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julho 19, 2018

 
Olá, Leitores! A Dica de Leitura de hoje é a de um box encantador publicado pela Global Editora <3 Crônicas de viagem é um conjunto de três livros (ou seja, mais de 700 páginas!) que reúne crônicas de Cecília Meireles publicadas na imprensa entre os anos 1940 e 1960. Neste diário de bordo, Cecília compartilha em prosa e crônicas suas impressões de viagens por diversas regiões do Brasil e países como México, Índia, Estados Unidos, Portugal. 

Uma obra cativante, repleta de afetos pessoais em meio a destinos coletivos. Imperdível!


"Esta cidade é cor-de-rosa porque os grandes edifícios, construídos de grés avermelhado, adquirem ao sol uma irradiação de aurora ou luminoso ocaso – e essa tonalidade, e o azul do céu, e os jardins verdes formam o cenário deslumbrante por onde passam, como em sonho, homens de turbantes multicores, mulheres de vaporosos sáris, crianças vestidas como ídolos, e essas carruagens que são a minha paixão, com uns cavalinhos quase alados, e que até parece que sorriem, todos enfeitados com penachos, colares, xailes e flores! (Ah! meus amigos, se tiverdes de reencarnar, e de vir – Deus vos proteja, mas quem sabe o que nos espera!… – de vir sob a forma de bicho, fazei o possível para serdes cavalinhos de Delhi! Tereis estes colares azuis, de contas grandes como ovos; tereis plumas encarnadas, cor-de-rosa e alaranjadas, no topete; arreios dourados, e flores nas orelhas… Tereis uma carruagem toda reluzente de negro, vermelho e ouro. E um cocheiro de turbante, que move o chicote por amor ao gesto, mas que não bate nunca… E tudo é como um bailado entre o céu e a terra, com belas moças recostadas, tintinantes de joias, que vão como nós para os lugares antigos, onde só se fala de Xá Jehan e de Aurang Zeb e do trono do pavão, que Nadir Xá roubou e levou para a Pérsia…)" (trecho de “O deslumbrante cenário”, volume II, pág. 57)

Sinopse: Ao longo de sua vida, Cecília Meireles percorreu inúmeros países, deslumbrando-se com lugares, pessoas e coisas e revelando sua cultura, inteligência e sensibilidade. Organizados por Leodegário A. de Azevedo Filho, crítico literário e ensaísta já falecido e um dos maiores conhecedores da obra em prosa de Cecília, os 3 volumes que integram esta caixa trazem crônicas da autora publicadas em diversos jornais nas quais ela tece suas impressões e reflexões por ocasião de suas passagens por países como Argentina, Uruguai, França, Itália, Portugal, Holanda, Índia e Israel, além de algumas regiões do Brasil.


abril 27, 2018


Histórias de infância, quando lidas na vida adulta, despertam uma afetuosa nostalgia. Resgatar boas lembranças de nosso passado (ainda que o ato de lembrar traga certa melancolia) pode se tornar um proveitoso exercício de autoconhecimento, especialmente quando compartilhamos estes breves (porém duradouros) episódios de nossa biografia. E quando a literatura brasileira é quem fala sobre a vida, não há como não mencionarmos uma de suas maiores protagonistas: Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, ou simplesmente Cora Coralina.

Cora é uma autora ímpar, que como poucos traduziu a simplicidade de seus dias. Em diversos contos e poesia, a autora engrandeceu a riqueza de ser mulher e mãe, camponesa e escritora, livreira e sobrevivente. Porque a vida que dói e amanhece, a escrita de Cora é como um ciclo de renovação e permanência por entre estrofes de esperança e equilíbrio.

Cora nos deixou há algumas décadas, porém, seu legado permanece, seja em reedições (como as da Global Editora) como no cuidado com que seus familiares dispensam à sua memória, inclusive a literária.

Em "A menina, o cofrinho e a vovó", Cora parte de uma experiência biográfica (a solidão e a viuvez, em uma vida que não dispensa a pausa, que exige de nós sempre um recomeço) para criar uma fábula cotidiana, dedicada ao público infanto-juvenil, onde uma senhora decide dedicar-se à produção de bolos e doces, tanto para resgatar a sabedoria que vem da casa (e de si mesma) como também uma forma possível de sustento.
Muitas são as dificuldades da Vovó nesta fábula (como poderia cozinhar, se faltavam-lhe panelas, tachos de cobre, utensílios, e até uma geladeira?); ainda assim, a força de sua memória foi suficiente para sustentar suas mãos e, a partir destas, iniciar com toda dignidade uma nova etapa em sua vida, que viria a tornar-se novamente próspera em um futuro não muito distante. Trazendo para os nossos dias, o leitor encontra em Cora uma grande sabedoria: a de que a decisão para recomeçar (qualquer que seja a nossa idade; apesar dos inúmeros contratempos) deve partir de nós mesmos, e da esperança de que a própria vida (assim como o destino) nos aproxime de pessoas solidárias, cuja empatia será uma força a mais para a realização de nossos projetos. Mas voltando à história, foi exatamente o que aconteceu com a nossa Vovó, que recebeu um inesperado presente de sua neta, cuja grandeza foi suficiente para abraçar este sonho-sobrevida, e renovar os laços de familiaridade e sangue com aqueles que nunca esquecera.


Um segundo ponto a observar nesta história é a forma com que a vida nos apresenta, de tempos em tempos, possibilidades (nem sempre tão evidentes, é berm verdade) de sairmos de um cotidiano sem perspectivas (principalmente financeiras) e viver por nossa conta, através do fruto de nosso trabalho, e com toda esta garra aceitar o desafio de empreender. Embora a mensagem de Cora esteja em fábulas e rimas, este é um desafio realmente difícil,especialmente em nosso país, mas que serve como grande lição para que encontremos em nós mesmos (e naqueles que nos acompanham pelo caminho) a força para dependermos o mínimo possível de entidades, instituições, governos, enfim, de quaisquer instâncias que nos desindividualizem. Afinal, enquanto houver força em nosso coração, físico e espírito, não há nada mais gratificante que a experiência de recomeçar e, através desse esforço, prosperar. 

Um último ensinamento é o de que a iniciativa para um novo modo de vida precisa caminhar de mãos dadas com o sonho de nossa independência, principalmente a financeira. Esta é uma lição que a pequena netinha compartilha com a sua avó, em um encontro repleto de boas lembranças e uma grande esperança: entre uma emoção e outra, a avó se preocupa com o presente recebido pela netinha (a saber, uma sacolinha com todas as suas economias), se toda esta doação não iria lhe fazer falta em sua vida. E foi através de uma doce resposta que a netinha demonstra não apenas um grande coração, mas um enorme otimismo: - Não, Vovó, se eu precisar do dinheiro, eu junto tudo novamente. 

