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julho 04, 2018

Olá, Leitores! A dica de leitura de hoje foi especialmente selecionada pela Thaís Oliveira, uma de nossas novas colunistas aqui do Blog. A Thaís é fã de romances e YA e compartilha muitas leituras em sua página no Instagram. Confiram a resenha deste emocionante livro de Colleen Hoover :)



Olá, pessoal! Tudo bem?
Eu estou indo muito bem, principalmente por estar aqui com vocês no primeiro post para o Blog. Uma alegria imensa compartilhar minha leituras com vocês e já trago as impressões sobre um livro maravilhoso que, com certeza, já entrou para uma das melhores experiências de 2018. Foi um livro que me arrebatou. Uma leitura que me despedaçou, que me deixou doida. Um livro que virou favorito por tudo que me fez sentir; pelo muito que me emocionou.

É Assim Que Acaba - Colleen Hoover
Galera Record

Sinopse: Um romance sobre a força necessária para fazer as escolhas corretas nas situações mais difíceis. Da autora das séries Slammed e Hopeless.

Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade. Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora. Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco. Com um livro ousado e extremamente pessoal, Colleen Hoover conta uma história arrasadora, mas também inovadora, que não tem medo de discutir temas como abuso e violência doméstica. Uma narrativa inesquecível sobre um amor que custa caro demais.

Lily teve uma adolescência bem conturbada em família. Após alguns anos, vai para Boston querendo dar uma guinada na vida e, tentar, deixar os traumas para trás. Movida por sua paixão por flores, abre uma floricultura e conhece Ryle, o neurocirurgião gato, atraente e bem confiante. O convívio entre os dois só aumenta pois, sua funcionária, Allysa, é irmã de Ryle. Ironia do destino? Talvez... o que o destino aprontou com Lily está além do que podíamos imaginar. Tudo que tanto a machucou no passado, volta, talvez ainda mais dolorido que antes. O que parecia tão perfeito, aos poucos, vai caindo ladeira a baixo e fazendo com que Lily passe a viver momentos conflitantes e que nunca pensou que viveria. Aliás, jurou a si mesma que não deixaria que acontecesse com ela. Mas, aconteceu.



De uma forma nua e crua, CoHo desenvolve um enredo totalmente emocionante. Com a escrita perfeita como sempre, a autora nos leva por uma história linda ao mesmo tempo que sofrida. Personagens totalmente reais, com dilemas e problemas reais que nos provocam sentimentos contraditórios e enlouquecedores. CoHo nos deixa sem chão. Impossível não terminar a leitura totalmente emocionada e, como no meu caso, com muitas e muitas lágrimas derramadas.

Posso dizer, com toda certeza, que nunca chorei tanto lendo um livro. Chorei até a última linha dos Agradecimentos pois, até ali, CoHo consegue nos emocionar e não foi pouco, não. Sei que a história é linda, mas dói. Triste sim, mas encorajadora. Há traumas e superação. Uma leitura que emociona e que transforma. Que machuca, mas engrandece. Fica a mensagem que é possível recomeçar, mesmo que isso nos destrua por dentro. O importante é continuar a nadar, o que não significa aceitar o que não nos faz bem.


Um livro que TODOS deveriam ler.

Um tapa na cara de quem lê, uma identificação pra quem vive ou já viveu esse drama.

CoHo é uma das minhas autoras preferidas. Quando ela lança algo, eu fico muito ansiosa pra ler. Essa paixão não é somente pela escrita perfeita, fluida e envolvente, mas também por cada sentimento que ela consegue mexer. A cada história lida da Hoover é impossível ficar imune a todas as mensagens que ela passa e nisso, encantar-se por cada obra sua é inevitável. Amo de paixão e recomendo qualquer livro dessa autora incrível.

É isso, pessoal. Agora, é com vocês! Gostaria muito de saber se já tiveram oportunidade de ler É Assim Que Acaba e o que acharam. Já leram algum livro da (diva) Colleen Hoover? Contem aí! Vou adorar saber.

