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janeiro 09, 2017


Continuando nossa jornada pelo mundo literário de Jane Austen (leia também os posta anteriores: parte 1 e parte 2), vamos falar sobre seu último romance completo publicado e algumas histórias inacabadas, mas que foram resgatadas para nosso deleite.

Persuasão foi o último romance que Jane concluiu antes de iniciarem os sintomas do mal que a levaria a óbito em 1817, e foi publicado postumamente em 1818... Confesso que o acho o texto mais triste da autora, dentre os que li e também o mais maduro, com uma escrita mais afiada, mais fluida e também mais passional. 

Como em suas histórias anteriores, Jane nos mostra os aspectos da sociedade britânica, agora pelo ponto de vista de uma família aristocrática que acabou perdendo suas posses. Anne Elliot é de uma família nobre, com títulos impressionantes, mas que passam por dificuldades financeiras devido à falta de bom senso do pai e da irmã mais velha, ambos extremamente vaidosos e egoístas. Anne é diferente, e em grande parte devido aos sofrimentos causados por suas escolhas do passado. Ela é doce e aceita seu destino com certa calma. Já está com 27 anos e não tem nenhuma perspectiva de casamento, além de o sofrimento dos últimos anos terem lhe roubado uma parte do seu brilho e juventude.

Sete anos antes, Anne se apaixonou por Frederick, um jovem pobre que apesar de inteligente e ambicioso, não tinha muitas perspectivas de futuro. Com toda a família contra o matrimônio deles, Anne foi persuadida pela madrinha a romper o noivado, o que partiu o coração de ambos. Frederick partiu para trabalhar em um navio e Anne se viu sozinha, ignorada pelo pai e pela irmã mais velha, e se submetendo a ajudar a irmã caçula que sofre de uma certa hipocondria.

Diante da perda financeira, o pai de Anne tem de alugar a casa deles para obter alguma renda, e para a surpresa de todos, o inquilino é cunhado de Frederick, que reaparece, agora como Capitão da Marinha, tendo prosperado e adquirido riquezas ao longo dos anos. O pai de Anne se indigna, pois acha que os homens do mar não levam uma vida digna nem saudável, mas tem de ceder já que não há outros interessados em alugar sua residência.

O reencontro de Anne e Frederick é tenso e dolorido. Anne mal consegue conter sua agitação, enquanto Frederick assume uma máscara de frieza e indiferença. Ao reencontrar o único amor de sua vida, Anne se resigna a aceitar com gratidão todo gesto de bondade que ele lhe oferece, sem esperar que ele a perdoe por ter lhe tratado tão mal no passado. Mas, apesar das aparências, Frederick não deixa de observar Anne, buscando informações sobre sua vida enquanto ele estava longe e descobre, junto com nós leitores, que ela não é a pessoa que ele imaginou durante todos esses anos. Ao longo da história, nós percebemos como sua bondade é verdadeira, ela tenta ser útil a todos ao seu redor, sem com isso esperar qualquer compensação ou tentativa de bajulação. Sua alma é boa. E o reencontro com Frederick reaviva não só seus sentimentos como também o brilho que lhe foi tirado. 

Para mim, foi muito especial acompanhar todo o sofrimento de Anne pelo que achou ter perdido, o bom senso com que lida com o pai e as irmãs, sua determinação em aceitar que Frederick seja feliz, mesmo que não seja com ela e o reencontro de duas almas tão afins: “Não poderia ter havido um par de corações tão aberto, nem gostos tão similares, sentimentos tão harmoniosos, comportamentos tão amados”.

Ao mesmo tempo, foi importante observar como Jane valorizou a construção do homem que ascende socialmente por mérito próprio, ao invés de herdar o legado dos antepassados, o que caracterizava a mudança real de padrões sociais que acontecia na sociedade britânica naquele momento da história, inclusive em sua própria família, já que dois de seus irmãos foram oficiais na Marinha Real e obtiveram sucesso.

Também li Novelas Inacabadas da autora, publicado pela Nova Fronteira, duas obras que tiveram de ser interrompidas pela fragilidade da saúde e por fim, óbito de Jane. Os Watsons ficou curtinho, mas deu pra ver a marca de Jane nele, sua escrita fluida e leve, mais direta. A protagonista já se mostrava diferente das anteriores, o que costuma ser uma característica de sua obra. Sabe-se que ela abandonou essa história propositalmente (por circunstâncias pessoais), mas ficou um gostinho de "quero mais".

