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julho 31, 2017


"Havia espaço suficiente para ser qualquer pessoa – qualquer uma, exceto a que ele já fora, porque se tinha uma coisa que Colin tinha aprendido, era que não se pode impedir o futuro de acontecer. E pela primeira vez na vida, Colin sorriu pensando no futuro infinito que se descortinava à sua frente."

Continuando com a nossa coluna sobre “os gênios também amam”, a resenha da vez é O Teorema Katherine que, apesar de não ser nenhum lançamento, é um livro o qual eu nunca havia dado uma chance com receio do título (e tenho amigos que são fãs do autor que também não haviam lido esse livro pelo mesmo motivo) haha. Então, essa coluna veio muito a calhar, pois me deu a oportunidade de ler histórias que naturalmente eu não leria.

O Teorema Katherine conta a história do Colin que é fissurado pelo nome Katherine e já namorou 19 garotas com esse nome... Bem, na verdade nenhum desses namoros foi bem sucedido, mas o Colin é um garoto super inteligente e muito focado, ele se apropria de suas frustrações amorosas para criar um teorema que cataloga as pessoas de duas formas.

Assita a vídeo resenha e confira.


E você? Já leu esse livro? Conhece algum outro livro com essa temática? Deixe seu comentário que eu vou adorar saber.

Até a próxima!
fevereiro 18, 2017

Por tanto gostarmos de muitas vozes em nossas conversas, pensamos em criar mais uma editoria assim coletiva, inspirada é claro em nossa série de posts Uma semana e(m) um dia. E como uma das coisas que mais gostamos é aumentar a wishlist e falar de livros com os amigos, apresentamos o Recomende um Livro, uma nova editoria do blog, onde diversos blogueiros convidados compartilharão suas dicas de leitura. Para esta primeira edição, o tema será Livros Inesquecíveis. Confira!



Meu livro Inesquecível:  Extraordinário
Autor: R. J. Palacio
Editora: Intrínseca
Ano: 2013

Falar em um livro inesquecível e não lembrar de Extraordinário de R. J. Palacio seria como esquecer parte de mim. A história do menino Auggie e seu rosto incomum me fez ver como damos importância ao externo, ao supérfluo, e abandonamos o essencial (o invisível para os olhos). August Pullman me ensinou a ser grata, a ser forte e principalmente, a ser gentil! Por isso sempre lembro e guardo com carinho tudo o que aprendi com esse livro maravilhoso que para além do bullying, trata da empatia e do amor pelo próximo.


Rachel Motta

Meu livro Inesquecível:  Faça amor, não faça jogo
Autor: Ique Carvalho
Editora: Gutenberg
Ano: 2014

Durante muitas e muitas noites eu chorei sozinha. No monitor do meu notebook, algumas breves linhas de Ique Carvalho, do blog The Love Code. Um blog lindo que fala de amor. Amor de homem e mulher. Amor de pai e filho. Ique, além de nos brindar com textos deliciosos, nos expande a emoção com sugestões de clipes musicais para acompanhar a leitura. Do blog, migrei para o livro e posso assegurar que Faça amor, não faça Jogo é um daqueles que não pretendo nunca me desfazer (apesar de eu estar numa vibe desapega de livros, trocando ou doando). O texto de Ique Carvalho é um alento para todos aqueles que acreditam na supremacia do amor. É também uma esperança por mais homens sensíveis no mundo. Por mais e mais pessoas que possam abrir o coração sem medo, sem jogo e sem amarras. (Pisquei três vezes).



Meu livro Inesquecível:  Eva
Autor: William P. Young
Editora: Arqueiro
Ano: 2015
Eva foi um livro que me levou de volta à histórias que ouvi desde à infância, sobre a criação do mundo por Deus, a criação de Adão e Eva e o primeiro pecado com a consequente expulsão do Paraíso...mas esse livro me levou até lá de uma maneira que jamais poderia prever!

O suspense, o drama das personagens, a realidade dos relacionamentos misturada à fantasia dos cenários e acontecimentos, fez desse sucesso de William P. Young um livro tão ou mais inesquecível que A Cabana, pois traz no seu desfecho uma reflexão daquelas que se leva para a vida, pra sempre. 




Como sou nova por aqui, aproveito pra agradecer o convite pra colaborar com o post e me apresentar: sou a Rafaela, tradutora freelancer e encadernadora nas horas vagas, além de dona desnaturada do Undone throughts. Sempre amei os livros, o cinema e a música e resolvi retomar meu blog numa tentativa de dividir um pouco das minhas paixões com leitores desavisados que topam comigo. Aí a Rebeca me pediu pra falar de livros inesquecíveis e o tema me pareceu ótimo e impossível: ótimo porque tenho muitas memórias maravilhosas associadas com a leitura e com o que senti enquanto lia e impossível porque tenho uma listona de nomes que eu poderia citar. Sou dessas que se anima toda pra indicar livros, sabe? Mas decidi manter a lista curta pra fingir que sou controlada:

Preciso começar com Cem anos de solidão (1982), do García Márquez, porque foi o primeiro livro que li dele e o que foi um divisor de águas pra mim. Li quando era adolescente e lembro e ter pensado “ah, então é isso que a literatura pode fazer?!” e um mundo novo se abriu! Já devo ter lido umas três vezes e não me canso porque fico encantada com o realismo mágico e a capacidade do Gabo de criar uma história tão linda e trágica pra família Buendía. Tem cenas lindíssimas que enchem a imaginação de cenas incríveis – e nunca mais olhei pras borboletas amarelas do mesmo jeito! Menção de honra pra Frankenstein (1818), da Mary Shelley – sempre um clássico tanto pelo tema que segue relevante quanto pela estrutura narrativa que me fascina – e pra O morro dos ventos uivantes (1847), da Emily Brontë – que segue sendo um dos meus romances favoritos, cheio de elementos da literatura gótica e tratando como poucos do amor, do ódio e da vingança. E por falar nos queridinhos do meu coração, não posso esquecer das Crônicas Vampirescas (em especial os três primeiros volumes), da Anne Rice, que me apresentaram ao Lestat e companhia e continuam sendo as melhores histórias de vampiros que já li. Das leituras mais recentes, faço questão de falar de A little life (Uma vida pequena, 2015), da Hanya Yanagihara, que acabou comigo. Que livro maravilhoso! Me deixou no chão, sim, mas acredito que tenha sido uma das coisas mais relevantes que li nos últimos anos: o livro conta a história de quatro rapazes que se conhecem na faculdade e da amizade deles que se estende pela vida adulta. São todos muito diferentes (social, econômica, e emocionalmente falando), mas eles compartilham o amor pela arte e por eles mesmos que serve de base pra essa relação duradoura. Um dos amigos, o Jude, é todo misterioso e, aos poucos, vamos descobrindo os segredos do passado dele que é, confesso, doloroso e até inimaginável. Um livro sobre a amizade, a aceitação, a depressão, o luto e, acima de tudo, sobre o amor, nas mais diversas formas.