Em um tempo onde é quase nulo o ensino da autonomia pessoal através de nosso próprio suor e do cuidado financeiro, o livro de Cora Coralina é como uma luz de bondade e otimismo a clarear nossos tão conturbados pensamentos. Que este trecho da autobiografia de Cora, ainda que ilustrada em tons de ficção, possa ser uma leitura que traga algum incentivo em nossa caminhada, e que o exemplo da pequena netinha possa ser uma inspiração para nossos filhos, e para todos os quem cuidamos. Por uma vida com mais afeto e iniciativa, e com menos dependência de tudo o que nos puxa pra baixo e nos faz desviar do caminho :)

Obrigada Global Editora por reeditar mais esta belíssima história!



"Nada não. O doce se fazia. O freguês comprava, mandava novos fregueses. Então a velha ganhou dinheiro. Comprou tacho, tachos. Todo tamanho, sempre o cobre antigo, velho. Asa de bronze. (...) Nem usa tantos. Simbolismo. (...) Deixará para quando morrer, para filhas, netas e bisnetas. Símbolos vivos do seu trabalho produtivo. Ensinamento. Lição. Lição de vida. Sempre proveitosa."


A menina, o cofrinho e a vovó - Uma menina e sua avó. Mesmo distantes, que tesouros elas trocam? Nesta história, Cora Coralina conta como uma avó trabalhadeira recebeu um presente simples e generoso da neta. Um presente que ajudou a avó a realizar seu sonho. E, como entre avós e netos a moeda de troca é variada, como será que a avó agradeceu?

Sobre a autora: Cora Coralina é o pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto (1889-1985). Nasceu na cidade de Goiás, antiga Villa Boa de Goyaz. Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de Jacinta Luísa do Couto Brandão. Foi criada às margens do rio Vermelho, em casa comprada por sua família no século XIX, quando seu avô ainda era uma criança. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, sendo uma das primeiras construções da antiga Vila Boa de Goiás. Aos 15 anos de idade, Ana vira Cora, derivativo de coração. Coralina veio depois, como uma soma de sonoridade e tradução literária.

Poeta e contista brasileira de prestígio, tornou-se um dos marcos da literatura brasileira. Cora Coralina iniciou sua carreira literária aos 14 anos com o conto “Tragédia na Roça” publicado no “Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás”.

Casou-se com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Brêtas e teve seis filhos. O casamento a afastou de Goiás por 45 anos. Ao voltar às suas origens, viúva, Cora Coralina iniciou uma nova atividade, a de doceira (conheça a obra Doceira e Poeta). Além de fazer seus doces, nas horas vagas ou entre panelas e fogão, Aninha, como também era chamada, escreveu a maioria de seus versos.

Publicou o seu primeiro livro aos 76 anos de idade e despontou na literatura brasileira como uma de suas maiores expressões na poesia moderna. Em 1982 – mesmo tendo estudado somente até o equivalente ao 2º ano do Ensino Fundamental – Cora Coralina recebeu o título de doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás e o Prêmio Intelectual do Ano, sendo, então, a primeira mulher a receber o troféu Juca Pato. No ano seguinte foi reconhecida como Símbolo Brasileiro do Ano Internacional da Mulher Trabalhadora pela FAO. Morreu em Goiânia, aos 95 anos, em 1985.
A Global Editora publica as obras de Cora Coralina com exclusividade e, em seu blog, disponibiliza diversas entrevistas, depoimentos e resenhas sobre a autora e suas obras.
fevereiro 09, 2018


A Crônica, por definição, é um tipo de texto narrativo curto, geralmente produzido para meios de comunicação, dentre eles jornais, revistas etc., e que tratam de eventos ocorridos no cotidiano da vida do cronista ou de fatos externos observados por ele.

Os cronistas procuram descrever os eventos relatados na crônica de acordo com a sua própria visão crítica (e muitas das vezes sentimental) dos fatos, muitas vezes através de frases dirigidas ao leitor, como se estivesse estabelecendo um diálogo, causando identificação e aproximação com quem lê. Alguns tipos de crônicas são a jornalística, humorística, histórica, descritiva, narrativa, dissertativa, poética e lírica.

Dentre as editoras cujo trabalho acompanhamos, indico a Coleção Melhores Crônicas, da Global Editora, que traz para o leitor de hoje o trabalho de diversos autores consagrados, como Luís Martins, Lima Barreto, Rubem Braga (cujo trabalho comentamos recentemente), Marina Colasanti e Ferreira Gullar. Vale conhecer!


Melhores Crônicas - Luís Martins

Neste ano, quando Luís Martins completaria 110 anos de idade, a Global Editora traz um material riquíssimo do autor que se consagrou como um símbolo da crônica paulistana. O livro Melhores crônicas Luís Martins aparece neste momento de celebração como uma joia no que tange à produção deste escritor que, de 1951 a 1980, contribuiu com sua prosa para o jornal O Estado de S. Paulo, totalizando ao menos 7.000 crônicas, como bem pontua Ana Luisa Martins, sua filha, que assina o prefácio e a seleção desta edição.

As crônicas de Luís Martins, como este livro permite ver, suplantavam o ambiente da cidade de São Paulo, espraiando-se para outras dimensões, tocando com leveza e ironia acontecimentos para além da capital paulistana e os principais dilemas humanos, como é a marca natural dos cronistas de primeira linha. Outro traço das crônicas é a perenidade e relevância dos temas, que o autor aborda com facilidade e agilidade da escrita. A maneira envolvente pela qual Luís Martins comenta desde a visita de algum estrangeiro ao Brasil até detalhes banais de seu cotidiano familiar nos conduz a um universo de empatia que nos indica que não estamos sozinhos em nossos espantos, incertezas e sonhos.


Melhores crônicas - Lima Barreto
Direção : Edla van Steen
Seleção e Prefácio : Beatriz Resende

As crônicas de Lima Barreto, escritas em sua maioria entre 1918 e 1922, revelam a sua revolta e insatisfação com as instituições políticas e sociais. Sem se exaltar, em tom de conversa familiar, ele denuncia aspectos cruéis da sociedade brasileira como o racismo e as injustiças sociais, o que mantém esses textos extremamente atuais.







