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fevereiro 27, 2018


“Era estranho pensar nas reviravoltas que a vida de um homem podia dar”.

Alguns autores simplesmente conseguem dar um toque mágico a histórias, que a princípio parecem comuns, mais do mesmo, clichês... Porém, quando menos esperamos, somos fisgados por esses enredos que nos levam a sonhar com dias melhores, amores atemporais e uma vida simples, mas cheia de qualidade.

Nicholas Sparks é um mestre dessa arte.

Recentemente a Editora Arqueiro decidiu relançar alguns de seus títulos, enquanto aguardamos seus novos trabalhos e o mais recente relançamento é Um Homem de Sorte, escrito originalmente em 2008. O livro já teve sua adaptação cinematográfica com Zac Efron no papel principal, sendo um grande sucesso de público nos cinemas e nos conta a história de Logan Thibault, fuzileiro americano que atuou junto ao exército dos Estados Unidos no Iraque. 

Enquanto se preparava para mais uma de suas missões, Logan encontra uma foto enterrada no chão durante uma corrida, onde é possível ver uma linda e jovem mulher sorrindo. Inicialmente pensa em jogar a foto fora, mas pensando que talvez ela significasse algo para alguém, coloco-a no quadro de avisos do acampamento. Porém, dias passam-se e como ninguém se interessa pela foto, ele a guarda consigo, com a intenção de encontrar o dono. Depois disso, Logan começa a experimentar uma maré de sorte, escapando inclusive de um confronto que poderia ter sido fatal para ele. Estimulado por seu melhor amigo Victor, começa a acreditar que talvez a foto seja a responsável por sua repentina sorte.

“Até encontrar a fotografia, a vida de Thibault seguia como ele tinha programado muito tempo antes. Sempre tivera um plano”.

Quando recebe licença do exército, Logan parte em uma jornada pessoal, atravessando o país praticamente a pé, tendo como companhia seu pastor alemão, em busca do lugar de origem da foto e acaba esbarrando com Elizabeth, a moça da foto. Divorciada, com um filho pequeno para criar, ela ainda precisa cuidar da avó Nana e da escola de adestramento de cães que possuem, levando uma rotina extremamente exaustiva, mas sem perder a força que a faz seguir em frente, mesmo com o coração machucado por perdas irreparáveis do passado.

Porém, Logan hesita em contar de cara a Elizabeth sobre a foto que encontrou e inicia uma amizade com a mulher, passando a trabalhar no canil com ela e com Nana, conquistando espaço pouco a pouco na vida delas e de Ben, o filho de Elizabeth. Essa amizade entre eles, evolui para uma paixão avassaladora que arrebata a ambos, levando-os a sonhar com um futuro juntos. Futuro esse, que pode estar em perigo não só pelo segredo de Logan, como também pela atitude de Keith, ex-marido de Elizabeth e xerife da cidade.

Keith é o típico homem soberbo que faz uso da autoridade e influência que possui e que não suporta ser passado para trás. Ao ver a aproximação de Logan e Elizabeth, ele decide que quer sua família de volta e fará o que achar necessário para alcançar isso, mesmo que tenha que passar por cima dos sentimentos de Elizabeth e do próprio filho Ben.

“Quanto mais conhecia você, mais real eu me sentia. Mais feliz e mais vivo, de um modo que não me sentia fazia muito, muito tempo. Como se você e eu devêssemos ficar juntos”.

Repleto de doçura e reviravoltas, Um Homem de Sorte é um dos melhores livros de Nicholas Sparks. Mais uma vez ele usa a instituição do Exército americano para dar vida a um de seus personagens, tecendo uma sutil, mas perceptível crítica à supervalorização da figura do soldado americano. 

Logan é um jovem sério, maduro e que viu em seus poucos anos de vida, muito mais do que a maioria das pessoas leva uma vida para ver. Isso lhe deixa marcas profundas, tormentos com os quais ele simplesmente não consegue lidar sozinho. Sua busca pela garota da foto, é apenas um pretexto para se manter em movimento, agora que não precisa mais se preocupar com quantas pessoas vão tentar tirar sua vida nas próximas horas. É real e muito tocante perceber que a vida militar pode ser tão ambígua, trazendo glórias, mas também muito sofrimento.

