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Mostrando postagens com marcador Editora José Olympio. Mostrar todas as postagens
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fevereiro 02, 2018

"Quando chegou a época de minhas férias — que eu não tirava havia três anos, tão ávido estava para fazer da empresa um sucesso! — tirei três semanas em vez de duas e escrevi o livro sobre os doze homenzinhos. Escrevi-o direto, cinco, sete, às vezes oito mil palavras por dia. Pensei que um homem, para ser escritor, tinha de escrever pelo menos cinco mil palavras por dia. Pensei que devia dizer tudo de uma vez — num único livro — e desabar depois. Eu não sabia nada sobre a escrita. Me caguei de medo. (...) Era um tomo colossal e cheio de defeitos do princípio ao fim. Mas foi meu primeiro livro e me apaixonei por ele. Se tivesse dinheiro, como Gide, eu o teria publicado às minhas custas. Se tivesse tido a coragem de Whitman, eu o ofereceria de porta em porta. Todos a quem o mostrei disseram que era terrível. Exortaram-me a desistir da ideia de escrever. Tinha de aprender, como Balzac, que é preciso escrever volumes antes de assinar um deles. Tinha de aprender, como logo fiz, que se deve desistir de tudo e não fazer mais nada além de escrever, escrever, escrever, escrever, mesmo que todos no mundo nos aconselhem contra isso, mesmo que ninguém acredite na gente. Talvez a gente insista exatamente porque ninguém acredita; talvez o verdadeiro segredo esteja em fazer as pessoas acreditarem. Que o livro fosse inadequado, cheio de defeitos, ruim, terrível, como diziam, era simplesmente natural. Eu tentava fazer no começo o que um homem de gênio só tenta no fim. Queria dizer a última palavra no começo. Era absurdo e patético. Foi uma derrota arrasadora, mas me pôs ferro na espinha e enxofre no sangue. Pelo menos eu sabia o que era fracassar. Sabia o que era tentar uma coisa grande."

Escrever, escrever, escrever, ainda que a vida perca o sentido. Ou justamente por isso. Trópico de Capricórnio, originalmente publicado em 1939, é uma espécie de biografia ficcional de seu autor, Henry Miller, centrada em suas primeiras décadas de vida (que coincidem com o início do século 20) como um cidadão comum na América. O dia-a-dia do trabalho e das relações familiares era, para Miller, tanto em suas personagens como em sua realidade de escritor, de uma amargura sem fim. E quando o espírito se abate, pelo menos na concepção do autor, tal inquietação parece evadir-se apenas fora do cotidiano e sua normalidade.

Não há o que romantizar, no entanto. A angústia e a revolução (tanto a sexual como a bélica) eram como um "espírito de época" que já ocupava a Europa havia alguns séculos, e certamente também a América nestes mil novecentos e vinte de Miller. Ao passo em que haviam fábricas e plantações, bancos, pólvora e cozinheiras, entre os profissionais da cultura e da política e, principalmente, os da academia, havia uma indisfarçável distância (social e intelectual; quiçá repulsa) com a vida comum do cidadão comum, filho do suor e do não-letramento, da mentalidade simples e do preconceito, desta existência que se arrastava e se fortalecia e, por vezes, sim, em muitas das vezes, perecia.

Era nítida a genialidade de Henry, venerada especialmente por seus pares literários, dentre eles, George Orwell, que conferiu ao autor uma nota em seu ensaio Inside the Whale, de 1940: "Em minha opinião, eis o único autor de prosa-imaginativa de valor que surgiu entre os falantes de língua inglesa dos últimos anos. (...) Miller é um autor fora do comum, cuja obra vale mais que uma simples leitura; afinal, ele é um completo pessimista, um desconstrutor, um escritor amoral, (...) um servo do mal, uma espécie de Whitman por entre os cadáveres.". Embora uma individualidade marcante, Henry não escapou ao pensamento e ideologia de época, principalmente em seus anos de vida no epicentro chamado Paris. Se havia uma ruptura nos modos sociais e políticos, esta deveria também transbordar no escopo literário de seus agentes. Trópico de Câncer, por exemplo, sua primeira obra publicada em solo francês, já anunciava esta fusão entre autobiografia e ficção, e adicionava uma liberdade estética pouco encontrada na literatura de seus dias. Sobre o autor, nada como a fala de Anäis Nin, escritora, amante e companheira de Miller: "Eis um livro que, se tal fosse possível, talvez restaurasse nosso apetite pelas realidades fundamentais. A nota predominante parecerá de amargura, e amargura existe, ao máximo. Contudo, há também uma selvagem extravagância, uma louca jovialidade, uma verve, um prazer, às vezes quase um delírio. Uma oscilação continua entre extremos, com passagens cruas que têm o gosto da impudência e deixam o pleno sabor do vazio. Fica além do otimismo e do pessimismo. O autor deu-nos o último "frisson". A dor não tem mais recessos secretos." (trecho do prefácio de Trópico de Câncer).


A angústia e o vazio, assim como o niilismo e a destituição de autoridades e paradigmas eram, por assim dizer, pilares da produção cultural desta efervescente Paris dos anos Miller. No entanto, apesar de considerada uma obra-marco da liberalidade sexual, acredito ser necessária também uma leitura -que se dedique a esta insatisfação e quase impossibilidade de tornar concreto o ofício de escritor, para assim evitarmos um comentário focado apenas nas formas com que a espécie humana extravasa sua libido e satisfaz sua existência. Os Diários de Anäis Nin (1932-1934), por exemplo, certamente já cumprem - e bem - esta tarefa. Caso o leitor tenha em mente obras afins relacionadas a este tema (tanto o da liberdade quanto o da angústia), sinta-se à vontade para compartilhar referências com a gente :)

Aos interessados nesta "angústia da escrita", recomendo principalmente Nexus, publicado em 1959 e parte da trilogia The Rosy Crucifixion, composta ainda pelas obras Sexus (1949) e Plexus (1953). Aliás, há uma passagem bem interessante sobre este "mal estar da literatura" também em  Trópico de Câncer (1934), obra que antecede Trópico de Capricórnio:

"'Faça-o!' digo eu. 'Faça uma coisa ou outra, seu bastardo, mas não procure nublar meu olho sadio com seu hálito melancólico!' Mas é assim mesmo! Na Europa, você se acostuma a não fazer nada. Você se senta sobre a própria bunda e choraminga o dia inteiro. Você fica contaminado. Apodrece. Fundamentalmente, Carl é um esnobe, um pistolinha aristocrático que vive num reino de demência precoce só seu. 'Odeio Paris!' choraminga ele. 'Todas essas estúpidas pessoas jogando cartas o dia inteiro... veja-as! E este negócio de escrever! De que adianta juntar palavras? Posso ser escritor sem escrever, não posso? O que prova, escrever um livro? Afinal, para que queremos livros? Já existem livros demais...'

