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Mostrando postagens com marcador Jonatas Tosta. Mostrar todas as postagens
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janeiro 27, 2017

Hoje não é quinta, mas é uma data que vale um #TBT: em vinte e sete de janeiro do ano passado, nosso amigo Jonatas T.B. compartilhou sua primeira resenha aqui no blog! Taí uma data pra se comemorar, não é mesmo? :)

Na ocasião, Jonatas apresentou suas obras preferidas de Mark Twain. Relembre a resenha:



Ele seria um pirata! Isso! E só agora descobria sua vocação! Seu nome conquistaria fama mundial e faria todos os povos estremecerem! Que glória singrar os mares no veleiro negro, o Espírito dos Mares, com sua bandeira tremulando ao vento! E, no ápice da fama, ele reapareceria no velho povoado, irromperia na igreja com a pele curtida pelo sol e pelas intempéries, trajando sua roupa de veludo preto, botas compridas, faixa vermelha, cinto munido de pistolas, faca enferrujada de crimes, chapéu de plumas e a bandeira negra com caveira e tíbias cruzadas. Daí, escutaria o murmúrio de êxtase da criançada sussurrando: 'É Tom Sawyer, o pirata! O vingador do mar das Antilhas!'.

As crianças nascem sem nada saber a respeito do mundo, mas creio não estar errado em afirmar que também são as criaturas mais íntimas da imaginação, como se ainda carregassem consigo um pedacinho das infinitas possibilidades do misterioso lugar que estavam antes de nascer. Foi depois de mais ou menos quatro parágrafos que Tom me segurou pelo braço e me levou para lá. Quando percebi, já estava embarcado com Joe Harper e Hunckleberry Finn, seus amigos piratas, retornando àquela ilha que achava ter desaparecido no horizonte da memória.

Durante a travessia do Mississipi, eu não recordei se brincava de pirata quando criança, mas, assim como Tom, sabia que as brincadeiras nunca chegavam ao fim, porque, ainda que as coisas se tornassem sérias como um tesouro enterrado de verdade ou o testemunho da morte de uma pessoa real, as nossas mentes infantis coloriam tais eventos com tonalidades de uma tarde brincando de piratas. Foi aí que chegamos, eu junto a Tom boiando numa jangada, às fronteiras invisíveis entre a imaginação e a sensibilidade.


janeiro 11, 2017


O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, atualmente é considerado uma das obras mais conhecidas do “cânon” nerd. Adams constrói uma visão de mundo onde nem o absurdo é capaz de escapar do discurso pretensamente científico. A história é pontuada por críticas sociais bem humoradas e bastante ácidas, que alfinetam desde a burocracia governamental até a percepção transcendente do mundo, bem ao gosto do que se é considerado, na modernidade, reflexões sobre a vida e o homem diante do universo.

A história começa com uma trágica situação. O jovem Arthur Dent está prestes a ter sua casa destruída para que se construa uma estrada estatal. Desesperado, ele decide se colocar na frente de sua moradia impedindo que o trator avance. É nesse instante que Ford Perfect, um alienígena que ficou preso na terra e se disfarçou de ator desempregado, subitamente aparece e o arrasta para um pub a fim de beber umas cervejas antes do fim do mundo. Sim. É exatamente isso. O planeta Terra está a poucos minutos de ser completamente destruído por extraterrestres chamados vogons a fim de construírem uma estrada espacial.

É importante ressaltar que Ford Perfect pertence a uma classe de viajantes intergalácticos que têm o propósito de catalogar e atualizar um livro eletrônico, uma espécie de enciclopédia editável para viagens bastante prático, ou seja, o próprio Guia do Mochileiro das Galáxias.

Se você está interessado em uma história que explora reflexões existenciais engraçadas e os limites de lógicas absurdas - e que ainda assim  são capazes de não perder o caráter lógico - O Guia do Mochileiro das Galáxias é o livro ideal. Além de brincar com máquinas de probabilidade infinita e uma nave roubada por um presidente intergaláctico com três cabeças, há um grande esforço em se refletir sobre a suposta falta de propósito e o acaso da vida. Jogos retóricos obsessivos acerca a ideia da inexistência de Deus, ou a superioridade dos golfinhos e ratos sobre a espécie humana são alguns dos exemplos de como Adams reflete acerca da apatia da vida, mas amaciando bem a acidez com humor.

