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julho 22, 2017



Dia 18 de julho de 2017 foi o bicentenário de morte da autora britânica Jane Austen. Fãs do mundo todo estão fazendo suas homenagens e eu não poderia ficar de fora.

Jane Austen foi a primeira autora internacional que eu li. Aos 14 anos eu fui presenteada com um exemplar de Orgulho & Preconceito, da editora Martin Claret, e de lá para cá a minha paixão pela autora se consolidou cada vez mais.


A princípio, ao mau leitor, as obras de Jane Austen podem parecer indicativas do bom comportamento da sociedade da época, mas o leitor atento logo descobre que a autora utiliza de sutileza e ironia para questionar os padrões da sociedade britânica na qual estava inserida. 



O mais incrível em Austen é que, assim como as irmãs Brontë, ela conseguiu publicar seus livros e ter reconhecimento em vida sem precisar adotar um pseudônimo masculino. Em 1811 conseguiu a primeira publicação de Razão & Sensibilidade (que teve seu bicentenário em 2011). Em 1813 foi a vez de Orgulho & Preconceito ser publicado e trazer à tona a famosa frase: “É verdade universalmente conhecida que um homem solteiro e muito rico precisa de esposa”. Uma tremenda ironia que vai ganhando força no papel de Lizzie Bennet. Em 1814 foi a vez de Mansfield Park ser publicado, trazendo à tona temas polêmicos como abolição da escravatura, inteligência feminina, infidelidade conjugal e bissexualidade. Em 1815 é a vez de Emma, que foi seu último livro publicado em vida e que recebeu muitas críticas positivas. Jane partiu precocemente em 1817, aos 41 anos de idade, em virtude de uma insuficiência adrenal primária. Postumamente, em 1818, os manuscritos de Persuasão e A Abadia de Northanger foram publicados, pois estavam finalizados desde o ano anterior. Foram encontrados, também, outros manuscritos inacabados, como seu último romance Lady Susan e alguns contos.



Confira abaixo a vídeo resenha de Mansfield Park com comentários sobre os outros livros (todos com publicação pela editora Martin Claret) e as adaptações cinematográficas.


E vocês, são fãs de Jane Austen? Qual livros da autora preferem?

Nos vemos na próxima,
Mich Fraga

fevereiro 09, 2017


“Cada um possui uma Austen particular. A minha é a Austen que mostrava seu trabalho aos amigos e familiares e recebia com evidente prazer suas reações” - Karen Joy Fowler

Acho que pela quantidade de vezes em que falei de Jane Austen por aqui, vocês devem entender que eu concordo com a Karen. Essa paixão pela literatura Austeniana começou há alguns anos, apesar de ouvir falar da autora desde a época do colégio (isso foi há algum tempo kof kof), e só aumentou com cada nova leitura. Muita gente não entende os motivos, já que aparentemente são romances arcaicos sobre pessoas da classe média inglesa do século 18, que só pensavam em casamento e bailes (pelo amor de Deus, leiam antes de fazer tais julgamentos!!!).

Como já defendi aqui anteriormente, Jane Austen era uma observadora e falava sobre a sociedade em que vivia, sobre aquilo que tinha conhecimento de causa, sobre as pessoas que via no dia a dia. Sua escrita se manifestava de maneira irônica, crítica e muitas vezes tão sutil, que confunde um leitor mais desatento, que lê sem ter o mínimo de conhecimento do contexto histórico em que a escritora vivia. Mas, se você consegue enxergar essas nuances e se transportar para aquelas cenas, consegue entender porque ela ainda é tão querida e apreciada nos dias atuais. Tanto que não param de surgir adaptações livres ou obras inspiradas por ela, ano após ano, tornando-a uma das escritoras mais influentes de todos os tempos.

Uma dessas obras inspiradas por Jane foi escrita em 2004 por Karen Joy Fowler, autora americana de ficção científica, fantasia e ficção literária, e teve uma adaptação cinematográfica em 2007 com relativo sucesso, onde um grupo de 6 pessoas se reúnem e formam O Clube de Leitura de Jane Austen. Esse ano a Editora Rocco nos agraciou com a versão nacional e minha amiga linda Hida (do Blog da Hida), me deu de presente de Amigo Secreto <3. Quer presente melhor que esse pra uma janeíte de plantão? Acho que não!!! Se eu devorei esse livro assim que possível??? Absolutamente sim!!!

Nesse Clube do Livro (do qual eu adoraria fazer parte – risos), temos 5 mulheres e um homem. Jocelyn, uma mulher independente, solteira, mas casamenteira, que adora cães e é dona de um canil, amiga de Sylvia desde a infância. Sylvia trabalha na biblioteca e é casada há mais de 30 anos com o namorado da época do colégio, além de ser mãe de Allegra, que trabalha com artesanato, adora esportes radicais, tem uma certa propensão a acidentes (físicos e da alma) e é lésbica. Temos também Bernadette (que foi casada com o padrinho de Jocelyn), uma senhora com quase 70 anos que se veste de maneira estranha e tem a flexibilidade física de uma jovenzinha devido à prática de anos de Yoga, e que adora falar. Prudie é uma jovem professora do ensino médio, que dá aula de francês, mas nunca esteve na França, e apesar de se achar bem casada, está passando por um momento delicado de sua vida, já que tem alguns pensamentos nada profissionais com alguns de seus alunos. E no meio dessa mulherada toda temos Grigg, um fã de ficção científica, que é o caçula em uma família com 3 irmãs mais velhas, que não sabe muito bem porque se meteu em um clube sobre Jane Austen, de quem nunca leu NADA.

Sylvia vê o casamento chegar ao fim, e Jocelyn, como a melhor amiga que alguém poderia ter, desenvolve a ideia de uma leitura coletiva como forma de distrair Sylvia. Mas, cada um dos demais personagens, também tem seus próprios dilemas a enfrentar e aceitam a iniciativa como uma forma de no fundo, distraírem a si mesmos. Fica estabelecido que lerão as 6 principais obras de Jane, e que cada um deles será responsável pelo debate de um livro, um por mês.
 
