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fevereiro 02, 2017

"Domingo, 27 de janeiro

Tentei, mas não consegui ficar até o final do bingo. Quando começou uma briga por causa do quinto prêmio - um salsichão de fígado do Aldi, de noventa centavos -, disse que estava com enxaqueca e fui para o quarto. É prático ter enxaqueca porque é algo aceito como desculpa em toda parte. Quando cheguei aqui e ninguém me conhecia, apresentei minha enxaqueca inventada e, desde então, já fiz uso dela inúmeras vezes. Espremer um pouco os olhos e esfregar a mão na testa é o suficiente. Alguém sempre pergunta preocupado se por acaso não estou com enxaqueca. Então preciso 'deitar um pouquinho'. Nenhuma chateação para meu lado e fim de papo."



Tentativas de fazer algo da vida, o best-seller holandês que retrata o cotidiano de um senhor que vive em uma das centenas de casas de repouso para idosos em Amsterdã, chega ao Brasil publicado pelo selo TusQUETs da Editora Planeta de Livros

O sucesso do livro atraiu a curiosidade da mídia para descobrir a real identidade do autor, que, de maneira brilhante, escreve em seu diário sobre a vida de quem já não vê muitos motivos para se importar com o que os outros pensam. 

Independente da pessoa por trás do pseudônimo, Hendrik Groen conhece bem o cotidiano dos moradores de casas de repousos e, acima de tudo, conhece o ser humano e sua natureza conflituosa, pois mesmos idosos em cadeiras de rodas tendo que usar fraldas demonstram inveja, praticam bullying , entram em inúmeras discussões e talvez só não haja luta corporal pela precária condição física dos contestantes. 

Hendrik, porém, não quer que o resto de sua vida se resuma a isso. Já vivendo no asilo por alguns anos e sem receber visitas, junta-se aos poucos, mas bons amigos que também vivem lá e funda o Tovemantomo (Tô velho, mas não tô morto), um grupo que planeja reuniões, jantares e passeios semanais para aproveitar o pouco da vida que lhes restaram. 

Partimos então para as aventuras do grupo narradas de forma muito animada no diário de Hendrik. Evert, melhor amigo de nosso herói, torna os dias e a leitura bem mais divertidos com muitas piadas politicamente incorretas e domínio na arte de constranger os outros. Eefje, uma senhora que acaba de chegar ao asilo com muita graciosidade e seu peculiar hobby de ouvir áudios de pássaros em cds, encanta Hendrik, que passa a nutrir um belo sentimento por sua nova amiga. 

Não há como deixar de falar sobre as interessantes citações acerca da cultura holandesa que são apresentadas no livro. Nós, que não estamos o tempo todo rodeados pela cultura desse país, aprenderemos algumas coisas bem interessantes sobre costumes, culinária, música e até sobre os programas de televisão dos países baixos. 

A excitação ao escrever um diário, coisa que nunca tinha feito antes, os animados passeios e a chegada de alguém especial melhorariam a vida de qualquer um . Estar em uma casa de repouso sem familiares e sem receber visitas nos depressivos domingos torna a ligação de Hendrik ainda mais forte com seus amigos ao redor. Amigos que podem cair e quebrar um osso, entrar em coma, ter Alzheimer ou tantas outras enfermidades e deixá-lo na já experimentada solidão. Desta forma, a leitura nos faz refletir, pois, em meio a tantos sentimentos compartilhados por qualquer faixa etária, a tristeza em ser deixado para morrer é insuperável. 

O leitor poderá experimentar alguma resistência ao ler tanto sobre a defesa quase compulsiva de Hendrik da eutanásia ou mesmo discordar de algumas de suas visões políticas. Poderá achar que o estilo diário nos best-sellers hoje em dia está em sobre demanda, mas não, não há como serem mais forte do que as belas mensagens contidas na obra. Favor, aguarde até os 84 anos para discordar. 



Hendrik Groen

Hendrik Groen pode ser velho, mas nem de longe está morto – e não planeja ser enterrado tão cedo. Seus passeios estão ficando mais curtos porque as pernas já não dão conta, as visitas ao médico se tornaram mais frequentes do que gostaria. É nesse momento da vida que se pergunta se não há nada mais a fazer além de tomar chá fraco e cuidar de flores. Quando o novo ano começa, ele toma uma decisão: escreverá todos os dias um diário, contando os altos e baixos de sua rotina num asilo em Amsterdã. O resultado é um olhar terno e hilário sobre a terceira idade, mas é também um devastador retrato de uma parcela da população esquecida pela família e pela sociedade.
janeiro 31, 2017


O mundo da Literatura foi sacudido em 2016 por uma notícia totalmente inesperada (inclusive pelo protagonista da tal notícia): o vencedor do 113° Prêmio Nobel de Literatura foi Robert Allen Zimmermam, mais popularmente conhecido como Bob Dylan.

Li muitos textos defendendo a escolha da Academia Sueca, mas também muita gente “reclamando” que não achava a premiação justa, já que Bob “nem é um escritor de verdade, ele é um músico!!! Enquanto muitos de nós lutamos a vida inteira para receber um mísero reconhecimento, ele sem esforço algum consegue essa façanha! Marmelada!!!!!”. Quando li coisas do gênero, fiquei chocada com a mesquinharia da mentalidade de alguns pseudo-influenciadores digitais! Vamos nos resignar à nossa insignificância galera, que tal???

A premiação se deu porque, de acordo com a Academia, Bob Dylan “criou novos modos de expressão poética no quadro da tradição da música americana". Mas não foi a primeira vez que a Academia premiou alguém de fora do círculo literário tradicional. Em 1913, o indiano Rabindranath Tagore, músico e também poeta e prosador, foi premiado pela Academia Sueca, mas acho que não causou tanto burburinho negativo na época quanto agora – risos – já que segundo o site da Academia Nobel, é o Nobel de Literatura mais popular atualmente – o de Dylan está em segundo lugar, podem conferir – muitos risos. 

Estou falando tudo isso porque finalizei recentemente a leitura de um livro muito desejado por mim, a autobiografia do Bob Dylan, Crônicas – volume 1, publicado em 2004 pela Editora Planeta de Livros e relançado no final de 2016. Confesso que conhecia muito pouco sobre a figura do Bob, apesar de conhecer algumas de suas épicas canções – Like a Rolling Stone, Knockin' on Heaven's Door, Bringing It All Back Home – muitas versões feitas por outros artistas, mas ano passado assisti ao filme A Música Nunca Parou e ouvi Mr. Tambourine Man que faz parte da trilha sonora e essa canção me derrubou, sério! Imediatamente me pus a buscar vídeos do Dylan cantando essa música e encontrei diversos vídeos dele novinho cantando, tocando violão e harmônica ao mesmo tempo e usando ternos gastos e simples e fiquei me recriminando por nunca ter parado para ouvir Bob Dylan de verdade.

Essa experiência de conhecer o músico, me levou a querer conhecer o escritor e foi com imensa curiosidade que iniciei a leitura. Dylan inicia seus relatos a partir do momento em que chega à Nova York em 1961, durante um inverno cruel, em busca das lendas vivas da música folk e em busca da própria maneira de fazer música:

“Quando cheguei, o inverno estava de matar. O frio era brutal, e cada artéria da cidade estava entupida de neve, mas eu tinha vindo do norte enregelado, um cantinho da terra onde bosques sombrios congelados e estradas glaciais não me chateavam. Eu podia transcender as limitações. Não estava em busca de dinheiro nem de amor. Tinha um senso de percepção ampliado, estava firme no meu rumo” – pg. 15.

