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Mostrando postagens com marcador Darkside Books. Mostrar todas as postagens
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outubro 03, 2017


Yes! Já está no ar o vídeo de unboxing da malinha de setembro do Turista Literário. O balãozinho desse mês nos levará a um destino tão tão distante de onde será possível contemplar as estrelas. Então não perca mais tempo e confira :)

Ah, se inscreva no canal clicando no botão abaixo e acompanhe em primeira mão todos os nossos vídeos de unboxing e resenhas <3




E aí curtiu a a caixinha do Turista Literário de setembro? Está puro luxo, ostentação e qualidade, não é mesmo? <3
Beijos e até a próxima.
Mich


A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil

Sinopse: O livro de Becky Chambers é um marco recente no universo da ficção científica. Lançado originalmente através de financiamento coletivo pela plataforma Kickstarter, ele conquistou a crítica especializada e os ainda mais exigentes fãs do gênero, sendo indicado para prêmios respeitados, como o Arthur C. Clarke Award e o Hugo Award.

Um dos motivos do sucesso de A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil é a abordagem da história. Elementos essenciais em qualquer narrativa sci-fi estão muito bem representados, como a precisão científica e suas possíveis implicações políticas. O gatilho principal é a construção de um túnel espacial que permitirá ao pequeno planeta do título participar de uma aliança galáctica.

Mas o que realmente torna único esse romance on the road futurístico e muito divertido são seus personagens. Instigantes, complexos, tridimensionais. A autora optou por contar a história de gente como a gente — ainda que nem todos sejam terráqueos, ou mesmo humanos. A tripulação da nave espacial Andarilha é composta por indivíduos de planetas, espécies e gêneros diferentes, incluindo uma piloto reptiliana, uma estagiária nascida nas colônias de Marte e um médico de gênero fluido, que transita entre o masculino e o feminino ao longo da vida. Temas como amizade, racismo, poliamor, força feminina e novos conceitos de família fazem parte do universo do livro, assim como cada vez mais fazem parte do nosso mundo.

março 26, 2017



“Aqui, digo, pressionando meu punho cerrado nas costelas dela.
E aqui, com a mão em seu esterno.
Dou a ela a mesma instrução que me fora dada pela minha mãe.
É a linguagem do saber da criança,
Linguagem esta tão antiga quanto o próprio universo.
É o ver sem olhos,
E ouvir sem ouvidos.
Foi assim que minha mão sobreviveu naqueles primeiros anos.
Como sobrevivemos agora.
Confie na força que existe dentro de você.
E, um dia, você deverá ensinar sua filha a fazer o mesmo.”
(Os últimos Testemunhos de Gaudrel - Pág.182)


Tive o prazer de ler The Heart of Betrayal, o segundo volume de Crônicas de Amor e Ódio, uma emocionante saga romântica narrada em um universo fantástico criado por Mary E. Pearson. O livro continua a história sobre fuga de Jezelia, agora capturada por Kaden, o assassino e lado direito do Komizar que reina as terras bárbaras e estéreis de Venda. Lia (como prefere de ser chamada) é humilhada diante dos líderes de outras províncias, a despeito das tentativas de Kaden protegê-la, chegando até a ser vestida com sacos de tecido. Quando o assassino é questionado por que não a matara antes, ele argumenta que a princesa possui o precioso Dom, mas no fundo não tirara sua vida porque estva apaixonado.

A situação do príncipe Rafe, para quem tinha sido prometida a mão de Lia em casamento, também não é das mais vantajosas. Temendo que acontecesse, entregou-se disfarçado de emissário do Reino de Dalbreck para ficar mais próximo possível e proteger sua futura esposa. No entanto, Lia finge estar submetida aos desejos de Kaden, ganhando aos poucos liberdade para transitar e conhecer o reino.