“Não era culpa de Austen o amor dar errado. Ninguém podia nem mesmo dizer que ela não havia avisado. Suas heroínas se saíam bastante bem, mas sempre havia outros personagens no livro que não tinham final feliz – a Eliza de Brandon em Razão e Sensibilidade; em Orgulho e Preconceito, Charlotte Lucas, Lydia Bennet; em Mansfield Park, Maria Bertram. Era nessas mulheres que era necessário prestar atenção, mas ninguém o fazia” – pg. 88


Ao longo de seis meses, acompanhamos os debates de cada livro e conhecemos melhor cada personagem e suas similaridades com o mundo de Austen. Karen constrói com riqueza, personas à primeira vista comuns, mas que ao serem vistas mais de perto, são complexas e cheias de singularidades, como a doce Jocelyn que é tão mal interpretada tanto no presente, quanto o foi no passado, quando passou por uma situação aparentemente corriqueira na vida de uma adolescente, mas que no fundo não passa de abuso físico e que a marcou tão profundamente, que nunca se permitiu sentir nada verdadeiro por nenhum homem que passou por sua vida; a vívida Allegra que sente tudo com tanta intensidade que para se recuperar das dores causadas pelo coração, necessita de altas doses de adrenalina e por isso ela vai em busca de aventuras sem pensar nas consequências, apenas em poupar os pais da preocupação de saberem onde ela está; ou a incrível e tagarela Bernadette que teve uma vida difícil, sofrendo a pressão imposta pela mãe que queria que ela fosse uma artista, levando-a a enveredar por caminhos esdrúxulos e um casamento após o outro em busca da aceitação de quem ela é de verdade; ou a assustada Sylvia, que sempre teve medo de dizer aos filhos o que realmente pensava sobre eles, mas se vê obrigada a se reconstruir em um momento da vida em que as coisas deveriam ser mais estáveis e descobre uma nova faceta em si mesma que havia perdido; ou ainda a confusa Prudie, que poderia facilmente ter enlouquecido com o comportamento da mãe, que a deixou sem saber que partes da infância são ou não realidade. E temos Grigg, um homem que gosta de ler ficção científica, adora cães, e ama as irmãs, mesmo quando elas lhes dão motivo para odiá-las, e que não se importa em ser resgatado por elas quando necessário (mesmo depois de adulto).

À luz das obras de Jane e pela ótica de Karen, conseguimos enxergar essas pessoas que bem poderiam fazer parte de nosso círculo de amizade/contatos, e que são tão verídicos e tocáveis, assim como os personagens austenianos, onde não há perfeição em suas características, apenas a realidade das fraquezas e qualidades humanas que fazem de cada pessoa um ser tão inusitado, distinto, extraordinário.

Não se engane com a capa fofa e a premissa de romance no ar, esse é um livro pra ser lido e sentido, pra ser saboreado com um doce vinho, pra ser compartilhado com os amigos. É um livro pra vida, que fala sobre a vida.

“Jane Austen é estranhamente capaz de manter todo mundo ocupado. Os moralistas, a turma do Eros-e-Ágape, os marxistas, os freudianos, os junguianos, os semióticos, os desconstrucionistas – todos descobrem um parque de aventuras em seis romances repetitivos sobre provincianos de classe média. E para todas as gerações de críticos e leitores, sua ficção renova-se sem esforço”. - Martin Amis, The New Yorker


Karen Joy Fowler

Consagrada pelos diálogos afiados e pela ironia presente em seus romances, Jane Austen é uma das escritoras inglesas mais conhecidas no mundo. Fã da autora, a norte-americana Karen Joy Fowler faz um divertido passeio por suas obras em O clube de leitura de Jane Austen, que se manteve por 33 semanas na lista dos mais vendidos do The New York Times, figurou no prestigioso ranking dos 100 livros notáveis do ano do jornal e deu origem ao filme de mesmo nome. No livro, Fowler apresenta um grupo formado por cinco mulheres e um homem, traçando um paralelo entre seus personagens e os criados pela autora britânica, numa deliciosa análise dos relacionamentos modernos à luz da obra de Jane Austen.

A trama, que se passa na Califórnia, começa quando Jocelyn, uma criadora de cães da raça Leão da Rodésia, decide montar um clube de leitura para discutir as obras de Jane Austen. Ela escolhe a dedo os integrantes: Sylvia, sua melhor amiga desde quando as duas tinham 11 anos; Allegra, filha de Sylvia; Prudie, professora de francês na escola local; a falante Bernadette, conhecida por ter se casado várias vezes; e Grigg, o único homem autorizado a participar.

Ao longo de seis meses, o grupo se reúne para conversar sobre um livro de Jane Austen de cada vez. Eles começam na casa de Jocelyn, com Emma; passam para Razão e sensibilidade, escolha de Allegra; emendam em Mansfield Park, por sugestão de Prudie; se encontram na casa de Grigg para comentar A abadia de Northanger; debatem Orgulho e preconceito enquanto escutam Bernadette; e encerram com Persuasão, voltando à residência de Sylvia.

Enquanto mergulha no universo de Jane Austen, o sexteto vive suas próprias histórias. Os leitores acompanham dramas como o divórcio de Sylvia, a morte da mãe de Prudie e o rompimento do namoro de Allegra. Mas nem tudo é tristeza: as irmãs mais velhas de Grigg dão uma ajuda para que ele se aproxime de sua paixão secreta, Bernadette encontra um novo marido e Jocelyn tem a chance de redescobrir o amor.

