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março 05, 2017



Quando eu parti, Gayle Forman

Quando um coração falha, uma série de eventos é desencadeada no corpo, e em algum lugar, mesmo que longe do coração, haverá sofrimento a nível celular, e o corpo vai dar sinais disso. Às vezes, isso é tão sutil que pode ser confundido com um mal estar causado por excesso de comida, ou fadiga por excesso de trabalho, ou ainda uma suposta dor de dente súbita. 

Mas, quando um coração falha e a pessoa se dá conta disso, não é só o seu corpo que sofre. Essa compreensão de que o órgão que mantém todo o seu corpo em movimento não está mais em estado de perfeição, imediatamente lhe dá a sensação de finitude da qual todos nós fugimos ou tentamos ignorar durante a vida toda. Estamos com defeito e esse defeito pode fazer tudo terminar em segundos.

Maribeth Klein, uma bem sucedida editora de revista, mãe de gêmeos, casada com seu próprio exemplar do Super Homem, jamais pensou que aos 44 anos seu coração iria falhar. Isso só acontecia com gente mais velha!!! Mas, olhando mais de perto, Maribeth está extenuada, sobrecarregada com o trabalho e a rotina dos filhos, dos quais cuida praticamente sozinha enquanto Jason, seu marido, trabalha em uma organização que lhe paga mal e lhe ocupa muito tempo. Mas qual a mãe de família que não vive essa situação hoje em dia, você pode se perguntar. Talvez você mesma viva algo semelhante, ou sua mãe seja uma mulher forte e independente que dá conta de trabalhar fora, cuidar da casa, filhos e marido e ainda manter-se bela e saudável. Será que é tão simples assim?



Para Maribeth, não foi. Em uma consulta de rotina, ao relatar os sintomas à médica, foi encaminhada para um hospital onde, após horas de exames e observação, constatou-se que ela teve um infarto (só para esclarecer, nem todo infarto é fulminante e leva a pessoa a óbito). Após considerar as opções, foi decidido que Maribeth seria submetida a um procedimento muito comum em pacientes como ela, para desobstruir a artéria que estava danificada e restabelecer o fluxo sanguíneo para a parte do coração que estava sendo prejudicada. Mas nada na vida de Maribeth é comum, e durante o procedimento tudo dá errado, e seu coração para, obrigando os médicos a correrem contra o tempo a fim de realizarem uma cirurgia complexa e de peito aberto para salvar a jovem mulher. Quando desperta, Maribeth é informada do que aconteceu e percebe que algo dentro dela se quebrou, além do seu coração: “Colocou a mão entubada no peito cheio de esparadrapo. Sentiu o coração batendo ali, tal como estivera desde que era um bebê, não, desde que era um feto, aninhado dentro do útero de uma mãe que ela jamais conhecera. Mas tinha parado de bater. Maribeth não sabia por quê, mas era como se tivesse cruzado uma soleira, deixando tudo e todos que conhecia do outro lado”. – pg. 29.

Quando vai para casa para se restabelecer, Maribeth se vê envolvida em um turbilhão de problemas, com a mãe adotiva tentando ajudar, mas dificultando ainda mais as coisas, os gêmeos querendo atenção e carinho, mas sem se darem conta da gravidade do estado dela, e muitas vezes machucando-a física e emocionalmente, e Jason se omitindo da responsabilidade de mantê-la numa rotina tranquila, refugiando-se no próprio trabalho. Em meio a tudo isso, Maribeth tenta entender como infartou aos 44 anos, se era considerada saudável. Uma possível explicação, dada por seu médico, é de que seria genético, mas ela nada sabe sobre seus pais biológicos, nunca quis saber.



Sufocada pelos problemas domésticos que vão se acumulando, enquanto sua carreira vai escoando ralo abaixo, já que sua suposta melhor amiga e chefe Elizabeth disse que ela não precisava se preocupar com nada (enquanto contratava outra pessoa para substituí-la sem a avisar), Maribeth toma uma decisão antes de sofrer um colapso: arruma uma mala com poucas roupas e objetos de uso pessoal, escreve um bilhete ao marido e foge de casa sem destino certo. Ela só quer respirar: “Ela dançava numa prancha de surfe, fazendo malabarismo com facas, enquanto todos levavam a vida de sempre. Mas a vida não era mais a mesma. Ela havia passado por uma cirurgia de coração aberto. E apesar do que pensavam Jason e o Dr. Sterling, não estava melhorando. E se ela não melhorasse... como eles iriam se virar?” – pg. 59.