Melhores crônicas - Rubem Braga
Direção : Edla van Steen
Seleção e Prefácio : Carlos Ribeiro

Coube ao escritor Carlos Ribeiro esta seleção de crônicas de Rubem Braga, considerado um dos maiores cronistas da história do país. Vivendo uma época de transição, Rubem revela tanto seu amor pela natureza e pelos seres vivos quanto sua indignação pelas injustiças sociais, sem esquecer a infância, as amizades e as pequenas grandes coisas da vida.







Melhores crônicas Marina Colasanti
Direção : Edla van Steen
Seleção e Prefácio : Marisa Lajolo

Para selecionar as melhores crônicas de Marina Colasanti para este livro, o critério de Marisa Lajolo foi que fossem todas excelentes. E, de quebra, algumas completamente inéditas em livro. A obra também traz toques especiais de Marina: entre as crônicas aqui reunidas, são muitas as que levam seus leitores para o mundo feminino. Na realidade, para os mundos femininos. Na passagem singular para o plural, a multiplicidade de rostos da mulher contemporânea – a gestação, o parto, o cotidiano da trabalhadora, a tão longamente reprimida sexualidade feminina.

Uma obra de cabeceira, em que o leitor vai se familiarizar com uma artista muito sensível e inteligente, profundamente envolvida pelo mundo que a cerca, comprometida e solidária com as pessoas com que cruza neste nosso planeta. E também solidária com bichos e com plantas, com a água dos mares e com o brilho das estrelas.


Melhores Crônicas - Ferreira Gullar
Direção : Edla van Steen
Seleção e Prefácio : Augusto Sérgio Bastos

Observador atento da vida de cada dia, o cronista Ferreira Gullar não perde nenhum detalhe da comédia humana brasileira: dos fatos políticos que afetam o povo e o país e da exploração econômica, que o deixa irado como um profeta bíblico, aos casos banais, seus preferidos, com os quais, com humor e simpatia, escreve as suas melhores crônicas.
fevereiro 07, 2018

"Carta a uma velha amiga que me disse ter conhecido um grande poeta, que é meu amigo; e ter sofrido uma decepção:

'Querida -

Não achou você poético o poeta; e até se queixa de que, no tempo em que esteve em sua mesa, não lhe ouviu uma palavra sobre poesia, mas, unicamente, ao sabor da conversa, comentários sobre sapatos de homem e desastres de automóvel, quando você gostaria de conversar sobre William Shakespeare.

É, na verdade, um pouco mortificante. Nunca falam os poetas de poesia?, pergunta-me você. Bem, eles falam. Cada homem tem costume de falar de seu ofício, e o poeta é um homem como os outros. (...) Quando um homem fala de sapatos, de trânsito ou futebol, não está disfarçando: o último jogo do Flamengo, a corrida dos ônibus depois do túnel e a cor dos sapatos, tudo se infiltra na alma do poeta. Tudo; e com certeza também você, que ele pode ter incorporado silenciosamente no seu mundo. E quando amanhã escrever 'uma tarde castanha', se lembrará de seus cabelos e de sua voz serena.

Não o desame pois, por não ser poético; isso não é seu ofício: ele é poeta. Adeus.'"

Rubem Braga
 

Há quem colecione histórias, e há quem guarde um caderno de poesias. Rubem Braga, um de nossos cronistas mais conhecidos, dedicou parte de sua carreira à divulgação da poesia brasileira, especialmente nos anos em que atuou no jornalismo cultural da Revista Manchete (de 1953 a 1956) e da Revista Nacional (de 1979 a 1990).

A poesia é necessária é uma publicação da Global Editora (2016) que reúne textos da coluna de mesmo nome mantida por Braga em seus anos de Revista Manchete. No tempo em que durou a coluna, publicou poetas de todas as gerações e épocas, incluindo nomes como Mário de Andrade, Adélia Prado, Lya Luft, Murilo Mendes, Gregório de Matos, Gonçalves Dias, Castro Alves, Machado de Assis, Augusto dos Anjos, Mário de Andrade, Cândido Portinari e dezenas de outros. Nesta publicação da Global, organizada pelo crítico André Seffrin, é possível também encontrar o "olhar de cronista" de Braga em muitos destes poemas, especialmente através da fala dos que versam histórias de amor, pequenas memórias e demais peculiaridades da vida cotidiana. Dentre os poemas selecionados, destacamos:


SONETO

Toda pena de amor, por mais que doa,
No próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença
Seca-as depressa uma palavra boa.

A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
Obstáculos não são que Amor não vença,
Amor transforma em luz a treva densa;
Por um sorriso Amor tudo perdoa.

Ai de quem muito amar não sendo amado,
E depois de sofrer tanta amargura,
Pela mão que o feriu não for curado...

Noutra parte há de em vão buscar ventura:
Fica-lhe o coração despedaçado,
Que o mal de Amor só nesse Amor tem cura.

Ana Amélia Carneiro de Mendonça (1896-1971)



O MENINO E O POVOADO
(fragmento)

As mangueiras ramalhavam
E agitavam os corações acesos
Que as enfeitavam. Velhas
Mangueiras de minha infâncias...
Eram as babás dos meninos
Pobres como eu. Floriam e
Ninguém lhes atirava pedras.
Das flores nasciam os coraçõeszinhos
De verde limpo, sem o pó das
Velhas folhas espalhado pelo
Vento. Estas, tão abundantes -
Serviam de escudo. Os corações
Em sua plenitude luziam ao longe.
Às vezes choravam lágrimas.
Resinosas.

Candido Portinari (1903-1962)


E para falar de Rubem Braga, nada como o testemunho de um contemporâneo do cronista, o poeta e crítico Affonso Romano de Sant'Anna:


Aliás, você já conhece o canal da Global Editora no Youtube? Lá você encontra depoimentos, leituras e entrevistas com os grandes autores de nossa literatura! Se inscreva também! :)


Sobre Rubem Braga: Nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, ES, em 1913. Ainda estudante, iniciou-se no jornalismo fazendo uma crônica diária no jornal Diário da Tarde. Como repórter, trabalhou na cobertura da Revolução Constitucionalista de 1932 para os Diários Associados. Mesmo depois de formado em Direito, continuou com o jornalismo, escrevendo crônicas para O Jornal. Mudou-se para Recife, PE, e passou a escrever para o Diário de Pernambuco. Fundou, no Rio, o jornal Folha do Povo, tomando partido da ANL (Aliança Nacional Libertadora). Em 1936, lançou seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho. Em 1938, fundou, junto com Samuel Wainer e Azevedo Amaral, a Revista Diretrizes. Foi correspondente de guerra na Europa durante a Segunda Guerra Mundial pelo Diário Carioca, tendo tomado parte da campanha da FEB (Força Expedicionária Brasileira) na Itália, em 1945. No período de 1961 a 1963, foi embaixador do Brasil no Marrocos.