Sucesso de vendas nos Estados Unidos, O clube de leitura de Jane Austen mostra que Karen Joy Fowler é capaz de criar uma trama deliciosa, transportando para os dias de hoje a voz da escritora inglesa que soube, como ninguém, descrever a sociedade provinciana da Inglaterra no século XVIII. Assim como aconteceu com algumas obras de Austen, o livro de Fowler ganhou uma adaptação para o cinema, com roteiro de Robin Swicord e nomes como Emily Blunt e Kathy Baker no elenco.
janeiro 27, 2017


Para finalizar nossa viagem pelo mundo literário de Jane Austen, vamos falar sobre algumas obras contemporâneas que são baseadas em sua obra.




Uma delas, se trata de O Diário Secreto de Lizzie Bennet, escrito pela dupla Bernie Su e Kate Rorick e trata-se de uma adaptação de Orgulho e Preconceito. O livro é baseado em uma websérie super bacana que conta a história de Lizzie Bennet, uma jovem pós-graduanda em Comunicação que tem duas irmãs, a doce e tímida Jane e a divertida e inconsequente Lydia.

O livro é em formato de diário, e através dele podemos acompanhar a jornada de Lizzie e das pessoas que estão ao seu redor durante um ano. Quem já leu Orgulho e Preconceito, saca logo que todas as principais características dos personagens estão lá: a sagacidade e sarcasmo de Lizzie, a doçura de Jane, a imaturidade de Lydia, o pragmatismo do Sr Bennet, a obsessão pela vida amorosa das filhas da Sra Bennet. Também podemos ver o orgulhoso Sr Darcy, alvo do ódio de Lizzie e sua família (exceto Jane, que sempre vê o melhor em todo mundo), Charlotte, a leal amiga de Lizzie, George Safadão Wickham e companhia.

Gostei muito dessa adaptação, e gosto de pensar que parece com algo que a própria Jane Austen escreveria se vivesse nos dias de hoje. Alguns personagens merecem destaque quando comparados a seus originais:

- Charlotte: aqui, ela é muito mais que a melhor amiga da protagonista, ela é inteligente, sarcástica e lutadora, corre atrás dos seus sonhos de maneira prática e objetiva, bem diferente da original, que eu entendo a personalidade e atitudes pelo contexto histórico em que vivia, mas de quem não era muito fã. Eu amo essa Charlotte moderna!!!

- George Safadão Wickham: gente, o George Wickham de Orgulho e Preconceito é o típico bad boy, que você sabe que não presta, mas mesmo assim se deixa seduzir, mas esse aqui, honestamente, atropela o original com um tanque de guerra. Sério! Ele é muito mais sedutor e muito mais canalha!!!! Conseguiu surpreender!

- Caroline: Falsiane, teu nome é Caroline! Ela arrasou, só digo isso!

- Gigi Darcy: melhor cupido de todos os tempos! Um doce de menina!!!

- Lydia: gostei bastante da espontaneidade dela, e é bem mais inteligente, apesar de ser avoada, do que a original. Seu drama pessoal, toma proporções diferentes aqui, e acabei torcendo por ela, de verdade.

Uma versão à altura da original, e assim como em Orgulho e Preconceito, fiquei com gostinho de quero mais!!!!

Uma dica: é possível assistir pelo youtube os episódios da websérie The Lizzie Bennet Diaries e vermos os vídeos que a Lizzie fez durante seu projeto!!!!

E para nosso deleite já está disponível em todas as livrarias a continuação: As Épicas Aventuras de Lydia Bennet, que relata os acontecimentos que sucederam logo em seguida ao término de O Diário Secreto de Lizzie Bennet, agora sob a voz de Lydia, que já não é mais uma menina tola e pronta para ser a piada da vez na cidade. Imperdível!!!!





Para finalizar, quero falar sobre o livro Primeiras Impressões, outra versão moderna de Orgulho e Preconceito, e adivinhem? Foi escrito por uma brasileira, a Laís Rodrigues de Oliveira e uma parte do enredo se passa em terras brasileiras, o que nos leva imediatamente para dentro da história.

Liz é uma estudante da área de Literatura que quer ser escritora. O Sr Darcy é um político de uma família tradicional de políticos. Essa Liz é um pouco mais séria, mais madura que a original, mas ainda é a mente sensata da família. Darcy é um político e isso por si só já nos causa calafrios – risos - mas confesso que me apaixonei totalmente por ele. Ele é intenso, forte, decidido e encantador quando baixa a guarda.

Os demais personagens também são parecidos com suas versões originais, principalmente Lídia, Collins e Catherine, a Terrível, que me deram nos nervos – mais risos – o que deixou a leitura bem fluida apesar dos cenários e situações serem diferentes. Jane e Charles, co-protagonistas dessa história atemporal, também estão presentes e seu drama toma proporções mais maduras e atuais também, pegando-nos desprevenidos!!!

O romance entre os protagonistas foi tecido de maneira delicada e surpreendente, de forma natural como no original, ainda que em um cenário da atualidade, onde os relacionamentos se dão de maneira mais rápida e brusca.

Laís conseguiu manter as principais características de nossos protagonistas, e ao mesmo tempo dar-lhes novos aspectos, novas nuances em suas personalidades, que só contribuíram para que eles se tornassem inesquecíveis e únicos. Jane ficaria orgulhosa!!!

Existem outras obras inspiradas pela literatura de Jane Austen em minha estante, mas ainda não tive a oportunidade de lê-las. Por enquanto estou, digamos, colecionando – gargalhadas – mas, vou falar sobre elas no futuro, quando a oportunidade de apreciá-las devidamente surgir.

Obrigada pela companhia até aqui! Se conhece outras obras inspiradas por Jane Austen, indique-nos nos comentários, será muito bem vindo!

Beijos,
Gih


Primeiras Impressões 
Laís Rodrigues de Oliveira 


Primeiras Impressões é uma adaptação moderna do clássico Orgulho e Preconceito de Jane Austen. O romance eterno de Lizzie e do Sr. Darcy é situado desta vez entre paisagens paradisíacas do Brasil e cenários surpreendentes dos Estados Unidos, em um relacionamento complexo entre uma carioca sarcástica e brilhante e um político americano de uma família conservadora.


