[Novos Autores] Jonatas e a leitura de O Mágico de Oz

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"Pois foi muito mais difícil encontrar o caminho de volta através dos imensos campos de botões-de-ouro e margaridas amarelas do que sendo carregados pelos ares por cima deles. Sabiam, claro, que precisavam seguir para o leste, rumo ao sol nascente; e partiram na direção certa. Mas ao meio-dia, quando o sol estava a pino bem acima das suas cabeças, não sabiam mais de que lado ficava o leste e de que lado era o oeste, e acabaram se perdendo na vastidão daqueles campos."
(Capitulo 14) 


O Mágico de Oz - edição bolso de luxo. Clássicos Zahar, 2015


O belo hábito de se perder em sonho


Confesso que a leitura de “O mágico de Oz” foi incidental, assim como a viagem de Dorothy ao tão tão distante lugar que o tornado a levou. Ao pegar o livro aleatoriamente da estante do meu amigo e folhear as primeiras páginas, a impressão que tive foi de acolhimento naquela casa simples de tia Emily e tio Henry, mesmo sendo cinzenta a paisagem do Kansas. Eu me senti confortável como no meu próprio lar. Mas em seguida senhor Baum (o autor) tratou de soprar um terrível vento que me fisgou como um peixe e me deixou tão perdido quanto a órfã e seu cão. É claro que não poderia deixa-la só naquele lugar estranho. Decidi acompanha-la na extensa e muitas vezes perigosa Estrada dos Tijolos Amarelos.

Foi assim se deu início à longa jornada de volta ao lar. Tivemos de percorrer distâncias mais além a fim de encontrar o Grande, o Terrível Mágico que reinava a Cidade das Esmeraldas.

De tudo na aventura, particularmente, os amigos que fizemos pelo caminho foi a parte mais interessante. Poucas pessoas eu vi - e imagino que Dorothy concordaria comigo – darem tanto valor ao amor, à inteligência e à coragem, como se preocuparam o Leão, Homem de Lata e Espantalho. Eu ouvi com atenção as histórias de cada um deles e de como se tornaram o que eram. A princípio suspeitei de todos eles, mas logo a sinceridade dos três me comoveu a confiança.

Cheguei ao final sem me importar se o consideraria feliz ou não, ou se poderia ter acontecido de outra maneira, porque a coisa mais simples em “O Mágico de Oz” é a solução para o problema de Dorothy. E acredito que quando você o ler, também me entenderá quando afirmo que estar perdido nas terras das bruxas foi tão importante quanto estar seguro em casa com pessoas que amamos.

Eu vi muitas pessoas se perguntando se de fato tudo era ou não um sonho de Dorothy. Ora, há muitas histórias em que isso importa, mas acredito não ser o caso de “O Mágico de Oz”. Assim como quando dormimos, não importa se não aconteceu, e quando acordados menos nos interessamos se também a vida é um sonho, principalmente por sabermos que ela é uma grande e única aventura. Depois de voar pelo deserto em uma casa dentro de um ciclone e nos perdermos, tanto eu quanto Dortothy podemos afirmar com absoluta certeza: Sempre valerá a pena.

Jonatas T.B.

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10 comentários

  1. Caro amigo de terras tão tão distantes, (rs) me fizeste lembrar de duas frases que aparentemente são contrárias, uma de Paul Valery , que é “a melhor maneira de realizar um sonho é acordar” e a outra de uma abertura de Naruto (rs): “acordo quando começo a sonhar”. Onde poderia encontrar duas frases contraditórias, lendo seu texto, as fez juntas ter total coerência, como um duo eterno-cíclico: “a melhor maneira de realizar um sonho é acordar, e eu acordo quando começo a sonhar”. Putz, como nunca tinha feito essa associação antes?! Kk
    Boa escrita amigo, continue sempre.

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    1. SEN-SA-CIO-NAL e pertinente adendo com a frase de ambos. rs Mas acredito que seja esse mesmo um bom caminho. Enriqueceste mais minha leitura e sou eu agradeço, rapaz! Vamos nos encontrar por aqui, ou por aí nesse lugar mais alto do norte.
      Abraços!

      J.

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  2. Eu confesso que O mágico de Oz é um livro que ficaria lindo na minha estante! rsrsrsrs Adorei as fotos! E tb acho que não importa se for um sonho! srsrsrs

    Bjs, Michele

    O que tem na nossa estante

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    1. Olá, Michele! Fico feliz que estejamos juntos nesse pensamento. Aos próximos alunos darei o mesmo conselho de ter as aventuras de Oz na estante.

      Eu visitei o seu blog e tive vontade de clicar em tudo! Está muito bonito. Esteja certa de que ganhou um assinante e quem mais puder indicar! Espero em breve publicar algo para quem sabe aparecer por lá...

      bjs!

      J.

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  3. Sou fascinada por O Mágico de Oz e agora estou encantada com seu texto! Continue escrevendo e nunca desista de seus sonhos, sempre valerá a pena.
    Abraços!
    apenasumaleitura.blogspot.com.br

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    1. Oi, Mariana. Somos dois que sabemos que ler O Mágico de Oz é se encantar instantaneamente. Muito grato pela força e pode acreditar que me vem como vento para sempre ir adiante no sonho!
      Se quiser ler mais um pouquinho de mim, visita lá!

      Abração!

      J.

      Ps. Gostei muito do seu blog e não resistir lincar ao meu para companhar.

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  4. O Mágico de Oz vai ficar para sempre na nosso coração. História linda!

    www.blogdahida.com

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    1. Hei, Dai! É linda mesmo. Faz com que a gente se recorde imediatamente como é bom ser criança, né?
      Bj

      J.

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  5. Mais uma bela resenha, repleta de personalidade...

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    1. Muito grato, grande amigo!
      Desejo uma excelente leitura. Garanto que gostará do livro.

      Abraços!
      J.

      http://jonatastbblog.blogspot.com.br/

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