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julho 26, 2018

Olá, Leitores! No post de hoje, nossa colunista Ramira Maria (@leiologoviajo) compartilha uma de suas leituras favoritas: Harry Potter e a Pedra Filosofal, em edição da Editora Rocco :)


HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL - Livro 1 da série 🌻⚡️

⚡️ Harry foi deixado na porta de seus tios, Válter e Petúnia (por alguém muito especial que já já volta pra história...) ainda bebê e foi criado por eles acreditando que perdeu seus pais em um acidente de carro. Harry teve uma vida bem difícil com seus tios, que por alguma razão desconhecida por ele até então, não pareciam ter tido uma boa relação com os pais de Harry, e na verdade também não gostavam do menino. Por isso faziam da vida de Harry um inferno. Seu primo, Duda, aprontava poucas e boas com Harry e era sempre acobertado pelos pais.

⚡️ Existiam alguns acontecimentos “estranhos” que Harry notava em alguns momentos (principalmente quando estava mal ou estressado). Seu tio sempre o culpava e castigava por esses fatos estranhos, mas Harry não entendia bem tudo aquilo, até que....

⚡️ Certo dia, perto de completar seus 11 anos, a casa que Harry morava foi praticamente atacada por um bando de cartas! Isso mesmo! Cartas! Seu tio, que sabia bem a possível precedência dessas cartas fez de tudo para que Harry não tivesse acesso a elas! Mas não teve jeito, na noite em que completou seus 11 anos alguém (Hagrid) veio pessoalmente e diretamente de Hogwarts resolver essa situação e finalmente entregar a cartinha de Harry!


⚡️ Harry nem SONHAVA que era um bruxo e que iria para uma escola de magia de Hogwarts (Socorro Deusss! Já quero a minha carta!) e nem entendia o porquê parecia ser tão conhecido nesse mundo mágico... seus pais não se foram em um acidente de carro e bem além disso, quem os matou era um ser do mal muito poderoso que estava sumido desde o assassinato... Será que ele realmente morreu? O que aconteceu para que Harry sobrevivesse?

⚡️ A caminho da escola de Magia Harry já conhece alguns amigos, dentre eles Rony e Hermione! Essa amizade criará fortes laços e eles viverão muitos momentos bons, ruins e aventuras juntos!

⚡️ O grande mistério desse livro vai girar em torno da Pedra Filosofal, que possui um grande poder mágico e aparentemente está correndo o risco de parar em mãos erradas.... mas pra saber mais, você vai ter que ler, vou parar de falar porque eu AMEI TANTO esse livro que se deixar eu falo a vida toda sobre ele! Vou escrever aqui uns 3 dias seguidos e não vou parar!

🌻 Considerações finais: Iniciar a leitura de uma série tão fantástica, reconhecida mundialmente e tão bem falada, me encheu de boas expectativas (acompanhada de um medinho de talvez não conseguir viajar nesse mundo mágico e fantástico), mas logo meu medo sumiu porque de cara eu já amei a história, os personagens, tudo... é incrível com a escrita da J.K Rowling te faz mergulhar na história, imaginar tantos detalhes com perfeição... estou apaixonada e já realizando a leitura do segundo livro da série. Esse livro faz parte do Box da Rocco que possui capas maravilhosas, todo lindo e caprichado! Minha nota é 5/5 ❤️


março 12, 2018


Gostar de ostras - Bernardo Ajzenberg
Editora Rocco

"Mas, até onde sei, e hoje concordo com Marcel e Rachelyne, realmente ninguém apaga o passado, não há como, mesmo que se esforce para fazê-lo, mesmo que se trema de corpo inteiro ao lembrar dele, mesmo que os olhos fiquem doloridos de tanta esfregação. Ou serei eu, na verdade, que me recuso a juntar os cacos, como se diz, que me recuso a tirar do fundo de minha mente essa história, preferindo jogar nos outros a culpa por esse vazio, pelo meu vazio?" (p. 77-78)

A solidão do homem é uma cidade, ou uma espécie trincheira. Por faltar-nos um melhor otimismo, a joie de vivre é um habitat idílico, a alguns quilômetros de nossa melhor subsistência. Neste mapa de fronteiras pálidas, há um pouco de sol na baixada santista, e toda uma escuridão entre o trabalho e a geladeira vazia. Não há beleza ou desalinho em uma vida assim: um cigarro quando a reunião perde o sentido; um corpo qualquer em um sábado vazio; um feriado ensimesmado em nossa própria estranheza. Prazer, meu nome é Jorge, sobrenome Melancolia.

A alegria de viver, segundo Marcel e Rachelyne, os vizinhos, é uma espécie de refúgio; entre álbuns e memórias da juventude, dançar conforme o tropeço dos dias é ao mesmo tempo troça e alegria: rir de si mesmo e também Jorge, o melancólico vizinho, pode ser um novo tesouro, principalmente quando as estrofes finais de uma partitura se aproximam, embora resilientes ao improviso de todo chorinho.

Gostar de Ostras tem início nos corredores de um edifício. Entre gargalhadas e ingratidões, um sotaque embolado, meio França meio Alzheimer, despertou Jorge de seu nada matinal. Embora os relatos da última feira e os da trágica Noite dos Cristais permaneçam como um eco cruelmente nítido, Jorge pouco quis saber de seus novos vizinhos: pegou o seu nada, o cigarro e a chave do carro e seguiu para mais um dia de trabalho.

Quando foi que nos tornamos insensíveis? Sob o olhar anônimo da grande São Paulo, Jorge tinha apenas a certeza de sua própria mediocridade (amanhã será diferente - mas, se não for, tudo bem); como se para desordenar este roteiro, Marcel atravessa a campainha do vizinho, oferece um vinho e uma dúzia de incidentes que ainda o fazem sorrir. Talvez pelo tamanho de nossa metrópole (não existe amor em...) e pelo cinza de nossas barricadas, não seja um costume partilharmos trivialidades; ainda assim, Jorge encontrou graça (e uma menor solidão) na companhia deste senhor de velhas histórias e novos convívios (você já conversou com o barbeiro? o armazém é de 1915, você sabia? compramos ostras, Rachelyne o convida para jantar).

Cada experiência é um registro de nossa desaparição. Em São Paulo ou onde não mais nos encontramos (casa de infância ou ferida dos Campos), a vida do homem é seu cárcere, e também um sopro de liberdade. Embora sozinhos, haverá sempre uma foto desbotada, um relacionamento morno, uma roupa amarrotada, um romance de cavalaria, um filho. Quando se perde o cuidado de si, a vida se perde em repetição; para sair da trincheia, é preciso assumir os riscos, encarar estilhaços, expor a pele ao sol de cada relacionamento, não importa se na metrópole ou na lembrança de 1945. Gostar de ostras é um livro sobre nós mesmos - apesar de você; apesar do que escrevemos em nossos poucos dias.



Sinopse: Ao fim de mais um dia de trabalho regado a tédio e inércia, Jorge, alheio a qualquer vizinho, caminha pelos corredores do condomínio onde mora para enfim se atirar no sofá ilhado entre as paredes nuas de seu apartamento e ouvir a habitual trilha sonora: as gargalhadas dos Durcan no andar de cima. Fosse ele rabugento, teria todos os motivos para pegar uma vassoura e bater forte no teto da sala. Mas quem em sã consciência, por mais sensível que seja a ruídos externos, teria coragem de protestar contra aqueles espalhafatosos octogenários franceses? A história desse pacato repórter de 30 e poucos anos, cuja rotina é tomada pela exuberância do casal Marcel e Rachelyne, conduz a narrativa de Gostar de ostras, novo romance do escritor, jornalista e tradutor Bernardo Ajzenberg, que, após o aclamado Minha vida sem banho, volta a conjugar o coletivo e o individual para produzir uma literatura ao mesmo tempo delicada e urgente.

Aquela sensação é uma velha conhecida de Jorge. Sempre que ouve uma das erupções dos Durcan, se dá conta do contraste entre a fúria feliz dos vizinhos e a precariedade de seus dias carregados de melancolia. Chegou a fazer os cálculos: descontadas as sete horas diárias de sono (uma de suas raríssimas conquistas ainda intocadas, salvo nas noites em que os franceses aprontavam das suas), uma semana tem 119 “horas úteis”. Como cerca de 105 se dividem entre o que chama de “momentos neutros” e “momentos melancólicos”, sobram, em média, duas horas diárias para os “momentos de bem-estar”. E, já que tempo para esse tipo de pensamento não costuma faltar, ele constatou também que quase 100% de seus 33 mil genes reproduzem o temperamento de seus pais, cujo projeto de vida mais ambicioso sempre foi a manutenção do dia a dia.