Editora Verus

Lizzie Bennet é uma jovem estudante de comunicação que resolve fazer um vlog como projeto para a faculdade, postando vídeos em que reflete sobre sua vida e a de suas irmãs. Quando dois amigos ricos e charmosos chegam à cidade, as coisas começam a ficar mais interessantes para as irmãs Bennet — e para os seguidores de Lizzie na internet.

De repente, Lizzie — que sempre se considerou uma garota bastante normal — se torna uma figura pública. Mas nem tudo acontece diante das câmeras. E, felizmente para nós, ela escreve um diário secreto...

Com reviravoltas que vão deliciar os fãs de Jane Austen, assim como novos leitores, O diário secreto de Lizzie Bennet expande o fenômeno da web série que encantou quase dois milhões de espectadores e faz uma releitura inédita de Orgulho e preconceito.



Continuação de O diário secreto de Lizzie Bennet. Baseado na premiada série de web The Lizzie Bennet Diaries, este livro é estrelado por Lydia, a espevitada irmã de Lizzie, conforme ela encara as alegrias e os tropeços no caminho de se tornar adulta na era digital. Antes de Lizzie começar seu popular vlog, Lydia era apenas uma garota normal tramando maneiras de matar aula e criar a identidade falsa perfeita para entrar nas baladas. Talvez ela não tivesse muito foco, mas amava sua família e se divertia para valer. Até que o vlog de Lizzie transformou as irmãs Bennet em sensações da internet, e Lydia adorou virar o centro das atenções, conforme as pessoas assistiam, debatiam, postavam no Twitter, no Tumblr e em blogs sobre a vida dela. Mas então Lydia aprendeu que nem toda atenção é positiva... Depois que seu ex-namorado, George Wickham, aproveitou a fama recém adquirida de Lydia, traiu sua confiança e destruiu sua reputação, ela não é mais uma garota ingênua e despreocupada. Agora, Lydia terá de batalhar para reconquistar a confiança e o respeito de sua família e encontrar seu lugar no mundo. Este livro começa exatamente no ponto em que O diário secreto de Lizzie Bennet parou e oferece uma nova abordagem a Orgulho e preconceito.

janeiro 09, 2017


Continuando nossa jornada pelo mundo literário de Jane Austen (leia também os posta anteriores: parte 1 e parte 2), vamos falar sobre seu último romance completo publicado e algumas histórias inacabadas, mas que foram resgatadas para nosso deleite.

Persuasão foi o último romance que Jane concluiu antes de iniciarem os sintomas do mal que a levaria a óbito em 1817, e foi publicado postumamente em 1818... Confesso que o acho o texto mais triste da autora, dentre os que li e também o mais maduro, com uma escrita mais afiada, mais fluida e também mais passional. 

Como em suas histórias anteriores, Jane nos mostra os aspectos da sociedade britânica, agora pelo ponto de vista de uma família aristocrática que acabou perdendo suas posses. Anne Elliot é de uma família nobre, com títulos impressionantes, mas que passam por dificuldades financeiras devido à falta de bom senso do pai e da irmã mais velha, ambos extremamente vaidosos e egoístas. Anne é diferente, e em grande parte devido aos sofrimentos causados por suas escolhas do passado. Ela é doce e aceita seu destino com certa calma. Já está com 27 anos e não tem nenhuma perspectiva de casamento, além de o sofrimento dos últimos anos terem lhe roubado uma parte do seu brilho e juventude.

Sete anos antes, Anne se apaixonou por Frederick, um jovem pobre que apesar de inteligente e ambicioso, não tinha muitas perspectivas de futuro. Com toda a família contra o matrimônio deles, Anne foi persuadida pela madrinha a romper o noivado, o que partiu o coração de ambos. Frederick partiu para trabalhar em um navio e Anne se viu sozinha, ignorada pelo pai e pela irmã mais velha, e se submetendo a ajudar a irmã caçula que sofre de uma certa hipocondria.

Diante da perda financeira, o pai de Anne tem de alugar a casa deles para obter alguma renda, e para a surpresa de todos, o inquilino é cunhado de Frederick, que reaparece, agora como Capitão da Marinha, tendo prosperado e adquirido riquezas ao longo dos anos. O pai de Anne se indigna, pois acha que os homens do mar não levam uma vida digna nem saudável, mas tem de ceder já que não há outros interessados em alugar sua residência.

O reencontro de Anne e Frederick é tenso e dolorido. Anne mal consegue conter sua agitação, enquanto Frederick assume uma máscara de frieza e indiferença. Ao reencontrar o único amor de sua vida, Anne se resigna a aceitar com gratidão todo gesto de bondade que ele lhe oferece, sem esperar que ele a perdoe por ter lhe tratado tão mal no passado. Mas, apesar das aparências, Frederick não deixa de observar Anne, buscando informações sobre sua vida enquanto ele estava longe e descobre, junto com nós leitores, que ela não é a pessoa que ele imaginou durante todos esses anos. Ao longo da história, nós percebemos como sua bondade é verdadeira, ela tenta ser útil a todos ao seu redor, sem com isso esperar qualquer compensação ou tentativa de bajulação. Sua alma é boa. E o reencontro com Frederick reaviva não só seus sentimentos como também o brilho que lhe foi tirado. 

Para mim, foi muito especial acompanhar todo o sofrimento de Anne pelo que achou ter perdido, o bom senso com que lida com o pai e as irmãs, sua determinação em aceitar que Frederick seja feliz, mesmo que não seja com ela e o reencontro de duas almas tão afins: “Não poderia ter havido um par de corações tão aberto, nem gostos tão similares, sentimentos tão harmoniosos, comportamentos tão amados”.

Ao mesmo tempo, foi importante observar como Jane valorizou a construção do homem que ascende socialmente por mérito próprio, ao invés de herdar o legado dos antepassados, o que caracterizava a mudança real de padrões sociais que acontecia na sociedade britânica naquele momento da história, inclusive em sua própria família, já que dois de seus irmãos foram oficiais na Marinha Real e obtiveram sucesso.