Sobre a obra: Nesta publicação, foram reunidos poemas dos poetas brasileiros que Rubem Braga divulgou na sua seção “A poesia é necessária”, durante o tempo em que trabalhou na revista Manchete (1953 a 1956) e Revista Nacional (1979 a 1990, ano de sua morte). Assim, como diria Mario Quintana, esta obra é um baú de espantos, repleto de curiosidades sobre poetas e poesia.

Outros livros do autor: Crônicas do Espírito Santo; Melhores ContosMelhores Crônicas

outubro 09, 2017


Setembro, outubro, primavera, Marina, Cora e Cecília. Melhor impossível, não é mesmo? <3 Toda vez que chega news da Global Editora aqui no email é bem assim: cheinha de livro bom; repleta de belíssimos lançamentos :)) Conheçam as novidades:


Cecília Meireles 

"Quem somos nós, nesta vertigem inútil? Pode-se chamar vida, a isto? 

A vida não é alguma coisa de sentido mais profundo, alguma coisa mais lenta, mais feita de coisas interiores, que se recolhem aturdidas com este ritmo alucinado que nos leva?

Talvez seja, realmente, o campo, o único ambiente onde ainda se possa realizar a bela vida, pura, simples, serena, que o mundo morbidamente perturbou." 

Além de poeta de primeira grandeza, Cecília Meireles foi professora. Formada pela Escola Normal (Instituto de Educação) do Rio de Janeiro, começou a exercer, em 1917, o magistério primário em escolas oficiais do então Distrito. Preocupada com o estado da educação no Brasil, sempre militou na área, participando ativamente dos debates acerca das reformas de ensino projetadas na década de 1930. Naqueles instantes decisivos da história brasileira, Cecília passou a colaborar para a seção que o Diário de notícias reservava diariamente para assuntos relacionados a educação. Nestes exercícios de reflexão, que seriam retomados nas páginas do jornal A Manhã no início dos anos 1940, Cecília expôs seus posicionamentos acerca de uma infinidade de temas relacionados à educação no Brasil. Esses escritos de Cecília Meireles foram reunidos em 2001 pelo crítico literário Leodegário A. de Azevedo Filho em cinco volumes, intitulados Crônicas de educação, que a Global Editora oportunamente reedita, reunindo-os num boxe.

É instigante perceber como a poetisa disserta com clareza e profundidade nestes textos sobre temas como política educacional, currículo escolar, métodos pedagógicos, espaço escolar, a formação dos professores e suas atribuições em sala de aula, os desafios do ensino público, o movimento da Escola Nova, as particularidades da infância e da adolescência, o papel da família nos processos de aprendizagem, literatura infantil, entre outros. Cumpre destacar o caráter de escritos de intervenção que estes textos possuem, ao pautarem e proporem soluções para impasses candentes na época e que ainda nos são consideravelmente familiares, demandando a atenção de todos que se interessam pelos desafios do ofício de ensinar.

Leia um trecho


Jardins
Roseana Murray 
Ilustrações: Roger Mello

Flores passeiam
no azul do dia,
fabricam coloridos
silêncios,
como se fosse lenços
de seda e ar.

O livro Jardins traz quinze pequenos poemas que representam os mais diversos jardins. Com muita delicadeza, Roseana Murray mexe com o imaginário do leitor. Cada poema-pintura faz os pequenos descobrirem a poesia que vive ao seu redor, nas pequenas coisas, como nas flores, por exemplo.

"Gostei do seu Jardins. De suas guirlandas de palavras. Gostei de ler seu verbo a prender os perfumes, as cores, as formas e o sol sobre as flores. Há por certo uma poeta sensível às coisas da natureza neste Jardins", declara Manoel de Barros, grande poeta brasileiro. A organização dos poemas com as ilustrações do talentoso e premiado Roger Mello imprime qualidade que sensibiliza adultos e crianças. É um verdadeiro presente em formato de livro.

Leia um trecho



Quando a primavera chegar
Marina Colasanti 

Com ilustrações da própria autora e projeto gráfico de Claudia Furnari, a obra traz dezessete contos inéditos. Um crisântemo floresce na palma da mão, um menino nasce com um olho no meio da testa, um relojoeiro fabrica um robô, um rei precisa de povo. Tudo é surpreendente e tudo é verdadeiro no livre espaço do imaginário em que os contos deste livro acontecem. Mas não há estranhamento. Levado pela linguagem singular da autora, o leitor participa desse espaço, rumo a um encontro com suas próprias emoções.

Leia um trecho





Bartolomeu Campos de Queirós 

Mais um livro profundamente afetivo e lírico do escritor Bartolomeu Campos de Queirós. A narrativa flui em um ritmo leve e poético e aborda a temática do amor. O narrador da história nos conta como um pequeno elefante invade o seu sonho sem pedir licença e, desta relação, no plano onírico, nasce um diálogo entre os dois. Ele entrou no meu sonho, sem licença. Chegou pequenininho como se fosse filho da insignificância. Seu andar perdido, pisando dúvidas, parecia transportar o passado em suas costas. Por meio da conversa do narrador com seu inconsciente, emergem do texto sonhos, planos, perigos, mistérios e medos. Descobri que o amor tem suas invenções. Em sua pele rugosa meus olhos viam veludo e onda. Em seus passos lerdos, eu via o andar leve de gato.



Nau Catarineta
Roger Mello 

Nau Catarineta é o mais célebre poema anônimo marítimo ligado à tradição oral lusófona. A obra narra as desventuras dos tripulantes durante a travessia marítima, tema que era realidade portuguesa desde o começo das navegações. Esta edição, ilustrada e organizada por Roger Mello, traz fascinantes ilustrações que conseguem captar toda a maravilha dos contos populares portugueses, trazendo o leitor para dentro desse universo.

“O pavor do naufrágio, da calmaria, da fome no mar; a solidão, a saudade e as tentações no meio do deserto marinho, tudo isso vivia nas mentes e corações do povo heroico que criou a Nau Catarineta”, salienta Alexei Bueno, poeta e crítico brasileiro.

O livro é uma das obras ilustradas mais premiadas do Brasil. Recebeu a menção Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e foi também Hors Concours nas categorias Reconto e Ilustração. Em 2005, ganhou ainda o Prêmio Jabuti na categoria Ilustração Infantil ou Juvenil.

