Uma semana (e)m um dia # 7

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Sétima edição de nosso Uma semana e(m) um dia, desta vez sem a participação de Bruno, que está temporariamente inacessível, sem internet. No post de hoje, Jonatas, Rebeca e Regiane compartilham algumas histórias que despertam grande encantamento em seus corações.


Jonatas


Acredito que todos possuem um emaranhado de influências que constitui parte de nosso universo particular. Nesse novelo de fios e retalhos, dentre tantas coisas, podemos encontrar desde as melodias favoritas, histórias importantes em nossa formação moral, até imagens que parecem comunicar-se com as percepções mais íntimas.

Foi lá pelo ano de dois mil e dois, ainda na fase escolar, em uma locadora fitas k7 exclusivas de animações japonesas, encontrei pela primeira vez uma obra produzida pelos estúdios Ghibli: Ondas do oceano (original Umi ga Kikoeru, lit. “Eu posso ouvir o oceano”, baseado no romance de Saeko Himuro). O interesse que senti por essa e todas as obras dos estúdios Ghibli foi um pequeno fio de semente, das mais importantes influências artísticas em meu emaranhado particular. Deste então sempre acompanhei e assisti a todos os filmes do estúdio.

Nesta semana tive o prazer de assistir a um documentário chamado “O reino dos sonhos e da loucura” (2013). O filme nos traz a oportunidade de adentrar o universo do estúdio e conhecer, além da rotina de trabalho, técnica, produção etc., um pouco da história e as percepções pessoais dos artistas. Uma das coisas que mais me chamou a atenção, foi um conflito interno entre os diretores fundadores Hayao Miyazaki (Vidas ao vento, 2013) e Isao Takahata (O Conto da Princesa Kaguya, 2013). Ele me levou a pensar em questões como a necessidade de se superar, além de obstáculos de natureza técnica que o próprio trabalho detém, dificuldades geradas pela relação humana, que deve ser vencida para criar-se algo genuinamente belo e de singular qualidade como são os filmes do estúdio.

Para saber mais e acompanhar as novidades, eu costumo conferir o site Ghibli Brasil.
 


Rebeca


2016: aquele ano em que você se dá conta de que falta pouco pra que todas as pessoas relevantes na história da cultura (e, consequentemente, em nossa própria história) estarão presentes apenas nos livros, na memória e na saudade.

"Uma cidade
é um amontoado de gente que não planta
e que come o que compra
e pra comprar se vende.
(...) Vendem-se frutas, carnes congeladas,
vendem-se couves, conas, inspiradas
canções de amor, poemas, vendem-se jornadas
inteiras de vida,
noites de sono,
vende-se até o futuro
e a morte
às companhias de seguro.

(...)

A tarde se apagou.

(...)

Amigos morrem,
as ruas morrem,
as casas morrem.
Os homens se amparam em retratos.
Ou no coração dos outros homens".

(trecho do poema Improviso ordinário sobre a Cidade Maravilhosa)


Regiane


Ano passado durante uma conversa entre amigas, tive um insight que daria uma boa história, mas guardei a ideia na cabeça. Algum tempo depois, resolvi participar de um concurso promovido no Wattpad e me lembrei dessa ideia que tive baseada nas experiências compartilhadas com minhas amigas. Essa história se chama Tinderela e o conto original ficou em 2° lugar no concurso.

Durante o ano inteiro recebi incentivo de leitores e amigos para que transformasse Tinderela em algo maior. Confesso que procrastinei ao máximo essa tarefa. Tive medo de não conseguir e a ideia perder sua essência. Não sou escritora. Sou alguém que gosta de brincar com as palavras, de "fazer de conta". Então, é claro que tenho medo de não estar à altura do que esperam de mim.

Mas, semana passada, venci esse medo e reescrevi Tinderela, e no início dessa semana ela ganhou o mundo através da Amazon em versão digital. Estou muito feliz com isso, é claro, mas ainda com receio. Mas é um medinho bom, sabe? Aquele friozinho na barriga que a gente sente quando ago diferente está acontecendo com a nossa vida.

Eu sei que a Rebeca, minha agente literária, quer me matar porque eu não consigo fazer a divulgação como deveria, e deixei a obra disponível por um valor simbólico... É que como eu disse, não sou escritora. Não tenho pretensões de tornar a escrita minha profissão. Eu já tenho o meu ganha pão diário. Escrever para mim é como um refúgio, algo que faço por puro prazer. E compartilhar desse prazer com vocês é mágico. Muito mais do que um dia eu sonhei.

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