Agora, tratando de modo pessoal, não posso negar que o texto é recheado de piadas sobre baleias caindo como meteoros e abrindo crateras em planetas que, na verdade, eram fábricas de planetas por encomenda. Mas conforme a lia, tive a impressão engraçada de que a história fora escrita por um jovem um tanto obcecado, daqueles engajados em causas de animais em extinção ou coisas do tipo (e que por algum motivo aleatório imaginei ser apaixonado por produtos eletrônicos ecologicamente corretos, ou quase, como aparelhos da Apple).

Estou certo de que a maioria de vocês irão dar risadas com as piadas que recheiam o livro – ou irão reagir com aquela projeção mental clássica de “MAS QUE DIABO É ISSO?”. De todo modo, é muito difícil dizer que não é bem intrigante e divertido. Talvez de fato a vida humana naquele pontinho perdido azul no escuro destruído por espaçonaves da Frota de Construção Vogon realmente tenha perdido o sentido quando Ford Perfect jogou fora os exemplares de José e a Exrtaordinária Túnica de Sonhos Tecnicolor e outro de Godspell. Por isso, só nos resta rir compulsivamente no vazio com um Guia do Mochileiro das Galáxias.⁠⁠⁠⁠


Douglas Adams

Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, O guia do mochileiro das galáxias vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado.

Este é o primeiro título da famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect.

A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do mochileiro das galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário.

Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da "alta cultura" e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.
dezembro 31, 2016

 
Um salto na fenda entre o fim e o início

Não é incomum ouvir pessoas ranzinzas resmungarem por causa da comoção costumeira de fim de ano, e tenho certeza de que você sabe como é. Chiam ao menor sinal de roupas brancas e novas desfilando na rua. “Pra que isso tudo?” elas pensam. Torcem o nariz para as promessas feitas na proporção de cada grão de lentilha, arqueiam as sobrancelhas para os pulos nas ondas e o monte de sal dos velhos costumes. Estufam o peito e dizem que não se comovem com datas comemorativas e que não passa de oportunismo comercial. Confesso que já fui como um desses sujeitos mal humorados. Não media o olhar empenado nem para um súbito estouro de champanhe. Talvez fosse uma versão menos exagerada de um Ebenezer Scrooge para o Ano Novo, mas eu era um sujeito certamente afetado. Apesar disso, era contraditório. Não gostava de comemorações, mas havia alguma coisa em especial nos ciclos estacionais, algo que através do tempo sempre me fascinou. Hoje em dia acho que deixei de ser aquele cara ranzinza. Gosto desse espaço que somos capazes de abrir no tempo, entre o fim e o início de um ano. Assim, todos nós damos um sentido humano a nossa própria passagem por esta terra. Creio, desde a primeira fagulha que deu origem a este mundo tem o sentido do renascimento, de novas oportunidades. Aquela sementinha que deve deixar a casca seca para dar luz a uma imensa árvore. Espero que juntos, naquela pequena e infinita fresta que fica entre o último segundo antes da meia-noite, possamos sair de energias renovadas para dar continuidade a essa longa marcha que é a vida. Temos uma longa e próspera vida pela frente ainda.


Um bom ano que termina em gratidão

Eu não sei exatamente onde as coisas começam, e isso me dá a impressão de elas terem sido sempre do jeito que são. Eu lembro ter começado a escrever no Papel Papel, mas não lembro exatamente por que. Foi um texto em que me diverti bastante sobre o romance Tom Sawyer. Também escrevi sobre Peter PanO mágico de Oz. E acho que foi a resenha sobre O Pequeno Príncipe que chamou a atenção do Rodrigo e Raquel. Em consequência me convidaram para escrever para o Nerd Geek Feelings. Logo em seguida, meus amigos de faculdade que compunham um grupo de produção textual (Pedro, Gabriel, Lucas e Luciano) e eu decidimos publicar virtualmente nossas histórias. Nasceu assim o blog Poligrafia.

Enfim, em meio, a acidentes, lágrimas e um monte de sorrisos bobos por motivos que não convêm aqui, além de um trevo de cartolina caído na calçada no dia de São Patrício que inusitadamente me deu fôlego para continuar “Histórias de um Entregador de Sonhos”.