Já em Sanditon, posso dizer que me diverti muito com seus 12 capítulos!!! Eis que Jane surpreende com um texto mais mordaz e cínico, abordando como tema as manias de doenças de algumas pessoas e a contradição que as envolve, através da rotina de uma vilarejo de águas termais, onde as pessoas iam para “se tratar”. Tenho certeza de que seria um sucesso total!!! Enfim, uma pena que não teve tempo de continuar a escrevê-las, mas sua obra fica marcada em nossa história através de personagens e enredos inesquecíveis, e que apesar de retratarem o período em que viveu e a sociedade em que estava inserida, ainda hoje são atuais e falam conosco de forma íntima e singular.


(continua)
dezembro 21, 2016


Ao longo do tempo, a obra de Jane Austen tem sido amplamente discutida e a cada novo trabalho a respeito de sua obra, vemos as opiniões dos críticos mudarem. Ela já foi considerada genial, previsível, irônica, moralista, elitista, racional e muitos outros adjetivos contraditórios entre si.

O que todos esses críticos concordam é que ela escrevia histórias com as quais o leitor dito “comum” da época, se identificaria. Bom, pelo número de vendas de suas obras na atualidade, podemos dizer que não importa o que os críticos possam dizer, sua obra mexe com os leitores.

Dando continuidade ao nosso especial para homenagear a autora, vamos falar de mais duas obras de sua autoria, lidas por essa que vos escreve:

http://www.saramaese.com/Jane-Austen-NovelsMansfield Park foi publicado pela primeira vez em 1814, e é a terceira obra de Jane a vir a púbico. Nesse livro, escrito em uma fase mais madura da escrita de Jane, temos a jovem de origem humilde Fanny Price, que mora de favor com os tios ricos, os Bertram, em Mansfield Park para onde foi levada quando ainda era criança. Criada com a prerrogativa imposta por uma das tias, a Sra. Norris, de que ela deveria ser grata pela situação em que se encontra, Fanny se mantem durante muito tempo em uma situação de subserviência, que a coloca em termos de importância para alguns familiares, no mesmo patamar que os empregados da casa. Dividindo-se entre os sentimentos de gratidão e ao mesmo tempo inferioridade, ela aceita com grande sofrimento e confusão, o abuso psicológico que a tia a submete.

Conforme, vai crescendo, a situação muda um pouco, já que os tios e Edmund, um primo em especial, começam a tratar-lhe com maior consideração e gentileza, cedendo-lhe um lugar de fato na família, ao qual ela tem dificuldade em entender e aceitar, já que toda sua vida sentiu e foi ensinada que isso não era a realidade dela. Não se engane em pensar que ela é uma mocinha boba e "coitadinha". Apesar da aparência frágil e da extrema timidez e modéstia, Fanny concentra em si diversos conflitos da alma humana, mostrando-se uma personagem forte e profunda e muito mais sensata e inteligente que os primos e as próprias tias. E apesar de seu coração gentil e grato por tudo que a vida lhe proporcionou através de pequenos momentos de alegria, ela é firme em não permitir que outros decidam seu destino, quando o momento decisivo de sua jornada chega. 

O enredo se baseia na jornada da própria Fanny e da família que a acolheu, além de suas relações com uma família que habita no mesmo local e frequenta os mesmos círculos sociais dos habitantes de Mansfield Park. Os personagens dessa história cheia de elementos conflitantes como contratos sociais, preconceitos, escravidão, autoconhecimento, riqueza e amor, são muito bem elaborados e suas verdadeiras essências, boas ou más, não são tão estereotipadas como vemos em outras obras de Jane Austen, mostrando que mesmo alguém de má índole, pode sim ter momentos de redenção, ou alguém de bom coração e de inteligência superior, pode ser ludibriado pelo encantamento superficial com a beleza de outrem.

E se há algo nessa obra que a diferencia das demais, é que Jane conseguiu criar um personagem principal masculino, que eu considero detestável, por sua estupidez em se deixar envolver por pessoas que desdenham de sua condição e escolhas pra vida, mas ainda assim com a esperança de que haja uma mudança de paradigmas, coisa que pessoas apaixonadas infelizmente fazem na vida real também. Ao mesmo tempo é admirável que ele não desista de seus propósitos e plano de vida para satisfazer um comportamento na pessoa amada que ele julga supérfluo e mesquinho.

