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julho 09, 2018


Editora L&PM

Sinopse: María Hesse, artista gráfica espanhola, nos brinda aqui com uma lindíssima biografia ilustrada que apresenta, entretecidas, a vida e a obra de Frida Kahlo, incluindo trechos de seus diários, cartas e depoimentos. O livro revela as dores e as delícias de sua existência, mas também como usou a arte para vencer as limitações que as condições lhe impunham e reinventar o próprio existir. O resultado é uma obra poética, lapidar, que dá voz a uma das figuras mais interessantes do século XX.


Se você tá perdido no mundo da lua e ainda não sabe, Frida Kahlo foi uma das maiores pintoras que o mundo já conheceu. Sua pintura carrega muito do que ela foi, sofrimento, alegria e luta.

Nessa biografia ilustrada, María Hesse tenta nos mostrar de uma forma muito bonita a trajetória de Frida, mostrando sua vida e seu trabalho.
 

Eu que já conhecia a história da Frida de trás pra frente, fiquei encantada quando vi a capa desse livro no meio da livraria. Ela é uma das minhas maiores inspirações e sempre que eu vejo algo com a carinha dela tenho uma taquicardia.

Apesar de contar uma história que eu já conhecia, a experiência de ter e ler esse livro não foi nada repetitiva, pelo contrário, foi muito encantadora. As ilustrações que contam a vida da Frida são muito expressivas, cheias de cores e vivas. É tão bonito de olhar que você chega ao fim e quer voltar pro começo só pra apreciar mais um pouquinho.


Por fim, esse é um livro lindo pra quem gosta de apreciar ilustrações, ou simplesmente pra quem ainda não conhece a pintora, ou não conhece tão bem sua história. É um ótimo livrinho para aprender um pouco mais sobre ela, de forma rápida e leve, e se apaixonar pelo trabalho da ilustradora María Hesse.
 

Sobre a artista:  María Hesse (Huelva, 1982). Ela se tornou ilustradora com 6 anos, ela ainda não sabia disso, mas sua professora e sua mãe sabiam disso. Alguns bons anos depois, depois de terminar seus estudos em Educação Especial, ele pegou lápis e se jogou na piscina de ilustração de maneira profissional.María publicou vários editoriais como "Orgulho e Preconceito" para Alfaguara e "Frida Kahlo. Uma biografia "com Lumen.Além do trabalho editorial, o trabalho de Maria Hesse foi exposto em várias exposições e tem um trabalho pessoal onde a sensibilidade e as mulheres são as principais protagonistas.

Você pode acompanhar o trabalho dela pelo Instagram ou em seu site pessoal.

Espero que gostem da dica! :)

Um abraço e até a próxima!
Paloma
janeiro 13, 2017



"Assim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior e do nosso espírito, e sendo o nosso espírito uma paisagem, tempos ao mesmo tempo consciência de duas paisagens. Ora, essas paisagens fundem-se, interpenetram-se, de modo que o nosso estado de alma, seja ele qual for, sofre um pouco da paisagem que estamos vendo — num dia de sol uma alma triste não pode estar tão triste como num dia de chuva — e, também, a paisagem exterior sofre do nosso estado de alma — é de todos os tempos dizer-se, sobretudo em verso, coisas como que “na ausência da amada o sol não brilha”, e outras coisas assim. De maneira que a arte que queira representar bem a realidade terá de a dar através duma representação simultânea da paisagem interior e da paisagem exterior..."
(Fernando Pessoa in Cancioneiro - trecho da Nota preliminar)


Sexta-feira de chuva no Rio. Neste quase dilúvio de janeiro (segundo dia aqui na capital), nada como galochas e um livro para resistir ao tumulto aquático do trânsito e das esquinas. Há quase um ano, no dia dezenove, a paisagem úmida preenchia o blog através das páginas de inúmeros poetas; no dia de hoje, Pessoa é a voz que observo da janela, e com muito gosto compartilho com vocês.


Às vezes entre a tormenta

Às vezes entre a tormenta,
quando já umedeceu,
raia uma nesga no céu,
com que a alma se alimenta.

E às vezes entre o torpor
que não é tormenta da alma,
raia uma espécie de calma
que não conhece o langor.

E, quer num quer noutro caso,
como o mal feito está feito,
restam os versos que deito,
vinho no copo do acaso.

Porque verdadeiramente
sentir é tão complicado
que só andando enganado
é que se crê que se sente.

Sofremos? Os versos pecam.
Mentimos? Os versos falham.
E tudo é chuvas que orvalham
folhas caídas que secam.



Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão comsossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...




CANCIONEIRO - Fernando Pessoa
L&PM Pocket

Com Cancioneiro, a L&PM dá continuidade à publicação da obra de Fernando Pessoa, que já conta com Mensagem, Odes de Ricardo Reis, Poemas de Alberto Caeiro, Poemas de Álvaro de Campos e Poesias, todos em formato de bolso.

