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Mostrando postagens com marcador Neil Gaiman. Mostrar todas as postagens
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abril 06, 2017


“(...) O céu era aquele lindo amálgama de cores e galáxias que eu tinha visto na primeira vez em que estivera na Patrulha do Tempo. Era como se houvesse um milhão de céus misturados em um, o sol nascendo e se pondo várias vezes em minutos, em uma centena de lugares diferentes. Havia luas, estrelas, nuvens e névoa, todos compartilhando o mesmo céu.” (p. 244)

“- NoiteGélida – disse Joeb, pós um momento de silêncio. – O que é isso?
Respirei fundo. - Basicamente? Um supercontínuo autoperpetuante que reorganiza todo o tempo e espaço em seu caminho.” (p. 97)




A complexidade simples de A Roda da Eternidade


Finalmente a série EntreMundos (Rocco) chega a sua alucinante conclusão. Neste episódio, o protagonista Joey, já um veterano na agência de vigilância e manutenção da ordem de todas as dimensões, depois de ser arremessado pelo inimigo através da Interzona, depara-se com a responsabilidade de convocar novos recrutas e reativar a nave EntreMundos e resistir ao avanço da NoiteGélida, uma força capaz de reconfigurar dimensões inteiras.

É a primeira vez que leio o último livro de uma trilogia, e como não leitor dos dois primeiros volumes, fiquei satisfeito pela obra conter reiterações suficientes para que não me perdesse da trama. Esteja certo de uma coisa quando começar a ler. A história é rica em detalhes sobre teorias espaço temporais que exigem certa atenção do leitor, e atenção redobrada de leitores que não estão acostumados com ficção científica bem detalhada.

Um dos elementos que achei mais interessantes da história são as muitas versões de Joey. Todos que foram recrutados para atuar na EntreMundos são versões oriundas de outros planos paralelos. Alguns desses mundos muito se assemelham ao universo onde está o planeta Terra, outros são diferentes. Tal variação inclui a possibilidade das outras versões do protagonista serem do sexo feminino, como a ousada Josephine. Podem ser gêmeos, como os desconfiados irmãos Jari e Jarl, ou até centauros, como o inteligente J’r’hoho.

“Eu costumava viver na Base com cerca de quinhentas versões de mim, todas com nomes que começavam pelo som de J. Mesmo que seus nomes estivessem em um idioma diferente, ou uma equação matemática, em geral poderia ser traduzido para um som com J.” (p. 87)

Outro ponto interessante é que os universos paralelos também podem ter relação maior ou menor com a magia e/ou tecnologia. A Terra de Joey, por exemplo, tem pouca relação com magia por estar num ponto neutro da geografia multivérsica. Já os inimigos da EntreMundos pertencem a duas facções opostas: os magos da BRUX, que tem por chefe Lorde Dogknife (sim, ele parece um cachorro com corpo humano, como aqueles deuses egípcios com cabeça de animal), e os Binários, compostos por clones que têm por base o desenvolvimento tecnológico, liderados pelo Professor. Neste capítulo final da saga, ambas as facções se unem para criar a NoiteGélida. Uma força capaz de reiniciar todos os universos, o que teoricamente possibilitaria seu total controle. A NoiteGélida é composta pela alma de outros agentes, companheiros de Joey, capturados em missões ou batalhas. Pouco tempo resta para Joey conter a ameaça, por isso, os poderosos Agentes do Tempo interferem ajudando-o no combate contra o inimigo em comum. Gostei muito dos argumentos que tentam dar conta dos principais paradoxos comumente encontrados em histórias que abordam viagens no tempo e diversas linhas temporais paralelas.

“- Não funciona dessa forma – respondi. Conversar com um Agente do Tempo tinha me dado uma compreensão básica dessas coisas, (...). – Ela ainda está ancorada à sua linha do tempo. Ela pode ficar no passado pelo tempo que quiser, mas o tempo vai continuar passando. Se ela ficar por cinco minutos, vai voltar cinco minutos depois de quando saiu.

- Isso é decepcionante – disse alguém. – Qual é o sentido de viajar no tempo se você não pode voltar para corrigir alguns erros?” (p. 109)


Das personagens, a que achei mais interessante foi Tom, uma criatura da classe fovimal, um monstrinho que habita a Interzona capaz de transitar livremente pelas dimensões e pelo tempo espaço. Apesar de parecer alheio e aleatório, ele está sempre disposto a ajudar Joey nas situações mais críticas.