Certa noite, após repetidos encontros entre a portaria e o elevador, Jorge recebe um convite para jantar com os Durcan e descobre que o refúgio do casal é o exato oposto do espaço que ele ocupa imediatamente abaixo. Repleto de quadros, fotos, mesinhas, cinzeiros, cumbucas, estatuetas e lustres, remetendo a uma loja de antiguidades, parece uma caverna estranha e extremamente aconchegante que, construída pelo acúmulo de dezenas de anos e histórias, projeta uma viagem subliminar por lugares e tempos. Como a trepadeira no jardim do prédio – que insiste em crescer desordenadamente, muitas vezes em direção ao nada, mas gera uma flor de um roxo claro e ao mesmo tempo profundo, inegavelmente belo –, uma amizade improvável vai nascer naquele apartamento, revirando memórias e semeando mudanças.

Com delicadeza e completo domínio sobre a narrativa, Bernardo Ajzenberg aborda em Gostar de ostras temas como solidão, alienação e resiliência, enquanto discute a relação entre passado, presente e futuro. Se para Jorge o que já aconteceu parece algo abstrato demais, um amontoado de cenas que ele preferia manter encaixotadas atrás de um biombo, Marcel e Rachelyne não têm dúvidas de que são os tesouros de ontem que se reconstituem dentro de cada pessoa para formar o hoje – ainda que só quem vive intensamente o presente pode ser capaz de arquitetar um passado. Mesmo porque, como bem nos lembra W.B. Yeats na frase da epígrafe, “a vida é uma longa preparação para algo que nunca acontece”.


outubro 08, 2017


"Errar é humano e universal, sabemos todos, mas tirar proveito dele é que são elas - haja prática, habilidade e, acima de tudo, conhecimento de causa. E de efeito."

Tô Frito! é uma coletânea de histórias contadas por vinte renomados chefs (dentre os quais, Claude Troisgros, Alex Atala e Roberta Sudbrack) e organizadas pelas jornalistas Luciana Fróes e Renata Monti. O livro é dividido em pequenos capítulos onde cada chef compartilha fato marcantes de suas carreiras, dando destaque a episódios regados a incidentes e improvisos, como por exemplo a criação de inúmeras receitas e pratos que surgiram "ao acaso" e que viraram atração principal em seus restaurantes.

Mas nem só de imprevistos (como um ingrediente trocado, um chantilly que passou do ponto ou uma torta que assou de forma errada) vivem os chefs! Seja na inauguração de um pequeno bistrô ou na cozinha industrial de um grande evento, acidentes acontecem, e nem os chefs mais renomados conseguem escapar de tudo isso! Uma das histórias que mais me impressionou foi a de Alex Atala que, em uma de suas viagens de trabalho em Singapura, quase teve o braço amputado após ter sido contaminado por uma bactéria presente em um dos ingredientes escolhidos para o cardápio do evento. Assim como a criatividade e a "alquimia" são essenciais a todo mestre da gastronomia, todo cuidado será sempre pouco, pois imprevistos realmente acontecem.

Apesar dos pesares presentes em suas carreiras, os chefs relembram de forma bem humorada não apenas de suas receitas que só deram certo porque "deram errado" em algum ponto durante o preparo (para o chef Thiago Castanho, 95% dos testes de cozinha dão errado. Mas o que fazer quando uma receita passa do ponto e queima? Em um "experimento" com bananas-da-terra, a intenção era a de obter um ponto desidratado, e não algo próximo ao "torrado"; ainda assim, pior que o erro é o desperdício, e é nessas horas que uma nova e inusitada receita certamente será criada - e foi bem isso que aconteceu na cozinha de Thiago Castanho), e este "cardápio do acaso" certamente já conquistou os cardápios dos melhores restaurantes brasileiros.

Para os leitores que amam o mundo da gastronomia e que gostam até de arriscar algumas receitinhas, Tô Frito! é um livro que vale conhecer, por ser muito bem humorado e inspirador, tanto por sua "missão" de nos alertar que "errar o ponto" é realmente algo comum na vida de todo culinarista, e  que chegar a uma ótima receita pode também não ser tão impossível assim. 


Tô Frito! - Luciana Fróes e Renata Monti

Todo cozinheiro tem uma boa história para contar. Afinal, a culinária é feita de imprevistos, escorregadas, receitas que desandam e que ganham vida própria. Frutos do acaso ou do descaso, quando vistos com outros olhos se transformam em acertos adoráveis. Do leite esquecido ao relento que virou queijo à luta de Dom Pérignon para controlar as borbulhas que fermentavam na garrafa e acabavam estourando. E o que dizer do confeiteiro de Luís XIV que, ao bater muito além da conta o creme de nata com açúcar, deu origem ao chantilly? Na gastronomia brasileira, não é diferente e, vira e mexe, um erro – ou mais de um – vira um acerto. Antes, porém, o desespero que antecede o sucesso vem na forma de um “Tô frito!”, como Claude Troigros costuma exclamar quando passa por situações como essa, com direitos a infinitos erres de seu sotaque francês.

Tô frito! – Uma coletânea dos mais saborosos desastres na cozinha, lançamento do selo Bicicleta Amarela, reúne histórias tão deliciosas quanto os imprevistos na cozinha. O livro é um apanhado de erros que acontecem nesse fascinante mundo da alquimia de odores e sabores, alguns bem-sucedidos, outros nem tanto, que foram parar nos cardápios dos melhores restaurantes brasileiros. Uma coletânea de histórias contadas em primeira pessoa por 20 chefs de destaque, em depoimentos às jornalistas Luciana Fróes e Renata Monti Barreto, que, sem qualquer pudor e com bastante humor – ressaltado nas ilustrações de Paulo Villela –, dividem as saias-justas que encaram todos os dias.


outubro 01, 2017


"Não se espera que solidão induza empatia (...); muito da dor da solidão tem a ver com o encobrimento, com sentir-se compelido a esconder a vulnerabilidade, a guardar a feiúra, a cobrir cicatrizes como se estas fossem literalmente repulsivas. Mas por que esconder?

(...) Há muita coisa que a arte não pode fazer. (...) Mesmo assim, a arte tem funções extraordinárias, uma estranha habilidade de negociação entre pessoas, incluindo pessoas que nunca se encontram, mas que se infiltram na vida uma das outras e a enriquecem. Tem uma capacidade de criar intimidade; tem uma maneira de curar feridas e, melhor ainda, de tornar evidente que nem todas as feridas precisam ser curadas, e nem todas as cicatrizes são feias."


Estrangeiro em sua própria casa, gostava de ouvir a vida comum contada por outros que também estrangeiros. Quando criança, os dialetos de sua família (uma herança austro-húngaro-eslovaca) misturavam-se ao aprendizado da língua inglesa, tornando sua fala para muitos incompreensível. Nesta incomunicabilidade, Andrej percebeu que poderia conquistar o mundo em sua própria língua: em uma sociedade à beira da atenção e do desespero, há que ser todo ouvidos, e a vida de Andrej foi dedicada à escuta e aos anseios de toda uma geração.

Andrej era o seu nome, mas a História viria a eternizá-lo como Andy Wahrol.

Longe de ser um tratado sobre Arte, A Cidade Solitária tem início com a solidão da própria autora, que deixou a familiaridade da Inglaterra para iniciar uma vida do outro lado do oceano. Ao chegar em Nova York, o que era esperado desmoronou, principalmente o amor, e esta repentina instabilidade levou-a a um estado de reflexão - e sim, enclausuramento - sem precedentes: "É interessante a ideia de que a solidão pode levar você a uma experiência de realidade que de outro modo seria inalcansável". (p. 13)

Dos destroços de sua relação (Olivia acreditara em um relacionamento, e se "apaixonara, impetuosa e precipitadamente", e viu-se à deriva quando "muito de repente, ele mudou de ideia"), a autora criou as bases deste livro. Em A Cidade Solitária, o leitor encontrará então uma espécie de 'arquivo universal de solidões', e também inúmeras reflexões a respeito de tudo isso:

"É difícil confessar a solidão; difícil também categorizá-la. (...) Havia coisas que me consumiam, não apenas como indivíduo privado, mas também como cidadã de nosso século, ou da era pixelada. O que significa ser solitário? Como vivemos se não estamos envolvidos intimamente com outro ser humano? (...) De maneira alguma eu era a única pessoa intrigada com essas perguntas. Todo tipo de escritor, artista, cineasta e compositor explorou o tema da solidão de um jeito ou de outro, tentando se apossar dele, lidar com as questões que provoca." (p. 13)


Edward Hopper, Andy Wahrol, David Wojnarowicz e Henry Darger são as referências artísticas de Olivia neste universo da solidão. Dentre as inúmeras biografias, a que mais me surpreendeu foi a de Andy Wahrol, que é comumente apresentado como uma excêntrica personalidade que inseriu a crítica à sociedade de consumo americana na pauta da história da arte contemporânea. No texto de Olivia, no entanto, a figura Andy (assim como a de outros tantos artistas) é apresentada de modo humanizado, longe do 'esvaziamento' existente na crítica acadêmica; no texto de Olivia, a arte (assim como a escrita) é uma forma de não nos sentirmos tão sozinhos, especialmente quando a maior parte de nossa experiência permanece incompreensível.