Um livro inesquecível pra mim, e que passou diversas vezes pelo meu caminho, é As crônicas marcianas, do norte-americano Ray Bradbury. Ele foi publicado originalmente em 1950 e é formado por uma série de contos que narram a colonização humana em Marte.

Apesar de se enquadrar em várias convenções da ficção científica, As crônicas marcianas é diferente de outros livros do gênero (como A guerra dos mundos, por exemplo) justamente por mostrar a raça humana como o povo invasor, e a raça marciana como o povo invadido. Com isso, Bradbury aborda de forma crítica a relação das pessoas (especialmente os norte-americanos) com culturas diferentes das suas. No livro, os marcianos são inteligentes e desenvolveram formas muito particulares de filosofia, arquitetura e música. Mas isso não faz muita diferença para os humanos, preocupados demais em transformar o Planeta Vermelho numa filial da Terra.

Além de tratar do choque cultural, As crônicas marcianas ainda aborda outros temas que continuam atuais, como ecologia, racismo e censura, embora também estejam presentes assuntos datados, como a Guerra Fria, por exemplo. Também é curioso notar que, na imaginação do autor, o primeiro foguete em direção a Marte é lançado em janeiro de 1999! 

Algum tempo depois da minha primeira leitura, As crônicas marcianas foi utilizado por mim na minha monografia de pós-graduação em Língua Inglesa e Literatura (ao demonstrar como a ficção científica pode ser uma ferramenta de compreensão do “outro”). Quase que simultaneamente, o livro foi o primeiro a ser resenhado no blog Valeu, Gutenberg!. Nada mais justo, né?

dezembro 11, 2016


Rebeca 

I promise you and I will see it through
You lay dreaming?
The endless light you shine on me
All I needed

(Tesseract, Tourniquet


Compartilhar a solidão e o falsete, e não o melhor de nós mesmos. A indefinição não é o que esperam de nós, um caderno de sombras não é o que você espera de mim. 

Em um canto de boca palavras se despedem. Em roucas páginas fora de ordem, a vida é um espelho que por vezes entristece.

Alguns encontros acontecem assim: o silêncio é um quarto onde habitam os surdos, e nesta multidão conhecemos o mu(n)do. Em desalinho em rascunho em desacordo em que seja.

Acho que a semana de todos foi meio assim, vagando em seu próprio tumulto.

Post #8 da série. Os anteriores estão no link.


Bruno


Não saí de casa esse fim de semana, o que me fez muito bem. Resolvi voltar ao (básico) estudo de língua alemã, idioma que eu abandonei os estudos após falta de tempo e paciência. Por incrível que pareça (ou não), a coisa que mais me fascina na cultura alemã e austríaca não é falado em alemão, e sim no idioma universal da música: a música clássica. Então, meus agradecimentos a esses países que nos deram Bach, Beethoven, Brahms, Mozart, Schumann, Mendelssohn, Wagner e tantos outros que eu ainda não tive o prazer de ouvir.  Segue o link de uma obra prima de Mendelssohn: Op 64 Concerto para violino em mi menor



Jonatas

Nossa vida é escrita e reescrita continuamente, como um sonho do qual despertamos sem saber que estamos em outro sonho, em camadas sucessivas, sem fim. Apesar de a escolha do caminho deste campo onírico depender da dimensão de nossa vontade, há certa grandeza indeterminável que nos assalta de surpresa, coisas tão óbvias como a perda de pessoas que amamos.

Desculpe-me se não trato hoje do que de fato deveria falar: o livro que estou lendo, algum museu ou parque que visitei, músicas favoritas e comoventes, filmes interessantes etc. etc., mas não sou capaz de distinguir a arte que aprecio da vida que me atravessa, como sempre me ensinou um grande amigo que perdi nesta semana. Segundo ele, nossos sonhos estão em um contínuo crescimento, uma ave que sobe infinitamente por um céu de um azul que nunca se acaba, ou um peixe que submerge e submerge sem nunca conhecer os limites da escuridão do mar. “Jonatas,” ele repetia. “O sonho sempre aumenta, ele sempre aumenta”. Confesso que nunca compreendi bem o significado daquilo. Quando me encarava com aqueles olhos arregalados da extensão do horizonte e sorriso de uma criança que acabou de descobrir o motivo de o céu ser azul, eu apenas concordava. Sempre me impressionava com a forma de meu amigo dizer, talvez por entender que ele também se impressionava com a minha própria forma de dizer as minhas palavras. “Jonatas”, repetia depois de dar um tapa nas minhas costas. “Você é muito maluco”, e ria um riso que passava pouco do seu interior, como se ecoasse em uma caverna sem fundo.

Acho que meio que percebia algo de familiar no reflexo daqueles grandes olhos de Buda. Talvez fosse isso que ele quisesse dizer. Cada vez que voltamos para casa naquele largo trecho de estrada que o ônibus percorria, talvez estivéssemos de certo modo um crescendo nos olhos do outro. Não sei. Não tenho certeza se era como ele afirmava, se estávamos crescendo, mas atesto que além de dois caras voltando para casa, éramos rastro meio consciente de nossos próprios sonhos.

Sei que conjecturar aqui não é tão pertinente e adequado, mas Gulever me mandaria aos infernos se me abstivesse de me expressar o que desejo por causa de mera formalidade. Então, em honra dele, digo: creio que seja a inevitabilidade da morte, essa é a palavra, que a inevitabilidade da morte outra misteriosa dimensão de grandeza à vida. Ela nos revela a certeza da eternidade, e há uma grande chance de jamais saber o porquê, nem mesmo depois de minha própria morte eu vá saber. Enfim. Tenho certeza de que Gulever gostaria muito de ouvir isso. E de certo modo, ouvir isso de mim mesmo é como se ele ouvisse. Você sabe. É impossível que se vá a parte dele que eu guardei aqui, dentro de mim. Estamos no mesmo sonho. Não há como fugir. Fico feliz em saber de tudo disso.



Regiane

Onde moro não tenho oportunidades de participar de Clubes de Livros, uma prática tão antiga e ao mesmo tempo tão pouco difundida em nossa atualidade.

Era muito comum em algumas sociedades a leitura coletiva como forma de distração e até mesmo como evento social. Não me refiro aos saraus, onde artistas de todos os segmentos se unem e compartilham seus trabalhos, mas entre famílias, onde todos se reuniam para jantar e, em seguida, para a leitura de clássicos atemporais, prática comum em países europeus antes da Revolução Industrial mudar a maneira como as pessoas gastavam seu tempo e posses. Também existiram pequenas sociedades literárias compostas por mulheres em momentos complexos da história americana, como o período da Guerra Civil, onde as mulheres não tinham outras atividades além do cuidado com a família e serviços religiosos. A leitura proporcionava a elas distração e aquisição de conhecimento, além de lhes fortalecer o espírito na espera do fim de um período tão nebuloso.