Com a cara a e a coragem, Dylan começou seu caminho tocando em pubs, cafés e alguns bares que mantinham o microfone aberto para artistas de todos os gêneros: cantores, atores, comediantes, instrumentistas, etc, e dessa forma começou a travar conhecimentos com pessoas que o levariam a se tornar o grande astro que se tornou, ainda que isso não tenha acontecido de maneira tranquila.

Uma das coisas que mais me chamou atenção na escrita do Dylan, foi o fato de que ele não descreve as pessoas de maneira estereotipada, falando sobre suas características físicas, ele nos mostra as características da personalidade, a forma como a voz soava, de que maneira essas pessoas o faziam se sentir, e é encantador e apaixonante ao descrever figuras que o influenciavam positivamente e que são conhecidas do público que acompanha a história da música mundial:

“Eu estava sempre à procura de alguma coisa no rádio. Assim como trens e sinos, o rádio fazia parte da trilha sonora de minha vida. Movi o dial para cima e para baixo, e a voz de Roy Orbison irrompeu pelos pequenos alto-falantes. (...) Orbison, contudo, transcendia todos os gêneros – folk, country, rock and roll e praticamente qualquer coisa. O lance dele misturava todos os estilos e algo que ainda não fora sequer inventado. (...) Com ele, era sempre do bom e do melhor. Soava como se estivesse cantando no topo do Olimpo e a coisa era séria” – pg. 41.

“Passar o tempo com Bono era como jantar em um trem – parece que você está em movimento, indo a algum lugar. Bono tem a alma de um antigo poeta e você tem que ter cuidado perto dele. Ele pode rugir até a terra tremer” – pg. 189.

Talvez a grande surpresa, tenha sido descobrir que o Dylan mostrado na mídia não é quem a gente imagina. Por volta de seus 30 anos, Dylan já era pai de família e mundialmente conhecido por suas canções. Durante esse período na América, várias questões políticas assolavam o país, além da guerra do Vietnã e coincidentemente ou não, as canções de Dylan de certa forma retratavam as injustiças sofridas pelas minorias, o que levou as pessoas a elegerem Dylan como a voz daquela geração, como se ele fosse o representante que eles precisavam. Mas, para Dylan, isso não passou de um mal-entendido que lhe causou imensos transtornos:

“Tudo o que eu havia feito era cantar canções totalmente sinceras e que expressavam novas realidades poderosas. Eu tinha muito pouco em comum com a geração da qual supostamente era a voz e a conhecia menos ainda. Havia deixado minha cidade natal apenas dez anos antes, não estava vociferando as opiniões de ninguém. Meu destino assentava-se na estrada com o que quer que a vida trouxesse, não tinha nada a ver com representar qualquer tipo de civilização. Ser verdadeiro consigo mesmo, esse era o meu lance. Eu estava mais para vaqueiro do que para flautista de Hamelin.

As pessoas gostam de pensar que fama e riqueza se traduzem em poder, que isso traz glória, honra e felicidade. Talvez traga, mas às vezes não. Me vi enterrado em Woodstock, vulnerável e com uma família para proteger. Contudo, se você olhasse a imprensa, me veria retratado como qualquer coisa menos isso”
 – pg. 128



Diante da persistência de tal situação, Dylan se viu sem opção a não ser desconstruir a imagem que a mídia tinha dele. Dessa forma, começou a escrever canções que nada tinham a ver com seu repertório anterior, voltando-se para canções mais pessoais, introspectivas, ligadas a uma visão muito particular de mundo. Isso causou estranheza inicialmente, mas Dylan conseguiu manter a qualidade de seu trabalho e continuou fazendo sucesso, mas dessa vez sem se sentir atormentado por um rótulo que ele não almejava.

“A velha imagem lentamente se desvaneceu e, com o tempo, não me vi mais sob o dossel de uma influência maligna. Por fim anacronismos diferentes foram lançados sobre mim – anacronismos de dilemas menores, embora pudessem parecer maiores. Lenda, Ícone, Enigma (“Buda em Trajes Ocidentais” era o meu favorito) – coisas desse tipo, mas estava tudo bem. Esses títulos eram plácidos e inofensivos, surrados, fáceis de carregar por aí. Profeta, Messias, Salvador – esses são os difíceis” – pg. 137.

Durante os 5 capítulos em que o livro foi dividido, Dylan compartilha conosco as agruras do início de carreira em Nova York, seu primeiro contrato com uma gravadora (antes mesmo de completar a maioridade), a amizade com Woodie Guthrie (o cantor que mais o influenciou quando decidiu que abraçaria a música folk tradicional e sobre quem compôs uma canção), suas primeiras composições e turnês, os primeiros amores e desamores, sua família e terra natal, os recomeços na carreira, a reconstrução da própria figura em diversas fases de sua carreira. E tudo com uma linguagem lírica, poética, que nos deixa com um sorriso espontâneo nos lábios, sem que percebamos.

É uma viagem incrível dentro da mente de um homem que se reinventou tantas e tantas vezes dentro de um cenário que pode ser muito cruel com aqueles que não tem a força de espírito e convicção no que fazem necessárias para se manter sempre em movimento.

Na era medieval na Europa, uma manifestação muito comum da literatura se dava através do Trovadorismo, onde poesias eram declamadas acompanhadas de melodias e isso é mundialmente aceito dentro da Comunidade Literária. Sendo assim, deixo essas perguntas no ar: seria Bob Dylan um Trovador de nosso tempo? E nesse caso, não seria ele merecedor de um prêmio literário pelo conjunto de sua obra que se mantém viva e atual desde os anos 60? 

Convido vocês a conhecerem o trabalho dele, suas composições atemporais, conhecidas ou não do grande público para poderem chegar a alguma conclusão.

Um beijo grande!
<3


Bob Dylan - Crônicas
2ª edição


“Eu tinha vindo de muito longe e começado muito de baixo. Mas agora o destino estava prestes a se manifestar. Senti como se ele estivesse olhando direto para mim e para mais ninguém.”

Nestas notáveis memórias sobre os primeiros anos de sua carreira, Bob Dylan nos guia pela Nova York dos anos 1960, a cidade mágica cheia de possibilidades que encontrou ao buscar o sucesso – festas esfumaçadas atravessando na noite; descobertas literárias; amores passageiros e amizades verdadeiras. Crônicas: Volume 1 é uma coleção íntima e pessoal de lembranças de um tempo extraordinário, de descobertas e resistência.

Lançado originalmente em 2004, foi considerado um dos livros do ano por jornais e revistas como The New York Times, The Washington Post, The Economist, Newsday, People e Guardian – e comparado, por Mikal Gilmore, da Rolling Stone, aos melhores escritos pessoais de Henry Miller. Revelador, poético, apaixonado e bem-humorado, o livro Crônicas: Volume 1 é uma janela fascinante dos pensamentos Bob Dylan, escancarando suas influências. Com seu dom inigualável para contar histórias e a personalidade que são as marcas registradas de suas músicas, Dylan faz desta obra uma reflexão sobre as pessoas e os lugares que ajudaram a moldar sua vida e sua arte.


janeiro 16, 2017


Olá, pessoal! Vamos conhecer os lançamentos de janeiro da Editora Planeta? :) E como ainda estamos no início do ano, todas as sugestões da editora estão repletas de força e otimismo. Vamos então aumentar a wishlist? <3


Ruído Branco
Ana Carolina de Souza

Ana Carolina é uma das mais populares cantoras de MPB na ativa. Em 17 anos de carreira ela já vendeu mais de 5 milhões de discos e acumulou prêmios nacionais além de duas indicações ao Grammy Latino. Seus fãs conhecem seu lado de compositora, arranjadora e pintora, mas em Ruído Branco, seu primeiro livro, eles serão apresentados a uma nova faceta que desconhecem: poeta. Neste livro de capa dura e recheado de telas e fotos exclusivas de sua intimidade, Ana Carolina apresenta mais de 50 poesias, prosas e letras inéditas escritas ao longo da sua vida.