Também li Novelas Inacabadas da autora, publicado pela Nova Fronteira, duas obras que tiveram de ser interrompidas pela fragilidade da saúde e por fim, óbito de Jane. Os Watsons ficou curtinho, mas deu pra ver a marca de Jane nele, sua escrita fluida e leve, mais direta. A protagonista já se mostrava diferente das anteriores, o que costuma ser uma característica de sua obra. Sabe-se que ela abandonou essa história propositalmente (por circunstâncias pessoais), mas ficou um gostinho de "quero mais".

Já em Sanditon, posso dizer que me diverti muito com seus 12 capítulos!!! Eis que Jane surpreende com um texto mais mordaz e cínico, abordando como tema as manias de doenças de algumas pessoas e a contradição que as envolve, através da rotina de uma vilarejo de águas termais, onde as pessoas iam para “se tratar”. Tenho certeza de que seria um sucesso total!!! Enfim, uma pena que não teve tempo de continuar a escrevê-las, mas sua obra fica marcada em nossa história através de personagens e enredos inesquecíveis, e que apesar de retratarem o período em que viveu e a sociedade em que estava inserida, ainda hoje são atuais e falam conosco de forma íntima e singular.


(continua)
dezembro 21, 2016


Ao longo do tempo, a obra de Jane Austen tem sido amplamente discutida e a cada novo trabalho a respeito de sua obra, vemos as opiniões dos críticos mudarem. Ela já foi considerada genial, previsível, irônica, moralista, elitista, racional e muitos outros adjetivos contraditórios entre si.

O que todos esses críticos concordam é que ela escrevia histórias com as quais o leitor dito “comum” da época, se identificaria. Bom, pelo número de vendas de suas obras na atualidade, podemos dizer que não importa o que os críticos possam dizer, sua obra mexe com os leitores.

Dando continuidade ao nosso especial para homenagear a autora, vamos falar de mais duas obras de sua autoria, lidas por essa que vos escreve:

http://www.saramaese.com/Jane-Austen-NovelsMansfield Park foi publicado pela primeira vez em 1814, e é a terceira obra de Jane a vir a púbico. Nesse livro, escrito em uma fase mais madura da escrita de Jane, temos a jovem de origem humilde Fanny Price, que mora de favor com os tios ricos, os Bertram, em Mansfield Park para onde foi levada quando ainda era criança. Criada com a prerrogativa imposta por uma das tias, a Sra. Norris, de que ela deveria ser grata pela situação em que se encontra, Fanny se mantem durante muito tempo em uma situação de subserviência, que a coloca em termos de importância para alguns familiares, no mesmo patamar que os empregados da casa. Dividindo-se entre os sentimentos de gratidão e ao mesmo tempo inferioridade, ela aceita com grande sofrimento e confusão, o abuso psicológico que a tia a submete.

Conforme, vai crescendo, a situação muda um pouco, já que os tios e Edmund, um primo em especial, começam a tratar-lhe com maior consideração e gentileza, cedendo-lhe um lugar de fato na família, ao qual ela tem dificuldade em entender e aceitar, já que toda sua vida sentiu e foi ensinada que isso não era a realidade dela. Não se engane em pensar que ela é uma mocinha boba e "coitadinha". Apesar da aparência frágil e da extrema timidez e modéstia, Fanny concentra em si diversos conflitos da alma humana, mostrando-se uma personagem forte e profunda e muito mais sensata e inteligente que os primos e as próprias tias. E apesar de seu coração gentil e grato por tudo que a vida lhe proporcionou através de pequenos momentos de alegria, ela é firme em não permitir que outros decidam seu destino, quando o momento decisivo de sua jornada chega. 

O enredo se baseia na jornada da própria Fanny e da família que a acolheu, além de suas relações com uma família que habita no mesmo local e frequenta os mesmos círculos sociais dos habitantes de Mansfield Park. Os personagens dessa história cheia de elementos conflitantes como contratos sociais, preconceitos, escravidão, autoconhecimento, riqueza e amor, são muito bem elaborados e suas verdadeiras essências, boas ou más, não são tão estereotipadas como vemos em outras obras de Jane Austen, mostrando que mesmo alguém de má índole, pode sim ter momentos de redenção, ou alguém de bom coração e de inteligência superior, pode ser ludibriado pelo encantamento superficial com a beleza de outrem.

E se há algo nessa obra que a diferencia das demais, é que Jane conseguiu criar um personagem principal masculino, que eu considero detestável, por sua estupidez em se deixar envolver por pessoas que desdenham de sua condição e escolhas pra vida, mas ainda assim com a esperança de que haja uma mudança de paradigmas, coisa que pessoas apaixonadas infelizmente fazem na vida real também. Ao mesmo tempo é admirável que ele não desista de seus propósitos e plano de vida para satisfazer um comportamento na pessoa amada que ele julga supérfluo e mesquinho.

Mais uma vez, Jane mostrou que estava a frente de seu tempo, falando de temas tão atuais que me parecia uma história contemporânea ao invés de um clássico da literatura inglesa.

http://www.martinclaret.com.br/?s=jane+austen

Em Abadia de Northanger, publicado postumamente (1817), podemos ver uma face mais leve da escrita de Jane em uma paródia dos romances góticos que estavam na moda naquele período. A heroína Catherine Morland, é uma jovem de imaginação fértil que adora romances repletos de aventuras sombrias que se passam em antigos castelos ou mosteiros de arquitetura gótica e seu maior desejo é viver uma dessas aventuras.

De temperamento dócil e até ingênuo, Catherine se vê rodeada de pessoas da alta sociedade inglesa, e chama a atenção de alguns jovens de melhor situação financeira que a sua. Podemos acompanhar através dessa narrativa, como era a vida social dos jovens naquela época, com seus bailes quase que diários, o despertar do interesse pelo sexo oposto, a maledicência com que os adultos julgavam os jovens de que tanto se gabavam na frente uns dos outros, e a doçura de uma protagonista que não vê maldade em ninguém.

