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setembro 24, 2017


É primaveeeee-ra... (livros,) te amo! Bom demais começar uma nova estação com novos livros <3 Ainda mais porque em breve estarei em férias, então, hora de "fazer estoque" de leituras! :)

Nesta última semana chegaram dois lançamentos da Editora Rocco e um do Ateliê Editorial. Vamos conhecer estas novidades?


A Cidade Solitária - Olivia Lang

É possível ser solitário em qualquer lugar, mas há um sabor particular na solidão quando se mora em uma grande cidade. A princípio esse estado pode parecer incompatível com a vida urbana e a presença em massa de seres humanos, mas a mera proximidade física não é suficiente para dissipar a sensação de isolamento interno. Em A cidade solitária, Olivia Laing dá continuidade ao trabalho iniciado no celebrado Viagem ao redor da garrafa e volta a articular vida e arte para, combinando reportagem, literatura, biografia e relato pessoal, analisar a solidão a partir de obras de artistas que, em meio ao dia a dia intenso de uma metrópole, lidaram direta ou indiretamente com esse sentimento ou foram perturbados por ele – com destaque para Edward Hopper, Andy Warhol, David Wojnarowicz e Henry Darger. 

Aos 30 e poucos anos, a britânica Laing se viu sozinha em Nova York após uma desilusão amorosa. A partir da ausência, se viu abraçando a própria cidade – a miscelânea de mercearias, os rangidos do trânsito, as lagostas vivas na esquina na Nona Avenida, o vapor subindo pelas ruas. Na maior parte dos dias, fazia as mesmas coisas: sair para comprar ovos e café, caminhar sem rumo pelas ruas, sentar no sofá enquanto o vizinho de cima ouvia jazz a todo volume. Aos poucos, foi começando a perceber que sua aparência era como a de uma mulher pintada por Edward Hopper.

O que significa estar solitário? Como vivemos quando não estamos intimamente envolvidos com outro ser humano? De que forma nos conectamos com outros indivíduos? A tecnologia é capaz de nos aproximar ou simplesmente nos aprisiona atrás de telas? Habitada ainda por outros personagens, de Virginia Woolf a Alfred Hitchcock e Greta Garbo, A cidade solitária traz um texto provocativo, comovente e extremamente humano sobre os espaços entre as pessoas – que, inerentes ao ato de estar vivo, podem ser ocupados pelas estranhas e fascinantes possibilidades da arte. O livro foi considerado um dos melhores do ano por veículos como The Guardian, Observer, Telegraph, Times Literary Supplement, Elle e Slate.


TÔ FRITO! Uma coletânea dos mais saborosos desastres na cozinha
Luciana Fróes E Renata Monti

Todo cozinheiro tem uma boa história para contar. Afinal, a culinária é feita de imprevistos, escorregadas, receitas que desandam e que ganham vida própria. Frutos do acaso ou do descaso, quando vistos com outros olhos se transformam em acertos adoráveis. Do leite esquecido ao relento que virou queijo à luta de Dom Pérignon para controlar as borbulhas que fermentavam na garrafa e acabavam estourando. E o que dizer do confeiteiro de Luís XIV que, ao bater muito além da conta o creme de nata com açúcar, deu origem ao chantilly? Na gastronomia brasileira, não é diferente e, vira e mexe, um erro – ou mais de um – vira um acerto. Antes, porém, o desespero que antecede o sucesso vem na forma de um “Tô frito!”, como Claude Troigros costuma exclamar quando passa por situações como essa, com direitos a infinitos erres de seu sotaque francês.

Tô frito! – Uma coletânea dos mais saborosos desastres na cozinha, lançamento do selo Bicicleta Amarela, reúne histórias tão deliciosas quanto os imprevistos na cozinha. O livro é um apanhado de erros que acontecem nesse fascinante mundo da alquimia de odores e sabores, alguns bem-sucedidos, outros nem tanto, que foram parar nos cardápios dos melhores restaurantes brasileiros. Uma coletânea de histórias contadas em primeira pessoa por 20 chefs de destaque, em depoimentos às jornalistas Luciana Fróes e Renata Monti Barreto, que, sem qualquer pudor e com bastante humor – ressaltado nas ilustrações de Paulo Villela –, dividem as saias-justas que encaram todos os dias. 

Além de desastres que viraram sucesso, o livro reúne contos e causos ligados ao mundo da gastronomia. O veterano José Hugo Celidônio, que além de chef é ótimo contador de histórias, jamais irá esquecer da vez em que, ao servir frango com cogumelos em papillote (com os cogumelos envoltos em papel-manteiga) viu o casal que pedira o prato devorar tudo! e se deliciar com o papel... Já o empresário do ramo de gastronomia e hotelaria Rogério Fasano quase fora preso ao “contrabandear” uma espécie de minialcachofras que trouxera de Veneza, tudo na vontade de inovar e apresentar novos produtos e sabores aos brasileiros. O que se percebe na leitura de Tô frito! é que, mais que obras do acaso, o sucesso está principalmente na habilidade de seus criadores em lidar com ele e transformar um desastre em uma grande e inesquecível delícia.