Até a próxima!
Bjo, Thaís



julho 03, 2018

Olá, Leitores! Tudo bem com vocês? A dica literária de hoje vem da Camila Coelho, uma de nossas novas colunistas. A Camila tem 21 anos, é formada em História e compartilha leituras no blog Livre Narrativa e também em sua página no Instagram. Para esta primeira postagem, o livro escolhido foi o A vida em espiral, de Abasse Ndione , publicado pela Rádio Londres. Confira a resenha:




Sinopse: A vida em espiral é a história de um motorista de táxi e de sua fulgurante carreira como traficante de maconha Amuyaakar Ndooy e seus quatro amigos são inseparáveis, e passam a maior parte de seu tempo fumando yamba (maconha), bebendo e filosofando sobre a vida. Depois de uma gigantesca operação policial antidroga, a yamba vira produto escasso e Amuyaakar resolve se tornar sipikat (traficante de maconha), uma escolha que o levará para um caminho cheio de perigos e obstáculos de todos os tipos e que acabará mudando para sempre o destino dos cinco amigos. A vida em espiral é um verdadeiro on the road africano, que descreve sem falsos moralismos, a corrupção, a pobreza, as injustiças e a falta de horizonte dos jovens senegaleses. No entanto, é uma história regada de ironia e dominada por um surpreendente otimismo. Esses elementos são entrelaçados através de um mecanismo narrativo perfeito e de uma linguagem extraordinariamente expressiva. Quando foi publicado no Senegal, onde o tema da droga é considerado um assunto tabu, A vida em espiral causou um escândalo, no entanto se tornou um sucesso imediato de público, ganhando o prestigioso Prêmio Literário Internacional da Fundação Léopold Sédar Senghor.“No Senegal, ‘A vida em espiral’ é um livro lendário: em Dakar, se alguém leu um só livro na vida, é quase sempre esse. Cativante como um noir, é uma história de traficantes e consumidores de maconha, totalmente desprovida de moral salvo aquela imposta pela realidade cotidiana: só o crime paga.”


Resenha: A vida em espiral - Abasse Ndione

O livro conta a história de Amuyaakar Ndoy, um rapaz de 25 anos que é taxista, nascido e morador de Sambey Karang, aldeia localizada em Rio que, junto com seus 4 amigos Bukari, Badara, Yaba Xanca e Laay Gooté, são consumidores de yamba (maconha). Mas com uma guerra às drogas que foi instaurada por lá, o início do livro nos traz a busca deles por maconha, afinal o único cara que eles ainda conheciam que vendia, foi preso (essa cena se dá logo no primeiro capítulo). Após essa prisão e esses meses em que eles ficaram sem a droga, Amuyaakar decide se tornar sipikat (traficante). E é a partir dessa decisão que o resto da história vai se desenrolar.

Acho que a principal questão que chama atenção no livro não é nem o enredo em si, mas as discussões que Ndione traz em relação às drogas, mas também, pra gente que não conhece muito da cultura e da religião deles - o islamismo -, é muito interessante também estar um pouco mais próximo das tradições que eles cultuam, que nós não sabemos quais são.


Guerra às drogas

No início do livro, como uma espécie de prefácio, o autor nos contextualiza, para que entendamos o porquê de tudo que vai acontecer no livro. Então, nessas primeiras páginas, ele nos conta que acontecimento específico deu início a essa era em que a maconha é criminalizada, e tudo que contribuiu, posteriormente, para que a substância fosse ainda mais demonizada durante os anos.

E sobre essa criminalização, é muito bom ler um livro sobre pessoas consumindo maconha e procurando formas de consumi-la independentemente dela ser criminalizada ou não, porque isso nos mostra que não interessa se determinada droga (seja ela qual for) é legal ou não, as pessoas vão continuar consumindo, porém, ao criminalizar, não se tem assistência alguma a essas pessoas que estão se viciando em determinada droga e nem a certeza de que estão consumindo um produto de boa qualidade (querendo ou não, continua sendo um produto, como sei lá, nossa amada Coca-Cola).

Aí você me diz “mas ah, tá fazendo apologia à maconha, é isso?” Não. Não estou. O álcool já foi criminalizado, e já passou pelo mesmo processo que hoje as outras drogas passam. Na década de 20 e 30, nos Estados Unidos, Al Capone, o gangster famoso que todo mundo conhece, vendia whisky. Vendia bebidas que hoje, a gente consome livremente, dentro da lei. Então é bem legal que um livro trate de um assunto tão importante de se falar, principalmente atualmente.


Cultura e Religião

O outro ponto que eu gostei muito no livro foi a respeito da religião e da cultura daquele povo. Eles são majoritariamente muçulmanos, então, durante a narrativa toda, vamos tendo informações sobre a religião deles em pequenas doses. O capítulo que eu achei mais interessante sobre o assunto é o capítulo 23.

Nesse capítulo, os mais velhos da comunidade convocam uma espécie de reunião para discutir a respeito dos jovens dali, que estão se entregando ao consumo de álcool e outras drogas. E é interessante ver como os jovens não tem lugar de fala ali. Ndione traz essa discussão, de quem tem voz no meio disso tudo, e até que ponto esses mais velhos querem realmente ouvir os mais jovens, ou se querem só impor seus dogmas e tradições a eles.