Do outro lado, nós vemos em Elizabeth o efeito colateral de uma guerra, já que perdeu uma de suas maiores referências para ela. Lidar com o luto, nunca é fácil, mas infelizmente a vida não para quando você precisa reunir os pedaços de seu coração para seguir em frente, ela continua em movimento e você só pode torcer para não deixar nenhum pedaço de si para trás.

Um Homem de Sorte é um dos meus livros favoritos do Nicholas, não só pela beleza do amor que ele evidencia, mas também por nos mostrar o lado feio de coisas que muitas vezes nos são passadas como gloriosas. É uma história de sobreviventes, que lutam para não sucumbir quando a tormenta chega e que encontram na família o seu ponto de apoio e segurança, mesmo quando os entes amados não mais estão presentes.

Espero que curtam mais esta leitura!

Um abraço e até a próxima!


Sinopse: Durante uma missão no Iraque, o fuzileiro Logan Thibault encontra, enterrada no chão, uma fotografia de uma linda jovem sorridente. Logo depois, ele experimenta uma súbita onda de sorte – ganha todos os jogos de pôquer e até sobrevive a um confronto mortal. A explicação parece ser uma só: a foto que ele encontrou se transformou em seu amuleto.

Ao voltar para casa, nos Estados Unidos, Logan não consegue tirar a jovem da cabeça e empreende uma jornada ao outro lado do país para encontrá-la. Na viagem, conhece Elizabeth, uma mulher divorciada, mãe de um menino, e é pego de surpresa pela forte atração que nasce entre eles.

Enquanto ele e Elizabeth se entregam a uma enlouquecedora paixão, Logan decide não dizer nada sobre sua busca. Em pouco tempo, porém, esse segredo poderá separá-los e destruir não apenas seu amor, mas também a vida dos dois.

Repleto de romance e suspense, Um homem de sorte é uma história inesquecível sobre os caminhos surpreendentes que o destino nos leva a seguir.
outubro 08, 2017


Uma das maiores recompensas da literatura atual é o fato de que um autor pode ter o reconhecimento por seu trabalho ainda em vida, diferente do que acontecia há alguns séculos. Mas, o que faz um autor ser digno de ser lembrado? A qualidade de sua obra? A quantidade de pessoas que o leem? A aprovação da sociedade literária? O número de vezes em que seus livros estiveram na lista de mais vendidos?

Para mim, um autor é digno de honrarias quando sua obra consegue tocar e sensibilizar a vida das pessoas – no caso, ao menos a minha -, se for um romance de ficção, é preciso que seus personagens sejam críveis e a gente consiga enxergar um pouco de nós em cada um deles. É preciso refletir problemas reais que cada um de nós pode vir a enfrentar de um jeito ou de outro. 

Existem muitos nomes que se enquadrariam nesses critérios, mas hoje eu vou falar – mais uma vez – de Nicholas Sparks. Seu livro Querido John, um dos mais emblemáticos de sua carreira, completou esse ano o marco de 10 anos de seu lançamento mundial e ainda é um dos mais discutidos entre os fãs do autor norte-americano, e para comemorar essa data, a Editora Arqueiro está relançando o livro em uma nova edição – mais bela do que a anterior, preciso dizer – que chegou recentemente às livrarias de todo o país. 

O enredo conta a história de John Tyree e Savannah Curtis, dois jovens que se conhecem durante um verão e tem suas vidas alterdas para sempre.

John foi um típico adolescente rebelde, sem interesse por estudos ou um trabalho que agregasse à sua vida. Criado somente pelo pai, um homem introspectivo e metódico, com um interesse peculiar e quase obssessivo por moedas raras, ele quase se perdeu para uma vida desregrada e sem limites ao ver sua vida comparada a de seus amigos que tinham muito mais regalias que ele e alimentar um grande ressentimento contra isso. Mas, um dia John desperta para a realidade e pensando principalmente no futuro do pai, decide se alistar no Exército, onde aprende a ser disciplinado, a levar uma vida mais  saudável, a estudar e a ter um propósito, nem que seja temporário.

“Um dia eu me cansei daquela vida. Não me lembro de ter ficado especialmente infeliz, eu só não aguentava mais” – pág. 19.