Mais uma vez, Jane mostrou que estava a frente de seu tempo, falando de temas tão atuais que me parecia uma história contemporânea ao invés de um clássico da literatura inglesa.

http://www.martinclaret.com.br/?s=jane+austen

Em Abadia de Northanger, publicado postumamente (1817), podemos ver uma face mais leve da escrita de Jane em uma paródia dos romances góticos que estavam na moda naquele período. A heroína Catherine Morland, é uma jovem de imaginação fértil que adora romances repletos de aventuras sombrias que se passam em antigos castelos ou mosteiros de arquitetura gótica e seu maior desejo é viver uma dessas aventuras.

De temperamento dócil e até ingênuo, Catherine se vê rodeada de pessoas da alta sociedade inglesa, e chama a atenção de alguns jovens de melhor situação financeira que a sua. Podemos acompanhar através dessa narrativa, como era a vida social dos jovens naquela época, com seus bailes quase que diários, o despertar do interesse pelo sexo oposto, a maledicência com que os adultos julgavam os jovens de que tanto se gabavam na frente uns dos outros, e a doçura de uma protagonista que não vê maldade em ninguém.

Catherine encontra sua própria aventura quando é convidada a passar alguns dias na Abadia de Northanger, residência de um Coronel e seus dois filhos, com quem ela estreita laços de amizade e acaba sendo alvo da própria imaginação romântica ao perambular pelos cômodos da Abadia. 

http://www.saramaese.com/Jane-Austen-NovelsNesse romance mais jovial de Jane, nos divertimos e somos pegos de surpresa (como a própria Catherine) com os fatos. Alguns personagens são quase transparentes aos olhos do leitor, pois enxergamos logo a índole dos intrinsecamente maus. Mas, há outros personagens que não são o que aparentam, o que nos provoca uma maravilhosa sensação de deleite ao nos depararmos com suas verdadeiras personalidades. Jane soube dosar de maneira equilibrada o que era óbvio para nós compreendermos e adentrarmos a história, e o que estava subliminarmente presente na personalidade de cada figura desse enredo.

Como nas demais histórias escritas por Jane, vemos nossa heroína crescendo com as situações a que é submetida, sem deixar de lado seus próprios conceitos e sentimentos. Trate-se de uma leitura mais rápida, mais afiada, pois apesar de ter sido publicada posteriormente à morte de Jane, ela o escreveu entre 1798 e 1799, sendo um de seus primeiros textos a serem finalizados, e é considerado por alguns estudiosos um romance de aprendizagem, onde ela sutilmente critica os romances góticos e defende os romances em geral, que na época eram escritos principalmente por mulheres e considerados de segunda categoria, mesmo que o enredo não se foque nisso.

Uma curiosidade a respeito desse livro, é que foi o primeiro em que Jane foi apresentada como autora. Até então, seus livros haviam sido publicados anonimamente, (apesar de a família não conseguir esconder completamente a autoria dos romances), mas seu irmão Henry escreveu uma nota biográfica em Abadia de Northanger para sua publicação, onde trouxe a público informações sobre a vida e últimos momentos de Jane, além da maneira como ela via sua obras, mesmo que seu nome não constasse na capa.

Aguardo vocês para continuar essa deliciosa discussão sobre as obras dessa autora atemporal. <3


Ps: As ilustrações deste post são da artista Sara Maese e as edições consultadas são as da Martin Claret que tanto amamos!

Ps 2: Você pode conferir a primeira parte deste especial Jane Austen aqui.
dezembro 18, 2016

http://www.martinclaret.com.br/index.php/razao-e-sensibilidade-orgulho-e-preconceito-persuasao-brochura/

Jane Austen

No mundo todo comemora-se em 16 de dezembro o Jane Austen Day, celebrando o dia de nascimento de Jane, há 241 anos. Não é segredo pra ninguém que eu sou muito fã da obra de Jane Austen. Tenho vários livros em versões diferentes, biografias, adaptações de seus textos (inclusive por autora brasileira), filmes e séries baseados em seus livros e por aí vai. Não chego a ser como a personagem de Austenlândia (convenhamos, ela tem traços de distúrbios psicológicos), mas eu admiro muito seu modo de escrever, que é um alívio quando comparado a outros autores da mesma época e até dos dias atuais. Ela é honesta com relação aos seus personagens, muitas vezes exacerbando o que eles tem de melhor ou pior. 