Uma leitura reservada até então às crianças e fora de catálogo há muito tempo chega ao público adulto brasileiro: vinte narrativas em imagens e versos criadas nas décadas de 1860/1870 pelo clássico alemão Wilhelm Busch, precursor das histórias em quadrinhos, e traduzidas pelo poeta Guilherme de Almeida nos anos 1940 se tornam novamente acessíveis numa edição bilíngue, comentada e acrescida de manuscritos de tradução. Os virtuosos desenhos do artista, impressos em preto e branco, como em suas primeiras reproduções xilográficas para semanários humorísticos de Munique, dialogam com poemas reveladores de grande domínio da arte versificatória, tanto no original alemão quanto na recriação em português, gerando um elaborado jogo de assimetrias entre palavras e imagem.

Um pouco de história: Em 1857, o estudante alemão Wilhelm Busch, então com 25 anos, interrompeu seus estudos de pintura pela terceira vez – após experiências decepcionantes nas escolas superiores de arte de Düsseldorf, Antuérpia e Munique – e cogitou a possibilidade de emigrar para o Brasil, a fim de se dedicar à apicultura. No entanto, ele só chegaria a este país catorze anos depois, não em pessoa, mas por meio de seus poemas humorísticos ilustrados. Histórias Burlescas e Instructivas, em Versos Coxos Esdruxolos, e de Pé Quebrado se intitula a obra com três histórias buschianas, publicada no Rio de Janeiro, em 1871, pela Typographia Universal Laemmert, fundada por dois irmãos alemães na década de 1830. 

Exatamente três decênios após essa estreia, da qual hoje restaram muito poucos indícios, o hábil versificador alemão teria a sorte de ser traduzido por Olavo Bilac (sob o pseudônimo de Fantásio), numa publicação da
mesma editora Laemmert. A presente edição bilíngue reúne os poemas narrativos de Busch traduzidos por Guilherme de Almeida. Seu propósito é, por meio de um aparato crítico aos textos originais e às suas respectivas traduções, resgatar a recepção de Wilhelm Busch do âmbito da literatura estritamente infanto-juvenil, ao qual não se pode reduzir sua arte.


E você, já conhecia algum destes lançamentos? :)



E já temos mais uma resenha no canal! O autor da vez é o carioca Lima Barreto que em 1919 publicou Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. Lima Barreto foi um dos mais brilhantes autores que o Brasil já teve! Confiram minhas impressões sobre essa obra marcante e numa edição totalmente caprichada pelo Ateliê Editorial :)


Sinopse: O velho Rio de Janeiro se desfigurava com a modernização urbana do início do século XX. Com ela, os valores tradicionais também se transformavam. Gonzaga de Sá é atingido pelas drásticas mudanças. Sua inadaptação o leva a questionar criticamente o que vê, sente e pensa. A vida desse obscuro funcionário, culto e sensível, em meio à mediocridade de um poder público ridículo e nefasto, bem como de uma sociedade frívola e hipócrita, é marcada por longas caminhadas pelas ruas da cidade, a contemplar a rápida destruição da paisagem urbanística antiga e a meditar sobre o surgimento de um mundo em que a alienação humana mais e mais se acentuava, um mundo em que não encontrava mais lugar para si. A Coleção Clássicos Ateliê publica esta nova edição do romance Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, de Lima Barreto, com texto fidedigno, depurado e estabelecido com o rigor exigido pela metodologia da crítica textual. Um minucioso e lúcido estudo sobre o romance, exclusivo desta edição, é assinado por Marcos Scheffel. Mestre em literatura brasileira, doutor em teoria da literatura, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista na obra de Lima Barreto, Marcos Scheffel, além da leitura analítica e interpretativa de seu ensaio de apresentação da obra, esclarece e comenta aspectos do texto, com proficiência e pertinência, por meio de cerca de quatrocentas notas explicativas.Sugestivas ilustrações do artista plástico Kaio Romero também enriquecem esta edição, com que a Ateliê Editorial homenageia o célebre escritor carioca e, com orgulho, oferece aos leitores. 


Sobre o livro: Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá é um caso raro na literatura brasileira. Apesar de escrito por um dos mais importantes autores nacionais, é um livro pouco lido, pouco conhecido, pouco estudado e pouco editado. No ano em que Lima Barreto é escolhido o autor homenageado da FLIP – Festa Literária de Paraty – a Ateliê Editorial repara este equívoco e lança, em uma edição especial, o romance.

O volume organizado por Marcos Scheffel, professor da UFRJ, traz um texto introdutório com importantes informações ao leitor que ainda não teve contato com a obra: histórico da publicação, um resumo sobre  atuação de Lima Barreto como cronista, um estudo sobre os personagens, informações literárias e as razões sobre as quais esta é uma obra que quase caiu no esquecimento.

Lima Barreto iniciou o projeto de Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá em 1906, mas o livro só foi publicado mais de uma década depois, em 1919. Isso porque, com dois projetos de romances em mãos – Vida e Morte e Recordações do Escrivão Isaías Caminha – o carioca resolve apresentar Recordações para seu editor. A razão está em uma carta de Lima Barreto a Gonzaga Duque: “Era um tanto cerebrino, o Gonzaga de Sá, muito calmo e solene, pouco acessível, portanto. Mandei as Recordações do Escrivão Isaías Caminha, um livro desigual, propositalmente malfeito, brutal por vezes, mas sincero sempre”.