Um dos amigos de Amuyaakar, Bukari, em um momento dessa reunião, pede a palavra e, no meio de sua fala, diz o seguinte:

“– Deus não proibiu apenas o álcool, a droga e a prostituição. Toda má conduta é um pecado. Se vocês não se embebedam, cometem entretanto faltas igualmente condenáveis. A sua devoção não passa de suas cinco orações, se tanto! Os senhores não conseguiram nem realizar a eleição do Grande Imã por falta de franqueza, verdade e honestidade. Pois há critérios para a escolha de um Imã. Não quiseram observá-los e escolher entre os dois protagonistas. Hoje, toda a aldeia está dividida por sua culpa e a Grande Mesquita está fechada. Beber é considerado pelo Corão um pecado, mas não está dito em nenhuma surata que é um pecado que leva irremediavelmente ao inferno. Em compensação, em várias suratas, Deus repreende os torpes que, por seus atos escusos, dividem dois ou mais muçulmanos, dizendo-lhes que a entrada do paraíso jamais será para eles.” p. 144


A vida em espiral

A última coisa que eu acho interessante dizer sobre o livro é o sentido do título. Acredito que o nome “A vida em espiral” remeta ao número de acontecimentos “circulares” que acontecem. E por que coloquei entre aspas? Porque são acontecimentos circulares, porém eles nunca voltam ao início e parecem que nunca tem fim, assim como uma espiral.




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Gostaram da resenha? Já leram o livro? Me conta aí embaixo nos comentários. E, se gostou, curte o post também aqui embaixo, compartilha e segue o blog.

Um abraço, e até logo!
Camila

janeiro 12, 2017

Há quase um ano fizemos uma lista com os livros do nosso parceiro Ateliê Editorial que estavam nas listas dos principais vestibulares do país. Neste ano, repetimos a proposta compartilhando a lista divulgada recentemente pela Unicamp, válida para as provas de Literatura de Língua Portuguesa do Vestibular 2017. A lista de obras inclui romances, poesia, peça teatral e contos. Confira:





Luís de Camões - Sonetos | Ateliê Editorial

O desejo de plenitude amorosa, as dificuldades existenciais e a injustiça dos homens estão entre os grandes temas do Renascimento presentes na lírica de Camões. Ricos em antíteses e metáforas, seus sonetos estão entre as mais belas expressões literárias da língua portuguesa. A voz reflexiva que se ergue desses versos produz a elevação do espírito e o entusiasmo verbal. Esta edição traz os poemas mais representativos do acervo camoniano, comentados por dois experientes professores de Literatura.





Jorge de Lima - Poemas Negros | Alfaguara / Companhia das Letras

Esta seleção permite um olhar panorâmico sobre a diversificada obra de Jorge de Lima, poeta que percorreu de forma única os caminhos da poesia brasileira — do início parnasiano, passando pelo verso livre, as experimentações com o soneto, até a épica-lírica de Invenção de Orfeu.

O ritmo e a capacidade de evocar imagens são marcantes na obra do poeta. Mas não se pode esquecer seu profundo senso de responsabilidade humana: o olhar atento para a realidade do povo, do negro e da desigualdade social.

Outro aspecto importante é a densidade mística, resultante de uma forte religiosidade. Por trás da complexidade de seus versos, revela-se uma poesia absolutamente singular e sedutora.




Clarice Lispector, Amor, do livro Laços de Família | Editora Rocco

Laços de família, publicado pela primeira vez em 1960, e reeditado pela Rocco dentro do projeto que incluiu novo padrão gráfico e revisão da obra de Clarice pela especialista em crítica textual Marlene Gomes Mendes, é um tesouro da ourivesaria literária. São treze contos, hoje tidos como clássicos. Entre eles, os festejadíssimos "Amor", "O crime do professor de Matemática", "O búfalo" e "Feliz aniversário", adaptado para a televisão por Ziembinsky.

Neles os personagens são sempre surpreendidos por uma modalidade perturbadora do insólito, no meio da banalidade de seus cotidianos. Clarice cria situações onde uma revelação, que desconstrói e ameaça a realidade, desvela a existência e aponta para uma apreensão filosófica da vida. Em Laços de família, Clarice aprofunda sua técnica narrativa em uma abordagem quase fenomenológica.