Suas histórias são facilmente confundidas com relatos sobre o amor, mas na verdade tratam do ser humano, em especial sobre as mulheres, mas não de um "jeito feminista ultrajado pela sociedade", ela fala sobre o papel das mulheres de sua época, com relação à construção de seu próprio destino. Jane gostava de escrever sobre o que via e vivenciava, adicionando um toque ficcional que garantia o sucesso de suas protagonistas ao fim de suas jornadas, independente das provações pelas quais passassem – que não eram poucas, Jane não economizava na hora de fazer um personagem sofrer, já que a realidade de sua época, não era muito promissora para as famílias que não tinham herdeiros do sexo masculino e que viviam em uma zona mais afastada dos centros urbanos.

Se compararmos nossa realidade atual com a da época, veremos que há muitas similaridades e talvez esse seja um dos maiores motivos do sucesso de suas histórias. A gente se vê nas personagens de Austen. Elas são muito reais e vívidas. Poderiam ser nossas melhores amigas, ou até mesmo uma de nós. Por esse motivo, conversei com a Reb e pedi licença para homenagear minha autora favorita através do blog, comentando suas obras lidas até então.

Seguindo a ordem de publicação de seus textos, começo com os dois que, até então, são os mais conhecidos e que tiveram o maior número de adaptações, seja no mundo literário, seja no cenário cinematográfico:


Em Razão e Sensibilidade temos duas irmãs muito diferentes entre si, mas que se amam muito e são companheiras e amigas em todos os momentos. As duas passam por situações semelhantes em suas relações amorosas, mas a reação de cada uma ante às dificuldades que se apresentam são tão distintas que provoca nos leitores menos aguçados a sensação de que uma é completamente passional e a outra fria demais. Um erro ao meu ver. 

Marianne é sim passional, e muitas vezes tola, mas acredito que isso se deva à pouca idade e um ideal firmado dentro dela com apoio da mãe, com quem é tão parecida. Mas ela tem uma inclinação natural para o amor, que se reflete não só com relação aos entes queridos, como também à natureza, artes e tudo que possa contribuir para seu crescimento intelectual. Seu amadurecimento durante o decorrer da história é notável e me fez gostar dela mais e mais.

Elinor não é de uma racionalidade extrema como pode parecer a princípio, ela tem bom senso e praticidade, o que vem a calhar diante das dificuldades que ela e a família enfrentam. Mas é capaz de um amor tão profundo e altruísta que a faz deixar de lado seu próprio sofrimento para apoiar e cuidar daqueles que lhe são queridos, mesmo que às custas de sua própria felicidade, esta não seria completa se alguém que ela ama estivesse sofrendo. É uma personagem delicada e apaixonante.

Para mim, ambas são capazes de um amor incondicional e verdadeiro, mas que se apresentam de maneiras diferentes, de acordo com a personalidade de cada uma, tornando-as únicas e singulares. A escrita de Jane é sutil, delicada, algumas vezes bem descritiva mas sem nos entediar no processo de leitura e nos leva por uma trama impensável, cheia das coincidências que a vida pode ter, nós é que muitas vezes não atentamos para elas.

Sinopse: Este foi o primeiro romance de Jane Austen. Publicado em 1811, logo recebeu reconhecimento do público. Razão e Sensibilidade é um livro em que as irmãs Elinor e Marianne representam uma dualidade, de maneira alternada, ao longo da narrativa. As expectativas vividas pelas duas com a perda, o amor e a esperança, nos aponta para um excelente panorama da vida das mulheres de sua época. As irmãs vivem em uma sociedade rígida, e ambas tentam sobreviver a esse mundo cheio de regras e injustiças. Tanto a sensível e sensata Elinor como a romântica e impetuosa Marianne se veem fadadas a aceitar um destino infeliz por não possuírem fortuna nem influências, obrigadas a viver em um mundo dominado por dinheiro e interesse. As duas personagens passam por um processo intenso de aprendizagem, mesclando a razão com os sentimentos em busca por um final feliz.

 

Orgulho e Preconceito, talvez sua obra mais conhecida no mundo todo, já teve diversas edições e adaptações cinematográficas e televisivas. Jane ainda não tinha 21 anos quando o escreveu, o que nos mostra que ela era extremamente sensível e perceptiva quanto ao que se passava ao seu redor na época (séc. XVIII), e o quanto estava à frente dos autores conhecidos até então, pois aqui mais uma vez ela se faz valer de sua observação da sociedade em que vivia para dar vazão à sua história.