A Cidade Solitária é então composta por experiências pessoais de inadequação e pertencimento: seja através dos relatos da autora como na vida e obra deste conjunto de artistas, é impossível não sentirmos uma proximidade afetiva com todos estes "solitários". Ao tornar pública suas experiências, Olivia desperta no leitor uma conexão que só a experiência da arte e do texto podem proporcionar; afinal, é impossível não nos identificarmos com estes episódios de reclusão e o convívio e com seus diversos "epílogos" possíveis. Nesta Cidade Solitária, talvez seja impossível traduzir a vontade de direção e refúgio: enquanto o mundo permanece inominável, nada mais justo que entendê-lo como um pequeno intervalo de solidão, e também como um prenúncio de alguma saudade e, por que não, esperança e alívio...

"É sobre querer e não querer: sobre precisar que pessoas se derramem sobre você e depois precisar que elas parem com isso, para você restaurar os limites de si mesmo, manter a separação e o controle. É sobre ter uma personalidade que tanto sente falta de outro ego quando teme ser submetido nele (...). Falando muito você horroriza a si mesmo e àqueles à sua volta; falando muito pouco você quase recusa a própria existência (...). Se a solidão deve ser definida como um desejo de intimidade, então incluída nisso está a necessidade de se expressar e ser ouvido, de compartilhar pensamentos, experiências e sentimentos. Não pode haver intimidade se os participantes não estão querendo ser conhecidos, revelados. Mas calibrar os níveis é difícil; ou você não comunica o suficiente e permanece escondido das pessoas ou você se arrisca à rejeição se expondo demais (...). Minha própria decisão tinha sido me calar, embora, às vezes, eu sentisse falta de agarrar o braço de alguém e colocar tudo pra fora."



Sinopse: É possível ser solitário em qualquer lugar, mas há um sabor particular na solidão quando se mora em uma grande cidade. A princípio esse estado pode parecer incompatível com a vida urbana e a presença em massa de seres humanos, mas a mera proximidade física não é suficiente para dissipar a sensação de isolamento interno. Em A cidade solitária, Olivia Laing dá continuidade ao trabalho iniciado no celebrado Viagem ao redor da garrafa e volta a articular vida e arte para, combinando reportagem, literatura, biografia e relato pessoal, analisar a solidão a partir de obras de artistas que, em meio ao dia a dia intenso de uma metrópole, lidaram direta ou indiretamente com esse sentimento ou foram perturbados por ele – com destaque para Edward Hopper, Andy Warhol, David Wojnarowicz e Henry Darger.

Aos 30 e poucos anos, a britânica Laing se viu sozinha em Nova York após uma desilusão amorosa. A partir da ausência, se viu abraçando a própria cidade – a miscelânea de mercearias, os rangidos do trânsito, as lagostas vivas na esquina na Nona Avenida, o vapor subindo pelas ruas. Na maior parte dos dias, fazia as mesmas coisas: sair para comprar ovos e café, caminhar sem rumo pelas ruas, sentar no sofá enquanto o vizinho de cima ouvia jazz a todo volume. Aos poucos, foi começando a perceber que sua aparência era como a de uma mulher pintada por Edward Hopper.

O que significa estar solitário? Como vivemos quando não estamos intimamente envolvidos com outro ser humano? De que forma nos conectamos com outros indivíduos? A tecnologia é capaz de nos aproximar ou simplesmente nos aprisiona atrás de telas? Habitada ainda por outros personagens, de Virginia Woolf a Alfred Hitchcock e Greta Garbo, A cidade solitária traz um texto provocativo, comovente e extremamente humano sobre os espaços entre as pessoas – que, inerentes ao ato de estar vivo, podem ser ocupados pelas estranhas e fascinantes possibilidades da arte. O livro foi considerado um dos melhores do ano por veículos como The Guardian, Observer, Telegraph, Times Literary Supplement, Elle e Slate.
setembro 24, 2017


É primaveeeee-ra... (livros,) te amo! Bom demais começar uma nova estação com novos livros <3 Ainda mais porque em breve estarei em férias, então, hora de "fazer estoque" de leituras! :)

Nesta última semana chegaram dois lançamentos da Editora Rocco e um do Ateliê Editorial. Vamos conhecer estas novidades?


A Cidade Solitária - Olivia Lang

É possível ser solitário em qualquer lugar, mas há um sabor particular na solidão quando se mora em uma grande cidade. A princípio esse estado pode parecer incompatível com a vida urbana e a presença em massa de seres humanos, mas a mera proximidade física não é suficiente para dissipar a sensação de isolamento interno. Em A cidade solitária, Olivia Laing dá continuidade ao trabalho iniciado no celebrado Viagem ao redor da garrafa e volta a articular vida e arte para, combinando reportagem, literatura, biografia e relato pessoal, analisar a solidão a partir de obras de artistas que, em meio ao dia a dia intenso de uma metrópole, lidaram direta ou indiretamente com esse sentimento ou foram perturbados por ele – com destaque para Edward Hopper, Andy Warhol, David Wojnarowicz e Henry Darger. 

Aos 30 e poucos anos, a britânica Laing se viu sozinha em Nova York após uma desilusão amorosa. A partir da ausência, se viu abraçando a própria cidade – a miscelânea de mercearias, os rangidos do trânsito, as lagostas vivas na esquina na Nona Avenida, o vapor subindo pelas ruas. Na maior parte dos dias, fazia as mesmas coisas: sair para comprar ovos e café, caminhar sem rumo pelas ruas, sentar no sofá enquanto o vizinho de cima ouvia jazz a todo volume. Aos poucos, foi começando a perceber que sua aparência era como a de uma mulher pintada por Edward Hopper.

O que significa estar solitário? Como vivemos quando não estamos intimamente envolvidos com outro ser humano? De que forma nos conectamos com outros indivíduos? A tecnologia é capaz de nos aproximar ou simplesmente nos aprisiona atrás de telas? Habitada ainda por outros personagens, de Virginia Woolf a Alfred Hitchcock e Greta Garbo, A cidade solitária traz um texto provocativo, comovente e extremamente humano sobre os espaços entre as pessoas – que, inerentes ao ato de estar vivo, podem ser ocupados pelas estranhas e fascinantes possibilidades da arte. O livro foi considerado um dos melhores do ano por veículos como The Guardian, Observer, Telegraph, Times Literary Supplement, Elle e Slate.


TÔ FRITO! Uma coletânea dos mais saborosos desastres na cozinha
Luciana Fróes E Renata Monti

Todo cozinheiro tem uma boa história para contar. Afinal, a culinária é feita de imprevistos, escorregadas, receitas que desandam e que ganham vida própria. Frutos do acaso ou do descaso, quando vistos com outros olhos se transformam em acertos adoráveis. Do leite esquecido ao relento que virou queijo à luta de Dom Pérignon para controlar as borbulhas que fermentavam na garrafa e acabavam estourando. E o que dizer do confeiteiro de Luís XIV que, ao bater muito além da conta o creme de nata com açúcar, deu origem ao chantilly? Na gastronomia brasileira, não é diferente e, vira e mexe, um erro – ou mais de um – vira um acerto. Antes, porém, o desespero que antecede o sucesso vem na forma de um “Tô frito!”, como Claude Troigros costuma exclamar quando passa por situações como essa, com direitos a infinitos erres de seu sotaque francês.

Tô frito! – Uma coletânea dos mais saborosos desastres na cozinha, lançamento do selo Bicicleta Amarela, reúne histórias tão deliciosas quanto os imprevistos na cozinha. O livro é um apanhado de erros que acontecem nesse fascinante mundo da alquimia de odores e sabores, alguns bem-sucedidos, outros nem tanto, que foram parar nos cardápios dos melhores restaurantes brasileiros. Uma coletânea de histórias contadas em primeira pessoa por 20 chefs de destaque, em depoimentos às jornalistas Luciana Fróes e Renata Monti Barreto, que, sem qualquer pudor e com bastante humor – ressaltado nas ilustrações de Paulo Villela –, dividem as saias-justas que encaram todos os dias. 