De fato, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá é um romance com um enredo mínimo  e voltado a questões filosóficas e existenciais. O narrador, Augusto Machado, assume uma postura de discípulo de Gonzaga de Sá, um velho funcionário público, e faz do romance uma espécie de uma biografia deste, reproduzindo conversas  sobre vários temas do cotidiano da cidade e sobre as reformas urbanísticas que estavam em curso no início do século na cidade do Rio de Janeiro. Neste ponto: “Lima Barreto apresenta no livro uma visão histórica que se opunha à visão Positivista (teleológica) que predominava em nosso meio intelectual. Quando havia um coro favorável a soterrar nosso passado colonial, ele trazia uma noção relativa do belo e de uma história que não devia ser lida de maneira linear”, explica o organizador.

Apesar da morte prematura, aos 41 anos, o legado de Lima Barreto à literatura brasileira é de grande importância. Por isso, discutir sua obra e colocar sua produção literária à disposição do público é bastante significativo. “[...]Vida e Morte não mereceu tanta atenção da crítica, dos leitores e do mercado editorial – gerando uma espécie de ciclo de esquecimento. Espero que a partir desta edição possamos ver novos estudos sobre esta importante obra”, conclui Scheffel.


agosto 21, 2017


Exílio

Espero do exílio em que me ponho
acovardado

absorver a essência do que me foi
dito,
e a existência, do que me foi
silenciado.

Recebemos dos parceiros do Ateliê Editorial  a divulgação mais um lançamento de Poesia e já corremos para compartilhar com vocês! Com previsão de lançamento para o segundo semestre, o poeta Carlos Cardoso retorna às livrarias com "Na Pureza do Sacrilégio", idealizado após um reencontro com seus manuscritos e com a própria condição de poeta.

Em 2004, Carlos Cardoso reuniu alguns de seus poemas no volume Sol Descalço, lançado pela 7Letras. No ano seguinte chegava às prateleiras Dedos Finos e Mãos Transparentes, pela mesma editora. 

Apesar do começo promissor, Cardoso precisou concentrar-se na carreira de engenheiro, mas a poesia nunca o abandonou. Sobre este retorno, conclui o autor: “A poesia melhora minha vida de várias maneiras. Tenho uma sensação prazerosa em escrever. E gosto de ver os poemas terem vida própria, causarem sentimentos e entendimentos diferentes em cada pessoa que entra em contato com eles”.

Em Sol Descalço, o poeta dedicou-se a uma abundância de imagens poéticas; em Dedos Finos e Mãos Transparentes, Cardoso revelou um mundo de simplicidade. Já em Na Pureza do Sacrilégio, o livro será pautado por questões filosóficas e existenciais, além da criação de textos que mesclam o real com o inventivo.

Parabéns Ateliê Editorial por promover mais este lançamento! Já estamos curiosos pra conhecer este novo trabalho!

Sugestão

Encontre a paz e seja feliz.
Desista de tudo o que te agride.
A solidão a insensatez a covardia.
Deixe apenas uma palavra,
tão pura e serena
que ninguém a diria.


Sobre o autor: Carioca, nascido em 30/12/1973, tem como influências literárias T.S Eliot, Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire, Fernando Pessoa, Octavio Paz, Dylan Thomas e Camões.

“...quando nós, leitores, pensávamos ter capturado e enquadrado a originalidade poética de Carlos Cardoso, surge um novo livro do autor Dedos finos e mãos transparentes, no qual a fúria motriz das imagens alucinadas se atenua e dá lugar a um mundo de sutilezas e sensações as mais cotidianas que, sem jamais perder a visceralidade e o gosto pela surpresa, nos tocam por sua simplicidade”, escreveu sobre ele Carlito Azevedo.

Site: www.carloscardoso.art.br
Facebook: https://www.facebook.com/carloscardoso.art


A memória é uma porta de escape,

fenda por onde o amor foge quando
o amor bate.
julho 24, 2017


O escritor carioca Lima Barreto será o homenageado da 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty / FLIP, que acontece nos dias 26 a 30 de julho de 2017. Uma de suas obras, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, foi recentemente publicada pela Ateliê Editorial, e o público da FLIP poderá participar do lançamento no dia 27 de julho (quinta-feira) na Livraria das Marés

Aliás, nossa colunista Mich Fraga estará acompanhando de perto a FLIP, e logo logo compartilhará aqui no blog um vídeo sobre a obra do autor e também impressões deste festival literário :)


Sobre a obra: Lima Barreto iniciou o projeto de Vida e Morte de M J Gonzaga de Sá em 1906, mas o livro só foi publicado mais de uma década depois, em 1919. Isso porque, com dois projetos de romances em mãos – Vida e Morte e Recordações do Escrivão Isaías Caminha – o carioca resolve apresentar Recordações para seu editor. A razão está em uma carta de Lima Barreto a Gonzaga Duque: “Era um tanto cerebrino, o Gonzaga de Sá, muito calmo e solene, pouco acessível, portanto. Mandei as Recordações do Escrivão Isaías Caminha, um livro desigual, propositalmente malfeito, brutal por vezes, mas sincero sempre”.