Maribeth vai em busca de muitas respostas em sua jornada, movida por um medo muito real: o de morrer. Dando início a uma busca ao passado, Maribeth se mantém anônima e aprende a se virar sem as tecnologias as quais está acostumada, e pelo seu caminho encontra pessoas especiais que, sem saber, vão ajudá-la a se reconstruir e a mudar sua paisagem interior, resolvendo questões consigo mesma e com aqueles que ama.

Agora ela estava em queda livre. E aquilo não a matou. Na verdade, ela começava a se perguntar se podia fazer o contrário. Toda aquela fixação com a queda... Talvez devesse prestar mais atenção na parte do livre”. – pg. 252.

Gayle, que sempre abordou temas complexos em seus Young Adults, nos arrebata nesse seu primeiro enredo adulto com muita delicadeza e humor, ainda que o tema seja tão assustador, mas ela o faz com maestria, porque Maribeth não é uma mulher dramática e vitimesca, ela é inteligente, prática e organizada, mas sensível, de uma forma que nos faz admirá-la ainda mais, porque quando a conhecemos e descobrimos suas reais motivações, percebemos que essa sua sensibilidade é que é a força motriz de sua personalidade, a personalidade de alguém que pode ser sua melhor amiga, sua irmã, sua mãe, ou até mesmo você.




Primeiro romance adulto da consagrada autora de Se eu ficar, que ganhou as telas de cinema

Quando um coração falha, não é apenas o corpo que trai. Mas sonhos desfeitos, amores não vividos, destinos cruzados. Maribeth Klein tem a própria cota de problemas: do marido omisso até a chefe e ”ex-amiga” Elizabeth, passando pelos gêmeos superativos. Ela está sempre tão ocupada que mal percebe um ataque cardíaco. Depois de uma complicação inesperada no procedimento cirúrgico, Maribeth começa a questionar os rumos que sua vida tomou e faz o impensável: vai embora de casa. Longe das exigências do marido, filhos e carreira, e com a ajuda de novos amigos, ela finalmente é capaz de enfrentar o passado e os segredos que guarda até de si mesma.
janeiro 15, 2017

Uma semana e(m) um dia, episódio 13. No post de hoje, Jonatas, Rebeca e Regiane compartilham sugestões de filmes e livros. 


Jonatas


Esta semana assisti a uma animação bastante citada em diversas listas de melhores animes recentemente. É a ficção científica romântica Kimi no na wa (Your name), dirigido por Makoto Shikai, que já conhecia pelo premiado 5 centímetros por segundo. 

Kimi no na wa conta a história de Mitsuha, uma colegial que vive na provinciana Itomori, e Taki, um rapaz do ensino médio que vive em Tóquio. Por um motivo misterioso, quando um dos adolescentes dorme, é transferido par ao corpo do outro. A princípio, ambos se comunicam apenas por mensagem, mas conforme ficam íntimos, o que era apenas um estranho acidente, torna-se o início de um romance impossível. 

A história também remente à lenda chinesa chamada “Akai Ito”, uma versão oriental para o conhecido mito das almas gêmeas, mas que, no caso, são ligadas por fios vermelhos invisíveis.

A causa do estranho fenômeno parece ter ligação com a passagem de um meteoro milenar, que também é prenúncio de uma grande tragédia para a cidade de Itomori. Então, já adianto a você: apesar de romântico, Kimi no na wa consegue ser bastante intenso. 

Eu ia cometer a tolice de comparar com Donnie Darko, devido ao clima de paradoxo temporal, mas não, não chega a tanto. Kimi no na wa tem o enredo bem parecido com o de A Casa do Lago (2006) – baseado em Siworae (2000), por também abordar o tema “amores que são impossíveis pela distância do tempo”. E se você gostou de A Casa do Lago, é bem possível que o anime também agrade

Espero que também se divirta com essa inusitada ficção científica romântica e desejo a você um ótimo filme.


Rebeca


Como domingo é o dia da retrospectiva, um dos recebidos da semana foi o A Passagem Secreta - leitura política e filosófica de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho, do autor Pedro Braga, publicado pela Chiado Editora. Sobre o livro: "Pedro Braga, neste livro, deixa-se contagiar por esse clima lúdico e propõe uma leitura não só política, mas também filosófica. Ou autor propõe também ousadas possibilidades de interpretação, com fundamento na lógica e na matemática. Livro sério sem ser sisudo, escrito em um tom de quem faz o (ou participa do) jogo carrolliniano, e pretende desvendar o que se esconde por trás do espelho do País das Maravilhas". Toda curiosidade, admito! :)

Aproveitando este minuto de flashback, preciso dizer que estou AMANDO este tênis branco da Moleca, que finalmente encontrei numa promoção de fim de ano aqui no Rio <3 É um dos calçados mais confortáveis que já tive, sério.