“O erro que muita gente comete é se perguntar como é que soldados são capazes de arriscar suas vidas dia após dia, ou como conseguem lutr por algo em que talvez não acreditam. Ninguém faz isso. (...) Encontrei gênios e idiotas, mas no fim das contas fazemos o que fazemos uns pelos outros. Por amizade. Não pelo país, não por patriotismo, não porque somos máquinas programadas para matar, mas por causa do cara que está a seu lado. Você luta por seu amigo, para mantê-lo vivo, e ele luta por você. Tudo que diz respeito ao Exército se baseia nessa simples premissa” – pág. 23.

Em uma de suas licenças, John conhece Savannah, uma jovem encantadora que está na cidade de passagem, realizando trabalho voluntário para ajudar algumas famílias a terem um teto sobre suas cabeças. Ambos veem algo no outro que os atrai e acabam se aproximando, o que faz John rever a própria vida e perceber coisas a respeito de si mesmo que ele não se dava conta antes de conhecê-la.

“Tudo nela – desde o jeito fácil com que ria, até sua perspicácia, sua evidente preocupação com os outros – me impactava, como algo novo e desejável. Além disso o tempo que passamos juntos também me fez perceber como eu sou solitário. Não tinha admitido isso para mim mesmo, mas após dois dias com Savannah, eu sabia que era verdade” – pág. 64.

Com delicadeza e suavidade, eles vão se apaixonando conforme passam os dias juntos, mas Savannah com seu jeito doce e simples, faz com que John refreie os próprios instintos, esperando o momento certo de dar cada passo nesse relacionamento delicado e diferente de tudo o que ele já vivenciou. 


Savannah consegue até mesmo fazê-lo rever o relacionamento com o pai, do qual ele sempre se ressentiu e se manteu distante por serem tão diferentes. Mas, agora sob um novo prisma, John percebe o quão injusto ele foi e seus sentimentos em relação ao homem que o criou da melhor maneira que pode, mudam.  

“No entanto, eu me importava com meu pai. Compreendi que ele era afetado por uma condição e tinha formado um conjunto de regras que o ajudava a se encaixar no mundo. E, mesmo com essa dificuldade ele encontrara um caminho para que eu pudesse me tornar o homem que eu era. Para mim, isso era mais do que suficiente. Ele era meu pai e tinha feito o melhor que podia” pág. 118.

Quando a licença de John chega ao fim, eles já estão completamente apaixonados e fazem juras de aguardarem o período de alistamento de John terminar para ficarem juntos definitivamente, ainda que enfrentem alguns percalços no caminho, já que Savannah continua levando sua vida em frente, com a rotina de estudos e trabalho, enquanto John sente que sua vida está estagnada, presa ao Exército em coisas que já não fazem sentido para ele. Da melhor maneira que conseguem, através de ligações, e-mails, mas principalmente cartas, eles tentam manter uma comunicação constante que os alivie da saudade durante a separação.

O que nenhum dos dois esperava, era que em 11 de Setembro de 2001, houvesse um atentado terrorista que alteraria completamente seus planos. Sabendo que tinha uma grande responsabilidade em mãos com seu pelotão, John se realistou no Exército, estendendo seu período de serviço militar e ainda que Savannah entendesse e apoiasse o trabalho dele, essa decisão levou a um afastamento gradual entre os dois amantes, até que uma carta mudou completamente o futuro que eles tinham planejado.

“Você é um herói e um cavalheiro, é gentil e honesto; porém, mais do que isso, é o primeiro homem que amei. E não importa o que o futuro trará, você sempre será, e sei que minha vida será melhor por causa disso” – pág. 169.

Narrado pelo ponto de vista de John, conseguimos enxergar o amadurecimento de sua personalidade ao longo dos anos em que esteve no Exército, adquirindo uma seriedade e intensidade comum somente às pessoas que viram de perto e em pouco tempo, muito além do que a maioria das pessoas vê durante uma vida inteira e isso pautou a mudança de seu relacionamento com o pai, valorizando os pequenos momentos que compartilhavam, bem como as decisões que tomou ao encontrar uma realidade complexa e sofrida na vida de Savannah após anos sem se verem. 

Como em todos os livros de Nicholas, há muitos questionamentos morais em seus personagens, que buscam tomar as melhores decisões, ainda que essas causem algum sofrimento, especialmente a si mesmos e é difícil ficar indiferente a essas questões, acabamos nos perguntando o que faríamos se estivésemos em seus lugares e a resposta nem sempre é simples de encontrar. 