De fato, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá é um romance com um enredo mínimo  e voltado a questões filosóficas e existenciais. O narrador, Augusto Machado, assume uma postura de discípulo de Gonzaga de Sá, um velho funcionário público, e faz do romance uma espécie de uma biografia deste, reproduzindo conversas  sobre vários temas do cotidiano da cidade e sobre as reformas urbanísticas que estavam em curso no início do século na cidade do Rio de Janeiro. Neste ponto: “Lima Barreto apresenta no livro uma visão histórica que se opunha à visão Positivista (teleológica) que predominava em nosso meio intelectual. Quando havia um coro favorável a soterrar nosso passado colonial, ele trazia uma noção relativa do belo e de uma história que não devia ser lida de maneira linear”, explica o organizador.

Apesar da morte prematura, aos 41 anos, o legado de Lima Barreto à literatura brasileira é de grande importância. Por isso, discutir sua obra e colocar sua produção literária à disposição do público é bastante significativo. “[...]Vida e Morte não mereceu tanta atenção da crítica, dos leitores e do mercado editorial – gerando uma espécie de ciclo de esquecimento. Espero que a partir desta edição possamos ver novos estudos sobre esta importante obra”, conclui Scheffel.

maio 18, 2017


Neste início de maio, a Sala Multiuso da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, localizada no Campus da Universidade de São Paulo, inaugurou a exposição "As bibliotecas de Maria Bonomi", apresentando xilogravuras da artista produzidas ao longo de sua trajetória, assim como ilustrações que a artista produziu para o conhecido livro Ou Isto ou Aquilo, de Cecília Meireles. A exposição fica em cartaz de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30, até o dia 26 de maio.

Em paralelo a exposição, o Ateliê Editorial publicou a sexta edição da revista Livro, que reúne 23 gravuras de Maria Bonomi feitas especialmente para a publicação do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição da USP. Neste trabalho, a artista realizou um trabalho em gravura a partir de uma seleção de imagens de bibliotecas de diversos países do mundo que a artista visitou e pesquisou.

Para conhecer um pouco mais do trabalho de Maria Bonomi e da gravura como processo artístico, vale assistir o vídeo realizado pelo Instituto Arte na Escola, disponível em seu canal no Youtube:


E claro, não deixe de conhecer os trabalhos da artista publicados na edição nº 6 da Revista Livro :)

Sobre a revista: Ilustrada por gravuras da artista plástica ítalo-brasileira Maria Bonomi ao longo de suas páginas, a nova edição da revista Livro, uma publicação anual do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição da Universidade de São Paulo (NELE/USP), oferece uma "experiência sensorial vibrante", nas palavras de seus editores, Marisa Midori Deaecto e Plinio Martins Filho.

Em seu sexto número, a obra traz texto inédito de Donaldo Schüler, mestre-tradutor de Homero e James Joyce; e artigo de Yann Sodert, ex-diretor da Biblioteca Mazarine (França), que apresenta uma abordagem histórica sobre catalografia e suas curiosidades ao longo dos tempos.

Livro nº 6 reflete, entre outros pontos, a respeito da leitura do jornal, e traz a reconstrução de um importante capítulo da história editorial brasileira: a trajetória de Jorge Zahar e a revolucionária coleção Biblioteca de Ciências Sociais. Esta edição levanta, ainda, questões relacionadas à crise cultural do impresso, ao analisar a função das bibliotecas atualmente.

Resultado do esforço coletivo de professores, pesquisadores e profissionais dedicados ao estudo da palavra, a publicação tem como finalidade conduzir o leitor a uma reflexão sobre a difusão de pesquisas que têm a palavra impressa como seu objeto principal. Desde seu número de estreia, Livro busca cobrir os ciclos de vida do impresso no Brasil e no mundo. A cada número da revista é escolhido um artista gráfico para ilustrá-la.

Os interessados em adquirir a Livro nº6 podem fazê-lo pelo site da editora e ou em grandes livrarias.
novembro 15, 2016

 
 
"Uma rua estreita, montada com casas pequenas, germinadas, com janelas de madeira de duas folhas, bem baixas. A rua termina numa linha de trem. Do outro lado da linha, uma ruela de casas ainda mais simples. Quase miseráveis. Se um transeunte caminhasse pela linha do trem por trezentos metros, ao lado direito das paralelas de trilhos, veria uma área delimitada com uma corda. Ali, foram colocados um carrossel, uma roda-gigante e duas barcas-gangorra. Nada se movimenta."

O aroma da casa, as janelas que se voltam para a praça, o coração que se abre (ou se esconde) em um novo dia: é preciso guardar as impressões da cidade, e também a grandeza do que é possível. No livro de Maria Vieira, cada passo, pássaro e perda (especialmente a perda) é uma espécie de porto-parágrafo, uma plataforma de embarque (e naufrágio) para o coração.

Em Silêncios no Escuro, a autora amplifica a cegueira das relações, e também as cicatrizes de nossos gestos. Em dezesseis contos, o leitor se encontra na distância dos lares, assim como na familiaridade de nossos ritos. Neste miolo de interdições e promessas, as formas criadas pelo homem (a)guardam um maior significado, e isso vale para o amor, que tanto se esgueira no altar como se renova nas adversidades do dia-a-dia.

Catalogar o mundo é uma forma de nomear o que se esconde no peito. Porém, como descrever a paixão e sua febre, ou ainda a herança e suas misérias? Nem sempre encontraremos um lar para tudo que se apresenta, e talvez por isso a escrita do cotidiano seja permeada por um catálogo de trivialidades, assim como por uma imensidão de miudezas.

