O Hobbit | Editora WMF Martins Fontes | Resenha por Jonatas T. B.

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Lá e de volta a minha vez


John Ronald Reuel Tolkien.

Ouvi esse nome pela primeira vez quando tinha pouco mais de quatorze anos. Um amigo de escola me falou que era um autor de livros sobre de aventuras com monstros e guerreiros em um mundo medieval habitado por um monte de povos com suas próprias culturas e línguas. Naquela época já tinha metido na cabeça a ideia de que gostava de escrever, então, interessado no que meu amigo havia dito, no dia 11 de setembro de dois mil e um adquiri uma edição de capa azul de O Hobbit, publicado pela Martins Fontes. Tal qual o hobbit Bilbo Bolseiro, que um belo dia foi chamado para a maior aventura de sua vida, ao abrir aquelas páginas e me deparar com aquele monte de mapas e runas mágicas, mal sabia que eu nunca mais seria o mesmo.

Um longo tempo passou e infelizmente perdi aquela edição azul. Mas no final do ano passado a sorte me saudou. Rebeca me presenteou com uma nova edição em capa dura, também publicada pela Martins Fontes. Saiba você que retornar àquela confortável casa com uma vista fabulosa e receber novamente uma visita inesperada de treze anões a convidar Bilbo para sua caça ao tesouro foi, de algum modo, como encontrar o mesmo adolescente sem propósito algum na vida de 11 de setembro de dois mil e um. As mesmas runas da Lua gravadas no mapa; o mesmo mago Gandalf deixando uma marca na porta; o mesmo fresco fascínio em cada centímetro de floresta e grutas escuras por onde passei. Reler O Hobbit foi como se pudesse sorrir, acenar para aquele tolo Jonatas do passado e agradecer: “ei, garoto. Continue assim. É o caminho certo!” Se eu pudesse dar um novo sentido ao título Lá e de volta outra vez, seria, sem tirar uma vírgula, precisamente esse. É o que o precioso O Hobbit significa para mim.

Talvez isso aconteça com você, acaso algum dia leia O Hobbit pela segunda ou terceira vez, mas se não acontecer, estou certo de que, mantendo os sentidos acesos em sua jornada, poderá ouvir a água negra estalando entre as pedras enquanto aranhas, orcs e um Gollum espreitam nas trevas, e se sentirá aliviado por um sortudo Sr. Bolseiro portar O Anel de invisibilidade mantendo-os sempre seguros, apesar de exaustos e molhados. Poderá até ouvir o assobio do vento que sopra acima das Montanhas Cinzentas enquanto o Senhor das Águias os carrega para o alto. E muitas vezes, assim como Sr. Bolseiro, desejará estar em casa frente à lareira de estômago forrado, lamentará tão arrependido de ter dado ouvidos ao Mago Cinzento. Acredito que O Hobbit exerça todo esse poder porque, no fundo, em cada folha de cada árvore, até nas minúsculas faíscas de choque de espadas e, não nos esqueçamos, nos anéis coloridos de fumaça soprados pelo cachimbo a subir e desaparecer por trás da Colina, essa obra guarda fagulhas da vida de um Tolkien de verdade, uma vida de verdade.

Poucas vezes assumi que amei de fato algo ou alguém, e resisto mais ainda em dizer que amo coisas e histórias, por mais profundamente me tenham tocado. Entretanto, após este segundo encontro seria desonroso além de muito injusto afirmar que, ao final desta viagem, O Hobbit me foi meramente um livro que li duas vezes. Não só por todas as verdadeiras lições sobre praticidade e simplicidade, amizade e perseverança, pelo perigo da ganância que o ouro fomenta no coração humano ou élfico, de anões ou dragões, poucas ou nenhuma história batem a nossa porta duas vezes e nos conduzem a maravilhosas viagens assim. Imagino que Tolkien fosse uma pessoa que não dizia nada por mera casualidade. Gostaria muito que ele soubesse que, ao final, nenhuma palavra foi em vão. Não sei se algum dia terei essa oportunidade, então, quando for a sua vez, acaso o encontrem passeando pelo Condado, peço a você que se lembre no meio de um chá ou um bom fumo, e diga por mim. Eu agradeço.



Sinopse - Os hobbits são seres muito pequenos, menores do que os anões. São de boa paz, sua única ambição é uma boa terra lavrada e só gostam de lidar com ferramentas manuais. Este livro tem como personagem central o hobbit Bilbo Bolseiro. Ele vive muito tranquilo até que o mago Gandalf e uma companhia de anões o levam numa expedição para resgatar um tesouro guardado por Smaug, um dragão enorme e perigoso.

Sobre o autor - J. R. R. Tolkien nasceu em 3 de janeiro de 1892. Teve uma longa e ilustre carreira acadêmica, porém se tornou mais conhecido por suas extraordinárias obras de ficção, O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion. Em 1972, Tolkien foi agraciado comotítulo de Comendador do Império Britânico e com o de Doutor honoris causa em Letras pela Oxford University. Seus livros foram traduzidos para mais de 30 idiomas e venderam mais de 50 milhões de exemplares no mundo todo. Tolkien faleceu em 2 de setembro de 1973, aos 81 anos.

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1 comentários

  1. Uau, estou vendo que O Hobbit te marcou mesmo. Infelizmente nunca o li, só O Senhor dos Anéis. Mas ele com certeza está na minha lista.

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