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agosto 09, 2018



Olá, pessoal! Tudo bem?

Chegando com mais um resenha de um livro que gostei muito. Uma história daquelas que mexe com  o nosso emocional, dando uma cutucada de leve e nos lembrando que nem sempre conhecemos de verdade aqueles que estão próximos da gente. E, até mesmo, o quanto nos anulamos para que os outros não nos conheçam realmente. Confuso? Então, confere a resenha e vamos conversar mais sobre.

O Colecionador de Memórias -  Cecelia Ahern | Novo Conceito

Sinopse: Quando Sabrina Boggs tropeça em uma misteriosa coleção de bolinhas de gude que pertencia ao seu pai, percebe que não sabe nada sobre o homem com quem cresceu. É uma coleção valiosa e incomum – incomum se ela pensar no homem que sempre conheceu. No entanto, há algo real lá dentro, muito verdadeiro sobre seu pai, ou sobre a criança que ele fora.

Sabrina só tem vinte e quatro horas para descobrir os segredos do homem que ela pensava conhecer. Um dia para exumar memórias, histórias e pessoas que não sabia existirem. Um dia que a mudará para sempre.

Fazendo uma busca pelas memórias de seu pai, Sabrina persegue uma busca de identidade; os segredos que ela trará à tona irão mudar tudo o que dava por certo em sua vida. Mas se seu pai não é o homem que ela achou que fosse, quem é a própria Sabrina?


Com a escrita impecável de Cecelia Ahern, acompanhamos as narrativas de dois personagens. Fergus e Sabrina Boggs, pai e filha. Ele vive em uma casa de repouso desde que sofreu um AVC e, consequentemente, perdeu parte da memória. Através dos relatos dele, conhecemos seu passado, aquele que poucos conhecem. Dos detalhes de sua infância até chegar à fase adulta que escondeu por receio de não ser aceito. Com Sabrina Boggs, descobrimos junto com ela o que o pai tanto amava e fez questão de esconder. Através de uma linda e preciosa coleção de bolinhas de gude, Sabrina busca conhecer e saber mais sobre esse hobby do pai e do porquê de tanto mistério. 

Talvez passe pela cabeça que algumas bolinhas de gude não sejam um motivo grande para tanto mistério. Pode-se pensar que uma brincadeira de criança seja algo tão leve que não há a necessidade para se criar um enredo baseado nisso e, mais ainda, que possa se tirar algo para refletir. Mas o que Ahern fez muito bem nessa história foi nos mostrar como uma paixão pode dar mais motivação para nossa vida. Também que, se reprimimos essa paixão, acabamos vivendo pela metade, não sendo nós mesmos. Além de um drama familiar vivido desde sua infância, Fergus nos mostra como foi crescendo seu amor pelas bolinhas e como foi se tornando um dos melhores jogadores, participando de torneios mundiais, inclusive. Mas, acreditem. Parecia que ele tinha duas vidas. Uma era do homem que levava essa habilidade com as bolinhas de gude a sério. Mantinha sua coleção como um tesouro e ainda podia se deliciar em torneios, onde encontrava outros apaixonados. A outra vida era do homem tranquilo, trabalhador, pai de família que suava para sustentar a casa. Era essa pessoa que Sabrina conhecia. Um pai dedicado, amoroso, mas que se escondeu e nunca revelou o seu outro lado.

"Contar a Sabrina sobre isso, seria lhe dizer que eu a excluí, assim como a sua mãe, de uma parte de minha vida, por tanto tempo, que eu menti para as duas pessoas mais próximas de mim e em quem eu deveria confiar e permitir que confiassem em mim."


Sabrina, casada, com filhos e tem um emprego que é sempre mais do mesmo. Como salva-vidas na piscina de uma casa de repouso, sua ocupação não tem muita emoção. Nada acontece de novo e em casa seu casamento está morno. Junto com o marido, frequenta terapia de casal, mas está difícil perceber o que anda acontecendo para que o casamento não esteja lhe dando tantas alegrias. Quando a caixa com os pertences do seu pai, Fergus, chega em sua casa e encontra várias e várias bolinhas de gude, de diferentes materiais e tamanhos e desenhos, e com inventário com valores de cada uma, tipos, nomes e a forma como foram conquistadas, foi difícil acreditar quer pertenciam ao pai, já que em toda a sua existência, nunca tinha ouvido falar nada sobre a coleção, sobre esse hobby. Nunca. Foi com essa surpresa que Sabrina decide ir atrás de mais informações e, a cada nova descoberta sobre o seu pai, Sabrina vai percebendo que há muitas coisas que esconde de si mesma.

Cecelia Ahern conseguiu me envolver do início ao fim. É certo que se trata de uma narrativa lenta mas que, de nenhuma forma, tornou-se cansativa. É leve ao mesmo tempo que se percebe uma carga dramática, mas que ficou bem desenvolvida no enredo. A forma como a autora consegue interligar a história dos dois personagens, complementando-as e, assim, amarrando todos os elementos e mistérios antes levantados, é surpreendente. Foi difícil não me sentir totalmente envolvida por essa história. Uma história de descobertas, redescobertas, autoaceitação e mudança. 