Catherine encontra sua própria aventura quando é convidada a passar alguns dias na Abadia de Northanger, residência de um Coronel e seus dois filhos, com quem ela estreita laços de amizade e acaba sendo alvo da própria imaginação romântica ao perambular pelos cômodos da Abadia. 

http://www.saramaese.com/Jane-Austen-NovelsNesse romance mais jovial de Jane, nos divertimos e somos pegos de surpresa (como a própria Catherine) com os fatos. Alguns personagens são quase transparentes aos olhos do leitor, pois enxergamos logo a índole dos intrinsecamente maus. Mas, há outros personagens que não são o que aparentam, o que nos provoca uma maravilhosa sensação de deleite ao nos depararmos com suas verdadeiras personalidades. Jane soube dosar de maneira equilibrada o que era óbvio para nós compreendermos e adentrarmos a história, e o que estava subliminarmente presente na personalidade de cada figura desse enredo.

Como nas demais histórias escritas por Jane, vemos nossa heroína crescendo com as situações a que é submetida, sem deixar de lado seus próprios conceitos e sentimentos. Trate-se de uma leitura mais rápida, mais afiada, pois apesar de ter sido publicada posteriormente à morte de Jane, ela o escreveu entre 1798 e 1799, sendo um de seus primeiros textos a serem finalizados, e é considerado por alguns estudiosos um romance de aprendizagem, onde ela sutilmente critica os romances góticos e defende os romances em geral, que na época eram escritos principalmente por mulheres e considerados de segunda categoria, mesmo que o enredo não se foque nisso.

Uma curiosidade a respeito desse livro, é que foi o primeiro em que Jane foi apresentada como autora. Até então, seus livros haviam sido publicados anonimamente, (apesar de a família não conseguir esconder completamente a autoria dos romances), mas seu irmão Henry escreveu uma nota biográfica em Abadia de Northanger para sua publicação, onde trouxe a público informações sobre a vida e últimos momentos de Jane, além da maneira como ela via sua obras, mesmo que seu nome não constasse na capa.

Aguardo vocês para continuar essa deliciosa discussão sobre as obras dessa autora atemporal. <3


Ps: As ilustrações deste post são da artista Sara Maese e as edições consultadas são as da Martin Claret que tanto amamos!

Ps 2: Você pode conferir a primeira parte deste especial Jane Austen aqui.
dezembro 18, 2016

http://www.martinclaret.com.br/index.php/razao-e-sensibilidade-orgulho-e-preconceito-persuasao-brochura/

Jane Austen

No mundo todo comemora-se em 16 de dezembro o Jane Austen Day, celebrando o dia de nascimento de Jane, há 241 anos. Não é segredo pra ninguém que eu sou muito fã da obra de Jane Austen. Tenho vários livros em versões diferentes, biografias, adaptações de seus textos (inclusive por autora brasileira), filmes e séries baseados em seus livros e por aí vai. Não chego a ser como a personagem de Austenlândia (convenhamos, ela tem traços de distúrbios psicológicos), mas eu admiro muito seu modo de escrever, que é um alívio quando comparado a outros autores da mesma época e até dos dias atuais. Ela é honesta com relação aos seus personagens, muitas vezes exacerbando o que eles tem de melhor ou pior. 

Suas histórias são facilmente confundidas com relatos sobre o amor, mas na verdade tratam do ser humano, em especial sobre as mulheres, mas não de um "jeito feminista ultrajado pela sociedade", ela fala sobre o papel das mulheres de sua época, com relação à construção de seu próprio destino. Jane gostava de escrever sobre o que via e vivenciava, adicionando um toque ficcional que garantia o sucesso de suas protagonistas ao fim de suas jornadas, independente das provações pelas quais passassem – que não eram poucas, Jane não economizava na hora de fazer um personagem sofrer, já que a realidade de sua época, não era muito promissora para as famílias que não tinham herdeiros do sexo masculino e que viviam em uma zona mais afastada dos centros urbanos.

Se compararmos nossa realidade atual com a da época, veremos que há muitas similaridades e talvez esse seja um dos maiores motivos do sucesso de suas histórias. A gente se vê nas personagens de Austen. Elas são muito reais e vívidas. Poderiam ser nossas melhores amigas, ou até mesmo uma de nós. Por esse motivo, conversei com a Reb e pedi licença para homenagear minha autora favorita através do blog, comentando suas obras lidas até então.

Seguindo a ordem de publicação de seus textos, começo com os dois que, até então, são os mais conhecidos e que tiveram o maior número de adaptações, seja no mundo literário, seja no cenário cinematográfico:


Em Razão e Sensibilidade temos duas irmãs muito diferentes entre si, mas que se amam muito e são companheiras e amigas em todos os momentos. As duas passam por situações semelhantes em suas relações amorosas, mas a reação de cada uma ante às dificuldades que se apresentam são tão distintas que provoca nos leitores menos aguçados a sensação de que uma é completamente passional e a outra fria demais. Um erro ao meu ver. 

Marianne é sim passional, e muitas vezes tola, mas acredito que isso se deva à pouca idade e um ideal firmado dentro dela com apoio da mãe, com quem é tão parecida. Mas ela tem uma inclinação natural para o amor, que se reflete não só com relação aos entes queridos, como também à natureza, artes e tudo que possa contribuir para seu crescimento intelectual. Seu amadurecimento durante o decorrer da história é notável e me fez gostar dela mais e mais.

Elinor não é de uma racionalidade extrema como pode parecer a princípio, ela tem bom senso e praticidade, o que vem a calhar diante das dificuldades que ela e a família enfrentam. Mas é capaz de um amor tão profundo e altruísta que a faz deixar de lado seu próprio sofrimento para apoiar e cuidar daqueles que lhe são queridos, mesmo que às custas de sua própria felicidade, esta não seria completa se alguém que ela ama estivesse sofrendo. É uma personagem delicada e apaixonante.

