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Mostrando postagens com marcador Joseph Conrad. Mostrar todas as postagens
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fevereiro 23, 2017


"Being nobody's child he feels rather more keenly than another would that he is a Russian - or he is nothing" (Nota do Autor) 

Um livro que poderia facilmente ser apresentado como baseado em fatos reais, não só pela pontualidade em retratar a política russa do início do Século XX, mas também pela fidelidade em descrever as batalhas psicológicas e emocionais que podemos viver. Assim é a escrita de Joseph Conrad, em Under Western Eyes, publicado no Brasil em 1984 pela Editora Brasiliense.

Entre a opressão do governo czarista e a estupidez dos revolucionários, está o povo russo. Neste cenário conturbado, está Razumov, um jovem órfão, estudante da universidade de São Petersburgo, que sobrevive graças a uma modesta ajuda financeira de um misterioso aristocrata. 

Tanto nos dias de hoje como no início do século, sempre foi notória a capacidade de fomentação de ideias subversivas nas universidades. Razumov internamente as despreza, no entanto. Devido a sua inteligência, era visto com imenso potencial por alunos ligados a causa revolucionária. Certo dia, ao chegar em casa, o jovem depara-se com um dos mais radicais progressistas da universidade sentado em sua cama: Victor Haldin, que acabara de cometer um fatal atentado terrorista, envolvendo assim Razumov, para sempre, em todo o movimento revolucionário russo. 

Logo descobrimos que esta história está sendo narrada em Genebra, na Suíça, por um professor de inglês, (que também um espectador privilegiado de reuniões com exilados russos, e com acesso a antigos documentos e diários, inclusive do jovem órfão), claramente com dificuldades de entender o povo e a política daquele país devido a perspectiva de seus "olhos ocidentais". 

Victor Haldin, vivo ou morto, torna-se um fantasma íntimo para Razumov. As questões que aparecem em sua mente e o indesejado envolvimento com as insurgentes forças rebeldes foram suficientes para destruir não só suas aspirações, descartar seu árduo trabalho, mas também para trucidar seu sono, sua paz. 

Por trás do emaranhado de elos apresentados na trama, Mikulin, chefe do Departamento do Secretariado-Geral, condiz com sua fama de saber utilizar pessoas para alcançar seus objetivos, e tem em Razumov uma inesperada chance para seu êxito pessoal e profissional. Uma interpretação a somar-se sobre a história do jovem estudante após a leitura é de que se algo dentro de você te aprisiona, nem toda liberdade do mundo, e nem a mais democrática das nações poderá te libertar. 

Joseph Conrad, com a mesma qualidade que descreve a natureza opressiva do desconhecido na África em Heart of Darkness (publicado no Brasil pela Hedra e Companhia das Letras), e minúcia ao escrever acerca do conturbado jogo de poder latino-americano em Nostromo (publicado em 1991, também pela Companhia das Letras), vai além em Under Western Eyes, pois não só é magistral ao retratar a tensão política vivida na Rússia naquele tempo, como também consegue transpor para o papel os intensos devaneios de seu personagem principal, diretamente nos remetendo a Dostoievski e outros gênios russos, independente do suposto desprezo que Conrad sentia por esses escritores.

"As palavras, como todos sabem, são as grandes inimigas da realidade (…); chega uma época em que o mundo é apenas um lugar de muitas palavras, e o homem parece um simples animal falante, não muito mais digno de admiração que um papagaio."

("Words, as is well known, are the great foes of reality (…); there comes a time when the world is but a place of many words and man appears a mere talking animal not much more wonderful than a parrot.")


outubro 22, 2016

Um dia pra lembrar do que ficou, uma semana pra contar o que não se esquece. Estranheza é medir assim o tempo; pior é abafar a vida. Talvez o texto não traduza o melhor de nossa experiência, porém, sem ele, muito do que viveríamos simplesmente desapareceria. Em momentos assim, melhor não descartar a sensação de que poderíamos ter contado um pouco mais, assim como a de que o que importa mesmo é não ter vivido menos.

Uma semana e(m) um dia é um projeto de postagem coletiva, a ser realizado semanalmente (assim desejamos) por todos os colaboradores do Blog Papel Papel. Este formato de post é inspirado em algumas páginas que seguimos, especialmente a da querida Val do blog Uma Pedra no Caminho e suas postagens "Resumo da Semana". Afinal, nem só de literatura vivemos, e há um tanto de assuntos que também gostaríamos de conversar com vocês. Só falta começar, né? :) 


Semana de 15/10 a 22/10



Bruno

Esta semana, apesar de muito trabalho, consegui ler Nostromo, romance de um dos meus escritores favoritos, Joseph Conrad, que sempre me surpreende positivamente na escolha das palavras, cada linha traz uma riqueza única. Os clássicos russos talvez também tenham essa característica, mas não vou entrar em detalhes para isso aqui não virar uma resenha. Selecionei dois trechos que exemplificam bem Conrad e sua habilidade poética mesmo após tradução: o primeiro de Lord Jim e o segundo de Nostromo.