Uma experiência de leitura incrível e que não poderia deixar de compartilhar com vocês. Espero que tenham gostado e que não esqueçam de comentar aqui as suas impressões. Quero muito saber!

Até a próxima!

Bjo, Thaís
janeiro 23, 2017


Um(a) autor(a) me ganha quando constrói uma história que faz sentido, e que me transporta para aquele universo que ele criou/imaginou. Esse(a) autor(a), me ganha definitivamente quando consegue fazer isso de uma forma diferente, inusitada e inesperada. É o caso de Cecelia Ahern em Simplesmente Acontece

Confesso que não havia lido nada da autora, mas conhecia seu nome devido à adaptação cinematográfica de P.S. Eu te Amo, filme que pegou muita gente desprevenida e despertou lágrimas, risos, ódio e amor pela autora no mundo todo.

Não tenho uma justificativa plausível para ter adiado a leitura de alguma obra da Cecelia, é o tipo de coisa que acontece, sabe, você pensa em adquirir um livro e coloca na wishlist mas, quando acessa os sites para comprar, acaba adquirindo outros títulos que nem sonhava em ler. Coisa de leitor, eu sei que vocês entendem – risos.

Mas, no ano passado, ganhei Simplesmente Acontece de presente de aniversário de uma amiga querida, e a expectativa dela pela minha opinião sobre o livro me fez colocá-lo no topo da lista de leitura. Na época, cheguei a falar sobre ele no meu antigo blog, mas achei que vocês que acompanham o Blog Papel Papel mereciam um vislumbre de uma obra que em minha opinião conseguiu definitivamente me surpreender.

O livro fala sobre a jornada de Alex e Rosie, irlandeses amigos desde crianças que compartilharam todos os momentos de infância e adolescência até se formarem no ensino médio, quando a família de Alex vai para os EUA para que ele possa estudar Medicina e Rosie permanece na Irlanda devido a um incidente que mudaria totalmente sua vida e adiaria seus sonhos por muitos e muitos anos.

Ao longo de 50 anos eles utilizam diversos meios para se comunicarem e apesar da distância e relacionamentos que surgem em suas vidas, conseguem manter a amizade entre eles quase intacta. Cecelia nos surpreende na maneira como nos entrega essa relação entre duas pessoas que se amam, mas não sabem como podem ficar juntas. A história desses dois é toda contada através de e-mails, mensagens, cartões, cartas e sms, em ordem cronológica, mas de maneira tão intimista que não percebemos que não se trata de uma narrativa convencional. Os personagens são tão verdadeiros e reais que parece que estão falando conosco o tempo todo.

Através desse arsenal de correspondência, conseguimos conhecer também as pessoas mais próximas a eles e como eles lidaram com a distância e os acontecimentos que moldaram suas vidas:

- Ruby é a melhor amiga que alguém poderia querer, ela é sincera e divertida e está sempre ao lado da Rosie.

- Philip é o irmão mais velho do Alex, que te trata como um paizão debochado.

- Stephanie é uma querida, sempre muito fofa em seus e-mails, apoiando a irmã Rosie e a família sempre.

- Alex, tão fofo e tão carinhoso. Sua bondade parece infinita. Ele aguenta os humores da Rosie e de todas as mulheres que o cercam com muita boa vontade. Sua paciência e dedicação são marcantes.

- Rosie, tão desastrada e tão humana!!! Algumas de suas cartas são tão vívidas que nos faz sentir o que ela sentia no momento. E apesar da vida ter sido muito dura com ela, Rosie nunca deixou de sonhar até conseguir tudo o que sempre desejou.

Nesse momento, relembrando a história desses dois, é inevitável não pensar no grande clichê que é a vida real, onde existe o momento e a hora certa para tudo, mesmo que a gente às vezes tente barganhar com o destino e aplicar nossas próprias regras, fazendo com que tudo ao nosso redor fique mais complicado do que já é.

O livro é encantador, não só pela maneira original como é escrito, mas também por seus personagens que são muito reais, e essa é uma história que poderia acontecer com qualquer um de nós. Quem sabe não acontece?


Simplesmente acontece
Cecelia Ahern

Sinopse: O que acontece quando duas pessoas que foram feitas uma para outra simplesmente não conseguem ficar juntas?

Todo mundo acha que Rosie e Alex nasceram para ser um casal. Todo mundo menos eles mesmos. Grandes amigos desde criança, eles se separaram na adolescência, quando Alex se mudou com sua família para os Estados Unidos.

Os dois não conseguiram mais se encontrar, mas, através dos anos, a amizade foi mantida através de e-mails e cartas. Mesmo sofrendo com a distância, os dois aprenderam a viver um sem o outro. Só que o destino gosta de se divertir, e já mostrou que a história deles não termina assim, de maneira tão simples.