Sua melhor versão
Flavia Melissa

Enquanto buscarmos a cura do lado de fora, seremos malsucedidos. É aprendendo a olhar para dentro que conseguimos tratar das feridas que dão origem à ideia de que algo nos faz falta.” Este é o ponto de partida de Sua melhor versão – O despertar de uma nova consciência, primeiro livro da psicóloga e educadora emocional Flavia Melissa. Ao compartilhar suas histórias, ela expõe suas feridas, nos fazendo refletir
sobre o significado da vida e como podemos viver de forma plena e feliz. Das dores de um lar destruído, codependência emocional, transtornos alimentares, vazio existencial e uso de drogas, Flavia Melissa traz um olhar sobre si ao mesmo tempo em que fala sobre cada um de nós. “Para onde quer que a gente vá, a gente sempre se leva junto. E saber que temos todos os recursos para construir a realidade que desejamos faz toda a diferença.” Descubra sua melhor versão e desperte-se para uma nova consciência!


Muito além do nosso eu
A nova neurociência que une cérebro e máquinas e como ela pode mudar nossas vidas
Miguel Nicolelis

Andar, escrever e se comunicar só através da força do pensamento. Aquilo que eraencarado como ficção científica, no século XXI está se tornando uma realidade. Umdos principais exponentes do estudo e da realização dessa interface cérebro-máquinaé o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. Eleito por revistas como a ScientificAmerican e a Foreign Policy como um dos mais importantes cientistas e pensadoresdo mundo, ele está conseguindo fazer com que paraplégicos voltem a andar econsigam chutar uma bola através da força do pensamento. A base de seu estudoestá descrito no best-seller Muito além do nosso eu – A nova neurociência que unecérebro e máquinas, e como ela pode mudar nossas vidas. Considerado o melhorlivro de ciências em 2008, quando foi originalmente publicado, ganha uma nova eatualizada edição. Nele, Nicolelis explica como o cérebro cria o pensamento e explicaporque aposta que o culto ao corpo será substituído pelo culto ao cérebro. Recheadode gráficos e fotos, o livro aponta para os avanços nas pesquisas em neurociênciasque estão revolucionando o mundo. E que irão mudar para melhor o modo comovivemos. “Sentado na varanda de sua casa de praia, você um dia poderá conversarcom uma multidão, fisicamente localizada em qualquer parte do planeta, por meio de uma nova versão da internet (a ‘brainet’),sem a necessidade de digitar ou pronunciar uma única palavra. Nenhuma contração muscular envolvida. Somente através do seupensamento”, diz ele.


Silêncio - 2º edição
Shusaku Endo

Com Andrew Garfield e Liam Neeson no elenco, trata da força da fé em tempos perigosos. Profundo observador dos dramas humanos, o escritor narra em Silêncio a saga de missionários portugueses no Japão do século XVII, um período em que os cristãos locais eram brutalmente oprimidos. Capturados e forçados a ver seus companheiros japoneses abrirem mão da vida pela fé, os jesuítas começam a testemunhar crueldades inimagináveis que testam suas próprias crenças. Shusaku Endo (1923-1996) é um dos mais celebrados e conhecidos escritores japoneses.



Poder, política e mudança
Como ajudar a mundo a se tornar um lugar melhor? - 2º edição
Osho

Em mais uma cativante obra da bem-sucedida série Questões Essenciais, o autor aborda importantes temas sobre poder, corrupção, política, rebeldia e vontade de mudanças. Ao refutar a ideia convencional de que “o poder corrompe”, ele propõe, ao contrário, que aqueles que buscam o poder já são corrompidos: assim que atingem seu objetivo, a corrupção, que já estava dentro deles como uma semente, só ganha espaço para brotar. Osho também faz uma interessante análise sobre de onde vem a “vontade de poder” e como ela se expressa não apenas nas instituições políticas, mas também em nossos relacionamentos diários. Baseada em palestras proferidas por Osho ao longo de sua vida, esta nova série de grande sucesso proporciona discussões essenciais para a vida de todo ser humano.

janeiro 12, 2017

Há quase um ano fizemos uma lista com os livros do nosso parceiro Ateliê Editorial que estavam nas listas dos principais vestibulares do país. Neste ano, repetimos a proposta compartilhando a lista divulgada recentemente pela Unicamp, válida para as provas de Literatura de Língua Portuguesa do Vestibular 2017. A lista de obras inclui romances, poesia, peça teatral e contos. Confira:





Luís de Camões - Sonetos | Ateliê Editorial

O desejo de plenitude amorosa, as dificuldades existenciais e a injustiça dos homens estão entre os grandes temas do Renascimento presentes na lírica de Camões. Ricos em antíteses e metáforas, seus sonetos estão entre as mais belas expressões literárias da língua portuguesa. A voz reflexiva que se ergue desses versos produz a elevação do espírito e o entusiasmo verbal. Esta edição traz os poemas mais representativos do acervo camoniano, comentados por dois experientes professores de Literatura.





Jorge de Lima - Poemas Negros | Alfaguara / Companhia das Letras

Esta seleção permite um olhar panorâmico sobre a diversificada obra de Jorge de Lima, poeta que percorreu de forma única os caminhos da poesia brasileira — do início parnasiano, passando pelo verso livre, as experimentações com o soneto, até a épica-lírica de Invenção de Orfeu.

O ritmo e a capacidade de evocar imagens são marcantes na obra do poeta. Mas não se pode esquecer seu profundo senso de responsabilidade humana: o olhar atento para a realidade do povo, do negro e da desigualdade social.

Outro aspecto importante é a densidade mística, resultante de uma forte religiosidade. Por trás da complexidade de seus versos, revela-se uma poesia absolutamente singular e sedutora.




Clarice Lispector, Amor, do livro Laços de Família | Editora Rocco

Laços de família, publicado pela primeira vez em 1960, e reeditado pela Rocco dentro do projeto que incluiu novo padrão gráfico e revisão da obra de Clarice pela especialista em crítica textual Marlene Gomes Mendes, é um tesouro da ourivesaria literária. São treze contos, hoje tidos como clássicos. Entre eles, os festejadíssimos "Amor", "O crime do professor de Matemática", "O búfalo" e "Feliz aniversário", adaptado para a televisão por Ziembinsky.

Neles os personagens são sempre surpreendidos por uma modalidade perturbadora do insólito, no meio da banalidade de seus cotidianos. Clarice cria situações onde uma revelação, que desconstrói e ameaça a realidade, desvela a existência e aponta para uma apreensão filosófica da vida. Em Laços de família, Clarice aprofunda sua técnica narrativa em uma abordagem quase fenomenológica.

Trata a solidão, a morte, a incomunicabilidade e os abismos da existência através da rotina de dona-de-casa ("Devaneio e embriaguez duma rapariga", "Amor", "A imitação da rosa"), do mergulho trágico em uma festa familiar nos 89 anos da matriarca ("Feliz aniversário"), da domesticação da natureza mais selvagem das mulheres ("Preciosidade", "O búfalo"), ou dos pequenos crimes cometidos contra a consciência, como o drama do professor de Matemática diante do abandono e da morte de um animal. São lições de vida na prosa definitiva e transcendente de uma sacerdotisa da nossa literatura.