Apesar de pertencer a um reinado inimigo, Lia tem a simpatia quase que instantânea do povo, seja por apreciarem a forma como conta as histórias de Morrighan, sua terra natal, ou pelo fato de ter o mesmo nome de uma personagem messiânica pertencente ao folclore das regiões mais distantes de Venda, uma mulher também chamada Jezelia. Dia a dia a jovem descobre que há muito mais nobreza do que imaginava nos ritos e costumes daquele povo bárbaro, ainda que vivessem de pilhagem e a liderança fosse sucedida com base na espada. Conforme investiga os corredores escuros e passagens secretas do Sanctum (a principal cidadela de Venda), descobre seus segredos místicos e aparições enigmáticas, provando-se a si que os antigos mitos de origem são algo mais que lendas, são uma realidade cujo destino de Lia não se poderá discernir.

Assim como o primeiro livro da série, a narrativa é em primeira pessoa alternando-se em alguns capítulos para o ponto de vista de outros personagens como Kaden e Rafe. Então, são evidentes os sentimentos e conflitos internos, o que pessoalmente me causou certa angústia, pois eu sabia claramente os objetivos dos personagens e que entrariam em conflito logo adiante. Por exemplo, as pretensões de Rafe em oposição às de Kaden pelo amor de Lia. Sempre imaginava como seria o desfecho provavelmente trágico deste impasse amoroso.

Esse novo volume é um verdadeiro jogo de engano e mentiras, cujos jogadores muitas vezes arriscam suas vidas por mero orgulho. É também um cenário grandioso a ser explorado, um mundo fantástico com a mesma proporção dos inúmeros mistérios que povoam cada floresta e corredor sombrio. Se você aprecia essas características em uma história, The Heart of Betrayal será uma ótimo opção.

Características físicas do livro: A capa dura possui arte e impressão caprichada. O design e a tipografia são bem agradáveis. Gosto muito do mapa que nesta edição está na cor vermelha-sangue. O papel é bem leve e resistente, o que facilita na leitura quando estiver deitado. Acabamento excelente, como tudo que já li da editora Darkside até hoje.


Abaixo, sinopses do segundo e terceiro volumes da série:


The Heart of Betrayal 
Mary E. Pearson

A série Crônicas de Amor e Ódio, iniciada com THE KISS OF DECEPTION, virou a queridinha dos leitores mais apaixonados. Encantou os fãs de fantasia do mundo todo - e pegou os brasileiros pelo coração.

A história de Lia inspirou muitos leitores a embarcarem em uma jornada extraordinária repleta de ação, romance, mistério e rivalidade, pintados em um universo deslumbrante criado pela premiada escritora Mary E. Pearson, que consegue - como poucos - erguer um mundo poderoso e repleto de personagens cativantes.


The Beauty of Darkness
O volume final da fantasia que arrebatou os leitores brasileiros

A trilogia Crônicas de Amor e Ódio chega ao fim de maneira arrasadora. Iniciada em The Kiss of Deception, a série encantou os fãs de fantasia - e conquistou os corações dos brasileiros.

A história de Lia inspirou muitos leitores a embarcarem em uma jornada extraordinária repleta de ação, romance, mistérios e autoconhecimento, em um universo deslumbrante criado pela premiada escritora Mary E. Pearson, onde o poder feminino é a força motriz capaz de mudar e fazer toda a diferença no novo mundo em construção.
novembro 06, 2016