O enredo se desenvolve de maneira dinâmica, apesar das teorias densas a respeito do multiverso. Questões existenciais sobre a morte, a relação de amizade e amor e tudo que envolve a motivação de Joey e suas versões não são sobrepostas pela ambientação mágico-científica que, na minha opinião, ora permeia o psicodelismo.

“O Ancião tocava os caixões e os fazia desaparecer também, e, até onde eu sabia, ninguém nunca tinha lhe perguntado para onde eles iam. Talvez eles levassem os corpos para casa, onde quer que isso fosse. Talvez nos levassem para um mundo onde pudéssemos nascer de novo, ou para um planeta que contasse como o céu. Talvez fosse para um cemitério ou um buraco negro. Eu não sabia, mas isso não importava. A morte era a morte, e aonde íamos depois era algo que eu descobriria quando a hora chegasse.” (p. 162)

Acredito que o leitor, mesmo que tenha certa dificuldade em imaginar conceitos complexos de física multidimensional, terá a chance de se aventurar em uma história divertida e de ambientação altamente criativa. É difícil até para eu afirmar isso, mas é exatamente assim que descrevo esse livro: como as partículas explicadas pela física quântica, que admitem o sim e o não, existir e não existir simultaneamente: A Roda da Eternidade é uma obra extremamente simples e complexa ao mesmo tempo.

Nota: Uma informação importante para os fãs de Neil Gaiman. Apenas o primeiro volume foi escrito por ele e pelo roteirista Michael Reaves, sendo Mallory Reaves, filha de Michael, que continuou a série escrevendo “Sonho de Prata” e “A Roda da Eternidade”. A pretensão inicial dos autores era para que fosse uma série televisiva, porém, sendo rejeitada.



A Roda da Eternidade

Joey Harker nunca quis ser um líder, mas o destino o levou a este papel. E agora é sua responsabilidade evitar o fim do Entremundos, do Multiverso e tudo mais que existe. A roda da eternidade é a alucinante conclusão da série Entremundos. Imaginada por ninguém menos que Neil Gaiman, e escrita pelo premiado autor Michael Reaves e sua filha Mallory, o livro mostra o destino de Joey Harker e os outros andarilhos.

Joey imaginava que tinha encontrado seu lugar como um agente do Entremundos - organização responsável por manter a paz nos vários universos e dimensões, com sua habilidade de andar entre as dimensões -, mas sua última missão foi um desastre e colocou todo o universo em risco. Agora a Cidade-base, quartel-general do Entremundos, está perdida no fluxo temporal numa corrida contra a Brux. Joey desperta em um futuro devastado, e somente com a ajuda de Tom, um estranho ser de outra dimensão, ele consegue voltar ao seu tempo para tentar consertar o problema.

Machucado e solitário, Joey se recusa a desistir. Com a ameaça da Noite Gélida cada vez mais próxima, Joey começa a recrutar novos andarilhos para ajudar em sua luta. Mas, para variar, as coisas não saem como o planejado. E apesar de não querer estar no comando, assumir o papel do Ancião é uma grande honra e responsabilidade, e ele não pretende deixar seus amigos e todo o universo na mão.

Repleto de ação e aventura, A roda da eternidade leva Joey Harker e Acacia Jones ao confronto definitivo contra Lord Dogknife, Lady Indigo e forças da magia, Brux e ciência, Binários. E fecha com chave de ouro uma série surpreendente, mais um sucesso com a marca de Neil Gaiman.

fevereiro 27, 2017

É Carnaval e a gente tá como?!


Risos. No post de hoje, Jonatas, Rafa, Rebeca e Regiane compartilham dicas de leitura, estudos e filmes. Confira :)


Jonatas

Estou sem PC, então, infelizmente falarei menos do que o justo a respeito de O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman. Esta semana descobri que não havia perdido minha edição, e pude rememorar uma das minhas histórias favoritas. Trata-se das lembranças de um homem que, depois de um funeral,  retorna à casa em que passou a infância, na Inglaterra. Há décadas não pensava naquele tempo, e em Lettie, a estranha menina que vivia com a mãe e avó, e  dizia que o lago nos fundos da fazenda na verdade era um oceano de onde viera um povo antigo. 

O oceano no fim do caminho é uma narrativa leve e fabulosa. Creio que a maioria de vocês irão gostar e, quem sabe, também descubram o confortável segredo de um oceano inteiro que cabe em uma gota de água doce. 

Até a próxima! 