Além de desastres que viraram sucesso, o livro reúne contos e causos ligados ao mundo da gastronomia. O veterano José Hugo Celidônio, que além de chef é ótimo contador de histórias, jamais irá esquecer da vez em que, ao servir frango com cogumelos em papillote (com os cogumelos envoltos em papel-manteiga) viu o casal que pedira o prato devorar tudo! e se deliciar com o papel... Já o empresário do ramo de gastronomia e hotelaria Rogério Fasano quase fora preso ao “contrabandear” uma espécie de minialcachofras que trouxera de Veneza, tudo na vontade de inovar e apresentar novos produtos e sabores aos brasileiros. O que se percebe na leitura de Tô frito! é que, mais que obras do acaso, o sucesso está principalmente na habilidade de seus criadores em lidar com ele e transformar um desastre em uma grande e inesquecível delícia.



Uma leitura reservada até então às crianças e fora de catálogo há muito tempo chega ao público adulto brasileiro: vinte narrativas em imagens e versos criadas nas décadas de 1860/1870 pelo clássico alemão Wilhelm Busch, precursor das histórias em quadrinhos, e traduzidas pelo poeta Guilherme de Almeida nos anos 1940 se tornam novamente acessíveis numa edição bilíngue, comentada e acrescida de manuscritos de tradução. Os virtuosos desenhos do artista, impressos em preto e branco, como em suas primeiras reproduções xilográficas para semanários humorísticos de Munique, dialogam com poemas reveladores de grande domínio da arte versificatória, tanto no original alemão quanto na recriação em português, gerando um elaborado jogo de assimetrias entre palavras e imagem.

Um pouco de história: Em 1857, o estudante alemão Wilhelm Busch, então com 25 anos, interrompeu seus estudos de pintura pela terceira vez – após experiências decepcionantes nas escolas superiores de arte de Düsseldorf, Antuérpia e Munique – e cogitou a possibilidade de emigrar para o Brasil, a fim de se dedicar à apicultura. No entanto, ele só chegaria a este país catorze anos depois, não em pessoa, mas por meio de seus poemas humorísticos ilustrados. Histórias Burlescas e Instructivas, em Versos Coxos Esdruxolos, e de Pé Quebrado se intitula a obra com três histórias buschianas, publicada no Rio de Janeiro, em 1871, pela Typographia Universal Laemmert, fundada por dois irmãos alemães na década de 1830. 

Exatamente três decênios após essa estreia, da qual hoje restaram muito poucos indícios, o hábil versificador alemão teria a sorte de ser traduzido por Olavo Bilac (sob o pseudônimo de Fantásio), numa publicação da
mesma editora Laemmert. A presente edição bilíngue reúne os poemas narrativos de Busch traduzidos por Guilherme de Almeida. Seu propósito é, por meio de um aparato crítico aos textos originais e às suas respectivas traduções, resgatar a recepção de Wilhelm Busch do âmbito da literatura estritamente infanto-juvenil, ao qual não se pode reduzir sua arte.


E você, já conhecia algum destes lançamentos? :)


setembro 18, 2017




Publicado originalmente em 1968, A mulher que matou os peixes é um livro sobre perdas, animais e sobre nossa relação com a culpa e a verdade. No enredo, a própria Clarice é a protagonista. Em certa ocasião, ao deixar os peixinhos de seu filho morrerem, Clarice inicia uma retrospectiva de todos os animais que já fizeram parte de sua vida, tanto os de estimação quanto os que surgem de forma inesperada em nossa casa e caminho, como os insetos, por exemplo. Apesar de ser conhecido como uma história para crianças, A Mulher que matou os peixes é uma história que inquietará leitores de todas as idades!
 

Ah! A Editora Rocco tem em seu catálogo duas edições desta obra de Clarice, sendo uma destas em capa dura e com ilustrações da artista Mariana Vallente. A edição que está no vídeo foi publicada em formato brochura pelo selo Rocco Jovens Leitores (compartilhamos algumas imagens no fim deste post).

Conheça mais dessa história assistindo a vídeo-resenha que a Mich preparou pra gente:


Sinopse: "A mulher que matou os peixes infelizmente sou eu." Clarice Lispector começa confessando o "crime" que cometeu sem querer. E para explicar como tudo aconteceu, ela escreveu uma história de compreensão e afeto, contando sobre todos os bichos de estimação que já viveram em sua casa. Os que vieram sem ser convidados e foram ficando, e os que ela escolheu para criar, e que foram muitos: uma lagartixa que comia os mosquitos e mantinha limpa a sua casa, cachorros brincalhões, uma gata curiosa, um miquinho esperto, vários coelhos...

Antes de mais nada, ela explica que sempre foi alguém que gosta de animais, de crianças e também de gente grande. Todos os bichos que aparecem em seus livros fizeram, em algum momento, parte de sua vida. Nada mais natural, então, do que contar simplesmente o que aconteceu com cada um deles. Por isto mesmo, estas histórias são narradas de modo coloquial e muito próximo do cotidiano infantil. Mesmo quando ela fala sobre dor e perda, quando explica que, às vezes, as coisas acontecem diferente da maneira que queremos.

Clarice mostra, em A mulher que matou os peixes, que além de conhecer muito de perto o universo infantil, é alguém que sabe conversar com crianças com extrema sensibilidade. Ela trata os sentimentos com toda a delicadeza e fala direto ao coração.


setembro 01, 2017


After all these 19 years... <3


Ahhhhhh, setembro <3 Mês de Bienal, finzinho de inverno, planejamento de férias (eeeeee!) e muitos lançamentos! Fãs de Harry Potter podem já preparar o coração e os boletos, pois a Rocco está com novas edições capa dura e ilustradas pra completar a nossa coleção! Já para os leitores de ficção, os títulos estão variadíssimos, e em nossa wishlist já colocamos o Gostar de Ostras e Mantendo um olho aberto. E vocês, quais escolheriam? :)



David Eagleman

A história do cérebro é a história do que somos. A forma como percebemos o mundo, as decisões que tomamos, as alterações no humor, tudo passa por um dispositivo central cheio de conexões que mudam a cada segundo. Contar em detalhes essa história é o desafio de Cérebro – Uma biografia, novo livro de David Eagleman, neurocientista e apresentador da série de TV da BBC The Brain, além de autor de Incógnito, que já abordava questões importantes sobre o assunto. Com uma linguagem acessível, que passa longe do texto científico clássico, a rotina do funcionamento do cérebro é apresentada como um resumo da experiência humana.

Em capítulos como Quem sou eu? e O que é a realidade?, Eagleman explica como as narrativas que conhecemos para a vivência cotidiana são mediadas pelo cérebro e como muito do que tratamos como natural depende desse filtro. Nossa própria noção de consciência está restrita a esses limites, deixando escapar uma infinidade de informações não processadas e possibilidades de expansão.  Ele apresenta o mundo exterior como uma construção muito bem elaborada pelo cérebro a partir da produção de conexões geradas ao longo de toda a vida.

O autor também elabora considerações sobre o futuro de nossa espécie, levantando questões de suas pesquisas sobre o desenvolvimento da atividade cerebral e do uso de dispositivos externos que intensifiquem nossas experiências. Passando pela robótica e pelos coletes sensoriais, Eagleman é um entusiasta da ampliação das potencialidades da nossa cognição.
 

Gostar de Ostras
Bernardo Ajzenberg


Ao fim de mais um dia de trabalho regado a tédio e inércia, Jorge, alheio a qualquer vizinho, caminha pelos corredores do condomínio onde mora para enfim se atirar no sofá ilhado entre as paredes nuas de seu apartamento e ouvir a habitual trilha sonora: as gargalhadas dos Durcan no andar de cima. Fosse ele rabugento, teria todos os motivos para pegar uma vassoura e bater forte no teto da sala. Mas quem em sã consciência, por mais sensível que seja a ruídos externos, teria coragem de protestar contra aqueles espalhafatosos octogenários franceses?