Fim de ano, livros e estudos acumulados (minhas saudações aos jovens do ENEM e concurseiros! Muita força nessa hora!), sem contar o trabalho no escritório que só aumenta. Ainda assim, a gente leva na mochila um caderninho e um livro e tenta não se perder na correria do dia-a-dia. Neste domingo, em meio a uma tarde chuvosa no eixo Rio-São Paulo, Jonatas e Bruno estão a duelar com o calendário, em uma necessária ausência para a finalização de suas leituras e projetos, que em breve estarão também aqui no blog. Enquanto isso, apesar do estresse do trabalho e da semana (ou talvez justamente por isso), Regiane e eu conversamos outras prosas, especificamente não-literárias, mais especificamente sobre Beleza. Sim, beleza, e não apenas livros :) Afinal, o cotidiano nem sempre é assim tão erudito, e compartilhar no blog um pouco desta "vida comum" é apenas mais um capítulo do que somos a cada dia, e que em nada irá nos distanciar de nosso projeto literário aqui no Papel Papel <3 Então, aproveitando que os garotos não estão presentes, vamos falar de beleza e livros sim :) Ah, e com a participação de uma amiga do Instagram, a Giselle, que compartilhou um depoimento sobre uma comprinha que alegrou a semana de sua família. Vamos às novidades:


Parte 1 - Comprinhas não-literárias


https://www.instagram.com/p/BMeqDsNg_8p/?taken-by=chapolinoficial

Rebeca Em algum momento do Instagram compartilhei meu espanto com a nova e necessária e dispendiosa rotina de quem está com cabelos longos e ondulados. Taí uma preocupação que não imaginei ter na vida, e tampouco comentar a respeito (a praticidade dos cabelos curtos e as poucas selfies por aí ajudavam bastante neste sentido. Risos). Ainda assim, com a infinidade de tutoriais e informações de beleza pelos blogs, a gente acaba mudando de ideia e procurando soluções para a preguiça os desafios de uma simples mudança estética. 

AMO é a sigla para Australian Macadamia Oil, ou, de forma prática: um produto à base de macadâmia, carregado na hidratação, e portanto perfeito para todos os cabelos não-oleosos do mundo. Pra mim, este leave-in da Yenzah é um dos melhores, mas acredito que a linha tenha sido descontinuada pois há meses não a encontro em lojas físicas aqui do Rio. Felizmente, em um momento de "acaso online", encontrei alguns itens da marca na Época Cosméticos, e com certeza passarei o fim de ano com um visual capital menos desarrumadinho. Felicidade é isso! Risos. 


Regiane Minha rotina de trabalho não me permite frequentar centros estéticos para que eu possa cuidar do meu corpo; e apesar de não ser tão vaidosa quanto se esperaria, tem alguns truquezinhos que uso em casa mesmo para manter minha pele saudável. Além de beber muita água (sem exagero, acho que bebo uns 3 litros por dia), também faço uso de alguns produtos práticos e que não exijam muito do meu tempo, como esse esfoliante corporal da Hinode, marca que vem crescendo no Brasil e que oferece produtos de qualidade comprovada. Ele é a base de leite de cereais, e deve ser usado durante o banho umas 3 vezes por semana no máximo, isso porque a função do esfoliante é livrar a pele das células mortas que ficam no nível mais superficial da derme. Caso você use diariamente um esfoliante, pode acabar lesando a pele, já que não haveria tempo para ela se renovar (#ficaadica). O legal do esfoliante é que você pode associar o uso dele com outros produtos como gel redutor ou promover uma hidratação profunda da pele com o creme ao qual está acostumada mesmo. Vai sentir a diferença, com certeza!!! Afinal, nossa pele merece!!!



Giselle  Eu sempre estou pesquisando sobre os melhores produtos e as novidades do mercado para cabelos cacheados, afinal, tenho uma princesa de 5 anos que tem molinhas lindas na cabeça mas que precisam de muita hidratação! Quando ouvi falar da técnica de lavar os cachos sem shampoo fiquei doooida, e na ansiedade por alguma linha lançada aqui no Brasil, porque as importadas eram muito caras. Foi quando apareceu a No Poo Low Poo da BioExtratus, e foi amor à primeira vista!!! Em uma semana de uso os cachos da minha princesa estavam visivelmente mais hidratados, definidos e com movimento! Me apaixonei pela técnica!  A melhor parte foi ouvir das amigas: - O que você faz com o cabelo da sua filha pra ficar tão lindo assim?!" Haha, lavar sem shampoo, com a linha da BioExtratus, e funciona mesmo!