Para mim, ambas são capazes de um amor incondicional e verdadeiro, mas que se apresentam de maneiras diferentes, de acordo com a personalidade de cada uma, tornando-as únicas e singulares. A escrita de Jane é sutil, delicada, algumas vezes bem descritiva mas sem nos entediar no processo de leitura e nos leva por uma trama impensável, cheia das coincidências que a vida pode ter, nós é que muitas vezes não atentamos para elas.

Sinopse: Este foi o primeiro romance de Jane Austen. Publicado em 1811, logo recebeu reconhecimento do público. Razão e Sensibilidade é um livro em que as irmãs Elinor e Marianne representam uma dualidade, de maneira alternada, ao longo da narrativa. As expectativas vividas pelas duas com a perda, o amor e a esperança, nos aponta para um excelente panorama da vida das mulheres de sua época. As irmãs vivem em uma sociedade rígida, e ambas tentam sobreviver a esse mundo cheio de regras e injustiças. Tanto a sensível e sensata Elinor como a romântica e impetuosa Marianne se veem fadadas a aceitar um destino infeliz por não possuírem fortuna nem influências, obrigadas a viver em um mundo dominado por dinheiro e interesse. As duas personagens passam por um processo intenso de aprendizagem, mesclando a razão com os sentimentos em busca por um final feliz.

 

Orgulho e Preconceito, talvez sua obra mais conhecida no mundo todo, já teve diversas edições e adaptações cinematográficas e televisivas. Jane ainda não tinha 21 anos quando o escreveu, o que nos mostra que ela era extremamente sensível e perceptiva quanto ao que se passava ao seu redor na época (séc. XVIII), e o quanto estava à frente dos autores conhecidos até então, pois aqui mais uma vez ela se faz valer de sua observação da sociedade em que vivia para dar vazão à sua história.

Seus personagens são intensos e suas personalidades descritas de forma tão enfática, que nos esquecemos de imaginá-los como são fisicamente, e nos concentramos em como eles são, digamos assim, por "dentro". 

Elizabeth Bennet é uma moça inteligente e perspicaz, que se mostra uma grande avaliadora das pessoas. Mas sua autoconfiança em seu próprio julgamento a faz cometer erros, ao ignorar o bom senso em determinadas situações o que a leva a cometer e de certa forma colaborar com uma injustiça que será motivo de vergonha de si mesma, quando esta é revelada.

O Sr Darcy é um jovem inteligente, sério e muito rico, que foi criado para acreditar que as diferenças socioeconômicas são motivos suficientes para decidir quais são as melhores relações de amizade e até mesmo amorosas. Mas seu caráter é íntegro e julgado erroneamente por Elizabeth e quase todas as pessoas que o conhecem. Ao longo da história uma mudança ocorre em sua paisagem interior ao perceber como vem causando sofrimento nas pessoas, mesmo que suas intenções sejam boas.

O encontro de duas personalidades tão fortes e autoconfiantes torna o livro impossível de largar antes do fim. Sua narrativa é mais fluente e dinâmica que em Razão e Sensibilidade, e sua crítica à sociedade da época mais intensa, e apesar de carecer um pouco da sutileza do texto anterior, não deixa de mexer com nossas emoções, ao contrário, nos atinge em cheio deixando-nos desnorteados do início ao fim!!! Em minha opinião é um texto incrível e merece todo o louvor que tem recebido desde que foi lançado.

Sinopse: Jane Austen inicia Orgulho e Preconceito com uma das mais célebres frases da literatura inglesa: 'É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico deve precisar de uma esposa'. O livro é o mais famoso da escritora — traz uma série de personagens inesquecíveis e um enredo memorável. Austen nos apresenta Elizabeth Bennet como heroína irresistível e seu pretendente aristocrático, o sr. Darcy. O enredo aborda múltiplos aspectos: o orgulho encontra o preconceito e a ascendência social; equívocos e julgamentos antecipados conduzem alguns personagens ao sofrimento e ao escândalo. Porém, muitos desses conflitos conduzem os personagens ao autoconhecimento e ao amor. O livro pode ser considerado a obra-prima da escritora que, com sua refinada ironia, equilibra comédia e seriedade a uma observação meticulosa das atitudes humanas.

Logo falaremos mais sobre as demais obras dessa grande autora! Espero que cada um de vocês que está lendo esse post, possa um dia ler qualquer obra da Jane para que a gente possa trocar impressões.
<3
novembro 22, 2016

http://blog.jilliantamaki.com/2011/03/penguin-threads-deluxe-classics/

Sempre que uma história é adaptada para o cinema, além da treta do debate Livro versus Filme: qual o melhor?, a gente também se estressa se interessa pela forma como estas histórias serão novamente publicadas: se em edições de colecionador, boxes, ou em tiragens contendo o poster oficial do filme no lugar da capa original, por exemplo. De algum modo, esta nova e nem sempre temporária identidade dos livros é um debate que atrai não apenas designers, mas todo leitor com alma de colecionador que não sossega enquanto não ocupar a estante com todas as tiragens possíveis de seu livro preferido.

Pensando nesta relação livro-filme, impossível não lembrar de Jojo Moyes e John Green, não é mesmo? Afinal, como lidar com as 9328374 versões de Quem é você, Alasca?, assim como as (bruscas) variações capas da Jojo publicadas recentemente pela Intrínseca?
 

Tudo bem, colecionar não deve ser um fardo, e sim um hábito divertido, e de longe uma questão 'filosófica', concordo. Mas confesso que uma nova edição te induz a pensar que "tem algo mais ali", e não é o que acontece: pouca ou mesma tradução, nenhum encarte ou extras, a tal novidade se resume a uma capa melhorada (ou, como também acontece, mais feia) mesmo.