A leitura tem um grande poder social e por isso é tão triste que não seja uma ferramenta mais utilizada atualmente, para cumprir esse papel de forma mais efetiva. Mas, nem tudo está perdido! Acompanhando alguns amigos na internet, já vi duas iniciativas de leitura coletiva que tem tido sucesso. Uma delas tem como moderador o lindo do Diego do Blog Vida e Letras, onde a cada mês é possível trocar ideias sobre livros dos mais variados gêneros e autores. Outra iniciativa bacana é o #LeiaMulheres que conheci através da Ilmara do Blog Conversa de Livro, cuja proposta é discutir textos escritos por mulheres. E coincidência ou não, ambos acontecem na Bahia - arretados esses dois viu?

Mas falei tudo isso porque, como afirmei no início, não tenho essas oportunidades por aqui (tão perto e tão longe do Centro de São Paulo tsc tsc, c'est la vie), então me resta apelar pra leitura coletiva na internet mesmo - risos - e que bom que tenho amigos para isso. Aproveitando a chegada do clima natalino, a Stephanie do Ig @stebookaholic propôs a leitura do livro O Presente do Meu Grande Amor, composto por 12 contos natalinos escritos pelos autores mais influentes do cenário Young Adult atual - tem Rainbow Rowell, Gayle Forman, Jenny Han e David Levithan, só para vocês terem uma noção da qualidade - e organizados pela Stephanie Perkins que também está muito bem cotada no gênero.

Esse livro estava escondidinho na minha estante, embalado ainda e, para minha vergonha, sem previsão de leitura devido ao meu TOC particular de pegar os livros da estante para ler na ordem em que estão dispostos: por ordem alfabética de sobrenome do autor. Eu sei, loucura!!! Por isso resolvi participar dessa leitura coletiva, e confesso que estou me surpreendendo.

Também é a resposta a um pedido da minha amiga Rebeca para ler mais YA - não tenho culpa se as narrativas do gênero são em sua maioria feitas pela mocinha, o que já me faz desistir antes de começar (gargalhadas). Podem xingar, eu deixo!!! Mas, como os contos são curtos, talvez eu supere essa minha aversão. Nada como um bom desafio literário para nos instigar nesse período de cansaço extremo do ano.

Enfim, só para constar, já li os dois primeiros contos e são realmente mágicos. Como o Natal deve ser.

Ótima semana com ótimas leituras.
Beijos!!! 
dezembro 08, 2016

"Ellie relê a carta e se vê, inexplicavelmente, com os olhos cheios d’água. Não consegue desviar o olhar da letra grande, cheia de volteios. A urgência das palavras a toca mais de quarenta anos depois de elas terem sido escritas. Ela vira a carta, confere o envelope em busca de alguma pista. Está endereçado à caixa postal 13, Londres. O que você fez, caixa postal 13?, pergunta ela mentalmente. 

Então se levanta, repõe a carta cuidadosamente no envelope e vai até o computador. Abre a caixa de mensagens e pressiona “atualizar”. Nada desde a mensagem que recebera às 19h45.
 

Tenho um jantar, linda. Desculpe — já estou atrasado. Até. Bj."

Jojo Moyes gosta de temas complicados. Após minha terceira leitura dentre suas obras, acho que posso chegar a essa conclusão. A Última Carta de Amor é como um soco nas últimas costelas, uma região sensível e delicada, mas particularmente dolorosa de nosso corpo. É um drama adulto, sobre pessoas adultas, mas que não sabem disso.

Preciso confessar logo de cara que não gostei desse livro como gostei dos lidos anteriormente. Não consegui, por mais recomendado que ele seja. Claro que, inicialmente, me senti apaixonada pela escrita da Jojo, que em nada deixa a desejar quanto às questões técnicas, mas não tive empatia com seus personagens. E isso pra mim é fundamental como leitora, eu preciso me ver em alguma parte da história para que ela não seja apenas mais uma leitura para passar o tempo.

Há muito conflito moral nessa história que mescla amores do passado e do presente, porém ambos com uma condição que até pode ter se tornado banal na sociedade atual, mas que de maneira alguma é tranquila: relações entre pessoas comprometidas. Talvez eu esteja sendo extensivamente moralista (minha criação não me permite ver com simpatia alguém - mesmo que seja um personagem fictício - que escolhe se envolver com uma pessoa casada), mas nunca fui fã de um romance “proibido”. Eles costumam acabar muito mal. E isso porque não há possibilidade de nenhum dos atores sair incólume. Alguém sempre se machuca no processo. “Tá, mas a vida é dolorida”, alguém pode pensar. E ela é, pra todos nós, mas isso não nos dá o direito de magoar outras pessoas propositalmente ou desdenhosamente.

Em momentos muito diferentes no tempo, conhecemos Ellie e Jennifer. Ellie é jornalista, moderna, inteligente e vive um caso com um escritor casado. Jennifer é esposa de um magnata, rica, bonita, supostamente agradável e fútil, até conhecer um jornalista e se apaixonar por ele, vivendo um tórrido romance. Ambas apaixonadas, ambas sofrendo pelo amor que sentem. E não consegui torcer por nenhuma das duas. 

Meu impasse com esse enredo se resume a isso, não tenho empatia com as personagens principais. Não consigo assimilar uma mulher que se diz moderna e independente, como a Ellie, ficar com um homem casado e não demonstrar nenhum tipo de remorso pelo sofrimento que está causando. Nem consigo admitir que ela justifique a si mesma que se o cara está com ela “é porque não é feliz no casamento”. Que desculpinha mais ridícula, vamos combinar. Quando um casamento não dá certo, as pessoas seguem suas vidas separadas, não ficam “procurando fora o que não encontram em casa”, esse é um pensamento medíocre e arcaico. 

O homem que decide ter um relacionamento extraconjugal é um safado pra dizer o mínimo, e se a mulher decide se envolver com ele mesmo sem garantias de que o futuro dos dois juntos é viável, ela invariavelmente sabe que vai dar tudo errado. Não vamos ser hipócritas e dizer que ela foi iludida, porque não foi. 

Da mesma forma, não sinto simpatia nenhuma pelo personagem de “pobre garota rica, que teve que se casar por status”. Até entendo as atitudes de Jennifer devido à época em que vivia e na sociedade em que estava inserida, mas achei-a de uma fraqueza detestável. Outras mulheres reais, da mesma época, conseguiram ser elas mesmas e não um mero enfeite em um casamento que nem consegue ser de fachada. Talvez essa fosse a intenção de Jojo, não nos dar uma heroína, mas alguém com defeitos e falhas, como todo mundo.

Boot, "o galã" da história, nem de longe conseguiu me cativar, apesar de suas missivas serem muito expressivas e até tocantes. É o que lhe redime, porque fora isso sua catarse como ser humano demorou muito a chegar. Aliás, esse é um dos pontos negativos do livro, a história se arrastou muito para o meu gosto, muitas cenas foram desnecessárias, não acrescentaram em nada aos personagens nem ao enredo e o momento em que finalmente entendemos o que de fato está acontecendo foi muito breve, assim como o aparecimento do único personagem que realmente achei instigante por seu humor ácido e sinceridade desconcertante: Rory. 