Guimarães Rosa, A hora e a vez de Augusto Matraga, do livro Sagarana | Editora Nova Fronteira

Guimarães Rosa é, por seus experimentos lingüísticos, sua técnica e sua inventividade, o mais completo renovador de nossa ficção. segundo Alceu Amoroso Lima, trata-se de 'autor absolutamente inqualificável, a não ser nas categorias do gênio, isto é, dos grandes isolados'. Apresentando a paisagem e o homem de sua terra numa linguagem já então exclusiva, Guimarães Rosa fez de Sagarana a semente de uma obra cujo sentido e alcance ainda estão longe de ser inteiramente decifrados.

(Ps: Livro esgotado em muitos sites. De repente vale entrar em contato com a Nova Fronteira. Ah, existe uma edição de bolso deste conto publicada pela Editora Saraiva. Vale a pesquisa também!)


Monteiro Lobato, Negrinha, do livro Negrinha | Globo Livros (Na Livraria da Folha você encontra uma edição apenas com o conto)

"Negrinha" (Editora Globo), originalmente publicada em 1923, após o sucesso de "Urupês", forma um painel que coloca lado a lado a farsa e o sarcasmo, a tragédia e a compaixão, construindo alguns tipos nacionais da época, como o burguês escravocrata e o ex-escravo sofredor.

O conto, drama da filha de uma ex-escrava nas mãos da patroa, é o que dá título à obra. Os personagens das histórias formam um retrato da população brasileira do início do século 20, com os quais Lobato denuncia os bastidores de uma sociedade patriarcal.

É uma forte crítica que deixa transparecer os vestígios de uma persistente mentalidade escravocrata da sociedade, mesmo décadas após a abolição.



Osman Lins - Lisbela e o prisioneiro | Editora Planeta de Livros

Original de 1964, o livro que inspirou o filme de Guel Arraes é uma comédia com referências nordestinas.

A fidelidade de Osman Lins à busca de uma expressão própria na ficção, decorrente de uma recusa à cômoda retomada do já conquistado e de uma fé inabalável no poder criador da palavra, foi reconhecida e admirada pela crítica brasileira e estrangeira, com raras exceções. No entanto, ele é um autor ainda pouco difundido. Por isso é oportuna esta publicação de Lisbela e o Prisioneiro.

Esta obra permite ao público entrar em contato com o texto, no registro dramático, de um autor meticuloso no uso da palavra e na arquitetura da peça. Lisbela e o Prisioneiro foi sua primeira peça a ser encenada com sucesso. E com certeza, é a que até hoje teve mais alcance de público. Se muito da fama de uma peça deve ser creditado ao trabalho de direção, ao desempenho dos atores, à cenografia, ao figurino, à iluminação, ao som; outro tanto pelo menos também deve ser atribuído ao texto do dramaturgo.

(ps: em breve vai rolar resenha do Lisbela aqui no Blog <3 Nossa amiga Regiane já está com o seu exemplar em sua prateleira)




Aluísio Azevedo - O cortiço | Ateliê Editorial

No Rio de Janeiro do final do Império, o cotidiano miserável de uma habitação coletiva. Em seus cubículos amontoam-se os desfavorecidos e marginalizados da sociedade, com suas agruras e percalços na luta pela sobrevivência.

Trabalhadores modestos, imigrantes, malandros, prostitutas... Em meio a tantos personagens marcantes, o protagonista deste livro é o próprio cortiço, que parece adquirir vida própria e arrasta tudo e todos com seu ímpeto de degradação.

Se O Cortiço é dos romances mais contundentes da literatura brasileira, este volume possui atributos que o convertem na melhor edição do clássico de Aluísio Azevedo. Além de texto estabelecido conforme a última edição em vida do autor, contém iconografia histórica e notas de rodapé por Leila Guenther. O ensaio de apresentação foi escrito por Paulo Franchetti, que, revisando noções consagradas, oferece argumentos para uma nova leitura do romance.


Camilo Castelo Branco, Coração, cabeça e estômago | Martins Fontes

Neste livro, o leitor encontrará um dos momentos mais luminosos da obra do autor: uma novela satírica, na qual o que dá a solda dos vários episódios soltos e razoavelmente simples é o estilo e o jogo entre as instâncias narrativas e autorais. Por conta disso, Coração, cabeça e estômago talvez seja, dentre todos os de Camilo, o livro que reúna mais probabilidades de permanecer como referência viva para a prosa contemporânea de língua portuguesa ao longo do século que se inicia.

Sobre o autor: Um dos escritores mais lidos no Brasil durante o século XIX, Camilo Castelo Branco é uma referência importante para se compreender os rumos da ficção brasileira dos períodos romântico e realista. Foi o primeiro escritor português a viver apenas do seu ofício. Numa sociedade que não dispunha de um número expressivo de leitores, num tempo em que os direitos autorais estavam começando a ser reconhecidos, Camilo teve de escrever muito. Suas obras contam-se em centenas: foi poeta, teatrólogo, novelista, crítico literário e tradutor de grande atividade. O espantoso, no caso, não é que tenha escrito tanto, mas que tenha escrito tanto e tão bem sobre um enorme leque de assuntos, versados em vários gêneros.

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Érico Veríssimo, Caminhos Cruzados | Companhia das Letras

Neste romance, Erico Verissimo narra episódios da vida de duas dezenas de personagens na Porto Alegre da década de 1930 e tece uma crítica incisiva aos desníveis sociais e à hipocrisia moral de nossa sociedade. Com apresentação de Antonio Candido e prefácio de Moacyr Scliar.

Influenciado pela técnica de intrigas entrelaçadas e pela ausência de personagem principal da ficção de Aldous Huxley, Erico Verissimo escreveu Caminhos cruzados, tendo como cenário uma Porto Alegre onde já se confrontavam modernização e miséria, luxo e desencanto.

Sem narrar acontecimentos de vulto, o autor expõe o nervo da fragilidade humana. Sua capacidade de fabulação ainda hoje provoca impacto e lança um apelo à sensibilidade.


José de Alencar, Til | Ateliê Editorial

Til é o apelido de Berta, moça que se envolve nas mais intrincadas tramas, sempre buscando ajudar os que precisam. Capaz de enfrentar jagunços, Berta não mede esforços ao buscar a realização de seus intentos. Violências, mistérios e triângulos amorosos constituem esta história.

Além do texto fidedigno de Til, o presente volume contém o primeiro ensaio sistemático sobre o romance de José de Alencar. Nele, Ivan Teixeira desenvolve a hipótese de que, por trás de aparente ingenuidade romântica, a narrativa esconde uma densa investigação poética da existência. A obra conta ainda com notas de esclarecimento ao texto de Til, em que se discutem aspectos de construção narrativa e de sentido literário, e um extenso glossário de termos considerados estranhos ao leitor atual. As ilustrações são de Sergio Kon.


Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas | Ateliê Editorial

Publicado em 1881, “Memórias póstumas de Brás Cubas” é um dos mais famosos romances de Machado de Assis, um marco na literatura brasileira. Narrado por um defunto autor, uma voz irônica que se dirige constantemente ao leitor, a trama começa com o enterro de Brás Cubas, passa por seus delírios, volta à infância do personagem e, de forma nada linear, traz para o centro da cena vários episódios da vida desse excêntrico narrador.

