O Caderno Vermelho - Paul Auster | Companhia das Letras | Por Mich Fraga

fevereiro 06, 2018

"A fim de reprimir a nossa impaciência, saímos da casa para dar uma volta, imaginando que o tempo iria passar mais depressa se nos afastássemos do cheiro gostoso que vinha da cozinha. Pelo que lembro, demos uma ou duas voltas em torno da casa. Talvez tenhamos começado uma conversa mais animada sobre sei lá o quê (não consigo lembrar), mas, seja lá o que tenha acontecido, e seja lá quanto tempo tenhamos ficado fora da casa, o fato é que na hora em que entramos de novo a cozinha estava cheia de fumaça. Corremos para o forno e puxamos a torta para fora, mas já era tarde demais. Nossa refeição estava morta. Tinha sido incinerada, queimada até virar uma massa carbonizada e empretecida, e não dava para salvar nem um pedacinho.

Hoje a história parece engraçada, mas na época não teve graça nenhuma."


Para que muitas coisas deem certo, é preciso que muitas deem errado. Nesta semana, comemoramos o aniversário do autor Paul Auster, que fala destes grandes imprevistos em seu livro O Caderno Vermelho. Coincidentemente, achei esse livro incrível aqui na estante, e é sobre ele que vamos conversar em nossa vídeo-resenha. Confira:


Espero que tenham gostado da sugestão de leitura!
Um beijo e até a próxima!
Mich


O Caderno Vermelho - Paul Auster 

Paul Auster, autor elogiado internacionalmente pela força imaginativa de seus romances, explora em O caderno vermelho acontecimentos do mundo "real" - grandes e pequenos, trágicos e cômicos - que revelam a natureza imprevisível e mutável da experiência humana.

Dividido em quatro partes, compostas por pequenas histórias independentes, O caderno vermelho tem no acaso seu elemento unificador. Fatos bizarros ricocheteiam em outros com precisão, mas se esquivam das expectativas do leitor: uma torta de cebola queimada, um engano ao telefone, um menino atingido por um raio, um homem que caiu de um telhado, um pedaço de papel encontrado num quarto de hotel em Paris - tudo isso compõe um jogo em que sorte, azar e coincidência são tão impressionantes que mais parecem ficção.
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