgá-los também (okay, só um pouquinho).

Neste momento de vida então, eu escolho ler tanto os clássicos da poesia portuguesa como também os bestsellers da Intrínseca. 

Taí algo que a gente meio que aprende quando deixa de ser young adult...

Ah! E como Sing é um young adult MUITO LEGAL (sim, LEGAL!) e Isla e o final feliz já é um queridinho do público, queria dizer pra vocês que estes títulos estarão em um dos kits de nosso SORTEIO DE NATAL! Simmmm, fica, vai ter sorteio no blog, ainda nesta semana <3

Até breve então!


Regiane


Fim de ano chegando, damos início às confraternizações no trabalho, família e amigos.

Sempre me considerei uma pessoa abençoada por ter muitos amigos, de diversos segmentos e lugares diferentes. Com o passar dos anos, a quantidade desses amigos têm diminuído, em um efeito natural da vida, as jornadas vão se distanciando, os planos de vida já não se encaixam, as afinidades vão se esvaindo e a gente entende, porque apesar de acharmos que continuamos as mesmas pessoas de sempre, isso não é verdade. Todos nós mudamos e isso não deve ser considerada uma coisa ruim.

Mas, entre esses amigos que vem e vão, sempre tem alguns poucos que permanecem, que mudam junto com a gente e que independente do rumo de suas vidas, sempre estão presentes de alguma maneira. Sou afortunada por ter alguns desses tipos de amigos.

O quarteto #Friends se conhece desde o primeiro ano do curso de Fisioterapia de 2007 da Universidade São Judas Tadeu na Mooca (linda maravilhosa Mooca <3), mas apesar da boa convivência nos aproximamos de verdade quando o curso estava terminando para uns, e a vida de outros tomava uma guinada de quase 360°.

A internet facilitou o contato, e daí para um primeiro reencontro foi fácil, favorável. E foi tão bom estar junto de pessoas que tinham aquele mesmo sentimento de nostalgia que nos arrebata quando uma parte significativa de nossa vida se encerra e outra começa!!! E como se fôssemos amigos da vida inteira compartilhamos muita coisa em um único dia.

Essa sensação de bem estar se perpetuou, e continuamos nos encontrando ao longo dos anos, quase sempre nos arredores da Universidade São Judas, especialmente na Rua Taquari, onde você encontra gente de todo tipo nos botecos característicos da região. E toda vez era especial, cheia de risadas, confissões, filosofia, vida.

Claro que ao longo do tempo, nossas rotinas acabaram nos distanciando fisicamente, mas nunca emocionalmente. Graças aos aplicativos de mensagem instantânea, mantivemos nossa comunicação quase intacta. Nesse meio tempo, tivemos encontros sim, mas não com os 4 ao mesmo tempo, tarefa que parecia cada vez mais difícil. Mas, para quebrar esse círculo de praticamente dois anos sem uma reunião dos 4, conseguimos nos ver ontem. E foi mágico, como na primeira vez.

Hoje, depois de desanuviar a cabeça do álcool ingerido, me sinto feliz. Feliz por saber que ainda somos os mesmos, que ainda rimos das mesmas coisas, que basta uma palavra como "vestido" para formar uma conexão de pensamentos que deixa quem está por perto confuso, que somos alvo da admiração de outras mesas por ver jovens tão a vontade uns com os outros, que não importa o rumo de nossas vidas sempre podemos contar um com o outro, para literalmente tudo!

Sim, estou feliz! Feliz por que a aceitação que eu sempre busquei está em vocês, meus amigos, com quem eu posso ser eu mesma de verdade, sem medo de julgamentos ou represálias e quem não tem pessoas assim na vida, não fazem ideia do quanto isso é libertador. Só posso dizer mais uma vez: love you #Friends <3

Para você que está lendo esse texto, desejo que encontre pessoas assim em seus caminhos, gente do bem, que não espera nada de você, além de seu tempo para bater um papo de boteco, tomando uma cerveja gelada, compartilhando risadas e vivendo este momento com você. Gente que transforma os momentos mais simples em grandes eventos a serem recordados. Para sempre!

Beijos e uma ótima semana!!!

2 comentários on "Uma semana e(m) um dia #9"

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