Apesar desse mote fantasioso, o primeiro grande livro de Machado de Assis é um retrato realista do Segundo Reinado brasileiro. De maneira crítica e bem-humorada, o defunto conversa com o leitor para narrar casos de adultério e tramas políticas da elite do período. Além de um ensaio estimulante sobre o texto machadiano, o professor Antônio Medina Rodrigues preparou mais de 500 notas que explicam a obra e seu contexto.


Mia Couto - Terra Sonâmbula | Companhia das Letras

Primeiro romance de Mia Couto, Terra Sonâmbula é uma verdadeira aula sobre a velha arte de contar histórias. No Moçambique pós-independência, mergulhado em uma devastadora guerra civil, um velho e um menino empreendem uma viagem recheada de fantasias míticas.

Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Como se sabe, depois de dez anos de guerra anticolonial (1965-75), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992.
O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os 'cadernos de Kindzu', o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga, e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra.

Terra Sonâmbula - considerado por júri especial da Feira do Livro de Zimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX e agora reeditado no Brasil pela Companhia das Letras - é um romance em abismo, escrito numa prosa poética que remete a Guimarães Rosa. Couto se vale também de recursos do realismo mágico e da arte narrativa tradicional africana para compor esta bela fábula, que nos ensina que sonhar, mesmo nas condições mais adversas, é um elemento indispensável para se continuar vivendo.

dezembro 27, 2016


Sobre viagens no tempo em busca da luz

Ao menos uma vez em nossas vidas, existe o momento em que nos aconchegamos em um canto qualquer, bem na hora de dormir e não escapamos de um olhar furtivo para alguma coisa que nos chama a atenção ao teto. Está escuro. Os olhos se abrem bastante, e depois se fecham. Não vemos nada. Talvez alguma luz insignificante vinda do lado de fora. Mas ainda está escuro. Nossa imaginação sente cócegas ao roçar dos cílios das trevas em nosso rosto. Poderíamos estar no lugar de nossos pais deitados ali, ou no lugar de nossos avós, ou das pessoas que estiveram naquele mesmo lugar há séculos. De súbito, a mente parece atravessar o tempo. Mas o tempo é preciso, comedido, limita nossa imaginação ao manto escuro ao redor, e percebemos o quanto estamos sozinhos. A sensação de infinidade da imaginação existe apenas porque o pensamento está preso em uma silenciosa espiral, como um carrossel de luzes apagadas indo para lugar algum. E adentrar os porões do sono não nos deixa um intervalo perceptível, uma janela de tempo que se possa medir. Então, finalmente você adormece. E o tempo se apaga como farol quebrado. O tempo, por mais que algumas pessoas tendam a dizer que é fenômeno meramente psicológico, uma coisa da nossa cabeça, ele não serve a nós. Nós é que somos servos dele. E mesmo ao despertarmos no dia seguinte, somos capazes de senti-lo apenas como uma companhia intangível e evidente. Tão evidente que não é incomum um sem número de escritores fantasiarem interrompê-lo, dobrá-lo, atravessá-lo como uma estrada em suas histórias, ou simplesmente, como é caso da história “A Torre Negra”, de C. S. Lewis, sentar no escuro e observá-lo ser projetado em uma tela feita de lençol branco.

“- Mesmo se fosse levado lá, o que seria pior do que meramente ver a cópia de alguém ali, isso não seria diferente de outras desgraças. E desgraça não é o inferno, nem de longe. Um homem não pode ser levado ao inferno, ou enviado para lá: só você pode chegar lá por suas próprias forças.”

A viagem no tempo é a premissa de “A Torre Negra”. Um longo conto salvo das chamas por Walter Hoper, amigo de Lewis. Publicado postumamente, narra a história de quatro homens (Orfeu, MacPhee, Ransom e o próprio Lewis) cuja curiosidade do primeiro a respeito da natureza do tempo motiva-o a construir um cronoscópio, junto ao assistente Scadamour. O cronoscópio é um aparelho capaz de captar imagens de tempos remotos. Conforme a teoria que Orfeu descobre em um misterioso livro, a alma, se não fosse submissa às leis da matéria que limita nosso corpo, seria capaz de viajar no tempo. O corpo, continua a tese, é retido no espaço dimensional ao qual ele pertence, impossibilitando o deslocamento para o futuro ou passado.
  
Conforme os cientistas analisam a Torre, se desvelam estranhos povos humanoides de estranha aparência em um mundo aterrador. Todavia, o fato mais estranho foi que, durante a observação da construção da Torre Negra, surge a duplicata exata de Scudamour. O caso aguça ainda mais a curiosidade quando outra duplicata surge para um ritual de mutação. A perfeita cópia de Camilla Bembridge, noiva de Scadamour. O impulso violento de Scadamour é o suficiente para desencadear um pequeno desastre que dá início a uma viagem sem volta para o Outrotempo.

“Eu gostaria muito de acreditar que estava sonhando, mas de algum modo sabia que não estava. Minha real convicção foi de que eu havia morrido. Eu desejei – com um fervor que nenhum outro desejo meu jamais alcançou – que tivesse vivido uma vida melhor.”

Além de “A Torre Negra”, outros quatro contos compõem o livro. “Anjos Ministradores” é uma ficção científica ambientada no espaço sideral e bem humorada. Trata-se da história do envio de acompanhantes nada atraentes para prestar serviços sexuais a astronautas em Marte. Particularmente achei o desfecho bem engraçado. O conto “As formas das coisas desconhecidas” narra a quarta tentativa de viagem à Lua. Não se há menor ideia do que teria interrompido as missões anteriores. É o corajoso tenente John Jenkin que se depara com a causa do fracasso. No espaço cósmico, distante de qualquer amparo, Jenkin descobre que o ser humano não é absolutamente nada diante dos horrores escondidos nos cantos mais recônditos da realidade. “As terras fajutas” trata-se de um homem que subitamente se vê em um lugar muito parecido com o nosso mundo, mas onde as cores, os sons e a textura das coisas ora são estéreis e insossos, ora são ainda mais explícitos e reais, aparentemente rompendo os filtros dos sentidos, possibilitando-o a explorar conscientemente os próprios sonhos.

“Um homem cego tem poucos amigos; um homem cego que recentemente recebeu sua visão, em certo sentido, não tem nenhum. Ele não pertence nem ao mundo dos cegos, nem ao dos que enxergam e ninguém pode compartilhar sua experiência”.

Fiquei em dúvida se o meu favorito foi “Depois de dez anos” ou “O homem que nasceu cego”. O primeiro é sobre o personagem secundário de um épico fundamental na literatura clássica do ocidente. Eu me recuso dizer qual é o nome da história. Leiam “Depois de dez anos” e procure a referência por si. Apesar de incompleto, certamente é um dos melhores contos que já li. Sem dúvida. Procure. Não, não vou dizer qual é. Não se preocupe. Você não irá se arrepender. 

O segundo conto é sobre Robin, um homem que é curado de sua cegueira. Em suas caminhadas matinais, ele descobre que não pode encontrar a luz da forma como imaginou durante toda a vida. Por isso, agora deseja encontrar a luz para além de sua fonte, para além das lâmpadas de filamento ou do astro luminoso no céu. Necessita encontrar a luz em sua forma pura e essencial. Lewis deixa claro (ao menos para mim) que, apesar de o mundo parecer tão óbvio e claro, jamais devemos abandonar a vontade desperta em nosso íntimo, uma vontade mais antiga e profunda que a imaginação.