Certa noite, após repetidos encontros entre a portaria e o elevador, Jorge recebe um convite para jantar com os Durcan e descobre que o refúgio do casal é o exato oposto do espaço que ele ocupa imediatamente abaixo. Repleto de quadros, fotos, mesinhas, cinzeiros, cumbucas, estatuetas e lustres, remetendo a uma loja de antiguidades, parece uma caverna estranha e extremamente aconchegante que, construída pelo acúmulo de dezenas de anos e histórias, projeta uma viagem subliminar por lugares e tempos. Como a trepadeira no jardim do prédio – que insiste em crescer desordenadamente, muitas vezes em direção ao nada, mas gera uma flor de um roxo claro e ao mesmo tempo profundo, inegavelmente belo –, uma amizade improvável vai nascer naquele apartamento, revirando memórias e semeando mudanças.

Com delicadeza e completo domínio sobre a narrativa, Bernardo Ajzenberg aborda em Gostar de ostras temas como solidão, alienação e resiliência, enquanto discute a relação entre passado, presente e futuro. Se para Jorge o que já aconteceu parece algo abstrato demais, um amontoado de cenas que ele preferia manter encaixotadas atrás de um biombo, Marcel e Rachelyne não têm dúvidas de que são os tesouros de ontem que se reconstituem dentro de cada pessoa para formar o hoje – ainda que só quem vive intensamente o presente pode ser capaz de arquitetar um passado. Mesmo porque, como bem nos lembra W.B. Yeats na frase da epígrafe, “a vida é uma longa preparação para algo que nunca acontece”.


Uma esperança mais forte que o mar - A jornada de Doaa Al Zamel
Melissa Fleming


Doaa tinha uma típica vida de adolescente em Daara, na Síria. Sonhava em ser livre, em não precisar se submeter a nenhum marido e conseguir cursar uma faculdade. Mas seus sonhos deixaram de ter importância quando sua vida foi atravessada por uma guerra e as preocupações do futuro estavam agora no presente. Era preciso sobreviver. Uma esperança mais forte que o mar é baseado no emocionado relato de uma refugiada síria, que passou pelas mais intensas e apavorantes experiências até conseguir chegar à Europa. Uma história surpreendente para todos os que seguem suas rotinas a salvo de grandes conflitos, mas, infelizmente, uma trajetória recorrente na terra de Doaa e sua família.

O leitor se depara com sua história ainda menina. Acompanha a maneira como sua vida se transforma, depois que uma onda de protestos, conhecida como Primavera Árabe, atacou seu país e deu início a uma guerra.  Presencia sua mudança para o Egito, depois que bombardeios destruíram a barbearia de seu pai e as perseguições faziam com que ninguém estivesse em segurança. Conforme os sírios foram chegando aos milhares, superpopulando os países vizinhos e acabando com a oferta de empregos, a perseguição e o boicote acabaram com as esperanças de um recomeço em terra estrangeira. A solução era enfrentar o mar e tentar chegar à Europa.

Depois de transformar a trajetória de Doaa em discurso no TED e, posteriormente, em livro, Melissa Fleming conseguiu emocionar leitores de diferentes partes do mundo. Mas a guerra na Síria continua e milhares de famílias precisaram deixar suas casas e ainda tentam encontrar um lugar seguro para viver.


Vulgo Grace (Reedição)
Margaret Atwood


Um dos principais romances da premiada escritora canadense Margaret Atwood, autora de O conto da aia, que deu origem à elogiada série The Handmaid’s Tale, Vulgo Grace também vai virar série, pela Netflix, e ganha nova edição com capa do artista gráfico Laurindo Feliciano, responsável pela renovação da identidade visual da obra da autora pela Rocco. A partir de um caso real ocorrido no Canadá na década de 1840, o livro conta a trajetória de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão, Thomas Kinnear, e a governanta da casa onde trabalhava, Nancy Montgomery.

A história contada por Margaret Atwood tem início em 1859, quando a protagonista Grace Marks já está presa. James McDermott, também condenado pelas mortes, há muito fora enforcado. Grace mora no presídio, mas devido ao bom comportamento, trabalha durante o dia na casa do governador da penitenciária em uma Toronto do século XIX com costumes bastante tradicionais. Grace costura e ajuda em alguns serviços mais leves.

Apesar de iletrada, os relatos que Grace faz, de próprio punho, em diários e cartas, e seu bom comportamento em todas as instituições por onde passou, impressionaram clérigos, médicos e políticos da época. Vários trabalharam incansavelmente a favor da jovem, elaborando petições para sua libertação, procurando opinião clínica para dar suporte ao seu caso.

É nessa época que chega à cidade um médico interessado em doenças mentais e em estudar o comportamento dos assassinos. Dr. Simon Jordan está ali para coletar depoimentos de Grace. Se conseguir ir adiante, pretende descobrir se ela mente ou se realmente tem problemas de memória, que a impedem de se lembrar do que aconteceu no dia da morte do Sr. Kinnear e de Nancy. É ao Dr. Jordan que Grace conta sobre sua vida, desde a época passada na Irlanda, onde nasceu e de onde a família parte para o Canadá em busca de melhores condições.

Apesar de muitas vezes mostrar ao leitor detalhes dos acontecimentos que compõem a história de Grace, Margaret Atwood utiliza-se de sutilezas para deixar subentendidos importantes aspectos da trajetória da protagonista. E, ao longo da narrativa, estimula os leitores a formarem sua própria opinião sobre a assassina. Teria sido ela ludibriada por James McDermott, humilhada demais por Nancy Montgomery, acometida de um acesso de raiva ou o mundo simplesmente estaria sendo injusto ao condená-la à prisão perpétua? Respostas que a autora sabe guardar muito bem até o fim do livro.


HARRY POTTER - Coleção completa em capa dura

Deveria ser só uma história para o público infantojuvenil. Mas, no mundo inteiro, gente de idades variadas lê Harry Potter – um fenômeno da literatura mundial que desafia crenças e estimativas, com mais de 450 milhões de exemplares vendidos e conquistando novas gerações de leitores a cada dia. No ano em que a série do menino bruxo completa 20 anos de publicação, a Rocco apresenta os sete volumes da saga em capa dura com novas ilustrações e em formato maior do que o tradicional. Toda a magia da obra de J.K. Rowling, do jeito que os fãs sempre sonharam.


Virgem
Radhika Sanghani


Aos 21 anos, a universitária Ellie Kolstakis tem um objetivo: perder a virgindade. Cansada de ouvir as aventuras sexuais da melhor amiga, Lara, e das colegas de faculdade, ela decide que já passou da hora de ter as próprias histórias para contar. A partir daí, começa uma saga para encontrar não o príncipe encantado, mas um homem que esteja disposto a levá-la para a cama. Esse é o ponto de partida de Virgem, romance de estreia da jornalista Radhika Sanghani. Embora autora e personagem tenham pontos em comum, a escritora faz questão de deixar claro que o livro não é autobiográfico. 

Ao lado de Lara, com quem tem anos de amizade, Ellie vai a um bar para tentar levar seu plano adiante. Mas as consequências são desastrosas: nada sai como ela queria e a manhã seguinte termina com uma briga séria entre as amigas. Dias depois, em uma festa, Ellie conhece Jack. Cinco anos mais velho, ele já tem um emprego e age diferente dos rapazes da idade dela. Seria Jack a pessoa ideal para tirar a virgindade da universitária?

Em uma linguagem bem-humorada, Radhika Sanghani constrói uma história cativante, com personagens que despertam a empatia dos leitores. Enquanto planeja perder a virgindade, Ellie Kolstakis descobre mais sobre si mesma e, sem perceber, vai resgatando a autoestima, deixando para trás a adolescente insegura e encarando a vida adulta com mais confiança.


Mantendo um olho aberto
Julian Barnes


Para Julian Barnes, a maior ambição da arte é renovar a visão que temos do mundo. Nunca mais vamos olhar certos pintores e certos quadros da mesma maneira que fazíamos antes quando terminamos a leitura de Mantendo um olho aberto – Ensaios sobre a arte, que focaliza quase dois séculos de produção artística. De certa maneira, Barnes age como um professor, aquele melhor tipo de professor que consegue ensinar sem pedantismo e com eficiência porque transpira paixão pelo que comparte.

Nome incontornável da atual literatura britânica – de quem a Rocco publicou os principais livros no Brasil – Julian Barnes se aproximou da pintura lentamente. Na introdução da coletânea, ele conta que seu interesse foi despertado pelas obras de Gustave Moreau (1826-1898), o simbolista francês. Mais especificamente, por uma visita fortuita ao Museu Gustave Moreau, em Paris. “Talvez eu admirasse Moreau especialmente porque ninguém tinha me dito para fazer isso. Mas foi certamente nesse lugar que eu me lembro de, pela primeira vez, observar pinturas conscientemente, em vez de me encontrar na presença delas de modo passivo e obediente”, escreve o romancista. É a primeira lição de Barnes: deixar-se levar, por conta própria, pelo mistério da pintura.