Que coisa! Mas eu já passei por tudo isso - há anos e anos. Vivi minha mocidade melancólica. Não dou mais nada pelo que existe atrás de mim ou à minha frente. Sou sadio. Incurávelmente sadio. Nem tristezas, nem remorsos. Nenhum passado, nenhum futuro. O presente é bastante para mim.


Segue-se isto: 'Todos querem ver-me. Todos insistem em falar comigo. Pessoas infernizam-me e infernizam outros com perguntas sobre o que estoufazendo. Como estou eu? Estou de novo perfeitamente bem? Ainda dou meus passeios pelo campo? Estou trabalhando? Terminei meu livro? Começarei outro logo?"

Como vemos, em ambos os Trópicos, o real e o devaneio são, para o autor, experiências vitais e indistintas. O que difere tais volumes, se pudermos assim generalizar, seria a "função da memória", que, em Trópico de Capricórnio, ocupa um maior protagonismo, onde, de forma quase direta, chega a citar uma das mais famosas passagens literárias a respeito das reminiscências de nossa lembrança e pensamento (a saber, Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust):

"Existe algo no gosto do pão de centeio que estou tentando descobrir - algo vagamente delicioso, aterrorizante e libertador, algo ligado às primeiras descobertas. (...) O que me tenha sido transmitido nesses momentos, parece ter sido retido intacto, e não há receio de que eu perca o conhecimento assim adquirido. Talvez fosse apenas o fato de não ser o conhecimento como em geral o concebemos. (...) O que me espanta, quando olho para trás, é como entendíamos bem uns aos outros, (...) jovens ou velhos. Aos sete anos de idade, sabíamos com absoluta certeza, por exemplo, que tal sujeito ia acabar na prisão, que outro trabalharia como escravo, que outro seria inútil, e assim por diante. (...) Do dia em que fomos para a escola em diante, não aprendemos nada; pelo contrário, tornamo-nos mais obtusos, envolveram-nos num nevoeiro de palavras e abstrações."

Trópico de Capricórnio é um livro que deveria ser lembrado por sua imperfeição. Porque há sexo demais, porém o sexo é o de menos. Ainda mais agora, décadas após seu lançamento, onde, para além da "renormatização" do corpo, podemos enfim nos perguntar os porquês de ainda se acreditar na escrita enquanto melhor-ofício e objetivo de vida.

Porque embora o homem (tanto o personagem como Miller) se ocupe de sua carne e pêlos, seus gastos e repulsas e de sua pura despesa (e ainda, de sua "mera esperteza", pra não perdermos a rima), em Trópico de Capricórnio há o testemunho de que nem toda existência deveria tornar-se pública (principalmente a que se embebeda de amores, tanto os de castidade como os de profanação), e muito menos subjugada ao político (afinal, novos costumes e concessões acabam por constituir novos sistemas, não deixemos nos enganar). Sobre o legado de Henry Miller, podemos dizer que suas narrativas se estendem por entre a extravagância e a agonia, e pelas consequências de quaisquer atos e instintos. Porque a vida é como um êxtase e se esvai. E nos fere de forma irreversível, como um poema ou um tiro.

“Assim como a própria cidade se tornara um imenso túmulo em que os homens lutavam para conquistar uma morte decente, também minha vida veio a parecer um túmulo, que eu construía a partir de minha própria morte. Eu vagava por uma floresta de pedra cujo centro era o caos; às vezes, no centro mesmo, no coração mesmo do caos, eu dançava e bebia estupidamente, ou fazia amor, ou amizade com alguém, ou planejava uma nova vida, mas era tudo caos, tudo pedra, e tudo irremediável e desconcertante.”

(...) Quando olho para trás, parece-me que jamais fiz nada por vontade própria, mas sempre por pressão dos outros. As pessoas muitas vezes me acham um cara aventureiro; nada pode estar mais longe da verdade. Minhas aventuras sempre foram adventícias, sempre empurradas para cima de mim, sempre mais suportadas do que empreendidas. (...) Pois só há uma grande aventura, e esta é para dentro do eu, e para isso nem tempo, nem espaço, ou mesmo atos contam.

(...) Tudo que acontece, quando importante, é assim como uma contradição. Até aparecer aquela para quem escrevo isto, eu imaginava que em algum lugar por aí, na vida, como dizem, está a solução para tudo. Pensava, quando dei com ela, que me apoderava da vida, agarrava uma coisa que podia morder. Em vez disso, perdi completamente o controle da vida. Procurei alguma coisa a que me ligar - e não encontrei nada. Mas ao procurar, no esforço de agarrar-me, ligar-me a algo, perdido como estava, ainda assim encontrei o que não procurava - eu mesmo. Descobri que o que desejara a vida toda não fora viver - se o que os outros fazem se chama viver - mas me expressar." 


 "Assim passam os momentos, momentos verídicos de tempo sem espaço nos quais sei tudo e, sabendo tudo, desabo sob a abóbada do sonho altruísta.

Entre esses momentos, nos interstícios do sonho, a vida tenta inutilmente construir, mas o andaime da louca lógica da cidade não é apoio. (...) Meus olhos são inúteis, pois devolvem apenas a imagem do conhecido. (...) A cidade cresce como um câncer; devo crescer como um sol."

Trópico de Capricórnio - Henry Miller 
Editora José Olympio

Sinopse: Cinco anos depois da publicação do escandaloso Trópico de Câncer (1934), Henry Miller lançou este Trópico de Capricórnio (1939). Não repetia a fórmula anterior, apesar de o erotismo e a sexualidade ainda serem extremamente evidentes, mas alcançava um tom mais subjetivo e mais denso. Nele, Miller conta seu passado em Nova York, história-mito anterior à parisiense relatada no primeiro livro. Um passado permeado por considerações existenciais e em tons de cinza, da falta de trabalho e de dinheiro a um emprego odioso.

Com toques autobiográficos, a história se passa nos anos 1920 e relata um passado permeado por considerações nada otimistas: “Meu amigo Kronski zombava de mim por minhas ‘euforias’. Era a forma disfarçada que tinha de me lembrar, quando eu estava extraordinariamente alegre, que no dia seguinte estaria deprimido. Era verdade. Eu só tinha altos e baixos. Longos períodos de tristeza e melancolia, seguidos por extravagantes explosões de alegria, de uma inspiração que parecia um transe. Jamais um nível em que fosse eu mesmo. Soa estranho dizer isso, mas nunca fui eu mesmo. Ou era anônimo ou a pessoa chamada Henry Miller elevada à enésima potência.”

Trópico de Capricórnio não é libertário como Trópico de Câncer. Pelo contrário, nele, o sexo parece mais escapismo do que celebração, fuga de uma realidade cruel e opressora. Mas, mesmo pessimista, a situação extremada parece pedir uma reação, que, como se sabe, viria com a ida a Paris.

