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setembro 11, 2015



Playlist inspirada no livro Nós, de David Nicholls, com clássicos da época de nossos pais e que ainda tocam em algumas Rádios FM. Sim, caro leitor, recomendo uma breve desplugada no Spotify para esta pequena seleção da época dos vinis, dos penteados volumosos e dos bailinhos. Afinal, os tempos mudam, mas as canções do mal de amor serão sempre... parecidas. De alguma forma parecidas.



1. Carole King - It's too late
There's somethin' wrong here
there can be no denyin'
One of us is changin'
or maybe we've just stopped tryin'

2. Seals And Crofts - Summer Breeze
(essa talvez você conheça, o Jason Mraz já fez uma cover)
See the smile awaitin' in the kitchen
Food cookin' in the plates for two
Feel the arms that reach out to hold me
In the evening when the day is through


3. Procol Harum  - A Whiter Shade Of Pale 
(essa música aparece em um episódio de House
She said, 'There is no reason
And the truth is plain to see'


4. The Carpenters - Superstar
(tem versão do Sonic Youth)
Loneliness is a such a sad affair
And I can hardly wait to be with you again


5. The Marmalade - Reflections Of My Life 
I'm changin', arrangin', I'm changin'
I'm changin' everything, ah everything around me
The world is a bad place, a bad place
A terrible place to live, oh but I don't wanna die


6. Al Stewart - Year of the cat
She doesn't give you time for questions
As she locks up your arm in hers
And you follow till your sense of which direction
Completely disappears


7. Fleetwood Mac - The Chain
(tem versão da Florence)
And if you don't love me now
You will never love me again
I can still hear you saying
You would never break the chain


8. Heart - Crazy On You
You don't need to wonder, you're doing fine
And my love, the pleasure's mine
Let me go crazy on you





Confira também a Playlist criada pela Intrínseca :)
setembro 07, 2015


Primeiro mandamento: Não julgue um livro pela capa. Por sua sinopse, talvez. O mesmo vale pessoas, principalmente pessoas. Mas quando nos deparamos com um autor desconhecido e o último capítulo de uma saga favorita, dificilmente escolheremos o personagem sem referências. A não ser é claro que você seja um fã incondicional de todo e qualquer lançamento (e sociabilidade) possível. Mas, em geral, não somos assim, e o estranhamento nem sempre será nossa primeira escolha.

Mas então, terminei o Nós, e na parte 1 comentei alguns dos porquês de ter gostado do livro. E neste meio tempo encontrei leitores que não conseguiram sequer chegar ao meio da história. Olha, concordo com vocês, a vida seria tão mais fácil se não fôssemos tão irritadiços (e talvez por isso o mundo ranzinza do personagem de Nicholls não seja a melhor das leituras). Mas você consegue tolerar alguma situação ou relacionamento só para evitar a dor (e o cansaço) de perder esta alguma coisa ou alguém? Ou você consegue com facilidade se desapegar de tudo o que não faz bem e sem pensar muito nas consequências?

Concordo com Nicholls que em algum momento (talvez aos quinze, vinte e cinco ou aos cinquenta) a vida simplesmente acorde 'embolada' demais, cheia de 'nós', e quase pronta a se romper de tanto conserto e remendo. E nestes momentos não há muito o que decidir: ou vivemos de menos, para que o tecido da História não entre em desalinho, ou vivemos demais e nos conformamos (melhor seria aprendermos) com as cicatrizes de cada dia. 

Eis o que somos, eternos alfaiates, por vezes costurando o melhor dos ternos, mas (na maioria das vezes) também costurando lycra com seda e ficando pelado na primeira chuva que descostura o tecido.

Enid and Seymour

Ghost World (2001) 

Esse vídeo é ótimo (clique na imagem para vê-lo no Youtube), trecho de um filme chamado Ghost World, baseado em uma história do quadrinista Daniel Clowes, e que apresenta um pouco dessa inadequação com o mundo a partir de três personagens: Enid (Thora Birch), Rebecca (Scarlett Johansson) e Seymour (Steve Buscemi). O filme começa com Enid e Rebecca despedindo-se de seus anos de high school, e também da própria adolescência. Em tese, pois Enid é o oposto de sua amiga, e sua vontade de sair de casa, trabalhar e rascunhar algum início de vida adulta é quase nula. Talvez por seu medo de não mais viver o que lhe é familiar, afinal, o desconforto será sempre uma de nossas últimas opções dentre as opções de vida possíveis.

I can't relate to 99 percent of humanity / Não consigo me identificar com 99% da humanidade (diálogo final do vídeo acima) representa bem esta 'motivação cética' de Enid, que poderíamos resumir como há todo um mundo que não entendo e por isso não o quero; agora tragam-me um café, por favor. Já Seymour é a personificação da insegurança sincera, e neste algum momento de amizade com Enid ambos encontrarão um espaço para uma improvável nova vida. Até que....

Até que a vida real assuste Enid e alguns nós sejam finalmente desatados; até que a vida real faça com que Seymour desperte da crueldade da matrix e comece a finalmente viver. 

Não, a vida não será fácil, mas nem por isso precisamos interromper nosso diário quando "o acidente do meio pro final da história" chegar.

É o que esperamos; e é o que o Nós nos deseja (assim acredito).

Ps:

Façamos um exercício: Se fôssemos criar um Museu de Nós Mesmos, 1) criaríamos uma grande lista de recordações (boas) e as apresentaríamos cronologicamente (ou talvez por 'ordem de importância') em todas as salas e corredores do Museu, ou 2) destacaríamos de nosso diário apenas os momentos realmente muito importantes e os apresentaríamos todos em uma só parede, como um grande mapa onde cada ponto da história sustenta o seguinte e por isso todos (ainda que não sejam muitos) precisem estar sempre juntos para que façam algum sentido?