Bom, tudo isso pra dizer que esta "pesquisa sobre as capas" começou com a imagem que ilustra o início deste post, Emma, em versão bordado, produzida pela artista Jillian Tamaki que, em 2011, foi comissionada pela Penguin para realizar um trabalho de capa em alguns de seus títulos, incluindo Jane Austen, cujas obras, inclusive, por há muito serem consideradas clássicas, certamente passam por constantes revisões e traduções, e claro, novas capas, tiragens e edições...

E daí o infinito ciclo de "inquietações de colecionador" de nossa conversa apenas recomeça. Risos.


Mas voltando ao tema da "reinvenção" editorial, vez por outra encontro o trabalho de diversos criativos que, comissionados ou não, recriam capas de livros, discos, filmes e demais produtos culturais. Por ora, falarei apenas dos livros, apresentando algumas recriações de capas que eu gostaria muito de ver nas livrarias, e claro, em minhas prateleiras:



Moby Dick, do ilustrador Ryan Hartley SmithO Velho e o Mar, da ilustradora Kirsten Sims



As Viagens de Gulliver, da ilustradora Naomi Siloman | Anna Karenina, da ilustradora Karolin



Dracula, do ilustrador Steve St. Pierre |  Cem anos de solidão, da ilustradora Margarita Stchetinskaya


Aliás, esta belíssima capa para Cem Anos de Solidão é parte de um projeto de exposição que conta com o trabalho de outros 99 ilustradores e artistas, todos recriando capas para obras clássicas da literatura. Vale conferir!


E você, tem alguma sugestão de link pra compartilhar com a gente? Conhece algum artista brasileiro que seja também fissurado por ilustração e livros? :)

julho 14, 2016

Para formar minhas ideias e meus sentimentos
Eu sou a soma de tudo que vejo
E minha casa é um espelho
Onde a noite eu me deito e sonho com as coisas mais loucas
Sem saber porque

É porque trago tudo de fora
Violência , dúvida, dinheiro e fé
Trago a imagem de todas as ruas por onde passo
E de alguém que nem sei quem é
E que provavelmente eu não vou mais ver
Mas mesmo assim ela sorriu para mim
Ela sorriu e ficou na minha casa que é meu reino

(...) Lembranças perdidas, sem sentido
Juntas pra mim, parecem música

(Biquini Cavadão, Meu Reino)


Versos de uma canção antiga nos dizem do conforto que é a saudade, e também a pausa, a respiração longa, o descanso em um canto escolhido; porque o espaço da casa é um memorial de nós mesmos, e na correria dos dias nem sempre organizamos nossos passos e o criado mudo, ou a caixa de fotos e as lembranças intraduzíveis; mas é preciso tempo pra cuidar de nossas coisas, e de sermos cuidados por tudo o que nos cerca, seja no cantinho-conjugado, no quatro quartos ou no sofá do amigo; é preciso aquietar a alma, e entender que nem sempre haverá o melhor dos cantos, porém por perto encontrar seus encantos e rimas, especialmente a sós, quando com nossos livros e alegrias e discos estivermos. Pode soar mera fantasia, mas se para o escritor há um conforto em seu caderno e lamparina, como poderíamos deixar de nos encantar com tudo isso?

Nesta postagem, em imagens e citações recriamos as histórias de uma de nossas autoras favoritas, Jane Austen. Situada na pequena localidade de Chawton, a cerca de 80 quilômetros a sudoeste de Londres, a Casa-Museu de Jane Austen foi a última morada da escritora, que ali viveu entre 1809 e 1817 com sua mãe e irmã Cassandra. Das obras produzidas no período, destacamos "Mansfield Park", "Emma" e "Persuasão".

Conheça então o Jane Austen Museum e se apaixone ainda mais pela autora!




"Em tais momentos de angústia preciosa, incalculável, ela exultou em lágrimas de agonia por estar em Cleveland; e, quando voltava por um caminho diferente para a casa, sentindo todo o feliz privilégio da liberdade no campo, de perambular de um lugar para o outro na solidão mais livre e luxuriante, decidiu que passaria quase todas as horas do tempo que ficasse com os Palmer no abandono daqueles passeios solitários." (Jane Austen, Razão e Sensibilidade)


"Talvez, Elinor, tenha sido mesmo imprudente de minha parte ir até Allenham; mas o senhor Willoughby queria me mostrar o lugar; e posso lhe garantir que é uma casa encantadora. - Tem uma sala lindíssima no andar de cima; de um tamanho bem confortável para uso diário, e com móveis mais modernos ficará deliciosa. É uma sala de canto e tem janelas dos dois lados. (...) Coincide exatamente com minha ideia de uma bela região campestre, pois alia beleza e praticidade - e, arriscaria dizer, também o pitoresco, pois se pode admirar a paisagem..." (In: Razão e Sensibilidade)



"A atenção da senhorita Bingley se dedicava, na mesma medida, a seu livro e a observar o progresso do senhor Darcy na leitura do livro dele; e estava sempre fazendo uma pergunta ou vendo a página em que ele estava. Não conseguia conquistá-lo, contudo, com nenhuma conversa; e ele simplesmente respondia a suas perguntas e tornava a ler." (In: Orgulho e Preconceito)

 (Todas as imagens foram retiradas do site Tripadvisor)


Outros exemplos de Museu-Casa pelo Brasil e pelo mundo:

Fundação Casa de Rui Barbosa (RJ)
Museu Casa de Santos Dumont (Petrópolis/RJ)
Museu Casa de Portinari (SP)
Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura (SP)
Instituto Hilda Hilst (Campinas/SP)
Museu Casa de Guimarães Rosa (MG)
American Writers Museum (Chicago/IL, USA)
Casa de Edgar Allan Poe (Philadelphia/PA, USA)
Museu Charles Dickens (Londres/Inglaterra)
Museu Sherlock Holmes (Londres/Inglaterra)
Casa de Virgina e Leonard Woolf (Sussex/Inglaterra)


E você, já teve a oportunidade de visitar algum desses museus? :)