Esse impulso foi decisivo na hora de o escritor eleger o modernismo como seu movimento artístico predileto. A escolha é fácil de entender levando-se em conta que Gustave Flaubert (1821-1880) – constantemente citado no livro e, por coincidência, um grande amigo de Gustave Moreau – é um dos autores imprescindíveis na galeria de Barnes. Foi com o O papagaio de Flaubert, obra inclassificável e fascinante, que o autor ficou conhecido internacionalmente, em 1984.  Na pintura e na literatura, ele busca um equilíbrio entre o desejo de fazer o novo e um diálogo contínuo com o passado. Essa abordagem norteia os 17 ensaios, que vão de Eugéne Delacroix (1798-1863) e Paul Cézanne (1839-1906) a Lucian Freud (1922-2001).

O ambiente artístico hoje parece contaminado, excessivo, confuso. Para orientar o espectador comum, existem os cursos livres de história da arte, os catálogos especializados, as enormes filas e as visitas guiadas a galerias e museus, sem falar nas pesquisas disponíveis em milhares de sites da internet e aplicativos de celulares. Quanto tempo gastamos diante de uma boa pintura? Dez segundos, trinta segundos? Quanto tempo gastamos numa exposição de um artista consagrado com cerca de 300 itens? Julian Barnes faz essas perguntas no livro e ele mesmo calcula que, se forem gastos dois minutos com cada obra exibida, a soma chegaria a dez horas (sem pausa para almoçar, tomar um café ou ir ao banheiro). Com Mantendo um olho aberto, o leitor saberá aproveitar melhor o seu tempo. E nunca mais o mundo, ou a transfiguração do mundo num quadro, será o mesmo.


O Coletor de Espíritos
Raphael Draccon


Quando a chuva aflige o vilarejo de Véu-Vale pelo terceiro dia consecutivo, as ruas iluminadas por tochas ficam desertas; as janelas, uma a uma, se fecham; nesses dias, quem caminha pelas ruas de Véu-Vale caminha sozinho. Em O coletor de espíritos, novo romance de Raphael Draccon, um dos principais nomes da literatura de fantasia nacional, Gualter Handam, antigo morador do vilarejo e hoje um psicólogo prestigiado, se vê obrigado a retornar ao local que povoa seus pesadelos. Depois de tantos anos, ele terá de encarar antigos fantasmas e enfrentar uma força desconhecida e furiosa, numa jornada de sacrifício e redenção que poderá finalmente libertar todo um povo das garras do medo.


Por um toque de magia - Trindade Leprechaun #3
Carolina Munhóz


Depois de Por um toque de ouro, em que Emily O’Connell, herdeira de um império fashion, descobre ter o dom da sorte e fazer parte de uma rara linhagem Leprechaun, e Por um toque de sorte, em que é levada para o centro de um esquema perigoso e cruel por alguém que está se apropriando de seu dom, a jovem protagonista da Trindade Leprechaun, trilogia de fantasia contemporânea inspirada nas lendas irlandesas, luta para recuperar o que é seu em Por um toque de magia. E enquanto retoma o controle sobre seu próprio destino, Emily acaba se apaixonando, no emocionante desfecho da série, repleto de fantasia e romance.
julho 18, 2017


Seja na Londres de muitos séculos ou em nossos dias, a inimizade e conflito serão sempre parte de nosso cotidiano. Afinal, é de nossa natureza provocar o dissenso entre familiares e amigos, especialmente no que diz respeito a relacionamentos amorosos, é aí que a confusão fica maior ainda, não é verdade?

Jane Austen roubou meu namorado é o segundo livro de Cora Harrison baseado no legado literário da escritora inglesa Jane Austen. No primeiro volume da série, Eu fui a melhor amiga de Jane Austen, Cora recria os anos iniciais da adolescência das primas Jane e Jenny, mesclando fato e ficções acerca da sociedade britânica dos anos 1790. Nesta continuação, as personagens (agora crescidas, a poucos anos do fim da adolescência,) compartilham um cotidiano repleto de sonhos e perspectivas amorosas, e também algumas desilusões. Publicadas no Brasil pelo selo Rocco Jovens Leitores, ambas histórias apresentam uma escrita leve, onde a atmosfera de confissões e segredos de seus capítulos envolve o leitor e o aproxima deste universo à primeira vista tão distante de nossa realidade contemporânea.

Partindo de referências direta da vida e obra de Jane Austen (principalmente de seus diários), a autora recria situações de época em uma espécie de "fanfic" onde a própria Austen é a protagonista. O que me chamou atenção na história foi a forma universal com que o amor e o romance podem aparecer em nossa vida (tendo em mente, é claro, os contrastes geracionais e culturais de cada época): ao lidar com sentimentos que nos acompanham em todas as idades, é bem possível aproximarmos a Inglaterra vitoriana de nossa vida hoje, já que é próprio do humano tanto sentir inveja como empatia, traição e compromisso, assim como calúnia e cumplicidade, enfim, e as personagens de Cora Harrison poderiam muito bem atravessar alguma fenda temporal e conhecer o amor aqui em nossos dias. Sei que parece absurdo, risos, mas vamos aos "fatos":

- O livro fala da cumplicidade entre as primas Jane Austen e Jenny Cooper e de como esta parceria é uma espécie de alento e alívio tanto para os dias difíceis como para a diversão que vez por outra preenche as páginas de seus diários - ou seja, a história fala desta relação entre amigos de infância e melhores amigos, e não consigo lembrar em algo mais universal que este sentimento fraterno;

- Cora Harrison também é mestra em criar inimizades e vilões: Augusta (a tia-madrasta), Edward-John (o irmão que passou a ser o seu tutor, logo após a morte de sua mãe), Lavínia (a fofoqueira-rival que tenta acabar com a reputação de Jane na vizinhança), Philly (apenas uma conhecida, porém bem "cobra" em determinado ponto da história), enfim, inúmeros atores cuja personalidade certamente conhecemos, e que na trama de Harrison foram estrategicamente posicionados para tornar a vida das primas Jane e Jenny (especialmente de Jenny) um pouco mais complicada;

- A presença na trama do jovem Harry, o personagem que desde a infância é amigo dos Austen, especialmente de Jane, que o considerava o melhor cúmplice de seus aventuras em Southampton, tanto no pique-esconde da primeira idade como nos planos e sonhos da adolescência. Levanta a mão quem conhece, viveu ou vive uma relação de amizade assim o/

Ou seja, mudam os ares, os costumes e nossa ideia de liberdade, mas a busca por amizade, amor e felicidade nos acompanha desde sempre, e para sempre.


Mas voltando a trama: como não poderia faltar em um romance histórico, Cora Harrison dedica grande parte do livro aos sentimentos da prima Jenny, que sonha em escapar aos cuidados excessivos de sua tia-madrasta e viver ao lado de Thomas, um jovem capitão da marinha que se apaixonou pela simplicidade de nossa protagonista.

O livro também mostra o amadurecimento da jovem Jane, que passa a nutrir uma paixão maior pela literatura e também pela ideia de um romance, tanto em sua vida pessoal como nas páginas de seu diário. Neste cenário da adolescência e suas descobertas, poderia Jane encontrar o amor em sua própria história, ou será que o futuro lhe reservaria alguma surpresa?

Assim como nos originais de Austen, a história de Cora é ambientada em uma Inglaterra aristocrática repleta de bailes e cortejos, onde através da formalidade da dança muitos sonhos poderiam ser nutridos: para Jane, era certo que a afeição pelo jovem Newton (aliás, treta à vista: Newton pertencia aos sonhos de Lavínia, a bela da vizinhança, que, por não ter seu amor correspondido, dedicou seus dias a criar grandes inimizades com Jane) poderia render páginas e páginas de manuscritos, mas... e quanto ao amor? Poderia Jane realmente ver através do azul dos olhos do rapaz?

Do outro lado do salão, estava a prima Jenny, que ansiosa aguardava o momento em que o jovem capitão Thomas viria ao seu encontro e ambos compartilhariam uma vida juntos.

Mas, como não poderia faltar em todo romance, o par-amoroso poderá a qualquer momento ser surpreendido pela inveja e maldade de quem o cerca...

O que fazer nessa hora? Na história de Cora Harrison, por sua atmosfera-Austen, aliada a uma escrita young adult, é certo que a felicidade estará sempre em perspectiva - e, quem sabe, a um passo de sua própria realização, mesmo com todo esforço envolvido.