"O homem que nasce cai num sonho, como o homem que cai no mar. Se tenta elevar-se no ar, como as pessoas inexperientes tentam fazer, afoga-se – nicht wahr?… Não! Eu lhe digo! O jeito é o elemento destrutivo se submeter, e com os movimentos dos pés e das mãos na água fazer o mar profundo mantê-lo à tona.”

"A ação é um mero consolo. É a inimiga do pensamento e a amiga das ilusões aduladoras"

Em formato pocket, Nostromo pode ser encontrado em edição da Companhia das Letras e Lord Jim pela Martin Claret.



Jonatas

Essa semana foi bem esquisita. Quinta-feira estava sozinho em casa, quando, de repente, ouvi um estalo baixo na minha janela. Parecia o som de pequenas pedras se chocando no vidro. Olhei para trás. Não havia nada. Depois de cinco minutos o som voltou, repetitivo e incômodo. Virei a cabeça rápido para que não escapasse. Era um pombo tentando entrar desesperadamente. Corri para espantá-lo pensando sobre o que minha mãe sempre me falou sobre as doenças que essas aves transmitem. Mas antes que abrisse a janela, ele fugiu. Então encontrei algo estranho encostado no basculante. Um pacote negro com uma caveira branca impressa e a inscrição “Darkside”. Jeito estranho dessa editora mandar livros pra gente, pensei. Abri. Dentro estava um livro. O lançamento Os Pássaros, escrito por Frank Baker. Capa dura, arte gráfica impecável, lombada de página negra, marcador de página em tecido e uma pena... Saibam que li as primeiras páginas no mesmo instante e garanto que os amantes de literatura pós-apocalíptica irão gostar. Muito.

Aqueles que desejarem saber acerca da minha experiência de leitura, na próxima semana publicarei uma resenha no Nerdgeek Feelings.



Rebeca

 

Dá um certo arrepio na espinha lembrar que tal banda ou filme ou disco comemoram vinte anos agora em 2016. Primeiro, porque eu com certeza desconheço todas as músicas lançadas neste ano, mas lembro perfeitamente do cenário cultural lá dos mil novecentos e noventa. Sim, aqui no Papel Papel estamos todos nesta fase nostálgica pra lá dos muitos 20, e entendendo que a vida é mesmo esta coleção de memórias e rugas, assim como bolhas nos pés de ter caminhado tanto por aí. 

Há uma semana, ganhei ingresso para o show de uma banda que nunca imaginei assistir. No último 15 de outubro, a banda mineira Skank passou aqui pelo Rio para realizar um show comemorativo dos vinte anos do disco Samba Poconé, que inundou os ouvidos de toda uma geração com o pegajoso hit Garota Nacional. Apesar dos pesares desta música (e de ter começado com 1h de atraso), o show foi realmente bom demais! E a sensação de gostar de uma banda ou filme ou disco assim de forma tão inesperada (okay, eu já curtia uma ou outra baladinha da banda, mas, para um show de 2h, confesso que fiquei meio perdida; não sabia cantar muita coisa) é algo a se guardar na memória. E quem sabe curtir um outro show deles.



Regiane

Essa semana realizei um sonho antigo (cof cof nem tão antigo, sabe como é, né): adquiri o box com as seis temporadas de Dawson's Creek, seriado idealizado por Kevin Williamson (diretor de clássicos como Pânico e Eu sei o que vocês fizeram no verão passado) e produzido/exibido entre 1998 e 2003. A história de Dawson, jovem idealista que sonha em ser o novo Spielberg, emocionou toda uma geração ao abordar os temas mais complexos e sinistros da passagem da adolescência para a vida adulta, sendo pioneiro ao explorar de maneira delicada, mas profunda, temáticas que até então em outros seriados, eram abordadas de maneira superficial. Observar o crescimento de Dawson, Joey, Pacey e Jen definitivamente ajudou a minha geração a entender um pouco melhor o que acontecia conosco, nossa dualidade e nossos receios, e mostrou que a jornada pode não ser tão favorável ou tranquila, mas se você não perde sua essência no caminho, seus sonhos podem vir a se tornar realidade. É, eu me empolgo sim com essa série que na minha opinião, ainda é a melhor do seu gênero e poder reviver essa história está sendo delicioso. A garota de 16 anos que vive em mim, ainda se emociona ao ver a abertura com os quatro jovens andando na praia e eu espero que permaneça assim, me emocionando com algo tão simples, até quando eu tiver 80 aninhos.