Esta edição, organizada por Jane Tutikian, apresenta ao leitor os poemas assinados por Fernando Pessoa com seu próprio nome e que foram publicados esparsamente em periódicos. A escolha de “cancioneiro” para este conjunto de poemas líricos, rimados e metrificados, de forte influência simbolista, não é aleatória: cancioneiro é o nome dado ao conjunto de poesias líricas medievais, portuguesas ou espanholas, fortemente ligadas à música, ao canto e à dança. As poesias do Cancioneiro pessoano, por sua vez, estão ligadas à tradição lírica portuguesa, também têm um ritmo e uma métrica com grande musicalidade.

Nesta antologia, que reúne mais de 150 poemas, se destaca uma das suas mais famosas criações, “Autopsicografia”, que começa com os seguintes versos: “O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente”. O breve poema sintetiza a relação poeta/poema, separação que caracteriza a lírica moderna. Esta problemática acompanha quase que a totalidade da obra pessoana, na qual fica difícil identificar até onde vai o autor, a vida e a obra. Pessoa não teve uma história que se possa contar: teve várias, personificadas nas vozes dos seus heterônimos como Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos, citando apenas os mais conhecidos.
novembro 08, 2016

"O pôr-do-sol flamejante abandonou o topo das montanhas e o crepúsculo desceu sobre o vale, enquanto uma semi-obscuridade engolia os salgueiros e sicômoros. Uma grande carpa surgiu à superfície do lago, engoliu o ar e afundou de novo misteriosamente na água escura, produzindo círculos concêntricos. No alto, as folhas sussurraram mais uma vez e pequenos flocos de algodão soltaram-se dos salgueiros, pousando na superfície do lago.

— Você não vai buscar a lenha? — perguntou George. — Tem muita lenha bem atrás daquele sicômoro. Foi a enchente que trouxe. Vai buscar logo.

Lennie desapareceu atrás de uma árvore e surgiu com uma braçada de gravetos e folhas secas. Jogou-a no antigo monte de cinzas e voltou várias vezes para pegar mais. Era quase noite. As asas de uma pomba sibilaram sobre a água. George andou até a pilha seca e acendeu-a. A chama crepitou entre os gravetos, incendiando-os. George tirou da mochila três latas de feijão e colocou-as bem junto ao fogo, mas sem que este as tocasse.

— Esse feijão dá pra quatro homens — disse George. Lennie observou-o por cima do fogo.
— Gosto dele com molho de tomate — disse, paciente.
— Não tem molho de tomate nenhum!"



Of Mice and Men

Quantas páginas são necessárias para se contar uma história que nos toque por sua ternura e beleza? E quantas outras são necessárias para alertar-nos que a vida também é rigorosa e áspera? Menos de 100 foram suficientes para John Steinback em "Of Mice and Men", e de forma magistral.  

Em meio a grande depressão americana, somos apresentados a George, Lennie e seu grande sonho, o de terem um rancho só para si, rodeados de coelhos e talvez outros animais dóceis. Para tal façanha, no entanto, não há outro caminho senão através do suor do trabalho.

A história é contada de forma bem direta, característica do autor,  e se inicia com a dupla alcançando um riacho após uma longa viagem. Há sede, fome e até um pouco de tempo para afagar um pobre rato encontrado no caminho.
 
O bruto, porém puro, Lennie sempre encontra uma maneira de testar a paciência do sagaz George, líder da dupla, que consegue um razoável trabalho para eles em uma fazenda. Lá, a esperança da dupla soma-se a do velho Candy e do rabugento, porém caridoso, Crooks, que passam a partilhar do mesmo objetivo de um rancho próprio. Somando-se mais duas economias, talvez o desejado pedaço de terra não estivesse tão distante assim. 

O ritmo da labuta é desgastante, mas os laços criados ali se tornam cada vez mais fortes. Todos parecem estar sempre ao lado de George e Lennie, nem mesmo Curley,  filho do "chefe", que sempre procura uma briga, parece ser capaz de abalar as novas amizades.

Steinbeck, porém, é um escritor realista. Sabemos que a vida não é feita só de esperança. Por vezes temos dificuldades de administrar nossas ações. Situações que pareciam simples saem de nosso controle. Logo, a única coisa que resta é fugir carregando os sonhos até o próximo riacho para uma pausa, ou para sempre. Quem sabe.

Em "Of mice and Men" a próxima página pode significar algo que o leitor não queira ler. A objetividade que nos carrega através de uma bela história pode ser a maneira mais cruel de nos transportar para um ponto de colisão do livro onde existe dor e sangue. Mas, ainda nesses momentos adversos não é difícil entender que a esperança daquele sereno pedaço de terra para chamar de "seu" é imortal, mesmo que não sejamos.


Bruno Fraga


PS: Caso não encontre a edição da Penguin, há uma edição de bolso de "Ratos e Homens" publicada pela Editora LP&M.


Ratos e Homens / Of Mice and Men
John Steinbeck
Tradução de Ana Ban

Ratos e homens, publicado originalmente em 1937, é um dos mais belos textos de John Steinbeck (1902-1968) – um dos maiores romancistas do século XX – e até hoje um dos livros mais lidos do autor.