Jane Austen roubou meu namorado é, de fato, uma leitura agradável e divertida, e não apenas para os fãs de Jane Austen :) Vale conhecer!



Baseado nos diários da escritora Jane Austen na adolescência, este divertido romance juvenil é uma história de aventura, mistério, fofocas e, claro, flertes e paixões. Uma das autoras mais queridas em todo o mundo, cujo bicentenário de morte ocorre este ano, Jane Austen (1775-1817) segue arrebanhando uma legião de fãs em pleno século XXI com romances nos quais retrata a sociedade inglesa de sua época com precisão e ironia. Em Jane Austen roubou meu namorado, a escritora irlandesa Cora Harrison recria, para os jovens de hoje, a atmosfera dos livros da própria Jane Austen, mesclando ficção e dados reais, a partir dos diários da autora de Orgulho e preconceito. O livro retrata as peripécias amorosas da futura escritora, que já se considerava uma especialista em assuntos do coração, e de sua prima Jenny.

Para compor as personagens, a escritora Cora Harrison foi atrás de documentos e antigas cartas de Jane Austen e sua família. Além de escrever uma história leve e divertida, ela entrega aos jovens fãs de Jane Austen detalhes da vida da aclamada escritora inglesa.



“Numa era utilitária, acima de tudo, é uma questão de grande importância que os contos de fada sejam respeitados” (Charles Dickens)

Contos de fadas permeiam a imaginação humana, desde o início dos tempos, antes mesmo que a palavra escrita surgisse, sendo transmitidos oralmente de geração em geração. Cada cultura tem suas próprias histórias e lendas, assim como cada um de nós tem também o próprio conto pessoal, que flutua entre momentos de alegria e de tristeza.

Ter consciência da própria história, faz com que tenhamos um domínio maior sobre nós mesmos e nossas capacidades. A sensação de não saber quem somos ou de onde viemos, é aterradora e nos faz cair em um redemoinho difícil de sair sem se machucar no processo.

A busca pela própria identidade, é uma constante na nossa formação como indivíduos e é também o tema central desse romance young adult, brilhantemente escrito por Caroline Wallace e distribuído no Brasil pela Editora Rocco através do selo Fábrica 231. A Busca Sofrida de Martha Perdida fala muito sobre isso, sobre a procura de quem somos e de onde viemos, para então seguir em frente.


Martha Perdida trabalha no Achados e Perdidos da estação Lime Street em Liverpool, Inglaterra. Foi “esquecida” ali quando tinha três meses de vida e a Mãe, responsável pelo setor na época, acabou ficando com ela e a criando. Quer dizer, explorando, já que Martha desde cedo teve que lutar muito para fazer valer o pão que comia. Criada em um ambiente hostil por uma fanática religiosa, Martha chega aos dezesseis anos, sem saber muito sobre si, apenas que não pode deixar a Estação Lime Street ou a mesma vai desmoronar. É isso mesmo, Martha nunca pôs os pés fora da estação. Mas ela está feliz com isso, lá ela tem tudo de que precisa e pode girar à vontade entre os transeuntes da estação, algo que ela adora:

“Adoro girar. Não é a maneira mais eficiente de circular, mas, após meses e meses de prática, acho que aperfeiçoei a forma mais brilhante de giro” – pág. 10

A vida de Martha começa a mudar, quando recebe um livro de alguém que parece conhecer muito bem sua história ou a parte do seu conto de fadas que ela não conhece. A partir de uma troca de correspondências bem peculiar, Martha vai embarcar em uma aventura pela busca da própria identidade, acompanhada de um grupo de amigos bem singulares: Elisabeth, a dona do Café ao lado do Achados e Perdidos, que ama Rock’n Roll e distribuir bolo para quem ela acha que precisa se sentir melhor, mas que carrega uma enorme tristeza dentro de si; George Harris, um imenso e jovem soldado romano que não gosta de mudar sua rotina, a não ser para ver Martha sorrir, com um coração tão grande quanto sua estatura; e William, um homem marcado por uma tragédia familiar e que vive nos túneis e canais da estação Lime Street, cuja recuperação social une ainda mais o quarteto.

No meio do caminho, nossa doce Martha se envolve com um mistério que tem a ver com uma mala supostamente repleta de artigos raros e inéditos dos Beatles, além de ter que encontrar a urna com as cinzas do dono da mala.

“Vejo as pessoas correndo por aí e me pergunto se alguma delas poderia ser minha mãe, meu pai, um irmão, um primo. Olho para tornozelos e pulsos. Olho as formas das sobrancelhas e a maneira como as pessoas falam. Tento reconhecer a pessoa que eu perdi” – pág. 60.


Será que Martha vai conseguir deixar a todos felizes, sem ter que abrir mão de si mesma no meio do caminho? Esse é um questionamento que eu me fiz durante toda a leitura junto com ela. Com uma fascinante mistura de Amélie Poulain e Hugo Cabret, somos conduzidos em uma aventura maravilhosa pela mente de uma jovem que carrega dentro de si a sabedoria de alguém que já perdeu muito e por isso se doa tanto em fazer todos a sua volta sorrirem, ao mesmo tempo em que sua imaginação moldada por uma Mãe perversa e doente, a faz ter atitudes infantis e peculiares, deixando as pessoas que a conhecem, atônitas.

“Quando tudo é tirado de você, você tem duas escolhas. Você luta para pegar de volta ou desmorona e morre” – pág. 288

A edição desse livro está bem diferenciada, condizendo com seu conteúdo: não há divisão em capítulos numerados e a história é quase toda narrada por Martha. Nos interlúdios de sua narrativa temos as “cartas” escritas nos livros que chegam à Martha, contando sua história, os cartazes que ela coloca na plataforma 6 em resposta, reportagens do Liverpool Daily Post, cartas a pessoas “importantes” escritas por Martha e também citações de autores e celebridades, com frases que mostram a importância de se acreditar em narrativas e no que podemos aprender com elas.

Em meio a personagens apaixonantes (e alguns detestáveis, porque sempre tem né?), livros, música, bolo, medo do Diabo e seus ratos, somos levados a uma jornada repleta de adrenalina e surrealidade, com um final intenso e catártico que vai deixar a todos com o coração curado, assim como a população de Liverpool com o retorno de um filho amado – só lendo para saber de quem estou falando ;)


Em A busca sofrida de Martha Perdida, Caroline Wallace conta uma história envolvente, que mistura ficção e fatos reais – Mal Evans existiu, era próximo dos Beatles e acabou morto pela polícia nos Estados Unidos, tendo suas cinzas perdidas ao serem enviadas para a Inglaterra. Com uma narrativa deliciosa, a autora convida a acompanhar Martha em uma jornada emocionante e surpreendente, cujas respostas podem estar mais perto do que se imagina, num livro que é a mistura perfeita de A invenção de Hugo Cabret e O fabuloso destino de Amelie Poulain.
julho 04, 2017


Julho repleto de lançamentos de ficção (e também uma obra de autoconhecimento) nos selos da Rocco! Sempre bate aquela indecisão, mas acho que vou ficar com "A Cidade Solitária", que tem referências de cultura e artes e, ao que parece, uma pegada meio diário na escrita da autora. Fiquei curiosa :)

Vamos aos lançamentos:


Bill Burnett e Dave Evans

Passamos a vida toda em busca da felicidade. E essa busca é norteada por crenças largamente difundidas e estimuladas, entre elas, a de que seremos felizes se formos bem-sucedidos, a de que nossa formação universitária determinará nossas carreiras – nos Estados Unidos, por exemplo, dois terços dos formados não atuam na área em que se graduaram – para todo o sempre, que seremos realizados ao fazer somente aquilo que nos desperta paixão ou a de que quase sempre é tarde demais para mudar o rumo de nossas vidas. Seguir uma trilha única e predeterminada por esses mitos, no entanto, tem levado a maioria das pessoas a um grau insuportável de frustração, gerando conflitos e doenças. Alguma coisa está errada na vida que desenhamos para nós e é preciso rever todos os conceitos e calibrarmos nossa bússola na direção de uma vida que seja realmente plena.

Foi pensando em ajudar as pessoas a levar suas vidas de forma mais satisfatória que os empresários do Vale do Silício e professores da Universidade de Stanford Bill Burnett e Dave Evans se impuseram o desafio de aplicar seus conhecimentos em design para reelaborar e redesenhar não objetos ou produtos, mas vidas. O Design de Vida virou disciplina na universidade e, agora, livro. O design da sua vida – Como criar uma vida boa e feliz, lançamento da Rocco, está na lista de mais vendidos do New York Times e o motivo é simples: usando princípios de design, desde brainstorming até criação de protótipos, a dupla de autores, que é referência em design thinking, propõe ao leitor, por meio de exercícios acessíveis e reflexões, técnicas que vão ajudá-lo a reconsiderar e depois reformular sua vida.