Leia um trecho


Melhores Poemas Cora Coralina (Pocket)
Cora Coralina

Chorei sozinha minhas mágoas de criança.
Depois, me acostumei com aquilo.
No fim, até brincava com o caco pendurado.
E foi assim que guardei
no armarinho da memória, bem guardado,
e posso contar aos meus leitores,
direitinho,
a estória, tão singela,
do prato azul-pombinho.

Este Melhores Poemas Cora Coralina traz a seleção especial dos mais célebres poemas da poeta. Organizado por Darcy França Denófrio, mestre em Teoria Literária, a obra apresenta-se em formato pocket. Simples, muito próxima do gosto do povo, fluindo com naturalidade, a poesia de Cora Coralina encontrou uma imensa receptividade popular. O segredo talvez esteja no fato de que os seus versos dizem o que as pessoas sentem, mas não conseguem expressar, e na grande simpatia pelo semelhante, sobretudo os humilhados e perseguidos. “Não depende dela e nem de nós: Cora dos Goiases esplende agora, não mais na solidão de seu ‘aquém-Paranaíba’. Isto já não lhe basta. Ela resplancede no universo dilatado da poesia brasileira, e já força passagem. Não se pode mais dizer: este é o seu lugar.” Darcy França Denófrio

Leia um trecho

abril 18, 2017

Segundo post com os lançamentos literários da Global Editora. A parte 1 você encontra neste link :) Abaixo as novidades de Abril da editora:


Poemas italianos - Cecília Meireles

Em Poemas italianos, Cecília Meireles constrói um mosaico de versos alicerçado na rica herança histórico-imagética que a Itália legou à humanidade. A autora apresenta não só uma realidade contemplada, mas permite também as diversas possibilidades de reviver cada um desses versos. Somos convidados pela autora a contemplar a beleza e o mistério de recantos da Itália: a sólida grandeza do Coliseu, a encantadora Fontana di Trevi, os impressionantes seres petrificados em Pompeia e tantos outros. Ao mesmo tempo que os poemas de Cecília estão permeados pela presença destes simbólicos cenários remanescentes de um passado distante, ela os recria em toda a sua vivacidade, intuindo como o passado sempre opera subterraneamente no presente.
 

Cartas provincianas: correspondência entre Gilberto Freyre e Manuel Bandeira

Seleção: Silvana Moreli Vicente Dias

Os diálogos fraternos entre um dos maiores intérpretes do Brasil e um de nossos grandes escritores. Isto é o que traz este Cartas provincianas: correspondência entre Gilberto Freyre e Manuel Bandeira.

Nascidos no Recife, Pernambuco, Gilberto Freyre e Manuel Bandeira, duas figuras luminares da intelectualidade brasileira do século XX, trocaram cartas, postais e telegramas ao longo da terna amizade que cultivaram. Nelas, partilharam angústias e planos e também discorreram sobre os desafios e os encantos que o Brasil os proporcionava. A correspondência coligida nesta edição encontra-se minuciosamente anotada e analisada por Silvana Moreli Vicente Dias.


A cabeça de Medusa e outras lendas gregas - Orígenes Lessa
Ilustrações: Cláudia Scatamacchia

A rica mitologia grega, com seus deuses e heróis, é referência até os dias atuais, em várias áreas de estudo. Em A cabeça de Medusa e outras lendas gregas, Orígenes Lessa, baseado na obra do escritor norte-americano Nathaniel Hawthorne, reconta seis narrativas maravilhosas.

Nessa obra estão presentes algumas das mais famosas lendas gregas, como: A cabeça de Medusa, A caixa de Pandora, O toque de ouro, O cântaro milagroso, A quimera e As três maçãs de ouro. A linguagem ágil de Orígenes nos transporta à história da civilização da Grécia Antiga e à origem de mitos importantes e significativos presentes até hoje na cultura ocidental.

O livro conta com as belíssimas ilustrações de Cláudia Scatamacchia. É leve, divertido e atual como todo clássico. Um livro para ser lido com a imaginação.


Algumas assombrações do Recife Velho - Gilberto Freyre

Para este Algumas assombrações do Recife Velho foram selecionados sete contos do livro Assombrações do Recife Velho para serem adaptados para os quadrinhos. A HQ traz as seguintes histórias: “O Boca-de-Ouro”, “Um Lobisomem Doutor”, “O Papa-Figo”, “Um Barão Perseguido pelo Diabo”, “O Visconde Encantado”, “Visita de Amigo Moribundo” e “O Sobrado da Rua de São José”. A adaptação foi conduzida por André Balaio e Roberto Beltrão, que possuem larga experiência na produção de histórias em quadrinhos e estão à frente do projeto O Recife assombrado. Mais informações no site.

Gilberto Freyre sempre se interessou pelo universo das assombrações e do sobrenatural. Numa de suas incursões no campo da ficção, o sociólogo escreveu Assombrações do Recife Velho, uma reunião de histórias de assombração que tem como cenário sua cidade natal, Recife. O livro publicado por Freyre em 1955 foi o resultado de um longo trabalho iniciado por ele em 1929, quando esteve à frente do jornal recifense A Província.


Introdução à literatura infantil e juvenil atual - Teresa Colomer

Introdução à literatura infantil e juvenil atual busca refletir sobre quatro perguntas fundamentais sobre a literatura infantil e juvenil: para que servem os livros dirigidos às crianças e jovens; como facilitar essa leitura; como se caracteriza a literatura infantil e juvenil, tanto a clássica como a atual; e como definir os livros mais adequados entre tantas publicações existentes?

Com diversas ilustrações e atividades didáticas sobre as questões abordadas, a obra é dividida em capítulos, e traz ao final uma série de referências bibliográficas, tanto das obras mencionadas como de outras para consulta.

Estudantes de literatura e pedagogia, professores, bibliotecários, educadores em geral, autores e pais, encontram informação útil para iniciar as novas gerações no diálogo cultural que a literatura proporciona.


Apontamentos - Bartolomeu Campos de Queirós
Ilustrações: Mauricio Negro

Bartolomeu Campos de Queirós sempre nos surpreende com sua prosa poética, construída com maestria. Em Apontamentos não poderia ser diferente. Nesse livro, o autor propõe uma reflexão sobre a importância de todo cidadão conhecer e pôr em prática a nossa Constituição, denominada também de Carta ou Carta Maior.

A narrativa, entremeada de diálogos, é um convite ao jovem leitor para que fique atento às necessidades de seu país e aproprie-se das leis e das normas que regem uma nação.