Trópico de Capricórnio mantém a sexualidade e o erotismo em primeiro plano, porém não é simplesmente uma repetição dos temas e do estilo apresentados em Trópico de Câncer. Por meio de uma narrativa ainda mais densa e subjetiva, Henry Miller desfia seu passado em Nova York durante os anos 1920 – antes de embarcar para Paris e fazer da capital francesa a sua festa individual.


outubro 16, 2017



No post de hoje, apresentamos os lançamentos de outubro do Grupo Editorial Record com destaque para os títulos de literatura estrangeira e crônicas. Conheçam as novidades:






Primeira obra de Henry Miller, Trópico de Câncer foi aclamado como parte da revolução sexual e se tornou um dos grandes clássicos da literatura americana.

Publicado orginalmente em 1934, em Paris, Trópico de Câncer foi imediatamente proibido em todos os países de língua inglesa. Tachado como pornográfico, assim como seu sucessor Trópico de Capricórnio, só foi liberado nos Estados Unidos e na Inglaterra nos anos 1960, aclamado como parte da revolução sexual. O livro foi celebrado pelos maiores intelectuais da época e se tornou um dos grandes clássicos da literatura americana. Samuel Beckett o saudou como “um evento monumental da história da escrita moderna”.  E outros nomes como T. S. Eliot, Ezra Pound e Lawrence Durrell também notaram rapidamente o talento de Miller.

O livro traz um relato autobiográfico e idiossincrático de Miller, que chega a Paris após abandonar nos EUA um casamento arruinado e uma carreira estagnada. Mesmo sem um centavo no bolso, Henry Miller é apresentado à boemia francesa e redescobre seu próprio talento em dias e noites de liberdade e alegria sem fim.



Sucessor de Trópico de Câncer. Publicado originalmente em 1939, este livro foi aclamado como parte da revolução sexual.

Trópico de Capricórnio mantém a sexualidade e o erotismo em primeiro plano, porém não é simplesmente uma repetição dos temas e do estilo apresentados em Trópico de Câncer. Por meio de uma narrativa ainda mais densa e subjetiva, Henry Miller desfia seu passado em Nova York durante os anos 1920 – antes de embarcar para Paris e fazer da capital francesa a sua festa individual. 

Com toques autobiográficos, a história se passa nos anos 1920 e relata um passado permeado por considerações existenciais e em tons de cinza, da falta de trabalho e de dinheiro a um emprego odioso. 

Trópico de Capricórnio não é libertário como Trópico de Câncer. Pelo contrário, nele, o sexo parece mais escapismo do que celebração, fuga de uma realidade cruel e opressora. Mas, mesmo pessimista, a situação extremada parece pedir uma reação, que, como se sabe, viria com a ida a Paris.



Publicado originalmente em 1861, Mary Ann Evans, sob o pseudônimo de George Eliot, combate preconceitos, privilégios e desvios de conduta que se revelam até hoje na sociedade 

Silas Marner: O tecelão de Raveloe é a história de um tecelão de linho que foi traído por seu melhor amigo e acusado de um roubo que jamais praticara.  Desencantado com as pessoas e com a religião que o condenaram, ele abandona para sempre o lugarejo onde nasceu e morava. Fixando-se em outra e distante cidadezinha, Silas passa a viver como um proscrito, não se relacionando com ninguém. Se apega ao dinheiro e acaba juntando uma pequena fortuna, que, no entanto, acabará por perder, como antes perdera a consideração dos vizinhos. Somente a aparição de uma criança, que há de surgir no lugar do ouro sumido, garantirá seu reencontro com a satisfação de estar vivo.

Notável por seu forte realismo e seu tratamento sofisticado de uma variedade de questões que vão desde a religião à industrialização de comunidade, Silas Marner desmascara e combate preconceitos, privilégios, desvios de conduta e ambições tortuosas que se revelam até hoje enquistados na sociedade. 





A Queda 
Albert Camus

Um advogado francês faz seu exame de consciência num bar de marinheiros, em Amsterdã. O narrador, autodenominado “juiz-penitente”, denuncia a própria natureza humana misturada a um penoso processo de autocrítica. O homem que fala em A queda se entrega a uma confissão calculada. Mas onde começa a confissão e onde começa a acusação? Ele se isolou do mundo após presenciar o suicídio de uma mulher nas águas turvas do Sena, sem coragem de tentar salvá-la. Camus revela o homem moderno que abandona seus valores e mergulha num vazio existencial. Fundamental para todas as gerações.

Um dos grandes escritores do século XX, Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1957, três anos antes de sua morte. Entre suas maiores obras estão O estrangeiro, A peste e A queda. Só no Brasil, o autor já vendeu mais de 300 mil exemplares.

A Editora Record irá relançar este ano, com projeto gráfico novo, toda a obra da Albert Camus como parte das comemorações dos 60 anos do Prêmio Nobel do autor.


A Peste
Albert Camus

De um dos mais importantes e representativos autores do século XX e Prêmio Nobel de Literatura. Romance que destaca a mudança na vida da cidade de Orã, na Argélia, depois que ela é atingida por uma terrível peste, transmitida por ratos, que dizima a população. É inegável a dimensão política deste livro, um dos mais lidos do pós-guerra, uma vez que a cidade assolada pela epidemia lembra a ocupação nazista na França durante a Segunda Guerra Mundial. “A peste” é uma obra de resistência em todos os sentidos da palavra. Narrado do ponto de vista de um médico envolvido nos esforços para conter a doença, o texto de Albert Camus ressalta a solidariedade, a solidão, a morte e outros temas fundamentais para a compreensão dos dilemas do homem moderno.


O Homem Revoltado
Albert Camus

As obras de Albert Camus destacam em geral dois conceitos: o absurdo e a revolta. Em O homem revoltado, o autor faz vários questionamentos de ordem filosófica. Coloca-se a favor da liberdade humana e da dignidade do indivíduo e contrário ao comunismo, aos regimes totalitários e ao terrorismo, pois incitam a revolta humana, os assassinatos e a opressão. Muito mais do que um ensaio, é uma obra contra os crimes de Estado, com destaque para aqueles ocorridos durante o regime stalinista. Segundo Camus, não há crime que possa ser justificado em nome da História. O autor mostra toda a sua personalidade por si só revoltada, com o objetivo da superação e da procura de um caminho, já que termina de escrever o livro alguns anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Apesar da morte precoce, Albert Camus deixou um legado para a sociedade e para cada indivíduo, iluminando os problemas da consciência humana.


Diário de Viagem
Albert Camus

Este Diário de viagem de Albert Camus, publicado na França em 1978, traz as impressões anotadas pelo escritor em duas viagens: aos Estados Unidos, em 1946, e à América do Sul (principalmente o Brasil) entre junho e agosto de 1949.