Coisa curiosa foi ter recebido também nestes dias o 30 e poucos anos e uma máquina do tempo, um lançamento da Rocco que promete ser uma mistura de Alta Fidelidade com De volta pro futuro - e pelo pouco que folheei da história, posso dizer que parece mesmo :) Aliás, esta ideia de voltar ao tempo para realizar um sonho, e não para corrigir uma falha em nossos relacionamentos, é realmente um diferencial para a história, ainda mais se você curte o cenário musical alternativo dos anos 90 pra trás, ou se no peito bate aquela saudade "de tudo aquilo que não viu", como diria Renato Russo na música Índios.




Regiane

"Maribeth Klein estava trabalhando até tarde, à espera da conclusão das provas finais da edição de dezembro, quando infartou.

Aquelas primeiras pontadas no peito, porém, pareceram mais aflição que dor, e ela não pensou imediatamente em coração. Pensou em indigestão, provocada pela comida chinesa gordurosa que devorou, à própria mesa, uma hora antes. Pensou em ansiedade, provocada pelo tamanho da lista de afazeres para o dia seguinte. Pensou em irritação, provocada pela conversa com o marido, Jason, que mais cedo, quando ela telefonou, dava uma festinha com Oscar e Liv, apesar das reclamações do vizinho de baixo, Earl Jablonski, e ainda que manter os gêmeos acordados depois das oito aumentasse a probabilidade de um deles acordar no meio da noite (e de acordar Maribeth também).

Mas não pensou no coração. Maribeth tinha 44 anos. Sobrecarregada e extenuada, mas mostre a ela uma mãe que trabalha fora que não o seja. Além disso, Maribeth Klein era o tipo de mulher que, quando ouvia um estampido, não pensava em tiro. Pensava que alguém havia deixado a TV alta demais." (Trecho de Quando eu parti, de Gayle Forman)

Por aqui, a semana também permanece agitada, com muitos acontecimentos e pouco tempo pra colocar as coisas em dia. Então, também quero mostrar pra vocês alguns dos livros que recebi, e que espero fazer uma resenha muito em breve:

Quando eu parti, de Gayle Forman, lançado pela Record

Sinopse:  Primeiro romance adulto da consagrada autora de Se eu ficar, que ganhou as telas de cinema.

Quando um coração falha, não é apenas o corpo que trai. Mas sonhos desfeitos, amores não vividos, destinos cruzados. Maribeth Klein tem a própria cota de problemas: do marido omisso até a chefe e ”ex-amiga” Elizabeth, passando pelos gêmeos superativos. Ela está sempre tão ocupada que mal percebe um ataque cardíaco. Depois de uma complicação inesperada no procedimento cirúrgico, Maribeth começa a questionar os rumos que sua vida tomou e faz o impensável: vai embora de casa. Longe das exigências do marido, filhos e carreira, e com a ajuda de novos amigos, ela finalmente é capaz de enfrentar o passado e os segredos que guarda até de si mesma.

A Teoria de Tudo, de Jane Hawking, publicado pela Editora Gente. Sinopse: Quando Jane conhece Stephen, percebe que está entrando para uma família que é pelo menos diferente. Com grande sede de conhecimento, os Hawking possuíam o hábito de levar material de leitura para o jantar, ir a óperas e concertos e estimular o brilhantismo em seus filhos – entre eles aquele que seria conhecido como um dos maiores gênios da humanidade, Stephen.

Descubra a história por trás de Stephen Hawking, cientista e autor de sucessos como Uma breve história do tempo, que já vendeu mais de 25 milhões de exemplares. Diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica aos 21 anos, enquanto conhecia a jovem tímida Jane, Hawking superou todas as expectativas dos médicos sobre suas chances de sobrevivência a partir da perseverança de sua mulher. Mesmo ao descobrir que a condição de Stephen apenas pioraria, Jane seguiu firme na decisão de compartilhar a vida com aquele que havia lhe encantado. Ao contar uma trajetória de 25 anos de casamento e três filhos, ela mostra uma história universal e tocante, narrada sob um ponto de vista único.

Boa semana pra vocês, amigos! Até breve!!!