Trata a solidão, a morte, a incomunicabilidade e os abismos da existência através da rotina de dona-de-casa ("Devaneio e embriaguez duma rapariga", "Amor", "A imitação da rosa"), do mergulho trágico em uma festa familiar nos 89 anos da matriarca ("Feliz aniversário"), da domesticação da natureza mais selvagem das mulheres ("Preciosidade", "O búfalo"), ou dos pequenos crimes cometidos contra a consciência, como o drama do professor de Matemática diante do abandono e da morte de um animal. São lições de vida na prosa definitiva e transcendente de uma sacerdotisa da nossa literatura.


Guimarães Rosa, A hora e a vez de Augusto Matraga, do livro Sagarana | Editora Nova Fronteira

Guimarães Rosa é, por seus experimentos lingüísticos, sua técnica e sua inventividade, o mais completo renovador de nossa ficção. segundo Alceu Amoroso Lima, trata-se de 'autor absolutamente inqualificável, a não ser nas categorias do gênio, isto é, dos grandes isolados'. Apresentando a paisagem e o homem de sua terra numa linguagem já então exclusiva, Guimarães Rosa fez de Sagarana a semente de uma obra cujo sentido e alcance ainda estão longe de ser inteiramente decifrados.

(Ps: Livro esgotado em muitos sites. De repente vale entrar em contato com a Nova Fronteira. Ah, existe uma edição de bolso deste conto publicada pela Editora Saraiva. Vale a pesquisa também!)


Monteiro Lobato, Negrinha, do livro Negrinha | Globo Livros (Na Livraria da Folha você encontra uma edição apenas com o conto)

"Negrinha" (Editora Globo), originalmente publicada em 1923, após o sucesso de "Urupês", forma um painel que coloca lado a lado a farsa e o sarcasmo, a tragédia e a compaixão, construindo alguns tipos nacionais da época, como o burguês escravocrata e o ex-escravo sofredor.

O conto, drama da filha de uma ex-escrava nas mãos da patroa, é o que dá título à obra. Os personagens das histórias formam um retrato da população brasileira do início do século 20, com os quais Lobato denuncia os bastidores de uma sociedade patriarcal.

É uma forte crítica que deixa transparecer os vestígios de uma persistente mentalidade escravocrata da sociedade, mesmo décadas após a abolição.



Osman Lins - Lisbela e o prisioneiro | Editora Planeta de Livros

Original de 1964, o livro que inspirou o filme de Guel Arraes é uma comédia com referências nordestinas.

A fidelidade de Osman Lins à busca de uma expressão própria na ficção, decorrente de uma recusa à cômoda retomada do já conquistado e de uma fé inabalável no poder criador da palavra, foi reconhecida e admirada pela crítica brasileira e estrangeira, com raras exceções. No entanto, ele é um autor ainda pouco difundido. Por isso é oportuna esta publicação de Lisbela e o Prisioneiro.

Esta obra permite ao público entrar em contato com o texto, no registro dramático, de um autor meticuloso no uso da palavra e na arquitetura da peça. Lisbela e o Prisioneiro foi sua primeira peça a ser encenada com sucesso. E com certeza, é a que até hoje teve mais alcance de público. Se muito da fama de uma peça deve ser creditado ao trabalho de direção, ao desempenho dos atores, à cenografia, ao figurino, à iluminação, ao som; outro tanto pelo menos também deve ser atribuído ao texto do dramaturgo.

(ps: em breve vai rolar resenha do Lisbela aqui no Blog <3 Nossa amiga Regiane já está com o seu exemplar em sua prateleira)




Aluísio Azevedo - O cortiço | Ateliê Editorial

No Rio de Janeiro do final do Império, o cotidiano miserável de uma habitação coletiva. Em seus cubículos amontoam-se os desfavorecidos e marginalizados da sociedade, com suas agruras e percalços na luta pela sobrevivência.

Trabalhadores modestos, imigrantes, malandros, prostitutas... Em meio a tantos personagens marcantes, o protagonista deste livro é o próprio cortiço, que parece adquirir vida própria e arrasta tudo e todos com seu ímpeto de degradação.

Se O Cortiço é dos romances mais contundentes da literatura brasileira, este volume possui atributos que o convertem na melhor edição do clássico de Aluísio Azevedo. Além de texto estabelecido conforme a última edição em vida do autor, contém iconografia histórica e notas de rodapé por Leila Guenther. O ensaio de apresentação foi escrito por Paulo Franchetti, que, revisando noções consagradas, oferece argumentos para uma nova leitura do romance.