Durante sua estada em nosso país, Camus registra observações preciosas sobre vários aspectos da vida brasileira, comentando ainda seus encontros com Aníbal Machado, Manuel Bandeira, Murilo Mendes, Augusto Frederico Schmidt, Oswald de Andrade, Mário Pedrosa e muitos outros.

São de leitura obrigatória para o leitor brasileiro os comentários aguçados feitos pelo pensador francês sobre este “país em que as estações se confundem umas com as outras; onde os sangues misturam-se a tal ponto que a alma perdeu seus limites”.


Saudades dos cigarros que nunca fumarei
Gustavo Nogy

Ensaios imprudentes de Gustavo Nogy.

O ensaio breve é uma arte que exige graça e agilidade. Gustavo Nogy é, nele, uma espécie de ginasta olímpico. Tem de ser: não há texto neste livro que não dê volteios em torno da dificuldade que é viver aqui, neste mundo, neste país, nestes anos.

O autor ora desfere contra essa mania atual de endeusar os filhos, ora faz você se perguntar por que descer ao litoral no feriado – lentamente, a 20 km por hora no congestionamento – parece uma maneira eficaz de escapar de tudo, se tudo e todos estão indo junto com você. Em um texto, relembra os tapas na nuca que a mãe lhe dava quando ele chorava na escola, como Proust relembrava as suas madeleines – como um sabor inefável e insubstituível perdido no tempo. No texto seguinte, desconcerta com a comparação entre as revistas masculinas e as femininas, e a conclusão de que elas são um bocado parecidas.

Ao final, Gustavo se torna para o leitor um bom amigo. Que provoca, que diz as coisas como as coisas são, que às vezes até ultraja. Mas que nunca perde o humor nem a vontade de ouvir – e a de conversar, em boa prosa.


Polícia federal: A lei é para todos
Carlos Graieb e Ana Maria Santos

Os bastidores da Operação Lava Jato. O livro que inspirou o filme Polícia Federal: A lei é para todos.

A Polícia Federal é protagonista na história da Operação Lava Jato, mas sua atuação impõe uma discrição que instiga a curiosidade sobre os bastidores de suas atividades. Ao acompanhar os policiais envolvidos em cada etapa da investigação, em ritmo de thriller, Ana Maria Santos e Carlos Graieb apresentam o olhar inédito da instituição sobre uma das maiores operações de combate à corrupção da história. Nunca antes um livro expôs tão detalhadamente todas as nuances — decorrentes de dúvidas e incertezas e consequentes de pressões de ordem política — do trabalho do policial.
setembro 14, 2017


"Que estranho é ser uma mulher do campo depois de tantos anos sendo uma londrina típica! É possível que esta seja a primeira vez em minha vida que não tenha um teto em Londres... Você nunca compartilhou de minha paixão por essa grande cidade. No entanto, em algum nicho estranho de minha mente sonhadora, ela é tudo quanto representa Chaucer, Shakespeare, Dickens. Eis o meu único patriotismo." (trecho de carta de V. Woolf à sua amiga Ethel Smyth)

Em uma coleção de ensaios, Virgina Woolf tece impressões de sua cidade. Por sua atenção aos detalhes, até a menor das passagens tem a grandiosidade de uma travessia. Escritos entre 1931 e 1932, a memória afetiva da autora retrata o ritmo das manhãs e o das marés, em versos que circulam pelas docas do East Side, por catedrais e abadias, pela história de homens extraordinários e comuns, assim como pelo burburinho dos mercadantes e das mercadorias da Oxford Street. 

Nos relatos de Virgínia, a beleza de Londres está em sua grandiosidade, que é também sinônimo de vida breve e passageira. Porque é preciso que haja multidão para entender-mo-nos e sozinhos, e esta condição de exílio era todo o coração de Virgínia. Seja em Londres ou em sua cidade literária, a autora alimenta a saudade das imagens que um dia a seduziram, assim como a melancolia diante daquilo que, em sua percepção, a todo momento se desfazia.

Nestas cenas de Londres e Virgínia, o que permanece é uma ambígua incompletude: enquanto literatura, a cidade é uma metáfora de confronto e vida, e desta vida que exaspera em seu próprio sono e viço; enquanto morada de quem a tudo sobrevive, a literatura é o que nos faz tomar partido, e eventualmente partir: "Por tempos imemoriais, Londres tem estado ali, uma cicatriz mais e mais profunda naquela extensão de terra, cada vez mais inquieta, encaroçada e tumultuada, marcada de modo indelével. E ali jaz em camadas, em estratos, eriçando-se, ondulando, (...) justamente ali, onde naquele exato instante o rapaz de sempre senta-se num banco de ferro abraçando a moça de sempre."


"Assim, para conhecer Londres não apenas como um espetáculo deslumbrante, um mercado, uma corte, uma colméia de indústria, mas como um lugar onde as pessoas se encontram, conversam, riem, casam-se e morrem, pintam, escrevem e atuam, mandam e legislam, era essencial conhecer mrs. Crowe. Era em sua sala de estar que os inúmeros fragmentos da vasta metrópole pareciam juntar-se num todo animado, compreensível, divertido e agradável. (...) Mas nem a própria Londres podia manter mrs. Crowe viva para sempre. (....) E Londres, embora Londres ainda exista, jamais será de novo a mesma cidade." (trecho de Retrato de uma londrina)



Cenas londrinas compila seis crônicas nas quais Virginia Woolf confirma sua paixão por sua cidade natal. Virginia faz um retrato da década de 1930 ao observar o encanto da moderna Londres. Ao se deslocar para a perspectiva tanto de grandes homens quanto de cidadãos comuns, a autora oferece uma visão original, clara e atraente do movimento orgânico das ruas.

Inicialmente publicado com cinco narrativas – produzidas entre 1931 e 1932 –, a este volume se soma a crônica descoberta na biblioteca da Universidade de Sussex, em 2005. É como se Virginia estivesse conduzindo o leitor por um passeio, começa nas docas de Londres, depois migra para o tumultuado comércio ambulante da Oxford Street, prossegue com um curioso giro por endereços de grandes homens – em busca de escritores ilustres. Há a contemplação das catedrais de St. Paul e de Westminster, e a visita à casa de Keats, em Hampstead. Por fim, o olhar se fixa na figura típica da mulher de classe média inglesa, para Ivo Barroso, “a visão de um microcosmo representativo de toda uma nacionalidade”.
julho 13, 2017


Recém lançado pela editora José Olympio, “Dez contos escolhidos de Eça de Queirós” é uma coletânea organizada pelo escritor Mário Feijó. Alguns contos muito conhecidos, outros nem tanto, uma seleção feita a dedo para uma edição caprichada.

O livro apresenta dez contos com os mais diversos temas característicos da obra de Eça de Queirós, que incluem a crítica aberta aos costumes da época, alegorias, ironia referente às extravagâncias da sociedade em ascensão.