Idealizar o mundo é uma forma de esconder o medo que temos do dia seguinte. Porém, se pouco doesse a nossa vida, também pouco encontraríamos em nosso diário e gavetas. Afinal, não importa se em um universo de dois ou tudo: viver é enfrentar a multidão de nós mesmos, e quem sabe traduzi-la em algumas linhas.

"Mal se falavam. Mas a lembrança daquele olhar estranho que de repente varava a fumaça quando tomavam café ao pé do fogão, ainda o surpreendia durante os dias mais quentes, quando o suor lhe umedecia os músculos e (...) se dava conta das mudanças que os membros e o tórax sofriam a cada semeadura, a cada colheita."

 

"O sol estava quente. Disso, ela se lembra. Suspirou, fez bico de choro, o pai se despediu do lojista e seguiu seu caminho com ela no colo. O menino de porcelana ficou lá, olhando pra ela. Ah! Se ele estivesse à venda... Certamente o pai o teria comprado, ou não... Como sabê-lo?

O que o vendedor não sabia é que a loja não tinha mais proteção. O boneco foi embora nos olhos da menina, mas ela também não sabia que aquele era seu último passeio no colo do pai."


Silêncios no Escuro
Maria Viana


A morte e o silêncio são os fios condutores da primeira obra de ficção adulta de Maria Viana, autora conhecida por sua produção de livros didáticos e infantis. A coletânea traz dezesseis contos, que a autora esboçou por cerca de 15 anos, e apresenta fotografias de Laura Campanér. A preseça do pai é recorrente na obra: o tema está estrategicamente posicionado no primeiro e no último conto do livro. No primeiro, explica a autora, ela foi movida por um desejo de homenagear um pai que perdeu muitos filhos antes de ver um deles realmente sobreviver. Já no último, fala também da morte, mas do ponto de vista da criança que presenciou o falecimento do pai.

Mestre em Culturas e Identidades Brasileiras pelo Instituto de Estudos Brasileiros da USP e Bacharel pela mesma instituição, Maria Viana é estudiosa de romances do século XIX. Além disso, é apreciadora das narrativas curtas e admirdora da capacidade de síntese de alguns escritores. Organizadora de vários livros de contos para diferentes editoras, chegou a traduzir um livro de contos de Guy Maupassant. "Essas experiências fizeram-me perceber que escrever contos é muito desafiador, porque é preciso cortar os excessos, não há espaços para descrições e digressões, próprias do romance. Creio que quis cometer essa ousadia; se consegui, não sei", conclui.

outubro 20, 2016

Música Popular Brasileira. Taí um nome de mil significados, e também muita confusão! Desde que o samba é samba e a Música um enredo da Universidade, incontáveis historiadores, críticos, compositores e artistas passaram a desenhar nomenclaturas e genealogias para a sonoridade criada pelo brasileiro. Das canções que nossos avós conheceram na Era de Ouro do Rádio, passando pelo violão das cidades e de nossas rebeldias, só sei que a (in)definição do amor e seus cotidianos continua sendo uma sinopse comum à então e sempre popular música brasileira.

Para enriquecer este debate, o post de hoje é dedicado a publicações que apresentam a vida e obra de grandes nomes de nossa história. Confira nossos lançamentos preferidos da casa publicadora Ateliê Editorial:


Paulinho da Viola e o Elogio do Amor
Eliete Eça Negreiros

Vai, que toda verdade de um amor
O tempo traz
Quem sabe um dia você volta para mim
E amando ainda mais

(Ainda Mais)

Em Paulinho da Viola e o Elogio do Amor Eliete Negreiros apresenta uma reflexão sobre a representação do amor na obra do compositor e sua inscrição no âmbito da tradição do pensamento e da lírica ocidental. Através das canções criadas e cantadas por ele, a autora revisita poetas e pensadores como Safo, Platão, Aristóteles, Montaigne, Freud, Walter Benjamin e Octavio Paz.

Eliete destaca três modalidades do amor na lírica violiniana: o amor breve, o amor melancólico e o amor feliz e vê no aspecto meditativo das canções uma espécie de educação sentimental na medida em que Paulinho da Viola descreve e reflete sobre os estados de apaixonamento.



Francisco Rocha

De tanto levar frechada do teu olhar
Meu peito até parece sabe o quê?
Táubua de tiro ao álvaro
Não tem mais onde furar

(Tiro ao álvaro)

As populações excluídas foram constantemente retratadas nas canções de Adoniran Barbosa. Neste estudo, Francisco Rocha toma a vida e a obra do artista como pontos de partida para analisar a São Paulo dos anos 1950. Merece destaque o cotidiano urbano, com suas personagens anônimas e os sinais do ”progréssio”. As fotos de Alice Brill e as relíquias do extinto museu Adoniran Barbosa ilustram a época em que viveu o criador de Saudosa Maloca, Iracema, Trem das Onze e História Paulista.



O seu dinheiro nasce de repente
E embora não se saiba se é verdade
Você acha nas ruas diariamente
Anéis, dinheiro e até felicidade

(Onde está a honestidade?)