Seus personagens são intensos e suas personalidades descritas de forma tão enfática, que nos esquecemos de imaginá-los como são fisicamente, e nos concentramos em como eles são, digamos assim, por "dentro". 

Elizabeth Bennet é uma moça inteligente e perspicaz, que se mostra uma grande avaliadora das pessoas. Mas sua autoconfiança em seu próprio julgamento a faz cometer erros, ao ignorar o bom senso em determinadas situações o que a leva a cometer e de certa forma colaborar com uma injustiça que será motivo de vergonha de si mesma, quando esta é revelada.

O Sr Darcy é um jovem inteligente, sério e muito rico, que foi criado para acreditar que as diferenças socioeconômicas são motivos suficientes para decidir quais são as melhores relações de amizade e até mesmo amorosas. Mas seu caráter é íntegro e julgado erroneamente por Elizabeth e quase todas as pessoas que o conhecem. Ao longo da história uma mudança ocorre em sua paisagem interior ao perceber como vem causando sofrimento nas pessoas, mesmo que suas intenções sejam boas.

O encontro de duas personalidades tão fortes e autoconfiantes torna o livro impossível de largar antes do fim. Sua narrativa é mais fluente e dinâmica que em Razão e Sensibilidade, e sua crítica à sociedade da época mais intensa, e apesar de carecer um pouco da sutileza do texto anterior, não deixa de mexer com nossas emoções, ao contrário, nos atinge em cheio deixando-nos desnorteados do início ao fim!!! Em minha opinião é um texto incrível e merece todo o louvor que tem recebido desde que foi lançado.

Sinopse: Jane Austen inicia Orgulho e Preconceito com uma das mais célebres frases da literatura inglesa: 'É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico deve precisar de uma esposa'. O livro é o mais famoso da escritora — traz uma série de personagens inesquecíveis e um enredo memorável. Austen nos apresenta Elizabeth Bennet como heroína irresistível e seu pretendente aristocrático, o sr. Darcy. O enredo aborda múltiplos aspectos: o orgulho encontra o preconceito e a ascendência social; equívocos e julgamentos antecipados conduzem alguns personagens ao sofrimento e ao escândalo. Porém, muitos desses conflitos conduzem os personagens ao autoconhecimento e ao amor. O livro pode ser considerado a obra-prima da escritora que, com sua refinada ironia, equilibra comédia e seriedade a uma observação meticulosa das atitudes humanas.

Logo falaremos mais sobre as demais obras dessa grande autora! Espero que cada um de vocês que está lendo esse post, possa um dia ler qualquer obra da Jane para que a gente possa trocar impressões.
<3
outubro 22, 2016

Um dia pra lembrar do que ficou, uma semana pra contar o que não se esquece. Estranheza é medir assim o tempo; pior é abafar a vida. Talvez o texto não traduza o melhor de nossa experiência, porém, sem ele, muito do que viveríamos simplesmente desapareceria. Em momentos assim, melhor não descartar a sensação de que poderíamos ter contado um pouco mais, assim como a de que o que importa mesmo é não ter vivido menos.

Uma semana e(m) um dia é um projeto de postagem coletiva, a ser realizado semanalmente (assim desejamos) por todos os colaboradores do Blog Papel Papel. Este formato de post é inspirado em algumas páginas que seguimos, especialmente a da querida Val do blog Uma Pedra no Caminho e suas postagens "Resumo da Semana". Afinal, nem só de literatura vivemos, e há um tanto de assuntos que também gostaríamos de conversar com vocês. Só falta começar, né? :) 


Semana de 15/10 a 22/10



Bruno

Esta semana, apesar de muito trabalho, consegui ler Nostromo, romance de um dos meus escritores favoritos, Joseph Conrad, que sempre me surpreende positivamente na escolha das palavras, cada linha traz uma riqueza única. Os clássicos russos talvez também tenham essa característica, mas não vou entrar em detalhes para isso aqui não virar uma resenha. Selecionei dois trechos que exemplificam bem Conrad e sua habilidade poética mesmo após tradução: o primeiro de Lord Jim e o segundo de Nostromo.