Delicadamente e com brandura, Nicholas nos presenteia com uma história sobre o poder que o amor tem de mudar nossas vidas e nosso olhar sobre as verdades que consideramos absolutas, sabendo que nem sempre as coisas são como gostaríamos e que só podemos fazer o melhor que estiver ao nosso alcance.

“Amar significa se preocupar com a felicidade de outra pessoa mais do que com a sua” – pág. 246. 



Sinopse: Após uma juventude de rebeldia e bebedeira, John Tyree decidiu dar início a um novo capítulo em sua vida e se alistou no Exército. Um ano depois, agora um novo homem, ele retorna a Wilmington, na Carolina do Norte, para passar um tempo com o velho pai.

Uma tarde, enquanto admira o pôr do sol da pequena cidade litorânea, ele conhece a garota de seus sonhos. Além de ser linda, Savannah é amigável, de sorriso fácil, um exemplo de boa conduta e altruísmo. Curiosamente, esse contraste de personalidades não impede que um sentimento arrebatador nasça entre os dois.

No entanto, John precisa voltar para a Alemanha a fim de concluir o serviço militar. Em nome do amor, Savannah decide esperar por ele, enquanto o jovem soldado promete que, após esse período, vai ficar para sempre ao lado da mulher que conquistou seu coração.

O que nenhum dos dois poderia esperar eram os eventos do 11 de Setembro. Enquanto John entra em combate no Iraque, Savannah precisa reunir forças para superar a dor da distância. Nesse cenário de saudade e incertezas, uma simples carta pode mudar a vida dos dois para sempre.

junho 13, 2017


Acho que pela primeira vez, desde que a Rebeca me convidou para ser resenhista do Blog Papel Papel, não sei como começar uma resenha. Falar de Nicholas Sparks para mim, é fácil e ao mesmo tempo muito complexo. Sei que ele enfrenta um grande preconceito na blogosfera e no meio literário em geral (na maioria dos casos, de pessoas que nem leram suas obras) e provavelmente muita gente vai torcer o nariz ao ler o que tenho a dizer sobre seu mais recente lançamento.

Dois a Dois é o vigésimo livro da carreira do autor, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro, e mostra toda a evolução de sua escrita como um grande contador de histórias. E nessa história particularmente, eu me senti totalmente transportada para dentro do livro, como há algum tempo não me sentia.

Russ é um publicitário de sucesso, tem uma bela esposa e uma filha de cinco anos, London, que ele ama mais que tudo, ainda que não consiga passar muito tempo com elas devido à sua extensa carga de trabalho já que Vivian, sua esposa, decidiu que não voltaria a trabalhar enquanto a filha não estivesse na escola. Para muitas pessoas que observavam de fora, a vida de Russ era ótima, quase perfeita. Mas, por mais que ele próprio não quisesse admitir, esse mundo colorido em que vivia não passava de ilusão.

Sentindo-se pressionado a sempre agradar a todos à sua volta, Russ se pega descontente com o rumo que sua jornada profissional levou e toma uma decisão que vai mudar sua vida completamente: ele larga o emprego e abre a própria agência de publicidade. Só que as coisas não fluem tão facilmente quanto ele gostaria e, com o passar do tempo e sem nenhum cliente à vista, a reserva de dinheiro que possuía acaba diminuindo gradualmente, e Vivian decide que já que o marido não pode sustentar a ela e à filha, ela é quem tem que voltar a trabalhar.

“Casamento exige compromisso e negociação, comunicação e cooperação, principalmente porque a vida costuma lançar umas bolas traiçoeiras, muitas vezes quando menos esperamos. No mundo ideal, a bola traiçoeira passa pelo casal sem causar muitos danos; em outros momentos, encarar esses lançamentos a dois torna o casal mais comprometido um com o outro.

Às vezes, no entanto, as bolas traiçoeiras acabam nos acertando bem no meio do peito, perto do coração e deixam feridas que nunca parecem sarar” – pág. 27.

Manipulando a situação para conseguir o que quer (uma vida de luxo e conforto), Vivian faz com que Russ seja o responsável por London agora, visto que em seu trabalho como relações públicas, é obrigada a fazer viagens toda semana. Isso faz com que Russ entre em uma rotina exaustiva de cuidados com a agenda lotada da filha e a tentativa de se estabelecer no mercado com o próprio negócio. Inicialmente perdido, ele encontra certa dificuldade em entender as atitudes da esposa, alguns questionamentos da filha e a cobrança dos próprios pais e da irmã com relação ao seu papel como provedor da família.