Nesta coletânea encontramos um misto de tudo o que o autor lusitano, como astuto observador que era, gostava de escrever e com a vantagem de serem histórias curtas, com uma linguagem direta e de rápida leitura.

Indico este livro para que é fã de Eça de Queirós, para leitores que, assim como eu, estão enrolados com outras leituras e estão priorizando histórias curtinhas. Essa é, também, uma ótima opção para pessoas que nunca leram nenhum romance do Eça, pois são histórias menores, menos complexa e que, ainda assim, representam bem o estilo do autor.

Confiram abaixo a vídeo resenha com minhas impressões sinceras sobre o livro:


Espero que tenham gostado. Não esqueçam de deixar seu comentário.

Até a próxima!

"Não há idéia mais consoladora do que esta — que eu, e tu, e aquele monte, e o Sol que, agora, se esconde, somos moléculas do mesmo Todo, governadas pela mesma Lei, rolando para o mesmo Fim. Desde logo se some m as responsabilidades torturantes do individualismo. Que somos nós? Formas sem força, que uma Força impele. E há um descanso delicioso nesta certeza, mesm o fugitiva, de que se é o grão de pó irresponsável e passivo que vai levado no grande vento, ou a gota perdida na torrente! Jacinto concordava, sumido na sombra. Nem ele nem eu sabíamos os nomes desses astros admiráveis. Eu, por causa da maciça e indesbastável ignorância de bacharel, com que saí do ventre de Coimbra, minha mãe espiritual. Jacinto, porque na sua ponderosa biblioteca tinha trezentos e dezoito tratados sobre astronomia! Mas que nos importava, de resto, que aquele astro além se chamasse Sírio e aquele outro Aldebarã? Que lhes importava a eles que um de nós fosse José e o outro Jacinto? Éramos formas transitórias do mesmo ser eterno - e em nós havia o mesmo Deus. E se eles também assim o compreendiam, estávamos ali, nós à janela num casarão serrano, eles no seu maravilhoso infinito, perfazendo um ato sacrossanto, um perfeito ato de Graça — que era sentir conscientemente a nossa unidade e realizar, durante um instante, na consciência, a nossa divinização."

(trecho de Civilização)



Eça de Queiroz - Dez Contos Escolhidos

Antologia reúne contos consagrados e algumas narrativas menos conhecidas no Brasil. 

Esta bela seleção de contos do grande Eça de Queirós compõe um panorama dos temas característicos da obra do grande autor português. Seja pela crítica direta aos costumes de sua época ou pela alegoria de situações que mudam com a sociedade, Eça escreveu sobre o comportamento humano, do qual era arguto observador. Sempre em linguagem leve e direta, usando das sutilezas como tempero; o princi­pal eram os personagens e suas histórias. Um talento que o projetou como o mestre do romance português moderno e que também pode ser conferido por meio dos seus contos.
abril 18, 2017


"Bartleby era um desses seres sobre os quais nada pode se dizer com certeza (...). Em uma resposta ao meu anúncio, um jovem imóvel surgiu uma manhã à porta do escritório. (...) À princípio, Bartleby escrevia numa quantidade espantosa. (...) Mas escrevia em silêncio, apaticamente, mecanicamente.

Creio que foi no terceiro dia de sua presença no escritório (...) quando eu o chamei, explicando rapidamente para que o desejava: conferir junto comigo um pequeno documento. Imaginem minha surpresa... mais do que isso, minha consternação, quando Bartleby respondeu, sem deixar sua privacidade, em voz singularmente suave e firme:

- Preferia não fazê-lo.

Fiquei em silêncio total por um momento, recompondo minhas faculdades atordoadas (...).

- Preferia não fazê-lo?

- Preferia não fazê-lo."


Bartleby, o escrivão, é um personagem lembrado por sua resignação e apatia. Publicado em 1853, Bartleby é uma espécie de comentário de seu próprio autor, Herman Melville, cuja vida fora igualmente marcada pela reprovação e esquecimento. Em sua meia idade, já na década de 1860, era constante o pessimismo de Melville em relação a escrita, e tamanha ausência de perspectiva fez com que abandonasse o ofício literário para, assim como Bartleby, ocupar o restante de seus dias em um cargo meramente burocrático.

Sobre este icônico personagem, pouco sabemos de suas origens (a não ser no prólogo, onde o narrador - um advogado razoavelmente bem sucedido - encerra com um suposto indício biográfico, de poucas linhas, porém capaz de despertar no leitor uma nova empatia por Bartleby, e uma espécie de justificação por seu excêntrico comportamento). Na opinião de muitos comentadores, como Enrique Vila-Matas, o enredo de Bartleby é o fundamento para a chamada "Literatura do Não", ou da Negação, onde a apatia de seus personagens é ao mesmo tempo um não sujeitar-se ao mundo, como também uma espécie de insolente permanência (em si, e em tudo aquilo que não se deseja modificar):

"- Agora, uma das duas coisas precisa ocorrer: ou você faz alguma coisa, ou algo será feito a você. Então, a que tipo de trabalho você gostaria de se dedicar? Você gostaria de voltar a fazer cópias para alguém?

- Não. Eu prefiro não fazer qualquer mudança."


Um pouco de história nos cabe aqui: o cenário escolhido para o conto de Melville é um pequeno escritório em Nova Iorque, onde a rotina (pouco equilibrada, porém funcional) de um advogado e seus três funcionários é subitamente alterada com a chegada de um novo personagem, Bartleby, que respondera um anúncio para uma vaga de escrivão. A princípio, o jovem aprendiz exerceria seu ofício de forma compenetrada e intensa (Bartleby apenas copiava, sem conversar, e tampouco almoçar, ou simplesmente sair do escritório), e esta "presença imóvel" de algum modo conquistaria a confiança de seu empregador:

"Em resposta a um anúncio, um jovem que não se mexia surgiu (...); ainda hoje sou capaz de visualizá-lo - palidamente limpo, tristemente respeitável, incuravelmente pobre! Era Bartleby.

Depois de algumas palavras a respeito de suas qualificações, contratei-o, satisfeito por ter em minha equipe de copistas um homem de aspecto tão singularmente sossegado, que eu acreditei poder ser benéfico ao temperamento excêntrico de Turkey e ao gênio explosivo de Nippers."


Com o passar dos dias e da repetição dos expedientes, de forma também súbita Bartleby respondera a um pedido de seu chefe (no caso, a simples revisão de um dos textos copiados) com uma das frases tornadas icônicas em toda a literatura: "Preferia não". Ou seja, para qualquer tarefa solicitada dali por diante, Bartleby assim responderia: - Prefiro não fazê-la.

E assim a história prossegue, e se repete: uma nova tarefa, a mesma "não-preferência", e um inominado espanto de seu chefe e equipe.