O modo como Noel Rosa criou uma obra de alta carga poética, articulando a coloquialidade da língua falada à musicalidade, é tratado com acuidade por Mayra Pinto. Na análise de suas canções, Mayra mostra como o tom coloquial, próprio do samba, se apoia em estrofes construídas com base em paralelismos poéticos, entoativos e rítmico-musicais. A única alteração nessa “fórmula” está na letra, que a cada estrofe descreve com mais detalhes a situação do locutor. Este livro é uma contribuição original ao estudo da obra de Noel Rosa e, ao mesmo tempo, à toda canção brasileira.


Figuras do Feminino na Canção de Chico Buarque
Adélia Bezerra de Meneses

Pode ser que, entreabertos
Meus lábios de leve
Tremessem por ti
Mas nem as sutis melodias
Merecem, Cecília, teu nome
Espalhar por aí

(Cecilia)

Chico Buarque é um dos poetas que exprimem de maneira mais sensível a essência da mulher. De sua lírica emergem vozes femininas que mesclam o afetivo e o social, o sexual e o político. Neste livro, a autora estuda suas letras usando uma abordagem psicanalítica e sociológica. As figuras do feminino na obra do compositor são analisadas à luz das relações intertextuais que estabelece com obras de grandes artistas como Di Cavalcanti, Ismael Nery e Alfredo Volpi.



É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia

(A linha e o linho)

O livro aqui apresentado é uma viagem pela trajetória de Gilberto Gil e, consequentemente, pela trajetória política e poética do nosso país. Pedro Varoni acompanha o modo como Gilberto Gil faz da poesia um instrumento de intervenção política, bem como da política um lugar de manifestação artística, poética.

[…] estamos diante de um livro que amplia o olhar daqueles que se interessam pelas vozes, pelos gestos, pelas cores e pela língua de Gil e de nossa cultura nacional, bem como pelo modo que todas essas esferas fazem vibrar – no passado e no presente – a nossa brasilidade.



Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento
Eu vou

(Caetano Velloso - Alegria, alegria)

Lançado em 1979, este estudo de Celso Favaretto tornou-se um clássico sobre o movimento da Tropicália, leitura imprescindível aos interessados pelo tema. O autor reconstitui os nexos entre as composições, os arranjos e as cenas que caracterizam os gestos particulares dos tropicalistas. Explica também as tendências gerais do movimento e mostra como ele desenhou uma nova estética para a música brasileira. Esta reedição, revisada e ampliada, conta com prefácio do músico e linguista Luiz Tatit.

setembro 16, 2016


É hora de partir, meus irmãos, minhas irmãs
Eu já devolvi as chaves da minha porta
E desisto de qualquer direito à minha casa.
Fomos vizinhos durante muito tempo
E recebi mais do que pude dar.
Agora vai raiando o dia
E a lâmpada que iluminava o meu canto escuro
Apagou-se.
Veio a intimação e estou pronto para a minha jornada
Não indaguem sobre o que levo comigo.
Sigo de mãos vazias e o coração confiante.

(Rabindranath Tagore)


Difícil precisar o início da chamada Literatura de Viagem. Enquanto gênero literário, consiste em um universo de narrativas acerca das experiências, descobertas e reflexões de um viajante, realizadas durante ou após o período de sua jornada, que tanto pode ser 'documental' (isto é, o autor esteve em tal país ou travessia) como 'ficcional' (o autor atravessa mundos por ele imaginados). Afinal, toda volta e distanciamento da casa produz histórias, assim como a voz de um explorador da antiguidade e a de um personagem urbano de nossos dias encerra uma paixão, rica em saudade e pertencimento.

Se fôssemos criar uma "sinopse de séculos", poderíamos citar alguns de seus viajantes mais conhecidos: Ulisses, Penélope e demais mitologias; Colombo, Crusoé, criaturas do mar e cartografias; Quixote, tavernas e romances de cavalaria; a conquista do Oeste, Faulkner, o deserto e o sublime; os séculos 18 e 19 e seus artistas, em um êxtase de carne, África e Oriente; Baudelaire, a Passante, a tuberculose e a melancolia; histórias de Kerouac e estradas, e também as de nossos pais em uma Kombi atravessando rodovias; e claro, o diário do nômade, do escoteiro, do viajante apaixonado, do amor não correspondido, e também a selfie naquela excursão para o Rock in Rio ou a Disney.

Em algum ponto de cada particular história haverão pistas de seus autores, assim como indícios de nós mesmos. Como diria Cecília, "um poeta é sempre irmão do vento e da água: deixa seu ritmo por onde passa.", e com a Literatura de Viagem não poderia ser diferente.


No post de hoje conheceremos as impressões da autora Marleine Paula a respeito de sua viagem à Índia, em um período de vinte e poucos dias, como parte de seu trabalho no campo das Relações Internacionais. No livro Índia: Além do Olhar, publicado pelo Ateliê Editorial, Marleine compartilha um pouco da história e costumes deste país ao mesmo tempo tão desigual e tão rico.

O livro inicia com uma reflexão de Otavio Paz: "A primeira coisa da Índia que me surpreendeu, como a todos, foi a diversidade feita de violentos contrastes: modernidade e arcaísmo, luxo e pobreza, sensualidade e ascetismo, desleixo e eficácia, mansidão e violência, pluralidade de castas e de línguas, deuses e ritos, costumes e ideias...". E neste será neste país de constrastes que Marleine iniciará a escrita de uma história ao mesmo tempo secular e, principalmente, cultural e religiosa.