Novidade para os leitores: o site da Livraria Martins Fontes está com uma promoção de até 50% de desconto nos títulos da Global Editora!  Conheça alguns dos títulos em promoção:


Cecília Meireles - Amor em Leonoreta
Cecília Meireles - Crônicas para Jovens
Manuel Bandeira - Antologia Poética
Manuel Bandeira - A Cinza das Horas
Marina Colasanti - Do seu coração partido


abril 10, 2017


Ainda em semana de lançamentos editoriais, compartilhamos uma seleção clássicos da literatura brasileira publicados - e reeditados - pela Global Editora. E como a obra de Marina Colasanti sempre está em nossas listas de leitura, escolhemos três títulos para indicar aqui no blog: Mais de 100 Histórias Maravilhosas; Melhores crônicas; Hora de alimentar serpentes. Aliás, se você estiver no Rio de Janeiro no mês de maio, poderá conhecer um pouco mais da obra de Marina na terceira edição do Clube do Livro Livraria Da Vinci! Aguardamos vocês para uma ótima conversa <3

Abaixo, mais algumas sugestões de clássicos publicados pela Global:


Melhores Contos Lygia Fagundes Telles
(Pocket)

Um dos nomes mais importantes da literatura brasileira, romancista notável, é no conto que Lygia Fagundes Telles encontra o seu mais autêntico meio de expressão e de renovação. As suas histórias, onde a mulher ocupa quase sempre o primeiro plano, desvendam com mão de mestre o íntimo do ser humano, suas dúvidas e perplexidades.

"As histórias apavorantes das noites na escada. Eu fechava os olhos-ouvidos nos piores pedaços e o pior de todos era mesmo aquele, quando os ossos da alma penada iam caindo diante do viajante que se abrigou no casarão abandonado. Noite de tempestade, vinha o vento uivante e apagava a vela e a alma penada ameaçando cair, Eu caio! Eu caio! — gemia a Maricota com a voz fanhosa das caveiras. Pode cair! ordenava o valente viajante olhando para o teto. Então caía um pé ou uma perna descarnada, ossos cadentes pulando e se buscando no chão até formar o esqueleto. Em redor, a cachorrada latindo, Quer parar com isso? gritava a Maricota sacudindo e jogando longe o cachorro mais exaltado. Nessas horas sempre aparecia um dos grandes na janela (tia Laura, tio Garibaldi?) para impor o respeito.

Quando Maricota fugiu com o trapezista eu chorei tanto que minha mãe ficou preocupada: Menina mais ingrata aquela! Acho cachorro muito melhor do que gente, ela disse ao meu pai enquanto ia arrancando os carrapichos do pêlo do Volpi que já chegava gemendo, ele sofria com antecedência a dor da retirada de carrapichos e bernes."

(Lygia Fagundes Telles, Que se chama solidão)


Antologia poética - Cecília Meireles
4ª edição

Antologia poética Cecília Meireles, coletânea publicada pela primeira vez em 1963, um ano antes de sua morte, é a única cujos textos foram escolhidos pela própria poeta. Composta por poemas retirados de diversos livros seus, inclusive alguns textos inéditos – a obra revela, assim, um precioso autorretrato da escritora. Uma obra sobre as pequenas maravilhas da vida até os questionamentos sobre o destino do mundo e da humanidade.

A autora no prefácio comenta: "Há muita maneira de fazer-se uma antologia e não se sabe qual seja a melhor. Pode-se usar um critério estético, ou didático, ou outros, conforme o objetivo que se tenha em vista. Para o leitor, a melhor antologia é a que ele mesmo organiza, ao eleger, na obra completa de um escritor, aquilo que mais lhe agrada, embora com o passar do tempo se possa ver como o gosto pessoal varia, e o que nos agrada numa época já não nos agrada igualmente noutra, tão volúveis somos em nossas preferências e tão diferentes as perspectivas, no caminho a nossa evolução."


Antologia poética - Manuel Bandeira

Antologia poética Manuel Bandeira, coletânea organizada pelo próprio autor em 1961, reúne poemas publicados em diversos livros. No prefácio o autor comenta: A antologia atual é mais completa que as anteriores por incluir também poemas de circunstâncias, constantes do livro Mafuá do malungo, e traduções que fiz de poetas estrangeiros, tiradas do livro Poemas traduzidos. Além disso, recolhem-se nela alguns poemas recentes ainda não coligidos em livro. Como nas duas primeiras, aqui o critério foi marcar a evolução da minha poesia, aproveitando de cada livro o que me parecia representar melhor a minha sensibilidade e a minha técnica.

Nesta obra é possível perceber o conflito, inteligentemente resolvido, entre o moderno e o canônico, as brincadeiras com os temas da vida e da morte e a sua extrema sensibilidade aliada a um domínio técnico apurado. Segundo os estudiosos, Manuel Bandeira, em sua poesia, abandonou o tom retórico de seus predecessores e usou a fala coloquial para tratar, com objetividade e humor, de temas triviais e eventos do dia a dia. Apesar de sua refinada sensibilidade, que remonta aos clássicos portugueses, o autor era capaz, também, de se fascinar com o insólito e o corriqueiro.


Melhores crônicas - Lima Barreto

As crônicas de Lima Barreto, escritas em sua maioria entre 1918 e 1922, revelam a sua revolta e insatisfação com as instituições políticas e sociais. Sem se exaltar, em tom de conversa familiar, ele denuncia aspectos cruéis da sociedade brasileira como o racismo e as injustiças sociais, o que mantém esses textos extremamente atuais.

"Um amigo, muito meu amigo mesmo, paga atualmente, nos confins dos subúrbios, o avantajado aluguel de duzentos e cinco mil-réis por uma casa que, há dois anos, não lhe custava mais de cento e cinqüenta mil-réis. Para melhorar um tão doloroso estado de coisas, a prefeitura põe abaixo o Castelo e adjacências, demolindo alguns milhares de prédios, cujos moradores vão aumentar a procura e encarecer, portanto, ainda mais, as rendas das habitações mercenárias.

A municipalidade desta cidade tem dessas medidas paradoxais, para as quais chamo a atenção dos governos das grandes cidades do mundo. Fala-se, por exemplo, na vergonha que é a Favela, ali, numa das portas de entrada da cidade - o que faz a nossa edilidade? Nada mais, nada menos do que isto: gasta cinco mil contos para construir uma avenida nas areias de Copacabana. (...) De forma que a nossa municipalidade não procura prover as necessidades imediatas dos seus munícipes, mas as suas superfluidades.