Mas com o passar do tempo, Russ se transforma num pai amoroso e dedicado que aproveita cada segundo com a filha, sempre se empenhando em lhe proporcionar experiências divertidas e únicas. Conforme seu relacionamento com London evolui para um companheirismo sólido e sua agência de publicidade começa a engrenar, ele vê seu casamento se desfazer: Vivian decide deixá-lo.

“Encarei minha filha e de repente entendi como nossa relação havia mudado. Como eu me sentia mais à vontade no papel de figura presente, London tinha ficado mais à vontade comigo, e de repente pensar em passar horas e horas longe dela quando a escola começasse fez meu coração doer de um jeito que eu não esperava. Meu amor por London jamais estivera em questão. O que eu agora compreendia era que também gostava dela, não só como minha filha, mas como a menina que só pouco tempo antes passara a conhecer” – pág. 190.

E agora, como Russ vai fazer para resolver sua vida?


Narrando os acontecimentos do pior ano de sua vida, Russ nos leva junto consigo nessa jornada cheia de altos e baixos, risos e lágrimas. Não me recordo de ter lido um livro cuja narração fosse toda feita por um personagem masculino que não fosse adolescente e em primeira pessoa, o que já é digno de nota. Mas, Nicholas Sparks conseguiu se superar ao criar um grupo de personagens tão únicos e reais.

A princípio, pode-se achar que Russ é uma pessoa superficial, mas ele não é. Apenas tem um traço de personalidade que o torna vítima de si mesmo, pois o deixa vulnerável aos outros. A transformação pela qual ele passa durante o livro é muito densa, ao mesmo tempo em que se dá de forma suave. Seu sofrimento, suas angústias, são muito viscerais e é impossível não se solidarizar com ele diante dos golpes que sofre.

Sua filha London é adorável e sua inteligência me fez rir em muitos momentos durante a leitura. Pai de um grupo que sempre o inspira, Nicholas não deve ter encontrado dificuldades nenhuma em desenvolver a personalidade cheia de vida e amor da doce London.

Os pais de Russ são duas figuras peculiares e ao mesmo tempo muito familiares, como quaisquer pais que não tiveram tempo algum para mimar seus filhos quando crianças – o que continuava a ser motivo de queixas dos filhos quando adultos.

Marge, a irmã mais velha de Russ, é talvez a personagem mais incrível dessa história. Dona de uma inteligência sarcástica, ela consegue ao mesmo tempo irritar e incentivar o irmão e a todos a seu redor, além de ter uma energia de vida contagiante. A relação dela com Liz foi explorada com uma sutileza e delicadeza que nos faz querer ser amiga delas.

A artista plástica Emily, uma antiga amiga e ex-namorada de Russ, que reaparece em sua vida no momento em que ele se sente mais perdido e necessitado de alguém que compreenda o que ele está passando e ao mesmo tempo o deixe confortável consigo mesmo, é daquele tipo raro de pessoa que parece já nascer com um conhecimento profundo da vida e consegue reagir diante dos males da vida, ainda que por dentro esteja se sentindo a pior das criaturas.

Todas essas pessoas influenciam Russ durante o processo de recuperação da perda da vida que ele conhecia. Mas, ao invés de se tornar uma vítima das circunstâncias, ele é tomado de uma coragem que nem sabe existir dentro dele e consegue não apenas sobreviver aos piores momentos que alguém pode passar, como também reescreve sua vida profissional e amorosa.


“Marge, Emily e London me apoiaram quando eu mais precisei, de maneira que hoje parecem quase predestinadas. (...) Acho que eu tive sorte, pois ninguém deveria ser obrigado a atravessar a vida sozinho” – pág. 501.

Eu não tenho dúvidas de que esse é o melhor livro de Nicholas Sparks, mesmo sem ter lido todos os outros. Também não tenho dúvidas de que vou ficar com esses personagens na minha cabeça por muito tempo ainda, pois como eu disse no início do texto, me senti transportada para dentro da história e vivi com eles todos os momentos de alegria e de tristeza, de destruição e reconstrução.