Tom Cooper

Ambientado numa cidadezinha da Louisiana às margens do Golfo do México e reunindo um elenco peculiar de personagens, o romance de estreia de Tom Cooper ganhou elogios de veículos como Esquire e Kirkus Review e de nomes como Nic Pizzolatto, criador da série True Detective, ao retratar a improvável jornada de um pescador de camarões obcecado por encontrar um tesouro perdido, após um desastre ecológico provocado por uma grande corporação obrigar os habitantes da região a encontrar novos meios de sobrevivência. Como um Dom Quixote moderno, viciado em comprimidos e a bordo de seu barco remendado, Gus Lindquist conhece uma série de personagens improváveis em sua odisseia pelos pântanos poluídos, cada qual travando suas próprias batalhas, mais ou menos nobres, para sobreviver em meio à lama e ao caos dos novos tempos.


Molly Prentiss

Soho, Nova York, início da década de 1980. Um crítico de arte com apurado senso sinestésico, um artista plástico argentino exilado e uma jovem determinada e cheia de vida do Meio-Oeste americano vivem o amor, a explosão da criatividade e a perda da inocência no ambiente ainda não gentrificado do bairro que foi palco de uma importante renovação estética e cultural feita por nomes como John Baldessari, Keith Haring, Jean-Michel Basquiat e onde toda uma nova geração de escritores e artistas tentava garantir seu lugar numa metrópole que se reinventava. Retratando um tempo de excessos, decadência e transformações com uma prosa radiante, a estreante Molly Prentiss escreve uma carta de amor a Nova York em uma trama que revela a importância da beleza, do senso de comunidade, da criação e do amor em uma paisagem urbana em constante renovação.


Teresa Driscoll

Por 15 anos apresentadora do programa Spotlight, da BBC, a jornalista e escritora britânica Teresa Driscoll conta, em seu emocionante romance de estreia, uma história sobre perda e luto, amadurecimento e superação. Melissa Dance acaba de completar 25 anos e ganha um presente inesperado: um diário escrito por sua mãe, morta quando ela estava com apenas oito anos de idade. Vítima de um câncer, Eleanor decidiu colocar no papel segredos, conselhos, receitas e outros escritos para a filha que ela não veria crescer e se tornar uma mulher. Emocionada e em choque, Melissa parte numa viagem de férias levando consigo o caderno, mas, acima de tudo, revisita aromas e sabores da infância, revive dores nunca superadas completamente e se surpreende com segredos revelados pela mãe que ela mal conheceu. E enquanto tenta lidar com os dilemas que a vida apresenta no presente, acaba se encontrando através de seu passado. 


Phaedra Patrick

Quanto tempo é necessário para conhecer verdadeiramente uma pessoa? Um ano após a morte de Miriam, com quem foi casado por 40 anos, Arthur Pepper finalmente toma coragem para arrumar o armário da esposa. O viúvo de 69 anos e hábitos modestos, cada vez mais fechado em sua vida solitária, fica surpreso ao encontrar, nas coisas de Miriam, um extravagante bracelete de ouro que ele não conhecia, enfeitado com oito diferentes pingentes. Determinado a descobrir a história por trás da joia, ele percebe que sabia muito pouco do passado da mulher com quem viveu por quatro décadas. E embarca numa viagem que o levará da Índia a Paris, na companhia da vizinha Bernadette, uma viúva que dedica seu tempo a cuidar de pessoas que perderam entes queridos. Uma jornada que mudará para sempre não só a maneira como Arthur conhecia a esposa, mas a sua própria vida, levando-o a fazer as pazes consigo mesmo e com o mundo.


Luciana Fróes E Renata Monti

Todo cozinheiro tem uma boa história para contar. Afinal, a culinária é feita de imprevistos, escorregadas, receitas que desandam e que ganham vida própria. Frutos do acaso ou do descaso, quando vistos com outros olhos se transformam em acertos adoráveis. Do leite esquecido ao relento que virou queijo à luta de Dom Pérignon para controlar as borbulhas que fermentavam na garrafa e acabavam estourando. E o que dizer do confeiteiro de Luís XIV que, ao bater muito além da conta o creme de nata com açúcar, deu origem ao chantilly? Na gastronomia brasileira, não é diferente e, vira e mexe, um erro – ou mais de um – vira um acerto. Antes, porém, o desespero que antecede o sucesso vem na forma de um “Tô frito!”, como Claude Troigros costuma exclamar quando passa por situações como essa, com direitos a infinitos erres de seu sotaque francês.

Tô frito! – Uma coletânea dos mais saborosos desastres na cozinha, lançamento do selo Bicicleta Amarela, reúne histórias tão deliciosas quanto os imprevistos na cozinha. O livro é um apanhado de erros que acontecem nesse fascinante mundo da alquimia de odores e sabores, alguns bem-sucedidos, outros nem tanto, que foram parar nos cardápios dos melhores restaurantes brasileiros. Uma coletânea de histórias contadas em primeira pessoa por 20 chefs de destaque, em depoimentos às jornalistas Luciana Fróes e Renata Monti Barreto, que, sem qualquer pudor e com bastante humor – ressaltado nas ilustrações de Paulo Villela –, dividem as saias-justas que encaram todos os dias. 


Olivia Laing

É possível ser solitário em qualquer lugar, mas há um sabor particular na solidão quando se mora em uma grande cidade. A princípio esse estado pode parecer incompatível com a vida urbana e a presença em massa de seres humanos, mas a mera proximidade física não é suficiente para dissipar a sensação de isolamento interno. Em A cidade solitária, Olivia Laing dá continuidade ao trabalho iniciado no celebrado Viagem ao redor da garrafa e volta a articular vida e arte para, combinando reportagem, literatura, biografia e relato pessoal, analisar a solidão a partir de obras de artistas que, em meio ao dia a dia intenso de uma metrópole, lidaram direta ou indiretamente com esse sentimento ou foram perturbados por ele – com destaque para Edward Hopper, Andy Warhol, David Wojnarowicz e Henry Darger. 

Aos 30 e poucos anos, a britânica Laing se viu sozinha em Nova York após uma desilusão amorosa. A partir da ausência, se viu abraçando a própria cidade – a miscelânea de mercearias, os rangidos do trânsito, as lagostas vivas na esquina na Nona Avenida, o vapor subindo pelas ruas. Na maior parte dos dias, fazia as mesmas coisas: sair para comprar ovos e café, caminhar sem rumo pelas ruas, sentar no sofá enquanto o vizinho de cima ouvia jazz a todo volume. Aos poucos, foi começando a perceber que sua aparência era como a de uma mulher pintada por Edward Hopper.

O que significa estar solitário? Como vivemos quando não estamos intimamente envolvidos com outro ser humano? De que forma nos conectamos com outros indivíduos? A tecnologia é capaz de nos aproximar ou simplesmente nos aprisiona atrás de telas? Habitada ainda por outros personagens, de Virginia Woolf a Alfred Hitchcock e Greta Garbo, A cidade solitária traz um texto provocativo, comovente e extremamente humano sobre os espaços entre as pessoas – que, inerentes ao ato de estar vivo, podem ser ocupados pelas estranhas e fascinantes possibilidades da arte. O livro foi considerado um dos melhores do ano por veículos como The Guardian, Observer, Telegraph, Times Literary Supplement, Elle e Slate.


Naomi Novik

Autora da aclamada série Temeraire, bestseller do The New York Times, Naomi Novik introduz um mundo novo e ousado, com raízes fincadas no folclore eslavo, em Enraizados, indicado ao Hugo e vencedor do Nebula, entre outros prêmios literários. Na trama, Agnieszka e Kasia são melhores amigas e levam uma vida tranquila no vale. Mas essa tranquilidade cobra seu preço. Afinal, às margens do vilarejo onde moram fica a temida Floresta corrompida, cheia de um poder maligno desconhecido, e para impedir que ele avance para além das fronteiras da Floresta, o povo do vale conta somente com a proteção de um mago frio e ambicioso, que a cada dez anos exige que uma jovem do vilarejo seja entregue para servi-lo. Enquanto a próxima escolha se aproxima, Agnieska teme por sua bela, graciosa e corajosa amiga. Mas pode ser que ela esteja errada.  Porque, quando o Dragão chegar, não é Kasia que ele vai escolher.