Sei que muitos ao ler essa crítica vão pensar: “mas é apenas um livro e isso acontece o tempo todo na vida real”. E eu entendo perfeitamente que a aura trágica de toda essa história acabe atraindo leitores de todo o mundo, afinal somos românticos incuráveis. Para mim, o problema é romantizar uma situação que não é bonita nem prazerosa, onde a suposta felicidade do casal ocorra à custa da infelicidade de tantas outras pessoas. Não estou dizendo que eles deveriam sacrificar seu grande amor em nome de outrem. Só estou dizendo que poderiam agir de outra maneira, fazer escolhas que ainda que causassem alguma dor, não provocariam tanto estrago em suas próprias vidas. 
 
Claro que sempre tem alguém para dizer: “Mas a gente não escolhe de quem vai gostar!”. E é verdade, não é uma escolha racional e consciente, mas isso não nos justifica. Podemos não ter controle sobre nossos sentimentos, mas podemos escolher se vamos nos envolver com outra pessoa que não está disponível e a quem vamos magoar nesse processo. 

A leitura foi mais lenta do que eu estou acostumada, mas não foi perdida. Jojo Moyes é uma autora excelente, sabe contar uma bela história sem ser repetitiva, ela não abusa do clichê, mesmo tendo licença para isso. 

O ponto alto do livro é justamente a maneira como Jojo distribui a história, mesclando passado e presente, mas sem nos deixar confusos com a cronologia dos fatos e os trechos de algumas últimas cartas e mensagens que ela angariou de diversas pessoas reais a cada início de capítulo, são emocionantes e nos remetem ao sentimento de Ellie quando leu as cartas de Boot. Algo entre a nostalgia do que foi e a saudade do que ainda não vivemos.

“Certa vez uma pessoa sábia me disse que escrever é perigoso, pois nem sempre podemos garantir que nossas palavras serão lidas no espírito em que foram escritas” – pg 368.


Sinopse: Londres, 1960. Ao acordar em um hospital após um acidente de carro, Jennifer Stirling não consegue se lembrar de nada. De volta a sua casa com o marido, ela tenta, em vão, recuperar a memória da antiga vida. Por mais que todos ao seu redor pareçam atenciosos e amáveis, Jennifer sente que alguma coisa está faltando. É então que ela descobre uma série de cartas de amor escondidas, endereçadas a ela e assinadas apenas por "B", e percebe que não só estava vivendo um romance fora do casamento como também parecia disposta a arriscar tudo para ficar com o amante.

Quatro décadas depois, a jornalista Ellie Haworth encontra uma dessas cartas endereçadas a Jennifer durante uma pesquisa nos arquivos do jornal em que trabalha. Obcecada pela ideia de reunir os protagonistas desse amor proibido - em parte por estar ela mesma envolvida com um homem casado -, Ellie começa a procurar por "B", e nem desconfia que, ao fazer isso, talvez encontre uma solução para os problemas do seu próprio relacionamento.

Com personagens realisticamente complexos e uma trama bem-elaborada, A última carta de amor, primeiro livro de Jojo Moyes publicado pela Intrínseca, entrelaça as histórias de paixão, adultério e perda de Ellie e Jennifer.
novembro 06, 2016

Fim de ano, livros e estudos acumulados (minhas saudações aos jovens do ENEM e concurseiros! Muita força nessa hora!), sem contar o trabalho no escritório que só aumenta. Ainda assim, a gente leva na mochila um caderninho e um livro e tenta não se perder na correria do dia-a-dia. Neste domingo, em meio a uma tarde chuvosa no eixo Rio-São Paulo, Jonatas e Bruno estão a duelar com o calendário, em uma necessária ausência para a finalização de suas leituras e projetos, que em breve estarão também aqui no blog. Enquanto isso, apesar do estresse do trabalho e da semana (ou talvez justamente por isso), Regiane e eu conversamos outras prosas, especificamente não-literárias, mais especificamente sobre Beleza. Sim, beleza, e não apenas livros :) Afinal, o cotidiano nem sempre é assim tão erudito, e compartilhar no blog um pouco desta "vida comum" é apenas mais um capítulo do que somos a cada dia, e que em nada irá nos distanciar de nosso projeto literário aqui no Papel Papel <3 Então, aproveitando que os garotos não estão presentes, vamos falar de beleza e livros sim :) Ah, e com a participação de uma amiga do Instagram, a Giselle, que compartilhou um depoimento sobre uma comprinha que alegrou a semana de sua família. Vamos às novidades:


Parte 1 - Comprinhas não-literárias


https://www.instagram.com/p/BMeqDsNg_8p/?taken-by=chapolinoficial

Rebeca Em algum momento do Instagram compartilhei meu espanto com a nova e necessária e dispendiosa rotina de quem está com cabelos longos e ondulados. Taí uma preocupação que não imaginei ter na vida, e tampouco comentar a respeito (a praticidade dos cabelos curtos e as poucas selfies por aí ajudavam bastante neste sentido. Risos). Ainda assim, com a infinidade de tutoriais e informações de beleza pelos blogs, a gente acaba mudando de ideia e procurando soluções para a preguiça os desafios de uma simples mudança estética. 

AMO é a sigla para Australian Macadamia Oil, ou, de forma prática: um produto à base de macadâmia, carregado na hidratação, e portanto perfeito para todos os cabelos não-oleosos do mundo. Pra mim, este leave-in da Yenzah é um dos melhores, mas acredito que a linha tenha sido descontinuada pois há meses não a encontro em lojas físicas aqui do Rio. Felizmente, em um momento de "acaso online", encontrei alguns itens da marca na Época Cosméticos, e com certeza passarei o fim de ano com um visual capital menos desarrumadinho. Felicidade é isso! Risos. 


Regiane Minha rotina de trabalho não me permite frequentar centros estéticos para que eu possa cuidar do meu corpo; e apesar de não ser tão vaidosa quanto se esperaria, tem alguns truquezinhos que uso em casa mesmo para manter minha pele saudável. Além de beber muita água (sem exagero, acho que bebo uns 3 litros por dia), também faço uso de alguns produtos práticos e que não exijam muito do meu tempo, como esse esfoliante corporal da Hinode, marca que vem crescendo no Brasil e que oferece produtos de qualidade comprovada. Ele é a base de leite de cereais, e deve ser usado durante o banho umas 3 vezes por semana no máximo, isso porque a função do esfoliante é livrar a pele das células mortas que ficam no nível mais superficial da derme. Caso você use diariamente um esfoliante, pode acabar lesando a pele, já que não haveria tempo para ela se renovar (#ficaadica). O legal do esfoliante é que você pode associar o uso dele com outros produtos como gel redutor ou promover uma hidratação profunda da pele com o creme ao qual está acostumada mesmo. Vai sentir a diferença, com certeza!!! Afinal, nossa pele merece!!!