(...) A casa, como ia dizendo, é nos dias que correm, um pesadelo atroz. (...) O Governo Federal - não há negar - tem sido paternal. A sua política, a respeito, é de uma bondade de São Francisco de Assis: aumenta os vencimentos e, concomitantemente, os impostos, isto é, dá com uma mão e tira com a outra."

(Lima Barreto, Marginália, 14-1-1922)

março 17, 2017

Se tem Cecília Meireles nos lançamentos, pode ter certeza que é mais um projeto lindo da Global Editora <3 E pra completar o time, ainda tem Fernando Pessoa, O Pequeno Príncipe, Rubem Braga... Uma seleção de autores imperdível! Confira as novidades:




A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.


(Trecho do poema "A espantosa realidade das coisas", 1915)

No dizer de Pessoa: [Alberto Caeiro] “nasceu em Lisboa mas viveu quase toda a sua vida no campo”; “morreram-lhe cedo o pai e a mãe” e, por isso “vivia com uma tia velha, tia-avó”; “não teve mais educação que quase nenhuma, só a instrução primária”. E acrescenta, invejando-lhe seguramente a sorte de não ter sido obrigado, como ele, à escravatura de um ganhã-pão: “Deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos”. Aduante, comenta: “Pus em Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática.”

Para entender a poesia de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, impõe-se integrá-la no projeto pessoano do Neopaganismo Português e dos seus cultores: Ricardo Reis, o poeta, Alberto Caeiro, a sua consubstanciação, segundo declaração de Pessoa, e António Mora, o seu teórico em prosa (sociólogo e filósofo). Os três “livros” de Caeiro, nesta obra considerados e assim por Pessoa chamados e previstos, dão notícia dessa vida sem acontecimentos, excepto a “doença” do episódio amoroso: o segundo “livro”, composto por nove poemas. Também o terceiro “livro”, “Andaime – Poemas Inconjuntos”, segue, como um diário, a evolução de uma doença, neste caso a tuberculose, que o vitimou. O título Vida e obras nunca foi usado por nenhum editor.


Baladas para El-Rei
Cecília Meireles 

E eu sonho o meu sonho oculto
de ave triste - que não voa,
detida a ver o teu vulto
de cetro, manto e coroa...

- E eu sonho o meu sonho oculto...


Terceira produção poética de Cecília Meireles a vir a público, Baladas para El-Rei, de 1925, presenteia o leitor com versos que demonstram a rara capacidade de nossa maior poeta para evocar imagens e sentimentos, capitaneada por sua intrínseca musicalidade. As ilustrações presentes no livro concebidas pelo artista plástico português Fernando Correia Dias, primeiro marido de Cecília, expandem o som e a ressonância dos poemas da autora. A apresentação desta edição é assinada pelo crítico literário Marcos Pasche, mestre e doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. No texto, Pasche observa que “não é seguro apontar, com pretensa certeza, quem é o Rei receptor das baladas, mas é possível ouvi-las badalando no livro que é um reino do dizer obnubilado e do subentendido.”


Cândido Mariano da Silva Rondon
Darcy Ribeiro

Cândido Mariano da Silva Rondon traz dois textos de Darcy Ribeiro sobre Rondon. O primeiro, A obra indigenista de Rondon, saiu em 1958 nos Cadernos de Cultura, do MEC. O segundo, Os quatro princípios de Rondon, configura-se no necrológio do sertanista, falecido em 1958. Quando dava os primeiros passos em sua exitosa carreira de antropólogo, trabalhando no Serviço de Proteção aos Índios, Darcy Ribeiro teve a oportunidade de conhecer um dos homens que mais souberam se relacionar com os povos nativos do Brasil: Cândido Rondon. Como não poderia deixar de ser, a identificação entre os dois foi grande. A preocupação com a conservação do meio ambiente, o respeito pelos conhecimentos de ordem teórica e prática que os índios cultivavam no trato e no aproveitamento dos bens presentes na natureza e, além de tudo, uma ânsia de ver uma nação mais justa e igualitária do ponto de vista social. Este livro traz ao fim uma lista dos escritos de Rondon e uma bibliografia com indicações de textos que tratam da trajetória e da obra do sertanista. O livro traz também um caderno iconográfico com fotos pertencentes ao Museu do Índio, ligado à FUNAI. As fotos trazem momentos marcantes da vida de Rondon, algumas delas, inclusive, registros de sua convivência com os índios que encontrou durante suas andanças pelo Brasil afora.


Melhores crônicas 
Luís Martins

Neste ano, quando Luís Martins completaria 110 anos de idade, a Global Editora traz um material riquíssimo do autor que se consagrou como um símbolo da crônica paulistana. O livro Melhores crônicas Luís Martins aparece neste momento de celebração como uma joia no que tange à produção deste escritor que, de 1951 a 1980, contribuiu com sua prosa para o jornal O Estado de S. Paulo, totalizando ao menos 7.000 crônicas, como bem pontua Ana Luisa Martins, sua filha, que assina o prefácio e a seleção desta edição. As crônicas de Luís Martins, como este livro permite ver, suplantavam o ambiente da cidade de São Paulo, espraiando-se para outras dimensões, tocando com leveza e ironia acontecimentos para além da capital paulistana e os principais dilemas humanos, como é a marca natural dos cronistas de primeira linha. Outro traço das crônicas é a perenidade e relevância dos temas, que o autor aborda com facilidade e agilidade da escrita. A maneira envolvente pela qual Luís Martins comenta desde a visita de algum estrangeiro ao Brasil até detalhes banais de seu cotidiano familiar nos conduz a um universo de empatia que nos indica que não estamos sozinhos em nossos espantos, incertezas e sonhos.

Tradução : Laura Sandroni

Estava desanimado com o fracasso do meu desenho número 2. Os adultos nunca compreendem nada por si mesmos e é cansativo para as crianças ter que lhes dar sempre e sempre explicações.

Então tive que escolher outro ofício e aprendi a pilotar aviões. Voei um pouco por todo o mundo. É verdade que a geografia me serviu muito. Ao primeiro golpe de vista estava em condições de distinguir a China do Arizona. É muito útil se a pessoa se perde durante a noite.
Com tradução de Laura Sandroni, esta encantadora história é um convite incessante a questionar as convenções instituídas. O pequeno príncipe também é uma das obras mais conhecidas e mais vendidas de todos os tempos, aproximadamente, cento e cinquenta milhões de exemplares em diversos idiomas. Dotado de singular capacidade de imaginação, de inteligência e sabedoria, Antoine de Saint-Exupéry escreveu um livro que é profunda reflexão sobre o amor, a amizade e o sentido da vida. O personagem central, menino inesquecível, se interroga sobre o mundo enquanto viaja de planeta em planeta e põe em dúvida as certezas dos adultos. Esta é, simplesmente, uma leitura para guardar no coração.