 

C. S. Lewis - Editora Planeta de Livros

Sinopse: Continuação memorável das fantasias de C. S. Lewis, estas seis histórias revelam mais uma vez o poder e a visão deste importante contador de histórias, um dos nomes centrais da literatura de fantasia universal.

A Torre Negra é um esboço de um quarto volume que daria continuidade à aclamada série de ficção científica de Lewis conhecida como Trilogia cósmica. Uma história cativante que continua as aventuras de personagens como Dr. Elwin Ransom e MacPhee. Na trama, cinco homens se reúnem no escritório de Orfeu, na Universidade de Cambridge, para testemunhar a violação do espaço-tempo por meio do cronoscópio, um telescópio que não olha apenas para um outro mundo, mas para outras dimensões. Ao longo das narrativas, seus personagens travam debates brilhantes sobre a matéria, no tempo e no espaço. Para os fãs de Crônicas de Nárnia e da Trilogia cósmica, este é um livro imprescindível.
dezembro 16, 2016

“O que meu coração deseja não é navegar para o futuro. O futuro é o desconhecido. E por mais que eu dê asas à minha imaginação, não consigo amar o que não conheço. Pode ser que ali se encontrem as coisas maravilhosas – mas, como eu nunca as tive, não posso amá-las. Não sinto saudades delas. A saudade é um buraco na alma que se abriu quando um pedaço nos foi arrancado. No buraco da saudade mora a memória daquilo que amamos, tivemos e perdemos: presença de uma ausência” – pg. 108.


Do Universo à Jabuticaba, Rubem Alves

Pedagogo, poeta, cronista, contador de histórias, ensaísta, teólogo, acadêmico e psicanalista. Todas essas facetas de Rubem Alves podem ser contempladas em Do Universo à Jabuticaba, publicado pela editora Planeta de Livros Brasil. Neste livro único e encantador, somos arrebatados para o mundo particular desse mineiro-quase-campinense.

Através de textos aparentemente aleatórios, podemos enxergar a maneira como Rubem encarava determinados assuntos, como vida, morte, alma, envelhecimento, música, literatura, Deus... Ao menos um pouco. Os textos de Rubem Alves têm a incrível capacidade de nos arrebatar, sem fazer uso de firulas ou uma linguagem muito formal. Ele brinca com as palavras mais simples, mais reais, fazendo com que role uma empatia quando lemos uma frase que seja sobre o assunto mais complexo, às vezes até sobre algo que nunca nos passou pela cabeça.

“Cada momento de alegria, cada instante efêmero de beleza, cada minuto de amor, são razões suficientes para uma vida inteira. A beleza de um único momento vale a pena de todos os sofrimentos” – pg. 17.

“Os sonhos são efêmeras visões das paisagens da alma, as paisagens que fazem a nossa pele do lado de dentro, o lado do coração” – pg. 34.

Sem prepotência, nem deboche, ele nos dá sua opinião sobre as grandes questões da vida, nesse que é um grande compêndio de seus textos, de sua forma de pensar. Acho difícil alguém ler Rubem Alves e continuar a ser a mesma pessoa de antes, ele é um desses raros que nos fazem questionar quem somos e para onde estamos indo, de uma maneira tão sutil, que quando percebemos estamos emocionados com a mais singela declaração dele. Uma leitura pra vida, com certeza!!!

“Duas são as maldições da velhice. Primeira: quando não se tem forças para fazer o que se deseja fazer, como subir quatro lances de escada sem perder o fôlego e outras proezas semelhantes. Segunda: quando não o deixam fazer aquilo que você pensa que pode fazer. Quando a boca é proibida de falar o que o coração sente, os falam sem palavras” – pg. 61.

“O tempo passa. As estações se sucedem. E depois do inverno a primavera volta.” – pg. 145.

Conheça também outros títulos de Rubem Alves publicados pela Editora Planeta:


Ah, aqui no blog já apresentamos o Se eu pudesse viver minha vida novamente! Vale conhecer :)

“Alegria é o que acontece com o corpo quando ele se encontra com aquilo que desejava. Coisa simples e efêmera... A felicidade é discreta, silenciosa e frágil, como a bolha de sabão. Vai-se muito rápido, mas sempre se pode assoprar outras” – pg. 224.
novembro 02, 2016

"A filosofia deveria nos ajudar a enfrentar o mundo, a vida e a morte. (...) Mas aqui não é o caso; aqui o caso é aprender a usar a filosofia para que, quem sabe, você levante de manhã menos perdido do que faz quase todo dia. Ou, quem sabe, menos mentiroso sobre si mesmo e sobre o que sente e vê. Ou, quem sabe, entenda melhor o tempo em que vivemos. (...) Conhecer demanda trabalho, conversar com outras pessoas e ler alguns livros. (...) Uma opinião vazia, qualquer bêbado tem. 

(...) Mas (...) existem outros motivos para vivermos uma vida que não sentimos que seja a nossa. Um desses motivos para não conseguirmos viver a nossa própria vida pode ser mais prosaico e banal: não termos grana e sermos obrigados a ser motoboy, e pronto. Ou trabalhar em telemarketing. Está na moda gente bonitinha falar que os mais jovens estão mudando seus valores para com o trabalho. Bobagem: (...) existe gente que pode escolher o que faz porque tem grana.

(...) Falar em sua própria língua é, antes de tudo, ter coragem de enfrentar os problemas que a filosofia nos traz, sem medo de sermos obrigados a pensar em coisas de que não gostamos. É desistir de agradar quando se pensa." (pg. 26 / 30-31 / 38)

 

Um dos debates mais comentados dos últimos dias foi o encontro entre Luiz Felipe Pondé e Leandro Karnal no programa Roda Vida da TV Cultura. Curiosamente, o que despertou um maior interesse das redes não foi necessariamente o debate, mas a treta causada pela participação de toda uma geração de influenciadores digitais (ou melhor, youtubers) como entrevistadores e comentaristas do programa. Sem entrarmos na questão do mérito ou qualidade de tais participações, porém, como uma espécie de introdução ao assunto-resenha deste post, prefiro compartilhar a resposta do Pondé, em um dos minutos finais do programa, quando questionado se os influenciadores digitais seriam os novos filósofos:

"Tem a figura do filósofo hoje, que é associada com alguém que (...) estuda, faz faculdade, mestrado, doutorado (...), alguém que tem um diploma de filosofia e, ao mesmo tempo, tem a figura do filósofo (...) que é alguém que tem um dom e um interesse por organizar um conhecimento, e olhar o mundo, como a gente fala em Filosofia, "fora do senso comum"; (...) significa olhar o mundo de um modo não tão comum, e não tão banal (...). Eu tenho muitos colegas que estudaram Filosofia comigo e se transformaram em profissionais de Kant, profissionais de Descartes, profissionais Platão, e passam a vida lendo esses autores,interpretando, e analisando, e portanto não estão fazendo filosofia no sentido de uma ferramenta que de alguma forma dialoga com o mundo, e tenta entender o mundo, e às vezes complicar o mundo. Então, neste sentido, (...) acho que você pode ter alguém que está nas mídias sociais e, por temperamento... Porque é muito difícil fazer Filosofia se você não angariar algum repertório... (...) Independente do diploma ou não, você tem que ter alguma disciplina pra angariar um repertório pra produzir algum tipo de olhar pelo mundo que não seja um olhar banal, de senso comum, como se fala em Filosofia. (...) Você pode conseguir esse tipo de olhar fora da faculdade se você tiver alguma disciplina e um certo temperamento. Então, não acho que os influenciadores de mídia serão os futuros filósofos, mas acho que você pode ter influenciadores de mídia que, em um dado momento, se diferenciam em termos de repertório, se interessam por um olhar mais sofisticado pelo mundo, e mais complexo, e de repente podem fazer a função de Filósofos sim, por que não?"  