Giselle  Eu sempre estou pesquisando sobre os melhores produtos e as novidades do mercado para cabelos cacheados, afinal, tenho uma princesa de 5 anos que tem molinhas lindas na cabeça mas que precisam de muita hidratação! Quando ouvi falar da técnica de lavar os cachos sem shampoo fiquei doooida, e na ansiedade por alguma linha lançada aqui no Brasil, porque as importadas eram muito caras. Foi quando apareceu a No Poo Low Poo da BioExtratus, e foi amor à primeira vista!!! Em uma semana de uso os cachos da minha princesa estavam visivelmente mais hidratados, definidos e com movimento! Me apaixonei pela técnica!  A melhor parte foi ouvir das amigas: - O que você faz com o cabelo da sua filha pra ficar tão lindo assim?!" Haha, lavar sem shampoo, com a linha da BioExtratus, e funciona mesmo!



Parte 2 - Pra não dizer que não falamos de livros... :)



Regiane


Sabe quando você fica encantada por um livro, mesmo sem saber muitos detalhes, mas por motivos inexplicáveis vai adiando a aquisição dele? Aconteceu com Extraordinário, um livro que há muito tempo quero, mas protelei em adquiri-lo, sei lá, sempre aparecia outro livro ou outra coisa pra me distrair. Porque comprei agora? Não sei. Talvez seja a proximidade do filme, ou mesmo mero acaso. O fato é que entrei em uma Americanas essa semana e dei de cara com ele, não resisti. Acho que poucas pessoas que eu conheço não leram a história de Auguie, um guri que mostra a todos a seu redor que ser diferente é o que nos torna extraordinários. Também chegou por aqui durante essa semana o segundo volume das Crônicas de Amor e Ódio, The Heart of Betrayal, de Mary E. Pearson, publicado pela queridinha Darkside Books <3 A história dá sequência à jornada de Lia, uma princesa nem um pouco convencional. Para saber um pouco mais, leia a resenha que o Jonatas já fez sobre o primeiro volume dessa jornada épica. Ainda não sei quando vou poder ler essas belezuras, mas podem apostar que vou contar tudo a vocês quando isso acontecer!

outubro 03, 2016


"Eu mal conseguia dizer o nome de Will. Ouvindo histórias sobre relações familiares, os casamentos de trinta anos, as casas, vidas e filhos compartilhados, eu me sentia uma fraude. Eu havia sido cuidadora de alguém durante seis meses. (...) Como eu poderia explicar que tínhamos nos entendido muito depressa, que compartilhávamos piadas simples, verdades bruscas e segredos sinceros? De que maneira eu poderia relatar que aqueles poucos meses haviam mudado a forma como eu me sentia em relação a tudo? Que ele modificara tão completamente meu mundo que nada mais fazia sentido sem ele?"

Lou Clark tem muitas perguntas. E o leitor também. Especialmente quando o amor atropela a vida e a própria vida atropela todo o sentido. Em Depois de Você, um ano ou dois são insuficientes para um novo começo, e a história de Lou é sinônimo desta saudade (e medo) que prevalece.

Por ter uma maior proximidade com as narrativas da perda através da escrita de outros autores (especialmente Matthew Quick em Quase uma Rockstar e A Sorte do Agora), confesso não ter me identificado com esta sequência de Jojo Moyes. Sim, esta opinião talvez soe um tanto polêmica, mas por também ter vivenciado uma situação recente de luto, passei a olhar a história um pouco mais pelo ponto de vista de Will, e não pela ideia de "redenção" que assombra o coração de Lou neste segundo livro.

Veja bem, não quero de modo algum desmerecer o sentimento de impotência de quem vivenciou e vivencia um grande trauma; porém, é importante aceitar que a fatalidade será sempre parte da experiência humana, e que para sobreviver será preciso conviver com cada chaga e ferida, e, principalmente, com suas cicatrizes. Daí ser um pouco difícil, enquanto leitora, me envolver com esta nova-mesma Lou, que leva suas dores para uma cidade e uma rotina de trabalho ainda mais doloridas, mesmo tendo recebido de Will o desejo e a real possibilidade de finalmente "viver uma nova vida". Lou poderia ter permanecido em sua introspecção e luto em qualquer outra realidade social, temporal e geográfica (sua irmã e pais, por exemplo, dificilmente teriam alguma oportunidade de 'recomeçar', já que seus papéis familiares estavam mais que determinados, não podendo "passar adiante", por exemplo, a responsabilidade de cuidar de um avô enferno e um filho pequeno, especialmente quando é pouca a renda familiar para a sobrevivência), mas Lou deliberadamente escolheu viver sob o teto de dor em que estava vivendo, e agregou ao seu pesar toda uma nuvem de novos dramas à sua vida.

"Nossa, que texto cruel e pessimista, hein!" É, de algum modo, caros leitores. Não é assim vida?... Eu pelo menos não consigo enxergar, admito, esta alguma ideia de redenção se não for de forma transcedental, ou seja, em/através de uma realidade além da humana. Mas não trataremos disto, no momento... Voltando a Depois de você, eis o que temos a ser considerado: de algum modo, por não "ter salvo" Will de sua "decisão-do-fim", Lou passou a acreditar neste necessário - ainda que indeterminado - período de martírio, especialmente quando uma "segunda missão" bate à sua porta em busca de um resgate e um pouco de empatia. Afinal, seria esta a oportunidade de "consertar" o destino que, ateriormente, por suas mãos não foi possível?

Jojo nos deixa esta e outras perguntas, e sempre-ainda o enredo mais difícil de toda a sequência, o da morte de Will no primeiro livro. Bom, enquanto escolha pessoal, eu Rebeca não defendo eutanásia ou quaisquer políticas de mortes assistidas; por outro lado, defenderei sempre a noção de responsabilidade individual, com todos os seus deveres e, principalmente, consequências. Dirão alguns: "ah, mas que escolha egoísta, Will não pensou na Lou, nem em sua família"... Bom, se nossa conversa tem como único princípio o sentimento de que os vivos é que sofrem com a perda de um ente querido, estaremos consideramos como menor a dor de uma pessoa que, por um mal qualquer que seja, permanece vivendo em condições nada satisfatórias... Enfim, esta não é uma realidade assim tão próxima do brasileiro, portanto, qualquer debate se firma em situações assim hipotéticas. Mas quando penso que Will escolheu o seu destino, Lou também teve a oportunidade de escolher o seu, e... É assim que a vida segue. Nem sempre com o final dos mais felizes, porém, na maioria das vezes, com aquela quase-última oportunidade de escapar ao precipício. Basta querer...

Como diria Renato Russo, toda dor vem do desejo de não sentirmos dor. Será que se pensarmos um pouco mais nisso a vida doeria menos?

...

ENFIM... :) Para espantar essa realidade cética demais rs, acompanhe agora uma leitura um pouco mais sensível, compartilhada por nossa amiga Gih Medeiros.



Depois de Você
Por: Gih Medeiros

É muito difícil falar sobre o luto, sobre a perda, de maneira que quem nunca passou por isso não se sinta desconfortável ou entediado (sim, tem gente que não liga para o que você sente depois de 4 meses, que é o tempo que o mundo costuma relevar as atitudes das pessoas que perderam alguém que amam).