Neste momento do livro, a intransigência de Bartleby (por muitos comentadores entendida como uma "vontade de resistência" às transformações do trabalho e do mundo neste quase início de século 20) chega a ser cômica, tamanho o impulso de habitar o espaço social apenas "existindo" ("Ele permaneceu como sempre, feito um ornamento em meu escritório. Não, ele tornou-se ainda mais um ornamento do que antes (...); ele não fazia nada no escritório (...); ainda assim, eu sentia por ele."), ou melhor, recusando-se a viver.

A história de Bartleby segue nesta aparência de abandono, e encerra seu protagonista em uma preferência pelo impossível: dentre toda coerção e arbítrio, o coração persiste naquilo em que acredita, por mais que esta predileção seja um prelúdio para sua própria dissolução e fim.

Bartleby: definitivamente um dos contos mais intrigantes de nossa literatura.


"... antes de me despedir do leitor, deixe-me dizer que, se esta pequena narrativa interessou-o suficientemente para despertar curiosidade sobre quem era Bartleby e que tipo de vida ele levava antes de o presente narrador conhecê-lo, posso apenas responder que partilho completamente dessa curiosidade, mas sou totalmente incapaz de satisfazê-la."



Em Bartleby, o escrivão (Editora José Olympio), Herman Melville, autor de Moby Dick, traça uma irônica e literária análise da natureza humana. O personagem título é um jovem amanuense judicial que, cansado do trabalho burocrático, decide adotar o “não” como lema e o “nada” como estilo de vida. Publicado originalmente, de forma anônima, numa revista em 1853, Bartleby, o escrivão é mais um lançamento da coleção Sabor Literário, que vem apresentando textos inéditos ou pouco conhecidos de grandes escritores.



março 31, 2017


Já é quase abril, mas ainda dá tempo de conversar um pouco sobre os recebidos que chegaram por aqui neste finzinho de março :) Dentre os lançamentos, trilogia chick-lit da Harper Collins, uma divertida publicação jovem da Morro Branco, e duas intensas histórias publicadas pela José Olympio / Record. Conheçam:


Charlotte - David Foenkinos

Uma tragédia familiar pouco antes da Segunda Guerra Mundial marca a vida da pequena Charlotte, que já dava indícios da realizada artista que viria a se tornar. Obcecada pela arte e pela vida, a jovem, progressivamente excluída de todas as esferas sociais alemãs com a ascensão do nazismo, teve que abandonar tudo para se refugiar na França. Exilada, ela inicia uma obra pictural autobiográfica de uma modernidade fascinante.

David Foenkinos coloca em suas próprias palavras um tributo original, apaixonado e vivo a Charlotte Salomon. Esse romance assombroso e redentor, pautado na vida da trágica figura real que lhe serve de protagonista, é o relato de uma busca. Da busca de um escritor obcecado por uma artista.


Bartleby, o escrivão - Herman Melville

O personagem título é um jovem amanuense judicial que, cansado do trabalho burocrático, decide adotar o “não” como lema e o “nada” como estilo de vida. Publicada originalmente, de forma anônima, numa revista em 1853, Bartleby, o escrivão é uma daquelas obras que deixa os leitores confusos quando chegam ao final: não há uma resposta e sim questionamentos sobre quem seria esse personagem tão peculiar.

A narrativa de Melville, um dos percursores do absurdo na literatura, é tão curta quanto rica e múltipla; leitura para se perder em interpretações.




A atriz Libby Lomax encontrou seu refúgio no mundo dos filmes clássicos, nos quais as deusas imortais favoritas da tela parecem oferecer muito mais romance do que a vida real. Depois de um dia terrível no set de filmagens, onde ela passou a maior vergonha de todos os tempos na frente do elenco inteiro e, pior, do astro sexy e notório bad boy Dillon O’Hara, tudo o que Libby consegue fazer é se jogar no sofá e assistir Bonequinha de luxo pela milionésima vez. De repente, ela se surpreende ao ver a estrela do cinema, Audrey Hepburn, sentada bem ao seu lado, em seu vestidinho preto, clássicos óculos escuros e cigarrilha vintage, cheia de conselhos para dar. Mas será que Libby realmente é capaz de transformar sua vida de fracasso em um incrível blockbuster? Talvez, com um pouquinho da ajuda mágica de Audrey, ela até consiga…


Uma noite com Marilyn Monroe

Os últimos meses passaram como um furacão pela vida de Libby Lomax. Depois das confusões em que a atriz não tão bem sucedida se meteu com a ajuda da diva Audrey Hepburn, agora Libby não só está namorando o cara mais gato do planeta mas também parece ter encontrado uma alternativa profissional melhor que a anterior. É incrível como a vida pode melhorar!

Mas seu otimismo tem vida curta. Logo ela percebe que Dillon O’Hara não é, nem de longe, o namorado perfeito que esperava, e seu melhor amigo, Ollie, parece ter esquecido de Libby em meio a tanta confusão.

Ainda bem que Libby tem outra convidada mais que especial para lhe aconselhar... Agora é torcer para que desta vez Marilyn seja a chave para finalmente colocar a vida nos eixos!



Nesta conclusão hilária da série Uma noite com, Libby Lomax se vê em mais uma enrascada: lutar pelo melhor amigo e amor de sua vida, Olly, que parece ter partido para outra, ou se jogar de cabeça em uma aventura que pode se transformar em seu felizes para sempre? Grace Kelly é a convidada da vez, e ela tem uma lição importante a ensinar: se você quer algo, precisa lutar para conseguir!




As vibrantes cores e o caos da cidade de Mumbai embalam esta história de crime e mistério, que vai fazer você mergulhar de cabeça na cultura indiana.

No dia da sua aposentadoria, o inspetor Chopra herda dois grandes mistérios. O primeiro é o afogamento de um rapaz, cuja suspeita morte ninguém parece interessado em investigar. E o segundo é um bebê elefante.

Enquanto sua busca por pistas o leva através da movimentada cidade de Mumbai – das ricas mansões ao submundo sombrio das favelas – Chopra começa a suspeitar que pode haver bem mais por trás dos dois mistérios do que ele pensava. E logo, ele descobre que um determinado elefante pode ser exatamente o que um homem honesto precisa...



O Gato Preto - em quadrinhos - Edgar Alan Poe

A intrigante história de 'O Gato Preto' é narrada em primeira pessoa pelo personagem sombrio que desde criança possui uma grande afeição por animais, mas o destino mostra-se assustador quando um gato preto aparece em sua vida. Nesses quadrinhos desfrutamos um pouco do mistério, do fantástico e da alma do ser humano, que se revela aterrorizadora. Uma leitura imperdível.