Parte 2 - Pra não dizer que não falamos de livros... :)



Regiane


Sabe quando você fica encantada por um livro, mesmo sem saber muitos detalhes, mas por motivos inexplicáveis vai adiando a aquisição dele? Aconteceu com Extraordinário, um livro que há muito tempo quero, mas protelei em adquiri-lo, sei lá, sempre aparecia outro livro ou outra coisa pra me distrair. Porque comprei agora? Não sei. Talvez seja a proximidade do filme, ou mesmo mero acaso. O fato é que entrei em uma Americanas essa semana e dei de cara com ele, não resisti. Acho que poucas pessoas que eu conheço não leram a história de Auguie, um guri que mostra a todos a seu redor que ser diferente é o que nos torna extraordinários. Também chegou por aqui durante essa semana o segundo volume das Crônicas de Amor e Ódio, The Heart of Betrayal, de Mary E. Pearson, publicado pela queridinha Darkside Books <3 A história dá sequência à jornada de Lia, uma princesa nem um pouco convencional. Para saber um pouco mais, leia a resenha que o Jonatas já fez sobre o primeiro volume dessa jornada épica. Ainda não sei quando vou poder ler essas belezuras, mas podem apostar que vou contar tudo a vocês quando isso acontecer!

outubro 22, 2016

Um dia pra lembrar do que ficou, uma semana pra contar o que não se esquece. Estranheza é medir assim o tempo; pior é abafar a vida. Talvez o texto não traduza o melhor de nossa experiência, porém, sem ele, muito do que viveríamos simplesmente desapareceria. Em momentos assim, melhor não descartar a sensação de que poderíamos ter contado um pouco mais, assim como a de que o que importa mesmo é não ter vivido menos.

Uma semana e(m) um dia é um projeto de postagem coletiva, a ser realizado semanalmente (assim desejamos) por todos os colaboradores do Blog Papel Papel. Este formato de post é inspirado em algumas páginas que seguimos, especialmente a da querida Val do blog Uma Pedra no Caminho e suas postagens "Resumo da Semana". Afinal, nem só de literatura vivemos, e há um tanto de assuntos que também gostaríamos de conversar com vocês. Só falta começar, né? :) 


Semana de 15/10 a 22/10



Bruno

Esta semana, apesar de muito trabalho, consegui ler Nostromo, romance de um dos meus escritores favoritos, Joseph Conrad, que sempre me surpreende positivamente na escolha das palavras, cada linha traz uma riqueza única. Os clássicos russos talvez também tenham essa característica, mas não vou entrar em detalhes para isso aqui não virar uma resenha. Selecionei dois trechos que exemplificam bem Conrad e sua habilidade poética mesmo após tradução: o primeiro de Lord Jim e o segundo de Nostromo.

"O homem que nasce cai num sonho, como o homem que cai no mar. Se tenta elevar-se no ar, como as pessoas inexperientes tentam fazer, afoga-se – nicht wahr?… Não! Eu lhe digo! O jeito é o elemento destrutivo se submeter, e com os movimentos dos pés e das mãos na água fazer o mar profundo mantê-lo à tona.”

"A ação é um mero consolo. É a inimiga do pensamento e a amiga das ilusões aduladoras"

Em formato pocket, Nostromo pode ser encontrado em edição da Companhia das Letras e Lord Jim pela Martin Claret.