Talvez por isso o livro Depois de Você tenha gerado tanta polêmica. Pois como Jojo Moyes poderia escrever uma nova história sem a presença de Will Traynor? Que graça teria? O que Lou Clark poderia fazer além de se acabar de chorar?

Bem, assim como na realidade (falo por experiência própria), a vida, bem ou mal continua para aqueles que ficaram, e achei muito corajoso por parte da Jojo ter mostrado o que aconteceu depois de tudo o que houve em Como eu era antes de você, algo que na maioria das vezes nos perguntamos ao término de um livro tão emocionante.

"Aprendemos a conviver com a perda, com as pessoas que nos deixam. Porque elas permanecem conosco, mesmo não estando vivas, mesmo não respirando mais. Não é a mesma dor avassaladora que sentimos no começo, aquela que nos invade e dá vontade de chorar nos lugares errados, que nos deixa irracionalmente irritados com todos os idiotas que ainda continuam vivos, enquanto quem amamos está morto. Mas aprendemos a nos adaptar. É como se acostumar com um buraco dentro de nós" (pg. 112)

Num estado de profunda depressão é que encontramos Lou Clark. Ela mora sozinha em Londres, trabalha num bar em um aeroporto onde pode fingir ser outra pessoa e se afastou de sua família, desde o ocorrido há 18 meses (leia Como eu era antes de Você). Não consegue voltar a ser como antes de conhecer Will e também não consegue seguir em frente, presa em uma espécie de limbo, onde é obrigada a se manter em movimento, mas sem ver nada do que ocorre ao seu redor.

Impulsionada pela raiva que sente da dor que não a deixa, ela tenta se anestesiar para que possa simplesmente viver um dia após o outro. Numa das vezes em que seus sentimentos a arrebatam e ela se entrega ao álcool como distração, sofre um grave acidente ao cair de um telhado. Esse acontecimento traz junto consigo uma série de outros que vão mudar a vida de Lou novamente. Primeiramente por proporcionar a reaproximação com a família, especialmente a mãe, que também tem passado por um momento de mudança ao tentar fazer algo por si própria que não envolva a vida doméstica. Segundo por levá-la (a contragosto) a frequentar um grupo de terapia de luto, onde ela conhecerá pessoas que passam por esse momento delicado e encontram ali um lugar seguro para falar de seu sofrimento, que é estranho e único para cada um.

Também é nesse momento, em que Lou tenta seguir sua vida sem ser perturbada o tempo todo pela presença constante de Will, que alguém ligado ao passado dele aparece para bagunçar de vez a rotina que ela tentou criar para si mesma.

Durante essa jornada pela busca do débito de uma dívida que Lou imagina ter com Will, ela vai descobrir mais sobre si mesma do que imaginou conhecer a vida inteira, finalmente descobrindo que é possível amar novamente, mesmo que seu coração ainda se dedique a alguém que não se faz mais presente e que somos pessoas em constante evolução, buscando alcançar nosso máximo potencial, enquanto estimulamos os outros a fazer o mesmo, ainda que isso signifique afastamentos e reencontros. Assim como na vida real.

"Percebi o que realmente havia feito. Eu me dei conta de que poderia ser o eixo da vida de uma pessoa, algo que a prendesse ali. Vi que apenas minha presença bastaria." (pg. 294)

A maneira delicada como Jojo escreve, me encantou e eu mal posso esperar para ler todos os seus livros <3


setembro 25, 2016


Como eu era antes de teu sorriso, à cicatriz das horas, do fôlego e da própria ferida?
Como eu era antes de teu fôlego, à luz da carne, dos ideais e de uma incerta alegria?
Como eu era diante de tuas razões, ao risco dos lábios e intenções que afugentam o dia?   
Como eu era antes de olhar pra trás e...
Como eu era antes de entender você?

No post de hoje, a primeira parte de nossa reflexão a respeito da literatura de Jojo Moyes. Confira a resenha de nossa colunista Regiane para o romance de Lou e Will. E claro, o segundo post da série será um debate sobre o livro "Depois de Você". Aguardem :)



Como eu era antes de Você
Por: Gih Medeiros

Eu sabia que seria difícil ler Como eu era antes de você, da Jojo Moyes. Como profissional de reabilitação física, já imaginava que conhecer a vida de Will Traynor me atingiria de diversas formas intensas. Por isso, foi com certo receio que iniciei a leitura, mas assim que me deixei envolver pela história, não consegui largar até ler a última linha.

Sob a voz de Louisa Clark, jovem inteligente, mas satisfeita com uma vida sem grandes ambições, nos deparamos com o panorama da família Clark, onde podemos nos identificar com a situação atual deles, que não é diferente da de muitas famílias que conheço, incluindo a minha própria, onde cada membro tem uma importância grandiosa para o sustento de todos. 

Ao perder o emprego que julgava estável, Louisa é obrigada a ultrapassar seus próprios limites e procurar outra fonte de sustento. Sem muita qualificação, acaba aceitando o trabalho de cuidadora, que começa um pouco pior do que ela esperava. Isso porque a pessoa a seus cuidados é o mal humorado, sarcástico e inteligente Will, um rico empresário que foi confinado a uma cadeira de rodas, após um acidente de moto. 


"Ser atirada para dentro de uma vida totalmente diferente - ou, pelo menos jogada com tanta força na vida de outra pessoa a ponto de parecer bater com a cara na janela dela - obriga a repensar sua ideia a respeito de quem você é. Ou sobre como os outros o veem" (pg 58)


A convivência entre ambos é desastrosa. Lou não consegue esconder as próprias emoções e tem dificuldade em lidar com a amargura que Will lhe direciona a todos os momentos, fazendo com que se sinta inábil e pouco inteligente. Will não consegue se adaptar a sua nova vida e se irrita com o excesso de cuidados com que o tratam, e mais do que isso, com a falta de sensibilidade das pessoas, ao ignorarem a sua vontade, como se a partir do momento em que perdeu seus movimentos, houvesse perdido a capacidade de decidir o que quer por conta própria.

Mais uma vez, Jojo Moyes consegue fazer com que haja uma identificação imediata com seus personagens, pois qualquer pessoa que já lidou com um portador de necessidades especiais, inicialmente se sentiu como Lou, e conheço muitas pessoas na  mesma situação que Will, que se queixam das mesmas coisas, que lutam todos os dias para garantir não apenas sua independência física, mas também a capacidade de decidir por si só, o que querem para a própria vida.

Assim que ambos conseguem se entender, um novo mundo se abre para eles. Com seu jeito marrento, provocador, Will consegue estimular Lou a sair de sua zona de conforto e buscar desenvolver seu potencial para alcançar objetivos maiores, e com seu jeito direto e sincero, Lou enfrenta Will e o desafia a se tornar alguém mais gentil, mais generoso com o próximo. Duas pessoas tão distintas e singulares, quando se encontram, certamente provocam mudanças na paisagem interior de cada um.

E em meio à convivência diária, diante dos percalços que enfrentam devido às complicações do quadro clínico de Will, uma delicada história de companheirismo e amizade surge entre eles, desaguando no mais terno e puro amor. Só que nem sempre o amor é suficiente e essa é uma verdade universal.