Com este perfil-de-autor em mente, recomendo a leitura de Filosofia para Corajosos, onde Luiz Felipe Pondé convida-nos a pensar com a própria cabeça, porém, sem esquecer que "existe uma gigantesca beleza no ato de pensar, (...) e que essa beleza não é uma simples criação minha ou sua. Ela é acessada quando dialogamos com toda uma tradição de pensamento. (...) Uma das coisas mais importantes em filosofia é a gratidão para com todos os que pensaram antes de você, ainda que você discorde deles."
(pg 18 e 22)


Ed. Planeta de Livros

Sinopse: O objetivo deste livro é ajudar o leitor a pensar com a sua própria cabeça. Para tal, o filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé, autor de vários best-sellers, se apoia na história da filosofia para apresentar argumentos para quem quer discutir todo e qualquer tipo de assunto com embasamento. Afinal, os grandes filósofos estudaram, pensaram e escreveram sobre os temas essenciais com os quais ainda lidamos no mundo contemporâneo. O livro está dividido em três partes: “Uma filosofia em primeira pessoa”, onde o autor conta como ele entende a filosofia; “Grandes tópicos da filosofia ao longo dos tempos”, que traz um repertório básico dos temas que todo mundo precisa conhecer mais a fundo; e “Por que acho o mundo contemporâneo ridículo”, uma análise ferina da sociedade atual.


É preciso coragem para desviar do senso comum. Embora rasa, a coletividade esmaga o indivíduo, e desafia nossa prudência e autonomia. O desejo pode tornar-se também insustentável, e destruir alicerces, bengalas e ânimos postiços. Na parte II do livro (um resumo da primeira está no excerto inicial do texto), Pondé convida o leitor a conhecer (e considerar) algumas das grandes questões que assombram os homens comuns, assim como a história da própria filosofia: 1) O que estamos fazendo aqui no mundo?, 2) Existe vida após a morte?, 3) Se Deus não existir, tudo é permitido?, 4) Existe evolução moral da humanidade?, 5) Dinheiro compra amor verdadeiro?, 6) A democracia é uma boa mesmo ou é um regime que junta quantidades enormes de idiotas e as joga sobre você?, 7) Mulher gosta de homem fraco e pobre?, 8) Vale a pena ser honesto?, 9) O que é melhor: um filho ou um cachorro? e 10) Ter conhecimento faz de você uma pessoa melhor?.

Realmente, é preciso coragem pra falar de si mesmo. E continuar acreditando naquilo que nos tornamos a cada dia. Pondé é bem direto nessa hora: "Gostamos de pensar em nós mesmos como caras legais e temos dificuldade de nos avaliarmos moralmente, como indivíduos e como espécie.(...) Mas não escrevo este livro para acomodar o pânico da classe média. Escrevo para quem deseja falar sua própria língua em filosofia, e o primeiro passo é não ter medo do que pensamos em silêncio, apesar de termos medo de dizer em voz alta." (pg. 48 e 59)


Com qual pensamento de mundo você se conecta? Quais ideias você não abandona, e quais escolheu para serem debatidas? Será que conseguimos distinguir aquilo que aceitamos daquilo que por obrigação ou medo toleramos? Ainda na parte II do livro, Pondé aborda os grandes embates entre religião e espiritualidade; metafísica e ceticismo; moral, ética, valores e hedonismo; economia, política e democracia. E acrescenta: "No final, a vida é, em muito, como passar o tempo sem se desesperar." (p. 143)

O livro encerra com uma reflexão sobre o mundo contemporâneo e seus ativismos, e claro, sobre os enganos de tudo isso. O último capítulo, "O silêncio do mundo" resume bem este espírito: "Não quero falar só do tema já desgastado da sustentabilidade. É o desejo humano que é insustentável".

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outubro 26, 2016

http://www.planetadelivros.com.br/depois-do-fim-livro-221607.html

Depois do Fim

Fim. Término, encerramento, conclusão. Fim. 

Fim da viagem, fim do dia, fim da refeição, fim do período de descanso, fim do horário de verão, fim do texto, fim do relacionamento. Fim.

O término de qualquer origem pressupõe que algo existiu, teve seu tempo determinado, ou sua função realizada, e o momento de se transformar em outra coisa chegou. Sim, porque o fim de algo não necessariamente leva à extinção do que existiu, pode haver uma mudança de paradigma e outra coisa surgir daí. Especialmente quando se trata de relacionamentos e os sentimentos dos envolvidos. Essa é a premissa de Depois do Fim, novo livro de crônicas de Daniel Bovolento (publicitário e criador do blog Entre Todas as Coisas, além de colunista em portais como Casal Sem Vergonha e Área H), publicado pela Editora Planeta de Livros.

O que acontece quando você tem que terminar um relacionamento que, a seu ver, não faz mais sentido? E o que ocorre quando você acha que tá tudo bem, mas seu companheiro não vê assim e decide pôr um fim na relação de vocês? Como seguir em frente com um turbilhão de sentimentos conflituosos atrapalhando seu caminho? Como lidar com o fato de que machucou alguém que foi tão importante pra você? Como suportar a dor de ser rejeitado após entregar partes de você que mais ninguém tinha acesso? Dureza, não?

“Será que a gente vai transformar o amor que a gente tinha em falta?” (pg. 16)

Estar em nenhum dos dois lados é fácil, por mais que as pessoas em geral acreditem que quem terminou é algum tipo de vilão. O processo de decisão do fim é difícil e aterrorizante, já que as dúvidas sobre a assertividade dessa ideia corroem lentamente o afeto que ainda nos liga ao outro, tornando cada momento amargo até que não há mais nada a fazer a não ser nos libertar desse sentimento opressor de que estamos enganando uma pessoa tão importante em nossas vidas.

Ser deixado também é doloroso. Ser alvo de uma rejeição não é algo com o qual nós humanos, estamos acostumados a lidar. Ouvi de uma pessoa recentemente que a dor de ser deixado era maior do que a da perda de um ente querido, isso porque a pessoa que morre não escolhe o seu destino, e a pessoa que deixa o companheiro escolhe isso. Saber que a pessoa que é alvo do seu afeto escolheu deixar para trás tudo o que construíram juntos, de fato, é pra dilacerar nosso coração.

“Quando acaba, ambos saem um pouco mais destruídos (ou aliviados). Mas os dois sentem, os dois sofrem, os dois têm visões diferentes do seu lado da moeda. Por mais que às vezes pareça que é, o amor não é um simples e fácil jogo de cara ou coroa” (pg. 45)

Mas uma coisa é certa, todos nós nos recuperamos desses finais dolorosos. Talvez a dor não passe, algumas delas nós carregamos a vida toda, mas acabamos nos acostumando à sua presença, como uma velha companheira que nos lembra de tempos melhores. Afinal de contas, nós lamentamos aquilo que consideramos ter perdido, e isso só ocorre com as coisas boas, com as pequenas delicadezas, os gestos despretensiosos que constroem os relacionamentos bloco por bloco, as singularidades que nos unem ao outro.