Este também foi o ano em que finalmente terminei meu segundo livro (o primeiro sumiu misteriosamente de cima da mesinha do computador). Um pouco mais tarde do que pensei, mas da maneira mais apropriada possível. Falo de todas essas coisas porque creio que este blog é parte do núcleo das maravilhas que me aconteceram. Acho que é isso. A arte literária é para mim tão importante quanto respirar ou despertar, e ter que escrever resenhas, contos e um monte de textos com prazo foi providencial. Não há outra palavra melhor. Por isso, agradeço a todos os meus amigos, sejam leitores, sempre comentando e nos motivando, ou editores, dando uns ajustes aqui e ali para tudo sair perfeito. Acreditem. Gostaria de agradecer pessoalmente com um aperto de mão e dois abraços a todos que nos acompanharam ao longo deste ano no blog Papel Papel. Agradeço especialmente a Rebeca pela oportunidade, confiança e principalmente pela liberdade de me permitir ser o máximo de mim mesmo por aqui. Outra vez. Sou grato. E o ano que virá nos espera com o dobro de nosso melhor.
 
dezembro 27, 2016


Sobre viagens no tempo em busca da luz

Ao menos uma vez em nossas vidas, existe o momento em que nos aconchegamos em um canto qualquer, bem na hora de dormir e não escapamos de um olhar furtivo para alguma coisa que nos chama a atenção ao teto. Está escuro. Os olhos se abrem bastante, e depois se fecham. Não vemos nada. Talvez alguma luz insignificante vinda do lado de fora. Mas ainda está escuro. Nossa imaginação sente cócegas ao roçar dos cílios das trevas em nosso rosto. Poderíamos estar no lugar de nossos pais deitados ali, ou no lugar de nossos avós, ou das pessoas que estiveram naquele mesmo lugar há séculos. De súbito, a mente parece atravessar o tempo. Mas o tempo é preciso, comedido, limita nossa imaginação ao manto escuro ao redor, e percebemos o quanto estamos sozinhos. A sensação de infinidade da imaginação existe apenas porque o pensamento está preso em uma silenciosa espiral, como um carrossel de luzes apagadas indo para lugar algum. E adentrar os porões do sono não nos deixa um intervalo perceptível, uma janela de tempo que se possa medir. Então, finalmente você adormece. E o tempo se apaga como farol quebrado. O tempo, por mais que algumas pessoas tendam a dizer que é fenômeno meramente psicológico, uma coisa da nossa cabeça, ele não serve a nós. Nós é que somos servos dele. E mesmo ao despertarmos no dia seguinte, somos capazes de senti-lo apenas como uma companhia intangível e evidente. Tão evidente que não é incomum um sem número de escritores fantasiarem interrompê-lo, dobrá-lo, atravessá-lo como uma estrada em suas histórias, ou simplesmente, como é caso da história “A Torre Negra”, de C. S. Lewis, sentar no escuro e observá-lo ser projetado em uma tela feita de lençol branco.

“- Mesmo se fosse levado lá, o que seria pior do que meramente ver a cópia de alguém ali, isso não seria diferente de outras desgraças. E desgraça não é o inferno, nem de longe. Um homem não pode ser levado ao inferno, ou enviado para lá: só você pode chegar lá por suas próprias forças.”

A viagem no tempo é a premissa de “A Torre Negra”. Um longo conto salvo das chamas por Walter Hoper, amigo de Lewis. Publicado postumamente, narra a história de quatro homens (Orfeu, MacPhee, Ransom e o próprio Lewis) cuja curiosidade do primeiro a respeito da natureza do tempo motiva-o a construir um cronoscópio, junto ao assistente Scadamour. O cronoscópio é um aparelho capaz de captar imagens de tempos remotos. Conforme a teoria que Orfeu descobre em um misterioso livro, a alma, se não fosse submissa às leis da matéria que limita nosso corpo, seria capaz de viajar no tempo. O corpo, continua a tese, é retido no espaço dimensional ao qual ele pertence, impossibilitando o deslocamento para o futuro ou passado.
  
Conforme os cientistas analisam a Torre, se desvelam estranhos povos humanoides de estranha aparência em um mundo aterrador. Todavia, o fato mais estranho foi que, durante a observação da construção da Torre Negra, surge a duplicata exata de Scudamour. O caso aguça ainda mais a curiosidade quando outra duplicata surge para um ritual de mutação. A perfeita cópia de Camilla Bembridge, noiva de Scadamour. O impulso violento de Scadamour é o suficiente para desencadear um pequeno desastre que dá início a uma viagem sem volta para o Outrotempo.

“Eu gostaria muito de acreditar que estava sonhando, mas de algum modo sabia que não estava. Minha real convicção foi de que eu havia morrido. Eu desejei – com um fervor que nenhum outro desejo meu jamais alcançou – que tivesse vivido uma vida melhor.”