Repleto de reflexões, Como eu era antes de você não se trata apenas de um romance entre um tetraplégico e uma garota com gosto peculiar para roupas, mas sim, de pessoas, quem elas são e quem querem ser; sobre a força encontrada na família diante das dificuldades e sobre a incapacidade de manter uma família de verdade quando não há amor uns pelos outros, nem amor próprio; sobre respeitar o indivíduo e suas escolhas e também respeitar os desejos do próprio coração. 

"Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possível" (pg 172)

Todos nós somos um pouco Will e um pouco Lou, mas acima de tudo, todos nós precisamos de um Will em nossas vidas, que nos instigue, nos impulsione, nos desafie, bem como precisamos de uma Lou, que nos confronte com a verdade e nos mostre que com otimismo e força de vontade, podemos realizar coisas impensáveis.

Certamente, esta é uma história que entrou na lista de favoritas e que vai me acompanhar por muito e muito tempo ainda. Espero que com vocês também.

<3


Sinopse: Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Além disso, trabalha como garçonete num café, um emprego que ela adora e que, apesar de não pagar muito, ajuda nas despesas. E namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou se vê obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, a ex-garçonete consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto e planeja dar um fim ao seu sofrimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.

JOJO MOYES nasceu em 1969 e cresceu em Londres. Estudou jornalismo e foi correspondente do jornal The Independent por 10 anos. Publicou seu primeiro livro em 2002, e desde então dedica-se integralmente à carreira de escritora.

agosto 12, 2016




É só a gente tirar uns dias off do mundo e do escritório que a caixa postal fica assim, lotada e linda! #partiuferiasdenovoprarecebermaiscartinhas <3

Vou postar as comprinhas primeiro (os dois primeiros livros), e depois os recebidos:


Taí um livro que eu queria desde sempre (mesmo custando 39.90 rs) e que eu não conseguiria esperar algum saldão da Amazon para adquirir <3 No entanto, apesar de gostar demais do autor, só pela sinopse e primeira folheada não deu pra sentir se essa história é tão intensa quanto as anteriores... Ainda assim, é um dos poucos autores que pretendo ler tudo na vida (aliás, já falei bastante do Matthew nesse post aqui), então, logo logo compartilharei mais esta leitura com vocês aqui no blog :)


Calma, calma, a vida mudou mas (ainda) nem tanto assim rs. Porém, há momentos em que a gente precisa reavaliar os hábitos e comportamentos de sempre, e enxergar a vida de outra forma, pensar no futuro, sabe... e entender que o alicerce de qualquer mudança (pra melhor!) é uma combinação de foco, motivação e planejamento. E autores como Gustavo Cerbasi conseguem transmitir este conhecimento e experiência de maneira organizada e acessível. Portanto, ainda que o "casais" do título não faça parte de sua realidade (tanto presente como em uma perspectiva futura), dê uma chance para essa literatura menos... 'sonhadora', digamos assim. Você pode realmente se surpreender com a leitura :)

Olha, gostando mesmo de conhecer o trabalho da Editora Gente, que também possui uma linha editorial voltada a "vida prática", com foco em comunicação, finanças e organização pessoal (o livro da Thais Godinho também é da Gente!). E o lançamento do Márcio Giacobelli faz parte desse nicho literário, e com certeza estará em nossas resenhas do segundo semestre :)


Pra quem já leu nossa resenha sobre o País de Gales, prepare-se para em breve conhecer a Índia com mais este lançamento da Ateliê Editorial :) Pelo que pude folhear, o livro traz um relato de viagem muito bem organizado, e rico em detalhes, onde o leitor encontrará tanto fatos históricos sobre o país e suas principais cidades, como também impressões gerais sobre os hábitos, cultura, religão e sociedade indiana. Taí, uma leitura bem interessante, hein! Aceitam um spoiler? O livro ainda traz algumas receitinhas vegetarianas maravilhosas! <3

Sheila Walsh é palestrante, escritora e apresentadora de tv. Após recuperar-se de uma grande depressão, passou a dedicar-se ao projeto Women of Faith, uma organização norte-americana voltada para o desenvolvimento pessoal e espiritual de mulheres nos Estados Unidos. Ainda não iniciei esta leitura mas, só pela sinopse, acredito que será uma experiência de algum modo inspiradora: "A autora best-seller Sheila Walsh acredita que seja possível levar uma vida mais simples, tendo o amor como foco, mesmo em um mundo extremamente complexo. Atualmente, muito se fala sobre o essencialismo, mas será que sabemos o que isso realmente significa? Descubra uma maneira mais simples de vida e de amor. Baseado no exemplo de Jesus e de sua caminhada, Respostas de Deus para problemas complicados retomará a essência da felicidade e da saúde espiritual. É hora de voltar ao plano inicial de amar a Deus e aos outros, sem maiores preocupações. Só assim será possível encontrar beleza nas coisas simples da vida."


Apenas: um livro que tem tudo pra nos fazer chorar litros! rs :) Confira a sinopse: Millie Bird é uma garotinha de apenas 7 anos que já sabe muita coisa. Ela já descobriu que todos nós um dia vamos morrer. Em seu Livro das Coisas Mortas, ela registra tudo o que não existe mais. No número 28 ela escreveu “MEU PAI". Millie descobriu também, da pior forma possível, que um dia as pessoas simplesmente vão embora, pois a mãe dela, abalada com a morte do marido, a abandona numa grande loja de departamentos. Ela só não está triste porque conheceu Karl, o Digitador, um senhor de 87 anos que costumava digitar com os próprios dedos frases românticas na pele macia de sua mulher. Mas, agora que ela se foi, ele digita as palavras no ar enquanto fala. Ele foi colocado pelo filho em uma casa de repouso, porém, em um momento de clareza e êxtase, ele escapa, tornando-se então um fugitivo. Agatha Pantha é uma senhora de 82 anos que mora na casa em frente à de Millie e que não sai mais, nem conversa com ninguém, há sete anos. Desde que o marido morreu, ela passou a viver num mundinho só dela. Agatha preenche o silêncio gritando, pela janela, com as pessoas que passam na rua, assistindo à estática na televisão e anotando em seu diário tudo o que faz. Mas, quando descobre que a mãe de Millie desapareceu, ela decide que vai ajudar a menina a encontrá-la. Então, a adorável garotinha, o velhinho aventureiro e a senhorinha rabugenta partem em uma busca repleta de confusões e ensinamentos, que vai revelar muito mais do que eles imaginam encontrar.


Livros, livros, preciso de férias pra tantos livros (ou um trabalho que me permita resenhar um monte de livros por dia! rs) <3

junho 19, 2016


Esta é a história de Louisa Clark e Will Trainor. Pra quem ainda não leu Como eu era antes de você, recomendo as resenhas dos blogs Entre Aspas, Vida e Letras, Blog da Gih e Palavras Radioativas para uma introdução ao universo de Jojo Moyes <3 Em relação ao filme, de fato é uma honrosa adaptação da obra literária! Thea Sharrock, uma jovem diretora inglesa, conhecida por sua grande atuação no Teatro, foi convidada para trazer a obra de Jojo para os cinemas, e o resultado desta adaptação é simplesmente imperdível! Se você se emocionou com a A Culpa é das Estrelas, certamente reencontrará esta mesma sensibilidade em Como eu era antes de você. Mas vale o aviso: você realmente chorará MUITO ao longo do filme. Leve caixas de lenço para o cinema, sério.