Jonatas

Essa semana foi bem esquisita. Quinta-feira estava sozinho em casa, quando, de repente, ouvi um estalo baixo na minha janela. Parecia o som de pequenas pedras se chocando no vidro. Olhei para trás. Não havia nada. Depois de cinco minutos o som voltou, repetitivo e incômodo. Virei a cabeça rápido para que não escapasse. Era um pombo tentando entrar desesperadamente. Corri para espantá-lo pensando sobre o que minha mãe sempre me falou sobre as doenças que essas aves transmitem. Mas antes que abrisse a janela, ele fugiu. Então encontrei algo estranho encostado no basculante. Um pacote negro com uma caveira branca impressa e a inscrição “Darkside”. Jeito estranho dessa editora mandar livros pra gente, pensei. Abri. Dentro estava um livro. O lançamento Os Pássaros, escrito por Frank Baker. Capa dura, arte gráfica impecável, lombada de página negra, marcador de página em tecido e uma pena... Saibam que li as primeiras páginas no mesmo instante e garanto que os amantes de literatura pós-apocalíptica irão gostar. Muito.

Aqueles que desejarem saber acerca da minha experiência de leitura, na próxima semana publicarei uma resenha no Nerdgeek Feelings.



Rebeca

 

Dá um certo arrepio na espinha lembrar que tal banda ou filme ou disco comemoram vinte anos agora em 2016. Primeiro, porque eu com certeza desconheço todas as músicas lançadas neste ano, mas lembro perfeitamente do cenário cultural lá dos mil novecentos e noventa. Sim, aqui no Papel Papel estamos todos nesta fase nostálgica pra lá dos muitos 20, e entendendo que a vida é mesmo esta coleção de memórias e rugas, assim como bolhas nos pés de ter caminhado tanto por aí. 

Há uma semana, ganhei ingresso para o show de uma banda que nunca imaginei assistir. No último 15 de outubro, a banda mineira Skank passou aqui pelo Rio para realizar um show comemorativo dos vinte anos do disco Samba Poconé, que inundou os ouvidos de toda uma geração com o pegajoso hit Garota Nacional. Apesar dos pesares desta música (e de ter começado com 1h de atraso), o show foi realmente bom demais! E a sensação de gostar de uma banda ou filme ou disco assim de forma tão inesperada (okay, eu já curtia uma ou outra baladinha da banda, mas, para um show de 2h, confesso que fiquei meio perdida; não sabia cantar muita coisa) é algo a se guardar na memória. E quem sabe curtir um outro show deles.



Regiane

Essa semana realizei um sonho antigo (cof cof nem tão antigo, sabe como é, né): adquiri o box com as seis temporadas de Dawson's Creek, seriado idealizado por Kevin Williamson (diretor de clássicos como Pânico e Eu sei o que vocês fizeram no verão passado) e produzido/exibido entre 1998 e 2003. A história de Dawson, jovem idealista que sonha em ser o novo Spielberg, emocionou toda uma geração ao abordar os temas mais complexos e sinistros da passagem da adolescência para a vida adulta, sendo pioneiro ao explorar de maneira delicada, mas profunda, temáticas que até então em outros seriados, eram abordadas de maneira superficial. Observar o crescimento de Dawson, Joey, Pacey e Jen definitivamente ajudou a minha geração a entender um pouco melhor o que acontecia conosco, nossa dualidade e nossos receios, e mostrou que a jornada pode não ser tão favorável ou tranquila, mas se você não perde sua essência no caminho, seus sonhos podem vir a se tornar realidade. É, eu me empolgo sim com essa série que na minha opinião, ainda é a melhor do seu gênero e poder reviver essa história está sendo delicioso. A garota de 16 anos que vive em mim, ainda se emociona ao ver a abertura com os quatro jovens andando na praia e eu espero que permaneça assim, me emocionando com algo tão simples, até quando eu tiver 80 aninhos.

julho 06, 2016

Não faço ideia de que hora são. Fechei há pouco a bonita capa de “The Kiss of Deception”, escrito por Mary E. Pearson e caprichosamente publicado pela editora Darkside, e me guardei em silêncio. Não sei se você compartilha desse hábito, mas eu costumo olhar por um longo tempo o teto deixando os fragmentos do que li tilintando atrás dos olhos. De repente, percebo a música, que geralmente escuto para abafar os ruídos da rua, - ela parou de tocar. Está bem tarde, quase dia. Deveria dormir. Mas não vou. Não posso guardar isso comigo. Preciso contar para você o que senti nestes últimos dias de leitura.