Histórias de Zig
Rubem Braga 

O cachorro Zig, grande de porte e também de coração, era praticamente um membro da família Braga. Seu comportamento, no entanto, muitas vezes surpreendia os desavisados. Nesta crônica História de Zig escrita em outubro de 1948, Rubem Braga conta algumas das façanhas de um dos cachorros que conviveu por 11 anos com sua família, conhecido em Cachoeiro de Itapemirim por Zig Braga.

“Zig — ora direis — não parece nome de gente, mas de cachorro. E direis muito bem, porque Zig era cachorro mesmo. Se em todo o Cachoeiro era conhecido por Zig Braga, isso apenas mostra como se identificou com o espírito da casa em que nasceu, viveu, mordeu, latiu, abanou o rabo e morreu.”


Tudo ao mesmo tempo
Toni Brandão 
Ilustrações : Attilio

Tudo ao mesmo tempo é o segundo volume da trilogia infantojuvenil João e seus meio irmãos, do autor Toni Brandão. A série conta a história do garoto João, desde a separação dos pais até os novos relacionamentos deles e os meios irmãos que surgem na sua vida. João agora tem de aprender a conviver com as novidades dos pais: sua mãe está grávida do Dr. Spielberg, a “Se Achenta” da Penélope vai morar junto com eles, e o seu pai encontrou um novo amor. Para completar, João se surpreende com novos sentimentos. E tudo ao mesmo tempo. Será que ele vai conseguir conviver com tudo isso?
fevereiro 21, 2017

Fevereiro, mês do carnaval e do crescimento da wishlist, principalmente quando tem promoção na Amazon, não é mesmo? :) No post de hoje, divulgamos alguns dos lançamentos da Global Editora, e também os links dos títulos que estão com até 70% de desconto no site. Confira <3


W
Roger Mello

As referências à cartografia desafiam a ideia do tentar situar-se ou expandir-se. Mapas são um território híbrido da palavra e da imagem. Um mapa não é um objeto científico, é projeção artística, quanto mais científica a intenção do mapa, maior o engano provocado por ele. Em seu primeiro romance, W, Roger Mello, artista renomado e premiado, nos faz embarcar numa jornada embebida por cheiros, cores e inquietudes, num ritmo em que as ações e intenções das personagens são apresentadas num fluxo de consciência.

W se torna um copista, o melhor da casa em que foi adotado. E copiar, nesse caso, parece um ofício maior do que o de descrever, desenhar. Inventar segredos só seus e depois se esquecer. A cartografia interage com livros, com a ciência, com a loucura. Este livro de Roger Mello traz movimento cíclico formado por espera, contato e alumbramento, tão característico dos romances que se tornam perenes na literatura.

Quem estiver em Brasília ou no Rio de Janeiro, pode conferir os eventos de lançamento, que ocorrem nos dias 4 e 7 de março de 2017, respectivamente. Saiba mais nos eventos: Brasília e Rio de Janeiro.


Poemas de Viagem
Cecília Meireles

O tema da jornada sempre acompanhou o itinerário poético de Cecília Meireles. Como se sabe, um de seus livros mais célebres, Viagem, de 1939, é profundamente marcado pelo universo de sensações que o deslocamento no espaço e no tempo proporcionam. Além de Viagem, Cecília compôs outro conjunto de versos nos quais a tópica da jornada vincou fortemente sua criação poética: Poemas de viagens. Menos conhecidos mas igualmente luminosos, eles integraram o volume 9 das Poesias completas da autora, publicadas nos anos 1970. Escritos entre os anos de 1940 e 1964, estes poemas saem agora pela Global pela primeira vez em volume separado, o que se configura numa oportunidade ímpar para os leitores embarcarem de braços dados com Cecília neste caleidoscópio de situações novas transmutadas pela sensibilidade da autora em versos de arrojado lirismo. A passagem por países como México, Estados Unidos, Holanda, Suíça, Portugal, Marrocos, China e outros foram o substrato para que nossa maior poeta desse origem a um relicário de versos de rara beleza.


Melhores Contos António de Alcântara Machado

O nome de Alcântara Machado remete quase que de maneira direta ao seu livro de contos Brás, Bexiga e Barra Funda, publicado pela primeira vez em 1927. Esta seleção, em pocket, cuidadosamente feita por Marcos Antonio de Moraes, professor do Instituto de Estudos Brasileiros da USP e profundo estudioso do movimento literário modernista, enriquece tal visão ao reunir, além dos já consagrados, contos do autor que até a publicação dessa antologia eram bem pouco conhecidos. A linguagem dos contos de Alcântara Machado traz um frescor e uma inovação que se revelariam típicos do movimento modernista iniciado em 1922. Fruto de sua atividade jornalística em diários paulistanos, o autor lança mão de forma ousada de cartazes de rua, notícias, anúncios de jornal, letras de música e até de dizeres ouvidos das torcidas de futebol para recompor com sua renovada prosa a vida do dia a dia da São Paulo que se abriria para a entrada de uma enorme massa de imigrantes estrangeiros. Procurando dirigir seu olhar sobre o “ítalo-paulista”, o autor explora toda a complexidade da alma daqueles homens e mulheres que, ao adotarem uma pátria nova, acabariam modificando a nova paisagem urbana, com seus costumes e sua língua.


Para esta obra, cabe a definição que se tornou lugar-comum: este é, rigorosamente, “um livro para todas as idades”. Com o talento imaginativo, o humor e a linguagem elegante de sempre, Orígenes Lessa deixa claro, com esta narrativa, que a boa literatura não tem gênero. O 13º Trabalho de Hércules é um livro que resgata o mundo imaginário dos mitos gregos e de seus heróis, caracterizados pela força, coragem e sabedoria. Todos os dias, diante da TV-Olimpo, a mais popular emissora de TV do Brasil, vêm fazer fila milhares de artistas anônimos em busca de sucesso. Um belo dia, para espanto de todos, aparece ali um gigante – homem alto e fortíssimo – vestindo uma pele de leão. Quem será ele? O que deseja a exótica figura? Será mais um candidato a participar dos programas de luta livre, fantasiado a caráter? De volta de seu passado de glória, o Hércules legítimo, o herói mítico dos 12 trabalhos que o tornaram formoso, reaparece inexplicavelmente no Rio de Janeiro dos nossos dias disposto a realizar seu 13º trabalho.


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