"O homem que nasce cai num sonho, como o homem que cai no mar. Se tenta elevar-se no ar, como as pessoas inexperientes tentam fazer, afoga-se – nicht wahr?… Não! Eu lhe digo! O jeito é o elemento destrutivo se submeter, e com os movimentos dos pés e das mãos na água fazer o mar profundo mantê-lo à tona.”

"A ação é um mero consolo. É a inimiga do pensamento e a amiga das ilusões aduladoras"

Em formato pocket, Nostromo pode ser encontrado em edição da Companhia das Letras e Lord Jim pela Martin Claret.



Jonatas

Essa semana foi bem esquisita. Quinta-feira estava sozinho em casa, quando, de repente, ouvi um estalo baixo na minha janela. Parecia o som de pequenas pedras se chocando no vidro. Olhei para trás. Não havia nada. Depois de cinco minutos o som voltou, repetitivo e incômodo. Virei a cabeça rápido para que não escapasse. Era um pombo tentando entrar desesperadamente. Corri para espantá-lo pensando sobre o que minha mãe sempre me falou sobre as doenças que essas aves transmitem. Mas antes que abrisse a janela, ele fugiu. Então encontrei algo estranho encostado no basculante. Um pacote negro com uma caveira branca impressa e a inscrição “Darkside”. Jeito estranho dessa editora mandar livros pra gente, pensei. Abri. Dentro estava um livro. O lançamento Os Pássaros, escrito por Frank Baker. Capa dura, arte gráfica impecável, lombada de página negra, marcador de página em tecido e uma pena... Saibam que li as primeiras páginas no mesmo instante e garanto que os amantes de literatura pós-apocalíptica irão gostar. Muito.

Aqueles que desejarem saber acerca da minha experiência de leitura, na próxima semana publicarei uma resenha no Nerdgeek Feelings.



Rebeca

 

Dá um certo arrepio na espinha lembrar que tal banda ou filme ou disco comemoram vinte anos agora em 2016. Primeiro, porque eu com certeza desconheço todas as músicas lançadas neste ano, mas lembro perfeitamente do cenário cultural lá dos mil novecentos e noventa. Sim, aqui no Papel Papel estamos todos nesta fase nostálgica pra lá dos muitos 20, e entendendo que a vida é mesmo esta coleção de memórias e rugas, assim como bolhas nos pés de ter caminhado tanto por aí. 

Há uma semana, ganhei ingresso para o show de uma banda que nunca imaginei assistir. No último 15 de outubro, a banda mineira Skank passou aqui pelo Rio para realizar um show comemorativo dos vinte anos do disco Samba Poconé, que inundou os ouvidos de toda uma geração com o pegajoso hit Garota Nacional. Apesar dos pesares desta música (e de ter começado com 1h de atraso), o show foi realmente bom demais! E a sensação de gostar de uma banda ou filme ou disco assim de forma tão inesperada (okay, eu já curtia uma ou outra baladinha da banda, mas, para um show de 2h, confesso que fiquei meio perdida; não sabia cantar muita coisa) é algo a se guardar na memória. E quem sabe curtir um outro show deles.



Regiane

Essa semana realizei um sonho antigo (cof cof nem tão antigo, sabe como é, né): adquiri o box com as seis temporadas de Dawson's Creek, seriado idealizado por Kevin Williamson (diretor de clássicos como Pânico e Eu sei o que vocês fizeram no verão passado) e produzido/exibido entre 1998 e 2003. A história de Dawson, jovem idealista que sonha em ser o novo Spielberg, emocionou toda uma geração ao abordar os temas mais complexos e sinistros da passagem da adolescência para a vida adulta, sendo pioneiro ao explorar de maneira delicada, mas profunda, temáticas que até então em outros seriados, eram abordadas de maneira superficial. Observar o crescimento de Dawson, Joey, Pacey e Jen definitivamente ajudou a minha geração a entender um pouco melhor o que acontecia conosco, nossa dualidade e nossos receios, e mostrou que a jornada pode não ser tão favorável ou tranquila, mas se você não perde sua essência no caminho, seus sonhos podem vir a se tornar realidade. É, eu me empolgo sim com essa série que na minha opinião, ainda é a melhor do seu gênero e poder reviver essa história está sendo delicioso. A garota de 16 anos que vive em mim, ainda se emociona ao ver a abertura com os quatro jovens andando na praia e eu espero que permaneça assim, me emocionando com algo tão simples, até quando eu tiver 80 aninhos.