Qual das opções você escolheria: um "Louvre" de histórias independentes ou um quebra-cabeça de histórias que só se encaixam com o tempo? Taí talvez um segundo assunto sobre o qual poderíamos escrever...
  

David Nicholls, Nós. RJ: Intrínseca, 2015.

Terry Zwigoff, Ghost World, 2001.
setembro 01, 2015

Então eu comecei a ler o tal do Nós, livro seguinte ao Um Dia, do escritor David Nicholls. Sei que deveria comentar a história apenas quando a tivesse terminado mas... não consigo, especialmente quando o início do livro já me diz alguma coisa.

E alguma coisa tipo: logo no início há um personagem tão... parecido comigo.

Um rabugento. Risos.

O livro começa com a narração de Douglas, Douglas Timothy Petersen, pai de Albie e esposo de Connie, que já nas primeiras linhas comenta o fim de seu casamento. De forma irônica até, apesar da aceitação-dos-fatos e da saudade. E parece-me que este será o tom de todo o livro. Assim espero.

Douglas então amanhece com o fatídico "não é você ou eu, o problema somos nós" e começa a narrar os dias em uma sequência de capítulos curtos, alternados por memórias de eventos muito antigos - como os do início dos bons dias de seu casamento, ou seja, há muitos anos - e que farão um 'sentido maior' para o leitor lá pelo meio da história, ao que parece. Assim espero também.



Então temos já um bom material para uma conversa: o fim de um casamento; o tédio (e o eventual desprezo) que surge de um convívio muito prolongado com alguma coisa ou alguém; as monumentais discussões quando as personalidades do par romântico tornam-se incompatíveis (afinal, essa coisa de Eduardo e Mônica só é bonitinha na letra do Renato Russo), enfim, todo um acervo de problemas conhecidos e totalmente identificáveis.

Mas, por enquanto, destes não falaremos, pelo menos não neste post, pois há uma cena que induz um assunto que merece toda a nossa atenção. Acompanhemos:

(p. 28) A massa de atum gratinada desceu como argila quente, e o monólogo de Jake continuou durante a sobremesa, um pavê de xerez irônico, coberto com creme de leite, confetes e jujubas suficientes para suscitar o surgimento de diabetes tipo dois. Connie e Jake se inclinavam sobre mim agora, os feromônios umedecendo o ar entre os dois, o campo de força erótico afastando minha cadeira cada vez para mais longe da mesa até eu ficar praticamente no corredor com as bicicletas e pilhas de Páginas Amarelas. Em algum momento, Connie deve ter percebido isso porque ela se voltou para mim e perguntou:
          - Então, Daniel, o que você faz?
         'Daniel' me pareceu próximo o bastante.
         - Bem, eu sou cientista.


¬ ¬  judging you


O desconforto. O tempo que se arrasta quando somos obrigados a participar de alguma circunstância social que não gostaríamos. E circunstâncias do tipo festas talvez (mas quase dizendo certamente) sejam das mais traumáticas dentre os inimagináveis eventos sócio-traumáticos da vida! Enfim.

No caso de Douglas, à época um homem em seus quase trinta, seu desafio seria a participação em uma festinha organizada por sua irmã (não-nerd, claro), onde 'finalmente' poderia "conhecer gente nova e quem sabe um amor". Mas a festa estaria repleta de expoentes da sociedade criativa, o que inclui artistas com formações e currículo indefiníveis, e também seres 'sustentáveis' e lindos, como Jake, o trapezista ruivo de inflamável discurso social e um simpático ego sem fim.

Pois bem. Nem sempre a vida será este eterno clube imaginário onde, tal como em The Big Bang Theory, personagens do tipo opostos compartilham fluidos, amor e demais químicas; na vida - e na festa - real, estaremos sempre de calça cáqui e rabo de cavalo em meio a um algum grupo de pessoas com cabelos assimétricos e pós-graduação em Estudos em Ventriloquismo e Artes Mímicas em alguma cidadezinha na Bulgária. 

Não é fácil essa vida. No entanto, e de uma forma quase inevitável, precisamos carregar no bolso algum kit de sobrevivência para situações desconfortantes, e aprender que mesmo nos piores cenários sociais o Charlie que habita em nós encontrará Sam e Patrick, e com eles compartilhará movimentos desajeitados e instantes de alegrias infinitas.

Ah, o amor! Por quê gente sempre termina - ou começa - as histórias com isso...


Não sei se por coincidência ou se por minha atenção estar um tanto "atenta" a este assunto (não especificamente o do amor, e sim o do desconforto) mas praticamente todas as histórias que li neste ano lidam com alguma ideia de inadequação, daí o As vantagens de ser invisível vir sempre à mente, daí a citação no parágrafo anterior, talvez por ser esta história um primeiro lugar na classificação de histórias onde o mundo simplesmente dói e doerá ainda mais se sairmos dele.

Mas olha, o tal do David Nicholls é um bom autor sim, e eu quero muito que este livro termine bem, e que haja algum conforto para o coração e o cotidiano de todos os seus personagens.

Sobre o tal do Louvre e da Matrix, fica pro próximo post, pois ainda estou desconfiada e preciso ler até um pouco mais da metade pra ver se nada de tão bizarro acontece e interrompe meu interesse pela história. Aguardemos então.