Segundo a autora, para falar sobre a Ìndia é preciso 'partir das urbes para a civitas, das cidades para a sociedade', sem esquecer de sua cultura.

A Índia é atualmente o segundo país mais populoso do mundo e as partes I e II do livro tratam dos aspectos gerais de sua história e economia, assim como das caracterísitcas de suas principais Cidades (urbes): Mumbai, Déli, Jaipur, Agra, Fatehpur Sikri, Khajuraho e Varanasi.


A terceira parte do livro fala da Sociedade (civitas) indiana. Segundo Marleine, "A Índia vive, ao mesmo tempo, na Idade Média e no século XXI. Miséria e riqueza, progresso e atraso convivem pacificamente em todas as cidades. (...) O ensino superior, sobretudo na área de informática, é privilegiado. (...) O ensino médio é de baixa qualidade. Os serviços públicos, principalmente educação básica e sáude, são muito precários. (...) O povo indiano é espalhafatoso, barulhento, faz protestos por tudo, (...) envolve-se em brigas. A saudação (...) é o tradicional namastê, que significa 'eu reconheço o divino em você'. (...) Invenções indianas: jogo de xadrez, sistema decimal e um precursor do sistema heliocêntrico, mil anos antes de Galileu! (...) A música indiana que se ouve nas ruas é uma masala, isto é, uma mistura de pop, salsa, rock, folclore e até hinos religiosos. (...) A Índia tem 22 línguas oficiais  reconhecidas pela Constituição. (...) O sânscrito é a língua sagrada." (p. 79-82). Além destas observações gerais, a autora analisa o sistema de castas, o papel da mulher, do casamento e da família indiana, além, é claro, do fundamental papel da religião para a manutenção e existência desta sociedade.

O último capítulo trata especificamente da Cultura, trazendo informações valiosas sobre a Literatura, o Cinema, a Medicina Aiurveda e também sobre a Culinária do país.

Muito mais que um guia de viagem, "Índia: Além do Olhar" apresenta ao leitor uma generosa leitura a respeito de um país ao mesmo tempo tão ancestral e tão à espera de um futuro, e que de alguma forma, aos olhos mais atentos, em muito se parece com o nosso Brasil...

setembro 01, 2016


Sem Título. Barcelona, Espanha, 1998

A Noiva (1). Franco da Rocha, São Paulo, 1970


Nascido em 1941, o paulistano Boris Kossoy tornou-se um dos principais teóricos e historiadores da fotografia no Brasil. Sua pesquisa, ao mesmo tempo documental e fantástica, ou, nas palavras do autor, uma ficção da realidade, apresenta a fotografia como uma expressão cultural, ainda que não isenta do olhar de seu autor. Aos apaixonados por artes, arquitetura e, claro, fotografia, fica a indicação de sua obra, assim como a de sua produção teórica, publicada pelo Ateliê Editorial. Confira:



Primeira obra da trilogia de Kossoy, Realidades e Ficções na Trama Fotográfica apresenta um conjunto de textos que representam as diferentes linhas de pesquisa desenvolvidas pelo pesquisador. Traz reflexões sobre os mecanismos mentais que regem a representação (produção) e a interpretação (recepção) da fotografia. De maneira didática, o autor explica o processo de construção de realidades – e, portanto, ficções – que a imagem possibilita.



A fotografia é um resíduo do passado, fonte histórica aberta a interpretações. Esse é o mote da análise interdisciplinar que Kossoy faz do processo de representação nos documentos visuais. Fotografia & História traz princípios de investigação e uma metodologia de análise crítica das fontes fotográficas, a partir de uma abordagem sociocultural. A obra, em edição revista e ampliada, é pioneira no país. Tornou-se referência importante para historiadores, cientistas sociais e estudiosos da comunicação.

Os Tempos da Fotografia – O Efêmero e o Perpétuo

Em Os Tempos da Fotografia, o autor dá sequência às questões abordadas nos outros dois volumes de sua trilogia. A obra reúne textos sobre história, imprensa e memória, em que a fotografia é tanto fonte de pesquisa quanto objeto de estudo. O efêmero e o perpétuo fundamentam suas reflexões sobre a imagem. Nessa perspectiva, a fotografia ocupa o centro do debate sobre as ambíguas relações entre representação e fato, entre o aparente e o oculto.



Confira também um trecho de uma entrevista com Boris Kossoy:

Chegamos a algum lugar através das imagens fotográficas?
Em se tratando de fotografia em algum lugar chegamos, mesmo não saindo do lugar. Porque o lugar da fotografia é em todos os lugares. Inclusive em nossa imaginação, em nossos sonhos. Uma constatação é recorrente: fotografia e memória se confundem num único conceito e sentimento. As fotografias de anônimos que pesquisamos, ou que nos chegaram de nossos antepassados ou mesmo as nossas próprias imagens que guardamos de outras épocas, são vínculos de pertencimentos e ausências que povoam nosso imaginário; recordações e emoções nos voltam numa fração de segundo por meio das viagens da mente. As imagens nos afetam a todos, sejamos fotógrafos ou não.

Por que precisamos da fotografia? Ou melhor, precisamos da fotografia nas nossas vidas?
Precisamos da fotografia pelo que ela representa na construção de uma identidade e também da memória coletiva e individual. Além disso, como meios de conhecimento, referências insubstituíveis das ciências e do cotidiano e, naturalmente, estímulos contínuos da nossa imaginação.