- Oi! Olá! Olá, meu nome é Lou! Oi! Lou, prazer, oi!


Quem nunca se enrolou em um primeiro encontro levanta a mão! (se bem que não era um primeiro encontro de fato, mas...) 


Após umas duas semanas de trabalho na residência dos Traynor, Lou ainda não tem certeza de ter feito a escolha certa (sim, Louisa Clarke é contratada para ser a cuidadora de Will, ainda que as atribuições deste trabalho não estejam muito claras na mente de nossa protagonista...).

Neste momento de reflexão, Lou pode contar apenas com o apoio de sua irmã (que tem uma vida igualmente atarefada, por ser mãe solteira), sua melhor confidente, e eventualmente com Patrick, seu namorado há quase uma década, e que há pelo menos dois anos mantém-se estritamente focado em sua profissão (isto é: esportista + consultor + empreendedor + personal trainer + blah blah blah sem noção, sou genial). Ainda assim, Patrick é fiel e um bom namorado para Lou. E eles conversam. Tentam, pelo menos...


É, nada é para sempre, já dizia aquele filme do Brad Pitt...

Enquanto isso, os dias passam e o trabalho de Lou junto a Will continua. Mas quando o "trabalho" torna-se sinônimo de "vida", é aí que a história realmente começa <3 (e já pode ir separando a caixa de lenço)


Marian Keyes e os enredos em busca da felicidade. É, faz sentido, Jojo...


Aquele momento em que passamos a nos entender. Não somos assim tão diferentes, somos? 


Corações <3


Sim, para não dar spoilers, vamos pular algumas cenas e eventos do filme... (aliás, linda aquela edição da Intrínseca com os dois de smoking e vestido vermelho na capa, né <3)


E o filme segue e perguntamos: de onde vem a (c)alma?


Do coração, claro!
:)


E a partir dessa parte toda a plateia começa a se emocionar e a chorar profundamente. Fim.

Ah, compartilhe nos comentários o seu amor pelo filme!! E o link de sua resenha também <3

maio 20, 2016


Quem acompanha o blog desde o início já sabe que Matthew Quick é um de meus autores contemporâneos favoritos <3 E fico feliz de ver que mais uma obra do autor, Garoto21, terá em breve seu lançamento pela Intrínseca (apesar de alguns títulos ainda continuarem inéditos no Brasil, mas... a gente torce pra que haja pelo menos uma tradução a cada ano, isso já alegra a vida <3). E como o autor é bem atuante nas redes sociais e em entrevistas, pensei em compartilhar com vocês um pouco desse material:

Sinopse e Booktrailer de Garoto21



"Repetir um movimento várias e várias vezes ajuda a clarear a mente - uma lição que Finley aprendeu muito cedo, nas quadras de basquete. Numa cidade comandada pela violência do tráfico e da máfia irlandesa, vestir a camisa 21 e dar o sangue em quadra é sua válvula de escape.

Vinte e um também é o número da camisa de Russ, um gênio do basquete. Ou pelo menos era. Recém-chegado à cidade de Bellmont depois de ter a vida virada de cabeça para baixo por uma tragédia, a última coisa que ele quer é pegar de novo numa bola.

Russ está confuso, parece negar o que lhe aconteceu e agora se autointitula um alienígena de passagem pela Terra. Finley recebe a missão de ajudá-lo a se recuperar e, para isso, precisará convencê-lo a voltar a jogar, mesmo sob o risco de perder seu lugar como estrela do time.

Contra todas as probabilidades, Russ e Finley se tornam amigos e, por mais estranho que pareça, a presença de Russ poderá transformar a vida de Finley completamente. Uma emocionante história sobre esperança, amizade e redenção, com a prosa sensível e inteligente de Matthew Quick."


Sobre o livro A Sorte do Agora


Aliás, você já segue o autor no Facebook? Em sua página há muitos links para entrevistas, como a para o site Publishers Weekly (em inglês), cujos trechos compartilhamos agora com vocês, em tradução livre (ps: como na reportagem há várias perguntas sobre títulos ainda não publicados no Brasil, selecionei para tradução os comentários de aspecto mais geral mesmo, ok):

Publishers Weekly: Ouvi falar que no início você relutava em escrever para o segmento young adult. Hoje, após a publicação de quatro títulos, você poderia nos contar o que aprendeu sobre este universo, e o que mais gosta nesta relação com o público jovem?

Matthew Quick:  Escrever para um público jovem me lembra muito a experiência do ensino. Nesta idade, carrega-se um peso menor. E por isso jovem não se deixa acomodar enquanto leitor, e também como pessoa, eu acho. Sinto que meus leitores de young adult, especialmente os adolescentes, quando gostam de determinada coisa, eles simplesmente gostam, é afetivo, pois não são obrigados a isso. Já o adulto tem essa tendência de se envolver com os assuntos da atualidade, especialmente os do meio acadêmico, ou de determinado grupo ou elite intelectual, enfim. Eles, os adultos, querem gostar das coisas certas, enquanto os jovens querem encontrar uma obra ou um texto com o qual se identifiquem, e que realmente possibilite uma experiência pessoal, profunda. E foi o que senti quando adolescente; nenhum de meus amigos gostava de ler, então, a leitura era uma experiência solitária, introspectiva. E era como se essa relação mais próxima com os livros traduzisse tudo o que eu estava sentindo. Então, é isso que eu gosto na literatura young adult. As mensagens que recebo dos fãs mais novos são, ironicamente, mais profundas que as que recebo dos adultos, especialmente porque somos muito formais, enquanto que os adolescentes escrevem sem muitas preocupações. E eles estão prontos para ouvir, dispostos a novas ideias, e ainda formando seus pontos de vista, então a literatura pode ser revolucionária para eles.

O que aprendi escrevendo young adult? Acho que a base para todos os desafios e recompensas de se escrever para adultos. Porque definitivamente existe um preconceito com o gênero young adult. Há uma certa aura esnobe por aí, especialmente na academia. Já vi pessoas rotulando os meus livros, me chamando apenas de escritor young adult. É algo que me chateia profundamente. Porque eu acho que se você é um escritor e pretende contar histórias, então você simplesmente escreve as histórias que quiser, sem ficar se preocupando com a crítica ou qualquer outra pessoa. Ainda assim, acho que sempre haverão pessoas a criticá-lo por escrever young adult, e confesso que já fui assim em algum momento mas, agora que escrevo profissionalmente, sou muito grato por poder contar minhas histórias para este público, e posso dizer que realmente amo escrever livros young adult."


E você, curte as obras do autor? Já resenhou algum livro em seu blog? Compartilha com a gente nos comentários! :)