Também disse no início, que para mim era fácil e complexo falar sobre a escrita de Nicholas Sparks. Isso porque para mim é fácil gostar de sua escrita e dos seus enredos, que falam muito sobre família, amores, trabalho e coisas reais, o que me faz ter empatia com suas histórias. Mas, também é complexo porque não consigo encontrar as palavras certas para definir a sua importância enquanto contador de histórias. Algumas pessoas tendem a achar que todas as suas histórias são parecidas, que sempre tem uma tragédia, que sempre tem um casal que passa por dificuldades mas acaba junto e etc. Mas, o que é a vida real se não uma montanha-russa de dores e amores, perdas e reencontros, rotina e extravagâncias?

Particularmente, eu aprecio muito o trabalho de autores que conseguem transformar vidas cotidianas em obras literárias – assim como admiro quem consegue criar um mundo novo, do nada e cheio de criaturas incríveis em livros de gêneros diversos. O gênero literário não é a questão. Mas, gosto de saber que mesmo na ficção, existem pessoas que passam pelos mesmos problemas que eu. Isso me dá uma sensação de pertencimento, que não tem preço. Mas, eu vou deixar vocês decidirem por si mesmos o que acham desse livro. Quem gosta do Nicholas, vai com certeza se admirar com essa leitura diferente e quem ainda não leu e resolver começar por Dois a Dois, acredite, não vai se decepcionar. Só não garanto que você não vai se apaixonar por Nicholas Sparks também. Se isso acontecer, eu com certeza vou adorar discutir mais sobre as obras dele com você.<3


Dois a Dois – Nicholas Sparks

Com uma carreira bem-sucedida, uma linda esposa e uma adorável filha de 6 anos, Russell Green tem uma vida de dar inveja. Ele está tão certo de que essa paz reinará para sempre que não percebe quando a situação começa a sair dos trilhos.

Em questão de meses, Russ perde o emprego e a confiança da esposa, que se afasta dele e se vê obrigada a voltar a trabalhar. Precisando lutar para se adaptar a uma nova realidade, ele se desdobra para cuidar da filhinha, London, e começa a reinventar a vida profissional e afetiva – e a se abrir para antigas e novas emoções.

Lançando-se nesse universo desconhecido, Russ embarca com London numa jornada ao mesmo tempo assustadora e gratificante, que testará suas habilidades e seu equilíbrio emocional além do que ele poderia ter imaginado.

Em Dois a dois, Nicholas Sparks conta a história de um homem que precisa se redescobrir e buscar qualidades que nem desconfiava possuir para lutar pelo que é mais importante na vida: aqueles que amamos.


abril 02, 2017


Na próxima semana, mais especificamente no dia 05 de Abril, a cidade de São Paulo vai estremecer ao receber uma visita ilustre: o escritor, roteirista e produtor americano, Nicholas Sparks chega para o lançamento de seu mais recente livro lançado pela Editora Arqueiro, Dois a Dois, em que conta a história de um homem que precisa se redescobrir e buscar qualidades que nem desconfiava possuir para lutar pelo que é mais importante na vida: aqueles que amamos, uma mudança que chega através do relacionamento desse homem com a filha de 6 anos (separem a caixa de lenços!!!).

Sei que o Sr. Sparks tem sido muito criticado ultimamente. Vejo vários leitores, entre eles alguns blogueiros, dizendo que suas histórias são sempre iguais, que são muito melosas e previsíveis. Eu não vejo dessa forma. Nunca li nenhum livro dele que se comparasse a outro, as tramas são sempre diferentes, mesmo que o tema central seja o amor, de alguma maneira. Mas, se você perguntar a 1000 pessoas diferentes o que elas acham do amor, as respostas também não serão diferentes? É assim que eu vejo a obra do Nicholas, cada livro tem sua peculiaridade e sua forma de nos mostrar uma face deste sentimento. Claro que não gostei de todos os livros dele que li, mas foram bem poucos os que não passaram pela minha aprovação, por não me identificar com o enredo, mas com relação à forma de contar histórias, não há motivos para queixas de minha parte. 

Poucos autores tem a capacidade de transformar histórias de pessoas comuns em um enredo atrativo, ainda que a maior parte da jornada dos personagens seja sobre problemas do dia a dia, que qualquer um de nós pode vir a vivenciar ou já chegou a enfrentar algum dia. Se isso não tem valor na literatura, eu não sei mais o que pode ter.