George e Lennie são dois amigos bem diferentes entre si. George é baixo e franzino, porém astuto, e Lennie é grandalhão, uma verdadeira fortaleza humana, mas com a inteligência de uma criança. Só o que os une é a amizade e a posição de marginalizados pelo sistema, o fato de serem homens sem nada na vida, sequer família, que trabalham fazendo bicos em fazendas da Califórnia durante a recessão econômica americana da década de 30. Ganham pouco mais do que comida e moradia. No caminho, encontram outros sujeitos pobres e explorados, mas também situações que colocam em risco a sua miserável e humilde existência.

Em Ratos e homens, Steinbeck levou à maestria sua capacidade de compor personagens tão cativantes quanto realistas e de, ao contar uma história específica, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna.

Um clássico sobre o doloroso período da Grande Depressão americana. Uma peça de ficção para ser lida e relida.
julho 14, 2016

Para formar minhas ideias e meus sentimentos
Eu sou a soma de tudo que vejo
E minha casa é um espelho
Onde a noite eu me deito e sonho com as coisas mais loucas
Sem saber porque

É porque trago tudo de fora
Violência , dúvida, dinheiro e fé
Trago a imagem de todas as ruas por onde passo
E de alguém que nem sei quem é
E que provavelmente eu não vou mais ver
Mas mesmo assim ela sorriu para mim
Ela sorriu e ficou na minha casa que é meu reino

(...) Lembranças perdidas, sem sentido
Juntas pra mim, parecem música

(Biquini Cavadão, Meu Reino)


Versos de uma canção antiga nos dizem do conforto que é a saudade, e também a pausa, a respiração longa, o descanso em um canto escolhido; porque o espaço da casa é um memorial de nós mesmos, e na correria dos dias nem sempre organizamos nossos passos e o criado mudo, ou a caixa de fotos e as lembranças intraduzíveis; mas é preciso tempo pra cuidar de nossas coisas, e de sermos cuidados por tudo o que nos cerca, seja no cantinho-conjugado, no quatro quartos ou no sofá do amigo; é preciso aquietar a alma, e entender que nem sempre haverá o melhor dos cantos, porém por perto encontrar seus encantos e rimas, especialmente a sós, quando com nossos livros e alegrias e discos estivermos. Pode soar mera fantasia, mas se para o escritor há um conforto em seu caderno e lamparina, como poderíamos deixar de nos encantar com tudo isso?

Nesta postagem, em imagens e citações recriamos as histórias de uma de nossas autoras favoritas, Jane Austen. Situada na pequena localidade de Chawton, a cerca de 80 quilômetros a sudoeste de Londres, a Casa-Museu de Jane Austen foi a última morada da escritora, que ali viveu entre 1809 e 1817 com sua mãe e irmã Cassandra. Das obras produzidas no período, destacamos "Mansfield Park", "Emma" e "Persuasão".

Conheça então o Jane Austen Museum e se apaixone ainda mais pela autora!




"Em tais momentos de angústia preciosa, incalculável, ela exultou em lágrimas de agonia por estar em Cleveland; e, quando voltava por um caminho diferente para a casa, sentindo todo o feliz privilégio da liberdade no campo, de perambular de um lugar para o outro na solidão mais livre e luxuriante, decidiu que passaria quase todas as horas do tempo que ficasse com os Palmer no abandono daqueles passeios solitários." (Jane Austen, Razão e Sensibilidade)


"Talvez, Elinor, tenha sido mesmo imprudente de minha parte ir até Allenham; mas o senhor Willoughby queria me mostrar o lugar; e posso lhe garantir que é uma casa encantadora. - Tem uma sala lindíssima no andar de cima; de um tamanho bem confortável para uso diário, e com móveis mais modernos ficará deliciosa. É uma sala de canto e tem janelas dos dois lados. (...) Coincide exatamente com minha ideia de uma bela região campestre, pois alia beleza e praticidade - e, arriscaria dizer, também o pitoresco, pois se pode admirar a paisagem..." (In: Razão e Sensibilidade)



"A atenção da senhorita Bingley se dedicava, na mesma medida, a seu livro e a observar o progresso do senhor Darcy na leitura do livro dele; e estava sempre fazendo uma pergunta ou vendo a página em que ele estava. Não conseguia conquistá-lo, contudo, com nenhuma conversa; e ele simplesmente respondia a suas perguntas e tornava a ler." (In: Orgulho e Preconceito)

 (Todas as imagens foram retiradas do site Tripadvisor)


Outros exemplos de Museu-Casa pelo Brasil e pelo mundo:

Fundação Casa de Rui Barbosa (RJ)
Museu Casa de Santos Dumont (Petrópolis/RJ)
Museu Casa de Portinari (SP)
Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura (SP)
Instituto Hilda Hilst (Campinas/SP)
Museu Casa de Guimarães Rosa (MG)
American Writers Museum (Chicago/IL, USA)
Casa de Edgar Allan Poe (Philadelphia/PA, USA)
Museu Charles Dickens (Londres/Inglaterra)
Museu Sherlock Holmes (Londres/Inglaterra)
Casa de Virgina e Leonard Woolf (Sussex/Inglaterra)


E você, já teve a oportunidade de visitar algum desses museus? :)