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dezembro 07, 2017


"Eu era jornalista esportivo, desempregado mas orgulhoso, escolado em revezes, por baixo, mas seguro de meu valor. Um colega mais antigo, editor de um grande diário, me havia feito a proposta: ele precisaria de um jornalista free-lancer para cobrir a final com o Brasil – se ela acontecesse. Por esse motivo, mais do que os outros, eu torcia tanto pela Seleção... Uma viagem naqueles dias poderia me fazer bem, psicologicamente, para não falar do dinheiro.

Lembro de ter acordado tarde naquele sábado, de comer um misto-quente com pingado, que era ao mesmo tempo café da manhã e almoço, e de decidir dar uma volta pelo Centro, perto da quitinete onde eu morava. O entusiasmo pela Copa do Mundo já havia passado, restava, se tanto, um interesse desapaixonado. Aqui e ali, eu via ruas enfeitadas com bandeirinhas verdes, amarelas e vermelhas – mistura curiosa de decoração junina e torcida pela Seleção.

Faltando uns vinte minutos para o começo do jogo eu cheguei ao bar na São João. Foi quando o vi, sentado na calçada, apoiado numa árvore, acho que era uma palmeira – o homem misterioso cuja vida, misturada com a minha, tentarei contar aqui."

Enquanto Brasil e Itália disputam o terceiro lugar da Copa do Mundo de 1978, o jornalista esportivo Rafael peleja com o cotidiano e sua política. Neste fim de década, a juventude paulistana parecia mover-se entre as discussões de bar e o furor da mobilização, pois era preciso posicionar-se ou afirmar a sua alienação. Em busca de um novo emprego e da cura para um amor mal resolvido, Rafael narra os acontecimentos de 1978 como alguém que escreve um diário passional, onde pauta do dia ocupava-se seus próprios interesses, embora uma e outra revolta (o exílio de Clarice; o AI-5; uma sucessão de Papas, atentados e suicidas) fossem inevitáveis em seu relato.

Nesta escrita diária, um inesperado encontro dá o tom da narrativa: entre o intervalo da jogo e a esquina mais famosa de São Paulo, Rafael depara-se com um intrigante personagem, o mendigo José Simeão que, em meio ao anonimato das ruas, acaba por tornar-se figura quase onipresente nesta paulicéia dos anos setenta. Nas palavras do autor, “O mendigo, considerado louco no ambiente urbano do século XX, poderia ser considerado um sábio místico se estivesse no século XVII”, considera o autor, oferecendo uma chave instigante para a leitura de sua mais recente obra. 78 pode ser interpretado como uma metáfora do constante embate entre modernização e atraso presente na cultura brasileira. No texto, vêm à tona temas como misticismo, religiosidade, futebol, contracultura e política, durante o período da transição democrática brasileira.

1978 é um período de contrastes entre avanço e retrocesso, entre misticismo e ciência, entre o rudimentar e o refinado. E ainda: “No Brasil, muitas vezes, o que é antigo é tido como condenável. Este livro fala de resistência, da virtude do que é ancestral”, provoca Cid.

O livro, publicado pela Editora 7Letras, será lançado nesta quinta-feira em Brasília (DF), cidade onde mora o escritor.

Sobre o autor: Marcelo Cid é diplomata em Brasília e escritor. Autor de livros de contos e romances, traduziu obras em latim e é organizador de obras de crítica literária e de uma antologia de literatura. Publicou pela 7Letras, Ateliê Editorial e EDUC. Seu romance Unicórnios foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura em 2011.
dezembro 08, 2016


E pra quem achou que novembro foi um mês de poucas cartinhas (esses Correios... puxa), dezembro já chegou com umas 42 atropelando o caminho. Risos. Enfim, continuando a postagem anterior, que falava de wishlists literárias e sugestões de presentes, o post #2 da série (sim, acabou virando série <3) apresenta uma indicação de leitura que chegou pra gente através do jornalista José Fontenele, responsável pela agência literária Oasys Cultural (aliás: atenção, novos autores! Super indicação pra quem está começando no meio literário, viu!). E como aqui no Blog gostamos demais de poesia e também de novos autores, José indicou a leitura do livro Se o vento diz, do também carioca José Fernando Guedes, publicado em parceria com a editora 7Letras. Gostei da ideia e fui procurar o livro do autor no site da editora, e a encomenda chegou bem rápido, e ainda com um livro de presente <3 Fica também a dica da 7Letras (não só pelo livro-brinde, ok? risos) pra quem curte conhecer o trabalho de novos autores, especialmente no segmento da poesia. 