Camilo Castelo Branco, Coração, cabeça e estômago | Martins Fontes

Neste livro, o leitor encontrará um dos momentos mais luminosos da obra do autor: uma novela satírica, na qual o que dá a solda dos vários episódios soltos e razoavelmente simples é o estilo e o jogo entre as instâncias narrativas e autorais. Por conta disso, Coração, cabeça e estômago talvez seja, dentre todos os de Camilo, o livro que reúna mais probabilidades de permanecer como referência viva para a prosa contemporânea de língua portuguesa ao longo do século que se inicia.

Sobre o autor: Um dos escritores mais lidos no Brasil durante o século XIX, Camilo Castelo Branco é uma referência importante para se compreender os rumos da ficção brasileira dos períodos romântico e realista. Foi o primeiro escritor português a viver apenas do seu ofício. Numa sociedade que não dispunha de um número expressivo de leitores, num tempo em que os direitos autorais estavam começando a ser reconhecidos, Camilo teve de escrever muito. Suas obras contam-se em centenas: foi poeta, teatrólogo, novelista, crítico literário e tradutor de grande atividade. O espantoso, no caso, não é que tenha escrito tanto, mas que tenha escrito tanto e tão bem sobre um enorme leque de assuntos, versados em vários gêneros.

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Érico Veríssimo, Caminhos Cruzados | Companhia das Letras

Neste romance, Erico Verissimo narra episódios da vida de duas dezenas de personagens na Porto Alegre da década de 1930 e tece uma crítica incisiva aos desníveis sociais e à hipocrisia moral de nossa sociedade. Com apresentação de Antonio Candido e prefácio de Moacyr Scliar.

Influenciado pela técnica de intrigas entrelaçadas e pela ausência de personagem principal da ficção de Aldous Huxley, Erico Verissimo escreveu Caminhos cruzados, tendo como cenário uma Porto Alegre onde já se confrontavam modernização e miséria, luxo e desencanto.

Sem narrar acontecimentos de vulto, o autor expõe o nervo da fragilidade humana. Sua capacidade de fabulação ainda hoje provoca impacto e lança um apelo à sensibilidade.


José de Alencar, Til | Ateliê Editorial

Til é o apelido de Berta, moça que se envolve nas mais intrincadas tramas, sempre buscando ajudar os que precisam. Capaz de enfrentar jagunços, Berta não mede esforços ao buscar a realização de seus intentos. Violências, mistérios e triângulos amorosos constituem esta história.

Além do texto fidedigno de Til, o presente volume contém o primeiro ensaio sistemático sobre o romance de José de Alencar. Nele, Ivan Teixeira desenvolve a hipótese de que, por trás de aparente ingenuidade romântica, a narrativa esconde uma densa investigação poética da existência. A obra conta ainda com notas de esclarecimento ao texto de Til, em que se discutem aspectos de construção narrativa e de sentido literário, e um extenso glossário de termos considerados estranhos ao leitor atual. As ilustrações são de Sergio Kon.


Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas | Ateliê Editorial

Publicado em 1881, “Memórias póstumas de Brás Cubas” é um dos mais famosos romances de Machado de Assis, um marco na literatura brasileira. Narrado por um defunto autor, uma voz irônica que se dirige constantemente ao leitor, a trama começa com o enterro de Brás Cubas, passa por seus delírios, volta à infância do personagem e, de forma nada linear, traz para o centro da cena vários episódios da vida desse excêntrico narrador.

Apesar desse mote fantasioso, o primeiro grande livro de Machado de Assis é um retrato realista do Segundo Reinado brasileiro. De maneira crítica e bem-humorada, o defunto conversa com o leitor para narrar casos de adultério e tramas políticas da elite do período. Além de um ensaio estimulante sobre o texto machadiano, o professor Antônio Medina Rodrigues preparou mais de 500 notas que explicam a obra e seu contexto.


Mia Couto - Terra Sonâmbula | Companhia das Letras

Primeiro romance de Mia Couto, Terra Sonâmbula é uma verdadeira aula sobre a velha arte de contar histórias. No Moçambique pós-independência, mergulhado em uma devastadora guerra civil, um velho e um menino empreendem uma viagem recheada de fantasias míticas.

Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Como se sabe, depois de dez anos de guerra anticolonial (1965-75), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992.
O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os 'cadernos de Kindzu', o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga, e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra.

Terra Sonâmbula - considerado por júri especial da Feira do Livro de Zimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX e agora reeditado no Brasil pela Companhia das Letras - é um romance em abismo, escrito numa prosa poética que remete a Guimarães Rosa. Couto se vale também de recursos do realismo mágico e da arte narrativa tradicional africana para compor esta bela fábula, que nos ensina que sonhar, mesmo nas condições mais adversas, é um elemento indispensável para se continuar vivendo.