Além de “A Torre Negra”, outros quatro contos compõem o livro. “Anjos Ministradores” é uma ficção científica ambientada no espaço sideral e bem humorada. Trata-se da história do envio de acompanhantes nada atraentes para prestar serviços sexuais a astronautas em Marte. Particularmente achei o desfecho bem engraçado. O conto “As formas das coisas desconhecidas” narra a quarta tentativa de viagem à Lua. Não se há menor ideia do que teria interrompido as missões anteriores. É o corajoso tenente John Jenkin que se depara com a causa do fracasso. No espaço cósmico, distante de qualquer amparo, Jenkin descobre que o ser humano não é absolutamente nada diante dos horrores escondidos nos cantos mais recônditos da realidade. “As terras fajutas” trata-se de um homem que subitamente se vê em um lugar muito parecido com o nosso mundo, mas onde as cores, os sons e a textura das coisas ora são estéreis e insossos, ora são ainda mais explícitos e reais, aparentemente rompendo os filtros dos sentidos, possibilitando-o a explorar conscientemente os próprios sonhos.

“Um homem cego tem poucos amigos; um homem cego que recentemente recebeu sua visão, em certo sentido, não tem nenhum. Ele não pertence nem ao mundo dos cegos, nem ao dos que enxergam e ninguém pode compartilhar sua experiência”.

Fiquei em dúvida se o meu favorito foi “Depois de dez anos” ou “O homem que nasceu cego”. O primeiro é sobre o personagem secundário de um épico fundamental na literatura clássica do ocidente. Eu me recuso dizer qual é o nome da história. Leiam “Depois de dez anos” e procure a referência por si. Apesar de incompleto, certamente é um dos melhores contos que já li. Sem dúvida. Procure. Não, não vou dizer qual é. Não se preocupe. Você não irá se arrepender. 

O segundo conto é sobre Robin, um homem que é curado de sua cegueira. Em suas caminhadas matinais, ele descobre que não pode encontrar a luz da forma como imaginou durante toda a vida. Por isso, agora deseja encontrar a luz para além de sua fonte, para além das lâmpadas de filamento ou do astro luminoso no céu. Necessita encontrar a luz em sua forma pura e essencial. Lewis deixa claro (ao menos para mim) que, apesar de o mundo parecer tão óbvio e claro, jamais devemos abandonar a vontade desperta em nosso íntimo, uma vontade mais antiga e profunda que a imaginação.

 

C. S. Lewis - Editora Planeta de Livros

Sinopse: Continuação memorável das fantasias de C. S. Lewis, estas seis histórias revelam mais uma vez o poder e a visão deste importante contador de histórias, um dos nomes centrais da literatura de fantasia universal.

A Torre Negra é um esboço de um quarto volume que daria continuidade à aclamada série de ficção científica de Lewis conhecida como Trilogia cósmica. Uma história cativante que continua as aventuras de personagens como Dr. Elwin Ransom e MacPhee. Na trama, cinco homens se reúnem no escritório de Orfeu, na Universidade de Cambridge, para testemunhar a violação do espaço-tempo por meio do cronoscópio, um telescópio que não olha apenas para um outro mundo, mas para outras dimensões. Ao longo das narrativas, seus personagens travam debates brilhantes sobre a matéria, no tempo e no espaço. Para os fãs de Crônicas de Nárnia e da Trilogia cósmica, este é um livro imprescindível.
dezembro 25, 2016



De todos os estilos musicais que apreciei ao longo da vida, apenas um persistiu até os dias de hoje: a música composta por coro de vozes. E como não poderia deixar passar esta oportunidade, queria mostrar a minha canção favorita de Natal.

“Carol of the Bells” é uma canção composta pelo ucraniano Mykola Leontovyc (1877 – 1921), e que, apesar das pretensões folclóricas tanto da letra quanto da melodia, nos Estados Unidos foi associada quase que exclusivamente com a festividade natalina. Alguns de vocês devem se lembrar da versão de John Williams da música tocada no filme Esqueceram de Mim nos momentos decisivos da história.

Deixo aqui a primorosa versão do grupo musical britânico Libera para vocês ouvirem.


Ao leitor: Ademais, desejo que nossas vidas realizem de fato a lição de dois mil e tantos anos atrás, (não importante se fora 25 de dezembro ou 1 de abril). E que de fato se enuncie a esperança de um novo tempo neste fim de ciclo. Acredito que no seu coração se perceba este dia como certa dança suave, uma ciranda dos anos a renovar o sentido de nossa própria vida. Imagine comigo. São dias, dias e dias de mãos dadas, e não deixando se perder aquele instante mais importante.

De todas as formas possíveis e impossíveis, desejo a ti um feliz Natal.