“É como se algo te despertasse pra vida e colocasse nas suas mãos mais uma chance de ser leve, mais uma chance de preencher essa caixa que tu leva no peito e que ainda não deu lugar a ninguém que ficasse sem incomodar, sem remexer tudo de uma maneira errada, sem fazer com que você sentisse tudo isso porque finalmente o amor chegou” (pg. 214)

Com maestria e simplicidade, Daniel nos leva através de desabafos, lembranças e diálogos, a vivenciar as sensações que esse momento tão delicado e crucial, provoca. A cada texto você se pega vivendo a dor, tristeza, melancolia e por fim esperança. Sim, esperança! Pois para cada final, sempre há um novo começo e não podemos nunca perder isso de vista em nossa jornada.

 

Sinopse: Como fica a minha vida depois de você? Como é que a gente faz para esquecer alguém?
Os primeiros vestígios do fim, as despedidas, deixar alguém, ser deixado, o recomeço, a necessidade de se acostumar a viver sozinho de novo, os flashbacks, as ligações de madrugada, a falta que persiste, os novos encontros, os velhos encontros, a gente encontrando a gente, um mundo novo surgindo, a luz no fim do túnel. Em Depois do fim, Daniel Bovolento conta a trajetória de todo mundo que terminou alguma coisa e tem que aprender a lidar com as diferentes dores e superações de quem perdeu um amor. 

São 50 textos em que se misturam crônicas e desabafos sobre recomeço, aprendizado e a esperança de um novo final feliz. “Cada um de nós encontra uma maneira diferente de encarar o fim. Cada um de nós passa por fins diferentes, por mais que tenhamos tido histórias parecidas.”
outubro 23, 2016

Outubro, este melhor-mês que passa rápido demais, também está repleto de lançamentos e reimpressões! Confira nossos títulos preferidos da Editora Planeta de Livros:


O sapo que queria ser príncipe - 2ª edição

Rubem Alves

O sapo que queria ser príncipe é um livro de memórias. Isso poderia ser verdade se o autor não fosse Rubem Alves.

Em sua obra, nada é assim tão simples de ser classificado. Suas memórias não são apenas memórias. Nestas páginas, as histórias do menino que deixa o interior de Minas Gerais para se aventurar pelo Rio de Janeiro são verdadeiras pérolas de sabedoria. O estilo do autor transforma cada relato em uma deliciosa lição de vida repleta de filosofia e poesia. Terminamos o livro com vontade de querer saber como tudo aquilo continuou.

Como o pastor virou escritor, não abandonando a religião, mas trazendo o que ela tem de melhor para mais perto de todos através da literatura. Ler as memórias de Rubem Alves é um privilégio.

 
Ostra feliz nao faz pérola - 2ª edição
Rubem Alves

A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo, a ostra diz para si mesma: “Preciso envolver essa areia pontuda que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire as pontas…”

Ostras felizes não fazem pérolas... Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída... Por vezes a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade. Esse livro está cheio de areias pontudas que me machucaram. Para me livrar da dor, escrevi.


50 grandes ideias da humanidade que você precisa conhecer
Ben Dupré

É com essa frase do escritor francês Victor Hugo que Ben Dupré inicia este livro. Não poderia ter escolhido melhor. Afinal, as ideias constroem governos e os derrubam, criam novos comportamentos e tendências, alimentam crenças e desconstroem mitos. Nada é mais forte do que uma ideia, por mais que ela assuste ou encante. Dividido em seis grandes grupos – filosofia, religião, política, economia, artes e ciências –, este livro apresenta os conceitos básicos por trás de cada tema. Em filosofia, por exemplo, aborda diversas correntes do pensamento e alguns dos conceitos criados para dar conta dos grandes dilemas humanos. Já em religião, discute questões básicas e movimentos como o fundamentalismo e o criacionismo. A parte dedicada à política é a maior porque engloba todo tipo de movimento: do liberalismo ao racismo, do fascismo ao feminismo. Os principais movimentos artísticos, as teorias mais importantes da ciência e da economia completam as 50 grandes ideias da humanidade que você precisa conhecer.


Amor verdadeiro
Jude Deveraux
Ambientado numa ilha paradisíaca e um dos romances mais cultuados de Jude Deveraux, best-seller americana que já vendeu mais de 60 milhões de exemplares pelo mundo, o livro conta a história de Alix Madsen. Quando ela está terminando a faculdade de arquitetura, Addy Kingsley, amiga de seus pais, morre. No testamento, a mulher estipula que a jovem tem direito a viver por um ano em sua encantadora casa do século XIX na ilha de Nantucket (Massachusetts), EUA. O relacionamento de tia Addy com a família Madsen é um mistério para Alix, mas ela aceita a oferta e, ao chegar na propriedade dos Kingsley, percebe que não é má ideia passar uma temporada ali. Além de o lugar ser um sonho para qualquer arquiteto, ela conviverá com o charmoso Jared Montgomery Kingsley, dono de um dos mais importantes escritórios de arquitetura do país e sobrinho-neto de Addy, portanto, herdeiro natural da casa. O que Alix não imaginava era que tia Addy tinha um propósito muito específico para ela quando a colocou naquele lugar: solucionar o desaparecimento de Valentina, uma das mulheres da família Kingsley, ocorrido cerca de dois séculos antes. Em meio ao verão na ilha, Alix e Jared serão obrigados a conviver, o que pode ser a chave para desvendar o tal mistério dos Kingsley.


A invenção da natureza
A vida e as descobertas de Alexander Von Humboldt
Andrea Wulf

A invenção da natureza revela a extraordinária vida do explorador, geógrafo e naturalista alemão Alexander von Humboldt (1769-1859), o cientista mais conhecido de seu tempo. Com suas descobertas, fruto de expedições pelo mundo afora (escalando os vulcões mais altos do mundo, cruzando a Sibéria em plena epidemia de praga, navegando pela então ameaçadora Amazônia), gerou inveja em Napoleão Bonaparte, inspirou Simón Bolívar em sua revolução e Darwin a zarpar com seu navio Beagle. Sua história é contada neste livro de forma saborosa e profunda, partindo de uma ampla pesquisa sobre o homem que concebeu a maneira como vemos a natureza hoje. Best-seller nos Estados Unidos e na Inglaterra, e com os direitos vendidos a mais de 20 países, A invenção da natureza foi aclamado pela crítica e ganhou prêmios como o Costa Biography Award e o Los Angeles Times Book Prize de 2016.


O império do oprimido
Guilherme Fiuza

O primeiro governo popular assume prometendo libertar o país da opressão dos ricos. Filha de um dos homens mais ricos do país, a jovem Luana Maxwell rompe com a família aristocrática no dia da eleição.

Sufocada, aos 25 anos, ela sai de casa só com a roupa do corpo, afrontando duplamente o pai magnata: abre mão da herança da sua rede de hotéis e vai procurar a “vida real” ao lado dos adversários políticos dele. Sua ponte para o universo progressista é o advogado Beto Leal, seu professor de mestrado, por quem ela está fascinada. Beto acaba de criar uma ONG e Luana começa a trabalhar com ele no momento em que a organização conquista um contrato com o governo – graças ao publicitário Marivaldo Valadares, operador invisível do partido do novo presidente. Vendo o dinheiro cada vez mais abundante nas mãos dos defensores dos pobres, Luana Maxwell vai descobrindo seu novo mundo como uma Alice no país das maravilha progressistas: o amor, a verdade e a solidariedade num balé alucinante com as verbas, os votos e o poder. Neste romance sobre a vida política no século 21, o jornalista Guilherme Fiuza levanta o véu das ideologias para exibir os personagens trágicos e cômicos que circulam no mercado da bondade.