Dentre os livros que li, O Resgate ainda é o meu favorito. A primeira vez que li esse livro, há alguns anos, foi uma versão portuguesa, antes de ser lançado aqui no Brasil, e toda vez que sabia que um livro do Nicholas ia chegar às prateleiras, ficava animada achando que era esse, mas demorou bem mais do que eu esperava. O motivo pelo qual esse é o meu livro favorito do Sr. Sparks, é que a história é baseada em sua própria experiência com um de seus filhos, que teve atraso no desenvolvimento da linguagem. Como sou da área de reabilitação, sei o quanto é difícil lidar com uma criança especial, e a luta diária para se conseguir um mínimo de evolução através de muitas tentativas de erros e acertos. 


A história desse livro gira em torno de Denise, uma jovem mãe solteira que precisa lidar com o filho Kyle, um menino com problemas no desenvolvimento da linguagem. Ambos passaram anos em busca de uma resposta para o que provocou isso no garoto, mas depois de muita procura nenhuma resposta foi adequada. Diante disso, Denise que sempre leu tudo que podia sobre o assunto resolve tentar ela mesma, uma forma de estimulação que depois de muita persistência começou a apresentar resultados, mas a um custo muito alto, já que isso os levou a um isolamento forçado. Denise, como muitas mães da vida real, abriu mão de carreira, amigos e de uma vivência mais confortável em uma cidade grande.

Retornando para a cidade natal, acaba conhecendo Taylor em uma situação desesperadora. Taylor é voluntário no corpo de bombeiros, e leva muito a sério esse trabalho, a ponto de beirar a imprudência ao se arriscar em resgates, incêndios e todo tipo de situação perigosa, mesmo sendo perturbado por fantasmas do passado. Só tem uma situação em que ele não se arrisca, envolver-se verdadeiramente com alguém... Porém, isso começa a mudar ao conhecer Kyle, uma criança peculiar e sua mãe Denise, uma jovem simples, mas dona de uma firmeza de caráter que impressiona quem a conhece.

Duas vidas marcadas por feridas profundas, que podem nunca se fechar dependendo das escolhas que farão a partir do momento em que suas vidas se entrelaçam. Uma história fascinante sobre a capacidade de cura do amor quando nos permitimos ser amados!!!

“Taylor só conseguiu olhar para Denise, sentindo-se pequeno diante da emoção em suas palavras. Ela era tão honesta, tão vulnerável, tão incrivelmente bonita...

Sentada perto dele à luz das velas, ela o olhou diretamente, com um brilho de mistério e compaixão no olhar. E foi naquele momento que Taylor McAden se apaixonou por Denise Holton.

Tantos anos se perguntando o que isso significava, tantos anos de solidão o tinham levado exatamente aquele ponto, aquele aqui e aquele agora” – pgs. 194/195

Eu adoraria ver o Nicholas de perto, mas infelizmente não poderei comparecer ao evento (os deveres da vida adulta não me permitem viver minha tietagem literária plenamente – lágrimas). Isso não significa que não vou acompanhar através das redes sociais, por isso queridas(os) que irão vê-lo, tirem muitas fotos e deem aquele beijo e aquele abraço nele por mim <3.






Sinopse: Taylor McAden é voluntário do corpo de bombeiros da pequena Edenton. Destemido a ponto de parecer imprudente, enfrenta incêndios, participa de salvamentos, desafia a morte sem hesitar. Mas uma coisa ele não tem coragem de fazer: entregar seu coração.

Por toda a vida ele se envolveu com mulheres que estavam mais em busca de apoio que de amor – e sempre se afastava delas assim que o relacionamento começava a ficar sério.

Numa noite de tempestade, enquanto sinalizava postes de energia caídos, Taylor encontra um carro batido na beira da estrada. Assim que recobra os sentidos, Denise, a motorista, pergunta pelo filho. Mas Kyle, um menino de 4 anos que tem problemas de audição e de fala, não está em sua cadeirinha no banco traseiro.

Durante a busca pelo garoto, Denise se surpreende ao ver que está diante de um homem capaz de abrir mão da própria vida para salvar uma criança. E o que Taylor nem imagina é que esse resgate será muito diferente de todos os que já fez, pois exigirá mais do que coragem e força física – e talvez possa levá-lo à própria salvação.