 Hotel Riviera. Havana, Cuba, 2002

Criaturas 2 - Madrid Espanha 2012

agosto 12, 2016




É só a gente tirar uns dias off do mundo e do escritório que a caixa postal fica assim, lotada e linda! #partiuferiasdenovoprarecebermaiscartinhas <3

Vou postar as comprinhas primeiro (os dois primeiros livros), e depois os recebidos:


Taí um livro que eu queria desde sempre (mesmo custando 39.90 rs) e que eu não conseguiria esperar algum saldão da Amazon para adquirir <3 No entanto, apesar de gostar demais do autor, só pela sinopse e primeira folheada não deu pra sentir se essa história é tão intensa quanto as anteriores... Ainda assim, é um dos poucos autores que pretendo ler tudo na vida (aliás, já falei bastante do Matthew nesse post aqui), então, logo logo compartilharei mais esta leitura com vocês aqui no blog :)


Calma, calma, a vida mudou mas (ainda) nem tanto assim rs. Porém, há momentos em que a gente precisa reavaliar os hábitos e comportamentos de sempre, e enxergar a vida de outra forma, pensar no futuro, sabe... e entender que o alicerce de qualquer mudança (pra melhor!) é uma combinação de foco, motivação e planejamento. E autores como Gustavo Cerbasi conseguem transmitir este conhecimento e experiência de maneira organizada e acessível. Portanto, ainda que o "casais" do título não faça parte de sua realidade (tanto presente como em uma perspectiva futura), dê uma chance para essa literatura menos... 'sonhadora', digamos assim. Você pode realmente se surpreender com a leitura :)

Olha, gostando mesmo de conhecer o trabalho da Editora Gente, que também possui uma linha editorial voltada a "vida prática", com foco em comunicação, finanças e organização pessoal (o livro da Thais Godinho também é da Gente!). E o lançamento do Márcio Giacobelli faz parte desse nicho literário, e com certeza estará em nossas resenhas do segundo semestre :)


Pra quem já leu nossa resenha sobre o País de Gales, prepare-se para em breve conhecer a Índia com mais este lançamento da Ateliê Editorial :) Pelo que pude folhear, o livro traz um relato de viagem muito bem organizado, e rico em detalhes, onde o leitor encontrará tanto fatos históricos sobre o país e suas principais cidades, como também impressões gerais sobre os hábitos, cultura, religão e sociedade indiana. Taí, uma leitura bem interessante, hein! Aceitam um spoiler? O livro ainda traz algumas receitinhas vegetarianas maravilhosas! <3

Sheila Walsh é palestrante, escritora e apresentadora de tv. Após recuperar-se de uma grande depressão, passou a dedicar-se ao projeto Women of Faith, uma organização norte-americana voltada para o desenvolvimento pessoal e espiritual de mulheres nos Estados Unidos. Ainda não iniciei esta leitura mas, só pela sinopse, acredito que será uma experiência de algum modo inspiradora: "A autora best-seller Sheila Walsh acredita que seja possível levar uma vida mais simples, tendo o amor como foco, mesmo em um mundo extremamente complexo. Atualmente, muito se fala sobre o essencialismo, mas será que sabemos o que isso realmente significa? Descubra uma maneira mais simples de vida e de amor. Baseado no exemplo de Jesus e de sua caminhada, Respostas de Deus para problemas complicados retomará a essência da felicidade e da saúde espiritual. É hora de voltar ao plano inicial de amar a Deus e aos outros, sem maiores preocupações. Só assim será possível encontrar beleza nas coisas simples da vida."


Apenas: um livro que tem tudo pra nos fazer chorar litros! rs :) Confira a sinopse: Millie Bird é uma garotinha de apenas 7 anos que já sabe muita coisa. Ela já descobriu que todos nós um dia vamos morrer. Em seu Livro das Coisas Mortas, ela registra tudo o que não existe mais. No número 28 ela escreveu “MEU PAI". Millie descobriu também, da pior forma possível, que um dia as pessoas simplesmente vão embora, pois a mãe dela, abalada com a morte do marido, a abandona numa grande loja de departamentos. Ela só não está triste porque conheceu Karl, o Digitador, um senhor de 87 anos que costumava digitar com os próprios dedos frases românticas na pele macia de sua mulher. Mas, agora que ela se foi, ele digita as palavras no ar enquanto fala. Ele foi colocado pelo filho em uma casa de repouso, porém, em um momento de clareza e êxtase, ele escapa, tornando-se então um fugitivo. Agatha Pantha é uma senhora de 82 anos que mora na casa em frente à de Millie e que não sai mais, nem conversa com ninguém, há sete anos. Desde que o marido morreu, ela passou a viver num mundinho só dela. Agatha preenche o silêncio gritando, pela janela, com as pessoas que passam na rua, assistindo à estática na televisão e anotando em seu diário tudo o que faz. Mas, quando descobre que a mãe de Millie desapareceu, ela decide que vai ajudar a menina a encontrá-la. Então, a adorável garotinha, o velhinho aventureiro e a senhorinha rabugenta partem em uma busca repleta de confusões e ensinamentos, que vai revelar muito mais do que eles imaginam encontrar.


Livros, livros, preciso de férias pra tantos livros (ou um trabalho que me permita resenhar um monte de livros por dia! rs) <3