Abaixo, os livros que recebemos e mais algumas sugestões de leitura:

Se o vento diz - 2ª edição
José Fernando Guedes


José Fernando Guedes mostra que os sentidos de um poeta captam o mundo de forma única: vê aquilo que nos escapa durante a incessante busca por novos horizontes; ouve o que cada som, cada timbre, cada voz tem a dizer e traduz o imenso turbilhão de emoções para o verso. Se o vento diz, devemos parar para escutar.   






A casa do fim
José Riço Direitinho   


A casa do fim, livro de estreia de José Riço Direitinho, publicado originalmente em 1992, apresenta breves contos, em que se inscreve a relação mágica, telúrica e visceral que o homem mantém com o desconhecido, tendo como pano de fundo um mundo fechado, insólito e rural. São histórias de amores e desamores, de sabedorias populares antigas, de um Portugal em extinção, ou já a dar seus últimos estertores.





Solange Rebuzzi   

Um misto de ensaio, relato de viagem e obra autobiográfica, as Oito noites em Veneza da poeta Solange Rebuzzi trazem um passeio literário pela mítica cidade italiana, revelando muitas histórias ali vividas pelos mais diversos personagens, incluindo alguns dos artistas mais importantes de suas épocas. A sensibilidade da poeta mistura sua memória afetiva e sua história familiar a estes tantos personagens, juntamente com as fotografias tiradas pelas lentes de José Eduardo Barros. Assim, a leitura da cidade fica ainda mais rica, ganhando um novo contorno e novos matizes a cada página.


Um caderno para coisas práticas
Annita Costa Malufe    


Quinto livro de poemas de Annita Costa Malufe, Um caderno para coisas práticas brinca com a ideia de anotação. Uma sequência de poemas – ou fragmentos de poemas – que se emendam como as páginas de um caderno de notas. Os temas vão e voltam e nunca se concluem. Personagens são esboçados e logo desaparecem. A escuta de vozes, que já conduzia seus livros anteriores, é o mote da escrita, da anotação rápida, da condução rítmica que tenta achar algum fio de continuidade entre estilhaços de histórias. Segundo o poeta Manoel Ricardo de Lima, que assina a orelha do livro: “[...] a ideia de Annita com esse livro é nos colocar diante do fonocentrismo frouxo de nosso tempo agora através da simulação da autobiografia (procedimento que retira com força e incorpora de alguns poetas e artistas que lê e vê e gosta muito, como tarefa política), é também nos colocar diante da impossibilidade de qualquer autobiografia.


E a 7Letras também está com dois lançamentos imperdíveis: "A mil beijos de profundidade" e "Atrás das linhas inimigas do meu amor", ambos do compositor Leonard Cohen, uma das grandes perdas do cenário musical deste ano... Os livros estão em pré-venda e podem ser adquiridos pelo site da editora mesmo.


O músico e compositor canadense Leonard Cohen é também (e antes de tudo) um poeta brilhante, como poderá ser visto nesta antologia de sua obra, em edição bilíngüe. Mais uma preciosa raridade poética que apresentamos em primeira mão para o leitor brasileiro.


E vocês, já conheciam a 7Letras? Vamos conhecer novos autores nacionais de poesia e romance? :)




Sobre a editora: A 7Letras iniciou suas atividades numa pequena livraria no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Pioneira no sistema de impressão por demanda, publicou diversos livros de poesia em pequenas tiragens em meados dos anos 1990. Com o reconhecimento dos leitores e da crítica especializada, passou a expandir seu catálogo com publicações acadêmicas  em diversas áreas -- com destaque para Filosofia, História e Ciências Sociais – e com a criação das revistas literárias Inimigo Rumor (dedicada à poesia) e Ficções (de prosa), que ajudaram a revelar vários nomes importantes no cenário da literatura brasileira contemporânea. Algumas centenas de títulos, alguns milhares de leitores e diversos prêmios literários depois, a 7Letras abre em 2012 uma nova livraria, agora em Ipanema -- e continua com seu importante trabalho de garimpagem e revelação de novos autores, sempre com soluções criativas para trazer a público o melhor da arte literária brasileira e internacional.


Sobre a Oasys: Oasys Cultural é uma empresa de produção cultural que atua, desde 2008, nos segmentos de curadoria e produção de eventos literários, agenciamento de escritores e projetos editoriais e de comunicação.

Trabalhando com ética, dedicação e criatividade, nossa missão é atender o cliente a partir da escuta e compreensão de suas necessidades, realizando um serviço excelente e completo.

Um oásis é um lugar de pausa, beleza, descanso, abundância e nutrição. No caso da nossa empresa, é o local de reunião de alguns dos melhores escritores da literatura brasileira e estrangeira. Contadores de histórias que encantam o mundo com suas palavras e narrativas, constituindo verdadeira Cultura.