Rafa

Gente, carnaval taí e eu vim pra minha terrinha querida Alegrete/RS! Aproveitando para rever amigos, família e claro, passear um pouco! Dentre os passeios, resolvi passar na locadora (sim, ainda alugo filmes!) e ver o que tinha de bom. Entre tantos filmes, escolhi o Zootopia, que eu já conhecia, mas vale a pena ser revisto várias vezes, porque é muito legal, principalmente a história de superação dos personagens (no caso, da coelhinha), é incrível, e nos traz uma lição valiosa mesmo! Sim, sou meio criançona mesmo, adoro desenho, e ainda fico rindo q nem idiota na frente da tv! :D Mas afinal, quem de nós é adulto totalmente? :)

Essa foi a minha dica do Uma semana e(m) um dia!! Até a próxima, e em breve com algumas fotinhos da minha cidade! Bjss




Rebeca

Aquele instante em que você se dá conta de que sua série favorita foi ao ar pela primeira vez há quase vinte anos e que mesmo hoje, duas décadas após, você ainda se lembra de muitas cenas e de muitos dos sentimentos que nos acompanhavam em cada capítulo.

Hoje, graças ao wikipedia e aos serviços de streaming (e claro, ao box de dvd com toda a série que eu ainda não encontrei mas que a sortuda da Regiane felizmente comprou por aí rs), conseguimos revisitar nosso passado de uma forma um tanto catalogada, pulando cenas, selecionando histórias, e revivendo cada dor e alegria conforme nossa disposição aqui no presente.

Se é uma forma ainda mágica de "enxergar" como éramos há duas décadas, eu não sei, mas que este refrão da Paula Cole na season 1 da série soa ainda quase como um teletransporte, ahhhh, com toda certeza!

I don't want to wait for our lives to be over
Will it be yes or will it be sorry?

Paula Cole - I Don't Want To Wait 


Regiane

Muitas vezes durante a vida adulta, olhamos ao redor e observamos a jornada dos que nos rodeiam, e temos a sensação de que a "vida" de todo mundo está caminhando, e a nossa não. Talvez seja um sentimento geral, ao menos quando converso com pessoas da minha faixa etária, essa é uma queixa em comum.

Nossas opções são lamentar eternamente o fato, enchendo o ouvido dos amigos, ou tentar resolver e procurar uma mudança.

Aproveitando o início do ano, aniversário chegando e a impaciência reinando, resolvi tomar providências urgentes e comecei um curso de Revisão e Preparação de Texto oferecido pela Universidade do Livro da UNESP. Fazer parte do mundo editorial de maneira formal sempre foi um desejo que eu não vejo mais porque adiar, e acredito que é exatamente o que eu preciso nesse momento para impulsionar a minha vida a um novo patamar.

E vocês, o que os tem movido ultimamente? Contem pra gente ;) Boa semana, beijo, beijo!!!
dezembro 06, 2015

Publicado em 2014 pela Editora Intrínseca, Erros Fantásticos é a transcrição traduzida do discurso Faça Boa Arte de Neil Gaiman, proferido em 2012 durante a cerimônia de formatura da University of the Arts na Filadélfia. Este formato de publicação tornou-se possível graças a parceria com o designer gráfico Chip Kidd, que tem um histórico de publicações tanto no segmento das graphic novels como também em projetos de autores como Haruki Murakami, Oliver Sacks e muitos outros.

Enquanto livro-objeto, esta publicação da Intrínseca é bem especial (não comparando mas quase rs, seu projeto gráfico parece bastante com o 'estilo' Cosac Naify de publicações mais 'artísticas') pois cada página é diagramada em um ritmo muito próprio, com o texto quase como poemas visuais, provocando em nós a sensação de que é possível 'ouvir' o discurso de Neil Gaiman em cada marcação e silêncio de suas páginas. Erros Fantásticos é realmente uma experiência de leitura inesperada!

Enquanto leitora, tenho apenas algumas 'ressalvas sensoriais' com a cartela de cores escolhida e também com algumas das fontes que chegam ao quase 'minúsculo' (tipo uma fonte serifada tamanho 8 e na cor verde-água: nossa miopia certamente dirá "ai, não consigo"), especialmente quando contrastantes em um fundo de cor vermelho-alaranjado. O amarelo meio neon também me incomoda em algumas situações. Ou seja: o projeto gráfico é espetacular, mas aconselho não folhear esta obra em um momento com alguma enxaqueca ou visão turva. Infelizmente este é um dado a se considerar.


"Quando você começa, tem que saber lidar com os problemas do fracasso. Precisa ser persistente, aprender que nem todo projeto vai dar certo. A vida de freelancer, a vida no mundo das artes, às vezes é como estar em uma ilha deserta espalhando mensagens em garrafas e esperando que alguém ache uma delas, abra e leia, e que ponha de volta na garrafa algo para você: um elogio, uma comissão, um dinheiro, amor. E é preciso aceitar que, para cada garrafa que porventura retorne, você terá produzido uma centena de outras."