E você, já leu alguns destes lançamentos? <3

março 21, 2017

"As pessoas perguntam sempre por que a gente escreve e eu fico pensando em todos os motivos que levam de repente uma pessoa a escrever e penso que a raiz disso em mim está na vontade de ser amada, numa avidez pela vida. Quem sabe também se não é uma necessidade de viver o transitório com intensidade, uma força oculta que nos impele a descobrir o segredo das coisas. (...) Eu fico impressionada quando ouço pessoas que dizem sentir prazer em escrever. Para mim é sofrimento, um sofrimento de que não posso fugir, mas me amedronta. Penso que escrever serve mais para perdurar, para existir fora de nós mesmos, nos outros. (...) É por isso que penso que o que me leva a escrever é uma vontade de ultrapassar-me, ir além da mesquinha condição de finitude." (Trecho de entrevista de Hilda Hilst para O Estado de São Paulo, 1975)

No Dia da Poesia, uma das notícias que mais me chamou a atenção foi a de um lançamento da Companhia das Letras (já em pré-venda na Amazon e com um grande desconto!) com toda a obra poética de Hilda Hilst. O livro de 616 páginas reúne poemas de seus mais de vinte títulos, além de inéditos, e inclui comentários críticos de Lygia Fagundes Telles, posfácio de Victor Heringer e carta de Caio Fernando Abreu para Hilda. Um dos melhores lançamentos do ano, com toda certeza!


Outro lançamento recente, também relacionado a obra de Hilda, é o livro Numa Hora Assim Escura, publicado pela José Olympio. Resultado de anos de pesquisa, o projeto da autora Paula Dip reúne cartas de Caio Fernando Abreu enviadas a Hilda Hilst entre os anos de 1971 e 1990. O projeto gráfico da obra está lindo, e conta com diversas imagens dos poetas, assim como facsimiles das cartas datilografadas e manuscritas. Aliás, este livro também está em promo na Amazon hoje, aproveitem!

Sobre  obra: "Inéditas, algumas (cartas) ainda em envelopes selados, escritas à mão em papéis amarelados, devorados por cupins, ou datilografadas, elas estavam com o poeta baiano Antonio Nahud Júnior que, assim como Caio, viveu na companhia de Hilda na Casa do Sol, que recebeu de Hilda após uma briga com Caio, quando ela queria queimar tudo para afastá-lo de vez da sua vida. Confessional e íntimo, o conteúdo dessas correspondências revelou a grande amizade e o verdadeiro caso de amor literário entre os dois. Numa hora assim escura é uma reunião de cartas repletas de expressão e a transcrição do laço entre esses dois grandes escritores, que Paula nos apresenta com a sensibilidade de sempre."



Alguns excertos de poemas de Hilda Hilst:



II

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.
Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.
Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.

 (Em: Prelúdios-intensos para os desmemoriados do amor)



XIII

Ávidos de ter, homens e mulheres
Caminham pelas ruas. As amigas sonâmbulas
Invadidas de um novo a mais querer
Se debruçam banais, sobre as vitrines curvas.
Uma pergunta brusca
Enquanto tu caminhas pelas ruas. Te pergunto:
E a entranha?
De ti mesma, de um poder que te foi dado
Alguma coisa mais clara se fez? Ou porque tudo se perdeu
É que procuras nas vitrines curvas, tu mesma,
Possuída de sonho, tu mesma infinita, maga,
Tua aventura de ser, tão esquecida?
Por que não tentas esse poço de dentro
O incomensurável, um passeio veemente pela vida?

Teu outro rosto. Único. Primeiro. E encantada
De ter teu rosto verdadeiro, desejarias nada.


(Em: Poemas aos homens do nosso tempo)



Sobre a autora: "Hilda Hilst (1930-2004) foi uma ficcionista, cronista, dramaturga e poeta brasileira, considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século 20.

Hilda iniciou sua produção literária em São Paulo, com o livro de poemas Presságio (1950). Em 1965, ela se muda para Campinas e inicia a construção da Casa do Sol, para ser um porto seguro de sua criação. É na Casa do Sol que Hilda dedica-se exclusivamente ao trabalho literário, realizando ali mais de 80% de sua obra. Em 1967, ela estreia na dramaturgia e em 1970, na ficção, com Fluxo floema.

Dona de uma linguagem inovadora e abrangente, Hilda produziu mais de quarenta títulos, entre poesia, teatro e ficção, e escreveu por quase 50 anos, recebendo importantes prêmios literários do Brasil. Criadora de textos em que Atemporalidade, Real e Imaginário se fundem, e os personagens mergulham no intenso questionamento dos significados, buscando compreensão e encontro do essencial, Hilda retrata sem cessar a frágil e surpreendente condição humana.

Muitos de seus livros tiveram as edições originais esgotadas. A partir dos anos 2000, a Globo Livros reeditou sua obra completa, e em 2016 os direitos de publicação passaram para a Companhia das Letras. Hilda já ganhou traduções em países como Itália, França, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Argentina.

O acervo pessoal deixado pela escritora se divide, hoje, entre a Sala de Memória Casa do Sol — onde há, inclusive, produções inéditas — e o Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulálio da Universidade Estadual de Campinas (Cedae-Unicamp)." 

(texto retirado do site do Instituto Hilda Hilst)

março 14, 2017

Eu só queria dizer que a José Olympio está com uma nova edição do clássico Bartleby, O Escrivão, de Herman Melville, e eu realmente estou emocionada com a notícia <3 Ah sim, e tem mais um montão de outros títulos para nossa indecisa lista de leitura! Confira então os lançamentos de março da Record, Bertrand Brasil e José Olympio :)








FERRUGEM
Marcelo Moutinho

O assunto de Ferrugem é a paisagem humana, os grandes dramas corriqueiros, a vida que passa. Desfilam por aqui personagens ímpares, insuspeitas, inesquecíveis, ainda que aparentemente comuns: a moça soropositiva, caixa de supermercado, que reencontra o antigo namorado; a cobradora de ônibus que dá conselhos amorosos a um passageiro; o cantor de boate que imita Roberto Carlos. O valor literário dos contos de Marcelo Moutinho não está em tramas surpreendentes ou inusitadas, mas na alta-voltagem poética que a voz do narrador consegue extrair de situações vulgares.

Marcelo Moutinho é autor de Memória dos barcos (2001), Somos todos iguais nesta noite (2006), A palavra ausente (2011) e Na dobra do dia (2015), e do infantil A menina que perdeu as cores (2013). Seus contos foram publicados na França, Alemanha, Estados Unidos e Argentina, entre outros países.