A protagonista se chama Lia, princesa do grande reinado de Morrighan, prometida em casamento contra sua vontade ao príncipe de Dalbreck por motivos políticos, sem nem ao menos conhecê-lo. A história, em primeira pessoa, começa com sua fuga para a região sudeste, onde consegue trabalho servindo em uma estalagem. Decide que ali será início de uma nova vida de liberdade. Mas não demora muito até conhecer dois belos forasteiros: Kaden e Rafe. Desse contato, a trama se desenvolve num triângulo amoroso, culminando na descoberta de que um deles é o príncipe de Dalbreck, e o outro é um assassino enviado pelo Reino de Venda para matá-la.

A jornada de Lia é uma transição da ingenuidade juvenil para a experiência e entendimento sobre um mundo violento, muito diferente de seus ideais. O ponto de partida é fuga para longe da segurança do castelo, rumo ao próprio sonho. Aos poucos, o sonho se vai se diluindo como espuma. A jovem sente na pele a brutalidade natural que habita no coração humano. Tal hostilidade é a mesma que fizera da muralha e da espada entes necessários para a proteção de seu reino. E foi no percorrer das ruínas deixadas pelas antigas civilizações do continente que percebi tal amadurecimento.

Os restos de torres e construções de pedra que pontuavam a paisagem me sugeriam duas verdades: a primeira, sobre a inexorabilidade e apatia do tempo, de como qualquer esforço humano, mesmo que direcionado à consciência eterna dos deuses, quando materializado, irá sempre cair, se destroçar, e retornará à estaca zero; e, a segunda, sobre o triunfo familiar da vontade. Não apenas pelas ruínas serem testemunho concreto e resistente da passagem de uma civilização grandiosa, mas pela capacidade que a própria miragem colossal possui de despertar o nosso espírito. Eu, ao adentrar os bosques e desertos dos três grandes reinos junto de Lia, quando avistei as dorsais de muralhas corroídas pela umidade, fossos escondidos sob vegetação densa, ou estruturas tombadas pelo vento abrasivo, pude ouvir um ruído soando nos porões da eternidade, e aproximando-se, até ecoar nos ouvidos do meu espírito. A descrição caprichada de Pearson me permite qualquer aparente exagero. Acredite.

Observando os anseios interiores da princesa, posso afirmar que não se trata de mais uma jornada em busca da liberdade. A envergadura épica que dá profundidade a história não se limita a problematizações acerca de sonhos sufocados por obrigações sociais da nobreza - e, pessoalmente, considerei diferencial dentre muitas histórias sobre autodescobrimento. E, quanto ao coração de Lia, neste tomo de “Crônicas de amor e ódio”, a narrativa, como um todo, estende-se além da procura pela verdadeira face do amor (que, devido ao triângulo amoroso, imaginei reduzir-se a esse tema). “The Kiss of Deception” é uma história que partilha a necessidade de compreender-se as crenças e tradições que sustentam uma sociedade em perigo, e, o mais importante, como a cultura e os ouvidos atentos ao sagrado e ancestral refletem no sentido que damos ao mundo, e, por consequência, como o enxergaremos em nós mesmos.

Bem. Acho que é isso que precisava dizer. Agora preciso atravessar minhas próprias ruínas entre os travesseiros e encontrar meu sono. Espero que aprecie tanto quanto eu apreciei esta primeira parte da jornada de Lia. Só tenha cuidado. Mantenha os olhos abertos. Reúna todas as forças necessárias. E não pare. Mesmo se ver os próprios rastros que for deixando para trás sendo engolidos pelo deserto.