Em relação ao conteúdo do livro, o discurso de Neil Gaiman pode ser resumido em uma palavra: faça. Isso mesmo: faça, escreva, desenhe, cante, viva. E tente não se importar demais com as circunstâncias. Faça arte, apenas isso. E crie, acima de tudo, e especialmente pra você. Para a sua satisfação e alegria, para o seu prazer e desestresse. E em seguida compartilhe. Sim, compartilhe e abrace os erros e possíveis ruídos desta relação. Porque em breve, assim acreditamos, nossos pares e leitores se aproximarão. E taí algo que os quatro anos de uma faculdade de Arte nem sempre terão a coragem de dizer pra você (experiência própria). 

Um salve para Neil Gaiman e para a Intrínseca por esta publicação! O mundo precisa mesmo deste tanto de motivação e vida.


Erros Fantásticos - O Discurso 'Faça Boa Arte', de Neil Gaiman.Ed. Intrínseca
novembro 30, 2015

E chegou minha primeira compra na Amazon brasileira! Encomendei na Black Friday e chegou hoje, segunda-feira. Impressionante a logística desta empresa, estão de parabéns! 



Em relação aos produtos, todos vieram envoltos em plástico-filme, portanto, não chegaram arranhados ou sujos. Os livros estavam bem acomodados na caixa, protegidos também por estes "pacotes de ar". Um único "senão" foi o Eleanor & Park, que chegou com uma das quinas meio amassasinha, mas isso certamente foi um contratempo dos Correios pois a caixa de papelão também estava um tanto detonada dos lados.

Segue então o unboxing das comprinhas <3




Eleanor & Park - Rainbow Rowell
Novo Século

FINALMENTE encontrei Eleanor & Park por menos de 40 reais!!! Meio deselegante começar uma conversa assim mas a emoção é grande! <3 Confesso que já li a história quase toda em diversas idas a Saraiva rs, mas admiro a escrita de Rainbow Rowell e acredito que assim como Fangirl e Anexos (meu preferido eaté agora!) esta também seja uma leitura inesquecível. Se você já tiver lido e quiser compartilhar sua resenha, só deixar o link nos comentários :)




Equilíbrio e Resultado - Christian Barbosa
Editora Sextante

"Imagine que a vida é uma balança. Em um dos pratos está o equilíbrio – tudo o que fazemos para aumentar nosso bem-estar. No outro, está o resultado – todos os objetivos que conseguimos alcançar. Em outras palavras, equilíbrio tem a ver com quem você quer ser e resultado, com o que você quer ter. Em Equilíbrio e resultado, lançamento da Editora Sextante, Christian Barbosa defende que é possível conquistar as duas coisas ao mesmo tempo: ter sucesso na carreira e qualidade de vida."

Conheci o trabalho de Christian Barbosa em uma de suas parcerias com o autor Gustavo Cerbasi, especialista em Educação Financeira e co-autor do livro Mais Tempo, Mais Dinheiro. Sim, caro leitor, nem só de Romance vivemos, e com a idade em algum momento percebemos o quão importante é a relação entre produtividade, tempo, saúde (inclusive a financeira) e equilíbrio, seja na vida pessoal como na profissional. Não é auto-ajuda, é um livro para exercitar a reflexão, o planejamento e a conquista. E a Editora Sextante é repleta de títulos que compartilham dessa experiência e conhecimento. Super recomendo! E este do Christian com certeza será uma leitura especial neste fim de ano.




Erros Fantásticos: O discurso "Faça Boa Arte", de Neil Gaiman
Editora Intrínseca

Não acompanho a obra de Neil Gaiman (nem Sandman, nem Coraline, nem as fábulas recentemente revisitadas pelo autor, como João e Maria) mas este discurso em especial (proferido em 2012 para os formandos da University of the Arts na Filadélfia) despertou meu interesse. Primeiro, por gostar de autores que compartilham um pouco desta vulnerabilidade, dúvida e erro que acompanha qualquer criação artística; segundo, por pontuar em sua fala que "bom" não é o mesmo que "qualquer coisa". Porque para a Arte ser Boa é preciso não apenas o sonho, mas uma jornada de esforço, dedicação, fracasso e realização. E muitas vezes o próprio mundo da arte se esquece disso...

 


E estas foram as minhas primeiras comprinhas da Black Friday de novembro! Faltam ainda os pacotes da Saraiva e do Extra. Tomara que cheguem logo <3

E vocês, já receberam os-últimos-livros-do-ano? :)