Richard Bach

Em Ilusões, Richard nos transporta na cabine de um biplano até um lugar onde conhece Donald Shimoda, ex-mecânico que faz as ferramentas voarem, a imaginação do autor viajar e os leitores viverem uma vida muito mais feliz e completa. Bach, sintetizou nas aventuras da mais famosa das gaivotas os sentimentos, as ambições, e os objetivos de toda uma geração, reflete sobre a condição humana, sobre seus anseios e mistérios em uma história inesquecível.
Páginas: 160

Em O fim das ilusões, Richard Bach narra o diálogo que travou com os personagens mais famosos de seus livros nos meses em que ficou em coma após um acidente aéreo gravíssimo. Durante essa experiência de quase-morte no hospital, enquanto suas criações literárias o ajudavam a curar seu corpo, sua mente e sua alma, ele teve um reencontro com o Messias, que o guiou no caminho da libertação do mundo das ilusões.


GRACILIANO RAMOS: MUROS SOCIAIS E ABERTURAS ARTÍSTICAS
Benjamin Abdala Júnior (org.)

Organizado pelo crítico literário, acadêmico e escritor Benjamin Abdala Júnior, este livro reúne doze ensaios sobre as tensões na escrita de Graciliano Ramos propiciadas pela linguagem artística do escritor. Os autores pertencem ao grupo de pesquisa USP/CNPq “Estudos comparados: Graciliano Ramos – Pontes literárias, socioculturais e com outras artes”, e o repertório literário crítico aqui presente estabelece pontes com outros campos artísticos, como o do cinema e das artes plásticas, além de outras áreas do conhecimento, como a sociologia e a política.

Benjamin Abdala Júnior (org.) é crítico literário, acadêmico e escritor.


O MURO
William Sutcliffe

Um romance emocionante e uma fábula política e ideológica marcante sob o ponto de vista de uma criança.

William Sutcliffe é autor de seis livros, entre eles o best-seller internacional Eu, minha (quase) namorada e o guru dela e O que te faça feliz, ambos publicados pela Editora Record. Seus livros foram traduzidos para mais de vinte idiomas.

Uma fábula política marcante que evoca a realidade da Cisjordânia sob o ponto de vista de uma criança que, em meio aos colonizadores, descobre, da forma mais difícil, que toda história tem dois lados.
Considerado por muitos formadores de opinião um livro jovem adulto, O muro foi publicado no Reino Unido com duas capas, uma para os jovens e outra visando o público adulto.

“Ousado e marcante, um livro que fará você reavaliar suas opiniões sobre Israel e Palestina.” - A. D. Miller, autor de Um corpo na neve.




David Foenkinos

Uma tragédia familiar pouco antes da Segunda Guerra Mundial marca a vida da pequena Charlotte, que já dava indícios da realizada artista que viria a se tornar. Obcecada pela arte e pela vida, a jovem, progressivamente excluída de todas as esferas sociais alemãs com a ascensão do nazismo, teve que abandonar tudo para se refugiar na França. Exilada, ela inicia uma obra pictural autobiográfica de uma modernidade fascinante. Esse romance assombroso e redentor, pautado na vida da trágica figura real que lhe serve de protagonista, é o relato de uma busca. Da busca de um escritor obcecado por uma artista.

Com mais de 500 mil exemplares vendidos na França, Charlotte é considerado a consagração literária de David Foenkinos, rendendo ao autor os prêmios Renaudot, Goncourt des Lycéens e Globe de Cristal em 2014. Foenkinos é autor de A delicadeza do amor, comédia romântica adaptada para o cinema em 2011.


O QUE O INFERNO NÃO É
Alessandro D’Avenia

A escola chegou ao fim, e o verão se abre à frente de Federico, tal como Palermo, sua deslumbrante e misteriosa cidade. Enquanto se prepara para estudar em Oxford, o garoto de 17 anos encontra 3P, o professor de religião, padre Pino Puglisi. Ele não se ofende, sorri. 3P o convida a ajudá-lo com as crianças do seu bairro antes que ele viaje. Quando Federico atravessa a passagem de nível que separa Brancaccio do restante da cidade, ainda não sabe que nesse exato instante começa sua nova vida, a verdadeira. À noite, volta para casa sem bicicleta, com os lábios arrebentados e a sensação de ter descoberto uma realidade totalmente estranha, mas que lhe concerne de perto. É o emaranhado de ruelas controladas pela Cosa Nostra.

Seu romance de estreia, Branca como o leite, vermelha como o sangue (2011) inspirou o filme homônimo, realizado dois anos mais tarde.
É também autor de Coisas que ninguém sabe, publicado pela Bertrand Brasil em 2013.







A BAGACEIRA
José Américo de Almeida

Soledade, menina sertaneja, retirante da seca, chega ao engenho de Dagoberto, pai de Lúcio, acompanhada de vários retirantes: Valentim, seu pai, Pirunga, seu irmão de criação, e outros que fugiam da seca. Lúcio e Soledade acabam se apaixonando. Mas a relação entre os dois ganha ares dramáticos quando Dagoberto violenta Soledade e faz dela sua amante. A tragédia de amor serve, puramente como pretexto para denunciar os problemas sociais econômicos do Nordeste, os dramas dos retirantes das secas e da exploração do homem em um injusto sistema social.

A edição acompanha glossário composto pelo próprio autor e Ivan Cavalcanti Proença e introdução de M. Cavalcanti Proença. José Américo de Almeida foi eleito em 1966 para a Academia Brasileira de Letras.

Eka Kurniawan

Astuta, destemida e engenhosa, Dewi levanta-se do túmulo após 21 anos para contar a própria história e desvendar alguns mistérios. Mas talvez a principal razão para o forte desejo de voltar à vida seja visitar sua quarta filha, a quem ela deu à luz antes de morrer. Seu nome é Beleza, mas foi abençoada com a feiura que Dewi tanto desejou para afastar a família da maldição da beleza. Ao contar essa história, Eka Kurniawan, o aclamado escritor indonésio, faz uma crítica mordaz ao passado conturbado da sua jovem nação: a ganância do colonialismo; a luta caótica para a independência; a ocupação japonesa; o assassinato de um milhão de “comunistas” em 1965, seguido por três décadas de governo despótico de Suharto.

Eka Kurniawan escreve romances, contos, roteiros de cinema e ensaios. Suas obras já foram traduzidas para 24 idiomas e seu romance A beleza é uma ferida esteve na lista dos 100 mais lidos do New York Times.
Kurniawan foi o primeiro escritor indonésio a concorrer ao Man Booker International Prize.


BARTLEBY, O ESCRIVÃO
Herman Melville

O personagem título é um jovem amanuense judicial que, cansado do trabalho burocrático, decide adotar o “não” como lema e o “nada” como estilo de vida. Publicada originalmente, de forma anônima, numa revista em 1853, Bartleby, o escrivão é uma daquelas obras que deixa os leitores confusos quando chegam ao final: não há uma resposta e sim questionamentos sobre quem seria esse personagem tão peculiar. A narrativa de Melville – um dos percursores do absurdo na literatura – é tão curta quanto rica e múltipla; leitura para se perder em interpretações.

Nova capa e novo projeto gráfico para este clássico da literatura.
Apresentação de Jorge Luis Borges.